quarta-feira, 1 de março de 2006

Sobre a Neve da Estrela

The Snow in the "Serra da Estrela ". A Carnival to Remember

Fantástico o ambiente numa caminhada na "Rota dos Galhardos" (PR1 em Folgosinho, Gouveia). A neve dá toda uma ambiência diferente e magnífica.

De facto, depois de ter efectuado este passeio pedestre em pleno Verão com um calor demolidor (e após um almoço no Albertino) desta vez parecia que estava num local completamente diferente.

A neve começava perto dos 900 metros e na zona dos Galhardos / Portela do Folgosinho cobria tudo. Sem embargo não estava muito frio e deu para aproveitar bem o passeio

É a Serra da Estrela, pois então!

IBSN - Mais um Passo na Emancipação da Blogosfera


O IBSN (Internet Blog Serial Number) nasce em Espanha no dia 2 de Fevereiro de 2006 como resposta à tentativa de outorgar um número ISSN (International Standard Serial Number) a um blog.

Assim tamém este blog já tem o seu IBSN que é formado por 10 dígitos com três traços separadores pelo meio.

Podem requisitar o vosso no Formulário IBSN

Mais informações: Internet Blog Serial Number

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Sobre a Neve da Estrela

The Snow in the "Serra da Estrela ". A Carnival to Remember

Fantástico o ambiente numa caminhada na "Rota dos Galhardos" (PR1 em Folgosinho, Gouveia). A neve dá toda uma ambiência diferente e magnífica.

De facto, depois de ter efectuado este passeio pedestre em pleno Verão com um calor demolidor (e após um almoço no Albertino) desta vez parecia que estava num local completamente diferente.

A neve começava perto dos 900 metros e na zona dos Galhardos / Portela do Folgosinho cobria tudo. Sem embargo não estava muito frio e deu para aproveitar bem o passeio

É a Serra da Estrela, pois então!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

LINHA 1 TROÇO III (Torres Vedras) - Afinação de Percurso Final

"Never was so much owed by so many to so few" (Sir Winston Churchill)

No Domingo passado, com o Jorge Cláudio, procedemos à afinação do percurso final do troço III da 1ª Linha de Torres Vedras.

É a parte final entre a simpática cidade que dá o nome às Linhas e o Atlântico na foz do rio Sizandro.

Este é um percurso algo diferente do que estamos habituados nos restantes troços. Se estes eram essencialmente montanhosos este atravessa, em boa parte da sua extensão, terrenos de paul, baixos e alagadiços no vale do Sizandro.

O começo dá-se junto ao tribunal de Torres Vedras para, de seguida se rumar ao Castelo onde estava instalada um dos redutos não sem antes passarmos pelo largo da actual praça 25 de Abril onde se encontra, no meio de um pequeno jardim, um monumento às "Linhas de Torres Vedras".

Trata-se de um obelisco em mármore com uma homenagem ao Exército Luso-Britânico que se bateu nas guerras penínsulares e fez frente de modo invicto ao invasor napoleónico. Na base e, em cada uma dos seus quatro lados ostenta uma inscrição das três batalhas gloriosas em território nacional: Roliça, Vimeiro e Buçaco para além da inscrição "Linhas de Torres".

De destacar também um outro tipo de monumento, este menos perene mas que simboliza aquilo em que Torres Vedras também é conhecida: o Carnaval. Trata-se de uma estátua gigante colorida e alegórica do Entrudo e recheado de sinais políticos. Magnífico.


Foi tempo de rumar aos fortes que ficam a caminho de Mata Cães e que defendiam a margem direita do Sizandro antes de Torres. Depois foi descobrir a passagem deste rio por debaixo do viaduto ferroviário metálico que facilita a transposição urbana reduzindo ao mínimo a exposição rodoviária.

A subida aos Fortes de São Vicente (os único recuperados) é penosa na sua primeira parte mas merece bem a pena já que aqui se respira História.


É tempo de se descer para o Paúl via forte 123 e de se traspor a En 9 e o Sizandro para a sua margem esquerda de onde não mais sairemos (excepto espisodicamente mais adiante).

Toda esta zona até ao mar é plana e alagadiça pelo que esta incursão é fortemente desaconselhada em períodos de pluviosidade. De resto, para quem estava habituado às montanhas esta planura é algo monótona e a paisagem também não ajuda muito.

Há uma zona, quase a chegar à praia, onde se tem de cruzar a vala hidráulica (não há alternativa) pelo que também aqui convirá que ela esteja com pouca água.

O troço de regresso segue mais ou menos paralelo, porém mais a sul e à planura sucede-se um agradável sobe e desce que alteram por completo o prazer da incursão até porque a passagem pelas vinhas proporciona alguns momentos paisagísticos de rara beleza.

O final entre a Ventosa, Varatojo e Torres Vedras é memorável com a transposição, a vau, de uma ribeira e a subida demolidora ao Castro do Zambujal e a descida vertiginosa até Torres Vedras.

No final, uma distância semelhante às restantes (superior a 60 kms.) mas uma altimetria pela metade a converterem este no troço menos duro das Linhas de Torres.

Pedro Roque

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

Linhas de Torres: Troço1 Linha 2 Revisitada

The Top of the World!

Na continuação das grandes incursões ontém foi tempo de revisitar o
duríssimo Troço 1 da 2.ª Linha de Torres.
Apenas 3 responderam afirmativamente ao meu apelo: Mário Silva, Vítor
Louça e, pasme-se, Pedro Duarte.
A confirmação no final: trata-se do mais duro de todos os troços: são
70 quilómetros com quase 2.400 metros de altitude positiva. Há ali
algumas rampas impróprias para cardíacos e que só muito empenho
impedem que se desmonte como, por exemplo, a ascensão pelo caminho de
serviço da CREL (A9) a partir de Aracena até ao entroncamento com a A9
ou, a mítica ascensão ao alto do Cabeço de Montachique.
Quem está em grande forma é o Pedro Duarte. O tipo treina R.P.M. de
forma animalesca e nem parece o mesmo. Torna-se difícil, sobretudo nos
primeiros kms., acompanhá-lo.
Foi mais uma grande jornada de BTT vejam- se as espectaculares imagens em http://www.fronteiradigital.com/ms/index.html

Pedro Roque

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

LINHAS DE TORRES (Linha 2 Troço 2 - Mafra) Reconhecimento Integral

Os Vestígios são Inúmeros e Estão em Toda a Parte

Este sábado (21JAN06), com um tempo magnífico, voltámos às grande incursões e ao reconhecimento das Linhas de Torres na zona de Mafra após, no sábado anterior, por lá termos andado a verificar o traçado previamente escolhido. Participaram na incursão de 14JAN06: Pedro Roque; Mário Silva, Luís Gomes, Jorge Cláudio Neves e nesta (21JAN06) os dois primeiros juntamente com o Vítor Amador Louçã.


