sábado, 30 de julho de 2005

Fátima - O Caminho do Tejo revisitado



"No fundo o que está em causa é sempre o mesmo: o apelo do Homem para
se ultrapassar a si mesmo, a sua eterna inquietação, a sua condição de
ser que procura ... É de esperar, porém, que os peregrinos de hoje só
sintam uma efectiva satisfação com a ida a Fátima ou a outro santuário
qualquer se ela envolver alguns riscos e alguns incómodos, se ela for
a incursão a um tempo e a um espaço muito diferentes da vida quotidiana."

José Mattoso, "Caminho do Tejo", p.5, Readers Digest, Lisboa, 2000

"O Caminho de Fátima, efectuado em bicicleta num único dia, é uma
longa provação. O Peregrino tem de estar preparado para sofrer,
aceitar o desafio e superar-se pelo efeito da sua própria sublimação
espiritual."

Pedro Roque

****************

Na quarta-feira passada perante as ameaças de chuva lá fui com os
Jorges Cláudio e Manso. A saída deu-se ainda de noite junto ao
Pavilhão de Portugal no Parque das Nações. Rapidamente foram vencidos
as primeiras centenas de metros até ao Trancão e Sacavém.
Os aviões comerciais em movimento de aterragem sucediam-se sobre a
zona de Sacavém anunciando aquilo que já previa: o vento ao contrário
do que é normal soprava do quadrante sul por isso a velocidade inicial
era muito boa e anunciava que, até Santarém, tudo iria ser muito rápido.

O BARRO DOS PRIMEIROS METROS
Não fossem os primeiros metros junto ao Trancão e assim seria. A chuva
da véspera tinha humedecido o barro do talude que é percorrido no
troço do rio. O resultado não podia ser pior: o barro aderiu às rodas
e, para além de a roda traseira ameaçar permanente derrapagem, vimos
as bicicletas aumentarem de peso. Mais adiante foi a vez de uma palha
irritante aderir ao barro e ainda a gravilha da zona junto à A1. A
solução expedita foi limpar tudo com as mãos, na medida do possível.
Chegamos então ao asfalto e a póvoa de Santa iria onde passamos pelo
viaduto para o outro lado da ferrovia para uma estrada de serventia
industrial onde é mais fácil circular. De referir que, a dada altura,
há um portão em rede que encerra o caminho ao trânsito, numa zona de
paul, mas onde os famosos postes do "Caminho de Fátima" continuam a
indicar a direcção e nós por aí fomos até porque a sua intenção era
mesmo impedir a passagem de viaturas motorizadas.

A COMPLICADA TRAVESSIA URBANA
A passagem da zona da Base Aérea para a área urbana de Alverca é
sempre um "must". O caminho passa, exactamente, por dentro da estação
ferroviária que àquela hora está repleta de gente, como é normal de
esperar. Ora, a passagem de três criaturas "licradas" com as máquinas
ao ombro (há que subir e descer escadas) e repletos de lama deixou
muitos boquiabertos perante a olímpica indiferença dos ciclo-peregrinos!
Seguiu-se um périplo por ruas secundárias de Alverca e tomámos a EN10
junto ao Sobralinho.
Pouco tempo rolámos até que vimos, já à saída de Alhandra, uma área de
serviço. Foi tempo de lavar com a mangueira as máquinas procurando,
sobretudo, aliviar o peso extra e limpar minimamente as transmissões.
Seguimos até Vila Franca de Xira onde, no jardim Constantino Palha se
segue a cena habitual (esta foi a quinta vez que a vi repetida): "Não
podem andar aqui de bicicleta!" perante a nossa, também olímpica
ignorância. Segue-se a Vala do Carregado, Vila Nova da Rainha e
Azambuja: o vento pelas costas fazia maravilhas em termos de média.

A LEZÍRIA À MÉDIA DE 30 KMS/H
A passagem para a Vala Real faz-se de forma clássica, ignorando o
novel viaduto, mas utilizando a passagem nas rampas para deficientes
que serve a estação ferroviária. Depois é pedalar forte, primeiro para
E mas logo após para N e sempre por asfalto já que as indicações dos
marcos apenas fazem perder tempo ao passar por zonas fortemente
alagadiças junto aos campos de milho da lezíria.
Passamos o aeródromo, chegamos ao Reguengo e à Valada onde é
obrigatória uma pausa para o reforço alimentar. Retomamos sempre a bom
ritmo e, quase a chegar às Ómnias (junto à ponte Salgueiro Maia) um
golpe de teatro: a transmissão da minha "muleto" não estava nas
melhores condições e, numa altura em que pedalei forte de pé, a
corrente falha e perco o equilíbrio.
Nada de especial em termos físicos mas uma forte joelhada no quadro
deixou a zona abaixo da rótula direita algo dorida e inchada. Foi
então que encontrámos dois outros peregrinos (pedestres) que já iam no
seu segundo dia de jornada. Na subida para Santarém constatei que não
me era fácil fazer força para além de estar completamente fora de
questão pedalar em pé já que, cada vez que o fazia, a transmissão
falhava. Ainda assim a média de Lisboa a Santarém foi absolutamente
estonteante.

A DUREZA SURGE SEMPRE APÓS SANTARÉM
Em Santarém comemos qualquer coisa mais consistente (nos termos da
"escola Pedro Rodrigues" – private joke) e seguimos para o troço mais
duro da travessia: para além dos quilómetros começarem a pesar, o
calor tinha feito a sua aparição e os desníveis começavam a fazer-se
notar.
De igual modo esta é a zona onde o TT supera a estrada. Apesar da
baixa de ritmo, as povoações iam sucedendo-se, uma atrás da outra:
Azóia de Baixo, Advagar, Santos, Arneiro da Milhariça, a famosa e
demolidora subida para o Outeiro dos Três Moinhos e nova paragem nos
Olhos d'Água a famosa ressurgência do Alviela. Aí, como chovia um
pouco, prolongámos a pausa.
Segue-se uma exigente subida até Monsanto e nova subida até se atingir
um plateau que nos irá conduzir ao Covão do Feto no sopé do maciço da
Serra d' Aire. Aí há que subir uma rampa demolidora até à estrada onde
se ignoram os marcos que nos mandam subir a portela da Costa de Minde
em azimute e sem condições cicláveis. Assim a solução é a habitual,
vencer os dois quilómetros extra por asfalto até Serra de Santo
António e virar na direcção de Minde. Do alto da Costa de Minde e até
esta povoação é uma forte descida de asfalto onde importa conseguir
travar oportunamente antes das apertadas curvas.

O CALCÁRIO FINAL
Após esta povoação é uma infindável subida até ao Covão do Coelho e
daí pelo planalto de são Mamede e ainda durante alguns quilómetros
sempre ascendendo num "piso PNSAC" i.e.: com mais calcário que terra.
Foi neste troço que me senti pior já que desde Santarém que me era
impossível pedalar de pé e, consequentemente, o "stress" na zona do
selim começava a ser difícil de suportar.
No entanto, a partir do momento em que se atinge o topo, começa uma
zona muito rápida que passa nos pinhais em Valinhos e Moita do
Martinho. Aqui "já cheira a Fátima!" e de novo a velocidade começa a
aumentar.
Pelas 17:30 o santuário está à vista 160 kms. depois do Parque das Nações.
A sensação de dever cumprido é sempre idêntica e tem outro significado
estar diante da Capelinha das Aparições e contemplar a basílica. Se
não fosse o problema no joelho esta teria sido, sem dúvida, a mais
fácil de todas as minhas peregrinações anuais.

sexta-feira, 29 de julho de 2005

De Bicicleta nos Açores


Pico's Peak Posted by Picasa

A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta
(http://www.fpcubicicleta.com) organizou a sua 18.ª volta
Cicloturistica aos Açores. Em boa hora o fez já que a Região Autónoma dos Açores tem enormes potencialidades para o turismo de natureza.
Assim, desloquei-me ao
Grupo Central com vários ciclistas membros da Federação.

