domingo, 6 de agosto de 2000

1.º Caminho do Tejo em Bicicleta - "Diario de Bordo"


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"No fundo o que está em causa é sempre o mesmo: o apelo do Homem para se
ultrapassar a si mesmo, a sua eterna inquietação, a sua condição de ser que
procura ... É de esperar, porém, que os peregrinos de hoje só sintam uma
efectiva satisfação com a ida a Fátima ou a outro santuário qualquer se ela
envolver alguns riscos e alguns incómodos, se ela for a incursão a um tempo
e a um espaço muito diferentes da vida quotidiana."

José Mattoso, "Caminho do Tejo", p.5, Readers Digest, Lisboa, 2000

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"O Caminho de Fátima é uma longa provação e o Peregrino tem de estar
preparado para sofrer, para aceitar o desafio e superar-se pelo efeito da
sua própria sublimação espiritual."

Pedro Roque (após a chegada ao santuário pelas 22:30).

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PRÓLOGO
Sejam quais forem os motivos (espirituais, religiosos, culturais,
aventureiros, turísticos) a peregrinação a Fátima sempre seduziu inúmeros
portugueses e até estrangeiros, crentes ou não.
Nesse pressuposto a iniciativa do CNC (Centro Nacional de Cultura) de
delinear o chamado "Caminho do Tejo" no âmbito dos diferentes "Caminhos de
Fátima" é extremamente louvável.
Pensado para afastar os peregrinos dos perigos da partilha da EN 1 com as
viaturas motorizadas e do consequente desnível de massas em presença, o
"Caminho" transita por algumas zonas muito agradáveis e de enorme valia
paisagística, ambiental e patrimonial que normalmente passam completamente
despercebidas ao viajante dos tempos actuais, mais interessado em poupar
tempo de trajecto do que em contemplar a envolvente.
De salientar que os 129 kms. evocados no guia do CNC correspondem a uma
medição algo benévola e equivalem a uma distância linear através de
auto-estrada entre Lisboa e Fátima (que tive ocasião de comprovar isso no
odómetro da minha viatura). Quanto à distância real do "Caminho" isso já é
uma história bem diferente - o meu ciclometro (que julgo correctamente
aferido) marcava, no Santuário, à chegada, 165 kms.! Se tivermos em
consideração que uma vintena deles corresponderam à distância Almada -
Parque das Nações (13 kms.) e a alguns pequenos desvios, então estamos na
presença de cerca de 145 kms. efectivos, já que o "Caminho" não é linear
antes segue um itinerário
caprichoso procurando misturar os mais diversos tipos de pisos e ambiencias.

OS CICLOPEREGRINOS E AS SUAS MÁQUINAS
Foi pois, com um "espírito de peregrinação" que encetamos o "Caminho" no
passado dia 02AGO00 pelas 06:00 em Cacilhas. No dia anterior tínhamos
colocado as viaturas em Fátima para obviar o regresso.
O grupo era constituído por mim, Pedro Roque, que me fiz transportar na
minha "muleto" (bicicleta de reserva) uma pesada "Confersil" de montanha de
cor prata, por Eduardo Dias na sua Sintesi X-Wing, por Fernando Soares na
sua Wheeler 9700 ZX encarnada e por último, mas não por menos, Paulo
Parreira em Scott Boulder.
Optei pela "muleto" por ter uma posição de condução muito mais relaxante
devido à sua geometria e guiador sobrelevado, sem embargo as ascensões
foram penalizadas, quer pela geometria do quadro, quer pelo seu peso
excessivo. Mas a minha confiança era tal que entendi ser possível efectuar a
travessia naquela bicicleta (tal como se veio a verificar, de resto).

MOTIVAÇÕES
Será que é verdadeiramente necessária uma motivação muito forte para um
português ir a Fátima? Acho que não.
No nosso caso houve um mínimo divisor comum que se chama ciclismo de
montanha. Gostamos de bicicletas pelo desporto, pela evasão e pelo contacto
com a natureza e com o património que nos proporcionam. Percorrer o
"Caminho" foi, apesar da sua enorme dureza, o paradigma de tudo isto.
Pessoalmente que me situo a meio caminho entre o agnóstico e o católico não
praticante as motivações de natureza religiosa "tout court" estiveram
ausentes no momento de me decidir a encetar este projecto (que, de resto,
fui o mentor). Elas prenderam-se mais com motivos espirituais genéricos,
culturais, ambientais e desportivos - o desafio que constituía era, por
demais,
apelativo.
Apenas Paulo Pereira aí se deslocava por motivos religiosos, daí que tenha
sido com uma certa mágoa que não tive o prazer da sua companhia até ao final
como, inclusivamente, de o ter aconselhado, via telemóvel, a fixar-se no
local onde estava e aguardasse pelo resgate auto devido ao adiantado da hora
e ao estado de exaustão que apresentava.
Para o compensar terá oportunidade de realizar o troço final, entre Minde e
Fátima, ainda durante o mês de Agosto, assim teremos todos uma
possibilidade de efectuar (dois de nós pela segunda vez) esta última fracção
do "Caminho" por forma a permitir-lhe cumprir o seu desiderato espiritual e
de Fé.