Desta vez foram quase 90 quilómetros, 2200 metros de altitude acumulada positiva, 4400 KCal e um recenseamento canino para cima de 230 exemplares! :-) Reconhecemos assim um track definitivo a apresentar na próxima edição da Onbike (2.ª linha, 2.º troço). As obras de construção do lanço de Auto-Estrada entre Mafra e Ericeira obrigaram a uma alteração substantiva no trajecto previamente existente. Após o termos constatado na semana transacta (à custa de muita "pasta de lama") e procedeu-se a uma reconfiguração do traçado. Costuma afirmar-se que Deus escreve direito por linhas tortas. Assim o foi relativamente a este segundo troço das linhas.


De facto a
alteração veio introduzir mais dureza, atitude e quilometragem evitando a zona urbana de Mafra mas, em contrapartida acrescentou alguns dos melhores momentos da incursão: o vale da Ribeira do Boco; a Riba Fria e a descida para o Rio Pequeno; o Santuário da Senhora do Socorro (ou do Arquitecto); a subida (violenta diga-se) até Casas Novas; a descida à Ribeira do Coxo e a subida até ao Zambujal a proporcionarem momentos inesquecíveis. Já na semana anterior havia sido introduzida uma alteração qualitativa na passagem do Vale da Guarda para o Jeromelo subtraindo muito do asfalto à custa de uma subida penosa até ao delta do mesmo nome mas de uma beleza paisagística rara.


Apesar de estarmos perante um "traçado final" há ainda uma alteração que pretendo introduzir por forma a suprimir ainda mais asfalto na zona da Rocheira (EN9), descendo até ao Sobral da Abilheira e subindo depois até à estrada referida. Tal alteração será efectuada à custa de mais quilómetros e altitude transformando este segundo troço, provavelmente, no mais duro de todos. A constatar, no meu caso pessoal, uma subida razoável de forma que me permitiu efectuar a dura incursão sem dificuldades de maior. É o regresso das grandes incursões!


Mas vamos ao filme da mesma: . Saída da Venda do Pinheiro . Visita ao forte n.º 70 (Quinta do Estrangeiro) em plena povoação; . Direcção Malveira; . Forte 66 – (da Feira); . Subida violenta para o forte 65 (Sta. Maria – 369 metros, ponto mais alto da incursão) . Desvio para visita ao forte 63 (Casal da Serra) magnifica vista sobre o Vale da Guarda e a EN8 com passagem pelo local onde se situava a obra 64 no vertice SE do muro da Tapada de Mafra; . Sobe e desce junto ao muro sul da Tapada e visão do forte 2 (tapado por um eucaliptal) e da zona onde se situava o 74 (actualmente um estaleiro); . Cruzamento da EN116 na zona da Alcainça Grande, Arrifana, Igreja Nova, Ventureira, Boco, Zambujal, visita ao forte 95, descida à Senhora do Ó, subida à Lapa da Serra, Pinhal dos Frades e cruzamento da EN118 (Mafra-Ericeira); . Travessia da Ribeira do Cuco, Paço d'Ilhas, ascensão a Marvão, descida a Ribamar (forte de São Lourenço – obra n.º 3) subida de novo a Marvão com passagem pelos fortes 93 e 92 – este denominado do Picoto); . Circulamos pelo cabeço sobre o vale do Rio Safarujo (obras 91 – Forte da Portela, 90 – actualmente uma vacaria e 89 (Muxarro); . EN 9 – desvio para o forte do Areeiro (obra 88), Forte da Patarata (82), do Meio (83) e do Curral do Linho (84) . Na Murgeira descemos junto ao muro poente da Tapada até ao Codeçal e subimos penosamente até Chança e ao delta do mesmo nome em plena Serra do Chipre, a descida para o Gradil faz-se pelo topo norte do enorme muro da Quinta da Boa Viagem passando junto aos vestígios das obras 80 (Rafaeis), 79 e 78 (Picoto) . Descida violenta da Portela do Gradil, Gradil e começa o carrossel do Gradil, intenso rompe pernas até ao Vale da Guarda com passagem pelo forte 62 (Cherra) . Subida ao Jeromelo e descida para a Venda do Pinheiro via forte 67 (actualmente um estaleiro), 68 (cabeço do Matoutinho – dentro de uma propriedade privada), e 69, um antigo moinho que se encontra dentro de um condomínio privado. . Final

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

AS “LINHAS DE TORRES” EM BTT I - De Alverca a Montachique (2.ª linha, 1.º troço)

Em Santa Eulália restabelecendo as energias...


AS “LINHAS DE TORRES” EM BTT

I - De Alverca a Montachique (2.ª linha, 1.º troço)


TEXTO PUBLICADO NA REVISTA ONBIKE DE JANEIRO / FEVEREIRO 2006

Esta é, provavelmente, a mais extenuante das cinco todas as incursões das “Linhas”. São 70 kms. e um acumulado ascendente de 2,4 kms. a exigirem uma forma física e mental a toda a prova.

O início dá-se num local simbólico: o Forte da Casa, junto a Alverca. O nome da terra tem origem num dos primeiros redutos da 2.ª linha junto ao Tejo.

A nossa sugestão é que a viatura seja estacionada no miolo da povoação junto a uma ruína bem conservada. Trata-se da “Obra n.º 38” [1], que dá o nome à terra. É um bom começo já que, com a sua muralha em cantaria, este é um dos redutos mais vistosos desta primeira incursão.

Esta área está pejada de redutos o que não é de admirar já que é a zona natural de passagem de N. para S. em direcção a Lisboa, encaixada entre o Tejo e a montanha, como o provam a circunstância de, actualmente, ali passarem três vias de penetração: a EN10, a A1 e a ferrovia. Era pois estratégica a defesa desta passagem.

As primeiras pedaladas são assim para visitar os redutos da zona:

  • a obra 34, junto à EN10;
  • a obra 35, recentemente vedada para protecção;
  • a obra 36 visível ao longe mas inacessível, nos terrenos da Central de Cervejas;
  • a obra 126, ou “Forte da Rua Nova” também recém vedada, já a caminho de poente;
  • e a obra 39, ou “Forte da Arroteia”, com uma magnífica vista sobre o vale de Alfarrobeira e a A1.

A descida até ao vale faz-se por um vertiginoso single-track onde é de toda a conveniência que a nossa atenção não se disperse com a paisagem.