Pedalámos durante 4 dias na Ilha do Pico (estrada e BTT), Faial
(estrada) e São Jorge (estrada e BTT).

Apesar da chuva intensa foi espectacular. Sou suspeito para falar pois
a minha perdição pelos Açores é imensa. As paisagens do arquipélago
são magníficas. Entendo que a natureza fez ali um excelente trabalho!

De resto já tinha estado naquelas três ilhas há cerca de dois anos
atrás embora sem a bicicleta.

Como era um passeio da FPCUB tivemos dois tipos de "clientes":

. os "puros" com máquina de asfalto, equipamento "tipo ciclista
profissional" (alguns até com barriguinha a condizer :-)

. alguns betetistas "regular type" de que destacaria duas criaturas da
Figueira da Foz que já conhecia de vista de outras andanças (Cabeto e
António "Moretti" Moreira) e ainda um madeirense que foi o único que
não se impressionou com as subidas de São Jorge...

Havia ainda umas "almas híbridas" que iam de BTT com pneus de asfalto
ou com BTT mas com "espírito de estradista".

Sem embargo devo referir que alguns dos "puros" andavam que se
fartavam e que, muito embora seja difícil competir com as "máquinas de
asfalto" no seu ambiente natural, ou seja na estrada, foi extenuante,
mantê-los debaixo de olho.

Uma palavra ainda para o "local staff" seja no Pico, seja no Faial.
Simpatia e grande capacidade atlética pelas estradas e trilhos a
contribuírem e muito para a satisfação de todos. Também para o
delegado do desporto em madalena do Pico, António Maciel pelo
inestimável apoio logístico.

Dia 1, quarta-feira, 20 de Julho
Foi o dia da chegada a logística foi imensamente facilitada no
Aeroporto da Horta pelo maior entusiasta local, o Moreira (não o da
Figueira mas o do Faial que afinal era "japonês" de São Miguel) que
nos providenciou o transporte juntamente com as caixas das bicicletas
até à lancha para Madalena do Pico (http://www.cm-madalena.com/) onde
nos instalámos (a maioria nas instalações da Escola Profissional,
outros no Pico Hotel.
Neste dia o tempo estava bom e previa que se iria manter assim. De
tal modo que o meu plano era descartar o pedal do dia seguinte em
favor de uma subida à montanha do Pico (2.350 metros, a maior altitude
de Portugal).
Para o efeito até tinha convidado um casal amigo de São Jorge que se
deslocou expressamente de véspera. O problema foi de madrugada quando
recebo, pelas 06:00, um telefonema do guia de montanha a dizer-me: "O
melhor é nem se levantar, com esta tempo, não podemos ir lá acima!".
A
chuva tinha chegado para ficar!

Dia 2, quinta-feira, 21 de Julho – ILHA DO PICO – Volta à ilha em
Estrada (120 kms.) (http://www.destinazores.com/pt/pico.php)
Pois é, começou aí a nossa provação meteorológica. Saídos da aridez
continental impressionava a quantidade de água que caía dos céus
açoreanos. Após o pequeno-almoço peguei na máquina e desci, debaixo de
dilúvio, os dois quilómetros que distavam do Pico Hotel até à escola.
Estivemos abrigados cerca

de meia hora até que abriu um pouco e partimos para circum-asfaltar a
ilha.
Fomos na direcção das Lajes do Pico (costa sul) por um asfalto
excelente e com poucos desníveis junto à famosa "Paisagem da Cultura
da Vinha", património cultural da humanidade da UNESCO
(http://whc.unesco.org/en/list/1117) seguimos por Criação Velha,
Monte, Candelária, Campo Raso, São Mateus, São Caetano, Terra do Pão,
São João, Silveira, Ribeira do Meio e Lajes do Pico. Aí reagrupámos e
comemos uma sanduíche. A vila tem um aspecto magnífico
(http://www.azores.com/azores/picp_3.html) a fazer recordar a Terra
Nova. Tudo aqui gira em torno do cachalote, das memórias da sua caça e
do museu do baleeiro que não tive, infelizmente, ocasião de visitar.
Foi altura de se iniciarem as maiores dificuldades do percurso
correspondentes à saída da vila por intermédio de uma pendente muito
inclinada e o percorrer o final da costa sul, a costa leste da ilha e
a norte depois. As primeiras mais acidentadas e verdejantes a última
um pouco mais árida mas mais adequada para os pastos. Nessa costa, com
São Jorge do outro lado do canal e até chegarmos a São Roque o pedal
resumiu-se a subir durante sete quilómetros seguidos e idêntica
distância a descer para tornar de novo a subir e descer embora em
menor quilometragem.
Sucederam-se Arrife, Ribeiras, Calheta de Nesquin, Fetais, Calhau,
Piedade, Santo Amaro, Prainha e Prainha de Cima. Chegámos então a São
Roque (http://www.cmsrp.pt/) também conhecido por Porto do Pico e foi
tempo de ir a banhos. É verdade, o Moreira da Figueira (que, por acaso
também é "Oliveira da Figueira" como o famoso personagem português que
conseguiu vender a Tintin um regador e um papagaio ;-) estava já
instalado na piscina natural, quando ia a passar chamou-me e foi tempo
de relaxar dando uns mergulhos para o azul do Atlântico agora que já
não chovia. Que diabo, por isso é que se chama "cicloturismo", não é
verdade?
Depois foi tempo de nova sanduíche e de visitar, já que estávamos com
muito tempo, o Museu da Indústria Baleeira
(http://www.drac.raa.pt/pico.html) com um repositório da actividade
industrial ligada à caça ao cachalote a que São Roque do Pico estava
associada até 1978.
A partir daí e por informação de um polícia marítimo (que por acaso
também era betetista) soubemos que havia uma Pequena Rota que, para os
25 quilómetros finais, em lugar de percorrer a estrada ia junto à
costa passando por Porto Cachorro e por baixo do aeroporto (que já
recebe voos directos de e para o Continente às quartas-feiras).
Assim optámos três de nós e, em boa hora, trata-se de uma zona
protegida, constituída por zonas de lava de incrível beleza (onde o
negro e o verde prevalecem), com pequenas adegas e portos onde se
embarcava outrora o vinho do Pico e enseadas com piscinas naturais.
Alguns quilómetros volvidos foi tempo de regressar a Madalena. A
táctica neste primeiro dia foi pedalar dentro dos limites aeróbicos.
120 Kms., de asfalto com desníveis médios fazem-se bem mas era preciso
pensar que este era apenas o primeiro dia das "hostilidades". Assim no
final um cansaço moderado a imporem jantar e, acto contínuo, o
descanso logo pelas 21:00.

