São pouco mais de cinco minutos de intenso deleite.
É o teaser de um documentário que cobre a mítica Leadville Trail 100 em BTT, versão 2009 e conta com a participação de atletas como Lance Armstrong ou Dave Wiens (hexa-vencedor).
Em HD, com uma qualidade fílmica soberba, só o teaser é suficiente para nos extasiar. Como será então com o documentário?
Assim recomendo vivamente subir o volume, ampliar a tela para ocupar a diagonal do vosso ecran (botão à direita do volume na tela you tube), sentarem-se confortavelmente e deixarem-se levar.
Vão ver que merece a pena!
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
RAID BTTRALHOS TEAM - VERMOIL, POMBAL
Domingo, 25 de Outubro de 2009
51 kms., 1400 m. altitude acumulada positiva
Vermoil, Pombal
Vermoil, Pombal
Domingo quebrei, de novo, a tradição de não participar em eventos organizados.
Tal como nas anteriores transgressões sem lugar a arrependimentos: a organização cumpriu, o percurso estava muito bem escolhido e balizado, o número de participantes era contido e a jornada acabaria por ser dura mas de elevada agradabilidade.
Curiosamente, a dúvida pré-competição, foi sobre se valeria a pena a deslocação de Coimbra a Vermoil "para pedalar durante apenas 50 kms.". Todavia estive perante 50 dos mais empenhados quilómetros de BTT que já conheci com um acumulado de 1.400 metros e um percurso ultra-trabalhoso alternando um traçado ao bom estilo de circuito XC por um piso de pinhal bastante pesado, com estradões rápidos pelos eucaliptais e ainda inesquecíveis troços florestais de puro "free-ride" a que nem sequer faltaram diversos slalons por entre as árvores. Só visto!
Para a sensação de dureza não foi estranho o facto do ritmo diabólico dos primeiro kms. e a dificuldade prática de engrenar a cremalheira 22 em boa parte das subidas, cumpridas assim, a baixa rotação e em sobre-esforço.
No final, 64.ª posição entre 96 participantes o que, não sendo brilhante, está longe de poder ser considerado mau, ou sequer medíocre. Quem está em visível forma é o meu amigo Nuno Duarte que me acompanhou e que teve que baixar o seu ritmo para me levar na sua roda até final. É o que dá pedalar na alta roda do pelotão internacional BTT (Transrockies, Cape Epic ou Geo-Raid).
Fazendo votos para que a organização dos BTTralhos honre os seus pergaminhos e o bom nível manifestado durante a prova retirando todos os vestígios da mesma do ambiente natural.
FERRARIA DE SÃO JOÃO - CENTRO BTT DAS ALDEIAS DO XISTO
Tive ocasião de visitar, no sábado passado, o Centro de BTT de Ferraria de São João, no concelho de Penela, integrado na rede das Aldeias do Xisto.
Fiz apenas um pequeno percurso BTT mas deu para constatar o enorme potencial da zona e da infra-estrutura. Trata-se de uma rede de trilhos, balizados no terreno e classificados ao modo das pistas de ski, num crescendo de dificuldades da cor verde à cor negra em que a distância e a altimetria vão crescendo e agravando as dificuldades.
De igual modo os centros estão apetrechados com estacionamento, balneários, estação de serviço para bicicletas (lavagem, ar e mini-oficina) em regime de self-service a troco de singelas peças de metal cunhadas pelo Banco de Portugal.
Fica agendada, por enquanto "sine die", uma visita "a sério", leia-se para o " Ferraria - Gondramaz - S. Simão, com 75 kms. e a módica altimetria acumulada de 2775 m. e que passa nos dois outros centros BTT congéneres (Lousã e Gondramaz).
Veja-se o mapa completo dos centros e dos percursos aqui.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
FROM POLAND WITH LOVE
Do "lado de lá" da antiga Cortina de Ferro, conforme Churchill a descreveu, surgem cada vez mais novidades inesperadas.
Uma deles é este site polaco que alia as bicicletas ao universo feminino da elegância.
É, se quisermos, um modo de quebrar o mito do ciclismo como actividade transpirante e varonil, pelo menos como é percepcionada cá pela nossa "ocidental praia lusitana"...
terça-feira, 20 de outubro de 2009
THE CHARMING TRIANGLE
Sábado, 17 de Outubro de 2009
Torres Novas, Ourém, Tomar, Torres Novas
95 kms., 2000 metros altitude acumulada positiva
photos by APRO
Hard and laborious 95 kms. where altimetry, although not exceed 2000 meters, seemed infinitely dense. Apart from this - or especially because of it - this raid was unforgettable.
A ideia era realizar um triângulo castelar entre as cidades de Torres Novas, Ourém, Tomar com o último vértice a corresponder ao regresso entre a nabantina e Torres Novas. À partida prometia: altimetria razoável, paisagens cársicas da Serra d'Aire e demais montanhas envolventes, alguns landmarks patrimoniais a garantirem planos fotográficos de qualidade sobretudo se iluminados pelo sol outonal de brilho intenso. Foi este o plano engendrado para o sábado passado e o facto de não ter companhia, em virtude de escusas várias, a demonstrar não ser mais que um leve pormenor já que, no final, o índice de satisfação foi elevado.
