quinta-feira, 19 de junho de 2008

Aprender a Andar de Bicicleta nas Estradas Portuguesas

Cenas a Pedal apresenta formação inovadora para fomentar a mobilidade sustentável nas cidades portuguesas

A Cenas a Pedal apresenta uma formação inovadora e única em Portugal: Cursos de Condução de Bicicleta.

Qualquer que seja a idade, o nível actual de habilidade ou os antecedentes com bicicletas da pessoa, a Cenas a Pedal acredita que tem algo para lhe oferecer. Mesmo que não seja capaz de se equilibrar numa bicicleta, esteja a voltar ao seu uso após um interregno, ou seja um ciclista regular que quer desenvolver mais as suas competências.

Em Portugal não há um programa nacional de formação em condução de bicicletas, e é algo ainda muito raro junto dos operadores privados. Como contributo para colmatar esta lacuna a Cenas a Pedal "importou" o Padrão Nacional britânico de condução de bicicletas e adoptou-o como base destes novos cursos que agora estreia em Portugal.

O Padrão Nacional britânico inclui formação para adultos bem como para crianças (a partir dos 9-10 anos de idade), e é desenvolvido na estrada em cenários reais de tráfego, sob supervisão. Trata-se de uma formação de alta qualidade levada a cabo por instrutores habilitados e certificados, a qual permitirá tornar qualquer pessoa num ciclista hábil e confiante que terá as
competências para gerir todas as condições de estrada e de trânsito em segurança.

Segundo Ana Pereira, responsável da Cenas a Pedal, “O aumento do preço dos combustíveis, as alterações climáticas, o caos nas cidades causado pelo excesso de carros e trânsito, a obesidade e as doenças derivadas do sedentarismo, são algumas das questões prementes nos tempos que correm. “Mobilidade sustentável” já deixou de ser um conceito abstracto para passar a ser uma necessidade inadiável e que marca o dia-a-dia de todos nós.”

Ana Pereira acrescenta “Existem cada vez mais pessoas a procurar outras formas de se deslocar nas cidades, nomeadamente através de bicicleta. Muitas destas pessoas sentem-se, contudo, apreensivas face a essa opção. Queixam-se do trânsito e têm medo dos automobilistas. Este programa de formação ensina-as a conduzir uma bicicleta na estrada de uma forma segura e confiante, respeitando sempre os outros utilizadores da estrada.”

A Cenas a Pedal é uma empresa vocacionada para as soluções de mobilidade sustentável e de lazer activo, e foi fundada no final de 2006 por dois jovens universitários com vontade de colmatar as enormes lacunas do mercado português na área das bicicletas utilitárias.

terça-feira, 17 de junho de 2008

De Setúbal a Querença Sob o Dilúvio

III Raide BTT FPCUB Setúbal – Odemira - Algarve

Data - 19 e 20 de Abril

Distância Total – 270 kms.

Altitude Acumulada – 3700 m.

Início – Setúbal

Final Intermédio - Odemira

Final – Querença, Loulé

Grau de Dificuldade Técnica - Médio

Grau de Dificuldade Física – Muito Elevado

Apoios - Câmara Municipal de Odemira, Junta de Freguesia de Querença, Loulé, TFS – Transportadores Frigoríficos de Salvaterra, Ciclonatur / “Loja do GPS”

Participantes: 65 (5 femininos)

Fotografias: http://picasaweb.google.pt/roque.oliveira/IIIRAIDEFPCUBSETBALODEMIRAQUERENAALGARVE

Website: http://www.fpcub.pt/raide2008/

Pelo terceiro ano consecutivo, a Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB), levou a efeito o seu raide BTT Setúbal – Odemira – Algarve. O final, tal como no ano transacto, foi em Querença (Loulé) onde se repetiu a hospitalidade da Junta de Freguesia local que consubstanciou na amabilidade algarvia e num prosaico e estupendo almoço serrano típico e nos sempre imprescindíveis duches. É o outro Algarve, o da serra, menos turístico, mas mais genuíno e puro.

Ao contrário da amenidade climática das edições anteriores as facilidades meteorológicas não se fizeram sentir. Durante os dois dias do raide, os aguaceiros e o vento marcaram presença constante dificultando a progressão que, já de si e em virtude da quilometragem, é difícil e penosa. As alterações de circunstância ao percurso foram inúmeras, sobretudo no segundo dia já que, às paisagens mais interessantes, correspondiam travessias de cursos de água anormalmente engrossadas e terrenos impossíveis de pedalar em virtude da precipitação verificada.

Ainda assim os participantes foram unânimes em elogiar a mais valia paisagística dos traçados eleitos pela FPCUB para este raide. Refira-se, ainda, que o autor destas linhas, após dois anos sucessivos a pedalar, trocou, nesta edição de 2008, o guiador e o selim da sua BTT pelo volante de uma pick-up 4X4 da organização. Em boa hora o fez já que as dificuldades acrescidas pelo estado do tempo e do terreno foram responsáveis pela necessidade de algumas avarias irreparáveis no meio de “nenhures”. De facto, algum material entregou, por esse motivo, a sua “alma ao Criador” e a progressão de alguns participantes ficou comprometida e só com uma viatura com aquelas características foi possível o seu resgate.

Recorde-se que o trajecto do Raide BTT FPCUB Setúbal – Odemira - Algarve não tem o seu percurso marcado ou sinalizado no terreno mas é disponibilizado em “GPS Track” permitindo assim, a cada grupo de participantes, impor o ritmo e andamento que desejar. De igual modo não se trata de uma competição e não tem qualquer intuito classificativo.

Mas, vamos ao relato…

DIA UM – 19 de Abril de 2008

1. SETÚBAL - MELIDES

Tal como é hábito, simbolicamente, o início é em Setúbal e o trajecto tem uma neutralização até Tróia correspondente à travessia do Sado em ferry. A confusão motivada pelas obras em Tróia em conjunto com a os aguaceiros fortes implicaram que, ao contrário dos anos transactos, os participantes, logo após o desembarque e entrega da sua bagagem à organização, iniciassem a marcha. O briefing foi reduzido ao mínimo.

De Tróia até Melides, à falta de alternativa todo o terreno (é impossível progredir nos pinhais arenosos) circulou-se por asfalto. A excepção é o bonito troço entre a Comporta e o Carvalhal onde se seguiu junto aos arrozais e à Vala Real.

2. MELIDES – SANTIGO DO CACÉM

Vencidos os quilómetros de asfalto, começou o todo terreno. Este troço é dos mais interessantes em termos de paisagem já que corresponde, integralmente, a uma zona da serra de Grândola que, como todos sabemos, é dos locais mais aprazíveis para a prática do BTT. Vencidos os primeiros quilómetros até Vale Figueira iniciou-se a rotina dos barrancos, tão característicos das serras do sul de Portugal. O primeiro é o do Livramento: trata-se de uma descida forte com diversos cotovelos à esquerda e à direita, que conferem uma enorme agradabilidade a quem monta a bicicleta embora, este ano, o estado do terreno a impedir grandes atrevimentos técnicos. No final, a travessia da correspondente ribeira e a forte subida a exigir um empenhamento extremo. A paisagem envolvente é suprema constituída, sobretudo, por floresta de sobro num ambiente tipicamente mediterrânico.

A travessia seguinte e muito semelhante é a do Moinho numa reedição do relevo, da paisagem e do modo de a abordar em bicicleta. Já muito perto de Santiago do Cacém foi necessário alterar o percurso já que a travessia do barranco de Santa Cruz era muito penosa e quase só de canoa tal seria possível.

3. SANTIAGO DO CACÉM – SONEGA

Após Santiago do Cacém, a travessia do Barranco da Velha foi muito facilitada se comparada com os anteriores Livramento e Moinho pelo que, rapidamente, continuámos a pedalar para sul por uma zona de serra muito bonita em direcção ao Paiol que é alcançado num ápice não sem mais umas inevitáveis passagens por água. Nesta zona alguns dos participantes resolveram terminar a sua actividade pedalante neste primeiro dia já que as dificuldades apresentadas pelo terreno dificultavam muito a progressão.

Após o Paiol seguimos, para sul, em direcção à Barragem de Morgavel, passando pela Estação de Tratamento de Água, por uma zona relativamente plana antes e após o plano de água represado. O facto do vento soprar forte, de poente, fez com que a transposição desta zona exposta fosse particularmente penosa.

Após a passagem do paredão surgiram novas dificuldades circunstanciais relacionadas com a presença de areia mas que foram vencidas sem problemas de maior. A chegada à Sonega faz-se através da travessia de Vale de Meio por uma subida contínua mas relativamente suave embora o estado miserável do piso constituísse uma dificuldade acrescida.

4. SONEGA – TROVISCAIS

A partir da Sonega tínhamos pela frente a Serra do Cercal que se contornou por poente por forma a não ser exigido um esforço acrescido tendo em consideração que ainda faltavam alguns quilómetros e que já se haviam pedalado bastantes. Pedalámos assim a poente da serra contornando os montes e descendo até à EM 1116 por onde se seguiu até ao seu final em Godins e, transpondo o corgo (pequeno barranco) do mesmo nome, subimos até Adail sempre com a serra a nascente.

Cruzámos a EN 390 e continuámos sempre para sul por trilhos no meio do eucaliptal escoltando os montes no sopé da serra. Após o Monte do Amarelinho circulámos por um estradão largo e rápido em zona de eucaliptal até Vale Bejinha e rapidamente chegámos aos Troviscais.