Dia 3, sexta-feira, 22 de Julho – ILHA DE SÃO JORGE – Estrada (25
kms.) e BTT (30 kms.) (http://www.destinazores.com/pt/sjorge.php)
A partida era pelas 08:00 onde se tomava o catamaran "Expresso do
Triângulo" ou seja a ligação marítima entre Madalena e Velas (São
Jorge) via São Roque.
Esta é, para mim, porventura, depois de São
Miguel, a mais bonita das ilhas e é a que melhor conheço.
O passeio de estrada foi curto

embora fisicamente muito exigente, tratou-se de subir desde a altitude
0 das Velas aos 437 metros do Parque das Sete Fontes perto do extremo
ocidental da ilha.
Ida e volta quedou-se em cerca de 25 quilómetros. Deu para comprovar
que o descanso tinha sido eficaz pois estava a sentir-me muito bem a
subir. De tal modo que, após o almoço, peguei num "punhado de bravos"
e desafiei-os a subir até aos "céus" desta vez em BTT. Tratou-se de
subir, com mais quatro elementos, a chamada "serra" (que culmina nos
1053 metros do Pico da Esperança) embora apenas até aos 900 do Pico
das Caldeirinhas onde depois descemos vertiginosamente (episódio impróprio para
cardíacos) até à Urzelina (uma pitoresca aldeia no litoral) a pedir
uns demorados banhos de mar. Aí aconteceu um pequeno acidente motivado
pelo facto de o travão traseiro se encontrar com as maxilas
desgastadas. Por esse facto estava a compensar mais com o travão
dianteiro muito embora sem problemas de maior. O problema foi quando,
numa bifurcação do caminho largo (o terreno é o chamado "bagaço de
lava" espécie de escória basáltica muito escorregadia) e estando
prestes a parar a roda da frente bloqueou e resvalou para a esquerda
projectando-me para o solo.
Resultado: ferida por abrasão do cotovelo direito. Tempo de recorrer
ao meu "kit de sobrevivência" primeiro a lavagem da ferida com água,
desinfecção com toalhete embebido em álcool (os da TAP são os
preferidos) e Betadine em pomada perante a estupefacção dos demais.
São muitos anos de BTT, meus caros! Continuámos a descer até à
Urzelina
(http://web.galaia.pt/SJorge/povoacoes/freguesias/urzelina/urzelina.php).
Após os banhos regressámos a Velas. Este percurso teve cerca de 30
quilómetros mas um acumulado incrível. Impressionantes aqueles desníveis…

Dia 4, Sábado, 23 de Julho – ILHA DO FAIAL – Volta à Ilha em Estrada –
70 kms. (http://www.destinazores.com/pt/faial.php)
Sábado foi a vez de rumarmos ao Faial. A lancha saia pelas 08:15.
Embora não chovesse adivinhava-se que, a qualquer altura, poderia
precipitar. Mal desembarcamos na Horta a chuva irrompe forte e
persistente. A saída ficou assim adiada. Como tinha dormido mal e o
esforço de véspera tinha sido violento aproveitei para me instalar
numa esplanada coberta junto ao ponto de partida a beber um café. Tive
aquela sensação óptima de estar abrigado a ver e a ouvir chover.
Durante quase uma hora choveu de forma impiedosa. Depois, uma pequena
aberta, levou o grupo a percorrer as ruas da Horta para avançarmos
logo para a montanha que não sendo tão violenta como em São Jorge é,
todavia, de respeito.
Assim e pelo asfalto começámos a volta à ilha no sentido anti-horário:
subida ao alto da Espalamaca onde, supostamente, deveríamos de ter uma
vista esplendorosa sobre a cidade se não fosse o nevoeiro que nada
deixava vislumbrar. Seguiu-se a descida até ao desvio para a praia do
Almoxarife e nova subida para Pedro Miguel.
Aí deu para constatar que não estava nas melhores condições. O pouco
descanso e as "altitudes" do dia anterior não me permitiam grandes
ousadias ascensionais pelo que optei por um ritmo mais descontraído. A
chuva recomeçara e foi tempo de colocar o impermeável que, tal como no
Pico, dois dias antes, impedia a chuva de entrar mas o suor de sair. A
única vantagem era mesmo impedir o arrefecimento.
Junto à Ribeirinha, numa estação de serviço, fizemos um pequeno
reagrupamento que permitiu retirar o impermeável e recuperar forças.
Sentia-me, agora, bem melhor. No recomeço as pernas já reagiam melhor
nas subidas e permitiam-me não me atrasar. Assim percorremos toda a
costa NE: Espalhafatos, Salão, Cedros. Passamos o norte da ilha em
Cascalho e entramos na costa NW, o percurso alterna as subidas com as
descidas e o bom com o mau piso: Ribeira Funda, Praia do Norte, onde
viramos à direita em direcção ao vulcão dos Capelinhos. A estrada
desce durante muito tempo a deixar antever que iria ser violento
retomar a altitude perdida.
Após o Norte Pequeno a ponta dos Capelinhos e os vestígios do seu
vulcão que entrou em erupção em 1957
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Vulc%C3%A3o_dos_Capelinhos) apenas é
visível à distância uma vez que não temos tempo de descer até à costa.
É então tempo de subir, por entre o nevoeiro, até Capelo, Arieiro e
Ribeira do Cabo em plena costa W.
A partir daqui foi sempre a descer até à costa sul, muitos quilómetros
até Castelo Branco (onde se situa o aeroporto), Ribeira Grande,
Pedregulho e Feiteira. Aí, quem pensasse que o almoço já esperava,
desiludiu-se. É que, até chegar perto de Flamengos foi preciso penar
cerca de dez quilómetros pelo interior sul da ilha, em estradas más,
invariavelmente subindo. A rampa final foi digna de um filme de terror
dando razão a quem afirma que "não há almoços grátis". Após a refeição
foi altura de rumar à Horta e regressar ao Pico. Tempo para parar no
ex-libris da cidade que é o "Café-Sport" (conhecido por cá como
"Peter's") e tomar um incontornável gin-tonic.

Dia 5, Domingo, 24 de Julho – ILHA DO PICO – BTT – 32 kms.
Desta vez foi o terreno exclusivo do "pneu gordo". Houve muito tempo
para descansar uma vez que o passeio só estava previsto para as 11:00,
isto é, após a chegada da lancha do Faial de onde viriam alguns
companheiros que connosco haviam efectuado a etapa do dia anterior.
Este tornou-se num dos passeios de BTT mais originais em que
participei devido a uma circunstância muito peculiar: durante os seus
32 quilómetros tivemos, sempre, um batedor da PSP à frente, numa
vetusta motorizada Casal! É verdade, assim mesmo. Não se pense que não
saímos da estrada, bem pelo contrário, havia troços de BTT autêntico
com subidas e descidas violentas e, sobretudo nestas era ver o
simpático agente a empenhar-se para não cair…
Pena foi a chuva e o nevoeiro que não nos permitiram desfrutar
integralmente a beleza daquela paisagem. Pedalámos por locais de
autêntica selva, incríveis sítios por entre a vegetação. A ilha do
Pico é uma caixinha de surpresas. Há "matéria" para ser explorada
durante uma semana inteira seja em estrada litoral, estradas florestal
(uma delas corta a ilha longitudinalmente), seja nas inúmeras picadas
em "bagaço de lava" (não há terra, tal como a conhecemos, nesta ilha).
O ex-libris desta ilha, ou seja a "montanha do Pico" esteve sempre
encoberto retirando um contentamento visual extra que este passeio BTT
poderia ter tido.
Não se pense todavia que ficou diminuído o interesse, bem pelo
contrário. Os troços sucediam-se cada um mais espectacular que o
anterior num cenário de grande beleza diferente de tudo quanto por cá
existe.
A saída deu-se por asfalto a partir da Madalena do Pico. Basicamente
rumamos por asfalto em direcção a NE para sairmos da estrada para S e
nos internarmos no interior da ilha tendo o vulcão a E, embora não
visível com já referi.
Chegámos então à Candelária, na Costa Sul e rumando na NW até Madalena
e onde começou outro motivo de interesse passada a chuva e o nevoeiro
que é a "Paisagem da Cultura da Vinhas" desta vez observada ao
pormenor são inúmeros muros de lava, formando quadriláteros com vinha
verdejante no seu interior assim devidamente protegida do vento
marítimo. Incrível a visão e apenas "in loco" se entende o motivo da
sua classificação patrimonial.
Refira-se ainda, há noite, a refeição oferecida no âmbito do
encerramento das actividades desportivas das festas de Madalena do Pico.

Dia 6, segunda-feira, 24 de Julho – Regresso

Foi tempo de tomar a lancha para a Horta, rumar ao aeroporto do Faial
e regressar a Lisboa.

Para trás ficaram quatro dias de actividade desportiva intensa e quase
300 quilómetros em cima da bicicleta.

