segunda-feira, 31 de julho de 2006

Trilhos de Taipa e Coloane (R.A.E.Macau)

The portuguese legacy of Macau make us feel just like at home

A ideia que todos formulamos de Macau é de um território pequeno mas com uma densidade populacional que o tornam num dos mais densamente povoados do mundo.

Tal é, parcialmente, verdade.

De facto aquele antigo território português na China tem uma população de cerca de ½ milhão de habitantes para uma área de apenas 25 kms2 ou seja, uma urbe densa e de edifícios muito altos. O mais curioso é que essa área tem vindo a ser sucessivamente acrescentada através de um número crescente de aterros aproveitando a circunstância de estarmos no delta do Rio das Pérolas numa zona de fundos baixos. Assim a noção tradicional de uma península e duas ilhas foi completamente alterada porque as ilhas de Taipa e Coloane estão já ligadas por um istmo artificial, o “Cotai”.

As ilhas são, do ponto de vista paisagístico, os locais mais interessantes do pequenos território. Se a Taipa está quase completamente urbanizada praticamente rivalizando em termos de “skyline” com a cidade, já Coloane, por seu turno é uma pérola natural com alguma ocupação humana mas racional e onde o verde prevalece proporcionando uma rede de trilhos bem conservados e assinalados que fazem as delícias de quem gosta de caminhadas na montanha: (veja-se a descrição)

Sem embargo, também a Taipa, apesar da intensa urbanização tem dois trilhos interessantes que proporcionam, acima de tudo, das melhores vistas do território: (veja-se a descrição)

Merece ainda referência, na cidade de Macau, os circuitos de manutenção situados em jardins: (veja-se a descrição).

De facto é incrível como numa cidade tão densa se arranjam dois oásis. Os jardins de Macau são incrivelmente belos e o da Guia bem merece uma visita.

Como é óbvio procurámos percorrer todos estes locais em Julho passado.

Fazer trekking num local como Macau não é fácil já que tem uma enorme dificuldade em função da conjugação do calor e da humidade. É algo a que, por cá, não estamos habituados e que obriga a um esforço acrescido e a uma preocupação adicional com a hidratação. No entanto uma boa forma física e um cuidado com a água são suficientes para podermos desfrutar de locais magníficos do ponto de vista ambiental.

O primeiro a ser percorrido, de forma solitária, foi o chamado “Trilho da Taipa Grande”. Trata-se de um trilho que circunda a maior elevação da ilha da Taipa (160 m.) e que proporciona uma visão agradável da cidade de Macau, das embarcações que demandam o Porto Exterior das pontes (sobretudo da Ponte da Amizade) do Aeroporto, da ilha de Coloane, da urbanização densa da Taipa e da Vila Tradicional (um núcleo urbano de características coloniais que resistiu ao avanço do betão). São pouco mais de dois quilómetros interessantes mas cujo aliciante foi, acima de tudo, abrirem o apetite para os trilhos de Coloane.

No dia seguinte, já acompanhado, foi dia de Coloane e começámos pela praia de Hac-Sa. Trata-se de uma espectacular praia e urbanização com um único e incontornável problema: a qualidade da água de banhos. De facto estamos no delta do Rio das Pérolas, nas margens do qual habitam 600 milhões de pessoas (leram bem)! É fácil de adivinhar porque é que a praia não é frequentada. O trilho percorre o litoral em cerca de 1000 metros é apenas mais um aperitivo para a “pièce de résistance”: o “Trilho de Coloane”.

Este “apanha-se” umas centenas de metros volvidos na estrada e entra-se por um dos três parques de merendas onde começa a subir fortemente. Valem-nos os novos materiais sintéticos que evitam que a t-shirt se transforme em sweat shirt. Atingido o patamar da cota de circulação dos 8 quilómetros (acima dos 100 metros) começamos a contornar por poente o maciço central. Este é o “trilho dos trilhos” de Coloane e que se interliga com todos os outros pelo que é necessária alguma atenção para manter o rumo certo.

A flora é algo de deslumbrante e são de destacar as vistas para a praia de “Hac Sa” e para a vila de Coloane, e o continente chinês que está separado por menos de uma centena de metros de um braço do Rio das Pérolas. A nascente e ao longe a ilha de Lantau em território de Hong Kong e o vai e vem constante dos jetfoil.

Destaque para o topo do maciço central da ilha e para o templo e estátua gigante da deusa A-Ma num cenário de sugestiva inspiração cénica.

No dia seguinte tentou-se fazer a zona NE. Se bem que não era possível efectuar o chamado “trilho de Nordeste” optou-se pela zona da barragem de Hac Sa numa zona muito interessante e em que a presença turquesa da água da barragem é o tema dominante.

Duas curiosidades apenas: em toda a actividade apenas nos cruzámos com dois pedestres e, infelizmente os trilhos estão vedados a ciclistas e que pena esta circunstância já que seria fantástico percorre-los também desta forma.

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Maratona Internacional da Raia 2006

The Rollo Square in Zarza la Mayor at Caceres Province.

Gostei tanto de lá ter ido que até mereceu a pena não assistir a boa
parte do Portugal – Inglaterra. Assim sendo acho que merece um relato
à maneira antiga até, do meu ponto de vista, porque há muito para contar.

BANDO ROLADOR
Constituído, desde o início, por mim, pelo Rui Sousa, Mário Silva e
Jorge Cláudio. O ritmo, não sendo de alta competição foi, no entanto,
muito interessante contribuindo, apesar do enorme esforço despendido,
para a satisfação generalizada acerca desta maratona. Pena foi que a
forma do JC não lhe permitisse concluir. Da minha parte tudo correu
bem embora para o final o ritmo se ressentisse um pouco mas a
solidariedade do resto do bando fez com que cortássemos os três a meta
em conjunto.

FÓRMULA GSE (Gestão Sustentada do Esforço)
Apliquei esta minha fórmula patenteada tendo em consideração a falta
de treino sistemático e o calor não me tendo saído mal. Apesar de
algum sofrimento há medida que os kms. iam passando deu para chegar ao
final longe do último lugar e em razoável estado de conservação
relativizando o empeno, o que é sempre importante.

BTT TV
E o que dizer de um inteligentíssimo "camera-man" que colocou a sua
câmara no solo no final de uma descida técnica mesmo ao meio da
trajectória? Claro que eu, que não perco uma oportunidade de aparecer
na TV, após uma derrapagem da roda traseira para evitar acertar-lhe
lhe dei um "piparote" violento que nos colocou a ambos no solo. Só foi
pena não ter acertado com o "Shimano 44" em cheio na objectiva…

CRUZ ROJA
Deu para observar a presença da cruz vermelha pelo menos em dois
locais de passagem: o primeiro no início da descida técnica para o
Erges. É que, depois do incidente com a RTP, nem hesitei e apei-me
desde logo – é que se eles ali estavam deveria de haver algum motivo.
A segunda foi no "rompe-piernas" após Zarza em que estava estacionado
no cimo de uma violentíssima rampa um jipe da versão espanhola da
organização humanitária. Na altura em que o referido bando rolador
passou todos iam apeados, o calor apertava fortemente e éramos os
únicos que subíamos "aquilo" a pedalar. Antes de eu passar, porém,
havia um ciclista que tinha atingido o topo a cambalear e uma
espanhola da Cruz Roja pergunta-lhe se ele se sentia bem mas ele,
olimpicamente, ignorou-a (presumo que em virtude do empeno) ao que a
referida voluntária comenta para o colega que: "esta tan mal que ni
contesta!"

ORGANIZAÇÃO
Francamente achei que, sem deslumbrar, esteve em bom plano. Houve a
questão das fitas que, por vezes não abundavam e estabeleciam alguma
confusão quanto à direcção a seguir (a saída de Zarza foi disso
exemplo), mas quanto ao resto esteve tudo bem: assistência às
bicicletas, reabastecimentos, água com fartura (num dia de calor
intenso) e até a "piéce de resistence" que foi um individuo de garrafa
de água na mão que além de informar sobre o decorrer do jogo ia dando
o precioso líquido no suplício final que foi a calçada até Idanha.
Outro senão foi fazer-nos exibir um dorsal patrocinado por "o
espanhol" - há coisas que não se fazem!

ÁREAS DE SERVIÇO
Todas estrategicamente colocadas em povoações oferecendo, desta forma,
as melhores condições para quem delas se servia. Com o grau de
exigência que a temperatura ambiente impunha não é de estranhar que
tenhamos parado em todas!

PORTUGUÊS SUAVE
No final e após o banho fomos até uma pastelaria para comer algo. A
transmissão do jogo converteu uma pastelaria que de manhã tinha um ar
imaculado numa gigantesca sala de fumo repleta de lusitanos com os
nervos à flor da pele. Foi um ápice enquanto saímos para a esplanada.
Ouvimos pois falar do tal "Ricardo" no auto-rádio do carro já de
regresso à capital.

ROLLOFF E FIABILIDADE
O Michel Memeteau também lá estava estreando o seu cubo Rolloff. Após
Segura ouve-se um pneu a esvaziar num ápice. Parece que a fiabilidade
que ganhou na transmissão não se transmitiu aos pneus. Impõe-se uma
conversão ao sistema UST ;-). De resto a quantidade de "furadores"
deve de ter batido o "record" absoluto na distância.

LUDOS
Lá estava esse "ganda maluco" de câmara fotográfica em punho parando
nos locais estratégicos para obter as melhores fotos. Ficamos à espera
do resultado até porque, com aquela luz devem ser óptimos.

CALÇADA
De um requinte sádico fazer-nos subir até Idanha por aquela calçada
após 100 kms. "á torreira do sol". Foi o cabo dos trabalhos mas
venceu-se se bem que tenha exigido uma paragem intermédia à sombra
para "reganhar confiança".

40º's
A saída de Zarza, a reentrada em Portugal por uma "rampa impossível",
o avanço acidentado até Segura e, sobretudo, a ligação a Zebreira
foram feitos debaixo de um calor abrasador que fez o mercúrio
ultrapassar os 40º's ao sol. É necessária uma gestão muito rigorosa do
esforço nestas condições. Foi esta a grande dificuldade desta maratona.

A BATH IN "NO MEN LAND"
Na "reentre" no luso solo houve quem se deitasse dentro de água em
pleno Erges. A dúvida foi saber em que país se estava a tomar banho?

AFINSA
Pormenor curioso foi a de uma "tienda" em Zarza que ostentava
"orgulhosamente" uma placa dizendo "Agente Oficial de Afinsa". Afinal
"mais vale "selo" do parece-lo!" ;-)

SEGURA OU SECURA?
Foi a dúvida sob o nome exacto da povoação que coloquei após a tórrida
e sufocante ascensão a Segura…

CANTIL
De vez em quando gosto de inovar e de ser mais inteligente que os
demais. Baseado numa previsão meteorológica para Castelo Branco que
apontava para 24º de máxima e de "céu parcialmente nublado" alinhei
imprudentemente de cantil no quadro sem o saco de água na mochila.
Estão mesmo a ver como foi a gestão hidráulica debaixo daquele calor,
não é verdade? Não fora a localização estratégica dos reabastecimentos
de água e tinha grelhado em lume brando.

MOUNTAINBIKER SUN TAN
Onde eu acho que marco pontos relativamente aos demais é mesmo na
minha camisola de manga comprida. Todos achavam que estava louco tendo
em consideração o calor mas eu sinceramente acho que não. A camisola é
finíssima e em licra permitindo o transpirar confortável não agravando
o calor e permitindo poupar os braços a uma dose horrorosa de
ultravioletas. No balneário eu bem vi os resultados: criaturas que
parecem vestir manguitos castanhos e que serão o alvo de olhares e
comentários jocosos na próxima ida a banhos ;-)

terça-feira, 27 de junho de 2006

Maratona Internacional da Raia 2006 RECONHECIMENTO INTEGRAL DO PERCURSO, DIA 27.05.2006

Zarza la Mayor it's a pueblo of roman origin with a herrerian church facade and many civilians monuments. Nevertheless the most interessenting monument it's the Peñafiel Castle (11th century) of musslim origin. It's considered the best exemple of the military architecture from the "Orden de Alcántara".