. 1.º Troço - Lisboa - Vila Franca de Xira
A travessia fluvial do Tejo correspondeu ao despertar solar, pelas 06:30,
perante os já habituais olhares atónitos dos cidadãos que se deslocam para
os seus empregos relativamente aos ciclistas em "trajes de lycra" e às
respectivas bicicletas.
É algo que, de início, estranhamos, mas a que já nos vamos habituando e
perante o qual até reagimos positivamente: afinal quem não gosta de sair do
anonimato? Ainda por cima por uma boa causa.
Apenas quando estava a bordo descortinei que, apesar de me ter
minuciosamente preparado para a travessia, me esquecera do guia do
CNC. Mas nem tudo estava perdido: no dia anterior tinha passado duas
expectantes horas no consultório do otorrinolaringologista e tinha optado
pela
releitura atenta daquela publicação em detrimento das revistas sociais de
Fevereiro ou Março de 1999 que abundam nas salas de espera dos clínicos
portugueses.
De resto tinha tido a informação, por intermédio do meu companheiro
ciclista
Pedro Brites, de Leiria, de que a rede de marcos balizadores do CNC era
irrepreensível, tal como, de resto, pude constatar.
Rapidamente, após passarmos numa semi-destruída Praça do Comércio, vencemos
a ligação até ao "Parque das Nações" pela lateral do Porto de Lisboa. Aí
chegados procedemos à foto da praxe debaixo da pala de Siza Vieira naquele
que é oficialmente considerado o "quilómetro zero" do "Caminho".
O percurso junto ao Tejo que começa junto à Torre Vasco da Gama é sempre
muito agradável (sobretudo áquela hora da manhã) pese embora a dificuldade
de
circular em passadiços com as tábuas dispostas longitudinalmente naquela
que, supostamente, é também uma ciclovia.
Atingida a foz do Trancão seguimos a Sacavém, transpusemos a ponte e
continuámos pelo dique limitador da margem junto à "Salvador Caetano" onde,
uma centena de metros após, encontramos o primeiro dos estupendos marcos.
Pode ler-se, aí, num azulejo branco, pintado a azul, por cima de uma seta
direccional: "Caminho de Fátima", trata-se de uma visão tranquilizante já
que representou o primeiro de uma sucessão de contactos com este tipo de
estruturas de betão responsáveis por nos levar a bom porto.
Lá fomos nós pela margem esquerda do Trancão. Foi a primeira grande
surpresa do dia: então este é que é o Trancão nauseabundo? Nada disso este é
um Trancão saudável ladeado de sapais e com os seus ecossistemas, encaixado
num espectacular vale onde apenas destoam alguns montes de entulhos e visões
longínquas de inestéticas construções de génese ilegal no topo dos Montes.
Pelo contrário, a visão de Unhos, no outro lado do rio e da sua afilada
torre de Igreja são um momento memorável destes primeiros quilómetros. A
paisagem chega até a ser bucólica tendo nós avistado dois enormes rebanhos
de ovinos um dos quais era, por sinal, bastante educado tendo nós conseguido
passar pelo seu interior sem que os animais se tivessem assustado.
As ruínas da Quinta do Monteiro - Mor conferem-lhe o toque final. A
ruralidade ainda está presente às portas de Lisboa, afinal ali tão perto no
outro lado do morro sobranceiro à A1.
Passámos então à Granja e a Alpriate, duas pitorescas povoações perto de
Vialonga. Transposto o túnel da auto estrada entrámos noutro universo: o do
reino do betão e da confusão urbanística. Iniciávamos, assim, a parte mais
incaracterística e potencialmente perigosa da travessia: a ligação de
Alverca a Vila Franca de Xira pela EN 10, uma estrada ao pior estilo: ultra
movimentada, sem bermas e onde impera a lei do mais pesado.
Não é fácil partilhar esta língua de asfalto com as incontáveis viaturas
motorizadas pelo que a melhor táctica consistiu em pedalar o mais rápido que
podíamos para, após cruzarmos Alhandra, alcançar a visão da Praça de Touros
de Xira (propositadamente "a taurina" no dizer de Garrett) que nos permitiu
flectir para o interior daquela povoação e entrar em glória no vistoso
jardim "Constantino Palha".
Não sei, até que ponto seria possível, com a colaboração da autarquia, criar
uma passagem pelo sapal e junto às indústrias instaladas a partir da gare de
Alverca, do outro lado da ferrovia, por forma a evitar que os peregrinos e
os transeuntes que circulam pela EN 10 passassem em completa segurança.

. 2.º Troço - Vila Franca de Xira - Azambuja
A travessia até à Vala do Carregado, após escassas centenas de metros na
EN10 á saída de Xira, e após o supermercado "Lidl", foi feita por uma
estrada secundária que aliava o bom piso à escassez de tráfego automóvel
condições de excelência para que uma boa média fosse efectuada, de resto
tendo o mesmo sucedido entre a Central Termoeléctrica e Vila Nova da Rainha,
isto apesar de um dos marcos estar completamente tapado por um cartaz de
propaganda política.
Chegados a esta povoação e após termos transposto a EN 3 deparámos com um
marco derrubado embora estando intacto. Restauramos as forças e repusemos a
energia dispendida através de uma pequena diminuição do peso que
transportávamos às nossas costas sob a forma dos mais variados tipos de
alimentos:
sanduíches, bolachas, frutos secos, cereais, pastilhas isotónicas, barras
energéticas, fruta... a que se seguiu uma pausa no "Café Sevilha", ainda
naquela povoação, para tomarmos quatro deliciosas chávenas da quente bebida
que nomeia este tipo de estabelecimentos de hotelaria.
A chegada à Azambuja é efectuada de novo pela EN 3, simplesmente esta
estrada, neste local, é espaçosa e tem amplas bermas que permitem circular
em condições mínimas de segurança pelo que, não tendo a mais agradável das
paisagens (sobretudo pelo contacto olfactivo com o ar que rodeia um aviário
industrial logo após a fábrica da Opel) este troço efectua-se celeremente e
em curto espaço de tempo estávamos junto à gare da Azambuja.

. 3.º Troço - Azambuja - Santarém
Transpusemos então a linha férrea de forma original: a passagem desnivelada
de acesso à gare permite o trânsito de cadeiras de rodas por um intrincado
conjunto de rampas ascendentes e descendentes que são extremamente
divertidas de ciclar evitando o sempre desagradável transporte dos
velocípedes ao ombro.
Começa então a parte mais rápida da travessia e que nos conduzirá até à
cidade de Santarém através da plana lezíria que nos permitiu manter médias
horárias surpreendentes, sobretudo até ao Reguengo (onde avistamos o dique
do Tejo pela primeira vez) em que um excelente asfalto se alia à quase
inexistência de viaturas circulantes e de ventos nos leva a velocidades da
ordem dos 40 kms. hora sempre com o pulso devidamente controlado.
De resto a paisagem é algo monótona, campos de milho de perder de vista,
valas e um aeródromo perdido no meio da lezíria pelo que a chegada ao dique,
no Reguengo, foi aproveitada para uma desejada aguada num café local mesmo
defronte do muro de protecção.
É aconselhável transitar a partir desse local e sempre que possível no topo
do dique uma vez que o Tejo é absolutamente deslumbrante nessa zona com o
seu ar preguiçoso e cálido. De tal forma que, na Valada, não resistimos e
banhámo-nos nas águas do rio numa magnífica praia fluvial enquadrada pelo
harmonioso casario pombalino da povoação e pelos salgueiros das margens. Foi
uma pausa fantástica.
Continuámos pelo dique até ao Porto de Muge cuja ponte permite já a passagem
de peões até á margem esquerda. E, a partir desse ponto, pelo caminho de
terra batida que ladeava, pela esquerda, o dique já que, a partir de algumas
centenas de metros desta localidade, o dique deixa de servir de caminho
paralelo.
Algumas paragens à sombra para reagrupar permitiram colher algumas amoras
silvestres de gosto requintado. Rapidamente começamos a vislumbrar as
esguias torres da nova ponte Salgueiro Maia, perto de Santarém e alcançamos
a estrada de asfalto que nos conduzirá por debaixo da ponte até junto ao
aeródromo de Santarém e mais adiante, até ás Ómnias, não sem antes
depararmos com um marco onde se afixam os níveis das diversas inundações
que ciclicamente afectam aquela zona do Vale do Tejo.
Chegados às Ómnias iniciamos uma prolongada e quente subida pelo asfalto,
por entre os montes bem enxameados de oliveiras até Santarém pelo que, a
pausa a meio da ascensão, no chafariz da Junqueira, em que brotava uma água
fresca e cristalina, nos tivesse parecido uma mirífica visão de um oásis
tornando a nossa chegada a Santarém, assim, menos penosa.

