Tudo se conjugou para que fosse um sucesso, verdade seja dita!Com o alto patrocínio de São Pedro que, juntamente com os seuscolegas, Tiago, Luís, Francisco, Filipe e ainda Nossa Senhora dasNecessidades fizeram com que a meteorologia estivesse soalheira namaior parte do tempo tornando o passeio ainda mais agradável,sobretudo em função das paisagens que é, como sabemos, a "piéce deresistence" da Arrábida: os vales, as montanhas e o mar.As subidas eram violentas q.b. mas a Arrábida é mesmo assim.Contámos com 16 presenças e todos, sem excepção, completarampercorreram os pontos propostos tendo escolhido o traçado que muitobem entenderam.Tal circunstância reforça a valia da chamada "fórmula Orifoto"(franchisada por Brites, como é sabido).A mensagem do António Santos resume tudo:"Consegui concluir com todos os pontos alcançados, isto deve-sesimplesmente aofacto de poder imprimir o meu ritmo, o que possibilitou gerir aomáximo oesforço. Se este trajecto fosse um passeio organizado, das duas uma:Nãoconseguia concluir; Esperavam todos por mim diversas vezes."De resto o seu sorriso de satisfação no final (constrastante com amáscara de esforço) era, por si só, bem elucidativo disso mesmo.Ou seja: com o orifoto cada equipa vai ao seu ritmo, pelo caminhoque entende. Perde-se um pouco o convívio gregário dopasseio "tradicional" mas ganha-se, e muito, em ritmo e em espíritode aventura.Talvez não seja do agrado geral mas estamos perante uma fórmulaindiscutivelmente interessante.Nada de esperas irritantes por causa de furos ou de ciclistasatrasados.O definir de uma estratégia, a execução da mesma, os reajustamentostácticos em função dos imponderáveis, a satisfação indisfarçávelpelos diferentes pontos que vão sendo descobertos e superados, unsapós os outros são o segredo desta fórmula.Ganha-se também do ponto de vista aeróbico através de um ritmoelevado (de acordo com as possibilidades individuais). É todo umexercício de gestão: tempo, energia, opções de caminhos, etc.Como é óbvio conhecia todos os pontos e o caminho mais óbvio entreeles.Fiz questão de não estar parado à espera dos demais e percorri (como Jorge Valera) os mesmos. Foi diferente do Orifoto de Cortes umavez que praticamente não olhei para o mapa.Não admira pois que fossemos os primeiros a terminar quase uma horaantes dos restantes começarem a chegar (embora um dos grupos: CarlosSilva, Luís Silva e Rui Ermitão, não tenha terminado no local departida).De facto assim se constata que é muito diferente percorrer umdeterminado percurso, com as pausas reduziadas ao mínimo (tempo defotografar) do que navegar no mesmo (à la carte ou mesmo com GPS).Pelo caminho cruzá-mo-nos com boa parte das equipas e foiinteressante verificar que, tal como em Cortes, cada equipa escolheum percurso distinto mas todas chegam ao final.Penso que, segundo constatei, este Orifoto serviu para consolidar afórmula.Registei 22 pontos distintos (todos eles óbvios já que a intençãonão é complicar mas antes permitir percorrer uma dada zona) e 55quilómetros (a mesma quilometragem de Cortes, curiosamente).Nesta altura do ano não é possivel efectuar nada superior já queanoitece cedo.As fotos que demonstram a sequência estão em http://br.pg.photos.yahoo.com/ph/proque2004/album?.dir=/eabb&.view=t
Acredito que, com os dias maiores da Primavera / Verão seja possivelmaior quilometragem.Tenho ideia de efectuar um "Arrábida dois", por essa altura, destavez percorrendo a zona de Azeitão/Sesimbra numa quilometragemsuperiorAté Vila Viçosa pois!APRO
segunda-feira, 1 de novembro de 2004
segunda-feira, 25 de outubro de 2004
PASSEIO DE OUTONO VELOCIPEDI@ - A TRADIÇÃO AINDA É O QUE ERA

Na era das maratonas, dos percursos balizados e da navegação por satélite pode parecer anacrónico uma incursão betetística à maneira antiga.
Pois foi assim que a actividade se processou, em plena Serra de Ossa, sobranceira a Estremoz, desconhecida para muitos de nós. Apenas vislumbrada quando passamos velozmente pela A6.
De facto, já estávamos desabituados a um passeio deste tipo, com um guia à cabeça e outro a encerrar, sem setas, fitas ou tracks de GPS. Até encaramos com algum cepticismo se a iniciativa não seria monótona.
Não poderíamos estar mais enganados. A jornada foi de excelência!
Tratou-se de mais um passeio de Outono da lista de correio electrónico Velocipedi@ que é o mais antigo dos fóruns nacionais de discussão de ciclismo.
Bastou juntar algumas dezenas de ciclistas de montanha, adicionar-lhe uns trilhos fantásticos na Serra de Ossa, mais um excelente convívio potenciado pelo facto de muitos dos participantes se conhecerem há muito, conjuntamente com um ritmo de pedalagem homogéneo e elevado para termos como resultado uma jornada extremamente interessante complementada com um incontornável repasto típico para que ninguém se possa queixar e possa recordar o passado dia 17 de Outubro com enorme satisfação.
É claro que fomos bafejados pela sorte: não houve as inevitáveis avarias, quedas, caimbras ou furos sempre potenciadas pelo facto de ser um grupo numeroso e da lei das probabilidades ser, geralmente, impiedosa. Até a meteorologia esteve pelo nosso lado abrindo uma janela de estio no meio da chuvada da véspera e do dia seguinte.
Felizmente não há regra sem excepção e tudo concorreu para ser um passeio de eleição, embora à moda antiga: a tradição ainda é o que era!
Do agrado de todos o percurso contou com subidas fortes, designadamente a que dava acesso ao cimo da Serra, em São Gens e que serviu para extenuar muitos dos participantes que se recompuseram lá no alto, observando as águias de cima para baixo junto às ruínas da capela que dá o nome ao topo serrano.
A partir daí foi uma descida contínua a exigir de todos um empenho e concentração absolutas mas a proporcionar uma satisfação plena seja pela velocidade seja pela técnica que era necessário empregar.
O culminar foi mesmo junto à Torre de Menagem de Estremoz e as fachadas marmóreas das suas igrejas numa espécie de “grand final” em direcção ao duche e ao almoço pois o consumo de calorias foi directamente proporcional à satisfação obtida.
terça-feira, 12 de outubro de 2004
Orifoto do Lis - The Final Report
Antes de mais anuncio que as fotos (APRO e Jorge Cláudio) estãopublicadas emhttp://br.f2.pg.photos.yahoo.com/ph/proque2004/album?.dir=/4946(copiar o link completo). De referir que a data impressa nas fotosestá errada. Não que nós tivéssemos feito o percurso no dia anteriormas porque a máquina estava mal configurada. Esse problema já foi,entretanto, corrigido.A FÓRMULA "ORIFOTO"Relativamente ao evento gostaria de dizer o seguinte: entendo que oPedro Brites mais uma vez nos brindou com uma fórmula de sucesso.De tal modo gostei da jornada que, devido à sua simplicidade,proponho organizar algo de semelhante aqui na zona de Sintra ouArrábida para breve. Desafio aliás, os caros colisteiros a fazerem omesmo. Os que participaram tiveram uma excelente jornada, os quefaltaram não percam a próxima.São só vantagens: é uma organização "desorganizada", ou seja, em bomrigor não se trata de organização nenhuma mas antes de uma propostade trabalho no qual é fornecida uma carta militar digitalizada comdiversos pontos assinalados os quais terão de ser alcançados efotografados pelas equipas. Ou seja, ninguém tem nenhum trabalho emorganizar, basta conhecer o terreno, reconhece-lo e assinalar ospontos numa carta digitalizada e propor uma jornada aos demais.O caminho para lá chegar e o ritmo imprimido ficam ao critério decada equipa.Ou seja, não há "molhadas", não há "granel", não há esticões nempausas prolongadas por causa de furos, avarias ou caimbras que,proporcionalmente, acontecem com muito maior frequência se o grupofor numeroso.O impacto ambiental é, necessária e desejavelmente, reduzido.Por outro lado a "obrigatoriedade" de circular em equipa (2 a 4)implica que ninguém sai sozinho para o trilho, ou seja, não corre orisco de sofrer um acidente e ficar incapaz de solicitar auxilio.Esta disposição não foi, todavia, seguida à regra por dois dosparticipantes.O divertimento é mais que garantido pois para além de se poderpedalar em TT ao ritmo que mais nos convém há um "cheiro" a mistériono ar a fazer lembrar uma espécie de "rallye paper" adaptado ao BTT,contudo, sem as perguntas habituais de lana caprina.A quilometragem de 52 kms. que percorremos parece ser a ideal paraaquele tipo de evento: permite chegar não muito cedo percorrer todosos pontos e terminar ainda com luz solar.Por outro lado o facto de ser um circuito apertado e os pontos nãoserem muito distantes uns dos outros permite que, a qualquermomento, se possa regressar à partida.A MINHA PROVANavegar com mapa ou com GPS?Foi esta a questão prévia que colocámos previamente. Confesso quenunca fui grande adepto da navegação "a la carte" em bicicleta. Achoque está mais pensada para pedestrianismo uma vez que implicaconjugar a concentração entre a carta, a sua orientação, e os azaresde um terreno que muitas vezes é irregular debaixo dos pneus.Assim a aposta foi logo para GPS.Efectuámos um track virtual unindo todos os pontos e tentando, desdelogo, manter uma altimetria semelhante. A prática mostrou estarmoscertos. Não só todos os pontos foram efectuados como praticamentenão existiram enganos ou hesitações de monta.O track praticamente não divergiu da realidade e algumas alteraçõestácticas devido ao estado degradado do terreno rapidamente foramefectuados com a observação da carta.OS PONTOSOs pontos foram efectuados, tendo como base a povoação de Cortes nosentido dos ponteiros do relógio com as adaptações necessárias tendoem consideração a altimetria e os caminhos de ligação.De resto a seguinte numeração corresponde à existente nas fotos eque, obviamente, não é idêntica à que as outras equipas terãoefectuado.1 PATOS NA AZENHAEste não era para ser o primeiro, antes o segundo, mas o facto deuma travessia do Lis, logo junto a Cortes, ter deixado de existir(conforme um caçador nos afirmou) fez com que tivéssemos de adaptara progressão invertendo a sequência. Lá estavam os patos divertindo-se no charco da azenha. Como gosto das aves achei que foi umexcelente início para a prova.2. SEBE DE CEDROSAssim sendo cruzámos a EN 356/2 e subimos os metros de terreno juntoà bomba de gasolina para fotografar o ponto e regressámosrapidamente pelo mesmo caminho.3. ENTRADA DA CURVACHIACruzámo-nos aí com muitos ciclistas TT mas que não tinham nada quever com o Orifoto. Parece que a mítica mata é o playground dominicalleiriense.4. CASCATAParece que havia quem estava à espera de ver o Niagara Falls poisesteve por lá e achou que aquilo não era uma cascata… Nós por cá nãoo achámos e encontrámos e fotografámos sem dificuldade. De referirque a Curvachia é um labirinto de caminhos. Valeu o GPS para nos daro azimute, o resto ficou ao sabor da imaginação. A chuva fez umaprimeira aparição embora não muito forte.5. SAÍDA DA CURVACHIAFizemos os últimos metros junto à parede de pedra que contribui paraconferir o misticismo à mata. Retomado o asfalto subimos então parao ponto,6. LAVADOUROApós o termos fotografado entramos numa zona de estradões rápidos e,subimos mais um pouco até ao ponto,7. PAVILHÕES DOS ANIMAISOnde tivemos de, rapidamente, fotografar e zarpar uma vez que ocheiro era insuportável. Percebe-se assim a tonalidade do Lis…8. PLACA RUARumamos ao Arrabal e, antes dessa povoação, tempo de fotografar.Depois foi a vez de cruzar o Arrabal, no final da missa, entrar emSoutocico e descer ao vale onde a chuva caiu forte e impiedosa.9. CASINHOTO DE PEDRAO famoso casinhoto não estava exactamente no ponto assinalado masuns metros adiante. Em boa hora o descobrimos pois permitiu-nosabrigar durante um bom quarto de hora.10 RUÍNASDepois foi tempo de pedalar bastante até encontrarmos as ruínas,antes da Abadia e começarmos a forte ascensão que nos levaria atéaos 430 metros. Pelo caminho tempo de encontrarmos o ponto,11 METALOMECÂNICAOnde a chuva caiu de novo muito forte e onde nos abrigamos um poucodebaixo de uns ciprestes. Após alguns minutos recomeçámos a ascensãopor asfalto, cruzamos a ermida da Senhora do Monte (onde estranhamosnão haver um ponto) chegamos então ao ponto,12 ANTENASQue são rapidamente fotografadas e continuamos a subir chegando aoponto13 MURO PEDRA CIRCULARQue também é logo fotografado. Neste ponto tinha, quando previamentefiz o track, ficado com a dúvida se devia de descer até ao cruzeirouma vez que ele estava ali a poucas centenas de metros. No entantouma observação atenta das curvas de nível mostrou que seriacomplicado uma vez que era necessário voltar lá acima parafotografar aquele que seria o ponto,14 DELTA E ANTENASQue foi o ponto mais alto da incursão tendo descido rapidamentepelas veredas até a um apertado vale num piso muito complicadodevido ao calcário escorregadio onde a busca do lagar se reveloutarefa difícil devido ao facto do caminho estar completamentedissimulado. Mas como a cartografia é algo de exacto lá conseguimosatingir o ponto15 LAGAR EM RUÍNASFeita a foto descemos por uma vereda onde tivemos de desmontar talera a quantidade de mato. Apanhámos, de novo, o caminho do vale eseguimos velozmente até ao ponto16 NASCENTE DO LISQuem participou no Nascente do Lis I não pode deixar de ficarsurpreendido com a diferença. Dos milhares de hectolitros quebrotavam em pleno Inverno, nem sombra. Os primeiros vestígios deágua apenas eram visíveis cerca de uma centena de metros a jusantejá a entrar em Fontes que, apesar de tudo, continua a ser umapitoresca povoação.17. RUA DO PRAZOChegámos aí rapidamente, batemos a foto e seguimos para o ponto18 CAMINHO DE TERRAQue também transpusemos rapidamente. O problema foi daí até ao pontoseguinte (o que implicava uma deslocação maior) já que optámos porum caminho de terra por entre vinhas que estava muito enlameado equase que atolámos por completo. Assim alcançar o ponto19 CRUZEIROAcabou por tornar-se um exercício muito complicado de tal modo que oretorno foi todo feito por asfalto até à Amoreira e ao ponto20 LEITO DO RIO SECOOnde encontrámos duas outras equipas que seguiam juntas mas queainda não tinham percorrido todos os pontos. Assim seguimosconjuntamente até Reixida onde, de novo apenas os dois, derivámospara poente, costa acima até ao ponto21 CEMITÉRIO DE BARREIRAFoto tirada foi descer velozmente pelo asfalto até Cortes.No final o Nuno Nunes, muito generosamente, deixou que nosduchassemos e presenteou-nos com um frango assado delicioso. "He isa jolly good fellow".Acabou por ser um passeio com alguma intensidade (2600 KCal.despendidas) que satisfez plenamente quem nele participou.APRO