5. TROVISCAIS – ODEMIRA

Este troço, à falta de alternativa válida em todo o terreno para a travessia da Ribeira do Torgal, foi efectuado por estrada circulando entre Castelão pela EN 120 até Odemira, num percurso maioritariamente descendente e onde se cruzou a referida ribeira. Neste ponto faltavam apenas poucos quilómetros, embora ascendentes, até ao desvio que nos levou até à zona do Pavilhão Municipal de Odemira e ao final deste 1.º dia.

Apesar da enorme dureza, resultante da distância e do estado do terreno, um banho seguido de um jantar retemperador e do descanso merecido fizeram com que, no dia seguinte, todos se prontificassem a continuar. Sem embargo, na manhã seguinte, o tempo ameaçou comprometer tudo. De facto a chuva forte durante mais de uma hora não parou. Pior foi a trovoada muito próxima que cortou a energia já para não falar dos 10 minutos a granizar com o gelo a ecoar no telhado do pavilhão. A aberta finalmente chegou e foi tempo de rapidamente todos se fazerem ao caminho.

DIA DOIS – 20 de Abril de 2008

1. ODEMIRA – SÃO MARCOS DA SERRA

O tempo miserável e as suas consequências no estado do terreno fez com que aquela que é unanimemente considerada como a zona mais bonita da travessia tenha sido substituída pelo asfalto entre Odemira e Sabóia. Ainda assim trata-se de uma estrada praticamente deserta e de grande beleza. Após Sabóia transpôs-se uma pequena ponte sobre a Ribeira de Telhares circulou-se sempre por terra e junto à ribeira e ao caminho de ferro até se chegar ao asfalto de uma estrada secundária e a Pereiras Gare. Aqui e de novo o trajecto alternativo por asfalto, também e de novo praticamente deserto de viaturas automóveis, a impor-se em função do estado do piso. Tempo de cruzámos a fronteira para o Algarve e o concelho de Silves alcançando então São Marcos da Serra.


2. SÃO MARCOS DA SERRA – ALTE

Em plena serra algarvia e por forma a suavizar a altimetria, tal como no ano passado, seguiu-se o curso de muitas pequenas ribeiras que seguem com uma orientação poente – nascente, ou vice versa, que foram cruzadas inúmeras vezes a vau. Mais complicado foi cruzar o rio Arade, também a vau já que a sua passagem em Ribeira do Arade se revelou algo complicada tendo-se optado por uma alternativa mais a nascente. Após a passagem sob a A2 seguiu-se o curso da ribeira do Gavião passando por Vale Figueira, Marreiros e Corchica e, após se cruzar a mesma, começou uma longa subida até Santa Margarida e daí a descida até Alte e por dentro desta localidade típica da serra algarvia. Aqui a paisagem mudou por completo.

3. ALTE – QUERENÇA

Após Alte rolou-se, por alguns momentos na EN 124 para se sair, à direita, por um percurso fantástico entre laranjais, com montanha de um lado e de outro, junto ao Barranco da Vala Grande, passando por Charneca da Nave, Nave dos Cordeiros, Beirão e abordou-se a penosa subida, aos cotovelos, por uma íngreme rampa de asfalto, até ao Espargal e daí até Alto Fica onde se tomou a EN 524 no sentido descendente e em alta velocidade até à famosa Ribeira de Algibe.

Seguiu-se então por um belo e rápido caminho sempre junto à margem desta ribeira até à EN 525 retomando, junto a Ponte de Tôr, o asfalto. Aqui, de novo, a necessidade de uma alternativa (já que a travessia do Algibre no “Caminho do Morgado” se revelou impossível). Seguiu-se então a EN 524, à falta de melhor alternativa, para chegar a Querença. Foram apenas dois quilómetros com pouca densidade de tráfego até à Quinta da Passagem onde se iniciou a subida para a aldeia de Querença.

A chegada ao largo da aldeia foi mítica através do caminho da Portela uma subida medieval com uma inclinação média superior a 10% e que, em cerca de um quilómetro nos levou, por um empedrado, dos 150 aos 270 metros de altitude.

Tratou-se de um final apoteótico a garantir ficar retido na memória por muitos e bons anos.

Pedro Roque

domingo, 15 de junho de 2008

Pensam que as bikes nascem das árvores?


Não nascem, mas sempre se podem arrumar em algo parecido.
Aquelas situações de amarrar a bike ao poste e ficar sempre a pensar se ainda lá estará quando voltarmos pode ser coisa do passado.

O utilizador engata a bike na base, passa um cartão próprio na máquina, digita o PIN e é vê-la subir, ficando arrumadinha lá em cima, resguardada por uma redoma que a protege da chuva e furtos.
O sistema utiliza a energia solar para fazer actuar o sistema, mas não se preocupem, também o podem usar de noite.

E não pensem que é mais um daqueles conceitos que costumo trazer. Este já existe e está implementado (ou plantado ) na cidade de Genebra .

+ info: www.biketree.com

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Vou só ali à máquina tirar uma bike...


A companhia Holandesa Springtime ganhou o prémio Spark Design & Architecturede 2007 com esta proposta chamada "Bike Dispenser".
Um pouco como já se via em Aveiro com a Buga, e em vários outros países, esta empresa propõe as bicicletas de aluguer para o trajecto urbano, as bicicletas podem ser levantadas num ponto, ser utilizadas no percurso que se pretende fazer e arrumadas noutro ponto, mas com a novidade de estarem resguardadas e arrumadas numa espécie de máquina de vending gigante, o que automatiza o processo e dificulta a vandalização e contam com um chip RFID para fácil localização.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

CASCAIS - MONSANTO - DE NOVO A TRAVESSIA


Ontem foi o dia de ensaio geral para a travessia de sexta e sábado entre Lisboa e Coimbra.

Nada melhor que a já clássica ligação entre Cascais e Monsanto num dia de sol radioso e com um ritmo suave dentro da zona aeróbica (na medida do possível).

Começou com uma ligação de 11 kms. entre minha casa, no Alto dos Moinhos e Algés onde tomei o comboio pelas 08:49. Foi tempo de pedalar pelas ruas de Cascais tomar a ciclovia até ao Guincho e daí subir a serra de Sintra naquela que é, sem dúvida, a parte mais difícil do percurso em virtude da ascensão. Senti-me muito bem a subir, ao bom estilo dos velhos tempos, agarrando o guiador com firmeza e rodando os pedais, mesmo nas zonas mais inclinadas, sinal de que o condicionamento está a resultar. Foi um ápice enquanto passei do nível do mar no Guincho aos quase 450 metros do cruzamento dos Capuchos tendo chegado muito bem aí, apesar do calor que já se fazia sentir.

Segui então em direcção à vila de Sintra onde me encontrei com o Jorge Cláudio que comigo partilhou o resto de percurso até Lisboa. Continuei a descida até à Várzea, pelo meio da vila. Daí segue-se, pelo meio dos campos até ao Lourel, atravessando-se o IC16 para a Quinta da Cavaleira até à Carregueira. Esta é a zona mais incaracterística da travessia contrastando com a beleza da Serra da Carregueira que se lhe segue embora com um par de subidas complicadas até ao "country club". Após este é tempo de descer atá à travessia do famoso túnel (não mais que uma manilha que atravessa um aterro durante uma centena de metros), nova subida pelo meio do pinhal e a famosa Mata de Belas onde nasce o Aqueduto das Águas Livres. Para se sair de Belas em direcção a Agualva tem de se subir de novo, desta vez até ao cemitério de Belas, mas ao contrário de outras ocasiões cheguei, desta vez, mais "vivo que morto", a minha prestação estava a surpreender-me.

Tempo de descer para Agualva junto ao campo de futebol e ao jardim da famosa anta e de cruzar os campos até Massamá que se cruza velozmente em função da descida cruzando inferiormente a Linha de Sintra e o IC19. Queluz de Baixo e Tercena ficaram já para trás e é tempo de chegar a Queijas e de descer a Linda-a-Pastora e daí, por debaixo da A5 até ao Estádio Nacional. É incrível como se conseguem descobrir caminhos e passagens com pouca densidade de tráfego entre todas estas povoações.

Após o Estádio seguiu-se sempre junto ao rio até à estação de Algés e daí pela mata de Monsanto as últimas e terríveis subidas do dia: Alto do Duque até ao Hospital, descida e subida pela mata para Caselas, subida pela mata junto ao CIF e ciclovia pela estrada superior ao Bairro da Boavista. Admito que estas subidas finais, apesar de feitas sem dificuldades de maior acusaram já algum esforço motivado mais pelo acumulado e a que não foi alheio o esgotar da reserva de água.

No final 100 kms. e 100 metros (!) com um acumulado de 1900 metros mas, acima de tudo, um excelente teste...

Pedro Roque

ANAREC recomenda compra de bicicleta

O Presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis recomenda a compra de uma bicicleta. Leia mais

Saiba como utilizar a bicicleta na cidade:

Blog Bicicleta na Cidade de Lisboa
http://bicicletanacidade.blogspot.com/

100 Dias de Bicicleta em Lisboa
http://100diasdebicicletaemlisboa.blogspot.com/

Guiador de Colombo



Parece que há ideias que pecam por tardar em sair do papel.
O designer Joe Wentworth criou uma nova forma de arrumar a bicicleta de passeio lá de casa.