Texto: Agnelo Quelhas

No sábado fomos fazer o reconhecimento integral do percurso da maratona montados nas bikes.
A hora da saída estava marcada para as 9 horas em Idanha, no entanto o pessoal que vei de LX atrasou-se 1 pouco na viagem e acabámos por sair perto da 10 horas.

De Castelo Branco estava eu e o Jorge Palma (não canta) de LX veio o Magro e o Nuno, um amigo dele que agora tb é nosso amigo...

Sai-se de idanha em alcatrão durante alguns Kms, muito rolante, 1º pelas ruas principais de entrada na vila e depois por quelhas que dão acesso às propriedades. Mais à frente entra-se num caminho de terra a descer para a barragem, uma delícia de vista, apenas perturbada pela incómoda erva seca que se espeta nas meias e se mete dentro dos sapatos. No final um single track para entrar no paredão da barragem.

Circunda-se a dita pelo lado este passando em frente ao Parque de campismo e começando a subir em direcção a Alcafozes, a caminho desta aldeia rola-se bem pelas planuras douradas da Raia, não fosse o forte vento de frente que nos impede de progredir mais rápido. Antes desta aldeias passamos ainda em mais uma pequena zona estilo single track que nos leva a uma estrada de alcatrão que entra em Alcafozes, aqui será o 1º posto de Abastecimento, percorridos cerca de 16 Kms.

Saidos de alcafozes em direcção a Toulões passamos mais uma vez em zonas de eucalipto e começamos a descer, aqui uma vista memorável se nos apresenta para o lado de espanha, o calor começa a apertar (estiveram 35º) e a poeira que embruma a atmosfera dá ainda mais a sensação de secura e de um ar abafado, no entanto o vento frontal se por um lado obriga a um esforço extra por outro lado refresca e impede o aparacimento do "homem da marreta", que iremos conhecer mais à frente...

A chegada a Toulões brinda-nos com um pequena fonte onde o Magro "toma banho" e onde paramos num café para a primeir refeição do dia.
Aqui irá ser o 2º posto de abastecimento percorridos que estão cerca de 26 Kms.

Sai-se de Toulões rumo a Salvaterra do Extremo por campos de erva e eucaliptais, sem grandes declives, à procura do caminho mais curo, que acabamos por encontrar. Cruzada a estrada nacional (muito cuidado aqui) rumamos a Salvaterra do Extremo, primeiro por estrada e depois por caminho de terra que acaba em calçada e de seguida a entrada na aldeia, com volta turística pelos principais monumentos. Aqui será o 3º posto de abastecimento.

De seguida, depois de uma curta paragem decidimos fazer-nos à mais famosa calçada do trajecto (já minha conhecida) e fazer uma pausa mais prolongada na fonte que existe no final da calçada, junto ao Erges. Abastecer de água, que é fresca e pura, é o principal. De seguida uma visita à garganta rochosa que o rio escavou ao longo dos milénios, sempre com o Castelo de Penafiel ao fundo, no cabeço rochoso.

A partida rumo a Zarza La Mayor faz-se por um trilho, mais uma vez com a erva seca a incomodar acabamos por chegar ao Erges, que se cruza para entrar em Espanha, com água pelo calcanhares. Do lado de espanha prosegue o trilho e a erva seca até entrarmos num estradão largo das obras da futura estrada de Zarza para a praia fluvial que vai ali ser construída. Este estrada a subir, ainda que pouco, com vento frontal, torna-se um pouco difícil e o o homem da marreta começa aparecer. A entrada em Zarza La Mayor, com o calor na sua plenitude faz-se já perto da 14:30 da tarde, estando a Vila praticamente deserta, não fosse a hora da siesta. Paramos no Meson (café) local para nos refrescarmos, já estão percorridos mais de 50 Kms. Aqui será o 4º posto de abastecimento.

Coca-cola, sandes de Jamón Serrano, em pão Muuuuito grande (cada um guarda metade para mais tarde) e lá arrancamos rumo a Segura, contando antes disso com a passagem do Erges. A saida de Zarza faz-se a descer por um estradão muito rolante onde se atingem velocidades consideráveis, com o vento aqui a a judar, soprando pelas nossas costas. O calor, sem vento a refrescar começa a sentir-se ainda mais, chegou a hora da marretada principal para alguns dos presentes e antes de chegar ao Erges ainda se fazem alguns topos mais inclinados a pé.

A descer para o Erges temos bem presente a paisagem Raiana, com os sobreiros e as oliveiras a manchar a secura amarela dos prados. Chega-se ao rio e é hora do mergulho, a que alguns se negam, "para não molhar a esponja dos calções". O Magro, já depois de molhar a esponja responde a isso fazendo um nudismo parcial, digo isto porque o homem estava com os sapatos calçados, hehehehe....

Come-se mais qualquer coisa e rumamos a Segura, já de novo em território nacional...
Esta zona é das mais duras devido aos sucessivos "topos" e aos sobe e desce, mas também das mais bonitas, dado que se circula sempre com o rio ao nosso lado. Mais à frente chegamso a um extenso single track, também sempre à beira rio que nos irá levar quase até Segura, lindíssimo.

Antes de Segura ainda encontramos uma fonte onde se faz mais uma sessão de "refrescamento". Sobe-se para Segura por uma estrada de acesso ao Rio e já dentro da aldeia afzemos uma paragem prolongada no café, onde os habitantes locais ficam surpreendidos com os 4 malucos a andar de bike com o calor que está. Aqui será o 5º Posto de Abastecimento. Coca cola, sumos, gelados, abastecer de água e, depos de 30 minutos parados arrancamos rumo a Zebreira. Antes disso passamos numa zona a descer onde se avista ao longe a ponte romana sobre o Erges, que liga Portugal a Espanha, uma paisagem esplêndida.

Segue-se então rumo à Zebreira, o dia já vai longo, são quase 18 horas, e até ver o "homem da marreta" ficou para trás com o calor. A zona que se segue é bastante rolante, mais uma vez com a paisagem característica da raia a dominar, apetece abrir os braços e gritar, descarregar o stress do dia a dia...
Sobe-se um pouco em direcção à Zebreira, e alguém tem um furo, com corte no pneu incluído. Demoramos mais um pouco a reparar e lá seguimos. A entrada na Zebreira faz-se a subir, aqui será o 6º Posto de abastecimento, junto à piscina Municipal. Depois da Zebreira é rolar em direcção à Senhora do Almurtão, com caminhos, uns lisos, outros pedregosos que acabam com o único representante das HT (hard tail, vulgo bike rígida). Passamos perto de algumas plantações de tabaco e rolamos mais um pouco até passar perto da Senhora do Almurtão, daí até à Senhora da Graça, nas "abas de Idanha", é sempre a descer...

Depois da Senhora da Graça, já com 100 Kms percorridos, apresenta-se-nos a última dificuldade do dia, a calçada que sobe para Idanha-a-Nova, um verdadeiro martírio para quem já vem empenado. O nosso representante das HT fez aquilo tudo a pé. Tem um extensão de cerca de 800 a 1000 metros e entra directamente na Vila de Idanha, onde rolamos mais um pouco a subir em direcção à meta, que atingimos cerca das 20 horas, hehehe.... que dia memorável...

Dados finais do GPS (com alguns correcções a fazer por enganos em caminhos):
Odómetro da Viagem: 105 kms
Tempo de deslocação: 7:05h
Tempo Total: 10:31h
Média de deslocação: 14.9 Km/h
Média Geral: 10.0 Km/h
Velocidade Máxima: 62 Km/h
Acumulado de subidas: 1810 metros
Ponto mais alto: 412 metros

sexta-feira, 16 de junho de 2006

China Orders Cities to Restore Bicycle Lanes Lost to Car Boom

June 15, 2006 — By Associated Press
BEIJING — Chinese cities that destroyed bike lanes to widen roads for cars or new buildings are being ordered to put the pathways back, the government said Thursday amid efforts to battle the choking smog and traffic brought on by booming car use.

Qiu Baoxing, a vice minister with the Ministry of Construction said it was important that China retain its title "kingdom of bicycles," according to a report by the official Xinhua News Agency.

Qiu told an urban planning conference in Beijing on Wednesday that the ministry was firmly opposed to the elimination of bicycle lanes and has ordered cities to restore them, Xinhua said.

The report estimated that China had 500 million bicycles in the late 1980s and said that the number had fallen dramatically as car ownership had expanded, but gave no specific figure.

The report cited Qiu as saying that the number of motor vehicles on China's roads in 2004 was 20 times that of 1978, with that number expected to increase as much as five fold by 2020. In 2004 there were 27 million motor vehicles in China and that number could reach 130 million in 15 years, he said.

Qiu's numbers appeared to include all motorized vehicles, including trucks, tractors and motorcycles, in addition to cars. The World Bank said in a report Wednesday that China had 16 million registered cars in 2004.

China's rapid expansion of car use has brought the country severe pollution, snarled traffic and frequent deadly road accidents. The leadership says that cleaning up the environment and saving energy is among the top priorities for the next five years.

On Tuesday, the government ordered civil servants to leave their cars at home and ride bikes or take public transport in a bid to reduce the choking smog that covers many Chinese cities and conserve energy.

Source: Associated Press

quinta-feira, 15 de junho de 2006

FÁTIMA PELA QUINTA VEZ


The Pilgrimage of this year was different. Because of the rain and the electrical storm on the way to Fatima we felt that Our Lady was side by side with us during the journey. We thank Her for let us finish in Fatima at the end of a hard and hazardous day.


A versão de 2006 do meu Lisboa – Fátima foi algo diferente. De facto o aspecto rotineiro e de que facilidade a que nos vínhamos habituando foi posta à prova nesta minha quinta peregrinação ao santuário mariano.

Saímos mais tarde do que é habitual (08:00) e, pelo caminho cruzámos o dilúvio.

Tudo isto concorreu para que a chegada tenha sido tardia (21:00) e o grau de dificuldade mais elevado do que o normal. De resto, apenas a odisseia do primeiro ano superou esta peregrinação de 2006. Pela primeira vez pensei em desistir já que a passagem da Serra d’Aire se complicou muito em virtude da tempestade.

Os meus companheiros de viagem em 2006 foram o Rui Sousa e o Mário Silva que nunca tinham efectuado o “Caminho” num único dia pelo que, para eles a jornada foi muito proveitosa.

Aproveitámos o feriado municipal de Santo António. A saída, como habitualmente, efectuou-se no Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações e os primeiros metros foram feitos em bom ritmo até Sacavém. Depois foi o habitual trilho pela margem esquerda Trancão que, ao contrário do ano transacto, estava seco o que contribuiu para que tivesse sido superado sem dificuldades de maior.

Um dos momentos altos é a transposição da via férrea em Alverca se bem que, este ano, devido ao feriado lisboeta, muito pouco observada pelos utentes do combóio. De igual modo a passagem pelo Jardim Constantino Palha em Xira já não é o que era: apesar do aviso que impedia a circulação de velocípedes ninguém nos barrou a passagem ou, sequer, admoestou – eram os sinais de que esta seria uma peregrinação diferente dos anos anteriores.

Sem o vento favorável de 2005 o caminho até Santarém fez-se, no entanto, sem dificuldades de maior não fosse o habitual piso demolidor após a Valada e até à ponte Salgueiro Maia.