4.º Troço - Santarém - Monsanto
Em Santarém foi onde sentimos a falta do guia pela primeira vez. De facto
quando se alcança a cidade os marcos desaparecem. Não adianta questionar os
cidadãos da urbe ou mesmo as autoridades pois indicam-nos a direcção de
Fátima pela EN - é a única que conhecem.
Felizmente a memória não me traiu e recordava-me que o quarto troço começava
no Largo do Liceu naquela cidade e prosseguia pela estrada militar que passa
junto à Escola Prática de Cavalaria e por aí seguimos e logo topamos o
marco - afortunada visão - lá fomos.
Após mais uma pausa num café, mesmo à saída de Santarém, antes dos
Missionários Combonianos, onde ingerimos mais
alguns suplementos energéticos lá continuámos entrando num tipo de paisagem
completamente diferente: maiores desníveis a exigirem maior dispêndio de
energia; pisos mais técnicos a solicitarem uma maior concentração no
pedaleio;
mais vegetação e sombras num quadro rural de grande beleza onde a paisagem
natural se casa harmoniosamente com a ocupação humana.
O calor aumentou devido à ausência de vento pelo que dois dos companheiros
ciclistas começaram a manifestar os primeiros sintomas de cansaço que era
agravado pelas mudanças constantes de cota típicas do relevo desta zona.
Atrás de nós, para Sul, Santarém ia tornando-se cada vez mais pequena e mais
baixa, sinal que estávamos agora a ascender em altitude. Os pisos alternavam
entre o asfalto (que começava agora a ser bem recebido pelos incondicionais
apreciadores de terra), a terra batida e a pedra solta ("tout-venant" no
dizer do guia do CNC) as diferenças de andamento entre os elementos do grupo
estavam agora mais nítidas já que inevitavelmente os dois primeiros tinham
de efectuar pausas periódicas para reagrupar os restantes.
Daí que a pausa em Santos nos soube maravilhosamente, havia que efectuar
aguada (a reserva constituída no chafariz da Junqueira estava esgotada para
alguns e horrorosamente quente para outros) e aí culminei as minhas
sanduíches de queijo.
Mais grave foi quando o simpático proprietário do estabelecimento, ao
responder a uma interpelação sobre a distância remanescente até Fátima,
afirmou, sem hesitar: quarenta quilómetros! Ia caindo o "Carmo e a
Trindade", para Fernando Soares, visivelmente o mais desgastado, era o "coup
de misericorde" daí que tivesse soltado um genuíno "fico já aqui!".
Demonstrei-lhe que não poderia ser essa a distância (embora não ficasse
muito longínqua da real) e lá continuámos.
Começámos, então a ascensão até à magnífica Cumeada dos Três Moinhos quando
numa pausa eu e Eduardo Dias, já no cume, junto ao terceiro moinho, vemos
surgir apenas Fernando Soares gesticulando para que voltássemos para trás.
Confesso que receei o pior já que, o elemento em falta, Paulo Parreira, já
tivera duas quedas relativamente graves em passeios anteriores. Quando
chegamos, estava ele à sombra do primeiro moinho com a corrente partida. O
alívio foi tal que desatei a rir, perante a surpresa do "acidentado" com uma
corrente partida na mão e sem saber exactamente o que fazer. Rapidamente
resolvemos a
situação utilizando o saber empírico, um desencravador de correntes e um elo
especial próprio para situações deste tipo e logo seguimos caminho pela
cumeada com o perfil da Serra d'Aire a adensar-se, cada vez mais, no
horizonte. Havia então que desdramatizar pelo que gracejei afirmando que
deveria de haver um túnel que evitasse a, previsivelmente dura, ascensão.
Passados alguns quilómetros chegámos aos Olhos de Água onde se situa uma
praia fluvial no rio Alviela, mais um oásis na nossa travessia. Aí a nossa
paragem foi mais demorada. Tempo para nos sentarmos na magnífica esplanada e
saborearmos uma bifana uma vez que a sensação de fome era uma realidade.
Esta paragem acabou por ser, a um tempo, bem-vinda mas excessiva já que se
perderam alguns minutos que no final seriam preciosos para evitarmos a
noite.
Após retemperarmos as nossas forças em breve alcançámos Monsanto.
Dois dos elementos do grupo, Fernando Soares e Paulo Parreira já davam
bastantes sinais de cansaço e a visão imponente do maciço da Serra d'Aire
que ia aumentando à medida que nos aproximávamos não era propriamente
tranquilizadora.

5.º Troço - Monsanto Fátima
Partimos para os últimos e mais duros quilómetros da nossa travessia. Ao
chegarmos ao Covão dos Fetos no sopé do maciço começámos a subir pelo
asfalto em direcção à Serra de Santo António e aí as diferenças de
rendimento eram já notórias porque tínhamos de aguardar, permanentemente,
por aqueles nossos companheiros de viagem, O pior foi o caminho de pé posto
em direcção ao cume. Mais duro seria impossível. Como queríamos seguir
integralmente o caminho foi por aí que nos abalançámos e a chegada ao topo
foi um duro teste físico e mental, para além do penoso transporte do
velocípede ao ombro (onde devido ao peso fui talvez o mais penalizado), já
no final tivemos de atravessar cerca de 300 metros de denso matagal de
carrasco que massacraram as nossas desgastadas coxas. Foi aí que comecei a
esboçar a frase com que inicio este "diário de bordo" - foi, este, sem
dúvida, o momento mais duro da nossa travessia. As bicicletas servem para
transportar-nos e não vice-versa pelo que, bem vistas as coisas teriam sido
preferíveis os quatro quilómetros extra do asfalto, por mais dura que fosse
essa subida.
Assim a chegada ao topo foi recebida com enorme alívio a que não foi alheio
o deslumbrante panorama que contemplámos para os lados de Minde e Mira
d'Aire, é mais uma daquelas ocasiões sublimes que o ciclismo de montanha nos
proporciona e que nos fazem esquecer, como que por milagre, o sofrimento da
ascensão. O estoicismo antecede e valoriza o epicurismo!
Pior mesmo era o moral de um dos participantes que, para além do esgotamento
físico, estava psicologicamente derrotado, provavelmente a escassez de
oxigénio inerente à dura subida pode também ter sido responsável.
A descida até Minde é vertiginosa e tive de usar alguma contenção para não
ultrapassar os 70 quilómetros por hora já que aquelas velocidades a
bicicleta é uma tipo de veículo que não oferece grande sensação de
segurança.
Rapidamente atravessámos Minde com o sol a esconder-se por detrás dos
montes, tempo de recolher os óculos escuros e descobrir que a roda dianteira
estava furada. Pausa e mudança rápida, era necessário não perder um segundo
pois a noite aproximava-se a passos largos. A íngreme ascensão para o Covão
do Coelho, juntamente com a luz que escasseava foi responsável por um golpe
de teatro: o caminho virava à direita, saindo do asfalto e os dois mais
atrasados com a subida falharam-no continuando pelo asfalto, enquanto isso a
noite era uma realidade.
Não só, os dois mais lentos, se perderam do contacto comigo e com Eduardo
Dias, como também entre eles. O contacto por telemóvel permitiu resolver de
imediato uma das situações. Aconselhei Paulo Parreira a voltar ao Covão e aí
aguardar o resgate automóvel.
Mais grave foi que não conseguíamos contactar Fernando Soares que, por
sinal, era o mais desgastado física e mentalmente. Resolvemos continuar
apesar de ser já de noite, de não termos iluminação, de estarmos em pleno
campo e de a lua apresentar um tímido quarto crescente.
Foi uma jornada final de aventura pura, sempre a apalpar o terreno, embora
sem baixar muito ritmo, tentando evitar, instintivamente, os regos e as
pedras que povoavam os trilhos e procurando não falhar um único marco.
Provavelmente por a sorte proteger os audazes conseguimos prosseguir, isto
apesar de ainda demorarmos alguns minutos a descortinar um dos marcos, era
essencial não falhar nenhum pois não se viam casas, nem pessoas.
Foi um passeio nocturno ao melhor estilo, tínhamos de encostar o nariz ao
marco para visualizar correctamente a direcção que a seta indicava.
Quase no final conseguimos contactar Fernando Soares - estava num café perto
da Giesteira e só agora o seu telemóvel conseguira ter acesso á rede
celular. Foi um alívio enorme e em breve estávamos em Fátima após termos
cruzado a auto-estrada.
A chegada ao Santuário pelas 10:30, com a igreja e a esplanada iluminada e
com uma procissão de velas que saía da capelinha das aparições composta por
algumas centenas de pessoas que entoavam cânticos religiosos transmitiu-me
uma sensação de glória. Tínhamos conseguido. Foi possível apesar da
provação. É muito diferente da cómoda viagem de automóvel e de demorarmos
apenas uma hora em auto-estrada.
Tempo de rumarmos às viaturas e de recuperarmos os nossos amigos juntamente
com as respectivas bicicletas.

