terça-feira, 28 de março de 2006

Segundo Reconhecimento Raide FPCUB

On this final part of the first stage we spin trough many "beef with legs" like those on the photo and, because of the fences put in place to protect them, we wont be able to go cross the beautifuls landscapes of the Mira bank as we plan. Instead we have to commute on the road to cross the "Ribeira do Torgal" since Troviscais until Odemira. Nevertheless this is a lovely final to a long and hard first stage that starts in Tróia many kilometres in the north facing Setúbal in the left Sado bank.

Domingo, 26 de Março, foi dia de novo reconhecimento para o Raide Setúbal – Albufeira da FPCUB.

Recordemos que, no primeiro ensaio, ficámos pelo Paiol, a sul de Santiago do Cacém após mais de 100 extenuantes kms.

O início do segundo reconhecimento foi, como seria inevitável, no Paiol. Até aí tudo bem, o problema é que a logística é uma arte extenuante e naturalmente, no final, eu e o Rui Sousa deveríamos ter uma viatura para regressar. Assim sendo esta foi deixada em Odemira e a solução foi fazer um aquecimento prolongado, ou seja, 50 kms. pela EN 120, para norte!

A forma física, não sendo a melhor mas apenas razoável, ainda assim permitiu uma média de 25 kms. por hora (nada mau se tivermos em consideração que era estrada de montanha em boa parte do traçado). No Paiol, meia centena de kms. adiante, recomeçou então a aventura. O Jorge Manso aconselhou-nos um track que abordava a barragem de Morgavel por poente, ao longo do paredão. Foi óptimo já que a zona nascente era um emaranhado de braços da albufeira encravados em cabeços especializados a romper pernas. Assim sendo não é de admirar que se tenha alcançado a Sonega num abrir e fechar de olhos. Impressionante!

A seguir a esta povoação era o desafio da Serra do Cercal. Até porque com o track - guia que dispúnhamos embrenhávamo-nos no miolo desta. Felizmente “Ele escreve direito por linhas tortas” e alguém se lembrou de vedar a passagem. Assim sendo e munidos dos mapas foi com “muita tristeza”  que tivemos que improvisar uma alternativa com menos quilómetros e altitude acumulada. Foi deste modo que rumamos primeiro a poente e depois para sul para reencontrar o “track” guia bem mais adiante.

Mas a impressionante serrania que dista entre Cercal e Odemira não estava ainda vencida. Na zona já perto do Mira, novo desafio. O cabeço da Serra do Penedo (onde se “parapenta”) ameaçava uma subida penosa em azimute directo seguida de diversos “rompe-pernas”. A opção foi descer à EN 532 (Milfontes – São Luís) e subi-la por cerca de 3 kms. Quem efectuar este raide e começar a praguejar nestes quilómetros com o asfalto bastará que olhe para a sua esquerda e veja bem o quão impressionante é a “borbulha geológica” que acabou de evitar para mais quando já leva mais de uma centena de quilómetros nas pernas e já deseja o final!

Retomado o track guia abandona-se a estrada em direcção a Vale Bejinha por um estradão magnífico que cruza um eucaliptal e pouco depois os Troviscais.

Aí, com 100 kms. pedalados, já com um sorriso nos lábios, preparávamo-nos para descer para o Mira, cruzar a Ribeira do Torgal junto à foz e rolar tranquilamente até Odemira quando se dá o grande golpe de teatro: a meio da vertiginosa descida o caminho barrado e dois “Serra da Estrela” zelosos a proteger o seu território. Não restou outro remédio senão o improvisar uma alternativa de descida até ao Mira. Voltámos atrás cerca de uma centena de metros (sempre a subir, bem entendido) e rolámos por poente pelo meio dum eucaliptal descendente e chegamos ao meio de um lamaçal na margem do Mira que percorreremos penosamente durante mais de um quilómetro até reencontrarmos o track e a passagem da ribeira no pontão.

Do outro lado nova vedação. Tornava-se claro que será impossível que o raide passe naquele local restando como única alternativa a ligação Troviscais – Odemira por estrada sempre descendente (sendo que a única subida será após a passagem da Ribeira do Torgal a montante do local anteriormente assinalado) com a vantagem de se entrar mais rapidamente na zona do Pavilhão (que fica num alto) onde deverá ser a pernoita.

No final quase 130 kms.!

O terceiro reconhecimento, no próximo fim de semana, deverá ser o final.

quinta-feira, 23 de março de 2006

"SINGLE SPEED" O Regresso às Origens

Single Speed Bikes it's no more then a rebellion of many cyclists against the complexity, fragility and overweight of MTB's transmitssions

A moda está aí: depois de se criarem sistemas desmultiplicadores para, nas ascensões, facilitar a vida ao ciclista de montanha, ressurge cada vez com mais ímpeto a moda da "single speed" ou a transmissão no seu estado mais simples.

É uma única pedaleira e carreto num compromisso desmultiplicador entre força e velocidade mas que tem de contar, quer com um estilo de pedaleio, quer com uma forma física adequados por forma a se abordarem os mesmos terrenos que uma BTT "normal" isto é, com a possibilidade de conjugar relações de velocidade que podem conhecer uma amplitude entre os 44X11 para rolar a grande velocidade aos 22X34 que permitem subir "paredes" com forte grau de inclinação. Não é nada fácil, portanto, o compromisso numa única relação de transmissão.

Moda, direito à diferença, simplicidade, exclusivismo, direito à diferença ou simplesmente regresso às origens, o que é certo é que há um número crescente de ciclistas que tem uma destas bicicletas alternativas (normalmente como segunda máquina) e que faz, com ela, coisas aparentemente inverosímeis.

Pessoalmente sou testemunha de feitos "incríveis" como a etapa 27 da Estafeta V@ na qual o António Malvar levou uma bicicleta deste tipo até ao alto de Santo António das Neves, na Lousã (e nem sequer foi o último a chegar), as suas participações na Maratona de Portalegre com classificações finais interessantes ou a recém participação do Nuno Neves na primeira edição da "Maratona do Centro" com umas surpreendentes (ou talvez não) 6 horas e 12 minutos para os tremendos, acidentados e enlameados 80 Kms. do percurso.

Para além deles há que destacar, entre outros, o Pedro Carvalho (antigo director da Bike Magazine) e o inimitável João Pedro Pina como incondicionais destas bicicletas.

Qualquer um , todavia, pode montar uma bicicleta deste tipo. Não necessita de adquirir, de origem, nenhum modelo. Basta apenas vontade e engenho para adaptar um quadro antigo.

Para tanto e com a devida vénia, fica aqui um link "manual virtual" para o blogue do Vítor Santos - ABRASAR ou a página dos PATUS BRAVUS onde se ensina detalhadamente quais os passos necessários para o efeito.

terça-feira, 21 de março de 2006

A MOBILIDADE NA CHINA

Car parking occupies footpaths and green space in residential areas

Veja-se este excelente estudo acerca da mobilidade na China actual: THREAT TO GLOBAL SURVIVAL? A Case Study of Land Use and Transportation Patterns in Chinese Cities

O desafio lançado é o seguinte: quais as consequências para a China e para o Mundo quando aquele país alcançar os níveis de motorização do USA ou da Europa?

De facto, um imenso país que era tradicionalmente velocipédico (por força da sua anterior debilidade económica) ao converter-se numa potência económica está a motorizar-se de forma acentuada e galopante. Em algumas cidades do litoral as infra-estruturas viárias estão a rebentar pelas costuras, o automóvel invade o espaço pedonal e velocipedico e os próprios transportes colectivos não conseguem manter velocidades de exploração aceitáveis.

segunda-feira, 20 de março de 2006

RESCALDO DA PARTICIPAÇÃO NA MARATONA DO CENTRO - LEIRIA

In the Kingdom of Mud
A PRIMEIRA PERPLEXIDADE
Quis o destino que, apesar de estar em Leiria no domingo de manhã, quando acordei o sol raiasse lá fora e o tempo, apesar da previsão, ser irresistível para a prática da modalidade. Foi a primeira perplexidade do dia.

