segunda-feira, 20 de outubro de 2003
Confissões
sexta-feira, 17 de outubro de 2003
Grândola - Grândola: Ao Sétimo Dia...
sábado, 13 de setembro de 2003
Estrela na Estrela 2003, balanço final
Este ano não houve aquela chuva que estragou os planos aos participantes
que, no ano passado, como eu, foram surpreendidos por ela acompanhada de
nevoeiro e de um vento que tornou impossível a quem, como eu, alinharam de
simples jersey manga curta.
Pelo contrário, num dos dias mais quentes do ano, o problema foi antes a
elevada temperatura que, embora mais facilmente superável, constituiu
todavia um agravante à natural dureza de uma prova com estas
características.
Desta vez creio que não eramos tantos à partida, pelo menos fiquei com essa
sensação no tradicional alinhamento junto aos paços do concelho da Covilhã.
Muitas caras conhecidas de que destaco, entre outras:
. alguns, tal como eu (Cannondale), de bicleta de estrada nomedamente o Rui
Sousa (Trek), o Cláudio Nogueira (BH), o João Pimpão (Cube) ou o José Luís
Carvalho (Trek).
. outros de BTT adaptada, para além do guru António Malvar (mais de hibrida
do que de BTT), o José Luís Nunes (Atlas), o Nuno Gomes (Commençal), o Mário
Silva (Atlas), o Jorge Silva (GT), o Pedro Basso (Kona) estes três últimos
não foram além da grande barreira psicológica que é a Torre, têm de voltar
para o ano, toca a treinar ;-)
Se o calor prometia havia que tomar medidas: levei a bolsa de água e ainda
um bidon com o isotónico. Lá começamos a subir em direcção às Penhas da
Saúde e fiz questão de ser o último a arrancar. Estava na hora de testar se
a escolha da bicicleta de estrada tinha sido acertada! Tinha trocado a
cassete com a BTT embora o desviador Dura-Ace não permita colocar a 32
ficando, assim, limitado a 8 velocidades: 28, 24 ... até 11 dentes. A
questão é que dispomos de apenas dois pratos um com 39 outro com 52 dentes
pelo que tem de ser uma opção bem poderada, há que estar em boa forma,
inevitavelmente.
Fiz o primeiro quilómetro em ritmo lento e em último para avaliar como a
coisa estava. A saída da cidade é das zonas de maior inclinação, como me
senti bem passei logo para a 24 e fui alternando com o 22 e começo a
ultrapassar os mais atrasados utilizando a táctica de me aproximar, rolar um
pouco na traseira para recuperar o pulso e passar mantendo o ritmo até
alcançar o seguinte. Este primeira subida tem mais de 10% de inclinação e é
complicada até à zona da torre de vigia que fica por detrás do antigo
sanatório onde a pendente suaviza. Nos ganchos apertados aproveita-se para
se pedalar de pé e de vez em quando retoma-se a 28 para recuperar o pulso
que deve, a todo o custo, conter-se abaixo do limiar anaeróbico ou não o
dexando ir muito acima disso. É que ainda haviam muitos quilómetros pela
frente e todo o entusismo tinha de ser contido.
Chgando ao Centro de Limpeza de Neve e ultrapassadas as Penhas da Saúde é
tempo de descer para Manteigas muito velozmente que a estrada se presta a
isso, sem movimento e com a visibilidade para se poder cortar as curvas.
Após o viveiro das trutas começo a deparar com os primeiros já a subir. O
atraso não era muito para eles e sentia-me bem. Resolvi apertar um pouco o
ritmo na subida que é, das três, a mais fácil, ou melhor, a menos difícil,
só que comecei a acusar o esforço e, a meio, na fonte Paulo Martins (a da
água Glaciar) resolvi reabastecer, diluir mais isotónico, comer umas barras,
e relaxar um pouco e, só então continuar. Foi milagroso recuperei e já subi
melhor e a bom ritmo a partir da curva na zona onde começa o caminho
pedestre para o Covão da Ametade a até à Torre, este último troço, a partir
de Piornos, é bem duro, de resto é a zona clássica da Volta a Portugal, onde
abundam as pinturas incitando os ciclistas, de resto, é só substituir o nome
do Gâmito ou do Vidal Fitas pelo nosso e acusar o estímulo.
