domingo, 13 de maio de 2007

DEMONSTRAÇÃO PRÁTICA DA TEORIA DA RELATIVIDADE



Hoje, num périplo por Lisboa Antiga, tive ocasião de descer de bicicleta, pela primeira vez, o Elevador do Lavra.

Trata-se do primeiro, dos três funiculares da capital, ligando a Travessa do Forno do Torel ao Largo da Anunciada.

Tem uma extensão de cerca de 188 metros e é, dos três (Lavra, Bica e Glória) , indiscutivelmente o mais difícil de ascender em bicicleta.

Ora, tendo em conta a experiência, várias vezes repetida, de subida muito penosa e extensa, pode dizer-se que, a rapidez com que se desce, prova bem a definição que Einstein deu a um leigo acerca da sua “Teoria da Relatividade”.

Dizia o sábio a um leigo que lhe pedia que lhe demonstrasse o que era essa "coisa" da relatividade: “Ponha sua mão num forno quente por um minuto e isto lhe parecerá uma hora. Sente-se ao lado de uma bela moça por
uma hora e lhe parecerá um minuto. Isto é relatividade!”.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

LOUSÃ ACIMA CONQUISTANDO O TREVIM


Tinha pedalado apenas por duas vezes na Serra da Lousã.

Na sexta feira santa tive oportunidade de efectuar um intenso trekking pelas aldeias de xisto serranas (Talasnal, Vaqueirinhos, Chiqueiro e Casal Novo).

Ficou o “bichinho” e, este domingo que passou, resolvi subir ao Trevim (ponto mais alto da Serra da Lousã – 1210 metros de altitude).

Com o meu conhecimento do local (da semana anterior), a carta militar e uns tracks que tinha desenhei um traçado “até lá cima”. Como iria a solo entendi que só passaria por estradões e estradas uma vez que não queria correr riscos inúteis.

Assim foi. Saí da Lousã (180 m.) em direcção a Cacilhas e iniciei a ascensão. Duas centenas de metros volvidos ultrapasso um grupo de cerca de 15 betetistas que iam na mesma direcção, fico a saber que eram de Paços de Ferreira. Quando olho melhor vejo que o guia era o meu velho amigo Vilanova que é uma espécie de “guru” da Lousã (o homem das famosas “Avalanche”). Disse-lhes logo para se porem a pau nas descidas. É que, apesar de ter sido em 2000, ainda me lembro da “razia” que foi a descida da Serra da Lousã “por caminhos de javalis”. Nunca tinha feito tanto tempo a pé um percurso! (veja-se http://www.geocities.com/velocipedia/lousa.htm ).

Sigo o meu caminho solitário passando pelo miradouro da Tarrasteira e, após a passagem pela casa dos serviços florestais (680 m.) interrompendo a subida para virar à esquerda na direcção de algumas das “aldeias de xisto”. Primeiro o Casal Novo (650 m.), em seguida o Talasnal (500 m.) prosseguindo em direcção a Vaqueirinhos (650 m.) e daí por um estupendo “single track” desenhado no xisto até ao Catarredor (650 m.). Refira-se que as duas primeiras aldeias estão o brinco em virtude da sua recuperação recente. Em contrapartida, as duas últimas, servem de abrigo a comunidades “hippie”. Após o Catarredor entro na EN 236 e começo a subir dos 800 aos cerca de 1210 do Trevim.

De assinalar que, por mim, passavam inúmeras viaturas carregadas de bicicletas de DH, costa acima. Mais tarde reparei que se tratavam dos participantes no “Extreme Riders 2007” (http://1.bp.blogspot.com/_DRnHsYu02J8/Rhf3KtO9-PI/AAAAAAAAACw/iWC3uH3Z6pY/s1600-h/Cartazextreme470.jpg ). Engraçado foi quando uma dessas inúmeras carrinhas me propôs uma boleia. Agradeci mas recusei alegando que uma carrinha como aquela ainda era pesada pelo que me custaria muito rebocá-la! Foi a risada geral dentro e fora da viatura...

Chegando lá acima é o espectáculo habitual que nos faz gostar, cada vez mais, de BTT. Do ato do Trevim temos uma vista magnífica para Norte e Poente e, para SE fica o pico de Santo António da Neve também já alcançado há uns anos por nós.

O ER começava, precisamente do Alto do Trevim e era vê-los por aí abaixo a velocidades estonteantes. De resto a descida que tinha programado coincidia, em muitos locais com o ER pelo que era ver-me encostado à berma como o “pisca da direita” a ser ultrapassado por aquela malta toda a uma velocidade estonteante. Restou-me a consolação que não cheguei lá acima enfiado numa caixa de uma pick-up!

Vim por ali abaixo, tranquilamente, não fosse haver algum azar embora tenha sido um instante enquanto perdi os 1000 metros de diferença até ao parque de estacionamento da Câmara Municipal da Lousã.

No final 47 kms. e 1600 metros de acumulado a darem por bem empregue o esforço havido.

quarta-feira, 7 de março de 2007

RECONHECIMENTO DO RAIDE 2007 SETÚBAL – ODEMIRA - ALGARVE

(foto álbum aqui)

Efectuámos o reconhecimento praticamente integral do Raide da FPCUB Setúbal – Odemira – Algarve, versão 2007, no passado fim de semana.

Este reconhecimento tinha três diferentes propósitos:

  • Em primeiro lugar confirmar se, boa parte dos locais onde passámos, no ano transacto, entre Melides e São Marcos da Serra, continuavam a serem válidos;
  • Em segundo lugar, entre as duas povoações referidas, criar, onde tal fosse possível, alternativas a algum asfalto existente em 2006;
  • Por último, entre São Marcos e o final, em Querença, Loulé, reconhecer, integralmente, todo um percurso pela serra e Barrocal algarvios.

Foi com este propósito que me desloquei, acompanhado pelos meus amigos, Jorge Manso, Rui Sousa e Marta Vieira com três bicicletas e uma viatura. A fórmula era simples: alternar o condutor por turnos. Ou seja, enquanto um de nós conduzia, os outros três pedalavam.

Esta é uma fórmula absolutamente válida para cumprir longas distâncias lineares já que permite contornar o sempre complicado problema logístico do regresso. De igual modo há a vantagem de um apoio sempre próximo já que abundam os locais de contacto entre o trilho e a estrada tornando desnecessário carregar demasiado peso às costas. De igual modo permite que se possa descansar, por turnos, mantendo uma velocidade média do grupo mais elevada ou até contornar algum percalço de um participante.