SE O ARREPENDIMENTO MATASSE
Daí que o "Plano B" (manutenção na horizontal em leito) não tivesse sido accionado. Bastava que se tivesse verificado um quadro meteorológico distinto e o arrependimento não surgiria. Mas enfim, é a vida... Só me lembrava, durante o percurso e no meio do “mud wrestling, que os desistentes é que tiveram juízo e que, adivinhando o que se iria passar, se baldaram ao evento poupando a máquina e economizando muitos euros.

DE PASTELEIRA NA LAMA
Quando me dirijo para o Pavilhão de Marrazes (ainda não entendi porque é que os locais dizem "os") cruzo-me com o combóio de Torres Novas com o qual bebo um café numa pastelaria da moda. Com eles está o inenarrável Nuno Neves e lá vem a segunda perplexidade do dia: então a dita criatura não se ia fazer ao trilho de “velocidade simples” (mais conhecida por pasteleira ou single speed)? Só visto! Devo confessar que mais tarde, ao tomar contacto com a lama entendi as vantagens de tal escolha (para a bicicleta, não para o ciclista bem entendido).

ORGANIZAÇÃO EM BOM NÍVEL
Junto ao pavilhão estava montada a estrutura organizativa e pelo aparato deu logo para me aperceber que estava tudo bem montado. O decorrer da prova deu para comprovar tal facto: apenas não lhe atribuiria a nota máxima por um ou outro detalhe mas que, ainda assim, não deslustram a qualidade global.

MARATONA FORMAL OU INFORMAL?
Já há algum tempo não ia a Maratonas “formais” embora todas as minhas incursões recentes tivessem uma quilometragem semelhante. Sem embargo, nas incursões informais, o ritmo é sempre mais tranquilo e as paragens abundam. Ainda assim e tendo em consideração as peculiaridades deste tipo de eventos recordei, a mim mesmo, que o objectivo fundamental numa prova deste tipo, é terminá-la. Este axioma constitui, em si mesmo, uma verdade incontornável. Tudo o resto é secundário: tempo, lugar e comparação com os demais ciclistas. Se esta é uma verdade incontornável ainda mais o foi, por maioria de razão, pelas circunstâncias dramáticas em que esta prova decorreu. Ora, assim sendo, resolvi partir do último lugar por causa das tentações e em boa hora o fiz.

A CAMINHO DA PEDRA (LAMA)
A volta inicial pelo lugar de (dos) Marrazes foi absolutamente inútil e não entendi bem a necessidade da mesma pelo que a prova só começou, verdadeiramente, no magnífico Pinhal de Marrazes onde o extenso pelotão começou a esticar. Os primeiros quilómetros foram para nos afastarmos da zona urbana de Leiria: Marinheiros, Andrinos, Pousos... Pouco depois começa o dilúvio. Paro na berma para vestir o impermeável e, pouco depois, sou abalroado por um ciclista distraído. Está bem que estava na berma mas faltavam-me os 4 piscas, o triângulo e o colete reflector... Não há pachorra. Valeu o polimento e o pedido de desculpas.

EM PLENA LAMA
A lendária Curvachia foi a um tempo dramática e patética. Primeiro a travessia do ribeiro: engarrafamento generalizado na tentativa de não molhar os pés já que a água tinha quase meio metro, alguns mais afoitos tentavam ultrapassar a dificuldade montados, uns tinham sorte, outros simplesmente não. Depois foi a pasta de lama (terceira perplexidade) as subidas a patinar as descidas com a roda traseira a varrer a largura do trilho. A cremalheira 34 entregou a alma ao criador (quarta perplexidade) aqui e passei a rolar apenas na 24 e 44, bestial...

“SÓ FALTAM 10 KMS.” PARTE 2
O Rui Tavares Oliveira, que encontrei logo após na ZA1 disse-me que, em Leiria, só lá vão de Verão. Ainda pensei que, terminado aquele bosque, e com a pedra a coisa se compusesse. Esperança vã. Lembrei-me então do famoso e bastamente glosado “Manual de Acção Psicológica para Ciclistas” de Pedro Brites. A sua segunda edição foi lançada neste mês de Março em Leiria. Recordo, a propósito a frase que aqui proferiu há dias: “Quanto à lama, também não me parece que vá ser um problema porque a maior parte do percurso será em zona de serra onde o calcário é rei.”. Rei da lama, acrescentaria eu...

FREQUENTE AS ÁREAS DE SERVIÇO!
Ao contrário de muitos, aproveitei as ZA’s para parar, sem grandes preocupações de tempo. Eu sei que é nestas zonas que se ganha ou perde tempo mas a minha filosofia era diferente, mormente nesta maratona já que o grande desafio, devido às circunstâncias era mesmo não desistir.

PENDENTES APEADAS OU NÃO?
Na subida da Maunça a chuva faz de novo a sua aparição: forte e diluviana. Se a vontade de subir montado não era muita (devido a nova acção psicológica britiana: “Tragam os pitons porque vai haver subidas para fazer à mão. Talvez aqui se tenha exagerado um pouco e as abordagens aos cumes poderiam ser feitas de modo mais longo e suave.”) com a chuva a fustigar então foi-se rapidamente embora. Sobre este assunto entendo o seguinte: a organização não quis ficar mal vista e então exagerou nas pendentes.

A MAIS DURA MARATONA DO MUNDO
Claramente não quiseram correr o risco dos participantes chegarem aos “forae” especializados e dizer que “fizeram aquilo com uma perna às costas”, a lama e a chuva vieram ainda penalizar mais o trabalho de todos. Quer-me parecer, todavia que, em circunstâncias “normais” (sem chuva e sem ser em prova longa) mesmo a ascensão ao Maunça era ciclável embora o empenho requerido não era, para mim, compatível com a diferença de velocidade entre subir apeado ou montado, optei por desmontar, cansava menos, progredia-se o mesmo!

NOVAS PERPLEXIDADES ATÉ FINAL
A partir daí foi uma sucessão de sobe e desce de elevada pendente com a chuva a fustigar e a desaparecer até à ZA2. Aí parei durante um período razoável. Havia que olear a corrente, meter água, repor as energias; esticar os lombares. Daí até final sucederam-se os quilómetros e os golpes de teatro: primeiro os óculos esquecidos na paragem(quinta perplexidade). Só dei por isso quando a lama começou a saltar para os olhos, depois de tão enlameado o cabo, o manípulo e o desviador frontal entenderam-se para me impedirem de usar a cremalheira 44 (sexta perplexidade). Foi notável a forma como as zonas rápidas eram percorridas em 24X11!

A DESILUSÃO ZÉ TEIXEIRA
Já a chegar ao final olho para trás e avisto o José Teixeira. Grande desilusão ó Zé, deixa-me que te diga! Então eu que te tinha procurado no início e não te encontrei e fiquei a pensar que eras um tipo com juízo e te tinhas baldado, afinal encontro-te também todo enlameado? Desceste na minha consideração, é só o que te posso dizer!

A SATISFAÇÃO DO DEVER CUMPRIDO
No final com 6 horas e 55 minutos a dupla satisfação: não fui o último e terminei a duríssima provação que foram estes 80 Kms. em Leiria. Ficou a satisfação do dever cumprido e de apesar das circunstâncias a vontade de terminar ser superior à imensa tentação de desistir.

GARMIN ETREX LEGEND C Vs. GARMIN EDGE 205 / 305



Em minha modesta opinião deveremos levar em conta o destino que
queremos dar ao aparelho.

Se somos daqueles atletas "obcecados" com o treino e o mesmo adquire
um rigor científico então o Edge é a opção adequada pois junta as
vantagens de um pulsometro avançado com as de um ciclocomputador
(também avançado) mas de um GPS básico, i. e. sem mapping.

Se, ao invés, somos daqueles que, muito embora sem descurar a forma
física, privilegiamos a evasão e a navegação é o aspecto primordial de
um aparelho destes então a escolha, óbvia, é o Legend: é a cores e tem
mapas que são de extrema utilidade para complementar o track ou o
registo do track.