Após uns quantos ganchos lá estamos no cruzamento da Torre onde paramos para
comer algo. Aqui chegados é altura de fazer o balanço. Apesar do desgaste
ainda estamos bem e, por comparação com o ano transacto (foi aqui que
desistimos por causa da intempérie) sentimo-nos bem melhor, não sei se por
causa da bicicleta de estrada se por causa de estar em melhor forma. Este é,
de resto, o último local onde se pode desistir pois, a partir daqui, é
sempre a descer (e ninguém, em condições normais desiste a descer) e só
paramos em Seia, onde para desistirmos só se nos resgatarem de automóvel.
Mas não perco muito tempo a reflectir e começo a descer. A princípio estamos
numa zona planáltica correspondente à área das pistas de ski e alternam as
descidas e as subidas que podem ser feitas aproveitando o balanço. A partir
de dada altura a pendente inclina fortemente e ultrapassa-se o paredão da
barragem da Lagoa Comprida e daí até ao Sabugueiro sempre em forte
inclinação, situação essa que se prolonga após a subida da "Aldeia mais Alta
de Portugal" (fortemente descaracterizada) até Seia. Ao todo são 30
quilómetros que, a descer já são intermináveis, mas que se tornam
absolutamente infernais a subir.
Após o Sabugueiro cruzo-me com os primeiros ciclistas e, após a Aldeia da
Serra, quase a chegar a Seia cruzo-me com outras caras conhecidas.
Após uma forte pendente chego a Seia onde como uma sandes cujas míseras
calorias foram imediatamente alocadas, mas foi tempo de meter muita energia
pois tinha, quisesse ou não, tinha de voltar lá acima! Ainda assim descansei
um pouco. O pior é que o calor apertava e a pendente era muito forte até,
pelo menos, a Aldeia da Serra.
Mas as paragens são milagrosas e fazem-nos restabelecer as forças, aí vou eu
por ali acima a sentir-me muito bem faço os ganchos sem dificuldade de maior
alternando o pedalar de pé e sentado, dei-me ao luxo de ultrapassar vários
ciclistas e quando me começo a sentir fatigado já tinha o Sabugueiro à
vista.
Como a partir daqui a pendente torna a endurecer é tempo de parar na fonte,
restabelecer as forças, diluir mais isotónico, comer mais um pouco e relaxar
um pouco. Passam vários ciclistas mas que vou ultrapassar de novo em plena
ascensão, interminável, diga-se, até à Lagoa Comprida onde já me sinto nas
lonas, completamente. Um pouco antes deste ponto está uma viatura parada a
recolher um dos ciclistas que tinha desistido e que me fazem uma proposta
desoneste: tinham um lugar livre na viatura. Agradeci mas recusei, se
tivesse aceite nunca mais me perdoava e era obrigado a alinhar em 2004 para
cumprir o desafio na integralidade, coisa absolutamente impensável naquela
altura em que se pensa que aquele sofrimento, que tão estoicamente
suportamos, não é mesmo para repetir.
Da Lagoa Comprida para a Torre ainda é preciso subir bastante e é aí que a
BTT deixou saudades, as forças estavam no limite, já não conseguia subir a
pulsação até ao limiar anaeróbico essencial para manter a cadência de
pedalada pelo que me vejo na contingência de ter de pedalar de pé mais tempo
do que gostaria, vou procurando distrair-me olhando para a sombra e para a
paisagem tentando-me abstrair do esforço. Quando dou por mim já só falta uma
rampa até ao planalto do ski, mais um derradeiro esforço e, já está, depois
são umas subidas alternando com descidas onde aproveito para alcançar a
máxima velocidade possivel e, como que por milagre, estou no cruzamento da
Torre, faltando o mísero quilómetro até ao delta e às típicas estruturas da
Força Aérea. Pois este foi o que me custou mais e estava a ver-me a morrer
na praia e a ter de empurrar a bicicleta durante 100 metros, mas não podia
ser, uma pedalada vigorosa vinda do âmago levou-me ao delta, estava
cumprido: a partir daí seria sempre a descer exceptuando os 200 metros
ascendentes até ao Centro de Limpeza de Neve.