terça-feira, 7 de setembro de 2004
Serra da Estrela - Maratona Revisitada
Tive ocasião, no fim de semana passado, de me deslocar à Serra daEstrela (todo o betetista que se preze deve visitá-la comregularidade).Juntamente comigo deslocou-se o Jorge Cláudio (para ele umapremiére).O tema escolhido foi o da Maratona da Serra da Estrela recémdisputada numa extensão de quase 90 kms.Magnifica a serra mesmo que, desta vez, não tenha pedalado porlocais antes desbravados (os do distrito da Guarda e pertencentes aotriângulo Manteigas, Seia, Gouveia) mas nem por isso menosinteressantes e com uns panoramas estupendos.Como ficámos hospedados na "Varanda" optámos por apanhar o trackonde ele cruza a estrada que sobe a serra a partir da Covilhã ouseja, quase no seu final.Foi quase sempre a descer até ao Teixoso (à excepção de uma rampabem inclinada) local que marcava o início da prova.Não há nada como imprimir um ritmo descontraído e foi talvez a unicaocasião em que não terminei realmente cansado uma saída na Estrela.Sem embargo deu para ver que "aquilo" deve de ter sido bem duro seefectuado com calor e tentando competir contra um relógio qualquersobretudo aquela subida de Verdelhos (500 m) até à Nave de SantoAntónio e Piornos (1600 m) via Poço do Inferno.Sem embargo não estamos perante aqueles percursos "rompe piernas"mas antes perante subidas contínuas e, de algum modo constantes masperante as quais uma forma física razoável permite vence-las.No dia seguinte valeu o treking pelas imediações da Torre e até aoCântaro Magro (sempre acima dos 1900 m. de altitude), o almoço noOlival em Manteigas e o ski no skiparque no Sameiro.A repetir brevemente desta vez com um site compilado por mim com umaespécie de "best of estrela" ;-)APRO
segunda-feira, 31 de maio de 2004
Alvadade - Porto Covo - Alvalade 2004
Gostei muito desta versão 2004!Tudo bem marcado, novos traçados em zonas mais complicadas de areiae a organização a esmerar-se nos reabastecimentos(cinco estrelaspara aquelas sanduiches de carne assada) e no final.Muito bem, caros amigos do Alvaladense!Ao contrário do que é costume e tendo em consideração a minha faltade treino encarei a prova (120 kms. bem entendido) com um espíritode passeio.Parei em tudo quanto era reabastecimento, estiquei os músculos,mantive a pulsação em baixo e não respondi a nenhum tipo de esticãodos demais participantes.Quando cheguei a Porto Covo não estava nada cansado e não fora obitoque com que um vizinho de esplanada se banqueteava por contrastecom a minha caloricamente paupérrima sopa de agrião e poderia atédizer que a satisfação era total.Até aquele detalhe de alguém, após a subida para Porto Covo, dizer,com um misto de cansaço extremo e de satisfação: "Terminámos!" e delhe ter retorquido: "Não, ainda falta metade até Alvalade!" deu umpormenor pitoresco ao evento.É óbvio que após Porto Covo as dificuldades começam a fazer-sesentir: a subida até à Sonega, suave mas constante, o sobe e descecomplicado até ao penúltimo reabastecimento e a parte final com asmalditas areias a complicarem tudo.No final o cansaço não devido a pernas doridas mas à tensão nascostas e os gluteos, igualmente sentidos, de tantas horas sentado noselim.Não basta o peso baixo é necessário treinar muito e longe vão osdias da versão 2003 em que andei lá pela frente mas, como diz ooutro, nem só de BTT vive o homem!APRO
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2004
S(h)erpa no Alentejo Profundo
No sábado, como o Luís Gomes, lançou aqui o desafio para o "AlentejoProfundo" e o Pedro Duarte também estava por Serpa resolvi ir,juntamente com o Jorge "Jockey" Cláudio testar um track de 85 kms. (+IVA) num circuito em torno de Serpa, a vila branca.Combinámos pelas 10:00 junto ao "Lebrinha" e lá partimos para norte.A meteo fez uma pausa e brindou-nos com um dia ensolarado, porém,muito frio.O primeiro desafio foi cruzar um ribeiro com água pelos joelhos.Valeu a pausa seguinte para expulsar o excesso de água e roer ummuesly enquanto se aquecia ao sol.Continuámos em bom ritmo e deu para constatar que o Pedro Duarte jáestá em forma se bem que, com uma natural falta de ritmo.O grande problema do dia foi após se cruzar a ponte do Guadiana emPedrógão e o track nos mandava apontar para a margem do rio uma vezque está em construção a barragem do mesmo nome da terra.Tivemos então de avançar por meio da lama e do estaleiro carregando,quais Sherpas, as nossas bicicletas mui penosamente para chegar àdita povoação que, em circunstâncias normais seria alcançada apedalar tranquilamente por um asfalto plano e deserto caso o satélitenão nos tivesse dito para saír da estrada!Depois disso foi tempo de acelerar por estradões pelo meio das searas(veja-se o screensaver do Windows XP para se ter uma noção do quefalo), das pequenas albufeiras, das vinhas, dos olivais e dosrebanhos de porco preto de montado, invariavelmente abrindo efechando portões.Foi tempo de, transposto um derradeiro portão, entrarmos numempolgante "sobe e desce" pelos cabeços e junto aos bovinos que,pachorrentamente ruminavam.A descida até ao Guadiana foi incrível pelo seu grau de inclinação,um dos momentos de incrível beleza que só o BTT proporciona.Tempo de seguir junto à margem, da forma possível, alternando osperíodos desmontados com outros montados até que encontramos, empleno Alentejo Profundo, imagine-se, o António Malvar mais trêselementos.É difícil de dizer quem é que ficou mais surpreendido...Moral da história: a Ciclonatur vai fazer um passeio naquela zona nopróximo fim de semana eles estavam a efectuar o reconhecimento! :-)Seguimos então em conjunto e, já com mais de 70 kms. nas pernas,cruzámos o Guadiana pela ponte do IP8. O Pedro Duarte que já estavasatisfeito com teste continuou por asfalto enquanto que, osrestantes, foram fazer mais cerca de 20 kms.E que 20 kms.: como o lusco-fusco se aproximava foi tempo de aumentaro ritmo e a subida até à estrada de acesso ao Pulo do Lobo foi feitajá muito penosamente.Valeu o "Lebrinha" para restaurar a energia através da melhorimperial nacional (quem conhece sabe que não é exagero) e das febrasdo referido suíno escuro de montado. Mesmo a tempo do regresso feitodebaixo de chuva...Excelente jornada!APRO
terça-feira, 27 de janeiro de 2004
Morte Súbita e Reflexão Prolongada!
Não querendo alinhar na "nacional-romaria" a propósito do óbitofulminante e das exéquias do atleta Miklos Feher acho, todavia, quedevemos debater o assunto aqui e com a maior das seriedades.Para além de, para mim, ser a primeira vez que a morte surgiu assim,cruel e desconcertante, não só em directo como, sobretudo, em grandeplano antecedida de um sorriso cândido e irónico que paradoxalmentesimbolizava a vida e a alegria importa, friamente, analisarmos aquestão da, não tão rara, morte súbita de atletas.Sem alinhar em qualquer tipo de especulação sobre as causas da morte(deixemos isso para os especialistas) parece-me importante areflexão sobre o facto de, todos os fins de semana, nos cruzarmoscom muitos ciclistas que, na maior parte dos casos, não efectuaqualquer tipo de controlo clínico à sua condição física.Poderemos sempre alegar que não somos desportistas de altacompetição mas isso não pode ser motivo de negligência já que, subiruma montanha, minutos e quilómetros a fio com a pulsação no limiteexige que tudo funcione muito bem e que, caso assim não seja,andarmos imprudentemente a "brincar com o fogo".Quantos de nós já equacionamos esta questão? Mais: quantos de nósefectuamos um acompanhamento clínico compatível com uma actividadefísica que, queiramos, ou não, é extremamente exigente?APRO
segunda-feira, 12 de janeiro de 2004
Asfalto pela Manhã
No fim de semana que se passou e, tendo em conta o estado calamitosodos trilhos (ainda tenho presente o barro do Sintra-Mafra da semanaanterior e que me deixou à beira de um ataque de nervos :-) resolviir pelo asfalto.Nada melhor do que a Serra de Sintra para isso.Se assim penseimelhor o fiz e, juntamente com o Rui Sousa, lá fomos nas nossasreluzentes asfálticas.Saímos de Sintra, como ainda era cedo e não havia trânsito descemosaté à estrada nova para Colares passámos por Galamares e chegámosrapidamente Colares e daí seguimos para Almoçageme e, no Pé da Serravirámos para os Capuchos. Ligámos então, via Pena a Sintra.Refira-se que o RS teve um azar num dos ganchos e caíu. No asfalto éraro caírmos mas, quando tal sucede, o estrago pode ser pior, pelofacto do piso ser mais duro e da inércia nos fazer arrastar com asqueimaduras inerentes.Não foi grave, todavia, e lá descemos até Sintra tendo partido, denovo, em direcção a Colares, desta vez pela pitoresca estrada velhavia Seteais, Monserrate e Eugaria que, efectuada neste sentido, ébem mais simples que no contrário (um dos troços mais exigentes queconheço)...Em Colares encontramo-nos com o Fernando Carmo e seguímos emdirecção à Praia das Maças, Azenhas do Mar, Janas e por algumasestradas secundárias do concelho sintrense.No final 60 kms. e cerca de 1200 Kcal espendidas.No dia seguinte optámos pelo "Circuito de Monsanto". Para minhasurpresa o RS apareceu com a configuração do TS, i.e., BTT com pneumagro. No final 55 kms. e cerca de 1100 Kcal espendidas.Foi interessante constatar as diferenças de andamento num circuitoaerobicamente duro como o de Monsanto (duas zonas de subidaexigente, duas descidas fortes e zonas relativamente planas). Adescer e a rolar não há hipótese e lá vou eu de máquina deestrada "pura" já que a velocidade é incomparavelmente superior.A subir já depende do empenho: se quisermos andar "no limite" entãoconseguimos andar mais rápido que a BTT, se a ideia é não superar olimiar anaeróbico então, digamos, que a velocidade é algo semelhantenuma subida como a da Serafina/Comando Força Aérea ouBoavista/Parque Ecológico.Efectuámos duas variantes: uma que nos conduziu, numa ascensãomonumental, entre a Pimenteira e o acesso sul da AE e na qual tivede pedalar constantemente de pé ao passo que em BTT se pedalavasentado com uma cadência de pedais elevada e, noutra, optando porsubir até ao Alto de Monsanto onde, só com um forte empenho,consegui superar a BTT embora já em zonas limites da pulsação máxima!Moral da História: se comparada com a "asfáltica" a BTT não é umamáquina adequada e estrada, sobretudo em versão "roda 26". Semembargo, em percursos muito ascendentes ela permite gerir melhor oesforço por causa das suas relações, ou seja, pedalar em zonasmontanhosas com uma máquina de estrada exige uma forma apurada ouentão relações de andamento compatíveis (que podem passar por triplapedaleira).Sem embargo, numa asfáltica, as reacções são sempre "puras" e aprincipal diferença situa-se a meu ver quando nos colocamos de pé apedalar e sentimos o binómio rigidez/leveza da máquina a impulsioná-la para diante coisa que não acontece na BTT...APRO
sábado, 10 de janeiro de 2004
Apresentação do Plano Estratégico das Ecopistas da REFER EP
Foi apresentado, no passado dia 19 de Novembro, o “Plano Estratégico das Ecopistas em Portugal” num seminário organizado especialmente para o efeito pela REFER EP (Rede Ferroviária Nacional E.P.).