A saída deu-se no limite urbano NW de Torres Novas e começou logo com uma descendente vereda de antologia até às Lapas do Almonda que é uma típica aldeia junto ao rio Almonda (aqui devidamente represado) e integrada na urbe torrejana em virtude da sua expansão urbana. Daqui continuei em direcção à Serra d'Aire, num sobe e desce constante, a demonstrar que a incursão seria algo trabalhosa do ponto de vista físico. Internei-me então num estradão que corre para NE entre olivais com a particularidade de estar a decorrer a apanha da azeitona.
O BTT tem destas coisas - permite um contacto estreito com as actividades agrícolas. Assim, depois da vindima em Setembro agora, embora em fase algo temporã, a azeitona e a poda das oliveiras. Assim segui até Pedrógão onde flecti para N em direcção ao imponente maciço da Serra d'Aire e retomei a direcção nascente num cenário cársico puro com o calcário, a terra rossa e o carrasco como leitmotifs visual e pictórico. Transposto Alqueidão e alcançado o topo NE do maciço, perto do Pafarrão, cruzei a estrada que conduz a Fátima e continuei a subir por um estradão paralelo até à zona do Bairro e da Pedreira do Galinha, onde a imensa zoologia jurássica anda à solta, sob a forma de saurópodes empalhados que surpreendem um pouco por todo o lado.
Tinha terminada a primeira parte da incursão pois, do alto do Bairro já se avistava, ao longe, o castelo de Ourém. Foi tempo de rolar por alguns estradões rápidos com os pisos a variarem entre o bom e o mau cruzando uma pista de aviação e inúmeros parques eólicos. Cruzados um sem número de pequenos vales estava no sopé do castelo e parei uma primeira vez para restaurar as energias. Seguiu-se a ascensão a um local que desconhecia. Se a expectativa era grande a realidade esteve longe de defraudar. O castelo e o burgo amuralhado que alberga são pérolas bem escondidas e que só uma visita interessada pode revelar. As suas ruas são memoráveis e os 360º das vistas que alcança ficam na memória.
Começa a rápida descida em direcção à Vila Nova e a direcção de Tomar é agora o objectivo. Para isso tive de me internar num areal e, logo de seguida, num pinhal denso povoado de fitas amarelas de um qualquer passeio BTT onde o escrúpulo organizativo terminou no instante seguinte à passagem dos participantes pela meta. Sem embargo esta é uma zona muito técnica que, apesar de estar no interior de um pinhal, tem um elevado grau de satisfação. O pinhal de resto, iria acompanhar-me durante boa parte do caminho para Tomar, pelo menos até à zona de Alburritel onde, após a qual, se assiste ao maior logro ferroviário nacional com a estação de Fátima, na linha do norte, a meio caminho entre Ourém e Tomar mas escandalosamente longe do santuário.
Transposta mecanicamente a ferrovia, começo a rodar para SE já que o caminho nos havia conduzido a uma latitude superior à de Tomar e havia que recuar na graduação. Cruzado o incompleto IC9 rapidamente se ganhou o segundo landmark patrimonial do dia: o monumental Aqueduto dos Pegões que transportava a água em direcção ao Convento de Cristo. Primeiramente de modo tímido e depois de modo indelével ele surgiu aos meus olhos e com ele, por entre os seus arcos e pegões, se estabeleceu um curioso bailado de transposição num sentido e no outro. Destaque aqui, de novo pela negativa, aos incontáveis pedaços de fita plástica, resquícios evitáveis de uma má organização de um passeio BTT.
Num instante fiquei com a cidade de Tomar à vista mas onde não entrei tendo optado por um bypass que me fez ganhar tempo e poupar kms. rumando agora na direcção SW a caminho de Torres Novas. De novo se cruzaram pinhais imensos num rompe pernas permanente até se alcançar o Paço da Comenda onde fiz aguada já que o dia estava relativamente quente e o sobe e desce exigiu uma hidratação extra.
Um pouco mais adiante cruzei, de novo, a linha do norte e começou aqui uma nova etapa do percurso já que houve que subir o vale e, a partir da Bezelga de Cima, me empenhar num percurso cársico ascendente, perto de Assentiz, que me conduziu até descer, finalmente para a N349 e daí para os estupendos moinhos da Pena que podem ser considerados como uma nova landmark já que se erguem, majestosos e dominando o vento e a paisagem para SE. A partir daqui a descida surge rápida, por novos terrenos cársicos, assinalando, em paralelo, o ressurgimento das oliveiras alando o caminho e, em pouco tempo estava dentro do Pafarrão preparando a parte final até Torres Novas.
Agora o terreno é menos pedregoso, os vales prevalecem e é tempo de abordar a várzea do Alvorão e chegar, finalmente, a Torres Novas, com a equipa do Benfica ingressando no estádio municipal para defrontar o modesto Monsanto que, vítima do momento de forma dos encarnados haveria de ser sacrificada no altar da Taça por um sexteto sem reposta. C'est la vie!
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
NO MORE RUSH HOUR AT THE TRAIN FOR BICYCLES
Esta pode muito bem ser a solução para as restrições do transporte de bicicletas em ferrovia...
Pelo menos foi essa a solução que a cidade de Stuttgarg encontrou.
O resto da notícia pode ser encontrado aqui.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
ALENTEJO SHALL BE OUR AGAIN OR THE PERFECT RAID
Sábado, 10 de Outubro de 2009
125 kms.