Quem, de entre vós, nunca recorreu ao mapa do aparelho, para atalhar
ou em situação de emergência que atire a primeira pedra!

Para além disso a única vantagem do Edge é juntar num único aparelho
aquilo que, normalmente temos separados por 3 (pulsómetro, ciclómetro
e GPS).

Pedro Roque

quarta-feira, 15 de março de 2006

sábado, 11 de março de 2006

PASSEIO DE INVERNO VELOCIPEDI@ - A Estrela em Todo o Seu Esplendor!


Bicycle Tour in the Linhares's Castle

Parece que o meu aviso de que a "coisa" ia ser mesmo muito dura excedeu as expectativas e apenas alinharam 8 à partida (e à chegada)...

É certo que muitos dos ausentes tinham mais que capacidade de percorrer aquelas paisagens fabulosas das Estrela. No entanto a dureza revelou-se toda no seu esplendor e o passeio poderia ser muito complicado para quem estivesse em menor estado de forma física.

De resto o Homem da Marreta, que mora desde há muito por aquelas bandas, disse presente a alguns dos participantes. E, repare-se, nem sequer subimos a Santinha!

Ora aqui vai um relato à maneira antiga:

UM BETETISTA DE OUTRO CAMPEONATO
Ao pequeno almoço, no Inatel de Manteigas, já lá estava o Luís Guégués, não o que conhecíamos mas o "irmão mais elegante". É que a outra versão foi há 28 kg. atrás :-). Disse logo para o Mário Silva que nos tínhamos enganado na "corrida"...

UM PAR DE QUEDAS GRÁTIS
Qual é coisa qual é ela que desce que nem um torpedo mas que parado cai? É o nosso amigo Castelhano. Segundo parece terá trocado de cleats e, no sábado, usou logo duas das quedas estáticas a que tem direito. Uma delas foi mesmo no centro de Folgosinho perante os olhares curiosos dos locais ali bem junto à curiosa fonte que ostenta o sábio dizer: "Mulher e Água só boa se quer!"

MÁQUINAS PARA TODOS OS GOSTOS
À partida o hardware estava equilibrado: 4 "rabo duro" e 4 "rabo mole"a prometerem diferentes tipos de emoção. As piadas soavam de ambos os lados consoante se subia ou descia embora a excepção confirmasse a regra, ou seja, o Vasco com uma máquina "normal" (daquelas sem mola atrás) ainda subiria melhor :-)

A PORTELA É UMA PASSAGEM...
...Para a outra encosta... Foi assim na do Folgosinho, poucos quilómetros após a partida do Covão da Ponte, mas algumas centenas de metros acima. Deu para ver o mau tempo a vir de norte, das bandas de Gouveia e, quase como por milagre, estiar quando avançámos pelos Galhardos em direcção a Linhares onde chegámos já com um tempo magnífico.

CURSOS INTENSIVOS DE REPARAÇÕES "IN SITU"
Necessitam-se com urgência: um betetísta de Castelo Branco que coloca uma câmara de ar sem verificar se há espinho cravado e obriga todos aparar mais um quarto de hora para uma segunda reparação (o que ele não queria mesmo era que sobrasse tempo para subir a Santinha :-) e ainda um barbudo do "Norte"que não transporta desencravador de corrente constituiram a "vergonha da classe" nesta estupenda incursão de Inverno.

ESSE TAL DE "ORLANDO" EXISTE MESMO?
Foi esta a "questão mortal" levantada por um dos participantes uma vez que, o dito personagem, é sempre o primeiro a inscrever-se em tudo mas nunca comparece. Confesso que, eu próprio, se não o conhecesse ficaria com dúvidas :-). Já não há respeito pelo "guru di tutti guru"!

"AINDA ESTOU A TREMER!"
Foi assim que um dos participantes (cujo nome vou omitir mas que começa por M, termina por O e tem "ari" no meio) definiu o seu estado de alma após uma breve mas escabrosa e absolutamente obscena descida no acesso a Linhares.

ALDEIA HISTÓRICA
A entrada em Linhares de "cima para baixo" revela-nos um pormenor pitoresco: há uma casa, ao melhor estilo da "escola desconstrutivista"e contrastante com o casario de granito, logo à entrada da aldeia a fazer-nos pensar se não nos teríamos enganado na povoação, só visto...

"VÊ LÁ SE HÁ PASSAGEM?"
O Agnelo, arranjou um segundo estratagema para não subir à Santinha: algures entre Linhares e Folgosinho fez-nos avançar por um "dead end"que nos fez perder mais de meia hora. Como se não bastasse estar toda a gente, algures na Estrela, "à nora" e com a bicicleta ao ombro ainda ia dizendo aos batedores Guégués, Castelhano e Nunes para "verem aí ao pé dessa casa" se havia algum caminho. A solução foi mesmo voltar para trás (leia-se "voltar a subir") e tomar outra direcção.

TREINO ESCONDIDO
Quem surpreendeu pela positiva foi o Nuno Nunes que, no seu estiloreservado lá vai pedalando e, quando damos por ele, lá está adiante. Pelos vistos há ali muito treino escondido!

DUATLO E TRIATLO
Se todos fizeram duatlo (ciclismo e corrida com a bicicleta) apenas um, o Luís Guégués, fez triatlo. De facto era vê-lo a chegar "lá acima" destacado, e a "fazer piscinas" descendo de novo para agarrar o último e voltar a subir... Deveria de ter pago mais de inscrição que os restantes, afinal de contas pedalou mais quilómetros ;-). "Quem te viu e quem te vê!"

ENTÃO E A SANTINHA?
Pois é, apesar da mossa e da hora tardia na Portela do Folgosinho já no regresso, houve um punhado de bravos que ainda quis "lá ir acima".Eu cá não me queixo pela nega alheia. Afinal de contas já lá passei, em tempos, pelo Malhão e pela Santinha. Os outros, esses terão de lá voltar, com ou sem Homem da Marreta!

terça-feira, 7 de março de 2006

Primeiro Reconhecimento do Raid da FPCUB Sesimbra - Algarve


Santiago's Castle

Em conjunto com o Rui Sousa efectuei parte do reconhecimento do
Raid da FPCUB (Sesimbra – Albufeira) que irá realizar-se entre 28 e 30
de Abril.

Tentámos de efectuar a ligação Tróia – Odemira correspondente à
segunda etapa. A tarefa acabou por se revelar muito impossível e
inesperadamente (ou talvez não) dura.

Esta etapa teve várias sub-etapas que poderemos distinguir da seguinte
forma:

1. Tróia – Comporta
Sendo completa a impossibilidade de se circular fora da estrada em
virtude de todos os caminhos serem dunares este troço de 17 Kms. foi
por nós descartado já que será efectuado juntamente com o "pelotão"
dos cicloturistas e enquadrado pelos batedores da BT.

2. Comporta – Carvalhal
Esta parte com cerca de 10 Kms. é ambientalmente interessante sendo
plana e efectuada junto à vala real com uma velocidade de circulação
relativamente elevada.

3. Carvalhal – Oleoduto
Este foi o troço da desilusão – após termos encontrado uma ligação
"perfeita" entre a localidade e o oleoduto, depois de nele termos
circulado durante quilometro e meio pelo pinhal num piso de terra
imaculado (ao estilo auto-estrada TT) após o entroncamento com a EN
261-1 (Tróia – Grândola) veio a desilusão. A auto-estrada virou duna e
foi impossível continuar por aí. O projecto de circular por estradão
até Melides esboroara-se. Havia que arranjar alternativa. Começava a
desenhar-se a impossibilidade de alcançar Odemira em tempo útil.

4. Oleoduto/EN261-1 – Melides
Felizmente que levamos as cartas impressas. Tentamos seguir pelo
pinhal, em zonas baixas, junto a ribeiras. Conseguimos sempre
progredir e, sendo certo que raras vezes desmontámos, também é certo
que tínhamos consciência que esta era uma situação conjuntural
favorecida e muito por uma consistência dos solos motivada pelas
chuvas abundantes. Deste modo lá fomos a baixo ritmo e com muito
esforço por Brejinho da Água, Chaparral, Sobreiras Altas e Vale dos
Cardos até entroncarmos, muita areia após, com a EN 261-1 (Grândola –
Melides). Cruzámos a via e a morfologia do terreno altera-se radicalmente.