EPÍLOGO
Provavelmente efectuar esta travessia num único dia seja bastante duro. No
entanto senti que era possível e a experiência foi bastante interessante a
este nível.
Um conselho que deixo a quem se queira aventurar-se num único dia é de que
parta cedo e de Verão, escolha companheiros de viagem com um ritmo de
andamento e forma física semelhantes aos seus(supostamente elevados), que
não se deixem vergar perante as inevitáveis dificuldades e evite as pausas
muito prolongadas.
Aproveite os quilómetros de lezíria para ganhar tempo embora sem exceder o
seu limiar aeróbico - as reservas energéticas vão ser bem necessárias de
Santarém em diante!
Para além disso é importante que esteja bem motivado, não encare esta
travessia de ânimo leve nem de modo diletante, a máxima de Juvenal "mens
sana in corpore sano" deve ser adoptada cabalmente.
Se seguir estas recomendações verá que, apesar da provação, apenas reterá
boas recordações e apenas pensará, tal como eu, em repetir a travessia.

terça-feira, 18 de julho de 2000

SERRA DA CABREIRA

Ave BCG et alter velocipedicvs epistolae homini,No fim de semana passado estive no concelho de Vieira do Minho, maisconcretamente em S. Lourenço de Agra, freguesia de Rossas, concelho deVieira do Minho, terras de granito no sopé da maciça serra da cabreira deinvejável fauna e flora já que se encontra ainda, felizmente, relativamenteresguardada de um certo desenvolvimento que teima em arruinar paisagens porvia do turismo de massas.Desloquei-me aí por duas razões:. conhecia a região e tinha, há uns anos percorrido, de viatura, algunstroços dos caminhos florestais que ligam o início do Vale do Ave à outravertente, a da estrada nacional que liga Braga a Vila Pouca de Aguiar com asvárias barragens.. era fácil deslocar a família já que a minha sogra (não sou daqueles quedizem mal da sogra) é natural de Rossas e gosta sempre de aí se deslocar comalguma regularidade.Para além de tudo isso é uma região particularmente agradável nesta alturado ano contando com uma cultura e uma gastronomia muito ricas (esteparágrafo é patrocinado pelo BCG).Vai daí aproveitei o convite do BCG e instalei o trem na Casa do Travassô na6.ª à noite e no sábado parti para alcançar com os companheiros do BCG(Artur Nogueira, Pedro Santiago, Miguel "K2" Santiago, "Zé Dragão" eFrancisco Nogueira) o cume da serra (Cabreira - 1268 m.).Tivemos de contar com duas baixas psicológicas de início, de facto Zé Dragãoe Francisco Nogueira voltaram para "cuidar do almoço" e foi pena não poderemprosseguir até ao "tecto" (estes dois elementos vão criar o GCB - 1.ºgastronomia, 2.º cultura e 3.º bicicletas ;-) .Curiosamente a subida é bastante suave (o "32" fez o trabalho todo) emborabastante prolongada sendo que a parte final tem muito cascalho (de grandesdimensões, por vezes) e exige uma pedalada mais vigorosa para manter oequilíbrio, de resto a paisagem e o panorama, à medida que íamos subindoassumia uma grandiosidade ímpar.Cada passeio pelo Portugal profundo mete sempre histórias com vacas (talcomo no Covão da Ponte, Estrela - passeio BT) aqui foi uma barrosã que seinstalou numa sala de uma casa abandonada na montanha para se proteger dasmoscas.O calor era intenso mas felizmente um vento arrefecia o ambiente. Os bosquesde carvalhos e choupos com inúmeros fetos em que passam linhas de água queirão constitui o Rio Ave são um espectáculo para os sentidos, para além deque serviram para reagrupar os andamentos e breves pausas por causa docalor.O melhor estaria guardado para o topo onde as vistas logravam alcançar azona do Barroso e do Alto Rabagão a NE., o imponente Gerês a N, Vieira,Lanhoso, Braga e até o mar a W. , A Senhora da Graça, e o Alvão a NW eCabeceiras de Basto a S. .Tempo de piquenique entre Vacas e onde a cabreira (possivelmente a dona daserra ;-) criava galinhas, patos e, naturalmente, cabras.Tempo de descer e de testar a famosa "K2". Só vos digo que a "coisa" é umaespécie de "Citroën" do mundo ciclístico tal o conforto e a sensação desegurança a baixar de cota, ainda por cima em terreno propício - DH"clássico" com cotovelos e cascalho grande no chão (felizmente que o testenão foi a subir) quando regressei à "C" parecia que estava a montar numcavalo de pau mas são, naturalmente, filosofias diferentes (XC e Free Ride).O episódio seguinte fez-me contactar com a realidade: MS foi ao tapete("light crash" todavia) porque a K2 transmite tanta confiança a descer queos limites são mais altos em termos de velocidade e a queda pode ser maisfrequente (digo eu). Com a minha, tenho que escolher criteriosamente ocaminho, não me posso exceder pelo que a velocidade é inferior.Após a descida era preciso precorrer o estradão florestal a meia encosta atéAgra onde a canícula apertou fortemente, sobrevivi a mais um furo na rodatraseira, prontamente fixado e ao esgotar da reserva de água (a mania dasgramas fez-me levar apenas 1,5 l). felizmente que a água das nascentes doAve é excelente e bebi-a com sofreguidão (olha se o passeio fosse em Vila doConde - teria morrido à sede ;-).Regressados a Agra tempo de duche e de cozido à portuguesa, na casa dosMartinhos) nem mais, nem menos (talves mais que menos). Até às 18:00 nadamau - bati o recorde - deu até para conhecer um indivíduo a que chamam"Litos" e que é absolutamente impagável - tripeiro de gema (embora adepto doBoavista F.C.).Há já muito tempo que não tinha um fim de semana assim !Saudações Virtuais, Virtual Best Regards