A REFER, recordemos, é a empresa pública titular da rede ferroviária nacional e pretende aproveitar os traçados abandonados à exploração ferroviária para actividades de lazer à semelhança da experiência espanhola das “vias verdes”.
Para tanto celebrou um convénio de colaboração com a RENFE (Rede Ferroviária Espanhola) procurando aproveitar e adaptar a grande experiência espanhola em matéria de “vias verdes”.
Na década de 80, entre 1985 e 1987, a racionalização da exploração ferroviária impôs o encerramento do tráfego de passageiros e de mercadorias em vários troços ferroviários.
Assim, em Portugal, tal como em Espanha, existem muitos quilómetros de via ferroviária abandonada à exploração que têm um enorme valor paisagístico e patrimonial e que oferecem um enorme potencial ecoturístico.
A extensão do traçado ferroviário abandonado e passível de ser reutilizada em Portugal ascende a 500 quilómetros. Trata-se pois de recondicionar estes antigos traçados ferroviários para uma utilização de pedestrianismo e cicloturismo.
Consequentemente prevê a REFER ter, no início de 2005, celebrado com as autarquias abrangidas pelos traçados abandonados convénios de concessão de cerca de 144 quilómetros de via a ser recondicionada para ecopista.
Refira-se que, em Portugal, a REFER optou pela designação “Ecopistas” em detrimento da designação internacional “Vias Verdes” (Greenways) para evitar a confusão com a marca da cobrança automática de portagens.
Após a apresentação do “Plano Estratégico” propriamente dito o seminário prosseguiu com a apresentação das bases do projecto REVER Med na qual participa a própria REFER e ainda diversas experiências nacionais no capítulo das ciclovias, a saber:
· “A Via Ciclável do Algarve” (REVER Medoc) que é parte integrante do projecto EUROVELO. Trata-se de uma via ciclável que atravessará o Algarve longitudinalmente pelo litoral numa extensão de cerca de 213 kms. entre o Cabo de São Vicente e o Vila Real de Santo António que atravessa doze dos dezasseis concelhos algarvios.
· O Projecto “Naturale”. Natureza e Turismo no Alentejo e Extremadura Espanhola que se propõe aproveitar os antigos ramais de Montemor-o-Novo, Arraiolos e de Mora em Portugal e ainda a “Via Verde de las Vegas” em Cáceres, Espanha. Trata-se de uma parceria através do programa comunitário INTERREG IIIA que juntou os municípios alentejanos e extremenhos abrangidos e que tem uma forte componente de turismo ambiental e que se encontra em fase de projecto.
· Os Presidentes das Câmaras de Valença e de Monção (no distrito de Viana do Castelo) apresentaram a recém inaugurada “Ecopista do Rio Minho” de Valença-Monção e que é a primeira “Ecopista” a ser inaugurada em Portugal tendo em consideração os pressupostos inerentes a este tipo de equipamento e que ostenta o logótipo criado para o efeito. O antigo traçado converteu-se, assim, no projecto pioneiro das ecopistas em Portugal. Tem um traçado de treze quilómetros sempre junto ao curso do Rio Minho por paisagens de alto valor patrimonial e ambiental.
A parte da tarde foi dedicada à apresentação de experiências internacionais.
· A experiência espanhola, com a exibição de um fantástico vídeo promocional e que, conforme já se referiu, serviu de modelo para a REFER.
· A experiência francesa.
· A experiência italiana.
· A apresentação da Associação Europeia das Vias Verdes pelo seu presidente.
O programa prosseguiu no dia seguinte com uma visita à nova “Ecopista do Rio Minho”.
De referir que, entretanto, a Câmara de Famalicão irá criar também uma ecopista no antigo ramal ferroviário que ligava Famalicão à Póvoa de Varzim. A ecopista, com um custo de 700 mil euros, nascerá nas imediações da estação ferroviária da cidade, indo até à freguesia de Gondifelos, no limite do concelho, numa extensão de 10,6 km.
Nesta matéria começamos a ver luz ao fundo do túnel...
Websites de consulta:
http://www.refer.pt
http://www.viasverdes.com
http://www.af3v.com
http://www.sustrans.co.uk
http://www.trailsandgreenways.com
http://www.railtrains.com
http://www.aevv-egwa.org
http://www.cm-moncao.pt
http://www.cm-valenca.pt
http://www.mundo.iol.pt/santosvitor/desporto.desportos-radicais/
http://www.ventonorte.com/
http://www.vilanovadefamalicao.org/
Pedro Roque
quarta-feira, 7 de janeiro de 2004
Rodas 700 em BTT (antes:Travões de disco)
Modéstia à parte, devo ter sido dos primeiros a usar umas rodas 700em BTT (certamente o primeiro aqui na lista).Já em 2002 havia feito o TS com elas (embora já as tendo montadasalguns mese antes) e só nesta última edição é que vi mais gente comelas.De facto, ao contrário da roda 26 com pneu 1.0, o diâmetro da roda700 com pneu de largura 23 é igual à da roda 26 com pneu "gordo"largura 1.9/2.0. Quem duvidar consulte as tabelas dos cicloemtros echegue a esta constatação.Antes que desatem todos a montar rodas 700 não se esqueçam que énecessário ter travões de disco pois o diâmetro pode ser igual(mercê da diferença de altura entre um pneu 700/23 e um 26/2.0) masa zona de travagem nos aros não é, o que inviabiliza a utilizaçãode "V-Brake"...APRO
segunda-feira, 29 de dezembro de 2003
O Regresso do Tróia-Sagres
A meteorologia foi a grande surpresa, pela positiva. Depois daprevisão de chuva e de vento do quadrante SW a 25 kms./h fomosbrindados com um dia quase primaveril e em que o vento esteveausente.À partida num registo grosseiro contabilizaram-se 333 ciclistasainda que, obviamente, a maioria para o Tróia-Sines ;-)...Comecei de modo lento por forma a aquecer gradualmente. À medida queia apanhando alguns ciclistas ia rolando com eles por algunsinstantes. Acabamos por formar um grupo de colisteiros: além de mim,o Jorge Manso, o Zé Teixeira, o Jorge Rocha e o Luís Gomes.A dada altura, após Pinheiro da Cruz rola um grupo enorme deciclistas nos quais se incluem o Fernando Carmo, o Rui Sousa e oAntónio Malvar. O ritmo é mais intenso mas como me estou a sentirmuito bem resolvo seguir com os mesmos e só o Jorge Manso respondeigualmente. O António Malvar teve de parar para repor a corrente noseixos e já não conseguiu recolar.Após Melides, ja na via rápida, a velocidade chega a ser vertiginosae recordo de entrar em Sines, após a Borealis a cerca de 48 kms./hrolando a direito (!).Após a paragem habitual em São Torpes seguimos os mesmos,praticamente, o problema foi que se tinham que atravessar dois valesrelativamente profundos e para conseguir manter a roda nas subidas,a pulsação atingia uma zona perigosa para os apenas 85 kms.percorridos. Fico então para trás, deliberadamente, com o JorgeManso e rolamos em bom ritmo mas gerindo o esforço.O Rui Sousa, ignorando que tinhamos abrandado, continuou mas haveriade pagar caro o esforço mais tarde.Ainda assim vamos alcançando vários ciclistas optando por rolarmoscom um grupo de dois que seguiam num ritmo razoável e, apósMilfontes, deparamos com o RS que seguia lento à espera de um grupoa que se juntar.Seguimos então até ao desvio para o Cabo Sardão e a Zambujeira epouco depois junta-se a nós o António Malvar. Na zona mais crítica(subida para São Teotónio) fico só com o JM. Os outros haviam ficadopara trás e o António Malvar por diante tendom optado por mante-lo àvista para não superar a zona aeróbica. Quando a estrada endireita étempo de recuperarmos a distância e de aproveitar bem a descida paraOdeceixe e, a partir do final desta, rolar muito rápido até ao Rogile à segunda pausa.Seguimos então de novo com o RS mas que já não aguenta o ritmoimposto (o exagero inicial a ditar as suas leis!).Aproveito novamente a descida para Odeceixe para rolar muito rápidoe alcanço vários ciclistas mas cujo ritmo supero na subida apósOdeceixe. Olho para trás e vejo o Jorge Manso em bom ritmo eseguimos os dois até final.Só em Vila do Bispo consulto, finalmente o ciclómetro para verificarque a média estava muito próxima dos 30 kms./h e aproveitamos osquilómetros finais para alcançar e superar esta barreira psicológica.Chegamos à Mareta, Sagres com a marca de 06:46 que equivale a dizerque superei em 24 minutos o meu melhor tempo alcançado o anospassado.Nunca me tinha corrido tão bem o TS! Acabei ainda com energia parafazer mais algumas milhas. Não fora o facto de, a partir do Rogilestar apenas com o JM e teriamos ainda baixado mais.Talvez para o ano, quem sabem com uma boa nortada pelas costas...APRO
terça-feira, 23 de dezembro de 2003
Estafet@ Velocipedi@ Etapa 27 - Mobilização de Vontades!