5. Melides – Santiago do Cacém
Nada melhor que, após umas dezenas penosas de quilómetros sobre areal,
recorrendo à cremalheira 22 amiúde, do que o "rompe-pernas" da bonita
Serra de Grândola. De facto, mal cruzámos a estrada, começa a "faina".
Os famosos barrancos desta serra sucediam-se um após outro. Destaque
para o Barranco do Livramento e o do Moinho. Em ambos a mesma fórmula:
descida abrupta e rápida com curvas divertidíssimas (algumas com uma
espécie de "relevê") mas onde se perdem, num ápice, cerca de 100
metros em altitude, se cruza uma linda ribeira, e se voltam,
penosamente, a reganhar a altitude. Ambientalmente é um "must" e, quem
conhece a Serra, sabe bem do que falo: zonas lindíssimas, muito
húmidas e forradas de sobreiros. A beleza não impede, todavia, que
seja muito duro fisicamente.

6. Santiago – Paiol
Mais do mesmo, um barranco pelo meio e um rompe-pernas constante.

O areal imprevisto atrasou-nos e comprometeu o objectivo de chegar a
Odemira, ficámos pelo Paiol (cerca de 10 Kms. a sul de Santiago). No
final os números foram os seguintes: 95 Kms. e 1600 metros de
acumulado. Aparentemente não é muito violento, mas o motivo é simples:
é que não há forma de mensurar o esforço que é pedalar mais de 25 Kms.
em cima de areia uma parte dos quais apeados (felizmente não muitos em
virtude das últimas chuvas).

No final ficou uma perplexidade. É que do Paiol a Odemira, por
estrada, são ainda cerca de 45 Kms. e, se a isto juntarmos os 17 de
Tróia a Grândola teremos uma quilometragem e dureza impraticáveis para
o que se pretende (falta ainda cruzar a Serra do Cercal, convém não
esquecer).

Assim, tendo em consideração a questão incontornável da areia, a
solução passará por alargar a neutralização (circulando por estrada)
até Melides aproveitando a "boleia" dos cicloturistas e dos batedores
da BT.

Não há volta a dar ao assunto, só assim será possível cumprir o
objectivo proposto. De resto é a partir de Melides que as paisagens
merecem mesmo a pena para BTT. Assim, apesar da quilometragem ser
elevada, será possível levá-la de vencida e encarar com optimismo a
dificuldade de Odemira a Albufeira e a transposição da serra algarvia.

Pedro Roque

quarta-feira, 1 de março de 2006

Sobre a Neve da Estrela

The Snow in the "Serra da Estrela ". A Carnival to Remember

Fantástico o ambiente numa caminhada na "Rota dos Galhardos" (PR1 em Folgosinho, Gouveia). A neve dá toda uma ambiência diferente e magnífica.

De facto, depois de ter efectuado este passeio pedestre em pleno Verão com um calor demolidor (e após um almoço no Albertino) desta vez parecia que estava num local completamente diferente.

A neve começava perto dos 900 metros e na zona dos Galhardos / Portela do Folgosinho cobria tudo. Sem embargo não estava muito frio e deu para aproveitar bem o passeio

É a Serra da Estrela, pois então!

IBSN - Mais um Passo na Emancipação da Blogosfera


O IBSN (Internet Blog Serial Number) nasce em Espanha no dia 2 de Fevereiro de 2006 como resposta à tentativa de outorgar um número ISSN (International Standard Serial Number) a um blog.

Assim tamém este blog já tem o seu IBSN que é formado por 10 dígitos com três traços separadores pelo meio.

Podem requisitar o vosso no Formulário IBSN

Mais informações: Internet Blog Serial Number

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Sobre a Neve da Estrela

The Snow in the "Serra da Estrela ". A Carnival to Remember

Fantástico o ambiente numa caminhada na "Rota dos Galhardos" (PR1 em Folgosinho, Gouveia). A neve dá toda uma ambiência diferente e magnífica.

De facto, depois de ter efectuado este passeio pedestre em pleno Verão com um calor demolidor (e após um almoço no Albertino) desta vez parecia que estava num local completamente diferente.

A neve começava perto dos 900 metros e na zona dos Galhardos / Portela do Folgosinho cobria tudo. Sem embargo não estava muito frio e deu para aproveitar bem o passeio

É a Serra da Estrela, pois então!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

LINHA 1 TROÇO III (Torres Vedras) - Afinação de Percurso Final

"Never was so much owed by so many to so few" (Sir Winston Churchill)

No Domingo passado, com o Jorge Cláudio, procedemos à afinação do percurso final do troço III da 1ª Linha de Torres Vedras.

É a parte final entre a simpática cidade que dá o nome às Linhas e o Atlântico na foz do rio Sizandro.

Este é um percurso algo diferente do que estamos habituados nos restantes troços. Se estes eram essencialmente montanhosos este atravessa, em boa parte da sua extensão, terrenos de paul, baixos e alagadiços no vale do Sizandro.

O começo dá-se junto ao tribunal de Torres Vedras para, de seguida se rumar ao Castelo onde estava instalada um dos redutos não sem antes passarmos pelo largo da actual praça 25 de Abril onde se encontra, no meio de um pequeno jardim, um monumento às "Linhas de Torres Vedras".

Trata-se de um obelisco em mármore com uma homenagem ao Exército Luso-Britânico que se bateu nas guerras penínsulares e fez frente de modo invicto ao invasor napoleónico. Na base e, em cada uma dos seus quatro lados ostenta uma inscrição das três batalhas gloriosas em território nacional: Roliça, Vimeiro e Buçaco para além da inscrição "Linhas de Torres".

De destacar também um outro tipo de monumento, este menos perene mas que simboliza aquilo em que Torres Vedras também é conhecida: o Carnaval. Trata-se de uma estátua gigante colorida e alegórica do Entrudo e recheado de sinais políticos. Magnífico.


Foi tempo de rumar aos fortes que ficam a caminho de Mata Cães e que defendiam a margem direita do Sizandro antes de Torres. Depois foi descobrir a passagem deste rio por debaixo do viaduto ferroviário metálico que facilita a transposição urbana reduzindo ao mínimo a exposição rodoviária.

A subida aos Fortes de São Vicente (os único recuperados) é penosa na sua primeira parte mas merece bem a pena já que aqui se respira História.


É tempo de se descer para o Paúl via forte 123 e de se traspor a En 9 e o Sizandro para a sua margem esquerda de onde não mais sairemos (excepto espisodicamente mais adiante).

Toda esta zona até ao mar é plana e alagadiça pelo que esta incursão é fortemente desaconselhada em períodos de pluviosidade. De resto, para quem estava habituado às montanhas esta planura é algo monótona e a paisagem também não ajuda muito.

Há uma zona, quase a chegar à praia, onde se tem de cruzar a vala hidráulica (não há alternativa) pelo que também aqui convirá que ela esteja com pouca água.

O troço de regresso segue mais ou menos paralelo, porém mais a sul e à planura sucede-se um agradável sobe e desce que alteram por completo o prazer da incursão até porque a passagem pelas vinhas proporciona alguns momentos paisagísticos de rara beleza.

O final entre a Ventosa, Varatojo e Torres Vedras é memorável com a transposição, a vau, de uma ribeira e a subida demolidora ao Castro do Zambujal e a descida vertiginosa até Torres Vedras.

No final, uma distância semelhante às restantes (superior a 60 kms.) mas uma altimetria pela metade a converterem este no troço menos duro das Linhas de Torres.

Pedro Roque

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

Linhas de Torres: Troço1 Linha 2 Revisitada

The Top of the World!