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Reconhecimento da Primeira Linha Avança


Indicação do Monumento a Hércules em Alverca

No sábado passado, em conjunto com o Jorge Cláudio (inseparável companheiro destas andanças) efectuei o reconhecimento do primeiro dos 3 troços da 1.ª linha das lendárias "Linhas de Torres".

Tratou-se do troço que vai de Alhandra até Arruda dos Vinhos e regresso.

A quilometragem final foi relativamente modesta, se comparada com os dois troços da segunda linha efectuados anteriormente mas altitude acumulada foi, todavia, de respeito, ou seja: 1900 metros positivos para um percurso de cerca de 60 quilómetros!

O reconhecimento final será efectuado no próximo domingo mas deverá quedar-se pelos cinquenta quilómetros. Mas, afinal a que se deve este diferencial de dez quilómetros?

Deve-se, essencialmente, à implementação recente da A10 (CRIL - Arruda dos Vinhos, por enquanto) no terreno, o
que implicou que as travessias se efectuem a poente da povoação do Calhandriz por um único ponto.

Ora, em sucessivas "tentativas e erros", gastámos nada mais nada menos que 10 kms. !

O início deu-se no Sobralinho, junto a Alhandra (a taurina no dizer de Garrett), para se começar, desde logo, a ascender e muito até ao famoso monumento às "Linhas de Torres" que fica sobranceiro à A1 muitos de vós já o devem de ter avistado, no sentido N-S do logo após V.F. Xira à direita.

Trata-se de uma estátua de Hércules com a pele do Leão de Nemeia na mão. Recorda o primeiro dos doze trabalhos de Hércules e simboliza o trabalho verdadeiramente "hercúleo" que foi o erguer das linhas mas que teve, como compensação, a vitória total sobre o inimigo francês em 1810.

Em baixo
uma inscrição à memória de Fletcher o T. Cor de engenharia do exército britânico que comandou esta incrível empreitada militar que é, ainda considerada como a maior obra de engenharia militar defensiva inglesa.

A vista é prodigiosa com o Tejo, a Lezíria, e a zona da A1

avistando-se Xira, Alhandra e Alverca. Veja-se, a propósito
http://members.fortunecity.com/jabrodgues/hercules.html .

Daí seguimos sempre a subir, pela estrada militar, até um conjunto de fortes e baterias, alguns em muito bom estado que, pelo cume da Serra de Alhandra constituíam a defesa de Lisboa.

Aqui, diferentemente da segunda linha, "sente-se" bem a História. É que para além do razoável estado de conservação dos vestígios, algumas destas posições chegaram a mesmo a disparar contra o inimigo e esta era, sem dúvida a frente de combate.

Recordemos, a este propósito o que está escrito em
http://alhandra.no.sapo.pt/foralhistoriapatrim.htm

" No alto da elevação que domina a Vila de Alhandra, no extremo sudeste da Serra de Alhandra ou dos Anjos ou ainda de S. Lourenço, encontra-se o Monumento Comemorativo das Linhas de Torres Vedras, erigido em 1883, no local do "Reduto da Bela Vista" (Nº 3), no Distrito de Alhandra ou 1º Distrito da 1º Linha. Esta primeira linha de fortificações começava no Rio Tejo, com a chamada "Bateria do Tejo", que não era mais nem menos, que uma Bateria Flutuante de 14 barcas - canhoneiras inglesas, que subiam e desciam o Tejo, vigiando-o, com o apoio directo às "Baterias da Estrada (Nº 1) e do Conde (Nº 2)". Estas fortificações militares que começavam na Vila de Alhandra, faziam parte das chamadas "Linhas de Torres Vedras", construídas com grande sigilo entre 1809 e 1812 pelas tropas Luso - Britânicas e pelo povo, contra os exércitos de Napoleão. Além da visita ao Monumento, o local apresenta uma boa situação sobranceira ao Tejo, que permite uma
boa apreciação deste e do seu estuário, assim, como, também uma boa apreciação sobre a Vila de Alhandra e do Vale de S. António, constituindo por isso, um "autêntico miradouro". Bem perto, próximo do local fica o Reduto nº 114 - 1º de Subserra, que os alhandrenses conhecem como "Forte Velho", que se encontra em razoável estado de conservação, graças a uma recente intervenção de limpeza, assim como toda a zona envolvente, incluindo a antiga Estrada Militar, e que também merece uma visita."

Ultrapassada a zona que fica acima da Subserra entrámos nos limites da pedreira da Cimpor em Alhandra para chegarmos ao famoso "forte dos
sinais" (318 metros de altitude precisamente o ponto mais alto desta
primeira parte da incursão) em que, através dos códigos da marinha
(bandeiras coloridas) as ordens podiam ser transmitidas, quase em
tempo real, através de um conjunto de postos nos pontos mais altos
(Serves, Montachique na segunda linha ou Alqueidão e Socorro na
primeira) até ao outro extremo das linhas. Engenhoso e eficaz!

Após avistarmos as baterias que defendiam a passagem do magnífico vale
de Calhandriz foi tempo de descer até A-dos-Melros (85 m.), cruzar o
vale e subir fortemente até à povoação que dá o nome ao vale. Aí havia
que encontrar a passagem ascende que cruzasse a A10 e nos levasse até
aos 4 fortes do Calhandriz. Tarefa essa que, como já acima referi, não
foi nada fácil não só pelas inúmeras e erradas variáveis possíveis
quer, sobretudo, pela dificuldade que constituiu a ascensão final que,
pese embora o facto de estar asfaltada foi muito difícil de vencer até
dominarmos os 343 metros de altitude).

Dos fortes do Calhandriz avançámos por A-de Mourão até subirmos aos
356 metros correspondentes ao delta onde se situa o Forte do "Chão da
Vinha"e o seu gémeo nos moinhos da serra um pouco mais a nascente.
Excelente as vistas a partir deste miradouro sobre o vale do Rio da
Silveira.

Foi tempo de se avançar ao "Forte Cego" que fica mesmo por cima de
Arruda dos Vinhos. O pior foi mesmo lá chegar: tivemos que cruzar uma
pedreira em plena laboração. Passámos mesmo junto aos explosivos
colocados (embora ainda não rastilhados). Já está prevista uma
alternativa pois o BTT, só por si, já é uma actividade perigosa q.b. ;-)

Depois fomos, sempre pelo topo, até ao ponto mais alto da incursão que
é o Forte da Carvalha e daí até ao último dos fortes visitados neste
primeiro troço: o Forte do Céu que defendia a confluência da Ribeira
da Louriceira com o vale do Rio da Pipa perto de Arruda dos Vinhos.

Daqui já se avista o forte grande do Alqueidão, ao longe onde
prosseguirá o reconhecimento do segundo troço da primeira linha e que
nos irá levar quase até Torres Vedras (com passagem garantida pelo
cimo da Serra do Socorro, pois então).

A partir daqui foi descer fortemente até Arruda, transpor a A10 e
efectuar um regresso muito rápido cruzando uma zona paisagisticamente
muito interessante que cruza o vale da ribeira de Santo António até à
histórica povoação da Subserra no sopé da Serra de Alhandra.

Tempo de subir até ao chamado "forte grande da Subserra" onde já
havíamos passado de inicio e iniciar a descida até ao local de partida.

O melhor pedaço estava guardado para a pós-incursão. De facto
deslocámo-nos de carro até Alhandra onde estivemos a ver o azulejo
monumental evocativo do "primeiro distrito" das linhas que era,
precisamente, o de Alhandra.

Pedro Roque

segunda-feira, 20 de junho de 2005

Reconhecimento Completo da Segunda Linha de Torres

Ontem eu e o JC completámos o reconhecimento da segunda parte desta
"segunda linha" correspondente ao concelho de Mafra.