É, de resto, uma óptima sugestão de poder efectuar este Raide no sentido de facilitar o regresso do Algarve já que permite que, no final, se rume directamente aos destinos de cada um.

O reconhecimento decorreu da melhor forma apenas com alguns pequenos percalços de caminho. De resto, se assim não fosse, não haveria necessidade de efectuar um reconhecimento.

O primeiro grande imbróglio surgiu na tentativa, que efectuámos no final do primeiro dia, de encontrar uma alternativa TT à travessia da Ribeira do Torgal pela EN 120, através de um track previamente gravado que detínhamos, mas que resultou num percurso de dureza extrema pouco compatível com o facto de já se estarem com distâncias superiores a 120 kms. nas pernas. De facto foram tantas as voltas, as travessias a vau da ribeira do Torgal (num dos casos com água acima da cintura) as subidas e as descidas escabrosas, algumas pelo meio de estevas e de matagal intenso que achamos que aquela hipótese, de alternativa, nada tinha.

O segundo deles foi a descida até à Ribeira de Algibe a partir de Alto Fica (após Alte) tentando a alternativa à EN 524. Encontrámos um estradão à direita que correspondia, de resto, a um caminho indicado na carta militar. Em má hora o fizemos.

A chuva tinha feito a sua aparição alguns minutos antes. Não sendo muito intensa era, todavia, suficiente para armar aquela que é uma das piores armadilhas que um betetista pode encontrar: o barro vermelho. A famosa “terra rossa” algarvia, com um pouco de água torna a progressão impossível já que as rodas deixam de andar, pura e simplesmente!

Se a este infortúnio juntarmos o facto de o referido percurso de não ter qualquer saída após cerca de um quilómetro fortemente descendente. Resultado: um quilómetro ascendente, a empurrar, à mão, trilho acima, pelo meio do barro vermelho uma bicicleta cujas rodas teimavam em não rolar.

A descida que se seguiu, desta vez pela EN 524, foi muito rápida e serviu para sermos barbaramente atingidos por quantidades inimagináveis de gravilha e barro soltada pelas rodas rolando. Valeu-nos, uns metros abaixo, a ribeira de Algibe que ajudou a desfazer tudo.

Esta situação fez-nos perder largos minutos, preciosos, o que resultou numa chegada nocturna a Querença que foi uma espécie de calvário final depois de uma jornada extenuante mas inesquecível.

No final mais de 270 kms. (140 + 130) a prometerem emoções fortes para a jornada programada para 21 e 22 de Abril, que não estará ao alcance de todos é certo, mas que recompensarão quem estiver preparado com passagem por paisagens encantadoras ou mesmo arrebatadoras em alguns dos casos.

DIA UM

1. SETÚBAL - MELIDES

Simbolicamente o início é em Setúbal e o trajecto tem uma neutralização até Tróia correspondente à travessia do Sado em ferry.

Daí até Melides circula-se por asfalto. Há um motivo claro e incontornável para esta opção: o facto de os terrenos que distam entre Tróia a Melides serem bastante arenosos e ser impossível circular por esses pinhais. De qualquer modo rapidamente esta distância é vencida já que os declives são mínimos. É, se quiserem, um aligeiro aroma a Tróia - Sagres.

2. MELIDES – SANTIGO DO CACÉM

Aqui começa, verdadeiramente, o raide ou, pelo menos, a sua versão TT.

Este primeiro troço é dos mais interessantes em termos de paisagem já que corresponde, integralmente, a uma zona da serra de Grândola que, como todos sabemos, é dos locais mais aprazíveis para a prática do BTT.

Vencidos os primeiros quilómetros até Vale Figueira começa a rotina dos barrancos, tão característicos destas serras do sul de Portugal.

O primeiro é o do Livramento. Trata-se de uma descida forte com diversos cotovelos à esquerda e à direita, que conferem uma enorme agradabilidade a quem monta a bicicleta.

No final, a travessia da correspondente ribeira e a forte subida a exigir um empenhamento extremo. A paisagem envolvente é suprema constituída, sobretudo, por floresta de sobro num ambiente tipicamente mediterrânico a que nem faltam sequer os aromas fortes a esteva. Fantástico!

A seguinte e muito semelhante é a do Moinho numa reedição do relevo e da paisagem e do modo de a abordar em bicicleta.

Estas são as primeiras subidas dignas desse nome e que motivarão o primeiro grande desgaste físico. Após a travessia deste último barranco alcançaremos a EN 548 e nela cruzaremos, através de uma passagem inferior, o IP8 e alcançaremos Santa Cruz onde começaremos a subir para Santiago do Cacém por estrada para a abandonarmos à direita e contornarmos o limite urbano por poente.

3. SANTIAGO DO CACÉM – PAIOL

Entramos então na EN 261 – 3 que abandonaremos logo de seguida na zona industrial pelo lado esquerdo e, após o final da mesma, seguiremos pela EM 1100 e, a dada altura, viraremos para poente para, passado mais de um quilómetro, retomarmos a direcção sul.

A travessia do Barranco da Velha está muito facilitado se comparado com os anteriores Livramento e Moinho pelo que, rapidamente, continuamos a pedalar para sul, por uma zona de serra, muito bonita, em direcção ao Paiol que é alcançado rapidamente.

4. PAIOL – SONEGA

No Paiol seguimos, para sul, em direcção à Barragem de Morgavel, passando pela Estação de Tratamento de Água, por uma zona relativamente plana antes e após o plano de água represado.

Após a passagem do paredão surgem algumas dificuldades circunstanciais relacionadas com a presença de areia mas que são vencidas sem problemas de maior. A chegada à Sonega faz-se através da travessia de Vale de Meio por uma subida contínua mas relativamente suave.

5. SONEGA – TROVISCAIS

A partir da Sonega temos pela frente a Serra do Cercal que iremos contornar por poente por forma a que não seja exigido um esforço acrescido tendo em consideração que ainda faltam alguns quilómetros e que já se pedalaram bastantes. Assim sendo prosseguimos durante cerca de 300 metros na EN 120-1 que abandonaremos à direita para um estradão que segue para sul.

A dada altura pedalamos para poente para contornar os montes e desceremos até à EM 1116 por onde seguiremos até ao seu final em Godins e transporemos o corgo (pequeno barranco) do mesmo nome subindo até Adail sempre com a serra a nascente embora atravessando um estradão com um pouco de areia mas nada de muito difícil.