Parte-se da pergunta: "O que tem mais largura na bicicleta?"
Resposta: "O Guiador"

Então faça-se com que este possa ocupar menos espaço. Como? Dobrando!
O conceito parece simples e rápido. Claro que para BTT tal conceito não será muito útil, mas para países onde se usam na sua maioria em deslocações e trabalho (e não faltam casos nesta Europa) será incrivelmente útil.
E quem sabe se não ajudaria a promover o uso utilitário da bicicleta em Portugal.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

CICLISMO DE ESTRADA - ACTIVIDADE DE ALTO RISCO

THIS is the horrifying moment a driver smashes into a bicycle race — killing two and injuring 14.

Bodies flew through the air as the car bulldozed cyclists in Matamoros, Mexico.

Local reports said driver Jesse Lopez, 29, was drunk and had taken drugs. Two people remain critical in hospital.

in The Sun


Trata-se de uma actividade de alto risco partilhar o mesmo tapete de asfalto com os enlatados mesmo que, por vezes, tenhamos tendência para o esquecer.

DE NOVO EM MONSARAZ NA CHEGADA DA SUPERTRAVESSIA


À semelhança do ano transacto fui de novo com o Mário Silva à chegada da quinta etapa da Supertravessia (Garmin Transportugal) na carismática Monsaraz.

Só que, desta vez, não havia chuva, vento ou lama e os concorrentes e as respectivas máquinas chegaram muito mais felizes e contentes.

A coisa terá corrido de tal modo que o primeiro classificado (na etapa e na geral) João Marinho tirou" apenas"1 hora e 4 minutos ao record da etapa.

Palavras para quê?

Valeu, de novo, o jantar com os atletas e o staff e o regresso a Lisboa já pelas 11:30 (já para não falar na exibição de monociclo do Mário Silva)...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

CONTINUA A PREPARAÇÃO


Ontem revisitei o “circuito de Monsanto. Montei as rodas com os pneus 700X23 e lá fui eu.

A primeira volta foi complicada já que a subida da ciclovia vermelha deu água pela barba. A partir da segunda volta a coisa compôs-se. A forma de outros tempos já não é o que era mas, apesar de tudo, o treino correu bem e noto que a subida de forma está aí.

4 voltas mais a ida e volta. 50 kms. com um acumulado jeitoso. Excelente manhã de domingo

terça-feira, 27 de maio de 2008

BACK IN BUSINESS


Tendente à recuperação da minha condição física de outrora (a esperança é sempre a última a morrer :-) encetei um programa de condicionamento que me levou em cerca de uma semana a três incursões de BTT que somaram mais de 200 kms.

Há algum tempo que os treinos se limitavam a “joggings” de uma hora de duração, quando os tempos (meteo e cronológico) o permitiam e, nas últimas semanas, não o permitiram. Havia, assim, que retomar as grandes ligações, estar em cima do selim horas a fio e re-habituar o corpo e a mente a essas jornadas de BTT que sempre adorei.

A inércia era muito grande mas, ainda assim, num domingo de Maio da Graça do Senhor, resolvi meter as "mão à obra":

1. COIMBRA - MONTEMOR - COIMBRA (75 kms.)

Com a previsão de um dia tempestuoso e um amanhecer intensamente chuvoso resolvi meter as mãos à obra. Nada melhor que um “pedalar chato” (porque plano mas também monótono) para manter um ritmo certo e efectuar muitos quilómetros. Se assim o pensei melhor o fiz. Aproveitando a conjuntural aberta de meio da manhã desço da alta zona dos Olivais em Coimbra em direcção à Universidade e daí, pela zona velha, até Almedina e para o novel "Parque Verde".

Aí tive a prova que o dia "não estava para brincadeiras" já que a habitual algazarra e a densidade de pessoas em lazer, próprias de um fim de semana, fora substituída por um local praticamente deserto.

Rapidamente passei a ponte pedonal Pedro e Inês em direcção a Santa Clara prosseguindo para poente pela margem do Mondego recentemente reabilitada. Por aí se vai até à passagem inferior da Ponte-Açude e optei por prosseguir sempre pela margem sul do rio. O motivo não poderia ser mais prosaico: o vento soprava forte de NE e o dique representava uma protecção real que permitia seguir com o prato 42 sem interferências de maior.

Cerca de 20 kms. volvidos, em bom ritmo, chega-se a Pereira do Mondego, cuja feira se realizava naquele dia (prejudicada pelo mau tempo). A partir de Pereira resolvo passar para a outra margem já que seguir pela EN 341 até Santo Varão não me pareceu ser uma opção segura em virtude do tráfego e das características da estrada. Ao invés, passei a ponte e segui pela outra margem em direcção à ponte de Santa Cita e daí, através dos campos, até ao Centro de Alto Rendimento de Remo e a Montemor o Velho. Neste percurso deu para constatar a força do vento e correcção da opção que foi tomada de circular pela margem esquerda e protegido pelo dique.

Tempo de parar para repor as energias e de regressar. O caminho até à ponte de Pereira é idêntico mas, desta vez, ao invés de atravessar o Mondego, segui por norte empurrado por um forte vento e, num instante estava no eterno Choupal. A parte final foi a mais complicada já que, após cruzar a “baixinha” ascendi até à Universidade via Santa Cruz, Couraça dos Apóstolos e Museu da Ciência.

Apesar de levar o impermeável vestido, durante o caminho, não choveu uma gota (ao contrário da cidade onde caiu um aguaceiro forte). No final 75 kms. em ritmo forte.

2. LISBOA – SETÚBAL – LISBOA – 85 kms. (fotos)

Esta travessia está a tornar-se num clássico em alternativa ao “Cacilhas – Contracosta”. Foi a minha segunda incursão de longa distância, na semana, embora estes 85 kms. correspondessem a uma versão um pouco mais curta.

Respondi ao apelo do Mário Silva e lá fomos. Tomámos o comboio em Lisboa e saímos em Setúbal. Não sem antes o maquinista inadvertidamente nos ter trancado no interior da carruagem já na estação de Setúbal!

Após o incidente lá seguimos procedendo a duas adaptações com vista a simplificar um pouco a altimetria: o primeiro logo em Setúbal (sem se subir ao Castelo) e o outro em Picheleiros por forma a evitar o sobe e desce. Rapidamente chegámos a Sesimbra onde almoçámos algo para aquela que é sempre o pior pedaço desta incursão, aquilo a que chamo a “saída do buraco”, ou seja, a ascensão de Sesimbra até “lá acima” ao Zambujal. Daí seguimos para a travessia da “pista cársica” que nos conduzirá ao Cabo Espichel, as terras do Meco, Aiana de Cima, Apostiça, Verdizela e Corroios onde tomámos o comboio de regresso.

Embora o ritmo tenha sido tranquilo fiquei agradavelmente surpreendido com a minha prestação física.

3. LOUSA – GÓIS – VILA NOVA DO CEIRA – SERPINS – 55kms. (fotos)

No sábado passado, após a travessia que o Mário Silva, o Pedro Rodrigues e mais um bravo efectuaram entre o Cartaxo e a Lousã, foi tempo de nos encontrarmos todos e subirmos a Serra da Lousã. A nós juntaram-se mais dois betetístas e lá fomos apesar da previsão meteorológica.

Embora, de início, tenha ficado um pouco mal impressionado quando vi que, a ascensão, ao invés de se fazer "como seria normal" via Cacilhas era "pelo lado da descida", i.e. onde eu sempre desci. Também não sirvo, actualmente, de grande exemplo em virtude da baixa forma física.

Ainda assim, passado aquele desnível acentuado inicial reganhei o ritmo e o resto do passeio foi muito agradável (apesar da meteorologia) sobretudo o almoço em Góis e o regresso via Serpins (as paisagens estupendas do Centro de Portugal). A travessia do Ceira a vau foi um “must”, já para não falar do almoço em Góis.

A chuva fez a sua aparição forte a meio da serra e, embora tenha parado após meia hora, perto dos mil metros comecei a sentir algum frio. Valeram as paragens para um snack e para reparação de um furo que permitiu secar um pouco.

Acho que estou a recuperar bem o ritmo o que me permite desfrutar dos trilhos e das paisagens de um modo distinto, bem mais agradável.

Fotos by Mário Silva

quinta-feira, 12 de julho de 2007

NHTSA Bicycle Safety Tips For Adults

Trata-se de conselhos e normas básicas para a utilização da bicicleta.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

LA RUTA DE LOS CONQUISTADORES




Costa Rica is the breathtaking setting for the toughest mountain bike race on the planet, La Ruta de los Conquistadores. Are you ready to take on the biggest challenge of your life? You must be if you’ve come this far! Over the next four days you will compete with some of the best "hard-core" mountain bike (adventure) racers in the world. You will experience the same grueling terrain and extreme tropical climate, that the original Spanish conquistadors endured during thier first expedition crossing the continent from coast to coast.

Riding his bike, (14 years ago), the Race Organizer Roman Urbina, explored and retraced the cross country route of the Spanish conquistador, Juan de Caballón. The route started on the Pacific Coast in the beach town of Jacó.

The first fifteen minutes is a pleasurable ride along the coastal highway before comming to the first of many grueling climbs. Upon reaching the town of Bijagual, the journey takes a sharp left and heads into the back end of the nature reserve, Carara. This reserve is populated by poison dart frogs and scarlet macaws.