2000 metros de altitude acumulada positiva
Photos APRO
Weather, track, distance and friendship, all together to perform the perfect raid!
Depois de incursões incontáveis na área saloia e oeste rumámos, desta vez, ao país alentejano. Não ao Alentejo profundo celebrizado nos idos 90, apenas ao que nos está mais próximo. A partir de Lisboa é um ápice enquanto se alcança Vendas Novas, a primeira encruzilhada da A6. Aí ao trem alfacinha (eu e Azurara) juntou-se uma dupla eborense de luxo (Cláudio Nogueira e Pedro Bilro) no estacionamento junto à estação ferroviária.
125 kms.
2000 metros de altitude acumulada positiva
Photos APRO
Depois de incursões incontáveis na área saloia e oeste rumámos, desta vez, ao país alentejano. Não ao Alentejo profundo celebrizado nos idos 90, apenas ao que nos está mais próximo. A partir de Lisboa é um ápice enquanto se alcança Vendas Novas, a primeira encruzilhada da A6. Aí ao trem alfacinha (eu e Azurara) juntou-se uma dupla eborense de luxo (Cláudio Nogueira e Pedro Bilro) no estacionamento junto à estação ferroviária.
A conjugação do percurso, envolvente, espírito de camaradagem e meteorologia haveriam de tornar esta incursão muito próximo daquilo que se pode definir como o passeio perfeito.
A saída foi temporã já que se previam incontáveis milhas a pedalar. Havia que aproveitar a luz de um dia que se previa ensolarado e adequado ao BTT. As contas no final registaram 125 kms., 2000 metros de altitude acumulada e uma média superior a 17 kms./h. o que demonstra um dia pleno, apenas compatível ao grau de satisfação proporcionado.
Integrámo-nos, logo após a saída de Vendas Novas e a passagem inferior da A6, na chamada Serra da Cabrela (integrado na “Natura 2000”). Em bom rigor o pedaço de serra que transpusemos foi relativamente curto e correspondeu à passagem da ribeira de Safira que aqui corre num barranco profundo. Foi palco, aliás, do primeiro dos dois incidentes mecânicos do dia – uma corrente quebrada na máquina de Az e prontamente reparada com a aposição de um elo rápido numa operação simples, rápida e indolor para satisfação generalizada.
Após a subida, algo dolorosa, cruzámos diversas viaturas que, paradas numa clareira, acumulavam caçadores e uma montaria ao javali. Pouco depois, o segundo incidente com o pneu traseiro de PB, cuja parede lateral foi “mordida” por uma pedra aguçada. Aqui a operação de recuperação foi mais delicada já que, para além da incontornável câmara de ar, houve que recorrer ao manual McGiver e improvisar, com o troço de lixa que acompanha a singela botica dos remendos, um reforço que, a um tempo, impedisse o rasgo de aumentar e protegesse o tubo de furar. Tendo em contra que PB terminou sem que nada mais o importunasse, a referida operação, comandada pelo know-how experiente de CN, revelou-se de inteiro sucesso embora o referido pneumático tenha estruturalmente entregue a alma ao criador.
Após este local foi tempo de grandes rectas em estradão percorridas a uma velocidade estonteante e, após cruzarmos a Herdade dos Castelos, num ápice ganhámos a ferrovia do Alentejo e atingimos a estação de Torre da Gadanha onde começa a fantástica Ecopista do Montado que, sobre o espaço canal do defunto Ramal de Montemor, liga, durante mais de uma dúzia de quilómetros, ao bonito Montemor-o-Novo. A primeira parte é frondosa e ligeiramente ascendente (até à antiga estação de Paião) e o troço final desce e percorre-se muito rapidamente até porque, parte dele, é pavimentado. A reter o número elevado de ciclistas com que nos cruzámos e a transposição da ponte metálica sobre o Almansor, impecavelmente recuperada, mesmo na chegada a Montemor perante a visão do seu castelo.
Tempo de restaurar energias uma vez que tinham passado quase 50 kms. Seguimos, em modo uphill urbano, até ao castelo que rodeámos por poente e daí, para nascente, em direcção à fantástica Serra de Monfurado (outro ponto da rede Natura 2000) cruzando estradas secundárias e estradões por novas paisagens de montado extraordinárias.
Entrámos então no terceiro concelho percorrido neste sábado – Évora. São Sebastião da Giesteira foi o ponto mais oriental desta nossa incursão e estivemos praticamente na zona do Cromeleque dos Almendres em terrenos percorridos pela versão 2009 da maratona de Évora disputada, por ali, duas semanas antes.
Nova paragem para repor os níveis de hidratante num lugarejo fantástico denominado Nossa Senhora da Boa Fé numa legítima tasca alentejana e num mágico processo de viagem no tempo que só o BTT consegue proporcionar. Passámos ainda por Casas Novas antes de percorrermos, por estrada, a distância até à zona das grutas do Escoural (paleolítico superior) onde cortámos para norte em direcção ao miolo da serra, subindo junto à antiga mina de ouro a céu aberto. A chegada ao típico Santiago de Escoural fez-se assim a descer em grande velocidade, cruzando depois as ruas da vila com as suas casas impecavelmente caiadas e as enormes chaminés que conheceram incontáveis fumeiros.