Efectivamente, após dois prévios reconhecimentos, na terceira
idealizámos uma volta "ideal" com 85 quilómetros de extensão, 2200
metros de desnível acumulado positivo e 3700 KCal. dispendidas.

Diga-se, em abono da verdade, que a experiência dos dois
reconhecimentos prévios serviu para se elaborar um traçado mais
homogéneo e os desníveis poderem ser amenizados (na medida do
possivel, bem entendido).

Assim e à excepção da parte final (km. 60 em diante) o desgaste não
foi muito intenso até porque contámos sempre com uma brisa refrescante.

Daí em diante tudo se complicou, seja em virtude dos desníveis a
vencer, seja em função da brisa se dissipar. Ainda assim tudo correu
bem e sem grande desgaste.

O início foi na Venda do Pinheiro (permitiu poupar alguns
quilómetros), reconhecemos o Forte da Quinta do Estrangeiro, para
rolarmos em direcção à saloia Malveira onde visitámos o Forte da Feira
e o de Santa Maria (o ponto mais alto da incursão), seguiu-se o de
Casal da Serra, sobre o Vale da Guarda, com uma estupenda panorâmica
deste.

Voltámos para SW onde percorremos junto ao muro da Tapada até ao de
Abrunheira e daí para Sul, Alcainça, Arrifana, Igreja Nova, Ventureira
e a famosa descida até Ribeira de Muchalforro (ou devo dizer Maciel
Forro?), e a demolidora subida até Mafra.

Tempo de repor energia no snack bar e saída para poente com visita ao
Forte da Zambujeira já sem carrinha branca abandonada e GNR, como se
tudo tivesse sido apenas um conto policial.

Descida de cortar a respiração até à Senhora do Ó, subida à Serra do
Coxo, Lapa da Serra, Casa Nova, Pinhal do Frades, atravessamento da EN
116 (Mafra - Ericeira), Calçadinha Preta, cruzamento do ribeiro do
Cuco numa zona de grande exigência técnica, Paço de Ilhas, chegámos
então ao Forte do Picoto que fica perto do Parque Eólico do Marvão.

A partir deste ponto é rolar sempre por uma estrada sem movimento e à
mesma cota para se visitarem outros fortes sobranceiros ao Vale do
Safarujo (alguns existente e identificáveis e outros nem por isso):
Portela de Marvão e Moxarro.

Interessante notar que os nomes de algumas quintas e arruamentos ainda
reflectem os seus nomes: rua dos Fortes, estrada da portela, Quinta do
Forte ou Quinta do Forte do Picoto.

Chegádos ao entroncamento com a EN 9, que vem de Encarnação e à falta
de alternativa seguimos por esta, forte do Areeiro, aguada em
Barreiralva ao ritmo das copas jogada na mesa do lado.

Seguiram-se, já fora da estrada, pelo meio do eucaliptal queimado há
dois verões, os fortes de Murgeira (Patarata, Meio e Curral do Linho).

Após uma vertiginosa e tecnicamente exigente descida (devido à erosão)
junto ao muro da Tapada, chegamos ao Codeçal e, sem perder tempo,
subimos para Chança. Sempre por asfalto esta subida é dura e impiedosa
o troço final troca o tapete betuminoso por uma areia de pinhal
massacrante.

Lá atingimos o topo e a subida é substituida por uma descida técnica
junto ao muro de uma propriedade (no seu interior o forte da Boa
Viagem e dos Rafaeis) e, no seu final, o do Picoto, de tal modo
altaneiro que para lá chegar tem de se escalar autenticamente.

Descida rápida até ao Gradil e daí pela "Pedra que Luz" nova subida
demolidora até ao Forte de Cherra, por cima do Centro de Recuperação
do Lobo Ibérico sobranceiro à Tapada.

Daí foi descer até ao Vale da Guarda, cruzar a EN 8, e rolar (a subir,
bem enetendido) até ao Jerumelo. Aí custou bastante mas já tinhamos o
final à vista pelo que foi rolar até à entrada da Malveira e subir ao
Forte do Matoutinho (que se encontra dentro de propriedade privada: a
quinta do forte do Matoutinho) e descer sempre (finalmente) até Venda
do Pinheiro.

Tive algum receio de alinhar já que, no dia anterior, tinha efectuado
um "treking" entre o Palácio de Sintra e o Convento de Mafra (25 kms.)
o que, convenhamos, é uma distância considerável, mormente com a
travessia dos vales do Lisandro e Muchalforro).

O peso das botas deixou alguns músculos doridos mas que em nada
interferiram com o desempenho de bicicleta. De facto é notável:
trata-se de dois tipos de solicitação muscular distintos porventura
óptimos complementos um do outro.

Pedro Roque

terça-feira, 14 de junho de 2005

O BTT pode ser um desporto REALMENTE perigoso


Pela Lei e pela Grei!

O tempo impede-me de fazer um relato mais prolongado do segundo
reconhecimento dos fortes das linhas de Torres no concelho de Mafra.

Mas como ainda falta o reconhecimento final depois prometo um "take"
mais alongado...

Quanto ao incidente com a GNR tudo acabou numa valente gargalhada:
nossa e dos soldados da guarda.

Tratou-se duma cena digna de um Pedro Duarte e que não fica atrás de
episódios do estilo "Tony do Capri" ou "Rolos na Garagem".

Junto ao forte da Zambujeira estava uma carrinha abandonada (pelos
vistos na véspera). A GNR andava de olho nos que ali a abandonaram por
suspeita de crime.

Parámos no forte para comer algo e alguém informou a guarda que
andavam por ali dois tipos suspeitos (ou seja nós).

Vieram três guardas (dois fardados e um à paisana) a correr de
"shot-gun" na mão. Quando nos viram começaram a rir e a dizer que se
tinham enganado.

Pelos vistos foi o "aspecto aciganado" do Jorge Cláudio que gerou
tremenda confusão.

Pedro Roque

segunda-feira, 23 de maio de 2005

Reconhecimento das Linhas - avançando por Mafra!

Ontem eu e o Jorge Cláudio abordámos o reconhecimento mais um troço
das "Linhas de Torres". Desta vez a segunda parte da
chamada "segunda linha" ou seja, a que vai da A8 para nascente até
ao oceano no concelho de Mafra.

A tarefa afigurava-se como muito difícil e o track virtual já o
demonstrava se qualquer margem para dúvidas: 100 kms. de extensão e
3300 metros de acumulado.

Assim foi preparado um plano de contingência para evitar chegar de
noite uma vez que era a nossa "premiere" em muitos daqueles terrenos
e os reconhecimentos têm de ser efectuados a ritmos e com
preocupações diferentes do normal pelo que a média se ressente.

Este não foi excepção uma vez que há caminhos que, ou já não
existem, ou estão impraticáveis e devem buscar-se alternativas "ad-
hoc" no momento.

Ainda assim foi cumprido quase na integra e deu para ter uma boa
aproximação do que deverá de ser um traçado definitivo a ser
alcançado numa segunda sessão a ter lugar em breve e que permitirá
ter a "Segunda Linha" reconhecida a 100%.

O começo foi, curiosamente, já no paralelo de alguns fortes de
primeira linha, ou seja, em Enxara do Bispo, no norte do concelho de
Mafra e muito perto do acesso da A8. Esta escolha será, no entanto,
alterada talvez por Vila Franca do Rosário, o que permitirá reduzir
a ligação inicial e final nalguns quilómetros.

Até porque a realidade correspondeu, desde logo, à expectativa, ou
seja, o início foi logo marcado por uma subida demolidora a dar o
mote do que seria o dia em termos ascensionais.

Subimos pois, penosamente, até Vila Franca do Rosário, descemos o
vale de Pedrulhos para nova subida demolidora até ao parque eólico
do Alto da Serra da Escusa. A partir daí descemos de novo e rolamos
até à zona da Malveira para abordarmos o primeiro dos fortes: o
Matoutinho, num cabeço imponente que medeia entre a Malveira e a
Venda do Pinheiro e que domina a zona da actual A8.