La Ruta de los Conquistadores

The route descends into the Valley of Turrubares and continues toward the central highlands, taking you through numerous spectacular microclimates. Surrounded by mountains and volcanoes, the Central Valley is cooler with more rain at higher elevations. On average, Costa Rica receives 3,300 mm (130 inches) of rainfall per year.

The highest point in the expedition is the Irazú Volcano, which towers over San José at the eastern edge of the Central Valley. It reaches hights of 3,432m (11,259 feet). Irazú and its neighbor, the Turrialba Volcano, border the old capital city and religious center, Cartago, Costa Rica. Another conquistador, Perafán de Rivera, explored the region with its rich volcanic soils that today contribute to the prosperous agricultural industries surrounding Cartago and the town of Turrialba.

After an in depth exploration around the Turrialba Volcano, Rivera continued towards the Atlantic flatlands traveling some of Costa Rica´s largest rivers and most dense jungle, which today have been replaced by immense banana plantations which grows excellent in the wet marshes bordering the Caribbean coast.

As such, La Ruta was born –a grueling, (coast to coast) three stage, three day mountain bike race that will challenge not only your physical strength, but your sanity as well.

ABSA CAPE EPIC



The Absa Cape Epic presented by adidas takes place every year around the last week of March and the first week of April. It starts in the beautiful Garden Route town of Knysna and finishes nine days later in style at the grand Lourensford Wine Estate, just outside Cape Town. The route changes every year, and leads aspiring amateur and professional mountain bikers from around the world through approximately 900 kilometres of the unspoilt nature of the Western Cape and up approximately 16 000m of climbing over some of the most magnificent passes in South Africa. For the first time the 2008 race will start with a time trial prologue on Friday in Knysna.

Ride in Teams of Two
All riders must enter as a two-rider team. Teams register in one of four different categories that include Men, Ladies, Mixed and Masters (both riders must be 40 years or older). The minimum age of participation is 18. Each of the eight stages begins at 07h00. The riders in a team must remain together at all times during the race and are expected to reach the finish line by 17h00 daily. At each stage, the winners of the day receive prizes and the leaders in the overall classification their leader jerseys.

Focus on Rider Satisfaction
The Absa Cape Epic is organised and presented with the participating athletes at the focal point. Their satisfaction, well-being and enjoyment of the race are the organisers' primary goals. We aim to deliver an unsurpassed and unforgettable mountain bike and African travel-experience. Therefore, we offer a 24-hour full service around the race, including tented accommodation in race villages, carbo-loaded breakfasts and dinners, race nutrition, bike servicing, masseurs, and stage location specific entertainment every evening.

Full Service Race
The Absa Cape Epic is the largest full-service mountain bike stage race in the world. Race nutrition, water, and isotonic carbohydrate drinks are available at the feed zones to revive tired riders during the race. At night, all riders and race crew sleep in the tented race villages that are set up prior to arrival and taken down immediately after the start each morning by the race crew.

Every Year a New Route
There are many ways to ride through the stunning Western Cape from Knysna to the Cape Winelands, and the route of the Absa Cape Epic changes every year. Riders will see wide open African plains, majestic mountains, deep ravines, arid semi-deserts, indigenous forests, spectacular coastlines and flourishing vineyards.
The route is characterised by dusty and demanding gravel paths, strenuous rocky uphills, thrilling technical downhills, magnificent river crossings and stunning forested single tracks.

terça-feira, 3 de julho de 2007

MADREDEUS, HAJA O QUE HOUVER


Provavelmente a mais bela balada portuguesa!

Letra e música: Pedro Ayres Magalhães (1997)

Haja o que houver eu estou aqui
Haja o que houver espero por ti
Volta no vento ó meu amor
Volta depressa por favor
Há quanto tempo já esqueci
Porque fiquei longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor

Eu sei, eu sei quem és para mim
Haja o que houver volta para mim


TRANSALP CHALLENGE


To Cross the Alps on a Mountain Bike...

Dream on!


segunda-feira, 2 de julho de 2007

CAMINHOS DE AVIS (ALMADA - AVIS)



Peregrinação em Bike
Caminhos de Avis 2007
30 Junho, 07H30 – Parque da Paz

Almada, Coina, Pinhal Novo, Pegões, Canha Sul, Santana do Mato, Couço, Barragem Montargil, Foros do Mocho, N.Srª Arrabaça, Aldeia Velha (Avis).

160 kms., com um acumulado de 1724 metros. Cota mais alta: 183 metros, Cota mais baixa: 8 metros

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Ao contrário do que contava inicialmente não pude alinhar de início por causa das exéquias do meu falecido tio.

Sem embargo não quis deixar de estar presente tendo chegado perto das 14:30 a Aldeia Velha (Avis) e tendo efectuado o percurso em sentido inverso até encontrar o pelotão.

Assim aconteceu a meio caminho entre o Couço e Santana do Mato isto com cerca de 48 kms. volvidos.

Apesar do troço entre Aldeia Velha e o Couço ser muito exigente tecnicamente (com algumas passagens em areia de dificuldade) mantive um ritmo forte tendo alcançado uma média de cerca de 18 kms. / h que baixou 1 km. no final apesar de se ter atalhado bastante por estrada e, até perto do final, por caminhos mais rolantes.

De referir que só mantive este ritmo já que iria fazer "poucos" quilómetros (se considerarmos que 100 kms. são pouco relativamente aos 160 do total da travessia). Ainda assim percorri mais quilómetros que os previstos antes de encontrar a mole ciclística.

No final um banho e o jantar a saberem divinamente.

Em suma: como estava fora de questão faltar ao funeral tive de conciliar as duas coisas e acabei por pedalar cerca de 100 kms. Deu para conhecer pessoalmente alguns dos "nicknames" que por aqui circulam. Para além dos já conhecidos Rui Sousa e Jorge Manso (que fui eu que "inscrevi") deu para rever o Vítor Louça e o Zé Luz (ainda que apenas em "versão motorizada") e ainda o Sérgio Saldanha, o Jorge Maria (promotor do evento), etc.

Foi mais uma excelente jornada de BTT bem ao meu gosto...

terça-feira, 26 de junho de 2007

A "GARMIN TRANSPORTUGAL 2007" VISTA POR JORGE MANSO


Texto e foto de Jorge Manso
Mais Fotos aqui

Como amante das longas horas a pedalar, há já alguns anos e do nosso "Portugal
profundo", desde a infância, ao ver surgir a SuperTravessia fiquei logo com o
"bichinho" de participar.

Enquanto que, primeiramente, não me via fisicamente capaz de participar, depois
passei a não me ver com disponibilidade para participar, até que, em 2006, tomei a
decisão de arranjar esse tempo que não tinha. Infelizmente em Janeiro tive um
acidente viário que impossibilitou a minha conveniente preparação.

Sendo assim, em finais de 2006, a ideia estava ainda mais forte e logo no final de
Dezembro decido marcar uma data de inicio, neste caso o clássico Tróia-Sagres
como data oficial e partir da qual me auto-responsabilizaria por estar em
condições de aguentar a aventura de Junho.

A ideia de fazer 1000km em 8 dias sempre me pareceu algo assustadora, como tal
tive de alterar bastante a minha vida pessoal e profissional para possibilitar
um aumento de kms. brutal, digo-vos só que, nos seis meses de preparação para a "Super",
fiz o dobro dos kms. do ano de 2006 inteiro...

Como não sou rapaz de fazer exercicio em espaços fechados e em virtude de alguma
variabilidade no meu horário laboral, a minha preocupação central foi andar muito de
bicicleta e tentar andar, ora muitas horas, ora menos horas, mas a um ritmo mais
forçado. A possibilidade de ir a maratonas aumentar o ritmo foi reduzida pela
dita variabiliadade de horário, apesar de ainda ter conseguido ir a 2 (Alvalade
e Mafra), mas já muito perto da "hora H".

Felizmente tive também a oportunidade de participar no magnifico evento da
FPCUB, o Tróia-Algarve, num fim de semana que serviu ao mesmo tempo para tirar
conclusões do progresso do treino (andei sempre a fundo) e para aproveitar 2
dias de excelente convivio. E partilhar alguns treinos com o Luis Gomes e
Ricardo Melo, que muitas e boas dicas me deram.

E assim de Janeiro até Maio o tempo voou. Agora quando Junho chegou, o caso
mudou de figura e os dias começaram a passar bem devagar. A ânsia de que
chegasse o dia aumentava exponencialmente...

Dia 0 - a chegada

Chegado finalmente o grande dia, 9 de Junho, é hora de rumar ao norte. Uma
viagem bem longa e que foi feita já com a ideia nos dias seguintes, com o
assunto comum a ser o que nos aguardava.

Chagada a Bragança e após algumas buscas lá encontramos o hotel, a grande
maioria dos participantes já por lá andavam, estando na altura em grande azáfama
na retirada das bicicletas das caixas e montagem das ditas. Dá-se uma vista de
olhos às montadas dos participantes e algumas saltam à vista, a pequena e bela
FRM da Sónia Lopes, uma FS laranja de tamanho XXL de um americano e acima destas
a SS "kitada" para 3S (trpile speed) do americano Tom Letsinger.