Daqui rolou-se sempre rápido até se alcançar de novo o troço final da ecopista do montado que percorremos, agora para sul, de regresso a Torre da Gadanha e aí invertemos o caminho efectuado de manhã. Numa pausa havida pelo caminho, aproveitámos para filosofar. Inevitavelmente a conversa recaiu nas conjuntura que nos rodeava - um dia de sol magnífico, em pleno mês de Outubro, uma paisagem de sonho que só o montado alentejano pode proporcionar e uma companhia impecável a demonstrarem como éramos criaturas de sorte.
Retomámos o caminho até um dado ponto em que se optou por uma abordagem diferente da passagem da ribeira de Safira. Idealmente queríamos facilitar o processo mas a alternativa acabou por se revelar ainda mais dura. De facto, a ribeira neste ponto corre ainda mais apertada num apertado barranco que até o sol tem dificuldade em penetrar. Ora, se a descida foi fantástica, a inevitável subida acabou por se revelar dura e extensa, mas é mesmo assim, todos o sabemos, as finas descidas implicam, sempre, subidas de incontornável empenhamento.
Retomada a estrada da Cabrela terminaram as grandes dificuldades e rolou-se tranquilamente até Vendas Novas ainda que, o esgotamento das reservas de água e alimento levaram a que, antes, a détente tenha sido antecipada numa vistosa pastelaria já que a sede e o apetite assumiam contornos quase selvagens. É que, neste regresso a Vendas Novas, as pernas registavam cerca de 125 kms.
O final correspondeu ao lusco-fusco a demonstrar que se aproveitou tudo aquilo que o dia perfeito nos quis proporcionar.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
WESTERN DUSK
Hard weekend: MTB Saturday and Sunday with more than 180 kms. in the south sea-shore of the Leiria district.
Foi um fim-de-semana intenso com cerca de 180 kms. percorridos, maioritariamente off-road.
No sábado, dia 3, foi tempo de percorrer a distância de 87 kms. entre a estação ferroviária das Caldas da Rainha e a cidade de Leiria. Percurso maioritariamente plano, bem reflectido na média final de 21 kms./h. ainda que sem forçar o ritmo porque, no dia seguinte, a quilometragem iria ser repetida.
E assim foi. No domingo, dia 4, 95 kms. e 2000 metros de acumulado num circuito a partir das Caldas da Rainha, parte bem conhecido (alguns dos caminhos percorridos no dia anterior), outros mal conhecidos (há muito não percorridos) e outros ainda desconhecidos de todo, alinhavados com base em tracks arquivados. Desta amálgama haveria de resultar uma incursão dura mas empolgante a terminar já após as 20:00 com a noite bem consolidada.
A saída deu-se pelas 11:15 por causa do horário do comboio. A partir daqui seguimos para SE e passamos junto ao lago da barragem de Arnóia. O caminho habitual, marcado no track que dispúnhamos, não permitia a sua passagem. Fizemos diversas tentativas de passagem do vale num dos braços da albufeira que implicaram outros tantos retornos arfantes ao estradão. Tivemos de seguir até aos Casais da Gracieira, descer por um estradão recém-asfaltado para o profundo vale e tornar a subi-lo arduamente.
A partir daqui desceu-se até Óbidos onde não chegámos a penetrar para que não se acumulasse o atraso. Contornámos o pano da muralha por E/NE e seguimos até Arelho onde restaurámos as energias no snack-bar Neptuno. Depois o clássico “tour” da Lagoa, a subida ao Nadadouro e a dura ascensão pelos escorregadio “tout-venant”, até à Serra do Bouro e daí a Salir do Porto.
A travessia do passadiço, com sol, é sempre um momento agradável, bem como a entrada e a passagem em São Martinho pela ciclovia. Seguiu-se a ascensão ao miradouro para contemplar o sol na baía e impressionar uns jpg's.
Seguimos colina acima para o alto da serra da pesqueira para o momento do dia – a descida à Praia dos Salgados. Trata-se de uma das veredas do “top-ten” nacional. Longa e estreita com o mar por companhia a ser servida bem lenta para evitar a queda. No final a satisfação apesar desta desgraduação de cota necessitar de ser cobrada mais adiante com a subida ao Casal Mota, o mesmo será dizer, de novo até à Serra de Pesqueira (que aqui se chama Serra de Famalicão). Seguimos pelo tardoz da duna dos Salgados ainda que, na sua primeira parte, empurrando a bicicleta pela areia embora, bem escolhido o trajecto, isso se resuma a breves metros. Chegados à estrada, já bem perto da Nazaré, subimos então, de novo “lá acima” e percorremos a vertente nascente da serra até Famalicão.
Na povoação, nova pausa para alterar a configuração. De facto, estávamos a três quartos de hora do pôr-do-sol e havia que proceder a alguns ajustes – montar a luminária dianteira e traseira e cambiar as lentes de sol para a transparência integral.