Foi cumprida, à custa de grande esforço, a 27.ª etapa da Estafet@.O relato já aqui foi deixado pelo FC. Ao mesmo apenas acrescentariaa minha opinião para reforçar a dureza da travessia e em simultâneoa beleza da paisagem. Estamos numa zona diferente do país, onde asserras são altas e imensas e onde, apesar da devastação dosincêndios florestais do ultimo verão, se encontram recantosparadisíacos como sejam as vilas da Sertã e de Pedrógão Pequeno ou aestupenda passagem do Zêzere, junto a esta última povoação (entre asbarragens do Cabril e da Bouçã) após uma intensa descida em calçada,transposição de uma ponte filipina e consequente subida. Por último,mas não por menos a mui dura ascensão a Santo António da Nevevencida a muito custo, com a visão da Torre nevada a NE e,finalmente a descida até Castanheira de Pêra de uma belezaindescritível.Mas a razão essencial desta mensagem é efectuar uma reflexão acercadas próximas etapas da Estafet@.É certo que as duas próximas até já estão apalavradas (28 entreS.A.N. e Piornos e 29 entre Piornos e Torre). O problema será, epara isso peço a vossa colaboração, a seguir.Penso que o seguimento lógico será o de avançar pelo distrito daGuarda na direcção de Viseu, daí para o Douro, subir Trás os Montes(Vila Real - Alvão e Marão) até à zona de Chaves, flectir parapoente para o Barroso, o Gerês, o Alto Minho, descer para o DouroLitoral, para Aveiro, Coimbra e Leiria.Para isso necessitamos da colaboração de todos. A tarefa está,actualmente, bastante facilitada, em virtude da proliferação dos GPSe de inúmeros tracks que, por aí abundam...Peço-vos que possamos debater aqui esta matéria para se definirem asideias e os traçados.APRO
sexta-feira, 5 de dezembro de 2003
Do Guadiana à Costa Vicentina - 3 dias intensos (etapa 3)
3.ª ETAPA – ROGIL – CABO DE SÃO VICENTEQuer pela distância, quer pela altimetria, quer ainda pelo facto deser a derradeira, esta poderia ser considerada como a etapa deconsagração. Os factos demonstraram que assim foi.Ainda assim este foi o dia em que os elementos mais se uniram contraos ciclistas: a temperatura baixou, o vento soprou em rajada e achuva, sob a forma de aguaceiro forte, abateram-se sobre nósimpiedosamente mas que mereceram, da nossa parte, um salutar eolímpico desprezo.Nada, nem ninguém, nos faria demover do nosso intento de alcançar oCabo que ostenta o nome do padroeiro de Lisboa.Após umas afinações iniciais (sobretudo ao nível dos travões já queas fortes descidas do dia anterior, aliadas ao terreno molhado,haviam provocado alguns estragos a este nível) lá partimos emdirecção à vila de Aljezur tendo optado por seguir por uma estradasecundária e sem pressas como forma de efectuar um recomendávelaquecimento.Chegados a esta histórica povoação foi tempo de nos embrenharmospelas ruelas históricas ascendendo até ao castelo. É uma tarefaárdua já que a pendente é muito elevada transformando as vielas emautênticas rampas, bem inclinadas e de mau piso.Chegámos rapidamente à Alcáçova onde parámos para a fotografia dapraxe em grupo.Seguimos em direcção a Vale da Telha e, já em pleno Parque Naturaldo Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, rolámos de forma muitorápida pelos estradões que cruzam os pinhais e eucaliptais e, numabrir e fechar de olhos, alcançamos a várzea da ribeira da Bordeiratendo como companhia, a nascente, a incrível serra de Espinhaço deCão e, mais ao longe e na mesma direcção, a Fóia, desta vez bemdescoberta e com o seu perfil inconfundível.A seguir à Bordeira seguimos, durante algumas centenas de metros,pela Estrada Nacional até à povoação da Carrapateira. Aí divergimospara poente para os estradões que seguem já junto à costa. Passamosa Ponta da Carrapateira e paramos numa falésia junto ao mar num dosraros momentos de sol da jornada numa zona de incrível beleza: acosta vicentina no seu máximo explendor!A próxima paragem foi efectuada pouco depois na Praia do Malhão bemconhecida do circuito internacional do Surf. Apesar deste Outonotardio ainda por ali pairavam desses seres estranhos embora todos aseco já que a agitação marítima não se compadecia com essaactividade desportiva.Aí aproveitámos para reabastecer as nossas energias. A ideia eraseguir, "à mão" pela praia para, depois subir a falésia junto à fozde uma ribeira. Numa breve análise calculei que fosse possívelpedalar pela praia já que estava baixa-mar. Aproveitei a descida e,aumentando a rotação de pedal numa relação mais baixa consegui pôr-me junto à linha de água, onde a areia é mais firme e por aliseguimos naquele que foi, certamente um dos mais interessantesmomentos da travessia.Ainda sob o signo humorístico do sal, o "Senhor da Boutique"resolveu fazer-se fotografar a encher o cantil de água salgada. Sábe-se lá porquê? :-)Tarefa dificil foi a de transpor a duna e subir a falésia, queembora fosse ciclável, tinha uma pendente incrível e um pisoterrivelmente solto. Foi um daqueles momentos mágicos do BTT em quese olha para trás e se constata que, em cerca de 2000 metros seascendem dos 4 aos quase 300 metros! A vista era, por seu turno,deslumbrante.Retomamos a estrada para, por ela nos, deslocarmos velozmente atéVila do Bispo. O sabor a final já estava no ar. No entanto tomossabemos como, por norma, os últimos quilómetros são, muitas vezes,os mais difícieis de vencer. Também aqui não foi excepção.Tomamos então uns estradões por uma espécie de estepe, por debaixode um autêntico dilúvio, até se alcançar o Cabo de São Vicente quealcançamos após 67 quilómetros e a umas simpáticas 2 horas da tarde.Era o final da travessia, 292 duros quilómetros após abandonarmos apraia fluvial de Alcoutim!O sabor a vitória e a dever cumprido pairava no ar aliada à enormesensação de alívio.EPÍLOGONunca duvidei que conseguisse mas foi mais duro do que penseiinicialmente. Por manifesta falta de tempo, não efectuei nenhumapreparação específica para esta travessia. Mantive os treinoshabituais de natação e corrida mas nenhum cuidado específico aonível alimentar.Por causa da luz do dia disponível nesta altura do ano o ritmoimposto foi forte e o grau de exigência física foi elevado. Poroutro lado os perfis de tipo "sobe e desce" são terríveis paramanter um ritmo constante. Pessoalmente prefiro ascensõesinequívocas e demoradas são mais facilmente geríveis em termosfísicos.De resto as duas baixas aliadas a alguns recursos ao jipe de apoiopor parte de alguns elementos na segunda, mas sobretudo na primeiraetapa estão aí para o provarem.A indicação de nível físico médio foi feita à medida do João Marquesjá que, para a maioria ela foi elevada embora, pessoalmente, játenha enfrentado desafios ainda mais exigentes ainda que, todoseles, de um único dia e a respectiva sensação de alívio seja obtidaao fim de uma única jorna e não como aqui apenas ao fim de três.De resto, o final do primeiro dia foi mesmo o pior de todos,sobretudo se tivermos em conta que ainda restavam mais dois pelafrente.Outro pormenor interessante foi o lado paisagísitico. Alguns doslocais são efectivamente muito bonitos. É o Algarve profundo doBarrocal mas sobretudo da Serra e também da Costa Vicentina adeslumbrarem quem não os conhecesse (e também aquele que, como eu jáconheciam alguns do locais).Felicito todos os que, comigo, partilharam aqueles, afinal, brevesmomentos de eternidade!
segunda-feira, 1 de dezembro de 2003
Do Guadiana à Costa Vicentina - 3 dias intensos
INTRODUÇÃOFoi um excelente modo de passar um fim de semana prolongado. Aproposta era aliciante: atravessar longitudinalmente o Algarveligando Alcoutim ao Cabo de São Vicente em três dias intensos depedaleio em TT.A proposta veio do nosso amigo e colisteiro João "Talega" Marques eera a primeira organização de vulto da "Algarve Aventuras". Odesafio era tanto mais tentador se tivermos em conta que nestaaltura do ano o pôr do sol acontece por volta das 17:15 pelo que oandamento tinha de ser vivo e intenso.O grupo acabou por ser restrito e limitado, inicialmente, a 9elementos devidamente enquadrados pelo João Marques e pelo guia ouseja, onze criaturas a pedalar no total.No final duas baixas: uma logo no final da primeira etapa: o PedroDuarte em virtude da febre que o afectou durante a noite (dizem asmás línguas que por ter tomado sal em excesso :-) e o José Rodriguesque desistiu em virtude de uma lesão num dos joelhos (dizem tambémas más línguas que por excesso de impetuosidade no final da segundaetapa ;-).1.ª ETAPA ALCOUTIM-ALTE (115 KMS.)Arrancámos da praia fluvial de Alcoutim e, mal começamos a subir,uma das bicicletas (Hot Chili do José Augusto) teve de sofrer umapequena reparação. Também dizem as más línguas que "The Lord of theBoutique" descurou a preparação das máquinas e teve de sera "Algarve Cycles" a desenrascar tudo pelo caminho...A primeira subida, entre Alcoutim e a EN 122 acabou por se revelarviolenta mas a frescura inicial a permitir levá-la de vencida semproblemas de maior. Depois foi rolar em planalto até Giões numtrajecto inverso ao que tinha efectuado no Verão na ligação entreMértola e Manta Rota. Daí até Martinlongo e, pelo mesmo tipo deterrenos tudo se processou sem dificuldades de maior e com o grupo arolar coeso.Aí encontráva-se o primeiro reabastecimento e descansou-se com todaa parcimónia para se prosseguir descendo até à famosa ribeira doVascão, a linha que separa o Algarve do Alentejo e que marcou afronteira dos 50 kms. (a que corresponde a já famosa caimbra daAndreia Almeida equivalente à entrada no km. 50).Prosseguimos pela margem da ribeira, primeiro montados, depoisempurrando o velocipede por algumas centenas de metros (na margemalentejana) para se voltar a reentrar no Algarve a pedalar passandopor uma estupenda ponte com cerca de um metro de largura e semguardas laterais (embora sem jacarés na água ;-).A partir daí fomos subindo a ribeira até nos internarmos na Serra doCaldeirão e chagámos ao cruzamento com a famosa EN2 onde se efectuouo segundo reabastecimento. Confesso que aí comecei a ficar algopreocupado: faltavam 35 kms. até ao final em Alte e já passavam das16:00. Adivinhava extrema dureza pela frente.Lá prosseguimos subindo junto ao Vascão e começa o famoso "rompe-pernas" a ditar as suas leis. Primeiro foi a Andreia que recolheu aoUMM mas, logo depois, o Pedro Duarte e o José Augusto (que nãocontáva com a cremalheira 22). Confesso que foi muito complicado degerir as subidas e procurei desmultiplicar tudo o que me erapossível na tentativa de reduzir o esforço mas as paredes iamsucedendo-se uma atrás das outras com descidas vertiginosas depermeio para complicar.Chegamos a uma estrada de montanha e embora com a noite a cair nãoconseguimos resistir ao apelo de umas magníficas sanduiches depresunto num tasco típico ali para os lados de Salir, pessoalmenteestava saturado de banana e de comida de pássaro e foi importantesentir aquele sabor e não estive só neste meu sentimento.Quando saímos a noite escura imperava, restou seguir por estrada oscerca de quinze quailómetros finais (e que quinze quilómetros). Secomeçámos alegremente por descer durante mil e quinhentos metros umapendente de 10% tivemos, logo de seguida, auxiliados pelos médios dojipe de subir identica distância e pendente.Descemos e alcançamos finalmente Salir, mas ainda havia que vencer adezena de quilómetros final até Alte pondo um ritmo diabólico (nolimite do suportável).Aí chegados ainda temos de subir mais dois quilómetros até ao HotelAlte (que em algarvio quer dizer "alto" :-) que ficáva lá bem notopo e, uma vez aí chegados, vencer a incrível rampa do hotel.Quando parei nem queria bem acreditar que tinha terminado aqueles115 kms. de uma dureza indescritível.A felicidade inicial foi substituida pela preocupação de saber que,no dia seguinte identica distância nos esperáva até ao Rogil. Mas,como tristeza não pagam dívidas, era tempo de duchar e repor as 4500KCal. perdidas. O jantar estava divinal já que àinegável "experteza" do cozinheiro se uniu a fome avassaladora.Escusado será dizer que, pelas 22:00 estava a desligar os sentidospara reparar as avarias para o dia seguinte.(a continuar...)