Quando interpelado acerca da estranheza da sua máquina, admite que a criou
propositadamente para este evento, um quadro de carbono e aço nas uniões, com o
manipulo das mudanças na escora traseira, bem perto do selim, desviador "Campy"
Record, discos accionados por cabo e forqueta rigida de carbono. Diz que o
manipulo está ali por simplicidade (menos cabo e bicha) e para não ser usado
muitas vezes. Uns dias mais tarde diz que prefere as forquetas rigidas por achar
que lhe permitem por a roda exactamente onde quer, sem variações de geometria
causadas pela absorção das irregularidades (e sim, ele experimentou suspensões).
Muitos dos portugueses comentavam que no dia seguinte é ele se iria ver grego e
que dificilmente chegaria ao fim.

Tempo de recolher o dorsal, carregar o GPS e um briefing inicial para explicar a
filosofia do evento, bem como toda a equipa de apoio. Depois jantar e caminha,
que amanhã temos de nos levantar cedo.

Dia 1 - Bragança a Freixo de Espada à Cinta (a apreensão)

Desde cedo pintado no site e pelo briefing do dia anterior como o dia mais duro
da TransPortugal, a decisão foi de atacar o dia com muita tranquilidade, de modo
a não sofrer as consequências nos dias seguintes. Seria uma etapa sem grande
subidas mas com muitas subidas...

A azáfama começa logo no pequeno almoço, com muita gente presente, pois além de
toda a comitiva do TransPortugal, estavam também várias equipas de futebol de
escalões jovens, era o ver se te havias, com as cadeiras desaparecerem
frequentemente e a comida a desparecer rapidamente. Felizmente que a reposição
existia e acabou por não ficar ninguém com fome.

À partida estava já em acção o sistema de handicaps, com os primeiros atletas já
bem adiantados na etapa há hora da mimha partida, por falta de prática de alguns,
houve vários que se atasaram um pouco no seu arranque... Felizmente eu e o
Cláudio nunca tivemos esse problema, pois não tinhamos handicap, significando
que arrancariamos sempre no último grupo, à hora certa.

Neste dia acabamos por ususfruir bastante da companhia do Tom, a revelar que
sabia bem aproveitar as potencialidades da sua montada, deixando-nos com
frequência para trás nas descidas.

Oportunidade também para ajudar o Luis Gomes, assolado pelos furos em todo o
evento e sendo neste dia o seu 3º, já estava algo perturbado pelo facto, sendo
que eu forneci a câmara, o Cláudio a mão de obra e o Ricardo Lanceiro o CO2.

Após uma grande secção de rectas fui-me algo abaixo e fizemos uma pequena
paragem para comer um gel e repousar, que me fez maravilhas. Logo a seguir
subimos uma calçada cuja maioiria se fez a pé, mas foi o sinal de uma secção
mais divertida, apenas ensombrecida pelo inicio da chuva, que nos fez desanimar
um pouco, pois arrefecemos bastante... Pouco após o último CP fazemos uma curva
à direita e temos à nossa frente uma esplendorosa paisagem do Douro
Internacional, realmente de tirar o folêgo, caso ainda o tivessemos.

O lado bom é que já cheirava a Freixo... Com o Douro tão perto não podia faltar
muito, mas só nos últmos 800m é que se vislumbra a vila, sendo que os últimos
300 são feitos a subir pela calçada.

VITÓRIA, chegamos ao Freixo com 9h11m a pedalar, bem cansados mas satisfeitos.
Recebidos pela tenda do "repasto" que atacámos em grande e pelos vários colegas
pedalantes que ainda por lá se encontravam, alguns na massagem, outros a repor
os gastos do dia, outros a tentar perceber onde iriam ficar, pois neste dia
ficamos repartidos por 3 alojamentos.

Por nossa sorte eu e o Cláudio ficamos no Freixo, a repartir um quarto com o
Adriano Alves, um ciclista muito bem disposto. Um bom jantar e briefing feito
algo à pressa, pois o dia para a organização também foi dificil e ainda não
tinha acabado.

Dia 2 - Freixo a Alfaiates (agora é que vai ser)

Prevista que estava uma etapa mais fácil, com uma longa zona de subida inicial e
muito mais rápida a partir de Castelo Rodrigo achámos que hoje já podiamos andar
algo mais depressa e sem preocupações.

E assim foi, após uma pequena subida e descida chegamos à magnifica passagem da
ponte medieval antes de Barca d'Alva, em que raros foram os que desceram a sua
totalidade sem por os pés no chão. Ligação até Barca d'Alva por alcatrão e toca
a subir. Aqui marcamos um ritmo forte e acabamos por ir deixando gente para
trás, na zona final da subida chegamos mesmo a apanhar o Nuno Gomes, que
depressa desperta da sua letargia e em Castelo Rodrigo já está fora de vista,
reabasteceimento e entramos na zona dos roladores, várias dezenas de km em que
tenho de me proteger na roda do Cláudio e do Adriano, que encontramos mesmo em
Castelo Rodrigo. Mais à frente fica para trás o Adriano e ganhamos a companhia
do George (o único Sul-Africano presente) e do Martin (o dito da bicla XXL),
sempre a rolar a bom ritmo chegamos mesmo a passar a Carol e apanhar a Sónia
Lopes e a Hillary Harrison separadas por uma pequena distânica, após uma etapa
em que devem ter lutado até ao limite das suas
forças, a Sónia segue com o Cláudio e na confusão do grupo de 6 fico para trás
como os restantes, Hillary ainda tenta seguir com eles mas o cansaço é tal que
apresenta alguma descoordenação motora, facto que me impressiona bastante e me
leva a dizer para ter calma, pois ainda tem mais 6 dias para pedalar.

A chegada Alfaiates é feita nas traseiras do hotel, com o espaço de convivio a
ser bem aproveitado, com as massagens e tenda da comida bem perto, acabou por
ser o dia em que se conviveu mais (também ajudado pelo facto de termos acabado
relativamente cedo).

Neste dia fizemos uns magnificos 15º e 16º tempos, com 6h03m a pedalar. Na
classificação geral pouca alteração tivemos.


Dia 3 - Alfaiates a Ladoeiro (dia de serrar os dentes)

Após o esforço do dia anterior esperava-nos um dia mais variado, com a
ondulante passagem na Serra da Malcata, seguida de uma zona de ligação rápida, 2
subidas (Serra do Ramiro e Monsanto) e novamente mais rápido no final.

Desde cedo neste dia que as coisas começaram a ficar feias, com o Cláudio a
ressentir-se bastante do nosso esforço da anterior etapa, nomeadamente com
fortes dores ao nível dos joelhos que o impediam de andar mais rápido e muitas
vezes o fizeram duvidar se conseguiria acabar a TransPortugal.

Pela minha parte desfrutei da zona da Serra da Malcata, com um piso muito
pedregoso, ao meu gosto, mas que me começou a dar algumas dores nos pés,
resultado da minha fraca habituação aos meus novos sapatos.

Paragem para comer uma sandes trazida do hotel num dos miradouros de Monsanto e
o Cláudio recupera um pouco, mesmo a tempo de andar aos saltos pelas predas da
calçada de saida de Monsanto, que fez a ligação até Idanha-a-Velha.

Após Idanha-a-Velha em teoria seria percurso mais rolante, mas ainda nos
deparemos com alguma subidas, que começam já a fazer mossa nos meus joelhos,
para além dos do Cláudio, cruzamo-nos com o Cal (facto que nos deixa muito
surpresos) que está a passar um mau dia, mas diz-nos não precisar de nada.

Ao cruzar o último CP numa zona relativamente plana o Luis diz-nos que a Sónia
Lopes havia acabado de cair mesmo ali em frente. Ia na roda de outro
participante e numa pequena variação de ritmo tocou nesta, acabando por ser
projectada. Nesta altura já estava na sombra com apoio e eu e o Cláudio apenas
no restringimos ao apoio moral e um limpeza nas feridas, a Sónia com uma
expressão de dor óbvia, mas ao que parece ainda havia tentado montar-se na
bicicleta, sem sucesso. Após a rápida chegada do António Malvar fica a ser
assistida por este enquanto espera pela ambulância e nós os 3 tratamos de acabar
a etapa. No entretanto já havia passado o Cal e alguns estrangeiros.

Até à chegada ao Ladoeiro etapa sem história, no hotel de chegada novamente uma
bela zona de meta a favorecer o bom ambiente e o convivio entre todos. O Cláudio
ataca desde cedo cedo no gelo para ver se o joelho se compõe. Ao fim do dia foi
anti-inflamatório no joelho para ambos (obrigado Luis e João).

Viemos a saber mais tarde que a Sónia tinha o pulso partido e a clavicula
rachada (que grande queda), mas só no dia seguinte retomaria a caravana pois
teria de ficar em observação durante a noite.

Dia 4 - Ladoeiro a Castelo de Vide (o tira-teimas)

Neste dia esperava-nos mais um dos dias "curtos" com apenas 108km para
percorrer. Com medo que se repetisse o dia anterior adoptamos uma toada sem
excessos, particularmente por causa de uma comprida zona rolante inicial até à
saída da margem do rio Pônsul, a partir da qual o relevo se alteraria.
Alguns dos outros participantes já tinham algumas mazelas da viagem, com o
Jaime a ter de fazer uma pausa para dar algum repouso ao seu ,já muito
maltratado, e outro participante a ter de fazer várias paragens para reforçar a
camada de creme protector (a certo ponto já nem punha as alças do calção) ao
longo da etapa.