Em Santarém, pelas 12:45 foi tempo de “Telepizza” (passo a publicidade) já que essa foi considerada a solução mais consentânea com as calorias despendidas até à escalabitana urbe. Esta pausa, de resto, é fundamental para nos prepararmos para o que se segue, ou seja, a parte mais difícil do percurso já que, desde Lisboa e até Santarém tudo decorre na planura total.

O problema foi mesmo o facto de a chuva irromper, primeiro escassa, depois mais forte a obrigar a uma primeira pausa em Milhariça no abrigo da paragem bus. Seguiu-se a dificuldade de ascender ao topo do outeiro dos três moinhos e de nos abrigarmos de um segundo e ainda mais forte aguaceiro, noutra paragem de autocarro.

Daí até aos Olhos de Água nada de especial a assinalar se bem que, logo após sairmos deste local a chuva irrompe outra vez e muito fortemente obrigando a abrigar-nos de novo. O problema não era só a água mas a tempestade eléctrica que estava cada vez mais perto. Nova aberta fez-nos chegar a Monsanto onde a chuva recomeça, impiedosa e diluviana. Foi uma pausa que se prolongou por mais de 30 minutos sem que desse mostras de amainar.

Aproveitando uma pausa prosseguimos e, no Covão do Feto, em plena subida nova e prolongada paragem com a chuva forte e a visão da serra d’Aire com os relâmpagos (e raios ocasionais) mesmo em cima da estrada onde deveríamos passar.

Tornava-se óbvio que com esta ritmo e com a manutenção daquelas condições atmosféricas seria impossível chegar a Fátima. No entanto aproveitámos uma aberta para chegar primeiro à Serra de Santo António (no dia do mesmo santo) e para conseguir transpor a portela até Minde.

Aí chegados e como o tempo se mantinha estável resolvemos prosseguir até Fátima de bicicleta naquela que se acabaria por revelar como a decisão correcta.

De referir que há duas alterações no percurso antes e depois do Covão do Coelho que nos vêem facilitar a passagem para Fátima.

A primeira que está referida como “pedestre” faz-nos evitar a subida na estrada para Fátima naquele que eu considerava ser a zona mais perigosa da travessia. É uma excelente alternativa para bicicleta já que apenas cerca de 50 metros não são cicláveis e chegamos directamente a Covão do Coelho.

A segunda é já a meio caminho entre aquela localidade e Fátima em plena zona de modelação Cársica onde a abertura de uma pedreira obrigou a criar um traçado alternativo num estupendo estradão. Vencida pois a dificuldade ascensional inicial começa a “cheirar a Fátima” e velozmente nos aproximámos do nosso destino onde chegámos pelo lusco – fusco já pelas 21:00.

Foi tempo de, na Capelinha das Aparições, agradecer à Virgem o modo como nos guiou nesta peregrinação já que as dificuldades motivadas pelo tempo estiveram quase a comprometer a jornada.

Em 2007 haverá mais, se deus quiser!

segunda-feira, 24 de abril de 2006

BTT de Cascais a Lisboa

From Guincho (Cascais) to Monsanto (Lisbon) one hundred kilometres off-road crossing the MTB paradises. That's our proposal!

De Cascais a Lisboa mas sem nada de marginalidades (entenda-se: pedalar na estrada marginal).

Antes ligar a praia do Guincho ao Parque Florestal de Monsanto em BTT. A proposta não é original antes se baseia numa sugestão / track do "Pedra Amarela" (grupo de BTT - http://pedramarela.no.sapo.pt/gps.htm ). E foi isso que a efectuei, em conjunto com o Jorge Cláudio, no domingo dia 23 de Abril neste ano da Graça do Senhor de 2006.

Foi uma incursão interessantíssima a vários níveis: pela sua originalidade; pelo facto de se ter rolado em ambientes completamente diferentes e até díspares entre si e acima de tudo, pelo estupendo dia de Primavera.

Saímos de Monsanto em direcção a Belém onde tomamos o combóio até Cascais com um dia de sol magnífico (sem no entanto ser um dia sufocante, longe disso).

Aí chegados deparámos com um ambiente dominical reforçado pela grande frequência da ciclovia que tomámos até ao Guincho. É divertido pedalar na ciclovia, sobretudo se passarmos o tempo a assustar os peões que aí não deveriam de estar, mormente aqueles que circulam aos pares placidamente. Trata-se de pedalar em pé, exuberantemente, travando no último momento e fazendo a traseira derrapar. Interessantíssima a reacção das senhoras. O que é certo é que resulta!

De resto reforçámos a ideia de que é importante ter uma boa bicicleta para aí circular em virtude da presença massiva de público feminino em quantidade e, permitam-me, em qualidade...

Chegados ao Guincho era tempo de ligar o GPS e de seguir o track proposto pela “Pedra Amarela”. Primeiro avança-se em direcção ao Abano subindo pela estrada que vai para a Malveira da Serra (247) a qual se abandona logo após, para a direita, percorrendo algumas centenas de metros junto à ribeira que se cruza e sobe para atravessar a EN 9-1. Tempo de pedalar a sul de Janes e de fazer a introdução à lendária serra de Sintra um pouco a poente da Barragem do Rio da Mula. O caminho que se segue, até ao cruzamento dos Capuchos é o habitual. Trata-se de uma mítica ascensão que nos leva dos 220 aos 350 metros em cerca de um quilómetro. Paragem clássica no cruzamento onde deu para verificar a densidade de betetístas por km2 existente na serra.

Após um primeiro “reabastecimento sólido” seguimos na direcção de Sintra pela deserta estrada de montanha entre muros (aqui divergimos pela primeira vez relativamente ao proposto no track que ia paralelo à mesma mas fora dela) para sairmos pela esquerda, um quilómetro volvido, onde começámos a descer em direcção a Monserrate. Primeiro através de um single-track e depois em estradão puro até alcançarmos a antiga estrada Colares – Sintra. Trata-se do famoso “troço da Eugaria” que é muito interessante de pedalar e foi isso que fizemos num traçado maioritariamente ascendente, para nascente e em direcção a Sintra.

Uma interessante constatação foi a diferença de tempo meteorológico entre as encostas da serra. Após Seteais e junto à Regaleira vira-se à esquerda e desce-se pela Quinta dos Castanheiros (caminho dos frades) num troço onde apenas havia passado anteriormente a pé e que o JC definiu eloquentemente como “Sintra no seu melhor”. A descida termina junto à ribeira de Colares um pouco a nascente de Galamares junto a um “driving range” onde se situa uma “pizzaria”. Entre a sanduíche inconsequente e uma destas especialidades da cozinha italiana optamos pela partilha desta.

A continuação faz-se pela Nacional 247 para nascente onde se sai após cerca de um quilómetro para a Ribeira de Sintra e o Cabriz. É tempo de percorrer umas ruelas secundárias e atravessar una baldios até ao Lourel e de contornar o Bairro da Cavaleira e o Algueirão em direcção ao Telhal onde se cruza a Linha do Oeste e nos internamos na Serra da Carregueira em direcção a Vale de Lobos e Belas.

Para mim que nunca aí havia pedalado foi uma agradável surpresa... Em algumas zonas está ainda intacta com os seus bosques de Carvalho, pinhais e trilhos extraordinários destacando-se a passagem de um enorme túnel e a chegada a Belas junto à Ribeira do mesmo nome perto da zona das “Ágoas Livres” na origem do aqueduto mandado edificar por D. João V e que abasteceu durante muitos anos Lisboa de água.

Foi tempo de Agualva (sempre “por detrás”) aproveitando os arruamentos exteriores e os baldios, descendo junto ao estádio, passando pela anta e passando sem delongas a Colaride, Massamá que, embora pelo “miolo urbano”, é sempre descendente passando a Tercena, Barcarena, Valejas e Serra de Carnaxide.

Em virtude do adiantado da hora (sim porque começámos tarde e almoçámos tranquilamente) em Carnaxide atalhámos para Monsanto sem ir ao Estádio.

Em suma:

• Ao contrário do que se possa pensar trata-se de uma ligação muito agradável de efectuar.
• Sem embargo a distância é considerável embora a altitude acumulada não seja nada de especial.

Relativamente ao track original, proposto pela “Pedra Amarela” dizer o seguinte:

• O propósito é claro, ligar, com um mínimo de asfalto alguns dos principais destinos do BTT na zona de Lisboa, i.e., Serra de Sintra, Serra da Carregueira, Serra de Carnaxide, Estádio Nacional e Monsanto. Neste pressuposto o track está muito bem idealizado não só ligando-os, de facto, mas passando pelas zonas mais pitorescas (algumas das quais eu, que não sou propriamente um amador nas lides, pura e simplesmente ignorava) e atalhando onde se suporia impossível de do fazer.
• Parece-me, no entanto, que houve alguma “obsessão” por evitar o asfalto que levou a que se efectuassem autênticos “U’s” para retomar o asfalto alguns metros adiante.

Ficam algumas propostas de alteração ao track proposto

• Na passagem da estrada “de cima” (247-3 Pé da Serra – Sintra) para a “de baixo” (375 Colares – Eugaria – Sintra) em que acho preferível descer os Capuchos até Colares / Eugaria e aí “enfrentar” as terríveis ascensões asfálticas da 375 (bonita via com pouco trânsito) ou, alternativamente, seguir sempre pela 247-3 (outra bela via praticamente deserta e, após o desvio da Pena, descer a assertiva vereda assinalada com a cores da PR (vermelha e amarela) até Seteais, seguir para a Regaleira e descer sempre, pelo “caminho dos frades” (referido no texto) virar à direita no “caminho dos castanhais” e depois à esquerda “descendo pelo “caminho dos carvalhais” até ao “Largo da Fonte” evitando a circulação na 247, estrada muito movimentada e sem bermas.
• De igual modo parece-me escusado o desvio até às bandas de Almargem do Bispo quando se pode circular um pouco pela encosta poente da Carregueira e seguir pela estrada pouco movimentada de vale de Lobos. Junto ao Belas Clube de Campo o track parece-me estupendo e o túnel é mesmo um “must” desta travessia”.
• Também de evitar parece-me o troço do “Shore” embora compreenda que é um local pitoresco para um betetista :-). Alternativamente parece-me preferível contornar a “Venda Seca” por nascente (também para evitar passar em propriedade privada).
• A partir de Carnaxide acho que não justifica o desvio até ao Estádio, não pelo local em si, que é muito agradável, antes porque a saída far-se-à, inevitavelmente, pelas ruas emaranhadas de Linda-a-Velha (Sharon Stone?) e Miraflores. Alternativamente proponho a passagem pelo topo norte de Carnaxide (pelas novas vias ainda com pouco trânsito) e alcançando o topo NW do Hipermercado Jumbo descendo então pela Avenida dos Cavaleiros até à Portela e Quinta do Paizinho pela zona do “Staples” e cruzando inferiormente o IC17 (CRIL) e superiormente a A6 penetrando em Caselas e retomando o track seguindo para Monsanto.

Para além disso há algumas alterações de detalhe pontuais, aqui e ali, já que, em minha opinião, numa travessia deste tipo não adianta estar a abandonar uma estrada para a retomar cem metros adiante.

Bem sei que algumas destas alterações propostas vão contra o “espírito do track”: o mínimo de asfalto e passar nos locais habituais de BTT mas, tratando-se de uma travessia com uma quilometragem respeitável (100 kms.) é importante simplificá-la, procurar evitar propriedade privada e, acima de tudo, evitar expor os betetistas aos caprichos do tráfego encurtando a sua permanência em vias perigosas e procurando vias com pouca densidade de tráfego e vocacionalmente cicláveis.

A repetir em breve...

Pedro Roque

sexta-feira, 21 de abril de 2006

INTRODUÇÃO À UTILIZAÇÃO DE UM RECEPTOR GPS

My friend Gonçalo Vaz gives us a simple but clear article about the use of GPS technology in MTB.

por Gonçalo Vaz

Introdução

Um aparelho GPS comunica com uma rede de satélites geo-estacionários que orbitam sobre a
Terra tal como a Lua mas numa posição aproximadamente constante (daí a característica geoestacionária) a 36.000 Km da superfície terrestre.