Na continuação das grandes incursões ontém foi tempo de revisitar o
duríssimo Troço 1 da 2.ª Linha de Torres.
Apenas 3 responderam afirmativamente ao meu apelo: Mário Silva, Vítor
Louça e, pasme-se, Pedro Duarte.
A confirmação no final: trata-se do mais duro de todos os troços: são
70 quilómetros com quase 2.400 metros de altitude positiva. Há ali
algumas rampas impróprias para cardíacos e que só muito empenho
impedem que se desmonte como, por exemplo, a ascensão pelo caminho de
serviço da CREL (A9) a partir de Aracena até ao entroncamento com a A9
ou, a mítica ascensão ao alto do Cabeço de Montachique.
Quem está em grande forma é o Pedro Duarte. O tipo treina R.P.M. de
forma animalesca e nem parece o mesmo. Torna-se difícil, sobretudo nos
primeiros kms., acompanhá-lo.
Foi mais uma grande jornada de BTT vejam- se as espectaculares imagens em http://www.fronteiradigital.com/ms/index.html

Pedro Roque

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

LINHAS DE TORRES (Linha 2 Troço 2 - Mafra) Reconhecimento Integral

Os Vestígios são Inúmeros e Estão em Toda a Parte

Este sábado (21JAN06), com um tempo magnífico, voltámos às grande incursões e ao reconhecimento das Linhas de Torres na zona de Mafra após, no sábado anterior, por lá termos andado a verificar o traçado previamente escolhido. Participaram na incursão de 14JAN06: Pedro Roque; Mário Silva, Luís Gomes, Jorge Cláudio Neves e nesta (21JAN06) os dois primeiros juntamente com o Vítor Amador Louçã.


Desta vez foram quase 90 quilómetros, 2200 metros de altitude acumulada positiva, 4400 KCal e um recenseamento canino para cima de 230 exemplares! :-) Reconhecemos assim um track definitivo a apresentar na próxima edição da Onbike (2.ª linha, 2.º troço). As obras de construção do lanço de Auto-Estrada entre Mafra e Ericeira obrigaram a uma alteração substantiva no trajecto previamente existente. Após o termos constatado na semana transacta (à custa de muita "pasta de lama") e procedeu-se a uma reconfiguração do traçado. Costuma afirmar-se que Deus escreve direito por linhas tortas. Assim o foi relativamente a este segundo troço das linhas.


De facto a
alteração veio introduzir mais dureza, atitude e quilometragem evitando a zona urbana de Mafra mas, em contrapartida acrescentou alguns dos melhores momentos da incursão: o vale da Ribeira do Boco; a Riba Fria e a descida para o Rio Pequeno; o Santuário da Senhora do Socorro (ou do Arquitecto); a subida (violenta diga-se) até Casas Novas; a descida à Ribeira do Coxo e a subida até ao Zambujal a proporcionarem momentos inesquecíveis. Já na semana anterior havia sido introduzida uma alteração qualitativa na passagem do Vale da Guarda para o Jeromelo subtraindo muito do asfalto à custa de uma subida penosa até ao delta do mesmo nome mas de uma beleza paisagística rara.


Apesar de estarmos perante um "traçado final" há ainda uma alteração que pretendo introduzir por forma a suprimir ainda mais asfalto na zona da Rocheira (EN9), descendo até ao Sobral da Abilheira e subindo depois até à estrada referida. Tal alteração será efectuada à custa de mais quilómetros e altitude transformando este segundo troço, provavelmente, no mais duro de todos. A constatar, no meu caso pessoal, uma subida razoável de forma que me permitiu efectuar a dura incursão sem dificuldades de maior. É o regresso das grandes incursões!


Mas vamos ao filme da mesma: . Saída da Venda do Pinheiro . Visita ao forte n.º 70 (Quinta do Estrangeiro) em plena povoação; . Direcção Malveira; . Forte 66 – (da Feira); . Subida violenta para o forte 65 (Sta. Maria – 369 metros, ponto mais alto da incursão) . Desvio para visita ao forte 63 (Casal da Serra) magnifica vista sobre o Vale da Guarda e a EN8 com passagem pelo local onde se situava a obra 64 no vertice SE do muro da Tapada de Mafra; . Sobe e desce junto ao muro sul da Tapada e visão do forte 2 (tapado por um eucaliptal) e da zona onde se situava o 74 (actualmente um estaleiro); . Cruzamento da EN116 na zona da Alcainça Grande, Arrifana, Igreja Nova, Ventureira, Boco, Zambujal, visita ao forte 95, descida à Senhora do Ó, subida à Lapa da Serra, Pinhal dos Frades e cruzamento da EN118 (Mafra-Ericeira); . Travessia da Ribeira do Cuco, Paço d'Ilhas, ascensão a Marvão, descida a Ribamar (forte de São Lourenço – obra n.º 3) subida de novo a Marvão com passagem pelos fortes 93 e 92 – este denominado do Picoto); . Circulamos pelo cabeço sobre o vale do Rio Safarujo (obras 91 – Forte da Portela, 90 – actualmente uma vacaria e 89 (Muxarro); . EN 9 – desvio para o forte do Areeiro (obra 88), Forte da Patarata (82), do Meio (83) e do Curral do Linho (84) . Na Murgeira descemos junto ao muro poente da Tapada até ao Codeçal e subimos penosamente até Chança e ao delta do mesmo nome em plena Serra do Chipre, a descida para o Gradil faz-se pelo topo norte do enorme muro da Quinta da Boa Viagem passando junto aos vestígios das obras 80 (Rafaeis), 79 e 78 (Picoto) . Descida violenta da Portela do Gradil, Gradil e começa o carrossel do Gradil, intenso rompe pernas até ao Vale da Guarda com passagem pelo forte 62 (Cherra) . Subida ao Jeromelo e descida para a Venda do Pinheiro via forte 67 (actualmente um estaleiro), 68 (cabeço do Matoutinho – dentro de uma propriedade privada), e 69, um antigo moinho que se encontra dentro de um condomínio privado. . Final

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

AS “LINHAS DE TORRES” EM BTT I - De Alverca a Montachique (2.ª linha, 1.º troço)

Em Santa Eulália restabelecendo as energias...


AS “LINHAS DE TORRES” EM BTT

I - De Alverca a Montachique (2.ª linha, 1.º troço)


TEXTO PUBLICADO NA REVISTA ONBIKE DE JANEIRO / FEVEREIRO 2006

Esta é, provavelmente, a mais extenuante das cinco todas as incursões das “Linhas”. São 70 kms. e um acumulado ascendente de 2,4 kms. a exigirem uma forma física e mental a toda a prova.

O início dá-se num local simbólico: o Forte da Casa, junto a Alverca. O nome da terra tem origem num dos primeiros redutos da 2.ª linha junto ao Tejo.

A nossa sugestão é que a viatura seja estacionada no miolo da povoação junto a uma ruína bem conservada. Trata-se da “Obra n.º 38” [1], que dá o nome à terra. É um bom começo já que, com a sua muralha em cantaria, este é um dos redutos mais vistosos desta primeira incursão.

Esta área está pejada de redutos o que não é de admirar já que é a zona natural de passagem de N. para S. em direcção a Lisboa, encaixada entre o Tejo e a montanha, como o provam a circunstância de, actualmente, ali passarem três vias de penetração: a EN10, a A1 e a ferrovia. Era pois estratégica a defesa desta passagem.

As primeiras pedaladas são assim para visitar os redutos da zona:

  • a obra 34, junto à EN10;
  • a obra 35, recentemente vedada para protecção;
  • a obra 36 visível ao longe mas inacessível, nos terrenos da Central de Cervejas;
  • a obra 126, ou “Forte da Rua Nova” também recém vedada, já a caminho de poente;
  • e a obra 39, ou “Forte da Arroteia”, com uma magnífica vista sobre o vale de Alfarrobeira e a A1.

A descida até ao vale faz-se por um vertiginoso single-track onde é de toda a conveniência que a nossa atenção não se disperse com a paisagem.

A partir daqui e, não existindo alternativa todo o terreno, pedalamos por estrada para NE para ultrapassarmos a zona dos nós rodoviários. Alcançamos então o primeiro grande desafio: a incrível subida da ribeira de A-dos-Potes pelo caminho paralelo à CREL. A inclinação das sucessivas rampas é incrível a exigir empenhamento total e com o recurso à cremalheira de 22 dentes a tornar-se inevitável, pese embora o piso estar pavimentado.