Assim seguimos, cruzando a linha do Oeste e aproximando-nos da A8 que cruzámos. Então o “golpe de teatro” - baseados numa intuição optámos por subir a encosta procurando apanhar o track no planalto e evitar descer para tornar a subir. Esta alteração táctica mostrou, na prática, ser um erro. Por um lado a subida que, inicialmente, era “relativamente suave” ,nas palavras cândidas de um dos participantes, tornou-se desumanamente íngreme obrigando a transpor um corta fogo no meio de um eucalipatal empurrando a bicicleta num piso escorregadio e muito desnivelado. Como se não bastasse chegámos, poucos quilómetros volvidos ao limite do planalto e deparámos com o chocante vale da ribeira de Alfeizerão que é uma espécie de “grand canyon” à portuguesa. Choque e pavor – havia que descer “aquilo” retomar o caminho da A8, cruzar a ribeira já em Alfezeirão, carrilar no track e subir de novo até lá acima, desta vez do outro lado do vale e com a noite a fazer a sua aparição.
Seguimos via Salir de Matos até às Caldas da Rainha com a noite já consolidada, valeu o “kit luminoso”
Foi um fim-de-semana intenso com cerca de 180 kms. percorridos, maioritariamente off-road.
No sábado, dia 3, foi tempo de percorrer a distância de 87 kms. entre a estação ferroviária das Caldas da Rainha e a cidade de Leiria. Percurso maioritariamente plano, bem reflectido na média final de 21 kms./h. ainda que sem forçar o ritmo porque, no dia seguinte, a quilometragem iria ser repetida.
E assim foi. No domingo, dia 4, 95 kms. e 2000 metros de acumulado num circuito a partir das Caldas da Rainha, parte bem conhecido (alguns dos caminhos percorridos no dia anterior), outros mal conhecidos (há muito não percorridos) e outros ainda desconhecidos de todo, alinhavados com base em tracks arquivados. Desta amálgama haveria de resultar uma incursão dura mas empolgante a terminar já após as 20:00 com a noite bem consolidada.
A saída deu-se pelas 11:15 por causa do horário do comboio. A partir daqui seguimos para SE e passamos junto ao lago da barragem de Arnóia. O caminho habitual, marcado no track que dispúnhamos, não permitia a sua passagem. Fizemos diversas tentativas de passagem do vale num dos braços da albufeira que implicaram outros tantos retornos arfantes ao estradão. Tivemos de seguir até aos Casais da Gracieira, descer por um estradão recém-asfaltado para o profundo vale e tornar a subi-lo arduamente.
A partir daqui desceu-se até Óbidos onde não chegámos a penetrar para que não se acumulasse o atraso. Contornámos o pano da muralha por E/NE e seguimos até Arelho onde restaurámos as energias no snack-bar Neptuno. Depois o clássico “tour” da Lagoa, a subida ao Nadadouro e a dura ascensão pelos escorregadio “tout-venant”, até à Serra do Bouro e daí a Salir do Porto.
A travessia do passadiço, com sol, é sempre um momento agradável, bem como a entrada e a passagem em São Martinho pela ciclovia. Seguiu-se a ascensão ao miradouro para contemplar o sol na baía e impressionar uns jpg's.
Seguimos colina acima para o alto da serra da pesqueira para o momento do dia – a descida à Praia dos Salgados. Trata-se de uma das veredas do “top-ten” nacional. Longa e estreita com o mar por companhia a ser servida bem lenta para evitar a queda. No final a satisfação apesar desta desgraduação de cota necessitar de ser cobrada mais adiante com a subida ao Casal Mota, o mesmo será dizer, de novo até à Serra de Pesqueira (que aqui se chama Serra de Famalicão). Seguimos pelo tardoz da duna dos Salgados ainda que, na sua primeira parte, empurrando a bicicleta pela areia embora, bem escolhido o trajecto, isso se resuma a breves metros. Chegados à estrada, já bem perto da Nazaré, subimos então, de novo “lá acima” e percorremos a vertente nascente da serra até Famalicão.
Na povoação, nova pausa para alterar a configuração. De facto, estávamos a três quartos de hora do pôr-do-sol e havia que proceder a alguns ajustes – montar a luminária dianteira e traseira e cambiar as lentes de sol para a transparência integral.
Assim seguimos, cruzando a linha do Oeste e aproximando-nos da A8 que cruzámos. Então o “golpe de teatro” - baseados numa intuição optámos por subir a encosta procurando apanhar o track no planalto e evitar descer para tornar a subir. Esta alteração táctica mostrou, na prática, ser um erro. Por um lado a subida que, inicialmente, era “relativamente suave” ,nas palavras cândidas de um dos participantes, tornou-se desumanamente íngreme obrigando a transpor um corta fogo no meio de um eucalipatal empurrando a bicicleta num piso escorregadio e muito desnivelado. Como se não bastasse chegámos, poucos quilómetros volvidos ao limite do planalto e deparámos com o chocante vale da ribeira de Alfeizerão que é uma espécie de “grand canyon” à portuguesa. Choque e pavor – havia que descer “aquilo” retomar o caminho da A8, cruzar a ribeira já em Alfezeirão, carrilar no track e subir de novo até lá acima, desta vez do outro lado do vale e com a noite a fazer a sua aparição.
Seguimos via Salir de Matos até às Caldas da Rainha com a noite já consolidada, valeu o “kit luminoso”
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
SEE YOU, SEE ME!
No domingo passado a incursão pela zona das Caldas da Rainha começou mais tarde e, consequentemente, acabou depois do pôr-do-sol. Assim foi necessário adoptar a “configuração nocturna", constituída pelas lentes transparentes integrais, mini tiras reflectoras dos raios das rodas, luz Sigma Triled e triplo led traseiro.