Cedo ganhamos a companhia do George, que também ia num dia mais descontraido,
dizia que não conseguia entrar no seu ritmo. Paragem num café para o 1º
abastecimento e entramos no ritmo da aldeia, nada de pressas e para fazer uma
sandes para a George foi no minimo uns 15min. Mas nada de stress, que para isso
já chega o emprego... Muitos passaram entretanto, todos dando um ar sua graça.

Sempre num ligeiro sobe e desce seguimos até às portas do Tejo, local onde
nunca me lembro de passar, mas que o George aproveitou para a fotozinha da
praxe. Eu e o Cláudio segiumos nas calmas a aproveitar o trilho paralelo ao
Tejo, em breve o George tornaria a apanhar-nos.

Seguindo em sobe e desce somos apanhados por vários "monstros" do ciclismo
numa subida de alcatrão. Ainda os encorajamos um pouco com as habituais "a tope,
a tope" que tanto se houvem nas grandes voltas. E por algum tempo lá vamos em
amena cavaqueira.

Chegados a uma zona de eucaliptal onde o António Malvar nos tinha avisado no
anterior briefing de um cruzamento à esquerda, pouco visivel, mas bem sinalizado
no GPS e não é que acabamos por nos enganar de qualquer modo... Chamo pelo
George e volto para trás enquanto que ele decide atalhar pelo meio dos
eucaliptos.

Nesta parte surge para mim um dos eventos curiosos da TransPortugal. Numa
secção em que haviam alguns regos resultantes do trânsito de jipes (também tinha
sido avisado no dia anterior) vejo uma lebre e com a distracção acabo por "tirar
o brevet". Resultado um toráx maltratado e um braço arranhado, o que mais me
doía era o queixo, mas aí nada de visivel... O facto curioso foi que ao começar
a levantar-me dou conta de uma pala de capacete e uma barra energética no chão.
Alguém havia caido exactamente no mesmo sitio que eu. No final da etapa soubemos
que tinha sido a Filomena, mas que naquele eucaliptal também havia caido o
Adriano. Aquela lebre andava a fazer das suas...

Percurso ondulante até Castelo de Vide e damos de caras com os primeiros
portões, em jeito de aquecimento para o dia seguinte. E a cereja em cima bolo
foi a subida em calçada até ao centro de Castelo de Vide, com alguma técnica à
mistura, mas nada de transcendente, acabamos por fazê-la toda em cima das nossas
montadas.

Dia de 6h37 a pedalar, sem mexidas na geral.

Dia 5 - Castelo de Vide a Monsaraz (o dia dos duros)

Este dia desde logo se esperava como longo, mas de acordo com o briefing do
dia anterior, a partir do km 30 seria bastante rolante e rápido, isto é, se o
tempo não fizesse das suas.

Este tornou-se para mim o dia mais duro da TransPortugal. Um dia de autêntico
inverno com chuva forte e muito vento deixou-nos a todos muito apreensivos
quanto à etapa e com o ânimo algo em baixo. A partida era feita da porta do
hotel, pelo que o hall de entrada estava cheio de atletas à espera da sua hora
de partida, de modo a arrancar o mais seco possivel (não é que durasse muito mas
lá nos iamos convencendo). Alguns atletas optaram mesmo por nem arrancar, tal o
cenário com que se depararam.

Logo ao arranque os tipicos problemas do mau tempo, o GPS não queria captar
sinal... Após alguns minutos a passo de caracol com o vassourinha já na minha
cola ele começa a receber e atacamos logo uma bela calçada a subir, bem
escorregadia. Pé no chão e toca de empurrar por ali acima. Depois da subida veio
uma bela descida também em calçada, só era pena estar "barrada" com muita
manteiga. Cuidados redobrados pela minha parte e uns sustos para o Cláudio,
cujos travões não estavam a colaborar nada. O Adriano volta a cair e já com
algumas costelas a dar sinal da queda do dia anterior, agora foi a vez da
hemiface esquerda.

Toda a secção da serra de São Mamede é feita sob metereologia inclemente, com
chuva e vento forte, um ritmo muito lento e vários concorrentes com os GPS's a
dar de si. O Ricardo Lanceiro acaba por aproveitar a nossa companhia pois foi um
dos afectados com água dentro do aparelho.

À saída de Alegrete há algumas melhorias de tempo com chuva (em vez de chuva
forte) e menos vento, finalmente deixei de sentir frio. O terreno também se
tornou menos acidentado, mas tinhamos lama q.b. para dificultar a coisa.

Acabamos por ir num ritmo calmo mas certo e com a chegada dos portões vai-se
formando um grupo que chega a ter 7 elementos (eu, Cláudio, João Mesquita, Luis
Baptista, Ricardo Lanceiro, Filomena, Sven), perdeu 3 (Filomena, João e Luis)
elementos ao subirmos de ritmo mas acabamos por apanhar outros 2, Hillary e
Oscar, a primeira com problemas no seu travão traseiro (também eu os sentia mas
já tinha pura e simplesmente deixado de usá-lo). Começava também a sentir alguma
imprecisão nas mudanças.

Com alguns km de alcatrão (nunca me souberam tão bem) e a companhia do João
Pedro Pina melhora o ânimo e o ritmo e damos por nós bem lançados, altura também
do Agnelo nos apanhar numas belas fotos de grupo.

Na secção final de "portuguese flat" ainda temos direito a uma empinadas mas
curtas rampas para estragar o que já vai mal e a Hillary farta-se do ritmo e
vai-se embora ao fazermos uma paragem para regar as oliveiras e pôr óleo nas
correntes.

Estradão final de pedra solta com Monsaraz à vista, felizmente que aqui já
tinhamos algum Sol. Com tanta pedra lá há uma que me fura o pneu traseiro,
tentativa de repor pressão e aproveitar o Magic Seal sem sucesso e lá tenho de
recorrer à câmara. Nesta altura é o Sven que não pára e ficamos os 4 tugas. Até
à subida de calçada para Monsaraz vamos em grupo, com avistamento do Mário e do
Roque ao chegar ao convento da Orada, que estão novamente à nossa espera na
capela em Monsaraz, ao finalizar a subida.

Foi um dia bem duro, particularmente a nível psicológico, para as mecânicas (o
José Carlos só se deitou cerca das 2h30) e para os GPS's, com muitos a terem
problemas com eles. Fruto da dureza do dia vários decidem abandonar a etapa e
nós subimos alguns lugares ao resistir a essa tentação. Foi um total de 10h05m a
pedalar (o dia mais longo). Mais o trabalho de casa, em forma de trocar pneu
traseiro e pôr nhanha, mudar pastilhas de travão e mudar o cabo das mudanças
traseiras. Neste dia não houveram alongamentos, nem banho de água fria nem nada.
Foi chegar, duchar, comer, reparar, dormir...

Dia 6 - Monsaraz a Albernoa (dia rolante, dizem eles)

Esta etapa afigurava-se como uma da mais fáceis da TransPortugal. Um dia com
138km de trilhos rolantes à moda portuguesa, ou seja, ondulantes. Logo a iniciar
com 20 em alcatrão.

Este dia deixava-me algo apreensivo. Leve como sou nestas rectas geralmente
ressinto-me muito e acabo por apenas conseguir ir na roda de alguém (neste caso
do Cláudio) e mesmo assim com algum sofrimento à mistura. Estava na esperança
que com isto em vista se juntasse um grupo grande na secção inicial de alcatrão,
mas o sistema de partidas com handicap e a vontade de andar depressa de muitos
fez com que à frente se formasse um grupo razoável, mas os restantes de nós se
juntassem apenas em pequenos grupos, no nosso caso de 4 elementos (Cláudio e eu
mais 2 ingleses), que se desfez à saida do primeiro troço de terra, ao pararmos
para tentar ajudar o João Marinho no seu 1º furo do dia (haveria de se revelar
um dia negro para ele).

Apanhamos alguns portões, por sinal bem menos do que no dia anterior e desde
cedo que as mudanças traseiras voltam ao mesmo do dia anterior, teimosas que nem
umas mulas. Com umas chuvadas pelo meio apanhamos o António e o Óscar e seguimos
em grupo até a 30km do final onde deixo pura e simplesmente de ter mudanças
traseiras, a porcaria na bicha era tal que o cabo nem corria. Resultado, tive de
optar por uma mudança polivalente (no meu caso a 4º) e mudar apenas as
pedaleiras. Foi o triple speed (3S) á moda do Jorge Manso. O Óscar e o António
seguiram a sua viagem e o Cláudio ficou agarrado comigo. Tempo ainda de ao
chegar perto de Albernoa, onde a organização nos faz atalhar por alcatrão até ao
hotel, de modo a evitar uma zona de barro, de apanhar o George, que com o
Cláudio me arrastam pela recta sem passar dos 25km/h, a velocidade máxima a que
conseguia chegar com a minha combinação "talega"x4. Não sem algum esforço
perceptivel pela foto da nossa chegada.

Hoje lá teria novamente trabalho, mas desta vez seria para fazer tudo como
deve ser com mudança de bichas e cabo. Felizmente que hoje foram "apenas"
7h38m a pedalar. Fruto dos azares mecânicos fazemos uma classificação abaixo da
média, mas sem reflexo na geral.