Este forte não está acessível já que o caminho começa em propriedade
privada. No entanto é importante passar junto a ele pois é um
daqueles que se impõem na paisagem.

A partir daí descemos até à Venda do Pinheiro para abordarmos o
Forte da Quinta do Estrangeiro que fica junto a uma antena celular e
sobranceiro à povoação, por cima mesmo do centro paroquial. Está,
como muitos, coberto de vegetação.

Rapidamente prosseguimos para a Malveira onde alcançámos o Forte da
Feira, muito bem recuperado pela Câmara Municipal, com um placard
interpretativo que incluia a localização dos fortes no concelho e
uma breve descrição da tipologia deste e da História da terceira
invasão. Um exemplo, infelizmente isolado. Este forte dominava a
passagem do vale ocupado actualmente com o caminho de ferro e a
EN116.

Foi tempo de subir penosamente até ao de Santa Maria, talvez o forte
mais alto dos que visitámos ontem. Tem instalado em cima um
retransmissor da PT, inteirinho, mas dá para observar o fosso, em
bom estado de conservação. Este forte domina o Vale da Junqueira e a
zona de passagem da novíssima e recém inaugurada A21 (que torna o
acesso viário a Mafra muito mais fácil).

Daí fizemos um circuito para reconhecer os fortes de Casal Pedra
(que foi impossível de descobrir, já que a sua localização foi
efectuada por estimativa) e o de Abrunheira já muito perto do muro
da Tapada de Mafra (Sul), com uma plantação de eucaliptos em cima.
Bem vistas as coisas não merece o desvio pelo que a segunda sessão
do reconhecimento evitará este circuito extra.

Seguimos junto ao muro da Tapada até ao Forte do Casal da Serra.
Trata-se de um ponto estratégico importante já que domina o Vale da
Guarda e a passagem da EN8 e é um daqueles locais muito
interessantes do ponto de vista paisagístico.

Descemos até ao Vale da Guarda para rumarmos, por este, para poente
e subir fortemente (queixo no guiador e a dar tudo) até ao Forte do
Cheira que domina do outro lado o Vale e tem uma bonita vista sobre
a Tapada e o Centro de recuperação do Lobo Ibérico
(http://crloboiberico.naturlink.pt/).

Descemos para o Picão onde há uma linda casa que se chama "Casa da
Pedra que Luz", aliás tudo é bonito neste vale que vai até ao
Gradil. Alguns enganos de trajecto depois chegámos a esta
interessantíssima vila que, aliás, já foi concelho até à reforma de
1836. Como não a conhecia foi uma surpresa muito agradável. De
qualidade arquitectónica com os diversos solares setecentistas e de
enquadramento paisagístico notável é uma preciosidade a visitar.

O problema mesmo foi sair dali. Outra subida de queixo no guiador
até à portela e daí para o Alto da Serra do Chipre o Forte de Picoto
e de Rafaeis que estão nos limites de uma propriedade vasta ainda
que sobranceiros ao caminho pelo que se podem observar bem ao
contrário do Forte da Boa Viagem que está no interior da mesma.

Foi tempo de descer até ao Codeçal e de subir muito penosamente a
estrada até à Murgeira, a alternativa (que só descortinámos depois)
era a subida junto ao muro da Tapada embora a sua inclinação a
tornasse mais penosa, evitando, todavia o trânsito.

Daí avançamos para os fortes a norte de Mafra que estão num estado
de conservação lamentável. Aliás toda aquela zona foi devastada por
incêndio recente e é de evitar pelo que no próximo reconhecimento
será descartada pois tal evitará a passagem e ascenção do
Codeçal/Murgeira.

O pior mesmo foi após a incrível e inclinadíssima descida a passagem
pelo Vale do Cuco. Na carta estava referenciado um caminho mas, meus
amigos, a realidade é que deparámos com um imenso silvado de 200
metros de extensão. Foram os meus duzentos metros mais penosos de
sempre. A alternativa era ter de voltar a subir o que descemos.
Sentimo-nos uma espécie de Cristos em plena "Via Crvcis".
Inenarrável. Só espero é que seja uma espécie de tratamento natural
à pele de coxas e pernas…

Moral da História, desde o alto da Serra do Chipre e, até ao caminho
do Vale dos Cucos (o que ficava apenas 200 metros adiante) tudo irá
ser remodelado na próxima: não justifica o trajecto efectuado.

Tristezas não pagam dívidas. Tempo pois de chegar a Mafra e de rumar
a outro forte estupendo: o do Zambujal. Magnífico, dominando o
Arquitecto, lá bem em baixo e a capala do Ó. E que dizer da descida
até ao vale? Impróprio para os vertigiomanos mas estupenda para
quem "gosta é disto" de 100 a 5 metros de altitude serpenteando por
um single track pendurado na encosta a pique em poucos segundos mas
sempre com o travão bem apertado. Só visto!

Foi tempo de rumar a norte, ao Forte do Picoto, junto já a São
Lourenço e daí para nascente. Alguns enganos após tempo de pensarmos
numa "retirada estratégica" via asfalto.

Ainda assim regressámos a Enxara já ao "lusco-fusco" ficando ainda
por reconhecer três fortes.

No final mais de 105 kms. e "apenas" 2800 metros de acumulado
positivo. Mas um bom retrato do terreno para um próximo e espero que
definitivo reconhecimento do lado poente da segunda linha.

Até breve!

Pedro Roque

sexta-feira, 8 de abril de 2005

Portaria Referente aos Dispositivos de Sinalização luminosa dos Velocipedes e Comentário

Da leitura resulta claro que, em termos de luzes, elas só são
obrigatórias de noite e sempre que as condições meteorológicas e
ambientais tornem a visibilidade insuficiente.

Estou em crer que as luzes que usamos, sejam à frente, ou atrás são
perfeitamente válidas (têm de ser visíveis a 100 metros)
inclusivamente permite-se que a da rectaguarda possa ser
intermitente.

Parece-me correcto!

Os reflectores é que parece serem mesmo obrigatórios sempre que
utilize a via pública. Ou seja um a frente, outro atrás, e dois em
cada roda, sendo que pode ser usado um cabo circular reflector (já
tive uma coisa dessas da 3M). De dia não creio que isso seja
verdadeiramente necessário, embora legal.

Ou seja: se formos para a estrada temos de ter em consideração que,
em caso de não cumprimento da lei, podemos sofrer uma coima.

Penso, todavia, que deveremos ser nós próprios, no caso de
circularmos à noite, a defendermos a nossa própria visibilidade, ou
seja, a nossa segurança.

Sugeria até que usassemos colectes reflectores no caso de estradas
muito movimentadas ou percursos nocturnos.


MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA

Portaria n.º 311-B/2005 de 24 de Março

O n.º 3 do artigo 93.º do Código da Estrada, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 114/94,

de 3 de Maio, na redacção conferida pelo Decreto-Lei n.º 44/2005, de 23 de

Fevereiro, prevê que a circulação de velocípedes esteja condicionada à utilização

dos dispositivos de sinalização luminosa, a fixar em regulamento, sempre que seja

obrigatório o uso de dispositivos de iluminação nos restantes veículos.

Considerando a necessidade de promover a segurança rodoviária dos utilizadores

destes veículos, medida considerada prioritária no Plano Nacional de Prevenção

Rodoviária, define-se, no presente diploma, os sistemas de sinalização luminosa

bem como os reflectores cujo uso é obrigatório nos velocípedes destinados a

circular na via pública.