O respectivo teste prático e por força das circunstâncias, que durou mais de hora hora nocturna, foi concluído com sucesso seja do ponto de vista do “ver” como do “ser visto”:
O respectivo teste prático e por força das circunstâncias, que durou mais de hora hora nocturna, foi concluído com sucesso seja do ponto de vista do “ver” como do “ser visto”:
- lentes transparentes brancas – permitem uma visão integral tal como se não usássemos óculos não filtrando a luz e adequadas portanto ao ambiente nocturno.
- mini-tiras 3M para os raios - iluminam-se com o reflexo das luzes e permitem sermos vistos lateralmente o que, normalmente, é descurado por muita gente.
- luz vermelha traseira - em formato de rim com três led's e que deu perfeitamente conta do recado e permitiu ser visto sem problemas. Normalmente usa-se em modo intermitente já que se torna mais visível. Todavia deve, em zonas muito escuras e se somos seguidos por outro ciclista, ser mudado para o modo contínuo para não o encadear. Usa duas pilhas AAA que, no meu caso, são alcalinas, já tem uma longa duração (as recarregáveis perdem a carga muito depressa e implicam uma recarga periódica).
- Sigma Triled – frontal de três leds, em modo intermitente, perante o trânsito para sermos vistos e fixo, em zonas escuras, permitindo iluminar o caminho minimamente e prosseguir sem problemas. Inclusivamente uma viatura que se preparava para iniciar a ultrapassagem, abortou a manobra ao encarar a uma distância relativamente longa a luz frontal a piscar, sinal da validade do aparato luminoso. Funciona com três pilhas AA.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
"ARRUDA" - THE MOVIE
Greetings to Frederico Nunes for the excelent video clip.
Please pay attention to the frames at minute 09:47 with my special appearance.
Please pay attention to the frames at minute 09:47 with my special appearance.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
TO CAESAR WHAT IS CAESAR'S
Arruda dos Vinhos – Sobreiro Curvo – Santa Cruz – Torres Vedras – Dois Portos – Arruda dos Vinhos 108 kms. 2120 metros de altimetria acumulada positiva. 27 de Setembro de 2009
From Arruda to the Atlantic crossing the vineyards valleys. More than one hundred kilometres with the company of a lovely sunshine.
De novo com início na vínica Arruda respondemos ao desafio do César Arruda para a versão 2009 do “Arruda – Atlântico”. Ainda assim, como era dia de eleições, não sem antes passar - logo às 08:00 - pela mesa de voto para depositar o sufrágio.
Relativamente às incursões das semanas anteriores a diferença consistia numa menor altimetria total embora com uma quilometragem mais extensa. O facto de ser uma "desorganização organizada" a colocar cerca de três dezenas de criaturas e respectivas bicicletas no terreno (estimativa grosseira). É incrível verificar como muitos betetistas avançam para enfrentar mais de cem quilómetros por montes e vales - alguns apenas comparecem com um singelo bidão – audaces fortuna juvat...
O dia amanheceu “neblinado” enquanto o sol não rompeu essa adversidade, ainda assim, as fortes ascensões iniciais fizeram-se sem calor o que até se tornou conveniente ainda que as objectivas fotográficas não apreciem tais condições de luminosidade já que, das mesmas, não arrancam todo o esplendor cromático que as paisagens percorridas proporcionam.
O gráfico de altimetria era curioso: fortes desníveis iniciais, correspondentes à saída do vale arrudense e a transposição da serra Galega, seguidos de terrenos relativamente planos até à costa e daí até à zona de Dois Portos onde se seguia uma forte ascensão até à descida para Monfalim e Arruda. As subidas eram violentas e estavam, assim, concentradas no início e no final, ou seja, nos piores momentos: quando se começa e ainda “não apetece” e quando acaba e as frescura já lá vai.
Ainda assim foi uma incursão extraordinária. Como que por milagre, após o primeiro par de duras subidas, o sol venceu a neblina e os vales saloios desnudaram-se na sua plenitude, até porque começavam agora também algumas descidas. Numa delas o excesso de entusiasmo ia levando ao desequilíbrio, valeu alguma experiência e alguns golpes de rins, por isso, fijate: nunca roles muito depressa por declives que desconheces. A partir daqui, tendo bem presente este motto, não mais surgiu qualquer problema do tipo.
Por aí fomos, subindo e descendo por terras com toponímias inusitadas como Gataria, Casais da Cruz do Vento, Soeiro Cunhado, Corujeira ou Curvel. Em todos os locais e vales um denominador comum - as vinhas e as vindimas em estádios diferentes e o aroma a mosto no ar.
Agora era tempo de cruzar transversalmente a Serra Galega e de abordar a descida insana de um aceiro inclinadissimo até ao Monte Redondo. Aqui os madeireiros fizeram das suas e o caminho ficou subjugado perante dezenas de troncos de eucalipto a obrigarem à sua transposição com passos de gigante e com a bicicleta ao ombro. Lá se seguiu, pelo meio de pinhais e eucaliptais, a velocidades elevadas, cruzando-se, pela primeira vez, os carris da linha do oeste e prosseguindo em direcção ao nó da A8 e onde alcançámos um grupo de ciclistas e com eles prosseguimos durante breves milhas. O incidente do dia aconteceu com um deles numa descida do eucaliptal que provocou um contacto de terceiro grau com o terreno, todavia sem consequências de maior.