Cruzaremos a EN 390 e continuaremos sempre para sul por trilhos no meio do eucaliptal escoltando os montes no sopé da serra.

Após o Monte do Amarelinho, para SE. Circularemos por um estradão largo e rápido em zona de eucaliptal até Vale Bejinha após o qual circularemos pela EM 1100 que abandonaremos para sul na zona da Carrasqueira e rapidamente chegaremos aos Troviscais.

6. TROVISCAIS – ODEMIRA

Este troço, à falta de alternativa válida em todo o terreno para a travessia da Ribeira do Torgal, será efectuado por estrada.

Circulamos, assim, entre Troviscais e Castelão pela EM 1110 – 1 e após esta localidade pela EN 120 até Odemira, num percurso maioritariamente descendente e onde cruzaremos a referida Ribeira. Após os metros iniciais da subida saímos à direita num percurso fortemente ascendente mas que permitirá vencer o desnível fora do asfalto. Ao retomarmos a EN 120 restam algumas poucas centenas de metros, desta vez a descer, até ao desvio que nos levará até à zona do Pavilhão Municipal de Odemira final deste 1.º dia.

DIA DOIS

7. ODEMIRA – PORTELA DA FONTE SANTA

Optámos por um percurso diferente, evitando o asfalto e, em boa hora o fizemos já que iremos circular num percurso de indescritível beleza junto ao Rio Mira. Ainda há zonas assim em Portugal. Admirável!

Descemos até ao centro de Odemira, viramos à esquerda na rotunda, e circulamos na avenida marginal mas, ao invés do ano anterior, não cruzamos o rio e continuamos até ao cemitério e ao canil municipal e daí por um incrível single track na margem. A partir de dada altura tomaremos um estradão que vai acompanhando os caprichos morfológicos do Mira curvando languidamente à esquerda e à direita, com visões fantásticas do plano de água e da sua relação com a serra e a vegetação envolvente.

A dada altura, alguns quilómetros volvidos, dá-se a fácil passagem a vau do rio. Apesar de, a montante, termos um pontão. Daí até à Portela da Fonte Santa é uma subida contínua.

8. PORTELA DA FONTE SANTA – VIRADOURO

Este trajecto será efectuado pela estrada que liga a Portela a Sabóia e Viradouro e que circula junto à margem esquerda do Mira. Esta estrada está, toda ela, recuperada e tem um traçado, bermas e uma visibilidade excepcionais. Para além disso o tráfego é diminuto e nestes quilómetros poderão contar-se pelos dedos de uma mão o número de carros que connosco se cruzam. É assim um interregno asfáltico agradável e que nos fará avançar vários quilómetros em pouco tempo.

9. VIRADOURO – SÃO MARCOS DA SERRA

Junto ao Viradouro há uma pequena ponte sobre a Ribeira de Telhares que iremos cruzar. A partir daí circulamos sempre por terra e junto à ribeira e ao caminho de ferro até chegarmos ao asfalto de uma estrada secundária e a Pereiras Gare.

Ao contrário do ano transacto evitaremos o asfalto e circularemos pelos montes até São Marcos, num percurso delineado num relevo algo exigente, cruzando a fronteira para o Algarve e o concelho de Silves alcançando então São Marcos da Serra.

10. SÃO MARCOS DA SERRA – ALTE

A partir daqui tudo é novo.

Por isso o esforço de reconhecimento teve de ser acrescido por forma a se cruzar longitudinalmente boa parte do Barrocal e Serra algarvios. Essa tarefa podia ser algo de muito penoso mas, felizmente, conseguimos suavizar a altimetria seguindo o curso de muitas ribeiras que seguem o seu curso com uma orientação poente – nascente, ou vice versa que são cruzadas inúmeras vezes a vau.

É assim até se cruzar o rio Arade, também a vau, onde o relevo começa a acidentar gradualmente. Após a passagem sob a A2 segue-se o curso da ribeira do Gavião passando por Vale Figueira, Marreiros e Corchica e, após se cruzar a mesma começa uma longa subida até Santa Margarida e daí a descida até Alte e por dentro desta localidade.

Aqui parece que a paisagem muda por completo e a opção de abordar Alte a partir do seu topo revela-se acertada já que, dessa forma, se capta toda a mística que converte esta terra numa das mais pitorescas e genuínas do Algarve, quiçá de Portugal. Boa parte da sua malha urbana é percorrida em sentido descendente num percurso de extrema agradabilidade, neste caso urbana.

11. ALTE – QUERENÇA

Cruzando a ponte sobre a Ribeira de Alte rola-se, por alguns momentos na EN 124 para se sair, para a direita por um percurso fantástico entre laranjais e com montanha de um lado e de outro junto ao Barranco da Vala Grande passando por Charneca da Nave, Nave dos Cordeiros, Beirão e abordarmos a penosa subida, por uma rampa de asfalto, até ao Espargal e daí até Alto Fica onde se toma a EN 524 no sentido descendente e em alta velocidade até à famosa Ribeira de Algibe.

Segue-se então por um rápido caminho sempre junto à margem desta até à EN 525 retomando, junto a Ponte de Tôr, a EN 524 há falta de melhor alternativa para chegar a Querença (o velho “caminho do Morgado” junto à ribeira de Algibe, a partir de Ponte de Tôr está, a partir de dado ponto, impraticável). São apenas dois quilómetros com pouca densidade de tráfego até à Quinta da Passagem onde se inicia a subida para a aldeia de Querença.

A chegada ao largo da aldeia é mítica através do caminho da Portela uma subida com uma inclinação superior a 10%, em média e que, em cerca de um quilómetro nos leva, por um empedrado, dos 150 aos 270 metros de altitude.

É um final apoteótico a garantir ficar retido na memória por muitos e bons anos.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

"No Sicó é que é Bom!" (pregão ouvido no PNSAC)


Lancei o desafio para uma deslocação ao Sicó. Como, nos últimos tempos, tenho ido alguns fins de semana a Coimbra lembrei-me de convidar, quem não é daquela zona, a ir conhece-la. Responderam, além do Jorge Manso, o Pedro Rodrigues, o Cláudio Nogueira, além do "local staff" de Coimbra: Nuno Duarte, João Elvas e o Ricardo.