domingo, 2 de novembro de 2003
Do Guadiana à Costa Vicentina - 3 dias intensos (etapa 2)
2.ª ETAPA - ALTE - ROGILAo contrário do dia anterior o dia amanheceu nublado e até chuviscoudurante o pequeno almoço. Daí os impermeáveis, que se tinham mantidointactos na 6.ª feira, tivessem sido desembrulhados. Ainda assimquando começámos a pedalar parou de chover mas, como o percurso seiniciava descendente até Messines eles continuaram vestidos.Lá partimos, "cantando e rindo", por uma bonita zona de Barrocalpor entre pomares e citrinos numa pausagem tipicamente algarvia,após a qual transpusemos inferiormente a A2 e, alguns quilómetrosvolvidos, alcançámos o IC1, que acompanhámos durante um par dequilómetros num caminho paralelo pelo lado nascente após o qualtranspusémos essa via e, logo após, a ferrovia (linha do Sul).Ficámos uns instantes em cima dos carris fazendo algum do humornegro tradicional nestas ocasiões mas fomos surpreendidos pelo agudosilvo de uma locomotiva diesel.Tempo de sair lá de cima, rapidamente, não fosse termos deindemnizar a CP por danos no seu material circulante...Alcançamos o Arade e a barragem do Funcho que acompanhamos poralguns quilómetros até nos envolvermos com a Serra, num percurso deSul para Norte, primeiramente, e depois para poente, num novo edesconcertante sobe e desce, não sem antes encontrármos doiscompanheiros ciclistas de montanha que eram, nada mais, nada menosque os culpados por boa parte deste sofrimento do segundo dia.Segundo parece foram eles que reconheceram o caminho até Monchique...Parámos para reabastecer numa zona muito interessante e junto a umamina de água férrea numa paisagem serrana bem típica do sul dePortugal.Aqui, nesta zona a norte de Silves, encontramos o resultado de umVerão quente, já que entrámos em plena zona de incêndios e onde deupara constatar algo de curioso: todo o eucalipto tinha ardido mas,salvo algumas excepções, as espécies mediterrânicas estavam intactasou em bom estado designadamente os sobreiros, as azinheiras, asoliveiras ou as alfarrobeiras.Por outro lado o verde rompia por todo o lado e a vida teima emprevalecer no meio de um cenário dantesco de devastação.Começam então as grandes ascenções, a primeira das quais durantequase 3 quilómetros e que nos levou dos 70 aos mais de 350 metros.Primeira constatação agradável: num percurso sempre ascendenteconsigo manter a pulsação elevada mas estável e imprimir um ritmointeressante sentido-me em boas condições muito melhor que no ritmodo sobe e desce.Durante alguns quilómetros acompanhamos, a uma cota elevada, o cursoda Ribeira de Odelouca num cenário incrivelmente belo, do maisbonito que vi durante a travessia.Foi tempo de descer de novo e muito fortemente até uma cota baixaaproveitando uma estrada de asfalto sempre a direito. De tal modoque aproveitei, sem dificuldade, para bater o recorde de velocidadeque agora se cifra nuns expressivos 84,2 Kms./h.!De resto só não fui mais além porque quem seguia à minha frenteestava a ficar cada vez mais próximo e resolvi abrandar. Alcançámosa ribeira de Odelouca que transpomos e recomeçamos a subir a serra.Alcançado o topo deparamos com medronheiros com os respectivosfrutos no ponto ideal de maturação e que nos obrigaram a fazer umaagradável pausa degustativa ao mesmo tempo que, por alguns minutos,estiava agradavelmente dando um ar verdadeiramente mediterrânico aocenário serrano. Muito agradável!Tinhamos agora novo vale a transpor e a povoação de Alferce do outrolado e as tão prometidas sanduiches de presunto esperando. Paradesilusão de alguns não fomos pelas veredas descendentes eascendentes até lá mas antes pela estrada o que, tendo emconsideração a fome e a hora até acabou por ser a decisão maisagradável.Repostas as forças lá vamos em direcção a Monchique agora com achuva por companhia.A zona de Monchique é muito diferente daquilo que se pode consideraro tradicional Algarve serrano. Muito verde e muita água e a serconsiderada como a Sintra algarvia.Começa então a ascensão à Fóia, sempre debaixo de chuva copiosa ecada vez mais intensa. O ataque é feito pela encosta sul e revela-seum trabalho árduo mas que todos levaram de vencida.O topo, aos 910 metros, é alcançado debaixo de uma tempestade devento, nevoeiro e chuva intensos e em que o panorama que se avistavase resumia a uns míseros metros por diante.Tempo de descer por norte, na direcção do Selão, em sentidocontrário daquele que havia feito no Verão. Foram quilómetros equilómetros de divertimento feitos de forma muito rápida pelo meiode eucaliptais invariavelmente queimados.Quando chegamos ao Selão está já a anoitecer e seguimos pela EN501de forma muito rápida durante vários quilómetros.Após o final da EN e já em plena noite, é solicitado um esforçoadicional: uma rampa indecentemente inclinada já perto de MariaVinagre e vencida a muito custo já com mais de 100 kms. nas pernas.Curioso foi que após esta dificuldadee apesar de estarmos já muitoperto do final fizemos todos uma pausa para ingerir alimentos talera a necessidade de comer.Foi mesmo a última dificuldade do dia e poucos quilómetros apósalcançámos o Rogil e o descanso merecido.Foram cerca de 110 kms. mas um consumo calórico inferior ao do diaanterior o que revela que, apesar de as pendentes ascensionais teremsido maiores esta etapa tenha sido menos dura.De resto senti-me, no final, muito melhor...APRO
segunda-feira, 27 de outubro de 2003
Ainda a Borrasca do Fim de Semana
Pois ainda não foi desta que meti os pneumáticos na lama!Para compensar a não comparência na Estrela (que parece ter sidoproblemática a ajuizar porhttp://www.fanta.dk/showmovie.asp?mid=34DF54EE-A904-4667-9037-F67286DC6E35) tinha previsto uma deslocação a Grândola para uma incursão TT decerca de 100 kms. mas os alertas da Protecção Civil fizeram com quefosse adiada (pela 3.ª vez!).Mais uma vez o meu pedido de desculpas aos iminentes companheiros depasseio por mais este inconveniente de última hora.Para compensar aproveitei uma hora de bonança no sábado para umsimpático treino de corrida pedestre e o dominical sol matutino,bonificado pela mudança de fuso horário, para mais umas voltas peloglosado circuito asfáltico do PFM em companhia do RS temperado com unsacrescentos ascencionais de permeio como sejam as anaeróbicas subidasda Pimenteira à Cruz das Oliveiras ou de S. Domingos até ao forte doAlto de Monsanto e mais de um milhar de KCal derretidas parasatisfação geral.De referir que se avistavam, aqui e ali, uns seres estranhos montandobicicletas com enlameados pneus largos e cardados e com bizarrasmochilas com um tubo plástico por onde chupavam água!Confesso que há alturas em que o asfalto deserto até dá prazer,sobretudo ao ouvir aquelas transmissões enlameadas a protestarem portodos os lados contrastando com as nossas reluzentes e afinadíssimasmáquinas rolando velozmente pelo tapete negro (e vermelho da Serafinaà torre PT).Neste sábado não escaparei, todavia, da lama, algures no centrogeodésico do rectângulo a acompanhar os elos transmitivos ecasuísticamente alinhados a serem transmitidos ao FC!APRO
segunda-feira, 20 de outubro de 2003
Confissões
Hoje dei comigo a pensar: "há quanto tempo não faço BTT?".A resposta é eloquente: há cerca de um mês, mais precisamente desde odia 20SET03!Pois é, grande balda, pensais vós.No entanto as circunstâncias assim o determinaram.Em primeiro lugar a minha falta de tempo deixa-me sem condições parapedalar durante a semana. Assim sendo não me restou outra alternativasenão o treino "à la FC" isto é de triatlo, ou seja, de semana corridae natação, aos fins de semana, ciclismo.Foi uma escolha óptima e que me permite, por um lado, treinarpraticamente todos os dias (corrida quando não chove, natação quando ometeoro precipita) cerca de uma hora diária, dispendio sempre superiora 600 KCal por sortida de corrida (certamente bem mais na natação),operacionalidade civil imediata após duche rápido e sem ascomplicações que o ciclismo implica: vestimenta a rigor, afinação damáquina, necessidade de transportar a bicicleta ou de enfrentar otráfego impiedoso, sujidade inerente e obrigatoriedade de pedalardurante bem mais de duas horas para consumos calóricos identicos, ouseja incompatibilidade com as responsabilidades representativas!Para além disso o treino com frequência praticamente diária (entre 5 a6 vezes por semana, algo impensável anteriormente) proporciona aindamelhor forma física e diversificação na modalidade escolhida.Em suma mais tempo disponível para as tarefas "normais" com mais emelhor eficiencia do treino!O fim de semana está pois reservado à bicicleta, só que, desde o dia20SET03 (Cacilhas Contracosta e regresso - 120 kms.) que a BTT ficouarrumada.A partir dessa data, por força das circunstâncias, foram incursõesasfálticas em Monsanto a 28SET, 05OUT (a 04OUT fui a um casamento peloque não pude ir à Ota). Voltas sucessivas a um circuito delineado noParque Florestal, subidas e descidas proporcionando estupendos treinosa médias de 26 kms./h com 11 kms. e 275 KCal dispendidos por volta!O fim de semana de 11 e 12 OUT foi o que antecedeu as JornadasParlamentares no Funchal pelo que dividi o treino entre os 35 kms. decaminhadas pelas magníficas e exigentes levadas da Madeira (em locaisonde até o GPS falha permanentemente a captação!) e natação em dosesmaciças (o famoso e ameno clima madeirense não é um mito).No fim de semana passado estive com um problema gástrico que meimpediu o treino "et voila": mais de um mês mas que pretendo,todaviaver quebrado já no próximo sábado!"Nem só de pão vive o homem!"APRO
sexta-feira, 17 de outubro de 2003
Grândola - Grândola: Ao Sétimo Dia...
Como já há praticamente 2 (dois) meses que não efectuava umaincursão BTT tinha reservado este fim de semana para tal.No sábado, como é sabido, a chuva caíu implacável logo não era o diaideal para redebutar.Guardei-me para o domingo e, em conjunto com o Jorge Cláudio, fizuma incursão memorável ligando, num percurso circular, Grândola,Sta. Margarida da Serra, São Francisco da Serra, Vale Figueira,Costa de Sto. André (Lagoa), Lagoa de Melides, Melides e Grândola.O dia manteve-se soalheiro mas com um fortíssimo vento do quadrantenorte. Tirando a passagem pela zona das lagoas, todo o percurso ébastante acidentado e efectuado pela estupenda serra de Grândolaque, já aqui o afirmei anteriormente, parece ter sido talhada para aarte do ciclismo de todo o terreno.Partindo de um track constituído por diversas peças soltas,nomeadamente, uma incursão efectuada até Vale Figueiraanteriormente, outro pedaço traçado a partir da carta M-888 (atéMelides) e outro retirado parcialemente de um circuito na serra (deMelides até final), tratou-se de efectuar um reconhecimento para umtrack efectivo do traçado.Desiludam-se aqueles que pensem que se trata de uma incursão fácil,ou até moderada, apesar dos seus apenas 80 kms.!Os desníveis são permanentes e com destaque para a passagem deinúmeras ribeiras a tornarem a incursão absolutamente extenuante, amarca final de 3400 KCal. no final a mostrar isso mesmo. Apercebemo-nos disso mesmo quando a fome aperta de tal sorte que até as barrasenergéticas, estranhamente, começam a saber muito bem.Foi curioso, também, verificar após esta paragem no que ao BTT dizrespeito, como iria o organismo reagir.Se no aspecto aeróbico não tenha sentido nenhum dificuldadeextraordinária (em virtude do treino de corrida e natação), jánoutros aspectos senti alguns problemas.Destaco o mais curioso de todos que foi, precisamente o relacionadocom o selim e os glúteos (chamemos-lhe deste modo :-) a mostrarcomo, em ciclismo, é ainda o hábito que faz o monge!De igual forma nos picos de pulsação tão característicos do BTTsenti algumas dificuldades, tenho que treinar mais fartlek :-).Sem embargo o ritmo final foi elevado e a ele se deve também algumasensação de "empeno" a que, confesso, já estava desabituado e que ésubstantivamente diferente dos tornozelos doridos do final de umacorrida pedestre.Já com o reconhecimento efectuado em breve espero repetir estaincursão com um grupo (ligeiramente) mais numeroso...
sábado, 13 de setembro de 2003
Estrela na Estrela 2003, balanço final
O maior desafio do ciclismo amador em Portugal foi, desta vez, cumprido!
Este ano não houve aquela chuva que estragou os planos aos participantes
que, no ano passado, como eu, foram surpreendidos por ela acompanhada de
nevoeiro e de um vento que tornou impossível a quem, como eu, alinharam de
simples jersey manga curta.
Pelo contrário, num dos dias mais quentes do ano, o problema foi antes a
elevada temperatura que, embora mais facilmente superável, constituiu
todavia um agravante à natural dureza de uma prova com estas
características.
Desta vez creio que não eramos tantos à partida, pelo menos fiquei com essa
sensação no tradicional alinhamento junto aos paços do concelho da Covilhã.
Muitas caras conhecidas de que destaco, entre outras:
. alguns, tal como eu (Cannondale), de bicleta de estrada nomedamente o Rui
Sousa (Trek), o Cláudio Nogueira (BH), o João Pimpão (Cube) ou o José Luís
Carvalho (Trek).
. outros de BTT adaptada, para além do guru António Malvar (mais de hibrida
do que de BTT), o José Luís Nunes (Atlas), o Nuno Gomes (Commençal), o Mário
Silva (Atlas), o Jorge Silva (GT), o Pedro Basso (Kona) estes três últimos
não foram além da grande barreira psicológica que é a Torre, têm de voltar
para o ano, toca a treinar ;-)
Se o calor prometia havia que tomar medidas: levei a bolsa de água e ainda
um bidon com o isotónico. Lá começamos a subir em direcção às Penhas da
Saúde e fiz questão de ser o último a arrancar. Estava na hora de testar se
a escolha da bicicleta de estrada tinha sido acertada! Tinha trocado a
cassete com a BTT embora o desviador Dura-Ace não permita colocar a 32
ficando, assim, limitado a 8 velocidades: 28, 24 ... até 11 dentes. A
questão é que dispomos de apenas dois pratos um com 39 outro com 52 dentes
pelo que tem de ser uma opção bem poderada, há que estar em boa forma,
inevitavelmente.