quinta-feira, 1 de junho de 2000

Ciclismo e problemas testiculares

Ave velox lvsis,Descobri esta notícia na imprensa brasileira:" Para não ter problemas de saúde, os "mountain bykes" devem começar ainvestir em boas suspensões, num bom selim e em cuecas com proteção, segundoum estudo publicado nesta terça-feira sobre o assunto.Todos os golpes e as vibrações causadas pela prática do esporte podem causartumores benignos mas dolorosos, quistos, inchaços e infecções, informaram osautores austríacos da pesquisa durante reunião da sociedade de radiologiaamericana, com sede em Chicago. "Os selins em forma de Y para aliviar apressão podem ajudar, o mesmo acontecendo com os protetores", declarouFerdinand Frauscher, chefe do Departamento de Urologia do HospitalUniversitário de Innsbruck.Segundo o estudo, 96% dos adeptos do esporte sofrem de problemas nostestículos contra 16% das pessoas que não praticam o esporte. "Agora eu:Os sedentários desenvolvem outros tipos de problemas, o que é preferível?O Lance Armstrong sofreu de cancro nos testículos, recuperou e voltou acorrer. Ora não me parece que, se existisse uma relação causa - efeito entreo desporto e aquela doença, os médicos deixassem que voltasse, não acham?De qualquer modo eu creio que o BTT pode ser um pouco prejudicial àgenitália masculina devido às pancadas motivadas por pisos irregulares. Atéque ponto é que o poste com amortecedor pode ser eficaz?É esta a questão que aqui deixo.Saudações Virtuais, Virtual Best RegardsAntónio Pedro Roque Oliveira

quarta-feira, 31 de maio de 2000

Finalmente uma luz ao fundo do túnel do Metro de Lisboa

Ave velox lvsis et brasilis,Finalmente uma luz ao fundo do túnel do Metro de Lisboa. De facto soube que, desde 21 de Março de 2000 é possível o transporte de bicicletas no Metro de Lisboa nos sábados, domingos e dias feriados e a título gratuíto. Embora sujeita a algumas restrições (duas bicicletas por carruagem e desde que não se verifiquem grandes aglomerações de passageiros) esta é uma medida extremamente positiva e é igual aquela que já vigora em metros de algumas outras cidades europeias (Bruxelas, por exemplo). Esperemos que a CP e a Fertagus (companhias ferroviarias) lhe sigam, rapidamente, o exemplo para que possa surgir, com base na bicicleta, uma verdadeira mobilidade alternativa. Saudações Virtuais, Pedro Roque

segunda-feira, 29 de maio de 2000

Fim de Semana em Cheio

Ave Velox Lvsis,Fim de Semana em cheio, os músculos das coxas doridos não deixam qualquermargem para dúvidas, felizmente que a 2.ª feira é dia de defeso oficial.1. SÁBADO - MECO EXPLORATÓRIOOs felizardos que aí se deslocaram (PR, ED, HS) tiveram, neste sábado,provavelmente a melhor incursão de sempre no Meco. De facto, váriascircunstâncias concorreram para esse desiderato:. Em primeiro lugar, a saída foi feita cedo (como convém). Sinceramentenunca entendi porque é que o Meco tem de ter um estatuto diferente de outrosdestinos betetísticos no que diz respeito ao horário de saída. Acaso aqueledestino é menos longínquo do que a Arrábida? É que embora a distanciaquilométrica seja ligeiramente mais reduzida as características da viadeterminam tempos de deslocação superiores. Assim deu para andar 32 kms.,pausa para café e reparação de dois furos (teste dos lagosteiros incluído) eestar de regresso às 13:30, notável!. Em segundo lugar o carácter exploratório de que se revestiu, de facto nãonos limitamos, desta vez, a seguir os trilhos por demais conhecidos masimprovisámos, calcorreámos, investigámos e palmilhámos novas rotas. Aspernas foram quem mais sofreu (o Meco nunca perdoa) nesta incursão vítimasdo carrasco, do garrique e do maquis típicos destes terrenos de Finisterra.Sem embargo mereceu a pena tal sacrifício uma vez que implicou um aumentodas alternativas em termos de trilhos cicláveis.. Por último, mas não por menos, o mítico "teste dos lagosteiros",provavelmente o trilho betetístico mais selectivo do mundo. Para além daspegadas de dinossauro incrustadas para a posteridade geológica numa dasparedes de pedra deste selectivo acesso à praia dos lagosteiros e da belezaagreste do local (indiscritível por palavras - de facto, sempre que avistavaaquela enseada pedregosa do alto da ermida do santuário que me despertou avontade de aí me deslocar, nunca tinha tido, todavia, a oportunidade) existeaquela rampa de não mais de 300 metros com uma inclinação entre os 15 / 20 %cravada de pedras e regos que constituí, na prática, um duplo teste, qualdeles o mais exigente - a descer - com os travões colados ao guiador emborasempre a corrigir os excessos, tendo de se transpor, no sítio exacto, osinúmeros regos, o que implica no ponto e ângulo certos, nem mais nem menosmetro, caso contrário o destino é a queda ou, na melhor das hipóteses odesmontar, o teste, para além de técnico, tem que ver com o controlo dosangue-frio, do entusiasmo e da adrenalina. A subida, de antologia, do tipoonde o esforço tem de ser milimetricamente doseado, palmo a palmo, mantendo,tanto quanto possível o pulso debaixo de algum controlo, evitando asinúmeras pedras, cruzando os regos no "ponto", evitando, a todo o transedesmontar já que isso implica não poder remontar até se encontrar umaplataforma menos inclinada, algo que pode levar algumas dezenas de metros adescobrir. É um desafio fortíssimo e onde se separa o "trigo do joio"betetístico. Após este teste (se completado com sucesso, bem entendido)nunca mais seremos os mesmos.2. DOMINGO - SINTRA - A VINGANÇA É UM PRATO QUE SE COME FRIONeste Domingo tivemos Sintra a sério, embora não a versão "full-pack", jáque faltou a descida técnica para a Barragem e a descida e subida integralaté Collares, embora tenha dado, inclusive, para fazer o troço da quinta doPisão / Malveira da Serra. Sem embargo foi a incursão mais dura que fizemosem Sintra (tínhamos que "devolver com juros" as subidas de Montejunto aosnossos anfitriões de Olhalvo !). Foram efectuados cerca de 30 kms. (o que,em Sintra é uma distância enorme).Climatericamente a Serra apresentou-se, neste domingo, ao seu melhor nível -névoa e chuviscos, o ideal para manter aquela vegetação luxuriante que aindividualiza e lhe confere aquela aura misteriosa e romântica que acelebrizaram nacional e internacionalmente (refira-se que, no dia do passeiodo BT detestei aquele calor inusitado).Fiquei com a sensação que talvez tenhamos exagerado no desnível acumuladopelo menos, a expressão de esforço dos participantes assim me pareceu ).Queria aliás aproveitar para pedir as minhas desculpas ao José Gomes (JG)pela pequena descoordenação, em termos de itinerário na encruzilhada deacesso à Peninha o que motivou alguma desorientação momentânea de que só meapercebi á posteriori. Na verdade pensei que o FS, que seguia mais atrásconhecia o local (já ali passamos algumas vezes) e que, assim, optaria peladireita. Na verdade, talvez como resultado do esforço, ele confundiu asdirecções. De facto, deveríamos ter aguardado nesse ponto para reagrupar.Sem embargo tudo correu pelo melhor e lá pudemos continuar.De salientar a magnífica prestação do Tó Rego (TR) - o rapaz tem futuro !, oJG só precisa de uma bicicleta mais leve para as subidas já que tem atitudede vencedor e não cede perante os desníveis. As quedas do PP motivaramalguma apreensão, principalmente a segunda - um autêntico "pião" queresultou num hematoma na região interior do joelho esquerdo (com fortesdores e inchaço) mas a pausa acabaria por se revelar providencial e seguiusempre na frente demonstrando uma excelente atitude.De resto a serra de Sintra não é para todos e, modéstia à parte, acho que ogrupo teve, no seu conjunto, um magnífico desempenho.3. PRÓXIMO FIM DE SEMANASábado há a aula de mecânica do BT (convinha enviar lá um espião para trazerdocs. para serem copiados) se bem que nós não nos vamos enfiar numa sala numsábado a convidar ao pedal. Talvez a proposta de Sesimbra (GrupoCicloturismo de Sesimbra) possa ser interessante para consolidarconhecimentos topográficos da região.Quanto a domingo a proposta das excelente organizações da CMMafra de umaincursão pela Costa Marítima Norte do Concelho (partida da praia de S.Lourenço) me pareça irrecusável.Para o JG e o TR do BTT Olhalvo vou enviar um outro mail com a ficha casoestejam interessados (de certeza que não se vão arrepender já que costumamser excelentes passeios). A proposta de Alvalade - Porto Côvo se bem queinteressante será declinada em virtude de, no fim de semana seguinte aincursão de Montemor o Novo me parecer excelente.4. PÁGINA DO PASSEIO DE MONTEJUNTOEstá quase em breve estará disponível.Saudações Virtuais, Virtual Best RegardsAntónio Pedro Roque Oliveira