Com base na informação proveniente de um número não inferior a 3 satélites, o
processamento da informação fornecida por cada um deles, permite calcular a posição do
terminal na superfície terreste segundo 3 coordenadas: latitude, longitude e altitude, com uma
margem de erro que varia entre 1m e 5 metros para uma utilização não-militar.

Estes equipamentos são capazes de transmitir pedidos de informação para satélites a
sobrevoar a nossa localização na Terra, e depois de autorizado, o nosso terminal recebe e
descodifica o sinal emitido por cada um dos três satélites que nos fornecem informação...

(Leia aqui o texto integral)

domingo, 16 de abril de 2006

OCEANA ZARCO - A PIONEIRA DAS CICLISTAS EM PORTUGAL


Oceana Zarco and Sónia Campos (elites)

Hoje à tarde, no jornal da SIC deparei com uma notícia interessantíssima: a mais antiga ciclista portuguesa, Oceana Zarco,foi homenageada pela Câmara Municipal de Setúbal por ocasião do seu 95º aniversário.

" Oceana Zarco foi uma ciclista de Setúbal sendo a primeira prova em que participou no ano de 1925 e na II Volta a Lisboa. No ano seguinte voltou a participar na mesma Volta obtendo o primeiro lugar e a 20 de Setembro de 1926 participou na Volta ao Porto onde foi premiada com a medalha de ouro. A sua ultima competição com a idade de 18 anos tevelugar na Volta a Setúbal em 1929 classificando-se no primeiro lugar, prova onde participaram apenas três concorrentes femininas. Em 1930 voltou para a casa materna em Setúbal decidida a abandonar ociclismo e dedicar-se à profissão de enfermeira que exerceu durante 30 anos." in http://www.filipaqueiros.com/

" A homenageada, como atleta do Vitória Futebol Clube, alcançou, entre os anos de 1925 e 1929, diversos êxitos desportivos, vindo a abandonar o ciclismo com apenas 17 anos, por motivos de ordem física. Oceana Zarco é uma das pioneiras do ciclismo feminino em Portugal,numa altura em que a expressão desportiva era interdita às mulheres."in http://www.mun-setubal.pt/noticias/default.asp?ID=1182

A Velocipedi@ também se congratula, naturalmente, com o seu exemplo.

Feliz Aniversário Oceana Zarco!
Posted by Picasa

sábado, 15 de abril de 2006

Fundamentalismo ou Razão Pura?

We've known for decades that smoking is bad for your health!

Fundamentalismos à parte este gráfico publicado na página 13 do Expresso de 14 de Abril de 2006 é eloquente pelo que nos transmite.

A restrição legal tem toda a justificação. Quem não fuma tem de ser respeitado já que o acto de fumar prejudica terceiros que optaram, de forma racional, por não o fazerem.

Não fumar em espaços fechados é uma medida óbvia e que, em última análise, resulta em proveito do próprio fumador impedindo-o de fumar durante um tempo razoável ao longo do dia.

É um problema de saúde pública baseado em evidências científicas irrebatíveis com mais de duas décadas.

Já que o bom senso não chega as medidas lesgislativas são as mais adequadas para fazer respeitar os direitos dos não fumadores e tentar preservar a saúde dos próprios fumadores.

Vem isto igualmente a propósito do Projecto de Diploma que se encontra em discussão pública e que visa restringir, ainda mais, o acto público de fumar.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

MEMORANDUM ACERCA DO TRAJECTO DO “I RAIDE BTT DA FPCUB SETÚBAL – ODEMIRA – ALBUFEIRA”" DA FPCUB

From Setúbal to Albufeira, more then 250 kilometres in roads and trails of southern Portugal, crossing three districts and seven councils, that's the challenge we made to you!. Can you do it? Are you in physical and mental shape to fulfil it? Here is the memo that tell you how is going to be.

SÁBADO, DIA 29 DE ABRIL DE 2006

1. SETÚBAL - MELIDES

Simbolicamente o início será em Setúbal e o trajecto terá uma neutralização até Tróia. A concentração será feita às 08:15 em Tróia junto à saída dos barcos. Daí partiremos por asfalto em conjunto com os participantes da ligação cicloturística até Melides onde os deixaremos e seguiremos por trilho.
Circularemos (os participantes no raide BTT) no final do pelotão e beneficiaremos dos batedores e do efeito da passagem de um pelotão numeroso o que nos permitirá circular a uma velocidade apreciável.
Há um motivo claro que levou a esta escolha do asfalto: o facto de os terrenos que distam entre Tróia a Melides serem bastante arenosos e se tornar impossível circular por esses pinhais.

2. MELIDES – SANTIAGO DO CACÉM

Aqui entramos na travessia da interessante serra de Grândola que, neste troço, se caracteriza por ascensões generosas sobretudo na travessia de dois enormes barrancos (Livramento e Moinho) num enquadramento paisagístico notável mas de grande exigência física.
Após a travessia deste último barranco alcançaremos a EN 548 e nela cruzaremos, através de uma passagem inferior, o IP8 e alcançaremos Santa Cruz onde começaremos a subir para Santiago do Cacém por estrada para a abandonarmos à direita e contornarmos o limite urbano por poente.

3. SANTIAGO DO CACÉM – PAIOL
Contornado o limite urbano por poente entramos na EN 261 – 3 que abandonaremos logo de seguida na zona industrial pelo lado esquerdo e, após o final da mesma, seguiremos pela EM 1100 e, a dada altura, viraremos para poente para, passado mais de um quilómetro, retomarmos a direcção sul.
A travessia do Barranco da Velha está muito facilitado se comparado com os anteriores Livramento e Moinho pelo que, rapidamente, continuamos a pedalar para sul, por uma zona de serra, em direcção ao Paiol que é alcançado rapidamente.

4. PAIOL – SONEGA

No Paiol seguimos, para sul, em direcção à Barragem de Morgavel, passando pela Estação de Tratamento de Água, por uma zona relativamente plana antes e após o plano de água represado. Após a passagem do paredão surgem algumas dificuldades circunstanciais relacionadas com a presença de areia mas que são vencidas sem problemas de maior. A chegada à Sonega faz-se através da travessia de Vale de Meio por uma subida contínua mas suave.

5. SONEGA – EN 532 (JUNTO AO RIO MIRA)

A partir da Sonega temos, pela frente a Serra do Cercal que iremos contornar por poente por forma a que não seja exigido aos participantes um esforço acrescido tendo em consideração que ainda faltam alguns quilómetros e que já pedalaram bastantes. Assim sendo prosseguiremos durante cerca de 300 metros na EN 120-1 que abandonaremos à direita para um estradão que segue para sul.
A dada altura pedalaremos para poente para contornar os montes e desceremos até à EM 1116 por onde seguiremos até ao seu final em Godins e transporemos o corgo (pequeno barranco) do mesmo nome subindo até Adail sempre com a serra a nascente embora atravessando um estradão com um pouco de areia mas nada de muito difícil.
Cruzaremos a EN 390 e continuaremos sempre para sul. Na zona do Porto da Mó a opção, novamente foi a de contornar os elevados montes, assim sendo circulamos um pouco para poente onde desceremos até à EN 532 (Milfontes – São Luís) junto ao Rio Mira.

6. EN 532 - TROVISCAIS

Seguiremos pela EN 532 durante mais de três quilómetros observando os montes a nascente que abandonaremos, chegando ao Monte do Amarelinho, para SE. Circularemos por um estradão largo e rápido em zona de eucaliptal até Vale Bejinha após o qual circularemos pela EM 1100 que abandonaremos para sul na zona da Carrasqueira e rapidamente chegaremos aos Troviscais.

7. TROVISCAIS – ODEMIRA

Este troço, à falta de alternativa válida em todo o terreno para a travessia da Ribeira do Torgal, será efectuado por estrada. Circularemos entre Troviscais e Castelão pela EM 1110 – 1 e após esta localidade pela EN 120 até Odemira, num percurso maioritariamente descendente e onde cruzaremos a referida Ribeira. Antes da descida final para Odemira sairemos à esquerda onde, por um estradão, acederemos directamente à zona do Pavilhão Municipal de Odemira final deste 1.º dia.


DOMINGO, DIA 30 DE ABRIL DE 2006

8. ODEMIRA – BOAVISTA DOS PINHEIROS

Desceremos da zona do Pavilhão Municipal, que fica num alto, até ao centro de Odemira, cruzaremos a ponte sobre o Rio Mira, circularemos pela EN 120 para, logo após o cemitério, sairmos para a esquerda subindo, junto ao Mira e, por uma quota superior ao lado direito do Corgo do Carvalhal, chegaremos a Boavista dos Pinheiros.

9. BOAVISTA DOS PINHEIROS – VIRADOURO

Este trajecto será efectuado pela estrada que liga Boavista dos Pinheiros a Sabóia. Esta estrada está, na maior parte do seu traçado, em muito mau estado (estando a receber obras de beneficiação) o que lhe afasta praticamente o trânsito automóvel (já de si disperso) e é a ideal para ganharmos rapidamente quilómetros na direcção do Algarve. São cerca de 25 kms. pela margem esquerda do Mira (embora mais a sul), primeiro acompanhando o corgo de Refroias em sentido descendente, até se cruzar a ribeira da Ameirinha (afluente do Mira). A partir daí sobe-se e vai cruzar-se a portela da Fonte Santa para se circular junto à margem esquerda do Mira até Sabóia e daí até Sabóia.

10. VIRADOURO – SÃO MARCOS DA SERRA

Junto ao Viradouro há uma pequena ponte sobre a Ribeira de Telhares que iremos cruzar. A partir daí circulamos sempre por terra e junto à ribeira e ao caminho de ferro até chegarmos ao asfalto de uma estrada secundária e a Pereiras Gare. Continuamos sempre por esta estrada, junto à ribeira de Besteiros e à ferrovia (primeiro a poente, despois a nascente desta) cruzando para o Algarve e o concelho de Silves alcançando São Marcos da Serra.

11. SÃO MARCOS DA SERRA – RIBEIRA DE ODELOUCA

Em São Marcos cruzamos a linha férrea de novo para poente e começamos a circular por uma das zonas mais bonitas da travessia: a ribeira de Odelouca que iremos acompanhar pela margem direita durante muitos quilómetros até à zona da foz do Carvalho onde a iremos transpor a vau para a sua margem esquerda. Este será um dos pontos altos da travessia pois teremos mesmo de nos molhar!

12. RIBEIRA DE ODELOUCA – BARRAGEM DO ARADE

Seguimos ainda umas centenas de metros por esta margem e iniciamos a subida do dia. Trata-se da subida do barranco da Parra que nos levará, em cerca de três quilómetros dos 70 metros de altitude até aos 320 metros. Será a nossa grande dificuldade ascensional do dia. Chegados ao topo continuamos à mesma cota até ao marco geodésico de Pereira começando então a descer ligeiramente para o Açor e depois fortemente para a zona das barragens, primeiro a do Funcho e depois a do Arade.