Fiz o primeiro quilómetro em ritmo lento e em último para avaliar como a
coisa estava. A saída da cidade é das zonas de maior inclinação, como me
senti bem passei logo para a 24 e fui alternando com o 22 e começo a
ultrapassar os mais atrasados utilizando a táctica de me aproximar, rolar um
pouco na traseira para recuperar o pulso e passar mantendo o ritmo até
alcançar o seguinte. Este primeira subida tem mais de 10% de inclinação e é
complicada até à zona da torre de vigia que fica por detrás do antigo
sanatório onde a pendente suaviza. Nos ganchos apertados aproveita-se para
se pedalar de pé e de vez em quando retoma-se a 28 para recuperar o pulso
que deve, a todo o custo, conter-se abaixo do limiar anaeróbico ou não o
dexando ir muito acima disso. É que ainda haviam muitos quilómetros pela
frente e todo o entusismo tinha de ser contido.
Chgando ao Centro de Limpeza de Neve e ultrapassadas as Penhas da Saúde é
tempo de descer para Manteigas muito velozmente que a estrada se presta a
isso, sem movimento e com a visibilidade para se poder cortar as curvas.
Após o viveiro das trutas começo a deparar com os primeiros já a subir. O
atraso não era muito para eles e sentia-me bem. Resolvi apertar um pouco o
ritmo na subida que é, das três, a mais fácil, ou melhor, a menos difícil,
só que comecei a acusar o esforço e, a meio, na fonte Paulo Martins (a da
água Glaciar) resolvi reabastecer, diluir mais isotónico, comer umas barras,
e relaxar um pouco e, só então continuar. Foi milagroso recuperei e já subi
melhor e a bom ritmo a partir da curva na zona onde começa o caminho
pedestre para o Covão da Ametade a até à Torre, este último troço, a partir
de Piornos, é bem duro, de resto é a zona clássica da Volta a Portugal, onde
abundam as pinturas incitando os ciclistas, de resto, é só substituir o nome
do Gâmito ou do Vidal Fitas pelo nosso e acusar o estímulo.
Após uns quantos ganchos lá estamos no cruzamento da Torre onde paramos para
comer algo. Aqui chegados é altura de fazer o balanço. Apesar do desgaste
ainda estamos bem e, por comparação com o ano transacto (foi aqui que
desistimos por causa da intempérie) sentimo-nos bem melhor, não sei se por
causa da bicicleta de estrada se por causa de estar em melhor forma. Este é,
de resto, o último local onde se pode desistir pois, a partir daqui, é
sempre a descer (e ninguém, em condições normais desiste a descer) e só
paramos em Seia, onde para desistirmos só se nos resgatarem de automóvel.
Mas não perco muito tempo a reflectir e começo a descer. A princípio estamos
numa zona planáltica correspondente à área das pistas de ski e alternam as
descidas e as subidas que podem ser feitas aproveitando o balanço. A partir
de dada altura a pendente inclina fortemente e ultrapassa-se o paredão da
barragem da Lagoa Comprida e daí até ao Sabugueiro sempre em forte
inclinação, situação essa que se prolonga após a subida da "Aldeia mais Alta
de Portugal" (fortemente descaracterizada) até Seia. Ao todo são 30
quilómetros que, a descer já são intermináveis, mas que se tornam
absolutamente infernais a subir.
Após o Sabugueiro cruzo-me com os primeiros ciclistas e, após a Aldeia da
Serra, quase a chegar a Seia cruzo-me com outras caras conhecidas.
Após uma forte pendente chego a Seia onde como uma sandes cujas míseras
calorias foram imediatamente alocadas, mas foi tempo de meter muita energia
pois tinha, quisesse ou não, tinha de voltar lá acima! Ainda assim descansei
um pouco. O pior é que o calor apertava e a pendente era muito forte até,
pelo menos, a Aldeia da Serra.
Mas as paragens são milagrosas e fazem-nos restabelecer as forças, aí vou eu
por ali acima a sentir-me muito bem faço os ganchos sem dificuldade de maior
alternando o pedalar de pé e sentado, dei-me ao luxo de ultrapassar vários
ciclistas e quando me começo a sentir fatigado já tinha o Sabugueiro à
vista.
Como a partir daqui a pendente torna a endurecer é tempo de parar na fonte,
restabelecer as forças, diluir mais isotónico, comer mais um pouco e relaxar
um pouco. Passam vários ciclistas mas que vou ultrapassar de novo em plena
ascensão, interminável, diga-se, até à Lagoa Comprida onde já me sinto nas
lonas, completamente. Um pouco antes deste ponto está uma viatura parada a
recolher um dos ciclistas que tinha desistido e que me fazem uma proposta
desoneste: tinham um lugar livre na viatura. Agradeci mas recusei, se
tivesse aceite nunca mais me perdoava e era obrigado a alinhar em 2004 para
cumprir o desafio na integralidade, coisa absolutamente impensável naquela
altura em que se pensa que aquele sofrimento, que tão estoicamente
suportamos, não é mesmo para repetir.
Da Lagoa Comprida para a Torre ainda é preciso subir bastante e é aí que a
BTT deixou saudades, as forças estavam no limite, já não conseguia subir a
pulsação até ao limiar anaeróbico essencial para manter a cadência de
pedalada pelo que me vejo na contingência de ter de pedalar de pé mais tempo
do que gostaria, vou procurando distrair-me olhando para a sombra e para a
paisagem tentando-me abstrair do esforço. Quando dou por mim já só falta uma
rampa até ao planalto do ski, mais um derradeiro esforço e, já está, depois
são umas subidas alternando com descidas onde aproveito para alcançar a
máxima velocidade possivel e, como que por milagre, estou no cruzamento da
Torre, faltando o mísero quilómetro até ao delta e às típicas estruturas da
Força Aérea. Pois este foi o que me custou mais e estava a ver-me a morrer
na praia e a ter de empurrar a bicicleta durante 100 metros, mas não podia
ser, uma pedalada vigorosa vinda do âmago levou-me ao delta, estava
cumprido: a partir daí seria sempre a descer exceptuando os 200 metros
ascendentes até ao Centro de Limpeza de Neve.
Havia pois que descansar um pouco e repor energias para que a descida fosse
feita com a concentração necessária. Tudo havia corrido bem até então e não
iria borrar a pintura no final. Mas descer tão rapidamente é uma recompensa
magnífica após tão sofrido esforço. A visão do Hotel após 130 quilómetros é
indescritível, tanto como a água do banho final! No final muitas
desistências a mostrar que, caso não nos sintamos em condições mais vale não
tentar...
Quanto ao dilema da bicicleta direi o seguinte: há vantagens e desvantagens
em alinhar numa bicicleta de estrada, se por um lado, ela é mais leve, mais
responsiva e rígida permitindo cobrir uma maior distância com um menor
esforço, nestes terrenos, porém, ela não perdoa formas físicas menos
apuradas. A partir de dada altura, se o esforço é elevado e a forma e o
desgaste é elevado não há relações de transmissão que a consigam mover. Ao
contrário, na BTT, temos sempre o 32x32 e como último recurso a trialeira 22
pelo que nunca ficaremos apeados. Sem embargo há que saber resistir à
tentação de andar com relações demasiado leves já que elas não permitem
rolar rápido aumentando o esforço por via de maior tempo a pedalar. De resto
havia de tudo, bicicletas de estrada com uma cassete "normal" (só para
atletas em grande forma), cassetes enxertadas a 28 e cassetes de BTT
adaptadas, embora limitadas a 28 dentes.
Outra desvantagem da máquina de estrada é a posição de condução, com a minha
falta de hábito (ando nela sobretudo de Inverno) e a rigidez começam a
surgir algumas dores de postura a nível das costas que obrigam a endireitar
e esticar esses músculos nas paragens, bem como as dores de pescoço de estar
30 quilómetros sucessivos a descer, pior que isso só aquela sensação de se
saber que essa mesma distância terá de ser coberta a subir!
No final a satisfação de ter cumprido, embora penosamente, o desafio. Para o
ano há mais, provavelmente irei de BTT para também conseguir fazê-lo nessa
bicicleta, já só me falta isso!
Este ano não houve aquela chuva que estragou os planos aos participantes
que, no ano passado, como eu, foram surpreendidos por ela acompanhada de
nevoeiro e de um vento que tornou impossível a quem, como eu, alinharam de
simples jersey manga curta.
Pelo contrário, num dos dias mais quentes do ano, o problema foi antes a
elevada temperatura que, embora mais facilmente superável, constituiu
todavia um agravante à natural dureza de uma prova com estas
características.
Desta vez creio que não eramos tantos à partida, pelo menos fiquei com essa
sensação no tradicional alinhamento junto aos paços do concelho da Covilhã.
Muitas caras conhecidas de que destaco, entre outras:
. alguns, tal como eu (Cannondale), de bicleta de estrada nomedamente o Rui
Sousa (Trek), o Cláudio Nogueira (BH), o João Pimpão (Cube) ou o José Luís
Carvalho (Trek).
. outros de BTT adaptada, para além do guru António Malvar (mais de hibrida
do que de BTT), o José Luís Nunes (Atlas), o Nuno Gomes (Commençal), o Mário
Silva (Atlas), o Jorge Silva (GT), o Pedro Basso (Kona) estes três últimos
não foram além da grande barreira psicológica que é a Torre, têm de voltar
para o ano, toca a treinar ;-)
Se o calor prometia havia que tomar medidas: levei a bolsa de água e ainda
um bidon com o isotónico. Lá começamos a subir em direcção às Penhas da
Saúde e fiz questão de ser o último a arrancar. Estava na hora de testar se
a escolha da bicicleta de estrada tinha sido acertada! Tinha trocado a
cassete com a BTT embora o desviador Dura-Ace não permita colocar a 32
ficando, assim, limitado a 8 velocidades: 28, 24 ... até 11 dentes. A
questão é que dispomos de apenas dois pratos um com 39 outro com 52 dentes
pelo que tem de ser uma opção bem poderada, há que estar em boa forma,
inevitavelmente.
Fiz o primeiro quilómetro em ritmo lento e em último para avaliar como a
coisa estava. A saída da cidade é das zonas de maior inclinação, como me
senti bem passei logo para a 24 e fui alternando com o 22 e começo a
ultrapassar os mais atrasados utilizando a táctica de me aproximar, rolar um
pouco na traseira para recuperar o pulso e passar mantendo o ritmo até
alcançar o seguinte. Este primeira subida tem mais de 10% de inclinação e é
complicada até à zona da torre de vigia que fica por detrás do antigo
sanatório onde a pendente suaviza. Nos ganchos apertados aproveita-se para
se pedalar de pé e de vez em quando retoma-se a 28 para recuperar o pulso
que deve, a todo o custo, conter-se abaixo do limiar anaeróbico ou não o
dexando ir muito acima disso. É que ainda haviam muitos quilómetros pela
frente e todo o entusismo tinha de ser contido.
Chgando ao Centro de Limpeza de Neve e ultrapassadas as Penhas da Saúde é
tempo de descer para Manteigas muito velozmente que a estrada se presta a
isso, sem movimento e com a visibilidade para se poder cortar as curvas.
Após o viveiro das trutas começo a deparar com os primeiros já a subir. O
atraso não era muito para eles e sentia-me bem. Resolvi apertar um pouco o
ritmo na subida que é, das três, a mais fácil, ou melhor, a menos difícil,
só que comecei a acusar o esforço e, a meio, na fonte Paulo Martins (a da
água Glaciar) resolvi reabastecer, diluir mais isotónico, comer umas barras,
e relaxar um pouco e, só então continuar. Foi milagroso recuperei e já subi
melhor e a bom ritmo a partir da curva na zona onde começa o caminho
pedestre para o Covão da Ametade a até à Torre, este último troço, a partir
de Piornos, é bem duro, de resto é a zona clássica da Volta a Portugal, onde
abundam as pinturas incitando os ciclistas, de resto, é só substituir o nome
do Gâmito ou do Vidal Fitas pelo nosso e acusar o estímulo.