Devo dizer que a Serra do Sicó é uma caixinha de surpresas uma vez que é um misto do calcário do PNSAC com paisagens menos "lunares" e bem mais pitorescas.


É como se a Serra da Arrábida tivesse sido transportada para a zona centro! Basta apenas retirar o mar e temos toda uma ambiência muito semelhante embora com níveis de ocupação humana substantivamente inferiores.

Os grandes destaques vão para

. a subida e descida do Castelo do Rabaçal (este é um dos gratos momentos do BTT se bem que a subida seja das mais difíceis que conheço e a descida dos momentos técnicos mais delicados da minha "carreira").

. A descida "impossível" da Chanca, com os seus incríveis socalcos (mas que afinal, não só é possível, como empolgante - muita parcimónia, porém, no uso do travão dianteiro).

. O vale das "Buracas do Casmilo" numa formação geológica única, só por si a merecer a deslocação ao Sicó.


Começámos perto das dez horas e percorremos quase 60 quilómetros, tranquilamente, como se impõe entre amigos...


O golpe de teatro foi, no final, ter-me esquecido da roda dianteira em pleno estacionamento de Conímbriga. Meia hora depois, dei pela falta, voltei lá e, candidamente, a roda aguardava-me no mesmo local!


O track está disponível em http://www.forumbtt.net/index.php?topic=15117.0#new

Mais informações sobre a interessantíssima região do Sicó em http://terrassico.lac.pt/index.php?obj=front&action=rub_index&rub_id=156

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

PASSEIO DE SÃO VALENTIM DA FPCUB: OS BETETISTAS E AS SUAS “NAMORADAS”



No passado sábado, dia 10 de Fevereiro, decorreu, sob forma experimental, este primeiro passeio de São Valentim organizado pela FPCUB (Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta).

A ideia original seria a de, a pretexto do dia dos namorados, proporcionar um passeio algo diferente do habitual, ou seja, colocar a pedalar os habituais betetístas mais as respectivas namoradas (noivas, esposas, amantes, companheiras, etc. e vice - versa), ou seja, fazer as coisas de modo diferente do que é habitual.

De igual forma, seria um passeio relativamente curto e apenas durante a parte da manhã por forma a que se seguisse um almoço – convívio entre todos. Nesse sentido aproveitaram-se as facilidades logísticas concedidas pelo nosso amigo Carlos Pereira, um dos vice-presidentes da FPCUB e proprietário do bar “PéNu” sito na praia de S. João da Caparica, que nos preparou uma estupenda “feijoada à brasileira”.

O “PéNu”, recordemos, tem sido bastante mediatizado ultimamente já que esteve na iminência de ser levado pelo Atlântico na zona das praias de São João da Caparica. No entanto, este bar, tal como a têmpera do seu proprietário, manteve-se firme e de pé e pode, felizmente, servir de ponto de partida e de chegada para o nosso “Passeio de São Valentim”.

Não obstante a magnífica manhã de sol, a chuva do dia anterior afastou muitos dos que tinham previsto aí deslocar-se e o número à partida ficou fortemente reduzido relativamente à expectativa inicial. Sem embargo, atendendo a que se tratava de uma “edição experimental”, há males que vêm por bem” e, por essa via, diminuiu-se a probabilidade de algo correr menos bem uma vez que se tratava de um passeio “à moda antiga”, isto é, guiado.

O passeio contou com dois níveis:

. um primeiro, básico, sempre plano, que percorreu toda a mata de São João, a ciclovia e o paredão da frente urbana de praias da Costa da Caparica e que pedalou durante cerca de dezassete quilómetros;

. um segundo, avançado, que para além do período de aquecimento na mata de São João da Caparica, percorreu os altos da Arriba Fóssil da Trafaria até à zona da Foz do Rego, passando pelos altos de Santo António, Costa, Funchalinho, Capuchos, Quinta do Robalo, regressando pelas denominadas “Terras da Costa” e pelo paredão das praias num total de acumulado de 400 metros positivos para uma distância de cerca de 23 quilómetros.

Este último nível foi conduzido pelo autor destas linhas e se a distância e acumulado não eram nada de especial, um par imponente de subidas proporcionou o pretexto para se suar a jérsei. De igual modo em termos paisagísticos este curto passeio proporcionou alguns momentos de grande qualidade, sobretudo a quem não conhecia aquelas paragens.

Destaque para todo o panorama que se desfruta do alto da Arriba Fóssil e o trilho vertiginoso (literalmente) que a percorre, desde o Alto de São Pedro até à zona do antigo “Ondaparque” e próprio apenas para quem não tem receio de alturas.

Por outro lado, a passagem nos Capuchos, no seu miradouro e o muito técnico trilho que culmina na descida até à estrada da Foz do Rego a fazerem igualmente as delícias de quem alinhou à partida já para não falar do epílogo, que foi o deslizar no paredão das praias urbanas a ritmo tranquilo e descontraído.

Se o pretexto era mesmo o de um “passeio de namorados” então aí as coisas não terão decorrido da melhor forma. De facto, houve quem achasse que, a respectiva, bicicleta se encaixava na perfeição no conceito de “namorada” e tivemos, por um lado, o “nível básico” a fazer jús ao nome do passeio, com um número de participantes harmoniosamente distribuído por ambos os géneros e, por outro, o nível avançado em que as namoradas eram, todas, em alumínio, titânio, carbono e aço. Tal facto, no entanto, não diminuiu em nada a agradabilidade da jornada.

Em futuras edições, todavia, este conceito de “namoro” terá de ser revisto para que o passeio possa cumprir os seus propósitos.

Tratou-se, assim, de um passeio absolutamente descomprometido e diferente da fórmula habitual de “Maratona & Raide, Lda.” mas com não menor agradabilidade e que teve como ponto alto a estupenda feijoada e o convívio que a todos proporcionou.

Em meu nome pessoal e em nome da FPCUB gostaria de agradecer a todos os participantes e também a quem connosco colaborou na realização desta agradável jornada: ao Raul Jacinto e à EuroTrilhos, Lda. que tiveram, todavia, um dia calmo sem problemas técnicos a que acudir; à Junta de Freguesia da Costa da Caparica e ao seu presidente, o meu amigo Tó Neves e, por último mas não por menos ao Carlos Pereira e a todo o “staff” do PéNú Bar (refira-se que os associados da FPCUB beneficiam de um desconto de 10%).


A todos bem haja.