Ainda mais pinhal e eucaliptal embora com uma descida divertida num areeiro descampado, a chegada ao vale do Alcabrichel e a rolagem rápida em estradão até A-dos-Cunhados e pela estrada nacional pelo meio do Sobreiro Curvo, o que foi do desagrado generalizado, até porque existia uma alternativa mais interessante do que partilhar o estreito asfalto com um trânsito algo denso.

Chegámos, então, à zona dos casais e começa-se a ascender para cruzar a portela que nos deixará no topo da da ravina sobre o Alcabrichel que está está quase na sua foz. O troço do Casal do Além ao Casal da Portela mostrou-se particularmente violento mas, ainda assim, levou-se de vencida com um sorriso nos lábios. A partir daí a tradicional descida para o vale e a zona termal se bem que efectuada por um trilho distinto do habitual e bastante marcado pela erosão obrigando a um desmontar permanente.
Após a chegada ao buvete decidimos continuar pela estrada portajada acompanhando as curvas caprichosas do Alcabrichel prestes a entregar-se no Atlântico pelo meio de uma paisagem cársica inesquecível aqui já descrita anteriormente. Depois seguiu-se rotina habitual: Porto Novo e Santa Rita pela ciclovia, saída para o alto das arribas e o típico playground até Santa Cruz.
Tempo de restauração no local sugerido, isto é, no restaurante da Praia do Navio que, em virtude do dia de verão, parecia uma cidadela recém tomada pelos bárbaros. Ainda assim o serviço ao balcão funcionou de modo impecável. Enquanto aguardava pelo prego no pão a fome instintiva era agravada pelo magnífico puré de legumes que uma “criancinha amorosa” se recusava a ingerir apesar do voluntarismo maternal que mecanicamente lhe franqueava colheres pela boca semi-cerrada. Felizmente o pedido surgiu com rapidez...
Prosseguimos e, em Santa Cruz, junto a uma churrasqueira descobrimos porque é que, das hordas de clientes do restaurante referido anteriormente, não constavam ciclistas: estavam quase todos aqui, mesmo os do “staff” arrudense...
De Santa Cruz a Torres Vedras avança-se ao ritmo da poeirenta ecovia do Sizandro. Como já tínhamos tido a sua experiência recente optámos por a percorrer o mais rapidamente possível já que a rígida “postura de estrada” a que nos obriga a causar elevado stress físico até porque se espraia por bem mais de uma dúzia de quilómetros.
Chegamos então a Torres Vedras onde atravessámos, praticamente, todos os sentidos proibidos até à Estação Ferroviária e daí pelo trilho do canavial junto ao Sizandro que conduz às termas dos Cucos. Aí fizemos uma pausa para restaurar energias e seguimos cruzando a linha do Oeste e a A8 subindo o curso do Sizandro suavemente pelo vale, bem encaixado nos montes repleto de vinhas.
O reinício das hostilidades fez-se após a passagem por Dois Portos numa rampa asfaltada que ascendia desumanamente até ao cemitério, daí saímos do asfalto em direcção ao santuário da Senhora dos Milagres sobranceiro ao Sobral de Monte Agraço. Foi tempo de uma pausa fotográfica até porque a luz da tarde que já ia alta a convidar à placidez. A partir daqui foi sempre a descer até à Arruda onde chegámos por volta das 17:45.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
JUST ANOTHER GLORIOUS SUNNY DAY
Domingo, 20 de Setembro de 2009
Arruda – Alenquer – Espinheiro – Montejunto – Avenal – Alenquer
90 kms. - 2200 m. de altitude acumulada positiva
APRO e JC
Repeating the paths from Arruda to Montejunto and return but this time with sunshine and a different approach inside Montejunto meaning more ascends but more cycleability as well.
Num dia esplendoroso de sol resolvi repetir a ligação de Arruda a Montejunto que havia antes efectuado em Janeiro deste ano e que descrevi aqui.
Relativamente ao referido evento apenas alterei o modo de circular em Montejunto que se complicou em termos de altimetria mas que se facilitou em termos cicláveis. Retirou-se aqui a subida apeada (curiosamente repetida na semana anterior) e incluiu-se a subida de Pragança até ao cruzamento da fábrica de gelo após o miradouro de “Salvé Rainha”, a descida fantástica até à Tojeira e a brutal subida do Avenal até à portela dos moinhos.
Mas vamos por partes.
O evento, à semelhança da semana anterior estava classificado como “para homens de barba rija”, ou seja com quilometragens superiores a 85 kms. e acumulado de altimetria para lá dos 2000 metros. Ainda estivemos tentados, alternativamente, a seguir um track, de autor anónimo, intitulado “bicos do oeste” que, numa centena de quilómetros de extensão, ia “a todo o lado” i.e. ao alto das serras do Socorro, Galega e Montejunto num acumulado de cerca de 3600 metros (sim, leram bem). Essa epopeia seria, claro está, “para homens que não fazem a barba”. O bom senso acabou por prevalecer e entendeu-se que tal desafio não era compatível com o condicionamento actual que, sendo muito razoável, poderia revelar-se inadequado dado a magnitude do relevo em presença.