Após uns quantos ganchos lá estamos no cruzamento da Torre onde paramos para
comer algo. Aqui chegados é altura de fazer o balanço. Apesar do desgaste
ainda estamos bem e, por comparação com o ano transacto (foi aqui que
desistimos por causa da intempérie) sentimo-nos bem melhor, não sei se por
causa da bicicleta de estrada se por causa de estar em melhor forma. Este é,
de resto, o último local onde se pode desistir pois, a partir daqui, é
sempre a descer (e ninguém, em condições normais desiste a descer) e só
paramos em Seia, onde para desistirmos só se nos resgatarem de automóvel.
Mas não perco muito tempo a reflectir e começo a descer. A princípio estamos
numa zona planáltica correspondente à área das pistas de ski e alternam as
descidas e as subidas que podem ser feitas aproveitando o balanço. A partir
de dada altura a pendente inclina fortemente e ultrapassa-se o paredão da
barragem da Lagoa Comprida e daí até ao Sabugueiro sempre em forte
inclinação, situação essa que se prolonga após a subida da "Aldeia mais Alta
de Portugal" (fortemente descaracterizada) até Seia. Ao todo são 30
quilómetros que, a descer já são intermináveis, mas que se tornam
absolutamente infernais a subir.
Após o Sabugueiro cruzo-me com os primeiros ciclistas e, após a Aldeia da
Serra, quase a chegar a Seia cruzo-me com outras caras conhecidas.
Após uma forte pendente chego a Seia onde como uma sandes cujas míseras
calorias foram imediatamente alocadas, mas foi tempo de meter muita energia
pois tinha, quisesse ou não, tinha de voltar lá acima! Ainda assim descansei
um pouco. O pior é que o calor apertava e a pendente era muito forte até,
pelo menos, a Aldeia da Serra.
Mas as paragens são milagrosas e fazem-nos restabelecer as forças, aí vou eu
por ali acima a sentir-me muito bem faço os ganchos sem dificuldade de maior
alternando o pedalar de pé e sentado, dei-me ao luxo de ultrapassar vários
ciclistas e quando me começo a sentir fatigado já tinha o Sabugueiro à
vista.
Como a partir daqui a pendente torna a endurecer é tempo de parar na fonte,
restabelecer as forças, diluir mais isotónico, comer mais um pouco e relaxar
um pouco. Passam vários ciclistas mas que vou ultrapassar de novo em plena
ascensão, interminável, diga-se, até à Lagoa Comprida onde já me sinto nas
lonas, completamente. Um pouco antes deste ponto está uma viatura parada a
recolher um dos ciclistas que tinha desistido e que me fazem uma proposta
desoneste: tinham um lugar livre na viatura. Agradeci mas recusei, se
tivesse aceite nunca mais me perdoava e era obrigado a alinhar em 2004 para
cumprir o desafio na integralidade, coisa absolutamente impensável naquela
altura em que se pensa que aquele sofrimento, que tão estoicamente
suportamos, não é mesmo para repetir.
Da Lagoa Comprida para a Torre ainda é preciso subir bastante e é aí que a
BTT deixou saudades, as forças estavam no limite, já não conseguia subir a
pulsação até ao limiar anaeróbico essencial para manter a cadência de
pedalada pelo que me vejo na contingência de ter de pedalar de pé mais tempo
do que gostaria, vou procurando distrair-me olhando para a sombra e para a
paisagem tentando-me abstrair do esforço. Quando dou por mim já só falta uma
rampa até ao planalto do ski, mais um derradeiro esforço e, já está, depois
são umas subidas alternando com descidas onde aproveito para alcançar a
máxima velocidade possivel e, como que por milagre, estou no cruzamento da
Torre, faltando o mísero quilómetro até ao delta e às típicas estruturas da
Força Aérea. Pois este foi o que me custou mais e estava a ver-me a morrer
na praia e a ter de empurrar a bicicleta durante 100 metros, mas não podia
ser, uma pedalada vigorosa vinda do âmago levou-me ao delta, estava
cumprido: a partir daí seria sempre a descer exceptuando os 200 metros
ascendentes até ao Centro de Limpeza de Neve.
Havia pois que descansar um pouco e repor energias para que a descida fosse
feita com a concentração necessária. Tudo havia corrido bem até então e não
iria borrar a pintura no final. Mas descer tão rapidamente é uma recompensa
magnífica após tão sofrido esforço. A visão do Hotel após 130 quilómetros é
indescritível, tanto como a água do banho final! No final muitas
desistências a mostrar que, caso não nos sintamos em condições mais vale não
tentar...
Quanto ao dilema da bicicleta direi o seguinte: há vantagens e desvantagens
em alinhar numa bicicleta de estrada, se por um lado, ela é mais leve, mais
responsiva e rígida permitindo cobrir uma maior distância com um menor
esforço, nestes terrenos, porém, ela não perdoa formas físicas menos
apuradas. A partir de dada altura, se o esforço é elevado e a forma e o
desgaste é elevado não há relações de transmissão que a consigam mover. Ao
contrário, na BTT, temos sempre o 32x32 e como último recurso a trialeira 22
pelo que nunca ficaremos apeados. Sem embargo há que saber resistir à
tentação de andar com relações demasiado leves já que elas não permitem
rolar rápido aumentando o esforço por via de maior tempo a pedalar. De resto
havia de tudo, bicicletas de estrada com uma cassete "normal" (só para
atletas em grande forma), cassetes enxertadas a 28 e cassetes de BTT
adaptadas, embora limitadas a 28 dentes.
Outra desvantagem da máquina de estrada é a posição de condução, com a minha
falta de hábito (ando nela sobretudo de Inverno) e a rigidez começam a
surgir algumas dores de postura a nível das costas que obrigam a endireitar
e esticar esses músculos nas paragens, bem como as dores de pescoço de estar
30 quilómetros sucessivos a descer, pior que isso só aquela sensação de se
saber que essa mesma distância terá de ser coberta a subir!
No final a satisfação de ter cumprido, embora penosamente, o desafio. Para o
ano há mais, provavelmente irei de BTT para também conseguir fazê-lo nessa
bicicleta, já só me falta isso!
quarta-feira, 10 de setembro de 2003
XIV Travessia Nacional Cantabrica
XIV Travessia Nacional Cantabrica
09 Setembro 2003
Honestamente não sei como decorreram as edições anteriores da "Travesia Nacional Cantabrica" mas esta versão de 2003 (XIV edição) que teve lugar tendo como base a estância invernal de Puerto de San Isidro e a vila de Puebla de Lillo (Província de Leon no Parque Natural dos Picos Europa) foi memorável e superou as minhas melhores expectativas.
Por A. Pedro Roque Oliveira
Em primeiro lugar uma organização irrepreensível com detalhes a roçar a
perfeição (um exemplo a seguir) dando a sensação que nada, absolutamente
nada, foi deixado ao acaso, pena foi que o duche final tenha sido a nódoa
que caiu no melhor pano já que para além da água fria o balneário não tinha
um mínimo de condições.
Depois o formato ao novo estilo "maratona" em que o percurso estava todo impecavelmente marcado (o track GPS que levei foi meramente redundante) o
que equivalia a que cada um podia ir ao seu ritmo estando excluídas, deste modo, as grandes aglomerações de ciclistas até porque o relevo em presença
levava a que os andamentos, forçosamente, se diferenciassem. É o ideal uma vez que o grupo não está dependente de ninguém e cada elemento possui uma autonomia de andamento sem correr o risco de se perder.
Sem embargo não existia qualquer tipo de classificação o que retirou muita da pressão inerente à tentativa de chegar o mais rápido possível e previlegiou a vertente de passeio aliás mais adequada à magnificência da natureza que se dispunha perante os nossos olhos.
De facto, as paisagens são absolutamente deslumbrantes ao puro estilo alpino. Não há nada comparável em Portugal (talvez algumas zonas insulares se assemelhem às zonas de bosques) com um relevo absolutamente impressionante feito de enormes declives, maciços altíssimos e passagem apertadas por entre as montanhas.
Tudo decorreu praticamente sempre acima dos 1000 metros tendo, no primeiro
dia, chegado aos 1777 metros e, acreditem, não é nada fácil palmilhar
inclinações de 20% áquelas altitudes!
A bicicleta é a única coisa que sobe devagar já que a pulsação monta muito depressa e recupera de forma bem mais lenta. Talvez por isso tenham sido inúmeros os que apenas tenham participado no primeiro dia.
De salientar a enorme participação portuguesa: uma armada impressionante de
nada menos que 30 ciclistas (incluindo o autor destas linhas) num total de 263 inscritos e muitas caras nacionais habituais de quem percorre estas andanças habitualmente. Alguns já é a quarta ou quinta edição em que participam e pretendem voltar em 2004.
A equipa "Coimbra Team", pela qual alinhavam a maioria dos 30 (embora muitos
fossem de outras procedências que não da cidade do Mondego), recebeu, por
esse motivo, duas taças no final: a equipa mais numerosa e a equipa mais
longínqua.
ETAPA 1 (Sábado 06SET03) PUERTO DE SAN ISIDRO - BEZANES
Este primeiro dia amanheceu frio, como aliás é natural a mais de 1500 metros
de altitude. A escolha da roupa torna-se num quebra cabeças, se bem que, a
presença de um impermeável, facilmente removível se torne numa garantia de
algum conforto seja qual for a situação.
À medida que o dia decorria o bom tempo instalava-se e as subidas eram
feitas com "traje de Verão" e sem problemas. Nas descidas, sempre em fortes
pendentes, recorria-se ao impermeável, em missão de quebra-vento pelo que
não se levantaram problemas a esse nível.
Saímos pois do parque de estacionamento do nosso hotel de alta montanha em
Puerto de San Isidro (estância de ski) e após uma volta a um monte vizinho,
regressarmos á zona do Hotel e subirmos à zona alta de Ceboledo (zona das
pistas de ski) pelo arroio do mesmo nome até cerca dos 1620 metros.
Depois foi só descer numa estupenda e divertida trialeira até à povoação de
Isoba (1350 metros) a fazer as delicias dos mais afoitos tecnicamente.
Altura para um primeiro reabastecimento já com o pulsometro a acusar muitas
calorias despendidas.
A partir daqui apanhamos a pista de Rozas caracterizada por uma forte pendente, embora não muito longa seguida de uma descida ao vale de Pizón e nova e dura ascensão até ao segundo reabastecimento em Collada Wamba sita na fronteira entre Castilla-Leon e o Principado das Astúrias.
A breve paragem deu para estudar o que se seguiria: forte descida de 5
quilómetros até um estupendo bosque sempre de grande exigência técnica.
Paisagem magnífica com visão das vacas a pastar algumas centenas de metros
abaixo, os imponentes maciços calcários dominando o horizonte e a névoa como que isolando aquele quadro natural do resto do mundo.
Entramos então na veiga Brañagallones já a uma altitude mais baixa (1200
metros) e no Parque Natural de Redes (criado em 1996).
Aqui, após um último reabastecimento abordamos uma pista descendente com
mais de cinco quilómetros. O aviso era por demais evidente "bajada
peligrosa!" e não tardamos em verificar porquê: a velocidade que se atingia
era alucinante o piso muito solto e as curvas apertadas isto já para não
falar nas "bermas baixas" que, nalguns casos correspondiam a algumas
centenas de metros a pique.
Ainda assim, tudo correu pelo melhor e chegamos a uma bucólica aldeia
chamada Bezanes (673 metros) e recolhemos aos autocarros que nos trouxeram de regresso a Puerto de San Isidro por um cenário serrano absolutamente deslumbrante. Assim, apesar das fortes e duras subidas, esta foi a etapa para os amantes das descidas radicais.
ETAPA 2 (Domingo 07SET03) LILLO - LILLO
Esta, ao contrário, foi a etapa dos trepadores. Até porque a ressaca da
etapa do dia anterior, juntamente com a visão do gráfico de altimetria desta
segunda fez com que o numero de participantes se reduzisse.
O tempo esteve exactamente como no dia anterior pelo que a mesma táctica do "veste e despe" foi usada.
Até porque o gráfico não podia ser mais esclarecedor: sobe, desce, sobe, desce, sobe e desce! É verdade, neste segundo dia, além do par de
quilómetros inicial e final por asfalto ou estivemos a subir, ou a descer, numa espécie de circuito em torno do imponente maciço de Mampodre (2190 metros).
A primeira ascensão foi a mais longa, embora em minha opinião tenha sido a
menos dura. Nada mais que cerca de seis quilómetros contínuos com alguns
ganchos e pequenas rampas muito inclinadas em piso solto a fazerem desmontar os menos preparados.
Subimos desde os 1065 metros de Lillo até aos 1977 metros de Collada de
Tronisco onde estava instalado um reabastecimento liquido. Magnifica, de
novo, a visão dos prados e dos maciços desta vez em pleno Parque Nacional dos Picos Europa.