A partir daqui e, não existindo alternativa todo o terreno, pedalamos por estrada para NE para ultrapassarmos a zona dos nós rodoviários. Alcançamos então o primeiro grande desafio: a incrível subida da ribeira de A-dos-Potes pelo caminho paralelo à CREL. A inclinação das sucessivas rampas é incrível a exigir empenhamento total e com o recurso à cremalheira de 22 dentes a tornar-se inevitável, pese embora o piso estar pavimentado.

Cem metros em altitude são vencidos em cerca de 1 km. à custa da capacidade de sofrimento. Chegamos à zona do entroncamento com a A10. Transposta a mesma, entramos em zona plana até ao “Forte da Vinha” (obra 125). Este vestígio está muito maltratado e, à semelhança de muitos outros, coberto de vegetação. Descemos então para o vale, já em terra batida, pelo meio de uma vinha. Tempo de subir de novo para atravessarmos uma zona rural de grande beleza, primeiro para N. e depois para poente.

A próxima dificuldade é a travessia do vale da Ribeira do Boição com uma curta mas penosa subida até ao “Monte do Forte” (mais um nome sugestivo) na Serra de Alrota. Num pequeno planalto, na cota dos 311 m., encontramos um par de redutos (obras 18 e 19) dominando, com uma vista incrível, todo o vale.


Agora é descer rapidamente para o vale do Rio Pequeno onde seguimos por um asfalto praticamente deserto, cruzamos o rio, subimos e saímos da estrada para um caminho rural. De novo passamos por uma zona muito interessante pelo meio de quintas, culturas e pequenos bosques, sempre para poente. Apesar de não existirem dificuldades de maior há que vencer uma subida violenta com 200 metros logo após a Ribeira da Tesoureira.

Descemos para Sobreira, subimos, viramos para sul e começamos a aproximarmo-nos da zona de São Gião e de um conjunto significativo de redutos. Os primeiros são os Fortes da Azinheira e Capitão (obras 53 e 52) que ficam no topo de uma urbanização de moradias. Não estão em grande estado: a vegetação impera e um deles tem implantada uma estação celular.

É tempo de descer até à EN374, que é percorrida durante uma centena de metros para N., viramos à esquerda, e por uma rampa brutal, subimos até ao Forte dos Outeirinhos (obra 58). Por um caminho rural chegamos à Charneca, junto à A8, o ponto mais a poente desta nossa incursão.


Aí chegados rumamos agora para S. para ascendermos, continuamente, até ao Outeiro do Além e ao seu Forte (obra 59). Descemos e começamos, de novo, a subir fortemente (de tal modo que se torna impossível seguir montado) até aos dois fortes da Achada (obras 60 e 61) esta última, apesar de ser em terra, mantém o seu fosso intacto dando-nos uma ideia aproximada de como era constituído um reduto típico das Linhas de Torres.

Tempo de descer até Montachique passando ao largo da obra 54 (inacessível em propriedade privada) e daí até ao Vale de São Gião onde subimos pela estrada pelo lado nascente do Parque de Montachique, descartando de novo um reduto (obra 56) [2], saindo por um caminho florestal até ao Forte do Permouro (obra 55) e descendo, depois por meio de um single-track, de novo até à estrada.

Tempo de abordarmos aquele que é, literalmente, o ponto alto da incursão: o topo de Montachique aos 409 metros. Não se trata de nenhum reduto mas antes de um dos míticos postos de sinais. A ascensão é muito complexa por uma rampa íngreme de asfalto e onde o empenhamento terá de ser forte sob pena de sermos vencidos pelo desnível. No entanto a vista do alto é magnífica e justifica o esforço.

Sem muito tempo para contemplações descemos e seguimos, agora, para nascente chegando ao reduto correspondente à obra 57, onde se pode avistar o seu fosso e as paredes em terra batida. Continuamos então sempre pelo topo das Ribas com o vale lá bem em baixo e pela também sugestiva “Estrada do Forte” que é a calçada militar construída na época.

Esta é uma zona de topo exposta aos elementos numa paisagem despojada de arvores, onde o vento predomina. Chegamos assim ao Forte das Ribas (obra 51) em cantaria, em bom estado e onde se sente a História. O mesmo é válido para o Forte do Picoto (obra 50) ali perto após se transpor a zona da Ribeira do Cocho, junto a Fanhões. Esta zona é estupenda com o seu parque eólico e porque, após se subir até à Estação Eléctrica do Mosqueiro, a descida até à CREL é estonteante com a sua parte final ao bom estilo “estômago no selim” actuando como um teste à têmpera de travões e nervos.

Tomamos a EN115 para sul, cruzamos o Trancão e seguimos a estrada que sobe para o Zambujal, transpomo-lo e continuamos a subir rolando a meia encosta por cima do MARL até Santa Eulália. A partir daí, sobe-se sempre até ao Alto de Serves (outro posto de sinais a 351 metros), já com muitos kms. e muita ascensão nas pernas. Continuamos, pelo topo, até ao Alto da Aguieira onde se situam os três redutos mais interessantes desta incursão (obras 40, 41 e 42) dominando, altaneiros e em cantaria, a zona de Alverca. O alívio aqui apodera-se de nós: já está à vista o final!

Agora é sempre a descer não sem antes visitarmos o Forte da Boca da Lapa (obra 127) que fica sobre Vialonga num moinho adaptado. Alcançada a Ribeira de Alfarrobeira subimos até ao Forte da Casa e ao final desta nossa incursão.


[1] O modo mais correcto de enunciar os diferentes redutos independentemente do seu nome, que é subjectivo é, precisamente, pelo seu número de obra. Iremos manter esse critério.

[2] Este reduto encontra-se dentro do Parque Municipal de Montachique onde está impedida a circulação de velocípedes, mais uma pérola administrativa autárquica.

terça-feira, 29 de novembro de 2005

Push to get staff on their bikes


Cycle journeys have doubled in London over the past five years

in http://news.bbc.co.uk/1/hi/england/london/4480830.stm

Businesses who help employees to ditch their cars and head to work on foot, bike or public transport can be awarded up to £1,000.

Transport for London (TfL) says it will award the funding to pay for showers and lockers.

It is also offering companies free cycle racks and bikes for work pools at trade prices.

TfL said a single parking space, which could house five bikes, costs up to £2,000 per year to maintain.

Ben Plowden of TfL said: "Cycling is seeing an exciting renaissance in the capital, but a lack of cycle parking and changing facilities in the work place are regularly cited as barriers to employees cycling.

"We want to help businesses remove those barriers and to encourage firms to provide more transport solutions for their staff."

TfL said its figures showed the number of cycle journeys on London's roads doubled from 59,000 to 119,000 between 2000 and 2005.

terça-feira, 1 de novembro de 2005

AS “LINHAS DE TORRES” EM BTT


Hercules vencendo o Leão de Nemeia (Monumento às Linhas na Serra de Alhandra) Foto PR

TEXTO PUBLICADO NA REVISTA ONBIKE DE OUTUBRO DE 2005

Qual é o seu tipo de BTT?