Havia pois que descansar um pouco e repor energias para que a descida fosse
feita com a concentração necessária. Tudo havia corrido bem até então e não
iria borrar a pintura no final. Mas descer tão rapidamente é uma recompensa
magnífica após tão sofrido esforço. A visão do Hotel após 130 quilómetros é
indescritível, tanto como a água do banho final! No final muitas
desistências a mostrar que, caso não nos sintamos em condições mais vale não
tentar...
Quanto ao dilema da bicicleta direi o seguinte: há vantagens e desvantagens
em alinhar numa bicicleta de estrada, se por um lado, ela é mais leve, mais
responsiva e rígida permitindo cobrir uma maior distância com um menor
esforço, nestes terrenos, porém, ela não perdoa formas físicas menos
apuradas. A partir de dada altura, se o esforço é elevado e a forma e o
desgaste é elevado não há relações de transmissão que a consigam mover. Ao
contrário, na BTT, temos sempre o 32x32 e como último recurso a trialeira 22
pelo que nunca ficaremos apeados. Sem embargo há que saber resistir à
tentação de andar com relações demasiado leves já que elas não permitem
rolar rápido aumentando o esforço por via de maior tempo a pedalar. De resto
havia de tudo, bicicletas de estrada com uma cassete "normal" (só para
atletas em grande forma), cassetes enxertadas a 28 e cassetes de BTT
adaptadas, embora limitadas a 28 dentes.
Outra desvantagem da máquina de estrada é a posição de condução, com a minha
falta de hábito (ando nela sobretudo de Inverno) e a rigidez começam a
surgir algumas dores de postura a nível das costas que obrigam a endireitar
e esticar esses músculos nas paragens, bem como as dores de pescoço de estar
30 quilómetros sucessivos a descer, pior que isso só aquela sensação de se
saber que essa mesma distância terá de ser coberta a subir!
No final a satisfação de ter cumprido, embora penosamente, o desafio. Para o
ano há mais, provavelmente irei de BTT para também conseguir fazê-lo nessa
bicicleta, já só me falta isso!
quarta-feira, 10 de setembro de 2003
XIV Travessia Nacional Cantabrica
09 Setembro 2003
Honestamente não sei como decorreram as edições anteriores da "Travesia Nacional Cantabrica" mas esta versão de 2003 (XIV edição) que teve lugar tendo como base a estância invernal de Puerto de San Isidro e a vila de Puebla de Lillo (Província de Leon no Parque Natural dos Picos Europa) foi memorável e superou as minhas melhores expectativas.
Por A. Pedro Roque Oliveira
Em primeiro lugar uma organização irrepreensível com detalhes a roçar a
perfeição (um exemplo a seguir) dando a sensação que nada, absolutamente
nada, foi deixado ao acaso, pena foi que o duche final tenha sido a nódoa
que caiu no melhor pano já que para além da água fria o balneário não tinha
um mínimo de condições.
Depois o formato ao novo estilo "maratona" em que o percurso estava todo impecavelmente marcado (o track GPS que levei foi meramente redundante) o
que equivalia a que cada um podia ir ao seu ritmo estando excluídas, deste modo, as grandes aglomerações de ciclistas até porque o relevo em presença
levava a que os andamentos, forçosamente, se diferenciassem. É o ideal uma vez que o grupo não está dependente de ninguém e cada elemento possui uma autonomia de andamento sem correr o risco de se perder.