___________
Fotos em http://picasaweb.google.com/roque.oliveira/FPCUBPasseioDeSOValentim e http://picasaweb.google.com/correia.rm/PasseioSValentim2007

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

VENCER O FRIO NA BICICLETA


Mais do que o frio, propriamente dito, o problema maior é a conjugação de frio - humidade.

Quando a temperatura é baixa mas o tempo está seco (por ex. sábado, 27JAN07, na região de Lisboa) a velha teoria das camadas funciona na perfeição e é fácil sentir conforto.

Mas quando surge a neve, ou sobretudo, a chuva a acompanhar o frio aí tudo se complica (por ex. domingo, 28JAN07, na região de Lisboa).

O problema de toda a gente é sempre as extremidades já que, ao nível do tronco / pernas, é fácil fazer face à baixas temperaturas. No tronco com os windstopper (ou windtex) na segunda camada e com chuva uma camada exterior tipo impermeável (idealmente Gore Tex respirável) e nas pernas com as calças com protecção windstopper (ou windtex).

Assim a minha experiência aconselha evitar pedalar com as condições que ontem se verificaram já que é muito difícil não ensopar a roupa e arriscar a hipotermia. Sem embargo também eu, ontem, fui surpreendido pela chuva / neve e senti-me algo desprotegido por causa das luvas inadequadas.

As luvas, por mais espessas que sejam, ficam ensopadas, os dedos perdem a sensibilidade e, em casos extremos, podem surgir queimaduras pelo frio. O mesmo se pode dizer dos pés. Nestes casos só o neoprene pode fazer algo embora, com tempo seco, seja desaconselhado.

A melhor forma de proteger os pés com frio é colocar duas camadas de meias (as exteriores em windstopper / windtex), proteger os sapatos com jornal no interior (a maioria dos sapatos são de Verão) e uma capa exterior que os cubra completamente.

No caso das mãos duas camadas de luvas (interior em lã fina ou seda) e exterior com capacidades térmicas. As luvas "normais" de dedos completos que se usam até no Verão são desaconselhadas.

Não esquecer a cabeça (há gorros em windstopper ou, em último caso, uma touca em licra de natação) e em casos extremos um "passa - montanhas" embora um lenço, ao estilo "motard" possa ser útil para proteger o pescoço e tapar até ao nariz nas descidas.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

SOBRE SUPORTES DE BICICLETA NO TEJADILHO



Sempre tive suportes de retirar a roda dianteira (Thule Velo Vise).

Há vantagens e desvantagens.

Desvantagens

. Ficamos com as rodas dianteiras para guardar dentro da viatura, quanto mais bicicletas, mais rodas, sobretudo incómodo se, no final do passeio, a lama for muita.

. São mais caros (surpreendentemente, diga-se) apesar de requererem menos material.

. Os modelos mais antigos da Thule não toleram forquetas com travão de disco (excepto suspensão Manitou ou Headshock) ou forquetas monobraço (tipo "Lefty").

. Não se consegue jogar com a posição nas barras laterais, isto é, as distâncias das barras é sempre a mesma relativamente aos topos da viatura, o que faz com que os guiadores colidam com os selins da outra bicicleta que está ao lado montada no sentido inverso (no caso de vários suportes paralelos - quatro no meus caso). A solução passa por se colocarem os guiadores paralelos ao eixo da bicicleta.

Vantagens

. Solidez de montagem da bicicleta em cima do suporte. A rigidez é extrema e a bicicleta vai perfeitamente solidária com o suporte, a barra lateral e a viatura, ou seja, desaparece por completo aquele trepidar e movimento lateral que todos já reparámos na bicicleta que segue no tejadilho da viatura de um companheiro das artes com um suporte de bicicleta completa. Esta vantagem, como é óbvio, está longe de ser despicienda e tem um peso preponderante, quanto a mim.

. De igual modo, tem um melhor perfil aerodinâmico o que, em conjugação com o anterior item, permite que se possa viajar a velocidades elevadas sem qualquer receio.

. Estética - sempre subjectiva, mas o conjunto destes suportes parece fazer parte natural do tejadilho da viatura e não um apêndice como no caso dos suporte de bicicleta completa.

. Não deixa qualquer marca no quadro da bicicleta e permite transporta qualquer uma cuja tipologia de quadro seja diferente do habitual.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

MARATONAS, RAIDES & AFINS



É comum designarem-se as provas de longa duração em BTT por “Maratonas”.

Não há, em minha opinião, nenhuma outra definição de "maratona" do que não seja a corrida que um soldado ateniense, Phidippides, fez, no séc. V a.C., da povoação do mesmo nome a Atenas, de 42.195 kms. para levar a nova da vitória na batalha contra os Persas.

A chamada "maratona moderna" é uma corrida de atletismo que percorre a mesma distância e serve para comemorar esse feito.

Obviamente que a semântica tem uma dinâmica incontornável e a palavra "maratona" serve, actualmente, para designar uma tarefa morosa, trabalhosa e até dolorosa talvez porque Phidippides morreu na sequência do acto.

Insere-se neste espírito a designação da "Maratona BTT" que se caracteriza por incursões longas que, à semelhança do atletismo, constituem um teste de dureza física e psicológica considerável.

Pessoalmente prefiro a designação de "raide".

Este termo, que também poderemos designar como "incursão", deriva do inglês "raid" e pode definir-se por um tipo de operação militar, próximo do conceito de operação irregular, com um intuito táctico específico mas sem intenção de conquistar território inimigo e após o qual o "grupo de ataque" regressa a território amigo.

Acho, assim, mais adequado àquele que é o espírito do BTT, não necessariamente castrense, mas indubitavelmente aventureiro, quantas vezes em autonomia e com um inevitável regresso a território amigo.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

I PASSEIO BTT DE SÃO VALENTIM


Será a 10FEV07 o 1.º Passeio de BTT de São Valentim, na Costa da Caparica.

A organização é da FPCUB e será um passeio informal em que são sugeridos diversos
percursos pela mata de S. João da Caparica e pela zona Trafaria - Costa da Caparica.

Os (as) participantes devem levar os (as) respectivos (as) namoradas (os) já que não se fornecem no local.

Almoço e animação pela tarde fora.

CONTACTOS - http://www.fpcubicicleta.com, e-mail fpcubicicleta@sapo.pt
tel 21.356.12.53

Cartaz em http://raidefpcub2007.com.sapo.pt/ctzsvale.jpg

MARIZA, GENTE DA MINHA TERRA

FOTOS ONLINE DO RAID SETÚBAL - ODEMIRA - ALGARVE 2006



Mais vale tarde que nunca.