Há vários modos de encarar o BTT, todos diferentes, todos iguais. Desde aquele que se efectiva numa rotineira manhã de domingo, sempre no mesmo local e, invariavelmente, às mesmas horas repetindo, porventura, os mesmos gestos, até ao que, seja por sofisticação, disponibilidade ou gosto, aposta em variar os locais e entende este desporto como uma forma de evasão que permita não só conhecer locais diferentes, como de igual modo, diversos graus de dificuldade e desafios variados.

Pessoalmente, situamo-nos mais perto do segundo tipo aqui referido. Temos pena de não possuirmos a disponibilidade para pedalar em todos os locais e/ou com a frequência que gostaríamos, mas vamos fazendo pela vida pois, se pedalássemos sempre de forma rotineira, ou já tínhamos desistido, ou ficávamos pelos sensaborões rolos domésticos.

Faz falta a variedade. Esta é uma verdade incontornável! Temos pois que usar da imaginação e nem sequer é necessário ir muito longe. Portugal tem locais de sobra e de eleição para a prática.

A nós, aquilo que mais nos agrada, é juntarmos ao desporto uma boa temática histórico-cultural. Os Caminhos de Santiago podem ser apontados como o exemplo acabado disso. É, se quiserem, uma forma de se esquecerem as dificuldades geradas pela altitude e quilometragem acumuladas. Nem só do pedal vive o Homem!


O Reconhecimento das Lendárias “Linhas de Torres Vedras”

Foi com este intuito que começámos a esboçar o projecto do reconhecimento das lendárias “Linhas de Torres Vedras". É certo que existem por aí alguns passeios organizados intitulados de “Linhas de Torres”. No entanto são apenas pequenas abordagens às “Linhas” visitando este ou aquele reduto mais bem conservado e com uma quilometragem limitada.

Por outro lado, importa atentar no seguinte: não obstante as “Linhas” se chamarem de “Torres Vedras” elas correm paralelas, em vastas zonas do Norte de Lisboa e apenas numa pequena parte são efectivamente de Torres Vedras, embora seja na área desse município que iremos encontrar a maior densidade de vestígios.

Aquilo que nos propusemos fazer foi efectuar o levantamento do maior número de redutos e baterias e, na medida do possível, conseguir percorrê-los a todos em BTT, do Tejo até ao mar, com elevadas quilometragem e altitude positiva acumulada.

Paralelamente percorrer-se-ão algumas das estradas militares construídas nessa época para ligação entre os redutos, os quartéis-generais na zona de Pêro Negro, o monumento evocativo da construção, simbolizado numa estátua de Hércules na Serra de Alhandra e, ainda, os locais dos postos de sinais.


Enquadramento Histórico das “Linhas de Torres”

Trata-se de um conjunto vasto de fortificações militares defensivas do início do século XIX que permitiram suster as tropas napoleónicas impedindo a invasão de Lisboa e proporcionando as condições para o contra-ataque vitorioso.

Após o final da segunda invasão francesa, o duque de Wellington (comandante do exército anglo-português) decide defender Lisboa, para permitir uma eventual retirada marítima do exército britânico no caso de uma nova invasão. Assim, manda edificar em 1809 aquele que é considerado o mais eficiente sistema de fortificações de campo da História militar. Este sistema defensivo consistia numa dupla linha de redutos em cantaria, alvenaria ou simples terra, que reforçavam os inúmeros obstáculos naturais do terreno, formando uma barreira defensiva inexpugnável entre o Tejo e o Atlântico.

A primeira linha tinha uma extensão de 46 kms. ligando Alhandra, concelho de Vila Franca de Xira, à foz do Sizandro em Torres Vedras.

A segunda linha, mais recuada, construída a cerca de 13 kms. a sul da primeira, tinha uma extensão de 39 kms. e ligava o Forte da Casa (atente-se neste nome), em Alverca, concelho de Vila Franca de Xira a Ribamar, concelho de Mafra.

A eficiência deste incrível sistema defensivo baseou-se em cinco pressupostos essenciais:

  • Nas duas linhas de redutos munidos de peças de artilharia, que dominavam, a fogo de flanco, todas as estradas e desfiladeiros de passagem, isto é, todos os passos naturais de entrada em Lisboa, de Norte para Sul, estavam ao alcance do tiro cruzado das baterias.

  • Na construção de estradas militares que ligavam as fortificações entre si, possibilitando uma rápida deslocação das tropas no interior das Linhas, conferindo uma enorme flexibilidade ao sistema.

  • Pela introdução de um sistema de comunicações telegráficas, adaptado do existente na Marinha, que permitia transmitir rapidamente mensagens entre as duas “Linhas” e entre os extremos de cada uma delas.

  • Na construção das fortificações em segredo absoluto, um dos aspectos mais impressionantes do projecto e que permitiu que os franceses fossem apanhados de surpresa, complementado com uma política de “terra queimada” que impediu qualquer ousadia de cerco devido à míngua de mantimentos.

A construção das Linhas empregou cerca de 150.000 pessoas, recrutadas nas zonas rurais em torno das “Linhas”. Os trabalhos, sob o comando do Tenente-Coronel Fletcher (homenageado no monumento de Alhandra) foram dirigidos por oficiais e sargentos britânicos. O custo total da obra rondou as 100.000 libras, constituindo, paradoxalmente, um dos investimentos mais baratos de toda a História Militar, sobretudo se tivermos em consideração a eficácia demonstrada.

Assim, as “Linhas de Torres” estendiam-se por mais de 80 kms. e eram constituídas por 152 fortificações, guarnecidas com 600 peças de artilharia. As fortificações foram iniciadas no Outono de 1809, tendo a sua construção demorado apenas um ano. O tamanho dos redutos era variável: uns só podiam receber 50 homens e 2 peças, enquanto outros podiam conter 500 homens e 6 peças.

Os primeiros redutos foram construídos em forma de estrela, segundo a boa prática militar da época, de forma a cobrir diversos ângulos defensivos. Os abundantes moinhos de vento, de planta circular, instalados em cabeços propícios ao estabelecimento de postos militares, foram igualmente transformados em fortificações, tendo, posteriormente, alguns redutos sido construídos com a mesma planta circular. Todas as fortificações eram complementadas com trincheiras, minas, paliçadas, fossos e barricadas.

Na Primavera de 1810, Massena, o melhor dos generais de Bonaparte, inicia a terceira invasão francesa e entra com as suas tropas pela fronteira da Beira e, no Buçaco, enfrenta o exército anglo-português. Apesar de derrotado consegue flanquear e progredir para Sul.