Assim:

Manda o Governo, pelo Ministro de Estado e da Administração Interna, nos termos

conjugados da alínea b) do n.º 2 do artigo 4.º do Decreto-Lei n.º 44/2005, de 23

de Fevereiro, e do n.º 3 do artigo 93.º do Código da Estrada, aprovado pelo

Decreto-Lei n.º 114/94, de 23 de Maio, na última redacção conferida, o seguinte:

1.º O presente diploma aplica-se aos dispositivos de sinalização luminosa e

reflectores dos velocípedes, quando circulem na via pública, com excepção da

circulação no âmbito de provas desportivas devidamente autorizadas.

2.º Os velocípedes referidos no número anterior, quando circulem na via pública

nas condições a que refere o n.º 3 do artigo 93.º do Código da Estrada, devem

dispor, à frente e à retaguarda, de luzes de presença que obedeçam às

características fixadas no presente regulamento.

3.º Sem prejuízo do disposto no número anterior, com a finalidade de assinalarem

a sua presença, todos os velocípedes devem dispor de reflectores, à frente e à

retaguarda, que respeitem as características fixadas neste regulamento.

4.º O uso dos dispositivos referidos no n.º 2.º é obrigatório, desde o anoitecer até

ao amanhecer e sempre que as condições meteorológicas ou ambientais tornem a

visibilidade insuficiente.

5.º A luz de presença da frente deve ter as seguintes características:

a) Número: uma;

b) Cor: branca;

c) Posicionamento:

i) Em largura: deve estar situada no plano longitudinal médio do veículo;

ii) Em comprimento: deve estar colocada na zona frontal do veículo;

iii) Em altura: deve estar colocada a uma altura do solo compreendida entre 350

mm e 1500 mm;

d) Intensidade: feixe luminoso contínuo tal que a luz seja visível de noite e por

tempo claro a uma distância mínima de 100 m;

e) Orientação: para a frente.

6.º A luz de presença da retaguarda deve ter as seguintes características:

a) Número: uma;

b) Cor: vermelha;

c) Posicionamento:

i) Em largura: deve estar situada no plano longitudinal médio do veículo;

ii) Em cumprimento: deve estar colocada à retaguarda do veículo;

iii) Em altura: deve estar colocada a uma altura do solo compreendida entre 350

mm e 1200 mm;

d) Intensidade: feixe luminoso tal que a luz seja visível de noite e por tempo claro

a uma distância mínima de 100 m;

e) Orientação: para a retaguarda.

7.º A luz referida no número anterior pode ser emitida continuamente ou

apresentar emissão intermitente com frequência regular.

8.º O reflector da frente dos velocípedes deve ter as seguintes características:

a) Número: um, sem prejuízo do disposto no n.º 5.º;

b) Cor: branca;

c) Posicionamento:

i) Em largura: deve estar situado no plano longitudinal médio do veículo;

ii) Em comprimento: deve estar colocado na zona frontal do veículo;

iii) Em altura: deve estar colocado a uma altura do solo compreendida entre 350

mm e 1500 mm;

d) Orientação: para a frente.

9.º Para além do reflector referido no número anterior, os velocípedes devem

possuir à retaguarda, no mínimo, um reflector com as seguintes características:

a) Cor: vermelha;

b) Posicionamento:

i) Em largura: deve estar situado no plano longitudinal médio do veículo;

ii) Em comprimento: deve estar colocado à retaguarda do veículo;

iii) Em altura: deve estar colocado a uma altura do solo compreendida entre 350

mm e 1200 mm;

c) Orientação: para a retaguarda.

10.º Em complemento do reflector referido no número anterior, é autorizada a

instalação de um reflector adicional, colocado do lado esquerdo, delimitando a

largura máxima do veículo.

11.º Os veículos devem ainda possuir, nas rodas, reflectores com as seguintes

características:

a) Número mínimo em cada roda: dois se forem circulares ou segmentos de coroa

circular ou apenas um se for um cabo reflector em circunferência completa;

b) Cor: âmbar, excepto se for um cabo reflector, caso em que pode ser branca;

c) Posicionamento: colocados na jante simetricamente em relação ao eixo da roda,

excepto se for um cabo reflector, devendo então ser colocado entre os raios da

jante, circunferencialmente, com o maior diâmetro possível;

d) Orientação: para o exterior, com a superfície reflectora paralela ao plano

longitudinal médio do veículo.

12.º Os velocípedes de três ou quatro rodas com largura superior a 1200 mm

devem dispor, à frente e à retaguarda, de reflectores que obedeçam às

características e se encontrem colocados de acordo com o estabelecido nos n.os 8.º

e 9.º do presente diploma, salvo no que se refere à colocação em largura, em que

os reflectores devem estar colocados o mais próximo possível das extremidades do

veículo.

13.º Podem ser utilizados dispositivos de sinalização luminosa ou reflectores que

correspondam a modelo aprovado num Estado membro da União Europeia, desde

que apresentem a correspondente marca de aprovação.

14.º Sempre que as disposições relativas à instalação dos dispositivos de

sinalização luminosa ou dos reflectores se mostrem incompatíveis com as

características dos veículos, a Direcção-Geral de Viação pode aprovar soluções

causuísticas que se mostrem adequadas.

15.º O presente diploma entra em vigor 90 dias após a publicação.

O Ministro de Estado e da Administração Interna, António Luís Santos Costa, em 21

de Março de 2005.

segunda-feira, 7 de março de 2005

ALCOBAÇA OU A PHOENIX RENASCIDA (Passeio no Vale da Ribeira de Gião)

Por questões relacionadas com a minha vida pública havia praticamente um mês que não pedalava.
Resolvi ontem recomeçar e como estava pelas bandas de Leiria contactei Pedro Brites, o sensato, para um passeio pelos inúmeros trilhos da região.
Quem se furtou ao dever pedalante foi o Nuno Neves que parece que preferiu ficar a polir o quadro do velocípede (piada com o patrocínio da Cera Auto Redex :-).
Já há muito que tinha ouvido descrições maravilhadas relativamente às veredas (outrora conhecidas por “single-track”) da zona de Alcobaça, mais concretamente nas redondezas da povoação de Ataíja.
À falta de treino juntou-se uma arreliante dor de garganta que, apesar de não ser forte, contribuía para uma indisposição geral em cima da bicicleta. De resto tudo parecia estranho, o assento mais rijo e desconfortável, a técnica dificultada e receosa mas o pior de tudo eram as subidas que pareciam mais inclinadas que nunca e o recurso à cremalheira de vinte e dois dentes a tornar-se numa espécie de regra que, todavia, tolerava, ainda, algumas excepções.
É certo que teria de debutar. É certo, também, que apesar de tudo as coisas até nem correram mal. Mas aquilo que me entristece é que um terreno com aquelas características, todo em vereda, delicioso de pedalar, em que a técnica é exigida constantemente, embora sem dificuldades excessivas ou passos arriscados, não possa ter sido, por mim, devidamente aproveitado.
Parece impossível como é que existe um terreno com aquelas características. Trata-se de um vale fundo e encravado, originário da erosão do calcário, que dá lugar à nascente do Rio Alcoa, no Poço Suão em Chiqueda.
Dá pelo nome de “Vale da Ribeira de Mogo” e, grosso modo, liga Alcobaça à Serra dos Candeeiros
Vejamos o que nos dizem acerca deste vale:

“O Vale da Ribeira do Mogo, onde se situam as Nascentes do Rio Alcoa constitui um corredor de vegetação tipicamente mediterrânica que liga a cidade de Alcobaça à Serra dos Candeeiros. No Outono e Inverno, as nascentes funcionam como maternidade para aves e anfíbios e, no Verão, esta zona é o bebedouro de toda a fauna que habita o vale.Fisicamente localizado fora da área de influência do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, mas ecologicamente contínuo, o vale, de pequena dimensão e grande proximidade ao espaço urbano, torna-se um local extremamente vulnerável, podendo entrar em desequilíbrio por acção da pressão humana. Como principais ameaças citam-se a pedreira que opera numa das vertentes do vale, o corte de carvalhos para obtenção de lenha, e a possibilidade de incêndio, sempre presente. A acção das águas sobre as camadas de calcário que afloram nos vales muito encaixados da Ribeira do Mogo permitiu a formação de importantes cavidades naturais, algumas das quais foram utilizadas pelo homem ao longo dos tempos e outras que são interessantes sob o ponto de vista espeleológico e biológico (morcegos carvenícolas, líquenes, briófitas e fungos). Algumas das vertentes são habitat de aves de rapina que encontram aqui excelentes condições para nidificação.Na Ribeira do Mogo continuam em bom estado grande parte das antigas estradas que percorriam o fundo do vale. “ (in http://www.cienciaviva.pt/veraocv/biologia/bio2004/index.asp?accao=showactiventidade&id_entidade=167&id_actividade=2 )
Ainda um pormenor: naqueles terrenos houve uma prova de BTT recentemente. Como adivinhei? Não foi porque alguma informação me tenha chegado mas antes pelos famosos vestígios.
De facto contámos centenas (leram bem centenas) de fitas plásticas penduradas com a incrição “Shimano XTR” e “Sociedade Comercial do Vouga, Lda". Se por um lado nos deram aquela sensação de nunca andarmos perdidos por outro deram um contraste perfeitamente dispensável com o esplêndido ambiente natural em que nos inseríamos.
Admitamos: nós, os portugueses, temos um problema grave e endémico com o lixo. Nem o facto de pedalarmos de BTT e de, por isso, possuirmos alguma sobranceria ambiental (que poderia ser efectiva) nos faz ultrapassar esse trauma.
De resto e tirando o empeno razoável num passeio de duração e dificuldade média o dia ciclistico foi muito bem passado. A desejar aí regressar em breve, espero que em melhor forma.
APRO

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005

As 10 Regras de Ouro do BTT


1 - Ceder a passagem a outros transeuntes não motorizados.
2 - Abrandar à proximidade de pedestres e cavaleiros, ultrapassá-los com precaução após os haver prevenido.
3 - Controlar a velocidade nas passagens sem visibilidade.
4 - Circular nos trilhos para evitar destruir a vegetação sobretudo em Parques e Zona Protegidas e evitar passar sobre culturas.
5 - Passar à distância de animais selvagens e não enervar os domésticos.
6 - Jamais deitar detritos no solo. Conservá-los até ao próximo caixote de lixo. Advertir quem assim não proceda.
7 - Respeitar a propriedade privada e pública.
8 - Aprender a rolar em autonomia total. Preparar o seu itinerário, prover a sua alimentação, saber efectuar reparações.
9 - Nunca sair só para uma incursão em terreno desconhecido. Deixar informações acerca do seu itinerário aos que ficam.
10 - Saber, em todas as ocasiões, estar de forma discreta e amável.
11 - Usar o capacete a fim de se proteger, em todas as circunstâncias.


adaptado das 11 regras de ouro da NORBA (National Off-Road Bicycle Association)

Posted by Hello

sexta-feira, 31 de dezembro de 2004

Apresentação do Plano Estratégico das Ecopistas da REFER EP


Foi apresentado, no passado dia 19 de Novembro, o “Plano Estratégico das Ecopistas em Portugal” num seminário organizado especialmente para o efeito pela REFER EP (Rede Ferroviária Nacional E.P.).

A REFER, recordemos, é a empresa pública titular da rede ferroviária nacional e pretende aproveitar os traçados abandonados à exploração ferroviária para actividades de lazer à semelhança da experiência espanhola das “vias verdes”.

Para tanto celebrou um convénio de colaboração com a RENFE (Rede Ferroviária Espanhola) procurando aproveitar e adaptar a grande experiência espanhola em matéria de “vias verdes”.

Na década de 80, entre 1985 e 1987, a racionalização da exploração ferroviária impôs o encerramento do tráfego de passageiros e de mercadorias em vários troços ferroviários.

Assim, em Portugal, tal como em Espanha, existem muitos quilómetros de via ferroviária abandonada à exploração que têm um enorme valor paisagístico e patrimonial e que oferecem um enorme potencial ecoturístico.

A extensão do traçado ferroviário abandonado e passível de ser reutilizada em Portugal ascende a 500 quilómetros. Trata-se pois de recondicionar estes antigos traçados ferroviários para uma utilização de pedestrianismo e cicloturismo.

Consequentemente prevê a REFER ter, no início de 2005, celebrado com as autarquias abrangidas pelos traçados abandonados convénios de concessão de cerca de 144 quilómetros de via a ser recondicionada para ecopista.

Refira-se que, em Portugal, a REFER optou pela designação “Ecopistas” em detrimento da designação internacional “Vias Verdes” (Greenways) para evitar a confusão com a marca da cobrança automática de portagens.

Após a apresentação do “Plano Estratégico” propriamente dito o seminário prosseguiu com a apresentação das bases do projecto REVER Med na qual participa a própria REFER e ainda diversas experiências nacionais no capítulo das ciclovias, a saber:

· “A Via Ciclável do Algarve” (REVER Medoc) que é parte integrante do projecto EUROVELO. Trata-se de uma via ciclável que atravessará o Algarve longitudinalmente pelo litoral numa extensão de cerca de 213 kms. entre o Cabo de São Vicente e o Vila Real de Santo António que atravessa doze dos dezasseis concelhos algarvios.

· O Projecto “Naturale”. Natureza e Turismo no Alentejo e Extremadura Espanhola que se propõe aproveitar os antigos ramais de Montemor-o-Novo, Arraiolos e de Mora em Portugal e ainda a “Via Verde de las Vegas” em Cáceres, Espanha. Trata-se de uma parceria através do programa comunitário INTERREG IIIA que juntou os municípios alentejanos e extremenhos abrangidos e que tem uma forte componente de turismo ambiental e que se encontra em fase de projecto.

· Os Presidentes das Câmaras de Valença e de Monção (no distrito de Viana do Castelo) apresentaram a recém inaugurada “Ecopista do Rio Minho” de Valença-Monção e que é a primeira “Ecopista” a ser inaugurada em Portugal tendo em consideração os pressupostos inerentes a este tipo de equipamento e que ostenta o logótipo criado para o efeito. O antigo traçado converteu-se, assim, no projecto pioneiro das ecopistas em Portugal. Tem um traçado de treze quilómetros sempre junto ao curso do Rio Minho por paisagens de alto valor patrimonial e ambiental.

A parte da tarde foi dedicada à apresentação de experiências internacionais.

· A experiência espanhola, com a exibição de um fantástico vídeo promocional e que, conforme já se referiu, serviu de modelo para a REFER.

· A experiência francesa.

· A experiência italiana.

· A apresentação da Associação Europeia das Vias Verdes pelo seu presidente.

O programa prosseguiu no dia seguinte com uma visita à nova “Ecopista do Rio Minho”.

De referir que, entretanto, a Câmara de Famalicão irá criar também uma ecopista no antigo ramal ferroviário que ligava Famalicão à Póvoa de Varzim. A ecopista, com um custo de 700 mil euros, nascerá nas imediações da estação ferroviária da cidade, indo até à freguesia de Gondifelos, no limite do concelho, numa extensão de 10,6 km.

Nesta matéria começamos a ver luz ao fundo do túnel...

Websites de consulta:

http://www.refer.pt/
http://www.viasverdes.com/
http://www.af3v.com/
http://www.sustrans.co.uk/
http://www.trailsandgreenways.com/
http://www.railtrains.com/
http://www.aevv-egwa.org/
http://www.cm-moncao.pt/
http://www.cm-valenca.pt/
http://www.mundo.iol.pt/santosvitor/desporto.desportos-radicais/
http://www.ventonorte.com/
http://www.vilanovadefamalicao.org/


Pedro Roque