Sem embargo não existia qualquer tipo de classificação o que retirou muita da pressão inerente à tentativa de chegar o mais rápido possível e previlegiou a vertente de passeio aliás mais adequada à magnificência da natureza que se dispunha perante os nossos olhos.
De facto, as paisagens são absolutamente deslumbrantes ao puro estilo alpino. Não há nada comparável em Portugal (talvez algumas zonas insulares se assemelhem às zonas de bosques) com um relevo absolutamente impressionante feito de enormes declives, maciços altíssimos e passagem apertadas por entre as montanhas.
Tudo decorreu praticamente sempre acima dos 1000 metros tendo, no primeiro
dia, chegado aos 1777 metros e, acreditem, não é nada fácil palmilhar
inclinações de 20% áquelas altitudes!
A bicicleta é a única coisa que sobe devagar já que a pulsação monta muito depressa e recupera de forma bem mais lenta. Talvez por isso tenham sido inúmeros os que apenas tenham participado no primeiro dia.
De salientar a enorme participação portuguesa: uma armada impressionante de
nada menos que 30 ciclistas (incluindo o autor destas linhas) num total de 263 inscritos e muitas caras nacionais habituais de quem percorre estas andanças habitualmente. Alguns já é a quarta ou quinta edição em que participam e pretendem voltar em 2004.
A equipa "Coimbra Team", pela qual alinhavam a maioria dos 30 (embora muitos
fossem de outras procedências que não da cidade do Mondego), recebeu, por
esse motivo, duas taças no final: a equipa mais numerosa e a equipa mais
longínqua.
ETAPA 1 (Sábado 06SET03) PUERTO DE SAN ISIDRO - BEZANES
Este primeiro dia amanheceu frio, como aliás é natural a mais de 1500 metros
de altitude. A escolha da roupa torna-se num quebra cabeças, se bem que, a
presença de um impermeável, facilmente removível se torne numa garantia de
algum conforto seja qual for a situação.
À medida que o dia decorria o bom tempo instalava-se e as subidas eram
feitas com "traje de Verão" e sem problemas. Nas descidas, sempre em fortes
pendentes, recorria-se ao impermeável, em missão de quebra-vento pelo que
não se levantaram problemas a esse nível.
Saímos pois do parque de estacionamento do nosso hotel de alta montanha em
Puerto de San Isidro (estância de ski) e após uma volta a um monte vizinho,
regressarmos á zona do Hotel e subirmos à zona alta de Ceboledo (zona das
pistas de ski) pelo arroio do mesmo nome até cerca dos 1620 metros.
Depois foi só descer numa estupenda e divertida trialeira até à povoação de
Isoba (1350 metros) a fazer as delicias dos mais afoitos tecnicamente.
Altura para um primeiro reabastecimento já com o pulsometro a acusar muitas
calorias despendidas.
A partir daqui apanhamos a pista de Rozas caracterizada por uma forte pendente, embora não muito longa seguida de uma descida ao vale de Pizón e nova e dura ascensão até ao segundo reabastecimento em Collada Wamba sita na fronteira entre Castilla-Leon e o Principado das Astúrias.
A breve paragem deu para estudar o que se seguiria: forte descida de 5
quilómetros até um estupendo bosque sempre de grande exigência técnica.
Paisagem magnífica com visão das vacas a pastar algumas centenas de metros
abaixo, os imponentes maciços calcários dominando o horizonte e a névoa como que isolando aquele quadro natural do resto do mundo.
Entramos então na veiga Brañagallones já a uma altitude mais baixa (1200
metros) e no Parque Natural de Redes (criado em 1996).
Aqui, após um último reabastecimento abordamos uma pista descendente com
mais de cinco quilómetros. O aviso era por demais evidente "bajada
peligrosa!" e não tardamos em verificar porquê: a velocidade que se atingia
era alucinante o piso muito solto e as curvas apertadas isto já para não
falar nas "bermas baixas" que, nalguns casos correspondiam a algumas
centenas de metros a pique.