O exército anglo-português recua então para a Estremadura, refugiando-se atrás das “Linhas de Torres”. Massena chega pouco depois e consegue ainda tomar a vila do Sobral de Monte Agraço. Para além das fortificações, o Inverno particularmente chuvoso transbordara as margens do Sizandro, transformando-o num obstáculo intransponível. Sem conseguir avançar e enfrentando a rebelião dos seus homens, a fome e as intempéries, Massena opta pela retirada, um mês depois, coberto pelo nevoeiro e deixando bonecos de palha no lugar dos soldados, enganando o inimigo e atrasando a sua reacção.

A derrota de Massena nas “Linhas de Torres Vedras” salvou Lisboa de nova invasão e, acima de tudo, marca o início da viragem da carreira vitoriosa de Napoleão Bonaparte na Europa.


O que resta das “Linhas de Torres Vedras”

No terreno existem ainda, actualmente, muitos vestígios com diferentes tamanhos e estados de conservação, do bom ao muito mau, mas com uma particularidade em comum: todos se encontram em sítios ermos e altos pelo que ao interesse cultural se junta exercício físico garantido.

Naturalmente que nem todos os redutos serão visitáveis, embora a maioria o seja. Tal deve-se ao facto de alguns terem sido impossíveis de reconhecer por terem pura e simplesmente desaparecido e outros se encontrarem em propriedade particular. No entanto a maioria conheceu a nossa visita.

Refira-se que, ao contrário daquilo que é a crença generalizada, esta zona a Norte de Lisboa é extremamente montanhosa, se bem que as altimetrias possam indiciar o contrário.

Do ponto de vista estratégico é ideal para uma postura defensiva como era o intuito das Linhas de Torres Vedras. Do ponto de vista do BTT é dificuldade garantida já que, invariavelmente, a distâncias de cerca de 60 kms. corresponderão cerca de 1750 m. de altitude positiva acumulada em média, a exigirem espírito de aventura, boa forma física e, acima de tudo, capacidade de sacrifício.

Dividimos assim em cinco etapas circulares esta nossa incursão, sempre de nascente para poente:

1. (2.ª. linha, 1.ª parte) - de Forte da Casa, em Alverca, concelho de Xira (Vila Franca de), até à Venda do Pinheiro, junto à A8, no concelho de Mafra e o respectivo regresso, abrangendo os concelhos de Xira, Loures e Mafra;

2. (2.ª linha, 2.ª parte) - de Venda do Pinheiro a Ribamar e o respectivo regresso, sempre no concelho de Mafra;

3. (1.ª linha, 1.ª parte) - de Alhandra, concelho de Xira e o Reduto do Céu, no concelho de Arruda dos Vinhos e o respectivo regresso, abrangendo os concelhos de Xira e Arruda;

4. (1.ª linha, 2.ª parte) - de Sobral de Monte Agraço a Torres Vedras, abrangendo os concelhos de Sobral, Torres Vedras e Mafra e o respectivo regresso;

5. (1.ª linha, 3.ª parte) - na zona de Torres Vedras, ligando à Foz do Sizandro, onde os vestígios são em maior número.

Assim, nas próximas edições serão publicadas cada uma destas etapas para que cada um dos leitores, se se sentir em boas condições físicas e estiver motivado para isso possa na sua bicicleta e in loco, sentir a história do maior conflito armado que decorreu em território nacional.



sábado, 30 de julho de 2005

Fátima - O Caminho do Tejo revisitado



"No fundo o que está em causa é sempre o mesmo: o apelo do Homem para
se ultrapassar a si mesmo, a sua eterna inquietação, a sua condição de
ser que procura ... É de esperar, porém, que os peregrinos de hoje só
sintam uma efectiva satisfação com a ida a Fátima ou a outro santuário
qualquer se ela envolver alguns riscos e alguns incómodos, se ela for
a incursão a um tempo e a um espaço muito diferentes da vida quotidiana."

José Mattoso, "Caminho do Tejo", p.5, Readers Digest, Lisboa, 2000

"O Caminho de Fátima, efectuado em bicicleta num único dia, é uma
longa provação. O Peregrino tem de estar preparado para sofrer,
aceitar o desafio e superar-se pelo efeito da sua própria sublimação
espiritual."

Pedro Roque

****************

Na quarta-feira passada perante as ameaças de chuva lá fui com os
Jorges Cláudio e Manso. A saída deu-se ainda de noite junto ao
Pavilhão de Portugal no Parque das Nações. Rapidamente foram vencidos
as primeiras centenas de metros até ao Trancão e Sacavém.
Os aviões comerciais em movimento de aterragem sucediam-se sobre a
zona de Sacavém anunciando aquilo que já previa: o vento ao contrário
do que é normal soprava do quadrante sul por isso a velocidade inicial
era muito boa e anunciava que, até Santarém, tudo iria ser muito rápido.

O BARRO DOS PRIMEIROS METROS
Não fossem os primeiros metros junto ao Trancão e assim seria. A chuva
da véspera tinha humedecido o barro do talude que é percorrido no
troço do rio. O resultado não podia ser pior: o barro aderiu às rodas
e, para além de a roda traseira ameaçar permanente derrapagem, vimos
as bicicletas aumentarem de peso. Mais adiante foi a vez de uma palha
irritante aderir ao barro e ainda a gravilha da zona junto à A1. A
solução expedita foi limpar tudo com as mãos, na medida do possível.
Chegamos então ao asfalto e a póvoa de Santa iria onde passamos pelo
viaduto para o outro lado da ferrovia para uma estrada de serventia
industrial onde é mais fácil circular. De referir que, a dada altura,
há um portão em rede que encerra o caminho ao trânsito, numa zona de
paul, mas onde os famosos postes do "Caminho de Fátima" continuam a
indicar a direcção e nós por aí fomos até porque a sua intenção era
mesmo impedir a passagem de viaturas motorizadas.

A COMPLICADA TRAVESSIA URBANA
A passagem da zona da Base Aérea para a área urbana de Alverca é
sempre um "must". O caminho passa, exactamente, por dentro da estação
ferroviária que àquela hora está repleta de gente, como é normal de
esperar. Ora, a passagem de três criaturas "licradas" com as máquinas
ao ombro (há que subir e descer escadas) e repletos de lama deixou
muitos boquiabertos perante a olímpica indiferença dos ciclo-peregrinos!
Seguiu-se um périplo por ruas secundárias de Alverca e tomámos a EN10
junto ao Sobralinho.
Pouco tempo rolámos até que vimos, já à saída de Alhandra, uma área de
serviço. Foi tempo de lavar com a mangueira as máquinas procurando,
sobretudo, aliviar o peso extra e limpar minimamente as transmissões.
Seguimos até Vila Franca de Xira onde, no jardim Constantino Palha se
segue a cena habitual (esta foi a quinta vez que a vi repetida): "Não
podem andar aqui de bicicleta!" perante a nossa, também olímpica
ignorância. Segue-se a Vala do Carregado, Vila Nova da Rainha e
Azambuja: o vento pelas costas fazia maravilhas em termos de média.