Dia 7 - Albernoa a Monchique (passagem ao reino do Al-Garb)

Neste dia a etapa seria bastante variada, com opções para todos os gostos. Uma
secção inicial de 50km de "portuguese flat" terminada com 2 subidas
consecutivas, uma zona de terreno acidentado, os contrafortes da serrania
algarvia e a cereja em cima do bolo, as subidas na serrania algarvia
propriamente dita. Logo no briefing somos largamente avisados da primeira das
subidas em serra, à Portela da Brejeira, a única a ser feita em terra.

O dia começa na hora do costume para as etapas "fáceis", 10h. O inicio terá de
nos levar por uma zona onde há possiblidade de barro, mas acabou por não ser
assim e ainda bem. Hoje já tinha as mudanças todas a funcionar, seria só mesmo
questão de pernas.

Com a dita zona bastante rolante e ao partirmos no grupo de atletas mais
numeroso (o grupo sem handicap) acabamos por imprimir um ritmo rápido e vamos
alcançado atletas que haviam arrancado antes de nós indo estes engrossando o
grupo, a certa altura penso que teremos sido perto de 20. O ritmo é alto mas o
grupo algo desorganizado nas secções de BTT, a certa altura passamos o Dominic
furado, hoje seria o seu dia dos azares, tendo perdido muito tempo nessa
reparação. Vários dos estranjeiros do grupo abrandam para tentar ajudar e o
grupo reduz-se a cerca da dezena, maioriariamente portugas, mais a Carol e o
Sven que apanhamos pouco à frente nos primeiros portões.

Logo no primeiro portão ainda apanhamos um susto com o João Oliveira a quase
fazer uma pega às avessas ao enfiar o "corno" da sua montada na perna do Cláudio
pois ia distraido e não esperava uma paragem tão súbita (ao que parece ainda fez
uma bela égua agarrado aos travões). Felizmente não houve consequências para o
Cláudio com excepção da forte dor no momento. Viemos a saber mais tarde pela
Hillary que ao seguir o grupo da frente, também de cerca de 10 elementos perto
de um destes portões ela súbitamente e sem razão aparente dá-se conta de várias
pernas pelo ar e uma paragem repentina. Tinha sido o Ricardo Melo e outro
companheiro que tinham atingido um portão em cheio, usando o arame à moda de
rede de travagem (tal não é a velocidade a que estes meninos andam). Por acaso
passámos por um portão bem frouxo, mas se foi esse o atingido nunca virei a
saber...

Ao chegar à aldeia das Amoreiras parte do grupo decide parar para reabastecer e
seguimos eu, Cláudio, Óscar, Paulo, Carol e Sven. Na primeira e menos inclinada
(mas bem mais longa) subida descolam a Carol e o Sven e por fim o Óscar. Na 2º
subida, nesta tendo de se recorrer à "talega pequenina" passa por nós um foguete
belga. Era o Dominic que subia a um passo infernal tentando recuperar algum do
tempo perdido no inicio do dia.

Chegados a Corte Brique paramos na primeira tasca à vista para a nossa
tradicional sandes, servida num fresquinho pão alentejano, de chorar por mais, e
uma coca-cola. Aproveitando também para reabastecer o "camelo". O Paulo só
reabastece de água, retomando a sua etapa rapidamente.

Apanhados que somos pela Carol e o Sven que também tinham aproveitado para
reencher da água seguimos um pouco com eles. Pouco mais à frente apanhamos
novamente o George, que como de costume se junta a nós, que andar muito tempo
sozinho deve tornar-se maçador. A Carol já havia feito uma paragem e o Sven no
primeiro declive passa a seguir no seu passo, um pouco mais lento.

Cruzamos Santa Clara e o rio e ao atravessarmos uma feira onde havia uma
tasquinha havia no ar um cheiro fenomenal. Se calhar deviamos era ter parado
aqui comentámos entre nós. Ao chegarmos perto de Viradouro o George apercebesse
que já tem pouca água e fica para trás a tentar pedir água a alguns locais, mas
sem sucesso. Nós esperamos numa sombra mais à frente.

Em conversa com ele após o cruzamento de uma ribeira pela enézima vez
apercebemo-nos que ele afinal já está mesmo sem água, partilho um pouco da minha
e decidimos parar na primeira casa para pedir reabastecimento. Pouco mais à
frente apanhamos um senhor a descascar batatas na porta da sua casa e
pedimos-lhe um pouco de água. E ele na sua boa fé diz "Vou já buscar um copo."
Mas nós queremos mais do que isso, ele generosamente cede a sua torneira
enchendo nós os cantis. Em conversa com o senhor lá lhe dizemos que não
conhecemos os caminhos mas temos uns aparelhos que nos orientam por satélite,
não parece muito convencido...

Finalmente ao km 106 aparece a famigerada subida à Portela da Brejeira,
considerada como a subida mais dura do TransPortugal. Algo apreensivos quanto à
sua dureza vamos à espera do monento em que teremos de por o pé no chão, quando
chegamos ao final sempre a pedalar estamos satisfeitos e acima de tudo
aliviados. Afinal o monstro era só um monstrinho. Descida por terra bem rápida
ainda com direito a alguns sustos pelo meio e entramos em alcatrão. Segundo o
briefing de ontem estes últimos 20km seriam em alcatrão, mais fácil pensávamos
nós.

A realidade é que este alcatrão levou a que o Cláudio, finalmente sentindo-se
bem, optasse por apertar o ritmo, o que veio a tornar esta secção a mais dura
para mim em toda a etapa. As subidas de alcatrão sucediam-se e sempre bem
inclinadas, mas um piso tão bom só pedia era um pouco mais de esforço para
chegar só até ali à frente, onde a subida terminaria. O problema é que as
subidas estavam a começar a parecer que não iriam acabar. A tal ponto subimos
que de um dia ameno e nublado passamos a andar entre as nuvens, em más condições
de visibilidade e com o GPS a trabalhar ao ralenti. De repente numa zona plana
damos conta que não estamos no track... Mas não era sempre em alcatrão? Ruela
para aqui, ruela para ali e afinal ainda havia algum BTT para fazer, mas
finalmente estavamos a descer, só podia ser bom sinal.

Com a navegação algo dificultada pela má recepção dos aparelhos e má
visibilidade ainda nos enganamos algumas vezes mas conseguimos chegar a bom
porto. Ainda bem que iamos os 2.

Reusltado 19º e 20º lugares, classificações que nada alteram à geral, mas um dia
em que acabamos satisfeitos pois a zona final foi feita sempre a abrir, facto
que nos saiu do pêlo, mas deu muito gozo (ambos gostamos de subir). O George
havia ficado no inicio da subida de alcatrão pois os seus joelhos não estavam em
condição de nos acompanhar. E acabamos por ganhar 38min ao 21º classificado,
ficando a 1h deste, bem como a 1h13 do Ricardo Lanceiro, o 18º classificado. A
próxima etapa não nos traria qualquer stress.


Dia 8 - Monchique a Sagres (a festa)

Neste dia esperavam-nos apenas 95km, mas como tal a hora de fecho do controlo de
chegada seria mais cedo. A etapa tinha 2 fases uma primeira de acesso entre a
serra e a costa que se revelou mais rápida e a segunda sempre ao longo da costa
com alguma passagens bem técnicas e várias rampas inclinadas de saída das
praias. Com algumas posições seguras apenas por margens de minutos muitos sairam
neste dia a querer defender ou atacar a classificação, o que levou a que não se
formassem grandes grupos.

Na primeira metade depressa perdemos o João Oliveira e o Ricardo Lanceiro, num
dia de ataque, e acabariamos por apanhar o Óscar que tentava defender-se de um
"ataque" do 22º classificado que teria de recuperar nada menos que 20min. A
etapa acabou então por ser feita com um ritmo vivo, na tentativa de apanhar o
Sven, facto que ocorreria ao apanharmos também o mar, na Carrapateira.

Mudando então o percurso radicalmente e adaptando-se melhor às nossas
caracteristicas o Sven acaba por ficar para trás às primeiras subidas, não sem
entretanto ter uma queda sem consequências numa descida bem inclinada, feita com
o pneu traseiro bem colado aos calções. Até ao final temos ainda direito a um
singletrack com uma paisagem esplendorosa mas mal aproveitada por nós na praia
da Cordama, desta vez o contemplado com o susto foi o Óscar e ao acabarmos essa
subida avista-se Sagres, bem lá ao fundo.

Zona maioritariamente plana até Sagres, rola-se em grupo até ao final a bom
ritmo. A vista da meta dá-me novo alento. Ao chegarmos à vila de Sagres sinto-me
cansado mas extremamente feliz. Realizei o meu sonho, eu fiz a Supertravessia.

Chegamos à areia e somos recebidos em ambiente de festa, com a tenda do reforço
alimentar bem recheada, como de costume, mas desta vez até cervejas frescas
estavam disponíveis...

Fui tomar um banho ao mar e diga-se de passagem que até hoje nenhum me sou tão
bem. Soube a vitória. Mais tarde ainda tomo outro em conjunto com o Cláudio e
por fim o da consagração com todos os atletas em conjunto.

Depois de nós foi a vez de vários membros da organização, também eles no final
de 8 dias bem cansativos. E, graças ao Peter e ao Ricardo Lanceiro, pela
primeira vez em 5 anos, foi dia de o António Malvar ir ao banho. Penso que
apesar de ele dizer que não queria e ainda tentar a fuga, lá no fundo ele estava
mortinho por ir à água...