13. BARRAGEM DO ARADE - ALBUFEIRA

Já junto à albufeira desta última saímos à direita para a Casa Queimada, subimos um pouco, tornamos a descer e, como que por milagre, termina a serra e entramos no barrocal algarvio com os seus laranjais de um verde forte e a terra vermelha tão típica que tão o mote à paisagem. Alguns quilómetros adiante entramos na EM 1152 durante uma centena de metros para cruzarmos uma ponte sobre o Arade e logo sairmos para a direita para uma zona denominada de Torres e Cercas (curioso nome).
Mais adiante cruzaremos a EN 528 e, flectindo um pouco para nascente iremos cruzar a primeira das três grande vias longitudinais algarvias, neste caso a ferrovia da Linha do Algarve em Alcantarilha Gare e, em simultâneo, a EN 269. Tomamos a EN 269-1 durante cerca de 200 metros e saímos à direita na direcção S para cruzarmos as ribeiras de Alcantarilha e Algoz. Cruzamos a EN 269-1 perto de Seixosas e continuamos na direcção SE e depois para S cruzando superiormente o segundo eixo longitudinal algarvio a A22 (Via do Infante de Sagres) e a EN 524 perto de Alcantarilha.
A próxima travessia é a da perigosa, larga e movimentada EN 125 (terceiro eixo longitudinal). Será necessária uma especial atenção nesta travessia uma vez que é larga e movimentada e as velocidade aí praticadas justificam uma precaução acrescida. A partir daqui continua-se primeiro para S e depois para nascente atravessando uma zona de areia que complicará um pouco a progressão mas, após a travessia da ribeira de Espiche, tudo voltará ao normal em termos de piso. Subimos então um pequeno troço de asfalto subindo até à zona de Montes Juntos, cruzando a EM1281 junto ao Vale da Parra circulando sempre para nascente durante cerca de três quilómetros e entrando, no Pátio, na EN 526-1 perto de uma estação elevatória de águas que tínhamos como ponto de referência de há muitos quilómetros a esta parte.
Refira-se que este ponto marca a mudança abrupta da ruralidade, que sempre nos acompanhou desde Odemira, para o urbanismo de Albufeira. De repente vêmo-nos rodeados de viaturas e de prédios se bem que a descida até Albufeira se faz num ápice marcando o final desta nossa travessia.

domingo, 2 de abril de 2006

Santa Clara - Albufeira - Raid da FPCUB totalmente reconhecido!

Yesterday we fulfill the final cut of this raid's path recognition from Santa Clara to Albufeira. The passage through the Odelouca's valley is something unique and unforgetable, as well as the fast down hill from the Açor's high to the Arade's dam and also the cross of the Algarve´s barrocal with a typical mediterranean mix of lights, colours and smells - a paradise to the senses with the seaside just in front.

O RECONHECIMENTO FINAL

Já está totalmente reconhecido o traçado do “Raid BTT Setúbal – Odemira – Albufeira” da FPCUB.

Ontem terminámos o mesmo com a ligação entre Santa Clara a Velha e Albufeira.

Devo-vos dizer que a tarefa de entrada no Algarve está muito facilitada já que se utilizaram dois corredores de penetração relativamente planos: a Linha de Caminho de Ferro do Sul (entre Santa Clara e São Marcos da Serra) e o traçado da Ribeira de Odelouca. Nunca pensei que se conseguisse nivelar tanto.

A “piece de resistance” vai ser mesmo a travessia da dita ribeira a vau (na ausência de ponte). Ontem ainda a mesma se fez com alguma corrente e com uma altura de água a meio das coxas. No final do mês dependerá, obviamente, da precipitação.

A partir deste ponto é uma subida contínua com quase 15% longo de um barranco (a única grande subida da etapa) e em cerca de 3 quilómetros, que nos levará até ao alto do Açor após o que desceremos continuamente até à barragem do Arade após a qual penetraremos no estupendo barrocal com os seus laranjais, e a sua “terra rossa” tradicional do Algarve plantado com figueiras, alfarrobeiras e amendoeiras.

Aí chegados teremos de circular numa espécie de ziguezague cruzando os três eixos longitudinais: linha do Algarve, Via do Infante de Sagres e EN 125 quilómetros após o qual rapidamente entramos de repente no urbanismo albufeirense.

A ETAPA

Esta etapa será menos dura que a primeira uma vez que se privilegiou o rolar em detrimento do “ascender” (embora na primeira tenha havido igual preocupação). Passa em zonas muito belas: o percurso junto à Ribeira de Odelouca é excepcional em termos paisagísticos, tal como a descida a partir do alto do Açor para o Arade e ainda a travessia do barrocal e as suas vistas do mar em contraste com a sua ruralidade numa explosão de luz, côr e aromas de tipo mediterrânico.

O RAID

A preparação deste Raid entra agora numa nova fase já que está totalmente reconhecido e registado em GPS estando, igualmente, garantido o apoio da Câmara Municipal de Odemira através das facilidades de utilização das instalações do Pavilhão Municipal pelo que, durante a próxima semana será publicado um website contendo todas as informações pertinentes relativamente ao traçado, inscrições e logística.

Para já fica a informação de que o número de inscrições será, naturalmente, limitado (tendo em consideração as características deste evento). Uma vez que a navegação é totalmente por GPS os participantes irão circular em pequenos grupos por forma a que quem não possua o aparelho não seja impedido de participar e, igualmente, existir uma vigilância mútua por motivos de segurança.

O TRAÇADO

Sendo um Raid para durar 2 dias e tendo uma extensão superior aos 250 kms. é natural que não se tenha apostado muito na dureza ascensional como aliás não seria difícil tendo em consideração o relevo em presença.

O raid será assim um misto de todo o tipo de terrenos e que incluirão também a estrada que, embora de forma minoritária em termos quilométricos, surgirá como modo de fazer os participantes avançarem procurando aproveitar as horas de luz que já deverão de ser, todavia, abundantes no final do mês de Abril. Ainda assim o transporte de iluminação própria é fortemente recomendável.

Reservem o fim de semana de 29 e 30 de Abril. A inscrição é exclusiva mas gratuita para os associados da FPCUB.

quarta-feira, 29 de março de 2006

Férias de "Comboio"


It was a very old idea: to spin in the turns of the formers railways of Vouga and Dão...

A ideia já tinha uns anos: pedalar pelas curvas e contracurvas das
linhas desactivadas do Vouga e do Dão. As expectativas eram baixas.
As duas linhas desactivadas há já alguns anos e com passagem pelo
meio de tantas localidades já deveriam estar obstruídas, ora por
construções, ora pela vegetação. Mesmo assim, se não fosse possível
pedalar pela linha, certamente que aquela zona do país não nos
desapontaria em termos de beleza natural.
Este ano, munidos de um simples mapa de estradas e de um GPS, o
projecto foi finalmente avante.

10/07/2005
Leiria – Carvoeiro (algures na margem do Vouga)

Pouco passava das 8:00 da manhã quando saí de casa. Rapidamente
desci os 6 quilómetros que separam a minha aldeia da cidade de
Leiria, que por ser domingo, estava deserta. Fiz a subida do dia até
chegar a casa do Nuno, o meu companheiro de jornada. Lá estava ele
ansioso e pronto para seguir. Agora já éramos dois e a nossa
aventura começava.
Sempre por alcatrão, descemos até atravessar a tristemente famosa
Ribeira dos Milagres. Voltámos a subir suavemente para a Bidoeira e
mais à frente encostámos à Ribeira de Carnide que nos havia
de "levar" até ao Mondego. Começaram a aparecer os primeiros
arrozais. No início, timidamente num vale ainda estreito mas depois
numa área muito maior e a perder de vista. Procurando o melhor
caminho, pedalámos cruzando o vale, embalados pelo "ta-ta-ta..." das
motobombas e pelos pios das aves de rapina que por ali voavam.
Espectáculo! Rodeados de arrozais e a pedalar em terra, o dia estava
a começar bem, até o caminho parecer querer acabar, logo ali com os
carros a passar numa estrada alcatroada mesmo à nossa frente. Não
calhava nada ter de voltar atrás e procurar outro caminho. E não foi
preciso porque havia uma pequena comporta para regularização do
nível das águas e com algum equilíbrio conseguimos passar
para "terra firme".
Depois das Termas da Azenha (local conquistado, recuperado e
invadido por holandeses) chegámos finalmente ao Mondego. Já tínhamos
visto uma placa a indicar "Mata Mourisca" e agora chegávamos
a "Moinho do Almoxarife". Como se isso não bastasse, o simpático
dono do café local era um homem bem moreno e de bigode. Um autêntico
muçulmano. Definitivamente estávamos ainda em território mouro".
Talvez o Mondego fosse a fronteira, mas como pudemos verificar bem
mais a Norte, ainda haveríamos de passar por Mourisca do Vouga.
Aproveitámos a paragem para tomar um segundo pequeno-almoço e
arrancámos de novo debaixo de forte calor. O Mondego e os seus
canais acompanharam-nos durante vários quilómetros, primeiro até
Montemor-o-Velho e depois até ao Choupal em Coimbra. Aqui, chegados
a uma rotunda, rapidamente avistámos as primeiras setas amarelas que
apontam para Santiago de Compostela. Aquelas longas rectas planas
pelos campos do Mondego, já me estavam a fazer mossa e foi com
alguma boa vontade que me deixei convencer pelo Nuno a pedalar até
Santa Luzia onde um belo restaurante nos haveria de saciar a fome e
a sede. Até lá seguimos as setas amarelas atravessando pequenas
aldeias nos arredores de Coimbra.
Finalmente o restaurante. E ainda por cima com ar-condicionado.
Sopa, sandes de leitão, melão e café, foi quanto bastou para
voltarmos à estrada. Até à Mealhada o Caminho de Santiago entra
verdadeiramente em terra. Pedalámos por vinhas, hortas e pinhais. O
percurso está bem marcado e até tem setas pregadas em árvores:
amarelas para Santiago e azuis em sentido contrário para Fátima.
Antes de chegar à Anadia ainda nos perdemos, pois no meio de um
pinhal estavam duas setas amarelas e cada uma indicava um caminho
diferente. Devemos ter escolhido mal porque só encontrámos mais uma
seta. O que nos valeu é que apareceu mais um café e fizemos uma nova
paragem para refrescar.
Mais à frente reencontrámos o Caminho, que voltámos a perder à saída
de Águeda. Estes desencontros foram sempre oportunidades para
conhecer novos trilhos e apimentar a jornada com a incerteza de
estar a tomar a opção certa. Costuma dizer-se que "A sorte protege
os audazes" e é verdade. Pelo menos connosco bateu sempre tudo
certo, avançando para norte sem percalços.
Nova paragem. Desta vez, ao atravessarmos uma aldeia por uma rua
estreita, fomos "barrados" por uma procissão que avançava em nossa
direcção. Foi um bom pretexto para descansar um pouco. Tirámos os
capacetes, encostámos à berma e aproveitámos para fotografar o
desfile, com mordomos, andores, banda filarmónica e criancinhas
vestidas de anjinhos e Nossas Senhoras. Só mesmo nós é que
destoávamos no meio de tanta gente com o "fato de domingo".
Entretanto íamo-nos aproximando do rio Vouga e em Macinhata do Vouga
tivemos o primeiro contacto com o ramal de Aveiro, onde ainda passam
comboios. Foi com grande espanto que ao chegar a Sernada, deparámos
com uma ponte onde carros e comboio partilham o tabuleiro, um de
cada vez, claro! Nesta localidade bem pitoresca, jantámos no bar da
estação. Deviam ser quase 20:00 e havia que enganar o estômago.
Aproveitámos também para comprar alguma coisa para tomar ao pequeno-
almoço.
A estação de Sernada estava cheia de velhas carruagens,
completamente "decoradas" com graffitis e com poucos vidros
inteiros. Já meio ocultos pela noite que começava a cair, pedalámos
pelo meio dessas composições e à saída da estação entrámos numa
estrada de alcatrão que só se dá conta que já foi uma linha de
comboio, porque, mais à frente, tem uma ponte metálica bastante
estreita. Debaixo do IP5 a linha desapareceu completamente mas foi
possível encontrá-la de novo e fazer mais algumas centenas de metros
em terra.
Surgiu a primeira contrariedade. Depois de atravessar o alcatrão a
linha estava cheia de mato e era impossível progredir. Por esta
altura já era noite cerrada mas como tínhamos luzes, coletes e
reflectores, decidimos seguir por estrada e tentar retomar a linha
mais à frente. Um pouco mais à frente o Nuno saiu de repente para a
esquerda e eu segui-o meio atrapalhado, conseguindo a proeza de
entalar a corrente entre os dois pratos mais pequenos. Poucos metros
à frente a linha voltava a estar cheia de mato e aquele pequeno
troço apenas servia duas garagens de umas casas que havia por ali.
Ali ficámos a resolver a avaria enquanto os cães ladravam e um pouco
mais acima, uma voz de mulher meio assustada chamava pelo Carlos
(?). Respondemos que não éramos o Carlos e já na estrada com a
avaria resolvida ainda ouvimos a senhora a chamar-nos " – Seus
malandros!" e que já tinha chamado a GNR.
A senhora não deve ter ganho para o susto e eu, confesso, não fiquei
muito satisfeito com a ideia de ter a Guarda à perna, embora não
tendo feito nada de mal. Concluímos que não adiantava continuar e no
primeiro corte que descobrimos para o rio, descemos para pernoitar.
Numa zona onde o vale é bastante estreito, tínhamos descoberto uma
praia de seixo e umas acácias a fazer de telhado. Um verdadeiro
hotel de mil estrelas com vista rio e águas correntes. Um luxo! O
pior foi ter de adormecer transpirado dentro de um saco cama, por
causa dos mosquitos e das melgas. É que apesar de nos termos
besuntado com repelente a bicharada não deu tréguas. Até um cão
vadio por ali apareceu (ou seria o Nuno a ter visões?). Para
completar o quadro, os eucaliptos não pararam de fazer barulho toda
a noite sacudidos por forte vendaval. Só faltou chover.