Ainda assim, tudo correu pelo melhor e chegamos a uma bucólica aldeia
chamada Bezanes (673 metros) e recolhemos aos autocarros que nos trouxeram de regresso a Puerto de San Isidro por um cenário serrano absolutamente deslumbrante. Assim, apesar das fortes e duras subidas, esta foi a etapa para os amantes das descidas radicais.
ETAPA 2 (Domingo 07SET03) LILLO - LILLO
Esta, ao contrário, foi a etapa dos trepadores. Até porque a ressaca da
etapa do dia anterior, juntamente com a visão do gráfico de altimetria desta
segunda fez com que o numero de participantes se reduzisse.
O tempo esteve exactamente como no dia anterior pelo que a mesma táctica do "veste e despe" foi usada.
Até porque o gráfico não podia ser mais esclarecedor: sobe, desce, sobe, desce, sobe e desce! É verdade, neste segundo dia, além do par de
quilómetros inicial e final por asfalto ou estivemos a subir, ou a descer, numa espécie de circuito em torno do imponente maciço de Mampodre (2190 metros).
A primeira ascensão foi a mais longa, embora em minha opinião tenha sido a
menos dura. Nada mais que cerca de seis quilómetros contínuos com alguns
ganchos e pequenas rampas muito inclinadas em piso solto a fazerem desmontar os menos preparados.
Subimos desde os 1065 metros de Lillo até aos 1977 metros de Collada de
Tronisco onde estava instalado um reabastecimento liquido. Magnifica, de
novo, a visão dos prados e dos maciços desta vez em pleno Parque Nacional dos Picos Europa.
A descida que se seguiu até Maraña (segundo reabastecimento) foi memorável:
rápida e em cima de um prado imaculadamente verde, serpenteando por entre as montanhas e com alguns saltos de permeio, simplesmente adorável mas com um senão, baixou-nos de novo, desta vez até aos 1250 metros.
Ora era preciso chegar aos 1650 metros do Collada Zapatera e isso foi
conseguido muito penosamente já que esta era uma pendente mais curta pelo
que o desnível era mais acentuado embora o piso relativamente regular
permitisse a tracção suficiente para que a forma física pudesse levar de
vencida esta enorme dificuldade.
A história repete-se e desce-se de novo abruptamente, embora num piso mais resvaladiço e durante cinco quilómetros, até Lois (1300 metros) uma
estupenda aldeia que constitui um magnífico conjunto histórico com uma imponente e desajustada igreja (Catedral de Montaña) tendo em conta a
dimensão do lugarejo onde se confraternizou com os simpáticos habitantes locais visivelmente agradados com o colorido dos ciclistas.
O problema foi mesmo a partir daí já que embora o desnível a vencer fosse inferior (até Collada Linares a 1550 metros) o piso era terrivelmente solto e com alguns troços de grande inclinação a exigirem que desmontássemos. Para agravar de quilómetro a quilómetro desciam-se algumas centenas de metros para recomeçar a subir nas mesmas condições. Já com o cansaço a fazer-se sentir foi com agrado que recomeçámos a descida final que nos trouxe até Lillo e o merecido descanso.
De referir uma queda de um dos participantes a provocar uma fractura do cúbito direito e a demonstrar a utilidade terapêutica dos cartões rígidos em que são vendidos os pneumáticos de uma famosa marca gaulesa que provaram ser umas excelentes talas de recurso: o BTT pode ser uma actividade perigosa!
Em suma: merece a deslocação (1500 kms. de Lisboa ida e volta) pelo cenário
e pela festa de BTT que é. Não se compadece, todavia, com níveis de forma
pouco cuidados. Para o ano prossegue a Travessia embora noutro local da
Cordilheira como é da praxe e da tradição. Assim o interesse renova-se
anualmente.
FICHA TÉCNICA
XIV TRAVESIA NACIONAL CANTABRICA
ORGANIZAÇÃO: ASTURCON BTT (Oviedo, Astúrias)
ETAPA 1
Distância: 39,6 kms. em linha
Altitude Acumulada Positiva: 1080 m.