Cem metros em altitude são vencidos em cerca de 1 km. à custa da capacidade de sofrimento. Chegamos à zona do entroncamento com a A10. Transposta a mesma, entramos em zona plana até ao “Forte da Vinha” (obra 125). Este vestígio está muito maltratado e, à semelhança de muitos outros, coberto de vegetação. Descemos então para o vale, já em terra batida, pelo meio de uma vinha. Tempo de subir de novo para atravessarmos uma zona rural de grande beleza, primeiro para N. e depois para poente.

A próxima dificuldade é a travessia do vale da Ribeira do Boição com uma curta mas penosa subida até ao “Monte do Forte” (mais um nome sugestivo) na Serra de Alrota. Num pequeno planalto, na cota dos 311 m., encontramos um par de redutos (obras 18 e 19) dominando, com uma vista incrível, todo o vale.


Agora é descer rapidamente para o vale do Rio Pequeno onde seguimos por um asfalto praticamente deserto, cruzamos o rio, subimos e saímos da estrada para um caminho rural. De novo passamos por uma zona muito interessante pelo meio de quintas, culturas e pequenos bosques, sempre para poente. Apesar de não existirem dificuldades de maior há que vencer uma subida violenta com 200 metros logo após a Ribeira da Tesoureira.

Descemos para Sobreira, subimos, viramos para sul e começamos a aproximarmo-nos da zona de São Gião e de um conjunto significativo de redutos. Os primeiros são os Fortes da Azinheira e Capitão (obras 53 e 52) que ficam no topo de uma urbanização de moradias. Não estão em grande estado: a vegetação impera e um deles tem implantada uma estação celular.

É tempo de descer até à EN374, que é percorrida durante uma centena de metros para N., viramos à esquerda, e por uma rampa brutal, subimos até ao Forte dos Outeirinhos (obra 58). Por um caminho rural chegamos à Charneca, junto à A8, o ponto mais a poente desta nossa incursão.


Aí chegados rumamos agora para S. para ascendermos, continuamente, até ao Outeiro do Além e ao seu Forte (obra 59). Descemos e começamos, de novo, a subir fortemente (de tal modo que se torna impossível seguir montado) até aos dois fortes da Achada (obras 60 e 61) esta última, apesar de ser em terra, mantém o seu fosso intacto dando-nos uma ideia aproximada de como era constituído um reduto típico das Linhas de Torres.

Tempo de descer até Montachique passando ao largo da obra 54 (inacessível em propriedade privada) e daí até ao Vale de São Gião onde subimos pela estrada pelo lado nascente do Parque de Montachique, descartando de novo um reduto (obra 56) [2], saindo por um caminho florestal até ao Forte do Permouro (obra 55) e descendo, depois por meio de um single-track, de novo até à estrada.

Tempo de abordarmos aquele que é, literalmente, o ponto alto da incursão: o topo de Montachique aos 409 metros. Não se trata de nenhum reduto mas antes de um dos míticos postos de sinais. A ascensão é muito complexa por uma rampa íngreme de asfalto e onde o empenhamento terá de ser forte sob pena de sermos vencidos pelo desnível. No entanto a vista do alto é magnífica e justifica o esforço.

Sem muito tempo para contemplações descemos e seguimos, agora, para nascente chegando ao reduto correspondente à obra 57, onde se pode avistar o seu fosso e as paredes em terra batida. Continuamos então sempre pelo topo das Ribas com o vale lá bem em baixo e pela também sugestiva “Estrada do Forte” que é a calçada militar construída na época.

Esta é uma zona de topo exposta aos elementos numa paisagem despojada de arvores, onde o vento predomina. Chegamos assim ao Forte das Ribas (obra 51) em cantaria, em bom estado e onde se sente a História. O mesmo é válido para o Forte do Picoto (obra 50) ali perto após se transpor a zona da Ribeira do Cocho, junto a Fanhões. Esta zona é estupenda com o seu parque eólico e porque, após se subir até à Estação Eléctrica do Mosqueiro, a descida até à CREL é estonteante com a sua parte final ao bom estilo “estômago no selim” actuando como um teste à têmpera de travões e nervos.

Tomamos a EN115 para sul, cruzamos o Trancão e seguimos a estrada que sobe para o Zambujal, transpomo-lo e continuamos a subir rolando a meia encosta por cima do MARL até Santa Eulália. A partir daí, sobe-se sempre até ao Alto de Serves (outro posto de sinais a 351 metros), já com muitos kms. e muita ascensão nas pernas. Continuamos, pelo topo, até ao Alto da Aguieira onde se situam os três redutos mais interessantes desta incursão (obras 40, 41 e 42) dominando, altaneiros e em cantaria, a zona de Alverca. O alívio aqui apodera-se de nós: já está à vista o final!

Agora é sempre a descer não sem antes visitarmos o Forte da Boca da Lapa (obra 127) que fica sobre Vialonga num moinho adaptado. Alcançada a Ribeira de Alfarrobeira subimos até ao Forte da Casa e ao final desta nossa incursão.


[1] O modo mais correcto de enunciar os diferentes redutos independentemente do seu nome, que é subjectivo é, precisamente, pelo seu número de obra. Iremos manter esse critério.

[2] Este reduto encontra-se dentro do Parque Municipal de Montachique onde está impedida a circulação de velocípedes, mais uma pérola administrativa autárquica.

terça-feira, 29 de novembro de 2005

Push to get staff on their bikes


Cycle journeys have doubled in London over the past five years

in http://news.bbc.co.uk/1/hi/england/london/4480830.stm

Businesses who help employees to ditch their cars and head to work on foot, bike or public transport can be awarded up to £1,000.

Transport for London (TfL) says it will award the funding to pay for showers and lockers.

It is also offering companies free cycle racks and bikes for work pools at trade prices.

TfL said a single parking space, which could house five bikes, costs up to £2,000 per year to maintain.

Ben Plowden of TfL said: "Cycling is seeing an exciting renaissance in the capital, but a lack of cycle parking and changing facilities in the work place are regularly cited as barriers to employees cycling.

"We want to help businesses remove those barriers and to encourage firms to provide more transport solutions for their staff."

TfL said its figures showed the number of cycle journeys on London's roads doubled from 59,000 to 119,000 between 2000 and 2005.

terça-feira, 1 de novembro de 2005

AS “LINHAS DE TORRES” EM BTT


Hercules vencendo o Leão de Nemeia (Monumento às Linhas na Serra de Alhandra) Foto PR

TEXTO PUBLICADO NA REVISTA ONBIKE DE OUTUBRO DE 2005

Qual é o seu tipo de BTT?

Há vários modos de encarar o BTT, todos diferentes, todos iguais. Desde aquele que se efectiva numa rotineira manhã de domingo, sempre no mesmo local e, invariavelmente, às mesmas horas repetindo, porventura, os mesmos gestos, até ao que, seja por sofisticação, disponibilidade ou gosto, aposta em variar os locais e entende este desporto como uma forma de evasão que permita não só conhecer locais diferentes, como de igual modo, diversos graus de dificuldade e desafios variados.

Pessoalmente, situamo-nos mais perto do segundo tipo aqui referido. Temos pena de não possuirmos a disponibilidade para pedalar em todos os locais e/ou com a frequência que gostaríamos, mas vamos fazendo pela vida pois, se pedalássemos sempre de forma rotineira, ou já tínhamos desistido, ou ficávamos pelos sensaborões rolos domésticos.

Faz falta a variedade. Esta é uma verdade incontornável! Temos pois que usar da imaginação e nem sequer é necessário ir muito longe. Portugal tem locais de sobra e de eleição para a prática.

A nós, aquilo que mais nos agrada, é juntarmos ao desporto uma boa temática histórico-cultural. Os Caminhos de Santiago podem ser apontados como o exemplo acabado disso. É, se quiserem, uma forma de se esquecerem as dificuldades geradas pela altitude e quilometragem acumuladas. Nem só do pedal vive o Homem!