11/07/2005
Carvoeiro (algures na margem do Vouga) - Viseu

Ainda não eram 7:00 e já estávamos novamente à beira do alcatrão.
Aproveitámos o facto de haver ali um pequeno estacionamento com uma
grande mesa em pedra, para tomar o pequeno-almoço e acondicionar
decentemente toda a tralha desarrumada à pressa na véspera. Depois
da experiência da noite anterior, decidimos que nesta zona não
valeria a pena insistir em pedalar pela linha. Até porque ela estava
ali, mesmo encostada à estrada, mas uns metros mais alta. Iniciámos
então o nosso dia pedalando por alcatrão, até que um pouco à frente
avistámos um grande viaduto em alvenaria, que atravessava o vale
para o outro lado. Só podia ser a linha. Na primeira oportunidade
saímos da estrada e subindo um pouco lá a apanhámos, mesmo à entrada
do tal viaduto. Apesar de ser bem alto, foi atravessado em segurança
porque, tirando algumas travessas que ainda resistem ao tempo,
parece uma normal ponte rodoviária com o piso em terra. Foi o
momento para tirar umas fotos e apreciar a paisagem. Mas o melhor
ainda estava para vir.
A partir daqui o eucalipto começou a dar algum espaço a outras
espécies bem mais frescas, o piso em terra mantinha-se perfeitamente
ciclável e apareceram os primeiros túneis (curtos a não ser
necessário utilizar luzes). O vale tornava-se mais largo e
começávamos a passar pelo meio de algumas aldeias com campos
cultivados. Um regalo para a vista! A partir daqui e até Viseu cerca
de 90% do percurso é ciclável.
Com o Sol a apertar, encontrámos uma mercearia onde comprámos fruta.
Enquanto comíamos, fomos contemplando à nossa frente uma imponente
fábrica de massas alimentares em ruínas, que recebia energia de uma
mini-hídrica construída um pouco mais abaixo, no Vouga. Um
verdadeiro monumento à nossa indústria, a merecer melhor destino. Lá
estavam os enormes silos de cereais junto à estação a deixar
adivinhar a importância que a Linha do Vouga teve, no transporte de
pessoas e mercadorias.
De vez em quando o mato invadia o percurso e o piso tornava-se muito
duro. Tudo em pequenos troços que não dava para nos desanimar.
Quando nos aparecia um obstáculo saíamos da linha e poucas centenas
de metros mais à frente era possível retomá-la. Encontrámos de tudo
a impedir-nos a passagem: casas novas, prédios, aviários, uma Ford
Transit ferrugenta, blocos de pedra, campo de futebol, etc.
Numa das várias aldeias que íamos atravessando, encontrámos mais uma
mercearia e nova oportunidade para nos refrescarmos, desta vez com
um melão. Antes de chegar a Vouzela fizemos a parte mais dura do
dia. Tinham andado a cortar as árvores e o percurso estava cheio de
ramos. Tivemos de progredir com a bicicleta à mão, debaixo de um Sol
abrasador. Mal apanhámos o alcatrão ali ao lado, esquecemos a linha
e descemos para o almoço.
Já a pedalar à dois dias, debaixo de muito calor e sem tomar banho,
resolvemos almoçar na pequena esplanada de um restaurante, para não
estragar o ambiente no interior. O nosso mau aspecto era tal que a
senhora que nos atendeu perguntou-nos se não queríamos tomar um
duche para ficarmos "mais frescos". Agradecemos a simpatia mas a
hora era de comer e não de nos preocuparmos com "coisas menores".
Definitivamente estávamos num "país diferente": a dose era a preço
de "Mouro" mas enfartava dois "Galegos". Depois da "vitelinha de
Lafões" ainda nos fomos deitar no jardim, por baixo do viaduto
ferroviário, mas a visão de tão imponente construção que haveríamos
de transpor e o ataque das formigas, rapidamente nos fez pôr de novo
em marcha .
Abastecemos de água numa fonte muito antiga e atravessámos a parte
antiga de Vouzela, subindo uma rua bastante inclinada até encontrar
novamente a linha. Durante estes quatro dias quase nunca comprámos
água. Apesar da seca, fomos sempre aproveitando a água das fontes
sem que tenhamos sentido qualquer problema de saúde.
De Vouzela para as Termas de S. Pedro do Sul, a distância é curta
mas o desnível é acentuado. Como é que isto se fazia de comboio?
Simples! Depois de atravessar o viaduto, cruzámos a antiga estação,
agora recuperada e transformada em terminal rodoviário. Ali ao lado
uma antiga locomotiva a vapor em exposição lembra outros tempos.
Depois a linha descreve uma espécie de "oito" num carreiro cheio de
pedras que teve de ser feito sempre a travar (?). Uma delícia!
Nas Termas fizemos mais uma paragem para comer um gelado e retomámos
o percurso para descer o que faltava até S. Pedro do Sul. A partir
daqui até cerca de quatro quilómetros de Viseu, a linha é quase
sempre a subir. Primeiro flecte para Sul durante um bocado, para dar
meia volta e seguir para Norte, numa direcção paralela mas em cota
mais elevada. Curvas e contra-curvas foi coisa que não faltou ao
longo deste dia. Nesta zona o percurso é quase sempre em estradão
sem vegetação a complicar (à excepção de um pequeno troço onde havia
um fogo, antes de chegar a Moçamedes).
Em S. Miguel do Mato passámos ao lado de uma igreja muito antiga
(seria um convento?), junto a um cemitério abandonado com vista para
um vale profundo, encimado por alguns penhascos. Tudo aquilo ali no
meio do nada fez-me lembrar algumas paisagens do Gerês. Mais à
frente com a aproximação à cidade de Viseu, a linha começou a deixar
de se perceber e satisfeitos com o que já tínhamos feito, pedalámos
por alcatrão até à cidade.
Ainda antes de atingir a cidade, após alguma teimosia, dei-me por
vencido e resolvi trocar uma câmara que perdia ar. Ainda com dois
dias para pedalar era um desperdício deitar fora o líquido selante
da câmara rota, ainda por cima porque não o tinha na câmara nova.
Nada que não se resolvesse! Cortámos a parte de cima de uma
carrapeta e ficámos assim com um pequeno "tubo roscado", onde
apertámos as válvulas das duas câmaras-de-ar, uma de cada lado. Com
as câmaras unidas pelas válvulas, foi só espremer o "sumo" da velha
para dentro da nova e recuperámos assim grande parte do líquido
selante. Tirando um pequeno contratempo no primeiro dia, também com
uma câmara (que até nem foi preciso trocar) e o episódio nocturno da
corrente encravada, não houve mais problemas técnicos.
Chegámos finalmente a Viseu onde desta vez dormimos numa residencial
com direito a banho, lavagem da roupa suja e garagem para as
bicicletas. Nessa noite deu para dormir bem e recuperar as forças
para o dia seguinte.

12/07/2005
Viseu – Pomares (sopé da Serra do Açor)

Depois de tomado o pequeno-almoço estávamos como novos, bem dormidos
e entusiasmados com a jornada do dia anterior que tinha superado as
nossas melhores expectativas. A Linha do Vouga tinha sido percorrida
quase na sua totalidade, dando-nos a conhecer a bela região de
Lafões. Agora faltava descobrir o que a Linha do Dão tinha para nos
oferecer.
Descemos a cidade em direcção à rotunda onde dantes existia a
estação. Andámos por ali um pouco perdidos até que encontrámos o
armazém das mercadorias, que ainda resiste, ao serviço de uma
empresa de distribuição de encomendas. Imediatamente ao lado do
barracão seguimos o antigo traçado da linha que seguia pelo meio das
casas, atravessando os subúrbios da cidade, sempre num piso liso e
rápido. Nem queríamos acreditar: Tínhamos saído de Viseu logo pela
linha e ali continuava ela sem dar sinais de querer desaparecer.
Pedalámos forte até aparecer aquilo que iria dar o mote deste dia:
Uma pequena ponte sobre uma ribeira, com um vão de pouco mais de
cinco metros, apresentava como "tabuleiro" duas vigas de ferro
afastadas cerca de um metro uma da outra. Tivemos de passar em
equilíbrio, com a bicicleta em cima de uma viga e nós a segurar em
cima da outra. Fácil! Do outro lado o caminho continuava em bom piso
a convidar a pedalar forte.
Atravessámos uma vinha, evitámos um silvado, contornámos o desaterro
feito para a construção de duas vivendas e chegámos a uma ponte, ali
para os lados de Torredeita. A Ponte metálica tinha um vão e uma
altura consideráveis e como "tabuleiro" tinha de um dos lados uns
quadrados em cimento de aspecto muito duvidoso e que se moviam
quando os pisávamos. Avançámos pé-ante-pé, sempre a contar que uma
daquelas placas se partisse. Quando verifiquei, numa que estava
partida, que tinham uma malha interior de ferro, fiquei um pouco
menos tenso e o meu nível de confiança aumentou. Mesmo assim, só
quando ambos nos encontrámos já do outro lado é que respirámos fundo.
Logo mais à frente o mato começou a invadir a linha e para piorar as
coisas, neste troço ainda permaneciam os carris e as travessas.
Tivemos de avançar lentamente com as bicicletas à mão até sermos
barrados pelas obras de construção de uma nova estrada. O alcatrão
estava perto e foi por aí que seguimos até voltar a encontrar a
linha em Farminhão. Daqui até Tondela foram poucos os desvios que
tivemos de fazer, sendo mesmo o maior, a deslocação ao centro da
cidade, onde almoçámos numa magnífica esplanada em frente aos
Bombeiros.
Depois do almoço e de novo à procura da linha, logo fomos
presenteados por uma segunda ponte metálica. Desta vez só tinha
mesmo as duas vigas principais. Pelo menos o ferro das vigas era
forte e não abanava. Lá fomos devagarinho, com uma mão no avanço da
bicicleta e outra no corrimão, um de um lado e outro do outro.
Quando estava quase a chegar ao outro lado verifiquei que faltavam
cerca de três metros de corrimão. Voltar para trás era impensável e
por isso tive de me encher de coragem e avançar em verdadeiro
equilíbrio até voltar a ter onde me agarrar.
Daqui para a frente a pedra começou a fazer-se sentir. No início
ainda pedalámos em bom piso mas depois as aldeias começam a ficar
mais distantes, há menos terrenos de cultivo e a linha parece que só
serve mesmo para que alguns malucos como nós por ali passem. Foram
alguns quilómetros bem duros, sempre a chocalhar e a rezar para que
nada se partisse. Numa das paragens que fizemos, aproveitámos para
nos refrescarmos com a água que saía de uma mina e que corria por um
rego até umas manilhas, donde depois se regava uma horta. Se era
própria para consumo? Não sabemos. Mas que soube bem, soube!
O rio Dão fazia a sua aparição, largo, açudado pela Barragem da
Agueira alguns quilómetros mais abaixo. No ar várias aves de rapina
voavam e piavam ao sabor da brisa quente. O Nuno ainda sugeriu uma
banhoca mas ao aproximarmo-nos da água, rapidamente desistimos.
Entretanto faltava pouco para chegar ao fim da linha em Santa Comba
Dão e como era cedo tínhamos de decidir o que fazer. Até porque, ao
chegarmos à ponte que atravessa o Dão, verificámos que era
completamente impossível a travessia. A ponte é muito comprida e só
tem as vigas. Seria de loucos tentar fosse o que fosse.
O desejo da banhoca deu o mote. Em Pomares existe uma bela praia
fluvial com um parque de campismo do melhor que conheço. O Nuno "deu
corda" ao GPS e poucos segundos depois ficámos a saber que quarenta
quilómetros de estrada nos separavam dessa aldeia no sopé da Serra
do Açor. Vendo que tínhamos tempo para lá chegar demos por
terminada, ali à entrada da ponte, a nossa viagem de "comboio". A
pequena distância que nos separava de Santa Comba foi percorrida
primeiro por um caminho de terra que parecia não parar de subir e
depois por alcatrão, novamente pela margem do Dão.
Atravessado o Dão, subimos, para voltar a descer à mesma cota, mas
desta vez para atravessar o Mondego. Nova subida até Tábua e depois,
embora mais suave, sempre a subir até à EN 17. Pedalámos um pouco
nesta via até que virámos à direita e sempre a descer alcançámos o
rio Alva na localidade de Avô. Cerca de quatro quilómetros, pelo
vale da Ribeira de Pomares nos separavam do nosso destino.
Mal chegámos, parámos no café para encomendar o jantar e fomos ao
parque de campismo para fazer a inscrição. Tudo muito rápido porque
a água da ribeira esperava por nós. Finalmente um mergulho e umas
braçadas por baixo da ponte romana. Não fora a água estar gelada e
se calhar ainda lá estaríamos. Sem dúvida um local a visitar. Nessa
noite dormimos sob a copa das tílias do parque, sem mosquitos nem
formigas. Antes de adormecer, disse ao Nuno: "- Amanhã estamos em
Leiria". Ele resmungou qualquer coisa que me recuso traduzir e ainda
tive tempo de ouvir uns campistas a dizer. "- Aqueles tipos vão
dormir ao relento!". E que bem que dormimos!