Altitude Acumulada Negativa: 1890 m.
Altitude mínima: 673 m.
Altitude máxima: 1777 m.
Dificuldade Física e Técnica: media-alta
ETAPA 2
Distância: 49,3 kms. circulares
Altitude Acumulada Positiva: 1530 m.
Altitude Acumulada Negativa: 1530 m.
Altitude mínima: 1065 m.
Altitude máxima: 1677 m.
Dificuldade: Física = muito alta; Técnica = media
Saudações Virtuais, Virtual Best Regards
Enviado por A. Pedro Roque Oliveira
segunda-feira, 1 de setembro de 2003
Sines Tesia
quinta-feira, 28 de agosto de 2003
Maratonas: The Final Cut
terça-feira, 26 de agosto de 2003
Aime béque ine bizenesse (diversos assuntos)
segunda-feira, 4 de agosto de 2003
Acompanhando o Grande Rio do Sul
quinta-feira, 24 de julho de 2003
Caminho do Tejo pela terceira vez
segunda-feira, 21 de julho de 2003
Operação Alto Minho - rescaldo
domingo, 13 de julho de 2003
Sopa de Pedra 2.5 e coincidências
domingo, 22 de junho de 2003
Maratona da Retorta
terça-feira, 10 de junho de 2003
Foia esmiuçada

Mais vale um mau plano que plano nenhum!
Foi assim que correu esta incursão que, segundo me parece, acabou por
corresponder à expectativa generalizada.
Sem embargo e apesar de achar que tudo correu pelo melhor acho que a Fóia
terá de ser revisitada em moldes algo diferentes.
A quilometragem, em virtude de se ter abreviado um pouco na zona de Aljezur
quedou-se pelos 110 kms. o que foi algo escasso. Todos terminaram em boas
condições físicas o que me deixa um pouco desapontado.
Assim a "Fóia Revisitada" terá as seguintes características:
Saída de Odeceixe até à Foz do Farelo - tudo igual
Subida à Foia a partir da zona do Selão por trilho
Descida a Monchique e retorno à Foia por outra encosta não sem antes rumar
às Caldas
Descida a Marmelete e depois Passil e descida da robeira da Cerca - tudo
igual
Entrada em Aljezur mais a Sul, subida ao castelo
Após o Rogil usar um caminho diferente até Odeceixe
Mais quilómetros, menos asfalto e mais dureza para elevar ainda mais o grau
de satisfação.
FOTO DUARTE
Esta coisa de levar um fotógrafo atrás com um aparelho trimegapixel resulta
maravilhosamente. Normalmente acumulo as funções e nunca pontuo nos planos.
Desta vez foi diferente. As fotos estão ao nível do passeio, isto é, muito
boas!
AS ESTRELAS DO PARQUE
O Parque de Campismo de S. Miguel, quase a chegar a Odeceixe (quem é
"habitue" do Tróia-Sagres lembra-se dele quase no final da descida que
conduz à ponte de Seixe) tem excelentes condições. Para mim que não acampava
desde os tempos milicianos foi um reencontro nostálgico e feliz. As quatro
estrelas do parque só foram superadas pelas cinco da simpatia e elegância da
recepcionista!
NAVEGAÇÃO ACEITÁVEL
Apenas o Jorge Manso se tinha passeado por aquelas paragens anteriormente,
mesmo assim boa parte do traçado era completamente desconhecido para os
intervenientes. O track virtual foi traçado a partir de waypoints sobre
coordenadas obtidas na fiel M-888. Curiosamente o segmento
Foia-Marmelete-Aljezur, o que era completamente desconhecido e que era o que
mais me preocupava, foi o que decorreu sem qualquer incidente navegacional.