A LEZÍRIA À MÉDIA DE 30 KMS/H
A passagem para a Vala Real faz-se de forma clássica, ignorando o
novel viaduto, mas utilizando a passagem nas rampas para deficientes
que serve a estação ferroviária. Depois é pedalar forte, primeiro para
E mas logo após para N e sempre por asfalto já que as indicações dos
marcos apenas fazem perder tempo ao passar por zonas fortemente
alagadiças junto aos campos de milho da lezíria.
Passamos o aeródromo, chegamos ao Reguengo e à Valada onde é
obrigatória uma pausa para o reforço alimentar. Retomamos sempre a bom
ritmo e, quase a chegar às Ómnias (junto à ponte Salgueiro Maia) um
golpe de teatro: a transmissão da minha "muleto" não estava nas
melhores condições e, numa altura em que pedalei forte de pé, a
corrente falha e perco o equilíbrio.
Nada de especial em termos físicos mas uma forte joelhada no quadro
deixou a zona abaixo da rótula direita algo dorida e inchada. Foi
então que encontrámos dois outros peregrinos (pedestres) que já iam no
seu segundo dia de jornada. Na subida para Santarém constatei que não
me era fácil fazer força para além de estar completamente fora de
questão pedalar em pé já que, cada vez que o fazia, a transmissão
falhava. Ainda assim a média de Lisboa a Santarém foi absolutamente
estonteante.

A DUREZA SURGE SEMPRE APÓS SANTARÉM
Em Santarém comemos qualquer coisa mais consistente (nos termos da
"escola Pedro Rodrigues" – private joke) e seguimos para o troço mais
duro da travessia: para além dos quilómetros começarem a pesar, o
calor tinha feito a sua aparição e os desníveis começavam a fazer-se
notar.
De igual modo esta é a zona onde o TT supera a estrada. Apesar da
baixa de ritmo, as povoações iam sucedendo-se, uma atrás da outra:
Azóia de Baixo, Advagar, Santos, Arneiro da Milhariça, a famosa e
demolidora subida para o Outeiro dos Três Moinhos e nova paragem nos
Olhos d'Água a famosa ressurgência do Alviela. Aí, como chovia um
pouco, prolongámos a pausa.
Segue-se uma exigente subida até Monsanto e nova subida até se atingir
um plateau que nos irá conduzir ao Covão do Feto no sopé do maciço da
Serra d' Aire. Aí há que subir uma rampa demolidora até à estrada onde
se ignoram os marcos que nos mandam subir a portela da Costa de Minde
em azimute e sem condições cicláveis. Assim a solução é a habitual,
vencer os dois quilómetros extra por asfalto até Serra de Santo
António e virar na direcção de Minde. Do alto da Costa de Minde e até
esta povoação é uma forte descida de asfalto onde importa conseguir
travar oportunamente antes das apertadas curvas.

O CALCÁRIO FINAL
Após esta povoação é uma infindável subida até ao Covão do Coelho e
daí pelo planalto de são Mamede e ainda durante alguns quilómetros
sempre ascendendo num "piso PNSAC" i.e.: com mais calcário que terra.
Foi neste troço que me senti pior já que desde Santarém que me era
impossível pedalar de pé e, consequentemente, o "stress" na zona do
selim começava a ser difícil de suportar.
No entanto, a partir do momento em que se atinge o topo, começa uma
zona muito rápida que passa nos pinhais em Valinhos e Moita do
Martinho. Aqui "já cheira a Fátima!" e de novo a velocidade começa a
aumentar.
Pelas 17:30 o santuário está à vista 160 kms. depois do Parque das Nações.
A sensação de dever cumprido é sempre idêntica e tem outro significado
estar diante da Capelinha das Aparições e contemplar a basílica. Se
não fosse o problema no joelho esta teria sido, sem dúvida, a mais
fácil de todas as minhas peregrinações anuais.

sexta-feira, 29 de julho de 2005

De Bicicleta nos Açores


Pico's Peak Posted by Picasa

A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta
(http://www.fpcubicicleta.com) organizou a sua 18.ª volta
Cicloturistica aos Açores. Em boa hora o fez já que a Região Autónoma dos Açores tem enormes potencialidades para o turismo de natureza.
Assim, desloquei-me ao
Grupo Central com vários ciclistas membros da Federação.

Pedalámos durante 4 dias na Ilha do Pico (estrada e BTT), Faial
(estrada) e São Jorge (estrada e BTT).

Apesar da chuva intensa foi espectacular. Sou suspeito para falar pois
a minha perdição pelos Açores é imensa. As paisagens do arquipélago
são magníficas. Entendo que a natureza fez ali um excelente trabalho!

De resto já tinha estado naquelas três ilhas há cerca de dois anos
atrás embora sem a bicicleta.

Como era um passeio da FPCUB tivemos dois tipos de "clientes":

. os "puros" com máquina de asfalto, equipamento "tipo ciclista
profissional" (alguns até com barriguinha a condizer :-)

. alguns betetistas "regular type" de que destacaria duas criaturas da
Figueira da Foz que já conhecia de vista de outras andanças (Cabeto e
António "Moretti" Moreira) e ainda um madeirense que foi o único que
não se impressionou com as subidas de São Jorge...

Havia ainda umas "almas híbridas" que iam de BTT com pneus de asfalto
ou com BTT mas com "espírito de estradista".

Sem embargo devo referir que alguns dos "puros" andavam que se
fartavam e que, muito embora seja difícil competir com as "máquinas de
asfalto" no seu ambiente natural, ou seja na estrada, foi extenuante,
mantê-los debaixo de olho.

Uma palavra ainda para o "local staff" seja no Pico, seja no Faial.
Simpatia e grande capacidade atlética pelas estradas e trilhos a
contribuírem e muito para a satisfação de todos. Também para o
delegado do desporto em madalena do Pico, António Maciel pelo
inestimável apoio logístico.