O Reconhecimento das Lendárias “Linhas de Torres Vedras”

Foi com este intuito que começámos a esboçar o projecto do reconhecimento das lendárias “Linhas de Torres Vedras". É certo que existem por aí alguns passeios organizados intitulados de “Linhas de Torres”. No entanto são apenas pequenas abordagens às “Linhas” visitando este ou aquele reduto mais bem conservado e com uma quilometragem limitada.

Por outro lado, importa atentar no seguinte: não obstante as “Linhas” se chamarem de “Torres Vedras” elas correm paralelas, em vastas zonas do Norte de Lisboa e apenas numa pequena parte são efectivamente de Torres Vedras, embora seja na área desse município que iremos encontrar a maior densidade de vestígios.

Aquilo que nos propusemos fazer foi efectuar o levantamento do maior número de redutos e baterias e, na medida do possível, conseguir percorrê-los a todos em BTT, do Tejo até ao mar, com elevadas quilometragem e altitude positiva acumulada.

Paralelamente percorrer-se-ão algumas das estradas militares construídas nessa época para ligação entre os redutos, os quartéis-generais na zona de Pêro Negro, o monumento evocativo da construção, simbolizado numa estátua de Hércules na Serra de Alhandra e, ainda, os locais dos postos de sinais.


Enquadramento Histórico das “Linhas de Torres”

Trata-se de um conjunto vasto de fortificações militares defensivas do início do século XIX que permitiram suster as tropas napoleónicas impedindo a invasão de Lisboa e proporcionando as condições para o contra-ataque vitorioso.

Após o final da segunda invasão francesa, o duque de Wellington (comandante do exército anglo-português) decide defender Lisboa, para permitir uma eventual retirada marítima do exército britânico no caso de uma nova invasão. Assim, manda edificar em 1809 aquele que é considerado o mais eficiente sistema de fortificações de campo da História militar. Este sistema defensivo consistia numa dupla linha de redutos em cantaria, alvenaria ou simples terra, que reforçavam os inúmeros obstáculos naturais do terreno, formando uma barreira defensiva inexpugnável entre o Tejo e o Atlântico.

A primeira linha tinha uma extensão de 46 kms. ligando Alhandra, concelho de Vila Franca de Xira, à foz do Sizandro em Torres Vedras.

A segunda linha, mais recuada, construída a cerca de 13 kms. a sul da primeira, tinha uma extensão de 39 kms. e ligava o Forte da Casa (atente-se neste nome), em Alverca, concelho de Vila Franca de Xira a Ribamar, concelho de Mafra.

A eficiência deste incrível sistema defensivo baseou-se em cinco pressupostos essenciais:

  • Nas duas linhas de redutos munidos de peças de artilharia, que dominavam, a fogo de flanco, todas as estradas e desfiladeiros de passagem, isto é, todos os passos naturais de entrada em Lisboa, de Norte para Sul, estavam ao alcance do tiro cruzado das baterias.

  • Na construção de estradas militares que ligavam as fortificações entre si, possibilitando uma rápida deslocação das tropas no interior das Linhas, conferindo uma enorme flexibilidade ao sistema.

  • Pela introdução de um sistema de comunicações telegráficas, adaptado do existente na Marinha, que permitia transmitir rapidamente mensagens entre as duas “Linhas” e entre os extremos de cada uma delas.

  • Na construção das fortificações em segredo absoluto, um dos aspectos mais impressionantes do projecto e que permitiu que os franceses fossem apanhados de surpresa, complementado com uma política de “terra queimada” que impediu qualquer ousadia de cerco devido à míngua de mantimentos.

A construção das Linhas empregou cerca de 150.000 pessoas, recrutadas nas zonas rurais em torno das “Linhas”. Os trabalhos, sob o comando do Tenente-Coronel Fletcher (homenageado no monumento de Alhandra) foram dirigidos por oficiais e sargentos britânicos. O custo total da obra rondou as 100.000 libras, constituindo, paradoxalmente, um dos investimentos mais baratos de toda a História Militar, sobretudo se tivermos em consideração a eficácia demonstrada.

Assim, as “Linhas de Torres” estendiam-se por mais de 80 kms. e eram constituídas por 152 fortificações, guarnecidas com 600 peças de artilharia. As fortificações foram iniciadas no Outono de 1809, tendo a sua construção demorado apenas um ano. O tamanho dos redutos era variável: uns só podiam receber 50 homens e 2 peças, enquanto outros podiam conter 500 homens e 6 peças.

Os primeiros redutos foram construídos em forma de estrela, segundo a boa prática militar da época, de forma a cobrir diversos ângulos defensivos. Os abundantes moinhos de vento, de planta circular, instalados em cabeços propícios ao estabelecimento de postos militares, foram igualmente transformados em fortificações, tendo, posteriormente, alguns redutos sido construídos com a mesma planta circular. Todas as fortificações eram complementadas com trincheiras, minas, paliçadas, fossos e barricadas.

Na Primavera de 1810, Massena, o melhor dos generais de Bonaparte, inicia a terceira invasão francesa e entra com as suas tropas pela fronteira da Beira e, no Buçaco, enfrenta o exército anglo-português. Apesar de derrotado consegue flanquear e progredir para Sul.

O exército anglo-português recua então para a Estremadura, refugiando-se atrás das “Linhas de Torres”. Massena chega pouco depois e consegue ainda tomar a vila do Sobral de Monte Agraço. Para além das fortificações, o Inverno particularmente chuvoso transbordara as margens do Sizandro, transformando-o num obstáculo intransponível. Sem conseguir avançar e enfrentando a rebelião dos seus homens, a fome e as intempéries, Massena opta pela retirada, um mês depois, coberto pelo nevoeiro e deixando bonecos de palha no lugar dos soldados, enganando o inimigo e atrasando a sua reacção.

A derrota de Massena nas “Linhas de Torres Vedras” salvou Lisboa de nova invasão e, acima de tudo, marca o início da viragem da carreira vitoriosa de Napoleão Bonaparte na Europa.


O que resta das “Linhas de Torres Vedras”

No terreno existem ainda, actualmente, muitos vestígios com diferentes tamanhos e estados de conservação, do bom ao muito mau, mas com uma particularidade em comum: todos se encontram em sítios ermos e altos pelo que ao interesse cultural se junta exercício físico garantido.

Naturalmente que nem todos os redutos serão visitáveis, embora a maioria o seja. Tal deve-se ao facto de alguns terem sido impossíveis de reconhecer por terem pura e simplesmente desaparecido e outros se encontrarem em propriedade particular. No entanto a maioria conheceu a nossa visita.

Refira-se que, ao contrário daquilo que é a crença generalizada, esta zona a Norte de Lisboa é extremamente montanhosa, se bem que as altimetrias possam indiciar o contrário.

Do ponto de vista estratégico é ideal para uma postura defensiva como era o intuito das Linhas de Torres Vedras. Do ponto de vista do BTT é dificuldade garantida já que, invariavelmente, a distâncias de cerca de 60 kms. corresponderão cerca de 1750 m. de altitude positiva acumulada em média, a exigirem espírito de aventura, boa forma física e, acima de tudo, capacidade de sacrifício.

Dividimos assim em cinco etapas circulares esta nossa incursão, sempre de nascente para poente:

1. (2.ª. linha, 1.ª parte) - de Forte da Casa, em Alverca, concelho de Xira (Vila Franca de), até à Venda do Pinheiro, junto à A8, no concelho de Mafra e o respectivo regresso, abrangendo os concelhos de Xira, Loures e Mafra;

2. (2.ª linha, 2.ª parte) - de Venda do Pinheiro a Ribamar e o respectivo regresso, sempre no concelho de Mafra;

3. (1.ª linha, 1.ª parte) - de Alhandra, concelho de Xira e o Reduto do Céu, no concelho de Arruda dos Vinhos e o respectivo regresso, abrangendo os concelhos de Xira e Arruda;

4. (1.ª linha, 2.ª parte) - de Sobral de Monte Agraço a Torres Vedras, abrangendo os concelhos de Sobral, Torres Vedras e Mafra e o respectivo regresso;

5. (1.ª linha, 3.ª parte) - na zona de Torres Vedras, ligando à Foz do Sizandro, onde os vestígios são em maior número.