segunda-feira, 22 de maio de 2000

Incursão conjunta HV BTT SFO a Montejunto

Ave velox lvsis,Creio não estar a exagerar se afirmar que há algum tempo que não tínhamosuma incursão BTT tão boa.De facto se a expectativa era grande a passeata em questão não desiludiuminimamente (eaté superou). Os nossos companheiros do BTT SFOlahlvo (José Gomes e Tó Rego)não deixaram os seus créditos por mãos alheias e proporcionaram-nos umaincursão inesquecível pela vertente sul da serra de Montejunto, por entrepaisagens lindas de morrer com um grau de dificuldade elevado, como éconveniente, até porque seria difícil seleccionar troços menos desnivelados(nem nós lhes "perdoaríamos" que assim não fosse)."Por entre moinhos e vinhedos (c) ", assim desta forma "original" ;-) poderádefinir-se o tipo de ocupação humana de "baixa densidade" da zona sudoesteda serra onde os inúmeros cabeços albergam um igual número de moinhos que,muito embora já nada moendo, se encontram, na sua maioria, bem restaurados,transformando-se em bonitas moradias de montanha com panoramasverdadeiramente excepcionais. São, indubitavelmente, um exemplo a serseguido noutras regiões do país que possuem este tipo de vestígio industrialmas que, ou estão ao abandono, ou foram "vítimas" de um restauro de péssimogosto que lhes alterou a sua singeleza. Quanto aos vinhedos refira-se queeles estão por toda a parte, ou não estivéssemos numa das regiões de maiorprodução vitivinícola de Portugal.Betetísticamente falando deu para percorrer de tudo nesta vertente sul daserra (só não fomos até ao topo e às antenas mas isso implicaria ter derolar bastante no asfalto e nós somos um pouco "alérgicos" a isso).Podemos distinguir duas partes distintas, separadas a meio por um ventosopiquenique:A primeira, numa zona de cota inferior (embora fosse aí que tivéssemos devencer os maiores deriveis como aquele que se seguiu à Portela do Sol atéaos Casais da Foroana) e onde seguimos a linha dos moinhos dos casais daserra e do alto da lagoinha.A segunda, a uma cota mais elevada, no maciço calcário propriamente dito emque tivemos o privilégio de avistar uma águia pelas costas (!) planando oque é sempre uma sensação tremenda e evoluindo por um trilho a meia encostaque contorna o maciço até à zona que fica por cima da várzea da Abrigada como abismo (e que abismo !) sempre pela direita e com uma descida que não épara todos e onde o controlo efectivo dos excessos de "André na Lina" éfundamental já que existem algumas passagens em piso muito pedregoso etraiçoeiro e onde os problemas de equilíbrio associados a uma velocidadeexcessiva podem ter consequência desastrosas (ficámos-nos pelo "snack-bar"no pneu dianteiro de HS).A parte final, já pela várzea serviu para "borrar" de lama as bicicletas.Afinal de contas após mais de vinte duros quilómetros estavam ainda muitolimpinhas, como iríamos, assim, convencer alguém que tínhamos pedalado emMontejunto com o velocípede ainda a reluzir da lavagem da véspera? Não há,pois, nada que chegue à estética do barro agarrado ao quadro, a uma correntebem areada, ou a uma jersey bem salpicada, muito embora "doesse na alma" vero novíssimo equipamento do HS, estilo "Florindo Chicote" e os azulíssimos"sapatos de baile" conspurcados de lama, mas a vida tem destas coisas :-) .Amigos de Olhalvo, temos, obviamente, de vos retribuir este vosso simpáticogesto, o mais breve possível, por isso sugiram uma data para Arrábida ouSintra. Qualquer dia voltaremos para atacar Montejunto de novo (fomosmordidos pelo bicho da serra) desta vez pela vertente Norte (para ver essafamosa "fábrica de gelo").Saudações Virtuais, Virtual Best RegardsAntónio Pedro Roque Oliveira