A descida que se seguiu até Maraña (segundo reabastecimento) foi memorável:
rápida e em cima de um prado imaculadamente verde, serpenteando por entre as montanhas e com alguns saltos de permeio, simplesmente adorável mas com um senão, baixou-nos de novo, desta vez até aos 1250 metros.
Ora era preciso chegar aos 1650 metros do Collada Zapatera e isso foi
conseguido muito penosamente já que esta era uma pendente mais curta pelo
que o desnível era mais acentuado embora o piso relativamente regular
permitisse a tracção suficiente para que a forma física pudesse levar de
vencida esta enorme dificuldade.
A história repete-se e desce-se de novo abruptamente, embora num piso mais resvaladiço e durante cinco quilómetros, até Lois (1300 metros) uma
estupenda aldeia que constitui um magnífico conjunto histórico com uma imponente e desajustada igreja (Catedral de Montaña) tendo em conta a
dimensão do lugarejo onde se confraternizou com os simpáticos habitantes locais visivelmente agradados com o colorido dos ciclistas.
O problema foi mesmo a partir daí já que embora o desnível a vencer fosse inferior (até Collada Linares a 1550 metros) o piso era terrivelmente solto e com alguns troços de grande inclinação a exigirem que desmontássemos. Para agravar de quilómetro a quilómetro desciam-se algumas centenas de metros para recomeçar a subir nas mesmas condições. Já com o cansaço a fazer-se sentir foi com agrado que recomeçámos a descida final que nos trouxe até Lillo e o merecido descanso.
De referir uma queda de um dos participantes a provocar uma fractura do cúbito direito e a demonstrar a utilidade terapêutica dos cartões rígidos em que são vendidos os pneumáticos de uma famosa marca gaulesa que provaram ser umas excelentes talas de recurso: o BTT pode ser uma actividade perigosa!
Em suma: merece a deslocação (1500 kms. de Lisboa ida e volta) pelo cenário
e pela festa de BTT que é. Não se compadece, todavia, com níveis de forma
pouco cuidados. Para o ano prossegue a Travessia embora noutro local da
Cordilheira como é da praxe e da tradição. Assim o interesse renova-se
anualmente.
FICHA TÉCNICA
XIV TRAVESIA NACIONAL CANTABRICA
ORGANIZAÇÃO: ASTURCON BTT (Oviedo, Astúrias)
ETAPA 1
Distância: 39,6 kms. em linha
Altitude Acumulada Positiva: 1080 m.
Altitude Acumulada Negativa: 1890 m.
Altitude mínima: 673 m.
Altitude máxima: 1777 m.
Dificuldade Física e Técnica: media-alta
ETAPA 2
Distância: 49,3 kms. circulares
Altitude Acumulada Positiva: 1530 m.
Altitude Acumulada Negativa: 1530 m.
Altitude mínima: 1065 m.
Altitude máxima: 1677 m.
Dificuldade: Física = muito alta; Técnica = media
Saudações Virtuais, Virtual Best Regards
Enviado por A. Pedro Roque Oliveira
09 Setembro 2003
Honestamente não sei como decorreram as edições anteriores da "Travesia Nacional Cantabrica" mas esta versão de 2003 (XIV edição) que teve lugar tendo como base a estância invernal de Puerto de San Isidro e a vila de Puebla de Lillo (Província de Leon no Parque Natural dos Picos Europa) foi memorável e superou as minhas melhores expectativas.
Por A. Pedro Roque Oliveira
Em primeiro lugar uma organização irrepreensível com detalhes a roçar a
perfeição (um exemplo a seguir) dando a sensação que nada, absolutamente
nada, foi deixado ao acaso, pena foi que o duche final tenha sido a nódoa
que caiu no melhor pano já que para além da água fria o balneário não tinha
um mínimo de condições.
Depois o formato ao novo estilo "maratona" em que o percurso estava todo impecavelmente marcado (o track GPS que levei foi meramente redundante) o
que equivalia a que cada um podia ir ao seu ritmo estando excluídas, deste modo, as grandes aglomerações de ciclistas até porque o relevo em presença
levava a que os andamentos, forçosamente, se diferenciassem. É o ideal uma vez que o grupo não está dependente de ninguém e cada elemento possui uma autonomia de andamento sem correr o risco de se perder.
Sem embargo não existia qualquer tipo de classificação o que retirou muita da pressão inerente à tentativa de chegar o mais rápido possível e previlegiou a vertente de passeio aliás mais adequada à magnificência da natureza que se dispunha perante os nossos olhos.
De facto, as paisagens são absolutamente deslumbrantes ao puro estilo alpino. Não há nada comparável em Portugal (talvez algumas zonas insulares se assemelhem às zonas de bosques) com um relevo absolutamente impressionante feito de enormes declives, maciços altíssimos e passagem apertadas por entre as montanhas.
Tudo decorreu praticamente sempre acima dos 1000 metros tendo, no primeiro
dia, chegado aos 1777 metros e, acreditem, não é nada fácil palmilhar
inclinações de 20% áquelas altitudes!
A bicicleta é a única coisa que sobe devagar já que a pulsação monta muito depressa e recupera de forma bem mais lenta. Talvez por isso tenham sido inúmeros os que apenas tenham participado no primeiro dia.
De salientar a enorme participação portuguesa: uma armada impressionante de
nada menos que 30 ciclistas (incluindo o autor destas linhas) num total de 263 inscritos e muitas caras nacionais habituais de quem percorre estas andanças habitualmente. Alguns já é a quarta ou quinta edição em que participam e pretendem voltar em 2004.
A equipa "Coimbra Team", pela qual alinhavam a maioria dos 30 (embora muitos
fossem de outras procedências que não da cidade do Mondego), recebeu, por
esse motivo, duas taças no final: a equipa mais numerosa e a equipa mais
longínqua.
ETAPA 1 (Sábado 06SET03) PUERTO DE SAN ISIDRO - BEZANES
Este primeiro dia amanheceu frio, como aliás é natural a mais de 1500 metros
de altitude. A escolha da roupa torna-se num quebra cabeças, se bem que, a
presença de um impermeável, facilmente removível se torne numa garantia de
algum conforto seja qual for a situação.
À medida que o dia decorria o bom tempo instalava-se e as subidas eram
feitas com "traje de Verão" e sem problemas. Nas descidas, sempre em fortes
pendentes, recorria-se ao impermeável, em missão de quebra-vento pelo que
não se levantaram problemas a esse nível.
Saímos pois do parque de estacionamento do nosso hotel de alta montanha em
Puerto de San Isidro (estância de ski) e após uma volta a um monte vizinho,
regressarmos á zona do Hotel e subirmos à zona alta de Ceboledo (zona das
pistas de ski) pelo arroio do mesmo nome até cerca dos 1620 metros.
Depois foi só descer numa estupenda e divertida trialeira até à povoação de
Isoba (1350 metros) a fazer as delicias dos mais afoitos tecnicamente.
Altura para um primeiro reabastecimento já com o pulsometro a acusar muitas
calorias despendidas.
A partir daqui apanhamos a pista de Rozas caracterizada por uma forte pendente, embora não muito longa seguida de uma descida ao vale de Pizón e nova e dura ascensão até ao segundo reabastecimento em Collada Wamba sita na fronteira entre Castilla-Leon e o Principado das Astúrias.
A breve paragem deu para estudar o que se seguiria: forte descida de 5
quilómetros até um estupendo bosque sempre de grande exigência técnica.
Paisagem magnífica com visão das vacas a pastar algumas centenas de metros
abaixo, os imponentes maciços calcários dominando o horizonte e a névoa como que isolando aquele quadro natural do resto do mundo.
Entramos então na veiga Brañagallones já a uma altitude mais baixa (1200
metros) e no Parque Natural de Redes (criado em 1996).
Aqui, após um último reabastecimento abordamos uma pista descendente com
mais de cinco quilómetros. O aviso era por demais evidente "bajada
peligrosa!" e não tardamos em verificar porquê: a velocidade que se atingia
era alucinante o piso muito solto e as curvas apertadas isto já para não
falar nas "bermas baixas" que, nalguns casos correspondiam a algumas
centenas de metros a pique.
Ainda assim, tudo correu pelo melhor e chegamos a uma bucólica aldeia
chamada Bezanes (673 metros) e recolhemos aos autocarros que nos trouxeram de regresso a Puerto de San Isidro por um cenário serrano absolutamente deslumbrante. Assim, apesar das fortes e duras subidas, esta foi a etapa para os amantes das descidas radicais.
ETAPA 2 (Domingo 07SET03) LILLO - LILLO
Esta, ao contrário, foi a etapa dos trepadores. Até porque a ressaca da
etapa do dia anterior, juntamente com a visão do gráfico de altimetria desta
segunda fez com que o numero de participantes se reduzisse.
O tempo esteve exactamente como no dia anterior pelo que a mesma táctica do "veste e despe" foi usada.
Até porque o gráfico não podia ser mais esclarecedor: sobe, desce, sobe, desce, sobe e desce! É verdade, neste segundo dia, além do par de
quilómetros inicial e final por asfalto ou estivemos a subir, ou a descer, numa espécie de circuito em torno do imponente maciço de Mampodre (2190 metros).
A primeira ascensão foi a mais longa, embora em minha opinião tenha sido a
menos dura. Nada mais que cerca de seis quilómetros contínuos com alguns
ganchos e pequenas rampas muito inclinadas em piso solto a fazerem desmontar os menos preparados.
Subimos desde os 1065 metros de Lillo até aos 1977 metros de Collada de
Tronisco onde estava instalado um reabastecimento liquido. Magnifica, de
novo, a visão dos prados e dos maciços desta vez em pleno Parque Nacional dos Picos Europa.
A descida que se seguiu até Maraña (segundo reabastecimento) foi memorável:
rápida e em cima de um prado imaculadamente verde, serpenteando por entre as montanhas e com alguns saltos de permeio, simplesmente adorável mas com um senão, baixou-nos de novo, desta vez até aos 1250 metros.
Ora era preciso chegar aos 1650 metros do Collada Zapatera e isso foi
conseguido muito penosamente já que esta era uma pendente mais curta pelo
que o desnível era mais acentuado embora o piso relativamente regular
permitisse a tracção suficiente para que a forma física pudesse levar de
vencida esta enorme dificuldade.
A história repete-se e desce-se de novo abruptamente, embora num piso mais resvaladiço e durante cinco quilómetros, até Lois (1300 metros) uma
estupenda aldeia que constitui um magnífico conjunto histórico com uma imponente e desajustada igreja (Catedral de Montaña) tendo em conta a
dimensão do lugarejo onde se confraternizou com os simpáticos habitantes locais visivelmente agradados com o colorido dos ciclistas.
O problema foi mesmo a partir daí já que embora o desnível a vencer fosse inferior (até Collada Linares a 1550 metros) o piso era terrivelmente solto e com alguns troços de grande inclinação a exigirem que desmontássemos. Para agravar de quilómetro a quilómetro desciam-se algumas centenas de metros para recomeçar a subir nas mesmas condições. Já com o cansaço a fazer-se sentir foi com agrado que recomeçámos a descida final que nos trouxe até Lillo e o merecido descanso.
De referir uma queda de um dos participantes a provocar uma fractura do cúbito direito e a demonstrar a utilidade terapêutica dos cartões rígidos em que são vendidos os pneumáticos de uma famosa marca gaulesa que provaram ser umas excelentes talas de recurso: o BTT pode ser uma actividade perigosa!
Em suma: merece a deslocação (1500 kms. de Lisboa ida e volta) pelo cenário
e pela festa de BTT que é. Não se compadece, todavia, com níveis de forma
pouco cuidados. Para o ano prossegue a Travessia embora noutro local da
Cordilheira como é da praxe e da tradição. Assim o interesse renova-se
anualmente.
FICHA TÉCNICA
XIV TRAVESIA NACIONAL CANTABRICA
ORGANIZAÇÃO: ASTURCON BTT (Oviedo, Astúrias)
ETAPA 1
Distância: 39,6 kms. em linha
Altitude Acumulada Positiva: 1080 m.
Altitude Acumulada Negativa: 1890 m.
Altitude mínima: 673 m.
Altitude máxima: 1777 m.
Dificuldade Física e Técnica: media-alta
ETAPA 2
Distância: 49,3 kms. circulares
Altitude Acumulada Positiva: 1530 m.
Altitude Acumulada Negativa: 1530 m.
Altitude mínima: 1065 m.
Altitude máxima: 1677 m.
Dificuldade: Física = muito alta; Técnica = media
Saudações Virtuais, Virtual Best Regards
Enviado por A. Pedro Roque Oliveira
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