Assim, nas próximas edições serão publicadas cada uma destas etapas para que cada um dos leitores, se se sentir em boas condições físicas e estiver motivado para isso possa na sua bicicleta e in loco, sentir a história do maior conflito armado que decorreu em território nacional.



sábado, 30 de julho de 2005

Fátima - O Caminho do Tejo revisitado



"No fundo o que está em causa é sempre o mesmo: o apelo do Homem para
se ultrapassar a si mesmo, a sua eterna inquietação, a sua condição de
ser que procura ... É de esperar, porém, que os peregrinos de hoje só
sintam uma efectiva satisfação com a ida a Fátima ou a outro santuário
qualquer se ela envolver alguns riscos e alguns incómodos, se ela for
a incursão a um tempo e a um espaço muito diferentes da vida quotidiana."

José Mattoso, "Caminho do Tejo", p.5, Readers Digest, Lisboa, 2000

"O Caminho de Fátima, efectuado em bicicleta num único dia, é uma
longa provação. O Peregrino tem de estar preparado para sofrer,
aceitar o desafio e superar-se pelo efeito da sua própria sublimação
espiritual."

Pedro Roque

****************

Na quarta-feira passada perante as ameaças de chuva lá fui com os
Jorges Cláudio e Manso. A saída deu-se ainda de noite junto ao
Pavilhão de Portugal no Parque das Nações. Rapidamente foram vencidos
as primeiras centenas de metros até ao Trancão e Sacavém.
Os aviões comerciais em movimento de aterragem sucediam-se sobre a
zona de Sacavém anunciando aquilo que já previa: o vento ao contrário
do que é normal soprava do quadrante sul por isso a velocidade inicial
era muito boa e anunciava que, até Santarém, tudo iria ser muito rápido.

O BARRO DOS PRIMEIROS METROS
Não fossem os primeiros metros junto ao Trancão e assim seria. A chuva
da véspera tinha humedecido o barro do talude que é percorrido no
troço do rio. O resultado não podia ser pior: o barro aderiu às rodas
e, para além de a roda traseira ameaçar permanente derrapagem, vimos
as bicicletas aumentarem de peso. Mais adiante foi a vez de uma palha
irritante aderir ao barro e ainda a gravilha da zona junto à A1. A
solução expedita foi limpar tudo com as mãos, na medida do possível.
Chegamos então ao asfalto e a póvoa de Santa iria onde passamos pelo
viaduto para o outro lado da ferrovia para uma estrada de serventia
industrial onde é mais fácil circular. De referir que, a dada altura,
há um portão em rede que encerra o caminho ao trânsito, numa zona de
paul, mas onde os famosos postes do "Caminho de Fátima" continuam a
indicar a direcção e nós por aí fomos até porque a sua intenção era
mesmo impedir a passagem de viaturas motorizadas.

A COMPLICADA TRAVESSIA URBANA
A passagem da zona da Base Aérea para a área urbana de Alverca é
sempre um "must". O caminho passa, exactamente, por dentro da estação
ferroviária que àquela hora está repleta de gente, como é normal de
esperar. Ora, a passagem de três criaturas "licradas" com as máquinas
ao ombro (há que subir e descer escadas) e repletos de lama deixou
muitos boquiabertos perante a olímpica indiferença dos ciclo-peregrinos!
Seguiu-se um périplo por ruas secundárias de Alverca e tomámos a EN10
junto ao Sobralinho.
Pouco tempo rolámos até que vimos, já à saída de Alhandra, uma área de
serviço. Foi tempo de lavar com a mangueira as máquinas procurando,
sobretudo, aliviar o peso extra e limpar minimamente as transmissões.
Seguimos até Vila Franca de Xira onde, no jardim Constantino Palha se
segue a cena habitual (esta foi a quinta vez que a vi repetida): "Não
podem andar aqui de bicicleta!" perante a nossa, também olímpica
ignorância. Segue-se a Vala do Carregado, Vila Nova da Rainha e
Azambuja: o vento pelas costas fazia maravilhas em termos de média.

A LEZÍRIA À MÉDIA DE 30 KMS/H
A passagem para a Vala Real faz-se de forma clássica, ignorando o
novel viaduto, mas utilizando a passagem nas rampas para deficientes
que serve a estação ferroviária. Depois é pedalar forte, primeiro para
E mas logo após para N e sempre por asfalto já que as indicações dos
marcos apenas fazem perder tempo ao passar por zonas fortemente
alagadiças junto aos campos de milho da lezíria.
Passamos o aeródromo, chegamos ao Reguengo e à Valada onde é
obrigatória uma pausa para o reforço alimentar. Retomamos sempre a bom
ritmo e, quase a chegar às Ómnias (junto à ponte Salgueiro Maia) um
golpe de teatro: a transmissão da minha "muleto" não estava nas
melhores condições e, numa altura em que pedalei forte de pé, a
corrente falha e perco o equilíbrio.
Nada de especial em termos físicos mas uma forte joelhada no quadro
deixou a zona abaixo da rótula direita algo dorida e inchada. Foi
então que encontrámos dois outros peregrinos (pedestres) que já iam no
seu segundo dia de jornada. Na subida para Santarém constatei que não
me era fácil fazer força para além de estar completamente fora de
questão pedalar em pé já que, cada vez que o fazia, a transmissão
falhava. Ainda assim a média de Lisboa a Santarém foi absolutamente
estonteante.

A DUREZA SURGE SEMPRE APÓS SANTARÉM
Em Santarém comemos qualquer coisa mais consistente (nos termos da
"escola Pedro Rodrigues" – private joke) e seguimos para o troço mais
duro da travessia: para além dos quilómetros começarem a pesar, o
calor tinha feito a sua aparição e os desníveis começavam a fazer-se
notar.
De igual modo esta é a zona onde o TT supera a estrada. Apesar da
baixa de ritmo, as povoações iam sucedendo-se, uma atrás da outra:
Azóia de Baixo, Advagar, Santos, Arneiro da Milhariça, a famosa e
demolidora subida para o Outeiro dos Três Moinhos e nova paragem nos
Olhos d'Água a famosa ressurgência do Alviela. Aí, como chovia um
pouco, prolongámos a pausa.
Segue-se uma exigente subida até Monsanto e nova subida até se atingir
um plateau que nos irá conduzir ao Covão do Feto no sopé do maciço da
Serra d' Aire. Aí há que subir uma rampa demolidora até à estrada onde
se ignoram os marcos que nos mandam subir a portela da Costa de Minde
em azimute e sem condições cicláveis. Assim a solução é a habitual,
vencer os dois quilómetros extra por asfalto até Serra de Santo
António e virar na direcção de Minde. Do alto da Costa de Minde e até
esta povoação é uma forte descida de asfalto onde importa conseguir
travar oportunamente antes das apertadas curvas.

O CALCÁRIO FINAL
Após esta povoação é uma infindável subida até ao Covão do Coelho e
daí pelo planalto de são Mamede e ainda durante alguns quilómetros
sempre ascendendo num "piso PNSAC" i.e.: com mais calcário que terra.
Foi neste troço que me senti pior já que desde Santarém que me era
impossível pedalar de pé e, consequentemente, o "stress" na zona do
selim começava a ser difícil de suportar.
No entanto, a partir do momento em que se atinge o topo, começa uma
zona muito rápida que passa nos pinhais em Valinhos e Moita do
Martinho. Aqui "já cheira a Fátima!" e de novo a velocidade começa a
aumentar.
Pelas 17:30 o santuário está à vista 160 kms. depois do Parque das Nações.
A sensação de dever cumprido é sempre idêntica e tem outro significado
estar diante da Capelinha das Aparições e contemplar a basílica. Se
não fosse o problema no joelho esta teria sido, sem dúvida, a mais
fácil de todas as minhas peregrinações anuais.