Conclusão

Como diria o Luis Silva (aka Ludos), ESPECTACULAR.

Foi uma semana muito intensa e cheia de grandes emoções, um convivio excelente,
paisagens maravilhosas e percursos à António Malvar (que é muito bom).

Uma semana que me deixou cheio de vontade de repetir algo do género (não sei se
a mesma ou se noutro lado) e que valeu muito mais que o dinheiro que gastei
nela, bem como os 6 meses de preparação.

No final só posso dizer. Obrigado Ciclonatur. A todos vós da organização, que
tanto de vós puseram nestes 8 dias os meus parabéns por fazerem deles o que
foram.

E parabéns a todos nós que acabamos a Transportugal com mais ou menos etapas, em
mais ou menos tempo, com mais ou menos sofrimento. Só espero que aqueles que não
as tenham terminado todas tenham ficado com o bichinho tal como eu, mas que
treinem mais para o ano, para as fazerem todas.

J Manso

TRAVESSIA DA PONTE VASCO DA GAMA - TEJO CICLÁVEL- FPCUB, 24JUN07


A ideia era simples mas eficaz: aproveitar o evento “Lisboa Bike 2007”(LB) para atravessar a ponte Vasco da Gama (em versão “para duros” bem entendido).


Em tempo útil, José Caetano, presidente da FPCUB, efectuou as demarches necessárias para o efeito e a autorização surgiu: poderíamos atravessar após os participantes no LB o terem feito. Obviamente que não tínhamos interesse em “atravessar por atravessar” e daí se compor uma circum navegação ribeirinha que incluía outra ponte além da citada e uma distância quilométrica condigna que se situasse nos 80 kms.


A ponte Marechal Carmona, que cruza o Tejo em Vila Franca de Xira foi o outro grande momento da jornada, porventura mais agradável até, já que não há nada como pedalar com o vento pelas costas…


Mas vamos por partes.


A jornada exigia rolar rápido por isso nada melhor do que uma máquina de asfalto. Como a mesma não estava disponível optei por um compromisso interessante: duas rodas 700 (28 pol.) com pneu fino e cassete 11/23 a deixarem a BTT algo semelhante a uma asfáltica pura. De facto, quem dispõe de travões de disco tem esta possibilidade que nos pode fazer rolar mais rápido e com menos esforço do que as pouco adequadas 26 polegadas mesmo que igualmente equipada com pneu fino.

Juntamente com o Jorge Manso e o Rui Sousa faríamos parte do "staff" de apoio ao evento (equipa "000" e colete verde fluorescente). Combinei com o primeiro um encontro num deserto Terreiro do Paço, pelas 06:30 e seguimos em direcção ao Parque das Nações. Num ápice aqueles 10 kms. foram devorados. O Jorge com a preparação adquirida no Transportugal e a máquina de asfalto é a locomotiva ideal, basta colar na roda e aí vamos nós.

O ponto de encontro, de partida e de chegada situava-se junto ao IPJ e à Pousada de Juventude, perto da estação de Moscavide. Partimos com 20 minutos de atraso. Tive a oportunidade de me dirigir aos presentes, através do microfone, apresentando as boas vindas em nome da FPCUB e de explicar como se iria desenrolar o passeio. Porém, ao lhes ter afirmado que o ritmo iria ser "descontraído", estava longe de imaginar que não seria tanto assim. De facto havia quem estava preparado para o que iria encontrar e quem, pelo contrário, estivesse claramente impreparado. Nem sequer se podia dizer que era um problema de "maquina" pois sempre andaram muitos betetistas de "pneu gordo" na dianteira (já para não falar das "rodinhas" dos modelos dobráveis "Dahon" e afins) mas, tão somente, de preparação física.


Todavia foi interessante vislumbrar aquele mar de gente (ciclistas) alinhados para partirem. Eram quase um milhar entre máquinas de asfalto, de BTT puras (pneu gordo) ou "impuras" (pneu fino), bicicletas desdobráveis, city bikes, tandems, etc. Maioritariamente masculino o pelotão contava, ainda assim, com algumas mulheres em número significativo.

Acho que, de futuro, será necessário avançar com dois níveis de andamento, já que se torna complicado, para quem não se sente capaz de seguir na dianteira, gerir a sua participação. É que, não obstante o esforço dos batedores da BT / GNR e dos nossos amigos "Motards do Ocidente", é impossível manter os cruzamentos bloqueados por muito tempo. No entanto, uns e outros, fizeram um excelente trabalho.

Seguía com o Jorge na dianteira mas, na zona de Santa Iria, resolvemos encostar e aguardar a passagem para encontrarmos o Rui que fechava o passeio. Foi impressionante já que, durante mais de cinco minutos passaram ciclistas e, no final, ainda alguns tinham ficado para trás com avarias. Muitos recolheram ao Bus que acompanhava o passeio para o retomarem em Alcochete optando por, à falta de forma física, percorrerem apenas os quilómetros finais da travessia. Também neste local se juntaram muitos outros apenas para essa derradeira distância.

Depois foi o diabo para recolar de novo na dianteira. Foi um sprint quase constante até lá à frente.


Foi somente na "recta do Cabo" (Xira - Porto Alto) quando parei na berma por causa de um incontornável "apelo da natureza" que constatei a velocidade a que se avançava. Naturalmente que o vento pelas costas ajudou bastante. A seguir ao Porto Alto foi tempo de reagrupar, todavia, dali até ao parque do Freeport Alcochete, reparei que a diferença entre os primeiros e os últimos foi cerca de quinze minutos o que, convenhamos é eloquente!


Apesar de não seguir com uma "asfáltica puro sangue" senti que a configuração BTT + roda 700 + pneu fino permite uma performance em asfalto que não é despicienda. De referir que o atraso da partida (quase meia hora) foi recuperado pelos primeiros que chegaram à hora prevista a Alcochete (impressionante).

No parque do Freeport foi altura de reagrupar e de aguardar a autorização para a passagem da Ponte Vasco da Gama. Antes, porém, foi tempo de circular pelo centro da taurina Alcochete e na sua avenida marginal e rolar em direcção ao Samouco na estrada das salinas. Entrámos pelo acesso de serviço na A12 e rapidamente estávamos no tabuleiro da ponte. Primeira constatação: o vento que nos empurrara tão rápido na "recta do Cabo" a soprar frontal agora (quadrante NW) e a dificultar um pouco a missão. Todavia, o mais curioso, foi o "fim de festa" do LB: destroços das "bicicletas" em quantidade e "ciclistas" extenuados após a primeira subida provando que o hábito não faz o monge!

O final não foi muito interessante em virtude da mistura com os participantes do LB o que retirou algum brilho e gerou alguma confusão. Porém tal não foi suficiente para retirar todo o brilho ao evento.


Certamente quem nele participou não o esquecerá...

Fotos em http://www.fpcub.pt/portal/index.php?option=com_zoom&Itemid=99999999&catid=10

sexta-feira, 15 de junho de 2007

"GARMIN TRANSPORTUGAL" 5.ª ETAPA - A CHEGADA AO INFERNO

Jorge Manso no derradeiro esforço antes da meta
(photo by Agnelo Quelhas)



Recebi uma chamada às 15:45 do Mário Silva.

Dizia-me ele o seguinte em jeito de enigma: “tenho uma proposta que já sei que vais recusar mas é uma pena que recuses”.

Ao que respondi: “sem me a fazeres não saberás se recuso ou não!”.

A proposta tratava-se de zarpar, dali a um quarto de hora até Monsaraz para assistir à chegada dos participantes na etapa da “Garmin Transportugal”. Fui mesmo de fato azul escuro, só tirei mesmo a gravata (tipo “chefão da prova”) e passada hora e meia lá estávamos.

Após os cumprimentos da praxe ao António Malvar, Louise Hill, Agnelo Quelhas, etc. ainda assistimos à chegada da segunda metade dos participantes. É incrível a postura do Malvar no comando das operações. O sujeito é, de facto, “o Guru de todos os Gurus” do BTT amador nacional.

Ao contrário do ano transacto a chegada não era “lá em baixo” no adro do convento da Orada mas antes “lá em cima” no morro frontal a Monsaraz onde se situa o forte e capela de São Bento. Tratou-se de uma “malvardez” suplementar a acrescer à terrível provação que todos sofreram: a chuva, o vento e a lama deixaram o material em estado miserável e muitos participantes com o moral em baixo.

Vimos chegar o Jorge Manso e o Cláudio Nogueira ainda em razoável estado de conservação mas com este último a confessar que nunca tinha passado por algo tão duro! E após a chegada do nosso amigo Pedro Soares rumámos ao QG.

Em alguns dos seguintes o semblante não enganava: tinha sido atingido o limite da força física e anímica. As máquinas, invariavelmente, estavam com problemas de transmissão e de travões a complicar ainda mais.

Jantámos com os demais e revemos velhos amigos e conhecidos: o Luís Gomes (que havia estoirado o seu segundo pneu), o Nuno Gomes, o Ricardo Melo, etc.

Quem estava com um ar de absoluta tranquilidade eram os ditos belgas. Constava por lá, à boca pequena, que os indivíduos mal comiam e bebiam durante a etapa. O que é certo é que há ali um nível de preparação física a que não estamos habituados e os resultados reflectem-no.

Às 01:00 cheguei a casa. Valeu a pena o desafio.

Obrigado Mário!