quarta-feira, 17 de maio de 2000

ESTRELA, A DUREZA AMANTEIGADA

Pensávamos já tudo conhecer em matéria de BTT. É esse o deslumbramento ufanode quem já vai conhecendo, de cor e salteado, todas as curvas, todas assubidas, todos os saltos e todos os buracos das Serras de Arrábida, Sintraou Monsanto. Assim sendo, intuímos, erradamente, que o pedaleio já não nosreservava quaisquer surpresas.Mas, de uma agradável e dura surpresa, se tratou o passeio do Bike Team edo Grupo BTT de Manteigas no ponto mais alto de Portugal Continental, ali,naimponente e inigualável Serra da Estrela.Talvez devido à grande distância que separa os grandes centros do litoral dasimpática vila de Manteigas (só de Lisboa são 315 kms.) o número departicipantes foi algo reduzido, circunstância que, diga-se em abono daverdade, até resultou qualitativamente.Assim éramos "poucos, mas bons" e, como habitualmente, bem enquadradospelos companheiros do Bike Team (com as suas jerseys encarnadas justamenteno que haveria de ser o "dia do Leão") e do Grupo de Manteigas para quemdesníveis desta grandeza são mais familiares.Deu para tudo, este passeio: começámos por rolar "à Pantani" (não, nãosubstituímos os capacetes por lenços) subindo, por asfalto, dos 700 aos1200 metros, em cerca de sete quilómetros, para aquecer bem o conjunto elogo aí se viram as diferenças de rendimento ciclístico quando o "pelotão"se esfrangalhou por completo. O mais curioso de tudo foi o calor - esteve umdia deVerão, a prova disso foram os bronzeados duplos, bem à ciclista, que seproduziram, só que, o ambiente parecia surrealista, pois bastava olhar paraOeste e via-se a Torre ainda com neve !Saímos finalmente da estrada (as rodas finas, afinal, tinham ficado em casa)e iniciamos o "downhill". Quando julgávamos que iria ser permanente eis quecurvamos para a esquerda e deparamos com uma rampa íngreme, a subir, de pisomuitotécnico que obrigou, quase todos, a desmontar (a nós também, pronto,admitimos, e qual é o mal ?). O que era mais curioso é que até já havíamossubidocoisas mais inclinadas e com o piso mais difícil, só que o problema, meusamigos, é que já estávamos para lá dos 1100 metros de altitude e, aacreditar nos especialistas, com menos 10 a 15% de oxigénio do que ao níveldo mar ! Nestas circunstâncias o pulso subia bem mais rápido e demorava maistempo arecuperar e, consequentemente, contra factos não há argumentos.Após uma pausa num mirante, onde para além das inevitáveis apostas sobre oSporting (ojogo decisivo era às 19:00), observávamos Manteigas e o estupendo valeGlaciardo Zêzere de cima para baixo, avançamos como águias avançamos até ao"tecto", apóscruzarmosuma zona de paisagem lunar e ventosa.Chama-se o "corredor dos mouros" e está situado a 1301 metros de altitude.Como não podia deixar de ser este é um lugar de lendas imemoriais. Apanorâmica era simplesmente fabulosa e só por ela mereceu a nossadeslocação - 360 graus, inteirinhos, à nossatotal disposição ! A norte, quase no horizonte, a cidade da Guarda, asudeste e lá em baixo a vila de Belmonte, mesmo a calhar agora que secomemoram os 500anos do Brasil já que aquela localidade beirã é a terra natal de Cabral e, asudoeste, o maciço imponente da Torre ainda nevado. De tal formaimpressionante a panorâmica que houve, inclusive, quem gritasse: "lookmomma, I'm in the top of theworld !".Passo seguinte, descer, abruptamente, até aos 940 metros do vale do Mondego,em cerca de dois quilómetros, a justificar, mais uma vez, o patrocínio "NoFear" precisamente até um sítio que parecia tirado de um postalsuíço, bem encaixado nas montanhas, a que correspondeu uma pausa, junto àcapela e à sombra das árvores, onde a água pura da serra corriaa rodos (a água corrente constitui, aliás, uma presença permanente naSerra). Tempode substituir a mistela, já quente, que trazíamos às costas, por aquelelíquido fresco ecristalino. A pausa aí durou um pouco mais já que havia que reparar asconsequências do excesso de adrenalina que desequilibrou a descida deum dos participantes, embora sem consequências graves, felizmente.A partir desse ponto percorremos o vale do Mondego durante algunsquilómetros.Parecia agora que estávamos noutra serra, mais verde e menos pedregosa comumaleve ocupação humana. Perto do Covão da Ponte deu-se o episódio maispitoresco daincursão: umavaca que, apesar do seu enorme porte, resolveu fugir, amedrontada, dosbetetistas e dosseu donossaltando uma vedação com quase dois metros perante a incredulidade geral.Inevitavelmente pensámos: "mas porque é que os cães não são todos como estavaca ?" (o contrário levar-nos-ia a desistir do BTT se bem que num qualquerpasseio na lezíria ribatejana sempre possa acontecer ...).Regressados ao asfalto após mais uma daquelas "ligeiras" subidas e uma vezque a fome já apertava (passava já das 13:45) descemos a mesma estrada doinício até a Manteigas, de novo "à Pantani" e o "pelotão" tornou a chegaresfrangalhado só que, neste ponto, já não foram as pernas, os pulmões ou ocoração que operaram aselecção mas a adrenalina de cada um e, no nosso caso, a fome descomunal.O melhor estava ainda para vir. Não nos referimos já a quaisquer detalhesvelocipédicos (esses estavam já definitivamente arrumados após 34extenuantes quilómetros). Falamos sim, quer do reconfortante duche nosbalneários do pavilhão municipal de Manteigas, quer, sobretudo e, maisconcretamente, do super-almoço. É que, para além de muito bem confeccionado(embora a fome seja, sempre, o melhor dos cozinheiros e já passava das15:00) permitiu um salutar convívio entre todos os participantes.O convívio é fundamental neste tipo de eventos, normalmente nunca há ocasião para isso - chega-se, inevitavelmente, em cima da hora, monta-se o "trem"velocipédico, pedala-se, volta-se a desmontar tudo e zarpa-se, cada um parao seu lado. Nunca há tempo para conviver e dialogar com os nossos "pares" -aqueles que, tal como nós, optaram por esta autêntica filosofia de vida -pedalar emtodo e qualquer terreno em intensa comunhão com a Natureza.Assim esta iniciativa do Bike Team, para além da mais valia velocipédica,atrás descrita, foi o paradigma e a síntese de tudo isto.Pedro Roque