Houve algum problema na estrada que a partir da Portela da Viúva liga a
Marmelete e percorre a encosta Norte da Fóia que não está exactamente no
lugar que consta na carta militar e que, por esse facto, estabeleceu alguma
confusão já que o track surgia sempre desviado para sul algumas centenas de
metros para Sul (necessidade de rever a carta - facto documentado em
fotografias). Depois foi a transição da carta "Aljezur" para a carta "Rogil"
a complicar também um pouco mas sem ser grave. O GPS é de facto a melhor
invenção desde o pão de forma.
SINESTESIA DE ODORES
O Verão faz despontar os odores adormecidos nos campos. Este passeio nesse
aspecto foi paradigmático. Melhor do que o cheiro típico do eucalipal só o
das estevas completamente oleosas no monte sobranceiro a Aljezur. A
bicicleta ficou a cheirar a estevas, incrível.
ASFALTO DE SONHO
A Estrada Municipal que liga a Foz do Farelo à Portela da Viúva e daí a
Marmelete é o sonho de qualquer ciclista de estrada: asfalto novo e
imaculado, estrada sinuosa de montanha e movimento quase nulo. De facto em
mais de 20 quilómetros passaram por nós três viaturas!
A FÓIA
É o tecto do Algarve, donde se avista todo o Barlavento e ainda a Costa
Vicentina. Local de romaria motorizada. A vista é absolutamente
deslumbrante, de tal modo que escasseia o latim descricional!
INSULTO MARMELETENSE
Apesar de experientes nestas andanças por vezes somos tentados. Que dizer do
belo "Bife à Tita" com que um casal alemão se banqueteava na esplanada do
mesmo nome na típica Marmelete mesmo ao nosso lado? A visão amarela dos
palitos de batata frita era insultuosa perante a barra de muesly com avelãs
que acabava de comer. Pior mesmo, em termos de sofrimento, só para o
"autonomista" Rui Sousa, a sua compota de frutas e a água pentalítrica. A
Super Travessia vai ser um grande desafio psicológico, é que ele já está
afectado :-)
OS CERROS DA CERCA
A descida à ribeira da Cerca foi inolvidável. A sucessão de cerros e a
interminável descida em pleno ambiente natural constituiram talvez o momento
alto da jornada. Estupendo!
O VELÓDROMO DA CERCA, A MISERICÓRDIA CASTELÃ E O CASTIGO ATÉ AO PLANALTO DAS
ESTEVAS
Alcançada a ribeira e olhando para o relógio achei que era altura de
recuperar tempo e foi um "vê se te avias" pelo estradão plano que contornava
a margem direita da ribeira até Aljezur. O pior foi quando vi chegar os
últimos minutos depois com um ar "mais morto que vivo" e achei que os
deveria de poupar à exigente subida ao castelo de Aljezur, pior mesmo foi
depois a subida da encosta do outro lado da ribeira até ao planalto do
Rogil: a mais dura da jornada...
O BARRANCO DE MARIA VINAGRE
A mostrar quão pitoresca pode ser uma mata de silvas. Era mesmo a única
passagem e, em tempo de guerra não se limpam armas...
O MOINHO COMO "GRAN FINALLE"
A chegad ao moinho da Aldeia Nova do Concelho a marcar o final do passeio.
Odeceixe estava aos nossos pés 110 kms. após a saída. O restauro caberia à
"Taberna do Gibão" após os banhos, o demontar do bivaque e a despedida da
recepcionista... Mais vale um mau plano que plano nenhum!
quarta-feira, 4 de junho de 2003
“OS MENINOS DA REBÊRA DO SADO”
terça-feira, 29 de abril de 2003
"Cacilhas à Contracosta" revisitado
domingo, 20 de abril de 2003
Magnífica Serra de Grândola (pelos trilhos da GR11)
APRO
segunda-feira, 31 de março de 2003
Alvalade - Porto Covo e Regresso
sexta-feira, 28 de março de 2003
Passividades e manutenção do nível
segunda-feira, 24 de março de 2003
Barbaridade no Norte Alentejano
Como não sou o único a ter falta de juízo ninguém alinhou pela voz da razão e todos concordaram com a jornada que já havia apelidado,previamente, de "barbaridade". Não estava longe da realidade! Para além de o testemunho estar já em Portalegre ao cuidado do Vilela há que referir que estes 210 kms. (mais 5% que o previsto) acabou por se revelar um intensíssimo esforço físico, bem pior do que o Tróia - Sagres para o qual, habitualmente, há toda uma preparação prévia que aqui não existiu. O grande responsável foi o forte vento frontal que nos acompanhou em mais de metade do percurso.