Dia 1, quarta-feira, 20 de Julho
Foi o dia da chegada a logística foi imensamente facilitada no
Aeroporto da Horta pelo maior entusiasta local, o Moreira (não o da
Figueira mas o do Faial que afinal era "japonês" de São Miguel) que
nos providenciou o transporte juntamente com as caixas das bicicletas
até à lancha para Madalena do Pico (http://www.cm-madalena.com/) onde
nos instalámos (a maioria nas instalações da Escola Profissional,
outros no Pico Hotel.
Neste dia o tempo estava bom e previa que se iria manter assim. De
tal modo que o meu plano era descartar o pedal do dia seguinte em
favor de uma subida à montanha do Pico (2.350 metros, a maior altitude
de Portugal).
Para o efeito até tinha convidado um casal amigo de São Jorge que se
deslocou expressamente de véspera. O problema foi de madrugada quando
recebo, pelas 06:00, um telefonema do guia de montanha a dizer-me: "O
melhor é nem se levantar, com esta tempo, não podemos ir lá acima!".
A
chuva tinha chegado para ficar!

Dia 2, quinta-feira, 21 de Julho – ILHA DO PICO – Volta à ilha em
Estrada (120 kms.) (http://www.destinazores.com/pt/pico.php)
Pois é, começou aí a nossa provação meteorológica. Saídos da aridez
continental impressionava a quantidade de água que caía dos céus
açoreanos. Após o pequeno-almoço peguei na máquina e desci, debaixo de
dilúvio, os dois quilómetros que distavam do Pico Hotel até à escola.
Estivemos abrigados cerca

de meia hora até que abriu um pouco e partimos para circum-asfaltar a
ilha.
Fomos na direcção das Lajes do Pico (costa sul) por um asfalto
excelente e com poucos desníveis junto à famosa "Paisagem da Cultura
da Vinha", património cultural da humanidade da UNESCO
(http://whc.unesco.org/en/list/1117) seguimos por Criação Velha,
Monte, Candelária, Campo Raso, São Mateus, São Caetano, Terra do Pão,
São João, Silveira, Ribeira do Meio e Lajes do Pico. Aí reagrupámos e
comemos uma sanduíche. A vila tem um aspecto magnífico
(http://www.azores.com/azores/picp_3.html) a fazer recordar a Terra
Nova. Tudo aqui gira em torno do cachalote, das memórias da sua caça e
do museu do baleeiro que não tive, infelizmente, ocasião de visitar.
Foi altura de se iniciarem as maiores dificuldades do percurso
correspondentes à saída da vila por intermédio de uma pendente muito
inclinada e o percorrer o final da costa sul, a costa leste da ilha e
a norte depois. As primeiras mais acidentadas e verdejantes a última
um pouco mais árida mas mais adequada para os pastos. Nessa costa, com
São Jorge do outro lado do canal e até chegarmos a São Roque o pedal
resumiu-se a subir durante sete quilómetros seguidos e idêntica
distância a descer para tornar de novo a subir e descer embora em
menor quilometragem.
Sucederam-se Arrife, Ribeiras, Calheta de Nesquin, Fetais, Calhau,
Piedade, Santo Amaro, Prainha e Prainha de Cima. Chegámos então a São
Roque (http://www.cmsrp.pt/) também conhecido por Porto do Pico e foi
tempo de ir a banhos. É verdade, o Moreira da Figueira (que, por acaso
também é "Oliveira da Figueira" como o famoso personagem português que
conseguiu vender a Tintin um regador e um papagaio ;-) estava já
instalado na piscina natural, quando ia a passar chamou-me e foi tempo
de relaxar dando uns mergulhos para o azul do Atlântico agora que já
não chovia. Que diabo, por isso é que se chama "cicloturismo", não é
verdade?
Depois foi tempo de nova sanduíche e de visitar, já que estávamos com
muito tempo, o Museu da Indústria Baleeira
(http://www.drac.raa.pt/pico.html) com um repositório da actividade
industrial ligada à caça ao cachalote a que São Roque do Pico estava
associada até 1978.
A partir daí e por informação de um polícia marítimo (que por acaso
também era betetista) soubemos que havia uma Pequena Rota que, para os
25 quilómetros finais, em lugar de percorrer a estrada ia junto à
costa passando por Porto Cachorro e por baixo do aeroporto (que já
recebe voos directos de e para o Continente às quartas-feiras).
Assim optámos três de nós e, em boa hora, trata-se de uma zona
protegida, constituída por zonas de lava de incrível beleza (onde o
negro e o verde prevalecem), com pequenas adegas e portos onde se
embarcava outrora o vinho do Pico e enseadas com piscinas naturais.
Alguns quilómetros volvidos foi tempo de regressar a Madalena. A
táctica neste primeiro dia foi pedalar dentro dos limites aeróbicos.
120 Kms., de asfalto com desníveis médios fazem-se bem mas era preciso
pensar que este era apenas o primeiro dia das "hostilidades". Assim no
final um cansaço moderado a imporem jantar e, acto contínuo, o
descanso logo pelas 21:00.

Dia 3, sexta-feira, 22 de Julho – ILHA DE SÃO JORGE – Estrada (25
kms.) e BTT (30 kms.) (http://www.destinazores.com/pt/sjorge.php)
A partida era pelas 08:00 onde se tomava o catamaran "Expresso do
Triângulo" ou seja a ligação marítima entre Madalena e Velas (São
Jorge) via São Roque.
Esta é, para mim, porventura, depois de São
Miguel, a mais bonita das ilhas e é a que melhor conheço.
O passeio de estrada foi curto

embora fisicamente muito exigente, tratou-se de subir desde a altitude
0 das Velas aos 437 metros do Parque das Sete Fontes perto do extremo
ocidental da ilha.
Ida e volta quedou-se em cerca de 25 quilómetros. Deu para comprovar
que o descanso tinha sido eficaz pois estava a sentir-me muito bem a
subir. De tal modo que, após o almoço, peguei num "punhado de bravos"
e desafiei-os a subir até aos "céus" desta vez em BTT. Tratou-se de
subir, com mais quatro elementos, a chamada "serra" (que culmina nos
1053 metros do Pico da Esperança) embora apenas até aos 900 do Pico
das Caldeirinhas onde depois descemos vertiginosamente (episódio impróprio para
cardíacos) até à Urzelina (uma pitoresca aldeia no litoral) a pedir
uns demorados banhos de mar. Aí aconteceu um pequeno acidente motivado
pelo facto de o travão traseiro se encontrar com as maxilas
desgastadas. Por esse facto estava a compensar mais com o travão
dianteiro muito embora sem problemas de maior. O problema foi quando,
numa bifurcação do caminho largo (o terreno é o chamado "bagaço de
lava" espécie de escória basáltica muito escorregadia) e estando
prestes a parar a roda da frente bloqueou e resvalou para a esquerda
projectando-me para o solo.
Resultado: ferida por abrasão do cotovelo direito. Tempo de recorrer
ao meu "kit de sobrevivência" primeiro a lavagem da ferida com água,
desinfecção com toalhete embebido em álcool (os da TAP são os
preferidos) e Betadine em pomada perante a estupefacção dos demais.
São muitos anos de BTT, meus caros! Continuámos a descer até à
Urzelina
(http://web.galaia.pt/SJorge/povoacoes/freguesias/urzelina/urzelina.php).
Após os banhos regressámos a Velas. Este percurso teve cerca de 30
quilómetros mas um acumulado incrível. Impressionantes aqueles desníveis…