quinta-feira, 27 de janeiro de 2000

O que nos faz Mover? - What Make Us Move On



Literalmente, as bicicletas. Mas deixando de lado o humor britânico, permanece a pergunta: o que me levará a abdicar do pseudo - conforto de um sofá ou de uma lauta refeição para percorrer de BTT os "caminhos" ?
Provavelmente a explicação profunda radicará no campo da psicologia ou da psicanálise, Sem embargo, existem motivos mais comezinhos que poderão ser apontados para alguém que "já tinha idade para ter juízo" pedalar, por vezes quase até à exaustão, pelos "caminhos" a que faço referência neste site:
Em primeiro lugar a vontade de "evasão". Um termo muito em voga e que significa escapar de uma qualquer prisão, entendida aqui como a prisão urbana e a do stress quotidiano. De facto são bons momentos de evasão aqueles que são passados nos "caminhos" em cima das nossas metálicas montadas.
Em segundo lugar a "aventura". De facto há uma boa dose de aventura nestes "caminhos". Ela relaciona-se com a inponderabilidade dos rumos a tomar nas encruzilhadas, onde por vezes as opções são imprevisíveis; ou, ainda, com os inúmeros episódios que nos sucedem nos "caminhos" onde se circula de forma diferente de um automobilista numa estrada, costumo afirmar que é mais difícil orientarmo-nos de Palmela a Sesimbra pelos "caminhos" do que de Lisboa a Madrid por auto-estrada. Cada curva, cada salto ou cada descida são, para nós, um acto de aventura é a paixão pelo risco controlado, pela adrenalina injectada no sangue de forma moderada e racional de modo a que não se confunda aventura com inconsciência.
Em terceiro lugar o "ambiente". Circular pelos "caminhos" significa circular fora dos aglomerados urbanos, fora das estradas movimentadas, longe dos escapes motorizados, cruzando parques naturais, respirando ar puro, alcançando o topo de montanhas com paisagens deslumbrantes onde poucos estiveram antes e onde nos sentimos em intensa comunhão com a Natureza, se quisermos e se formos crentes, em comunhão com Deus. Longe das multidões e das confusões inerentes aos espaços urbanos onde o ordenamento é mau e o espaço é desumanizado, edificado em função da motorização que satura o ar de poluentes, enche os espaços de viaturas, constringe e aperta as nossas almas. Aprendemos a conhecer e a respeitar a Natureza e, consequentemente a sermos cidadãos mais inteligentes e mais conscientes perante as ameaças (inúmeras) que pairam sobre. Para nós o progresso não é um automóvel veloz mas antes uma árvore imóvel no cimo de uma montanha. Assim se criam as raízes e se aprende a amar a Natureza acima das outras coisas.
Em quarto lugar a "amizade". Valor que parece andar um pouco arredado da vida social de hoje mas que procuramos cultivar desinteressadamente pela solidariedade e pela entreajuda entre os elementos do grupo. A amizade não é uma termo vago, mas algo que se cultiva e se cimenta nas dificuldades que são partilhadas, na edificação e na prossecução de valores que são comuns e que nos unem, nisso a que os franceses chamam "esprit de corp" ou que os antigos designavam com "et pluribus unum". Por isso eu afirmo: - é bom ter amigos.
Em quinto lugar o "espírito de sacrifício", quer dizer participar em algo que é bastante exigente do ponto de vista físico e mental e procurar superar as dificuldades que se nos deparam, Situs, Altus, Fortus parece ser um dos lemas que nos move. De facto só com um enorme espírito de sacrifício se supera a enorme dificuldade que é subir uma montanha com uma inclinação de 20% por um caminho de cabras com os pulmões a "rebentarem" e chegar ao seu topo e sentir uma enorme sensação de felicidade. As palavras doutas de um anónimo resumem tudo: "Cheio de Deus nada temo, pois venha o que vier nada será maior que a minh’ alma".
Em último, mas não por menos, a paixão pela "forma física", sentirmo-nos bem no nosso corpo, cultivarmos o lazer e o aspecto físico como um componente essencial do bem estar e sentirmos o desprezo por todos aqueles elementos que lhe são prejudiciais como sejam todos os tipos de excessos. É por isso que conseguimos efectuar desempenhos físicos a todos os títulos notáveis, quer em função da nossa idade, quer comparativamente com muitas outras pessoas que confundem o sedentarismo com felicidade e se convertem em "vencidos da vida" arrastando a sua crescente obesidade pelas mesas dos restaurantes ou pelos bancos das suas viaturas. Ao percorrermos as nossas praias no Verão deparamos com os adeptos do "Kumer y Buber", perante tanta obesidade é até de admirar que não hajam mais doenças. Sentirmo-nos bem fisicamente, tal como para o homem do Renascimento, é sentirmo-nos bem mentalmente. Seguimos, assim a máxima de Juvenal "Mens Sana in Corpore Sano".
PR, JAN00


English Version

WHAT MAKE US MOVE ON
Literally, our bicycles. But seriously, it remains the question: what strange force move me to abdicate of the pseudo-comfort of my sofa or of one delicious "heavy-meal" to take the MTB "paths"? Probably the deep true explanation can only be found in the fields of the psychology or of the psychoanalysis, nevertheless, there are simple reasons that can explain why somebody that "already had age to have judgment " goes to spin, for times almost until the exhaustion, on the "paths":
In first place the will of "evasion". A word often spooked that it means to escape of one prison, understood here as the urban prison and the one of the daily stress. In fact, those are good moments of evasion that we pass on the " paths " mounting on our bikes.
In second place the "adventure". In fact there are a good portion of adventure in those " paths ". It’s related with the inponderability of which way to chose on a crossroad, where sometimes, the options are unexpected; or, still, with the innumerable episodes that happens to us on the "paths" where we circulate on a different way as a motorist on a ordinary road, I use to say, often, that it is more difficult to navigate between Palmela and Sesimbra through the "paths" that from Lisbon to Madrid on a highway. Each curve, each jump or each descending are, for us, an adventure and an act of passion for the controlled risk, for the adrenaline injected in the blood stream in a moderate and rational way in order that we do not mix adventure with unconsciousness.
In third place the "environment ". To circulate in the "paths" means to circulate outside of the urban accumulations, away from confused roads, far of the motorized vehicles, crossing natural parks, breathing pure air, reaching the mountain top with flaring landscapes where few had been before and where we feel them in intense communion with the Nature and, if we believe, with God Himself. Away from crowds and confusion of the cities where the spaces are inhuman builded according the motor vehicles that impregnates the air with pollution. We learn to know and to respect Mother Nature and, therefore, to be more intelligent and more conscientious citizens in presence of its innumerable threats. For us the progress it is not a fast automobile but one immovable tree in the top of a mountain. That’s how we create our "roots" and how we learn to love Mother Nature above all the other things.
In fourth place the "friendship". Maybe one old-fashioned value that seems to be overtaked by today’s social life but that we care and increased by the solidarity links between the elements of the group. The friendship, for us is not a vacant term, but something that grows up and solidifies in the arduousness that we share, in the construction and the following of common values that united us, what the French call "l’esprit de corp" or that the old ones assigned with " et pluribus unum ". Therefore I affirm: - it is good to have friends.
In fifth place the "spirit of sacrifice", which means to participate in something that it is extremely demanding from a physical and a mental point of view and to surpass the difficulties that we faced, "Situs, Altus, Fortus" seems to be one of our main mottoes. In fact, only someone with an enormous spirit of sacrifice can surpass the enormous difficulty that is to up-hill a mountain with an inclination of 20% in a poor sandy path with the lungs and the pulse "breaking", to arrive at its top and to feel an enormous sensation of happiness. The words of an anonymous author resume everything: " Full of God, I fear nothing cause it comes what it comes nothing will be greater then my soul ".
In last, but not the least, the passion for the "physical fitness", to feel ourselves in peace with our own body, to cultivate the leisure and the physical aspect as a essential component of the welfare and to despise all those elements that are harmful to your body, as all the types of excesses. It’ s how we obtain superiors physical performances, in function of our age, and comparatively with many other people who confuse sedentary habits with happiness and becomes a kind of "loosers of the life" dragging its increasing obesity in the restaurants tables or in their car seats. When we walk on our beaches in the Summer time we find many adepts of the "eat & drink national sport" - standing before so many obesity is even to admire that there are no more illnesses on our society. To feel great physically, it’s also, like to the Renaissance’s man, to feel great mentally. Thus, we follow the principle of Juvenal of "Mens Sana in Corpore Sano".
PR, JAN00
Posted by Hello