13/07/2005
Pomares – Leiria

Havia que tomar uma decisão. Ou seguíamos pelo vale do Alva, ou
subíamos a serra e pedalávamos pela cumeada até Gois. Ainda não
sabíamos qual o destino a atingir neste dia, apenas que pedalaríamos
em direcção a Leiria. Até porque o meu companheiro estava com
uma "impressão" no joelho. Enquanto tomávamos o pequeno-almoço,
decidimos que a volta pela serra seria mais interessante. Comprámos
alguma coisa para o almoço, carregámos com água (da fonte) e
seguimos serra acima. Pelo caminho íamo-nos distraindo com a beleza
das aldeias e suas casas em xisto e com o flagelo dos incêndios que
deixam grandes manchas a preto e branco. Chegados à estrada que liga
Coja ao Piodão, pudemos verificar que a Mata da Margaraça ainda não
tinha ardido, embora o fogo tenha andado perto.
Atingido o ponto mais alto desta estrada, virámos para Oeste e demos
início a um sobe e desce pela cumeada da serra. Passámos junto a um
posto de vigia, cruzamo-nos com vigilantes do ICN num carvalhal e
almoçámos num parque de merendas, junto a um local onde se
concentravam meios de vigilância da área protegida da Serra do Açor.
Da parte da tarde a coisa complicou-se. Logo a seguir à paragem do
almoço fizemos uma subida em terra como ainda não tínhamos feito
nestes dias. O Sol a pino e a ausência de sombra aumentavam a
dificuldade e ainda por cima a neblina não deixava alargar a vista
pelo horizonte. Já por aqui tinha passado (vindo de Linhares da
Beira, aquando dos primeiros reconhecimentos para a elaboração da
Rota das Aldeias Históricas) e a paisagem que se avista num dia
limpo é indescritível. Basta lembrar que estamos na cumeada de um
conjunto de serras que "cortam" o país ao meio: o sistema Montejunto-
Estrela. Lá se fez a subida, seguida de uma descida muito comprida e
depois de passar um tanque de água apareceu uma nova "parede" maior
que a anterior. Depois de superadas estas duas subidas é que
verificámos que afinal não eram nada de especial e que nós é que
andávamos há três dias mal habituados, a viajar de "combóio".
Ainda nos cruzámos com uma vigilante que, do cimo da sua torre, nos
cumprimentou e iniciámos uma descida vertiginosa até Gois, de que só
me lembro de uma zona onde o piso estava coberto de algo
avermelhado. Mais tarde, entre Gois e a Lousã, pude verificar que se
tratavam das vagens secas das sementes das acácias. São milhões os
pequenos grãos pretos que ficam a cobrir as bermas da estrada entre
estas duas localidades, depois das vagens voarem com o vento.
Em Gois fizemos uma paragem numa esplanada à beira do rio Ceira.
Ainda não eram três da tarde e a "impressão" no joelho do Nuno não
passava disso mesmo, uma impressão. A partir daqui e quase sem
darmos conta, foi quase um contra-relógio até Leiria. Sempre por
alcatrão chegámos à Lousã, onde fizemos nova paragem para mais um
gelado. Miranda do Corvo ficava logo à frente e ao seguirmos o rio
Dueça ou Corvo, sem subir e num piso a pedir roda fina, passámos
Penela quase sem dar conta. Chegámos à zona do Sicó que nos convidou
a deixar o asfalto e percorrer alguns quilómetros de terra até perto
de Lagarteira.
Com Ansião logo ali à frente ficou claro que este dia terminaria em
Leiria e seria o último desta aventura. Jantámos cedo em Ansião e
eram oito horas quando nos pusemos de novo ao caminho. Ainda fizemos
um bocado de terra antes de Santiais onde já chegámos de noite.
Albergaria-dos-Doze, Memória e Caranguejeira foram sendo alcançadas
uma a uma, até que em Leiria, frente ao ferro-velho nos separámos.
Cheguei a casa por volta das onze da noite ainda incrédulo com a
etapa que tínhamos feito neste dia.

No final fizemos cerca de 510 quilómetros e 5700 m de desnível
acumulado, nada mau!
Para o ano quero repetir, hajam compreensão familiar, pernas e
companhia.
E tu? Do que é que estás à espera?

terça-feira, 28 de março de 2006

Segundo Reconhecimento Raide FPCUB

On this final part of the first stage we spin trough many "beef with legs" like those on the photo and, because of the fences put in place to protect them, we wont be able to go cross the beautifuls landscapes of the Mira bank as we plan. Instead we have to commute on the road to cross the "Ribeira do Torgal" since Troviscais until Odemira. Nevertheless this is a lovely final to a long and hard first stage that starts in Tróia many kilometres in the north facing Setúbal in the left Sado bank.

Domingo, 26 de Março, foi dia de novo reconhecimento para o Raide Setúbal – Albufeira da FPCUB.

Recordemos que, no primeiro ensaio, ficámos pelo Paiol, a sul de Santiago do Cacém após mais de 100 extenuantes kms.

O início do segundo reconhecimento foi, como seria inevitável, no Paiol. Até aí tudo bem, o problema é que a logística é uma arte extenuante e naturalmente, no final, eu e o Rui Sousa deveríamos ter uma viatura para regressar. Assim sendo esta foi deixada em Odemira e a solução foi fazer um aquecimento prolongado, ou seja, 50 kms. pela EN 120, para norte!

A forma física, não sendo a melhor mas apenas razoável, ainda assim permitiu uma média de 25 kms. por hora (nada mau se tivermos em consideração que era estrada de montanha em boa parte do traçado). No Paiol, meia centena de kms. adiante, recomeçou então a aventura. O Jorge Manso aconselhou-nos um track que abordava a barragem de Morgavel por poente, ao longo do paredão. Foi óptimo já que a zona nascente era um emaranhado de braços da albufeira encravados em cabeços especializados a romper pernas. Assim sendo não é de admirar que se tenha alcançado a Sonega num abrir e fechar de olhos. Impressionante!

A seguir a esta povoação era o desafio da Serra do Cercal. Até porque com o track - guia que dispúnhamos embrenhávamo-nos no miolo desta. Felizmente “Ele escreve direito por linhas tortas” e alguém se lembrou de vedar a passagem. Assim sendo e munidos dos mapas foi com “muita tristeza”  que tivemos que improvisar uma alternativa com menos quilómetros e altitude acumulada. Foi deste modo que rumamos primeiro a poente e depois para sul para reencontrar o “track” guia bem mais adiante.

Mas a impressionante serrania que dista entre Cercal e Odemira não estava ainda vencida. Na zona já perto do Mira, novo desafio. O cabeço da Serra do Penedo (onde se “parapenta”) ameaçava uma subida penosa em azimute directo seguida de diversos “rompe-pernas”. A opção foi descer à EN 532 (Milfontes – São Luís) e subi-la por cerca de 3 kms. Quem efectuar este raide e começar a praguejar nestes quilómetros com o asfalto bastará que olhe para a sua esquerda e veja bem o quão impressionante é a “borbulha geológica” que acabou de evitar para mais quando já leva mais de uma centena de quilómetros nas pernas e já deseja o final!

Retomado o track guia abandona-se a estrada em direcção a Vale Bejinha por um estradão magnífico que cruza um eucaliptal e pouco depois os Troviscais.

Aí, com 100 kms. pedalados, já com um sorriso nos lábios, preparávamo-nos para descer para o Mira, cruzar a Ribeira do Torgal junto à foz e rolar tranquilamente até Odemira quando se dá o grande golpe de teatro: a meio da vertiginosa descida o caminho barrado e dois “Serra da Estrela” zelosos a proteger o seu território. Não restou outro remédio senão o improvisar uma alternativa de descida até ao Mira. Voltámos atrás cerca de uma centena de metros (sempre a subir, bem entendido) e rolámos por poente pelo meio dum eucaliptal descendente e chegamos ao meio de um lamaçal na margem do Mira que percorreremos penosamente durante mais de um quilómetro até reencontrarmos o track e a passagem da ribeira no pontão.

Do outro lado nova vedação. Tornava-se claro que será impossível que o raide passe naquele local restando como única alternativa a ligação Troviscais – Odemira por estrada sempre descendente (sendo que a única subida será após a passagem da Ribeira do Torgal a montante do local anteriormente assinalado) com a vantagem de se entrar mais rapidamente na zona do Pavilhão (que fica num alto) onde deverá ser a pernoita.

No final quase 130 kms.!