Dia 4, Sábado, 23 de Julho – ILHA DO FAIAL – Volta à Ilha em Estrada –
70 kms. (http://www.destinazores.com/pt/faial.php)
Sábado foi a vez de rumarmos ao Faial. A lancha saia pelas 08:15.
Embora não chovesse adivinhava-se que, a qualquer altura, poderia
precipitar. Mal desembarcamos na Horta a chuva irrompe forte e
persistente. A saída ficou assim adiada. Como tinha dormido mal e o
esforço de véspera tinha sido violento aproveitei para me instalar
numa esplanada coberta junto ao ponto de partida a beber um café. Tive
aquela sensação óptima de estar abrigado a ver e a ouvir chover.
Durante quase uma hora choveu de forma impiedosa. Depois, uma pequena
aberta, levou o grupo a percorrer as ruas da Horta para avançarmos
logo para a montanha que não sendo tão violenta como em São Jorge é,
todavia, de respeito.
Assim e pelo asfalto começámos a volta à ilha no sentido anti-horário:
subida ao alto da Espalamaca onde, supostamente, deveríamos de ter uma
vista esplendorosa sobre a cidade se não fosse o nevoeiro que nada
deixava vislumbrar. Seguiu-se a descida até ao desvio para a praia do
Almoxarife e nova subida para Pedro Miguel.
Aí deu para constatar que não estava nas melhores condições. O pouco
descanso e as "altitudes" do dia anterior não me permitiam grandes
ousadias ascensionais pelo que optei por um ritmo mais descontraído. A
chuva recomeçara e foi tempo de colocar o impermeável que, tal como no
Pico, dois dias antes, impedia a chuva de entrar mas o suor de sair. A
única vantagem era mesmo impedir o arrefecimento.
Junto à Ribeirinha, numa estação de serviço, fizemos um pequeno
reagrupamento que permitiu retirar o impermeável e recuperar forças.
Sentia-me, agora, bem melhor. No recomeço as pernas já reagiam melhor
nas subidas e permitiam-me não me atrasar. Assim percorremos toda a
costa NE: Espalhafatos, Salão, Cedros. Passamos o norte da ilha em
Cascalho e entramos na costa NW, o percurso alterna as subidas com as
descidas e o bom com o mau piso: Ribeira Funda, Praia do Norte, onde
viramos à direita em direcção ao vulcão dos Capelinhos. A estrada
desce durante muito tempo a deixar antever que iria ser violento
retomar a altitude perdida.
Após o Norte Pequeno a ponta dos Capelinhos e os vestígios do seu
vulcão que entrou em erupção em 1957
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Vulc%C3%A3o_dos_Capelinhos) apenas é
visível à distância uma vez que não temos tempo de descer até à costa.
É então tempo de subir, por entre o nevoeiro, até Capelo, Arieiro e
Ribeira do Cabo em plena costa W.
A partir daqui foi sempre a descer até à costa sul, muitos quilómetros
até Castelo Branco (onde se situa o aeroporto), Ribeira Grande,
Pedregulho e Feiteira. Aí, quem pensasse que o almoço já esperava,
desiludiu-se. É que, até chegar perto de Flamengos foi preciso penar
cerca de dez quilómetros pelo interior sul da ilha, em estradas más,
invariavelmente subindo. A rampa final foi digna de um filme de terror
dando razão a quem afirma que "não há almoços grátis". Após a refeição
foi altura de rumar à Horta e regressar ao Pico. Tempo para parar no
ex-libris da cidade que é o "Café-Sport" (conhecido por cá como
"Peter's") e tomar um incontornável gin-tonic.

Dia 5, Domingo, 24 de Julho – ILHA DO PICO – BTT – 32 kms.
Desta vez foi o terreno exclusivo do "pneu gordo". Houve muito tempo
para descansar uma vez que o passeio só estava previsto para as 11:00,
isto é, após a chegada da lancha do Faial de onde viriam alguns
companheiros que connosco haviam efectuado a etapa do dia anterior.
Este tornou-se num dos passeios de BTT mais originais em que
participei devido a uma circunstância muito peculiar: durante os seus
32 quilómetros tivemos, sempre, um batedor da PSP à frente, numa
vetusta motorizada Casal! É verdade, assim mesmo. Não se pense que não
saímos da estrada, bem pelo contrário, havia troços de BTT autêntico
com subidas e descidas violentas e, sobretudo nestas era ver o
simpático agente a empenhar-se para não cair…
Pena foi a chuva e o nevoeiro que não nos permitiram desfrutar
integralmente a beleza daquela paisagem. Pedalámos por locais de
autêntica selva, incríveis sítios por entre a vegetação. A ilha do
Pico é uma caixinha de surpresas. Há "matéria" para ser explorada
durante uma semana inteira seja em estrada litoral, estradas florestal
(uma delas corta a ilha longitudinalmente), seja nas inúmeras picadas
em "bagaço de lava" (não há terra, tal como a conhecemos, nesta ilha).
O ex-libris desta ilha, ou seja a "montanha do Pico" esteve sempre
encoberto retirando um contentamento visual extra que este passeio BTT
poderia ter tido.
Não se pense todavia que ficou diminuído o interesse, bem pelo
contrário. Os troços sucediam-se cada um mais espectacular que o
anterior num cenário de grande beleza diferente de tudo quanto por cá
existe.
A saída deu-se por asfalto a partir da Madalena do Pico. Basicamente
rumamos por asfalto em direcção a NE para sairmos da estrada para S e
nos internarmos no interior da ilha tendo o vulcão a E, embora não
visível com já referi.
Chegámos então à Candelária, na Costa Sul e rumando na NW até Madalena
e onde começou outro motivo de interesse passada a chuva e o nevoeiro
que é a "Paisagem da Cultura da Vinhas" desta vez observada ao
pormenor são inúmeros muros de lava, formando quadriláteros com vinha
verdejante no seu interior assim devidamente protegida do vento
marítimo. Incrível a visão e apenas "in loco" se entende o motivo da
sua classificação patrimonial.
Refira-se ainda, há noite, a refeição oferecida no âmbito do
encerramento das actividades desportivas das festas de Madalena do Pico.

Dia 6, segunda-feira, 24 de Julho – Regresso

Foi tempo de tomar a lancha para a Horta, rumar ao aeroporto do Faial
e regressar a Lisboa.

Para trás ficaram quatro dias de actividade desportiva intensa e quase
300 quilómetros em cima da bicicleta.