As fotos estão finalmente online para documentar a edição experimental deste magnífico evento que decorreu nos dias 28 e 29 de Abril de 2006.

Veja-se o álbum!

II EDIÇÃO DO RAIDE BTT SETÚBAL - ODEMIRA - ALGARVE

A edição de 2007 será efectuada nos dias 21 e 22 de Abril.

O site do evento é http://raidefpcub2007.com.sapo.pt

Algumas informações:

1. As inscrições abrirão em breve efectua-se mediante o preenchimento de ficha a disponibilizar no referido site.

2.O "II Raide Setúbal – Odemira – Algarve" é uma ligação em BTT com cerca de 255 Kms. organizada pela Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta [url]http://www.fpcubicicleta.com[/url] que decorrera nos dias 21 e 22 de Abril de 2006 entre a cidade de Setúbal (neutralização até Tróia) e a povoação de Querença, concelho de Loulé passando por Odemira onde termina a primeira etapa e começa a segunda.

3. A concentração será a partir das 07:00 junto à entrada dos "ferry" em Setúbal (barcos das 07:15 e 07:30).

4. O Raide apresenta uma dificuldade física muito elevada pelo que é importante os participante avaliarem correctamente se possuem as condições físicas e psicológicas adequadas para poderem levar de vencida este desafio.

5. Por compreensíveis motivos de natureza ambiental e logística trajecto do Raide não terá o seu percurso marcado ou sinalizado no terreno. Antes será disponibilizado em "GPS Track", neste website, permitindo assim a cada grupo de participantes impor o ritmo e andamento que desejar. De igual modo não se trata de uma competição e não tem qualquer intuito classificativo.

6. O Raide não utiliza nenhum canal de tráfego próprio e exclusivo mas estradas, caminhos rurais e trilhos abertos ao movimento de outros veículos, pelo que todos os participantes terão que conhecer e respeitar todas as regras de trânsito constantes do Código da Estrada.

7. O Raide é feito em autonomia e auto-suficiência e cada participante deverá levar líquidos e alimentação em quantidade adequada tendo em consideração a extensão da etapa bem como as ferramentas indispensáveis para reparar eventuais avarias.

8. As inscrições terão o valor de 10 € e somente os sócios da FPCUB com as quotas actualizadas se podem inscrever. A inscrição será de ser feita em grupo (mínimo três e máximo seis elementos) tal facto prende-se com a circunstância de a navegação ser efectuada por GPS e de, por esse facto, assim se poderem entreajudar já que não existem quaisquer marcas no terreno. Podem inscrever-se nos dois dias ou apenas num deles sendo o valor idêntico para uma ou duas etapas e o número limitado a um máximo de 150 participantes.

9. O possuidor do GPS é o responsável pela orientação no terreno dos restantes elementos do grupo pelo que se aconselha a que o mesmo possua alguma experiência de operar com um aparelho de GPS.

10. A pernoita, do dia 21 para o dia 22 de Abril será efectuada em Pavilhão Gimno - Desportivo.

11. No segundo dia em Querença existirão duches no final e será organizado, em conjunto com a Junta de Freguesia um passeio pedestre para os acompanhantes dos inscritos que o desejem.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

JANE MONHEIT, TAKING A CHANCE ON LOVE

Taking a Chance On Love has remained on the Billboard Top 10 jazz chart since its release.

domingo, 31 de dezembro de 2006

"FINISTERRA" NO REGRESSO ÀS LIDES


Aproveitando a folga laboral do Jorge Manso (*) na sexta-feira, 29DEZ06, conjugada com as minhas mini férias, efectuámos uma incursão pela “Finisterra” portuguesa, ou seja, a zona mais ocidental do continente europeu, onde a terra termina e o mar começa, bem junto ao Cabo da Roca no Parque Natural de Sintra-Cascais.

Tinha uma certa expectativa nesta jornada uma vez que era a minha primeira incursão BTT após a queda de 16 de Dezembro e que resultou na fissura de uma costela. Tinha efectuado um mini treino de teste, dois dias antes, em Monsanto e a prova não tinha corrido nada mal se bem que tivesse que me defender em certas situações. De facto havia que colocar mais “souplesse” sobre a bicicleta de forma a resultar numa maior suavidade. Do mesmo modo optei por pressões baixas nos pneumáticos (vantagens do UST).

O meu maior receio era que a forma se tivesse, pura e simplesmente, ido, em virtude da conjugação da época festiva e do facto de ter anulado, cautelosamente, todo e qualquer exercício físico, como era, aliás, recomendável. Os dias imediatos à queda foram dolorosos e cheguei a temer uma paragem prolongada. No entanto, nos últimos dias, as melhoras foram visíveis pelo que resolvi recomeçar antes que a forma se fosse por completo.

Assim, senti-me razoavelmente nesta incursão e tendo em consideração que foram efectuadas ascensões em algumas das rampas mais paradigmáticas da serra de Sintra. Do ponto de vista aeróbico, a experiência foi positiva.

Com um dia algo nublado saímos da Malveira da Serra, perto das 10:00, e rumámos em direcção ao Arneiro, com o Abano e Guincho à vista para S, descendo primeiro e subindo depois por um trilho algo escabroso no qual tivemos de desmontar pois era impossível mantermo-nos sentados. Após a dita subida seguimos em direcção a Figueira do Guincho.

Como estávamos a seguir um track “emprestado” acabámos por continuar por uma pedreira abandonada onde alguém vedou o caminho com ramos o que, só por si, é insuficiente para travar um betetista. No entanto a opção mais correcta teria sido subir a Biscaia e tomar, logo aí, a EN 247 e seguir para NW durante cerca de duzentos metros até derivar para E, para o perímetro florestal da Serra de Sintra e as enormes pendentes que nos esperavam até se atingir a Peninha.

Aí se viu o porquê da Serra de Sintra ser tão verde. Ao contrário das cotas mais baixas, na cota dos 250 / 300 metros um nevoeiro persistente e muito intenso levado pelo vento forte (a tempestade vinha de SW) tornava tudo escuro e chuvoso, de tal maneira que a Peninha nem sequer se avistara. As subidas finais eram tecnicamente difíceis e fisicamente extenuantes mas venci-as com relativa facilidade até aos 450 metros.