Éramos quatro à partida (eu, o Rui Sousa, o Delfino Santos e o Cipriano Canaverde) e também à chegada. Pelo meio, entre Estremoz e Portalegre acompanhámos os "Ases de Portalegre" e também o João Pina (o tal que encontramos nas zonas mais incríveis do país) que connosco viajou até Monforte.
A primeira parte equiveleu à 21 etap@ entre Arraiolos e Estremoz e correspondeu a 42 kms. pela EN 4 com um vento a soprar moderado quase frontal mas a que demos uma boa resposta pelo pedalar em grupo a que correspondeu uma interessante média de 32 kms./h.
A EN 4 entre estas duas localidades é interessante para pedalar enquanto a berma larga o permite. Chegados a Estremoz já lá estavam os "Ases" e o grupo lá seguiu pelo IP 2 até Portalegre (km. 100). Este era um grupo extremamente heterogéneo: bicicletas de estrada, híbridas (BTT com pneu de asfalto) e BTT pura com pneu "gordo".
Foi tempo de relaxar um pouco:o vento soprava por trás, a berma é extremamente larga e a maior parte do percurso foi feito a conversar - agradável.O troço de 20 kms. entre Portalegre e Crato foi o mais interessante de todos: sinuoso, rápido, deserto e com o asfalto em excelentes condições. Um hino ao ciclismo de estrada!
Pausa nesta povoação histórica para uma breve snack. A partir do Crato (Km. 120) tudo se complicou: o asfalto deixou de estar em condições, o trânsito automóvel densificou-se, os desníveis aumentaram e, sobretudo, o vento começou a soprar frontal e forte (nalguns descampados havia rajadas). Tudo isto conjugado contribuiu para aumentar a penosidade. Teria sido óptimo se o passeio terminasse no Crato, mas lá seguímos.
Os 12 kms. até Alter do Chão (km. 132) foram terríveis. De Alter até Avis houve um pouco de tudo, nos primeiros 10 kms. rodámos para poente e pedalou-se bem mas os restantes 20 kms. já foram algo penosos embora os desníveis não fossem fortes e a paisagem interessante em virtude de se acompanhar as margens da albufeira da Barragem do Maranhão.
Em Avis nova paragem para repor açúcar já que o desgaste calórico associado era já enorme.Avis - Pavia e Pavia - Arraiolos foram indescritíveis: vento forte, desníveis de respeito, asfalto degradado - penosidade máxima.
No final um enorme esforço despendido e a sensação de que se superaram limites.
Conclusões:
- Foi excessivo - tendo em conta o vento deveria de ter sido maiscurto.. 4600 Kcal. despendidas - retrato do esforço brutal a que correponde3 dias (!) de gasto do metabolismo basal num adulto masculino médio.
- Ingestão de alimentos - perante um desgaste deste tipo o consumo de alimentos foi a condizer e foi responsável, indubitavelmente, por termos chegado ao final: 7 barras energéticas; 2 litros de isotónico;1 compal pêssego, uma sandes mista, 1 mousse de chocolate e dois cafés!
- Boas prestações individuais - todos tiveram à altura do evento apesar das enormes dificuldades. Pessoalmente estive bem, só no troço final (Pavia-Arraiolos 20 kms. a subir) fui buscar forças já não sei bem onde. O Cipriano esteve também em muito bom nível, o Delfino fraquejou um pouco a partir de Alter mas conseguiu chegar ao final e o Rui também deu boa conta de si, embora com alguma sdificuldades