O terceiro reconhecimento, no próximo fim de semana, deverá ser o final.

quinta-feira, 23 de março de 2006

"SINGLE SPEED" O Regresso às Origens

Single Speed Bikes it's no more then a rebellion of many cyclists against the complexity, fragility and overweight of MTB's transmitssions

A moda está aí: depois de se criarem sistemas desmultiplicadores para, nas ascensões, facilitar a vida ao ciclista de montanha, ressurge cada vez com mais ímpeto a moda da "single speed" ou a transmissão no seu estado mais simples.

É uma única pedaleira e carreto num compromisso desmultiplicador entre força e velocidade mas que tem de contar, quer com um estilo de pedaleio, quer com uma forma física adequados por forma a se abordarem os mesmos terrenos que uma BTT "normal" isto é, com a possibilidade de conjugar relações de velocidade que podem conhecer uma amplitude entre os 44X11 para rolar a grande velocidade aos 22X34 que permitem subir "paredes" com forte grau de inclinação. Não é nada fácil, portanto, o compromisso numa única relação de transmissão.

Moda, direito à diferença, simplicidade, exclusivismo, direito à diferença ou simplesmente regresso às origens, o que é certo é que há um número crescente de ciclistas que tem uma destas bicicletas alternativas (normalmente como segunda máquina) e que faz, com ela, coisas aparentemente inverosímeis.

Pessoalmente sou testemunha de feitos "incríveis" como a etapa 27 da Estafeta V@ na qual o António Malvar levou uma bicicleta deste tipo até ao alto de Santo António das Neves, na Lousã (e nem sequer foi o último a chegar), as suas participações na Maratona de Portalegre com classificações finais interessantes ou a recém participação do Nuno Neves na primeira edição da "Maratona do Centro" com umas surpreendentes (ou talvez não) 6 horas e 12 minutos para os tremendos, acidentados e enlameados 80 Kms. do percurso.

Para além deles há que destacar, entre outros, o Pedro Carvalho (antigo director da Bike Magazine) e o inimitável João Pedro Pina como incondicionais destas bicicletas.

Qualquer um , todavia, pode montar uma bicicleta deste tipo. Não necessita de adquirir, de origem, nenhum modelo. Basta apenas vontade e engenho para adaptar um quadro antigo.

Para tanto e com a devida vénia, fica aqui um link "manual virtual" para o blogue do Vítor Santos - ABRASAR ou a página dos PATUS BRAVUS onde se ensina detalhadamente quais os passos necessários para o efeito.

terça-feira, 21 de março de 2006

A MOBILIDADE NA CHINA

Car parking occupies footpaths and green space in residential areas

Veja-se este excelente estudo acerca da mobilidade na China actual: THREAT TO GLOBAL SURVIVAL? A Case Study of Land Use and Transportation Patterns in Chinese Cities

O desafio lançado é o seguinte: quais as consequências para a China e para o Mundo quando aquele país alcançar os níveis de motorização do USA ou da Europa?

De facto, um imenso país que era tradicionalmente velocipédico (por força da sua anterior debilidade económica) ao converter-se numa potência económica está a motorizar-se de forma acentuada e galopante. Em algumas cidades do litoral as infra-estruturas viárias estão a rebentar pelas costuras, o automóvel invade o espaço pedonal e velocipedico e os próprios transportes colectivos não conseguem manter velocidades de exploração aceitáveis.

segunda-feira, 20 de março de 2006

RESCALDO DA PARTICIPAÇÃO NA MARATONA DO CENTRO - LEIRIA

In the Kingdom of Mud
A PRIMEIRA PERPLEXIDADE
Quis o destino que, apesar de estar em Leiria no domingo de manhã, quando acordei o sol raiasse lá fora e o tempo, apesar da previsão, ser irresistível para a prática da modalidade. Foi a primeira perplexidade do dia.

SE O ARREPENDIMENTO MATASSE
Daí que o "Plano B" (manutenção na horizontal em leito) não tivesse sido accionado. Bastava que se tivesse verificado um quadro meteorológico distinto e o arrependimento não surgiria. Mas enfim, é a vida... Só me lembrava, durante o percurso e no meio do “mud wrestling, que os desistentes é que tiveram juízo e que, adivinhando o que se iria passar, se baldaram ao evento poupando a máquina e economizando muitos euros.

DE PASTELEIRA NA LAMA
Quando me dirijo para o Pavilhão de Marrazes (ainda não entendi porque é que os locais dizem "os") cruzo-me com o combóio de Torres Novas com o qual bebo um café numa pastelaria da moda. Com eles está o inenarrável Nuno Neves e lá vem a segunda perplexidade do dia: então a dita criatura não se ia fazer ao trilho de “velocidade simples” (mais conhecida por pasteleira ou single speed)? Só visto! Devo confessar que mais tarde, ao tomar contacto com a lama entendi as vantagens de tal escolha (para a bicicleta, não para o ciclista bem entendido).

ORGANIZAÇÃO EM BOM NÍVEL
Junto ao pavilhão estava montada a estrutura organizativa e pelo aparato deu logo para me aperceber que estava tudo bem montado. O decorrer da prova deu para comprovar tal facto: apenas não lhe atribuiria a nota máxima por um ou outro detalhe mas que, ainda assim, não deslustram a qualidade global.

MARATONA FORMAL OU INFORMAL?
Já há algum tempo não ia a Maratonas “formais” embora todas as minhas incursões recentes tivessem uma quilometragem semelhante. Sem embargo, nas incursões informais, o ritmo é sempre mais tranquilo e as paragens abundam. Ainda assim e tendo em consideração as peculiaridades deste tipo de eventos recordei, a mim mesmo, que o objectivo fundamental numa prova deste tipo, é terminá-la. Este axioma constitui, em si mesmo, uma verdade incontornável. Tudo o resto é secundário: tempo, lugar e comparação com os demais ciclistas. Se esta é uma verdade incontornável ainda mais o foi, por maioria de razão, pelas circunstâncias dramáticas em que esta prova decorreu. Ora, assim sendo, resolvi partir do último lugar por causa das tentações e em boa hora o fiz.

A CAMINHO DA PEDRA (LAMA)
A volta inicial pelo lugar de (dos) Marrazes foi absolutamente inútil e não entendi bem a necessidade da mesma pelo que a prova só começou, verdadeiramente, no magnífico Pinhal de Marrazes onde o extenso pelotão começou a esticar. Os primeiros quilómetros foram para nos afastarmos da zona urbana de Leiria: Marinheiros, Andrinos, Pousos... Pouco depois começa o dilúvio. Paro na berma para vestir o impermeável e, pouco depois, sou abalroado por um ciclista distraído. Está bem que estava na berma mas faltavam-me os 4 piscas, o triângulo e o colete reflector... Não há pachorra. Valeu o polimento e o pedido de desculpas.

EM PLENA LAMA
A lendária Curvachia foi a um tempo dramática e patética. Primeiro a travessia do ribeiro: engarrafamento generalizado na tentativa de não molhar os pés já que a água tinha quase meio metro, alguns mais afoitos tentavam ultrapassar a dificuldade montados, uns tinham sorte, outros simplesmente não. Depois foi a pasta de lama (terceira perplexidade) as subidas a patinar as descidas com a roda traseira a varrer a largura do trilho. A cremalheira 34 entregou a alma ao criador (quarta perplexidade) aqui e passei a rolar apenas na 24 e 44, bestial...

“SÓ FALTAM 10 KMS.” PARTE 2
O Rui Tavares Oliveira, que encontrei logo após na ZA1 disse-me que, em Leiria, só lá vão de Verão. Ainda pensei que, terminado aquele bosque, e com a pedra a coisa se compusesse. Esperança vã. Lembrei-me então do famoso e bastamente glosado “Manual de Acção Psicológica para Ciclistas” de Pedro Brites. A sua segunda edição foi lançada neste mês de Março em Leiria. Recordo, a propósito a frase que aqui proferiu há dias: “Quanto à lama, também não me parece que vá ser um problema porque a maior parte do percurso será em zona de serra onde o calcário é rei.”. Rei da lama, acrescentaria eu...

FREQUENTE AS ÁREAS DE SERVIÇO!
Ao contrário de muitos, aproveitei as ZA’s para parar, sem grandes preocupações de tempo. Eu sei que é nestas zonas que se ganha ou perde tempo mas a minha filosofia era diferente, mormente nesta maratona já que o grande desafio, devido às circunstâncias era mesmo não desistir.

PENDENTES APEADAS OU NÃO?
Na subida da Maunça a chuva faz de novo a sua aparição: forte e diluviana. Se a vontade de subir montado não era muita (devido a nova acção psicológica britiana: “Tragam os pitons porque vai haver subidas para fazer à mão. Talvez aqui se tenha exagerado um pouco e as abordagens aos cumes poderiam ser feitas de modo mais longo e suave.”) com a chuva a fustigar então foi-se rapidamente embora. Sobre este assunto entendo o seguinte: a organização não quis ficar mal vista e então exagerou nas pendentes.

A MAIS DURA MARATONA DO MUNDO
Claramente não quiseram correr o risco dos participantes chegarem aos “forae” especializados e dizer que “fizeram aquilo com uma perna às costas”, a lama e a chuva vieram ainda penalizar mais o trabalho de todos. Quer-me parecer, todavia que, em circunstâncias “normais” (sem chuva e sem ser em prova longa) mesmo a ascensão ao Maunça era ciclável embora o empenho requerido não era, para mim, compatível com a diferença de velocidade entre subir apeado ou montado, optei por desmontar, cansava menos, progredia-se o mesmo!

NOVAS PERPLEXIDADES ATÉ FINAL
A partir daí foi uma sucessão de sobe e desce de elevada pendente com a chuva a fustigar e a desaparecer até à ZA2. Aí parei durante um período razoável. Havia que olear a corrente, meter água, repor as energias; esticar os lombares. Daí até final sucederam-se os quilómetros e os golpes de teatro: primeiro os óculos esquecidos na paragem(quinta perplexidade). Só dei por isso quando a lama começou a saltar para os olhos, depois de tão enlameado o cabo, o manípulo e o desviador frontal entenderam-se para me impedirem de usar a cremalheira 44 (sexta perplexidade). Foi notável a forma como as zonas rápidas eram percorridas em 24X11!

A DESILUSÃO ZÉ TEIXEIRA
Já a chegar ao final olho para trás e avisto o José Teixeira. Grande desilusão ó Zé, deixa-me que te diga! Então eu que te tinha procurado no início e não te encontrei e fiquei a pensar que eras um tipo com juízo e te tinhas baldado, afinal encontro-te também todo enlameado? Desceste na minha consideração, é só o que te posso dizer!

A SATISFAÇÃO DO DEVER CUMPRIDO
No final com 6 horas e 55 minutos a dupla satisfação: não fui o último e terminei a duríssima provação que foram estes 80 Kms. em Leiria. Ficou a satisfação do dever cumprido e de apesar das circunstâncias a vontade de terminar ser superior à imensa tentação de desistir.

GARMIN ETREX LEGEND C Vs. GARMIN EDGE 205 / 305



Em minha modesta opinião deveremos levar em conta o destino que
queremos dar ao aparelho.

Se somos daqueles atletas "obcecados" com o treino e o mesmo adquire
um rigor científico então o Edge é a opção adequada pois junta as
vantagens de um pulsometro avançado com as de um ciclocomputador
(também avançado) mas de um GPS básico, i. e. sem mapping.

Se, ao invés, somos daqueles que, muito embora sem descurar a forma
física, privilegiamos a evasão e a navegação é o aspecto primordial de
um aparelho destes então a escolha, óbvia, é o Legend: é a cores e tem
mapas que são de extrema utilidade para complementar o track ou o
registo do track.

Quem, de entre vós, nunca recorreu ao mapa do aparelho, para atalhar
ou em situação de emergência que atire a primeira pedra!

Para além disso a única vantagem do Edge é juntar num único aparelho
aquilo que, normalmente temos separados por 3 (pulsómetro, ciclómetro
e GPS).

Pedro Roque