Contornámos a Peninha e chegámos à estrada florestal que percorremos durante alguns metros, para NE, até ao parque de merendas e saímos pelo imenso estradão descendente, primeiro para N, depois para W, até retomarmos, de novo, a florestal, chegarmos ao entroncamento com a 247 e virarmos logo para a Azóia (247-4) na direcção NW em direcção ao Cabo da Roca.

No Espragal saímos da estrada para N e começámos a rolar no espectacular caminho da GR 11 (Caminho do Atlântico) mas, a partir de dada altura, cometemos o grande erro da jornada que foi o de seguir, no track referido, a partir de dado ponto, pela mesma GR. É que, após a praia da Adraga, foi um penoso arrastar da bicicleta pela areia praticamente até à Praia Grande. Já em casa enxertei o track com uma passagem via Almoçageme com a vantagem de tornar tudo ciclável e de evitar andar apeado a empurrar a bicicleta situação que é sempre dispensável.

Junto à Adraga foi também tempo de resolver um pequeno percalço com o travão Hope Mini dianteiro da bicicleta do Jorge Manso. As maxilas insistiam em roçar no rotor dificultando, com o atrito, a progressão. Uma manobra de afastamento com uma espátula improvisada resultou em pleno e o incidente não se repetiria.

Após a Praia Grande deixam de existir problemas com a areia e foi um ápice enquanto chegámos à Praia das Maças e inflectimos em direcção a Colares pelos pinhais, primeiro, e sem alternativa, pela EN 375 depois. Em Colares velha aproveitámos para comer algo num sítio paradisíaco entre muros de quintas românticas e um chafariz que brota imperturbável a sua água. É um daqueles recantos em que a Serra de Sintra é pródiga.

Continuámos para o grande teste do dia que é a subida Colares – Capuchos. Sempre que por ali passo, em jeito ascendente, sou assaltado por diversos pensamentos que alternam entre a vontade de vender o material ao desbarato e o empenho extremo de levar de vencida o desnível que, por vezes, não é nada fácil. Neste dia não foi excepção mesmo quando, por vezes, o calor emanado pelo corpo, em pleno dia de Inverno, demonstrasse que o limite estava por perto. Daí que a chegada aos Capuchos seja sempre um motivo de alívio, sobretudo porque, desta vez, não havia o “extra” até ao Monge.

A partir daqui estava tudo facilitado bastava descer para S, via Portela, (a poente da barragem do Rio da Mula) até à EN 9-1 e daí no estradão atrás da Quinta de Vale de Cavalos até Janes e à Malveira da Serra onde chegámos perto das 15:00.

A contagem quedou-se pelos 40 quilómetros e quase 1.300 metros de acumulado. Não fosse a grande quantidade de areia e a jornada teria sido perfeita.

A repetir em breve já com o track devidamente rectificado.

________

(*) – O Jorge Manso é mais um dos companheiros ideais das pedaladas. Não fosse a sua idade, ainda relativamente jovem, e também poderia ser um guru do BTT. Mas para lá caminha pois possui o gosto pelas grandes paisagens e pelo pedal longo e intenso.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

ILUMINAÇÃO EM DIAS CURTOS DE INVERNO

No sábado passado às 17:30 já era de noite como alcançámos as viaturas pelas 18:15, uma luz teria dado jeito para regressar ao Bombarral, ainda que tudo tenha corrido sem problemas.

A pensar nisso adquiri, já esta semana, uma singela iluminação dianteira Sigma Sport Triled. Não é uma luz para grandes aventuras mas fará toda a diferença quando a noite tomba e queremos evitar abortar a incursão ou andar às "apalpadelas" sobretudo se conjugado com uma "tail light" tipo Knog Frog .

Por um preço também singelo temos um gadget da maior utilidade, de baixo peso, com três leds brancos potentes, optimizador da bateria em 120 horas, podendo ser utilizado em modo flash na cidade para a função de ser visualizado, estanque, alimentado com três pilhas AA e, acima de tudo (quanto a mim a principal vantagem comparativa) não necessitando de montagem de outra peça no guiador.

Este último ponto permite utilizá-la, facilmente, noutra bicicleta e não inutiliza a luminária com a perda da peça do guiado.

Para além disso o design é atraente e simples.

Só vantagens e pretextos para não encurtar a incursão...

Leiam-se as críticas em http://www.mtbr.com/reviews/Lights/product_127003.shtml

WHAT MAKE US MOVE ON?



Em Janeiro de 2000 eu definia a minha "motivação para fazer BTT" do modo que se segue. Curioso, que sete anos volvidos aquilo que me move não se alterou...

WHAT MAKE US MOVE ON?

Literally, our bicycles. But seriously, it remains the question: what strange force move us to abdicate of the pseudo-comfort of my sofa or of one delicious "heavy-meal" to take the MTB "paths"? Probably the deep true explanation can only be found in the fields of the psychology or of the psychoanalysis, nevertheless, there are simple reasons that can explain why somebody that "already had age to have judgment " goes to spin, for times almost until the exhaustion, on the "paths":

* First the will of "evasion". A word often spooked that it means to escape of one prison, understood here as the urban prison and the one of the daily stress. In fact, those are good moments of evasion that we pass on the " paths " mounting on our bikes.

* Second the "adventure". In fact there is a good portion of adventure in those " paths ". It’s related with the inponderability of which way to chose on a crossroad, where sometimes, the options are unexpected; or, still, with the innumerable episodes that happens to us on the "paths" where we circulate on a different way as a motorist on a ordinary road, I use to say, often, that it is more difficult to navigate between Palmela and Sesimbra through the "paths" that from Lisbon to Madrid on a highway. Each curve, each jump or each descending are, for us, an adventure and an act of passion for the controlled risk, for the adrenaline injected in the blood stream in a moderate and rational way in order that we do not mix adventure with unconsciousness.

* Third, the "environment ". To circulate in the "paths" means to circulate outside of the urban accumulations, away from confused roads, far of the motorized vehicles, crossing natural parks, breathing pure air, reaching the mountain top with flaring landscapes where few had been before and where we feel them in intense communion with the Nature and, if we believe, with God Himself. Away from crowds and confusion of the cities where the spaces are inhuman builded according the motor vehicles that impregnates the air with pollution. We learn to know and to respect Mother Nature and, therefore, to be more intelligent and more conscientious citizens in presence of its innumerable threats. For us the progress it is not a fast automobile but one immovable tree in the top of a mountain. That’s how we create our "roots" and how we learn to love Mother Nature above all the other things.

* Fourth, the "friendship". Maybe one old-fashioned value that seems to be overtaked by today’s social life but that we care and increased by the solidarity links between the elements of the group. The friendship, for us is not a vacant term, but something that grows up and solidifies in the arduousness that we share, in the construction and the following of common values that united us, what the French call "l’esprit de corp" or that the old ones assigned with " et pluribus unum ". Therefore I affirm: - it is good to have friends.

* Fifht, the "spirit of sacrifice", which means to participate in something that it is extremely demanding from a physical and a mental point of view and to surpass the difficulties that we faced, "Situs, Altus, Fortus" seems to be one of our main mottoes. In fact, only someone with an enormous spirit of sacrifice can overcome the difficulty that is to up-hill a mountain with an inclination of 20% in a poor sandy path with the lungs and the pulse "breaking", arrive to the top and feel the enormous sensation of happiness. The words of an anonymous author resume everything: " Full of God, I fear nothing, because it comes what it comes, nothing will be greater then my soul ".

* In last, but not the least, the passion for the "physical fitness", to feel ourselves in peace with our own body, to cultivate the leisure and the physical aspect as a essential component of the welfare and to despise all those elements that are harmful to your body, as all the types of excesses. It’ s how we obtain superiors physical performances, in function of our age, and comparatively with many other people who confuse sedentary habits with happiness and becomes a kind of "loosers of the life" dragging its increasing obesity in the restaurants tables or in their car seats. When we walk on our beaches in the Summer time we find many adepts of the "eat & drink national sport" - standing before so many obesity is even to admire that there are no more illnesses on our society. To feel great physically, it’s also, like to the Renaissance’s man, to feel great mentally. Thus, we follow the principle of Juvenal of "Mens Sana in Corpore Sano".

domingo, 17 de dezembro de 2006

CABO CARVOEIRO AO INVÉS DE SAGRES

Pois é...

A logística pregou-me uma partida e o meu programado Tróia-Sagres não se concretizou ontem, sábado, 16 de Dezembro de 2006.

Ao invés aproveitei o dia, com o Mário Silva (*), o Vítor Louçã e o Zé Azurara, para ligar Bombarral a Peniche e regressar via Lagoa de Óbidos.

91 kms. de muito bom BTT a que não foi alheio o frio mas magnífico dia de sol. A minha forma física razoável permitiu-me terminar em bom estado mas não impediu o azar de uma queda estúpida praticamente parado e que me valeu um toque numa costela com o prognóstico expectante.

De resto a mistura de lama e areia nos pedais, aliada ao facto dos cleats estarem, há muito, gastos (foram os primeiros que montei no ido 1998 e que têm vindo a ser reaproveitados em sucessivos pares de sapatos) a proporcionarem algumas quedas "amadoras" de tal modo que parecia que me havia recém convertido aos SPD. Só visto!

O motivo da lesão também foi ridículo e deveu-se ao facto do punho ter ficado entre o solo e o peito, imagine-se. Espero que as sequelas não me impeçam de pedalar embora hoje me sinta muito melhor.

A volta foi fantástica com a passagem junto ao litoral entre o Forte do Paimogo (ao norte da Praia da Areia Branca, Lourinhã) e a Praia d'El Rei (Óbidos) e com escalas em locais magníficos como a Praia de São Bernardino, Peniche, Baleal, Lagoa de Óbidos, Olho Marinho ou Reguengo Grande a proporcionar momentos de grande interesse...

Como já afirmei, foram 91 kms., à média de 14,5 kms/h e cerca de seis horas e meia de pedal a fazerem-nos percorrer a distância entre o Olho Marinho e Bombarral já de noite sem outra luz que não fosse a do display do GPS. Também essa foi uma experiência interessante.

Uma grande jornada a repetir de modo reformulado...

__________

(*) - Mário Silva é um companheiro de pedalada de longa data e alguém com uma enorme experiência e "savoir faire" no pedal. Trata-se de outro dos "gurus" do BTT nacional ao nível da evasão "Cross - Country", i.e., longos passeios em ambiente informal, tal como o de ontem.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

E MAG "REVISTA DO PEDAL"

In http://www.revistapedal.com/revista/index.php pode ler-se:

É com um prazer especial que levantamos a “ponta do véu” da primeira e-mag (electronic magazine) nacional sobre BTT e Ciclismo.

Tudo começou com um projecto para revolucionar o mercado da informação da área do BTT e do Ciclismo. Rapidamente surgiu uma questão. Se estamos ligados a um desporto que convive com a natureza e supostamente se preocupa com esta, porquê andar a cortar árvores para fazer papel? Juntando a isto o crescimento da Internet como fonte principal de informação, surgiu a ideia de criar uma “revista” em formato digital para colocar on-line e de livre acesso para todos. Deste modo, não há problemas do preço de compra, não há problemas com distribuição e acima de tudo, poupam-se umas árvores!

Se uma das palavras de ordem era a preocupação com a natureza, a outra veio logo de seguida. Fazer crescer o mercado das bicicletas! Deste modo, estamos cá para informar o leitor e ao mesmo tempo ajudar as lojas e os importadores a divulgarem as suas novidades. Assim, teremos “bttistas” e ciclistas mais informados sobre tudo o que está ligado a estes desportos e ao mesmo tempo divulgamos as últimas novidades nacionais e mundiais do mundo das bicicletas.

O passo seguinte era fazer os conteúdos da e-mag. Como já tínhamos feito conteúdos para a revista em papel, foi fácil fazer uma grande parte deste número 1. Utilizou-se esses conteúdos de modo a poder agradecer às lojas e importadores que tinham trabalhado connosco. Tentou-se criar mais meia dúzia de reportagens pois o formato on-line não está limitado em número de páginas e passou-se para a montagem da e-mag. Podemos neste momento dizer que está tudo pronto a entrar on-line e que apenas falta resolver uns pequenos detalhes com algumas lojas e importadores.

Como a ansiedade era muita, decidimos abrir o site ao público e publicar a capa! É uma espécie de rebuçado para os leitores. Podem ver a capa e uma parte dos conteúdos deste primeiro número. Dentro de dias será colocada on-line a e-mag completa, por isso, visitem o site regularmente para a poderem ler na íntegra.

Com os melhores cumprimentos,

E-MAG Pedal