Ainda assim essa incursão está agendada para a Primavera, com dias mais longos e condicionamentos mais apurados. Quem se sentir em forma fica, desde já, convidado.
Uma dificuldade adicional foi o facto da transmissão da minha bicicleta estar fortemente diminuída nas suas opções. De facto, já nas duas últimas incursões, as combinações 22x28 e 22x24 saltavam em esforço. Procurei renovar quase por completo o “drive-train” mas, o sr. Shimano, pregou-me a partida: a cremalheira 32 de substituição a revelar-se incompatível com a pedaleira XT de eixo quadrado existente obrigando-me a remontar tudo e ir para o trilho com sérias limitações já que agora, mesmo em 32, a corrente falhava amíude. A gestão tinha assim que ser feita de modo rigoroso e complicava sobremaneira nas subidas onde ficava limitado a um salto enorme na desmultiplicação e as relações mais comummente usadas nessa situação a mostrarem-se inoperacionais.
Mesmo assim lá fomos. Um dia alegre predispõe bem o espírito e foi deste modo que deixámos para trás Arruda e nem sequer uma inesperada dificuldade inicial, sob a forma de um furo de calibre insusceptível de ser mitigado pelo selante, no pneu de JC alterou este estado de felicidade. O curioso é que uma situação normal quando começámos nesta vida, como seja a da aplicação de uma câmara de ar agora, em plena era tubeless, devido à sua raridade, a ser entendida como um facto anormal.
Remediada a situação seguimos em bom ritmo, vencendo as portelas e os vales até Alenquer. Referência para a vereda interminável que acompanha um canavial e que nos conduz do alto até esta estupenda vila. A ausência de lama e o facto de sermos apenas dois levou a que, ao contrário de Janeiro, ela tenha sido efectuada integralmente montado e com elevado grau de satisfação, sendo um dos grandes momentos da incursão embora pessoalmente esteja mais talhado para a magna descida da Tojeira no ambiente cársico de Montejunto.
A passagem por Alenquer fez-se de modo indelével. Fizemos questão de ir até ao miradouro sobranceiro aos Paços do Concelho e em boa hora. Com um dia de sol glorioso Alenquer espraiava-se preguiçosamente pela encosta, linda, terra-presépio de contos e de encantamentos. Depois foi descer por ali abaixo, pelas ruas magníficas em calcário polido pela passagem das gentes. Foi de tal modo impressivo o contacto que resolvemos ficar um pouco mais na esplanada junto ao rio restaurando energias.
Tempo de seguir em direcção à imensa charneca da Ota que, não sendo exactamente plana, se deixou percorrer em excelente ritmo contribuindo para a falsa ilusão de que a incursão seria fácil. Aproveitámos para recuperar o tempo perdido (leia-se ganho) em Alenquer e, num ápice estávamos a cruzar a N1 no Espinheiro, perto de Alcoentre.
Aqui começou verdadeiramente a incursão com a subida demolidora até aos 450 metros por um estradão maltratado e depois, entrado no asfalto, descermos para Pragança e, de novo, ascendermos até ao miradouro “Salvé Rainha” e aí pararmos para contemplar as lindas terras do Oeste que se estendem até ao Atlântico.
Mas havia que ascender ainda um pouco mais até se rever a entrada daquela que é, provavelmente, uma das melhores descidas de Portugal: a vereda da Tojeira. A um tempo técnica e espectacular, bem enquadrada com a paisagem e sem exigência de uma suspensão sofisticada de free-ride, i.e., ao alcance de uma configuração XC clássica, assim haja técnica e destreza suficientes. Quase apetece, por artes mágicas e por infinitas vezes, voltar de novo “lá acima”. Desta vez até a passagem da cascalheira no canhão final a ser efectuada sem desmontar ou sequer apoiar o pé. Só mesmo visto e sentido “in loco”.
Na Tojeira, de novo, a deténte. O único “saloon” disponível era o clube local que funciona mais como “centro de dia” do que propriamente como cafetaria convencional. À falta dos mantimento habituais para uma reposição energética adequada a opção recaiu num clássico nacional: a “mine” devidamente acompanhada de amendoim torrado e que bem soube! Seguimos até ao Avenal, não sem antes efectuarmos aguada em Pereira numa nora de roda tradicional, ao bom jeito da serrano, ainda que, com um misto de satisfação, pois o dia estava razoavelmente quente, e de receio, pelo peso extra que representava esta reposição do líquido uma vez que se aproximava a ascensão asfáltica do Avenal com uma pendente desumana.
Assim, na portela, perto dos trilho dos moinhos, o alívio pelo final da subida e o abandono de Montejunto. Havia agora que descer até aos Penedos de Alenquer pela Portela do Sol e pelo tipicamente saloio caminho dos moinhos de vento, excelente quadro pictórico, diga-se.
Agora, com Montejunto pelas costas, era o reino do “rompe-pernas” com sucessivas descidas fortes, logo seguidas de subidas a condizer sempre com as vinhas por companhia e um omnipresente aroma a mosto que inundava o éter - as vindimas no seu esplendor. É isto que o BTT nos proporciona e é também por isso que a ele sacrificamos incondicionalmente.
Assim foi em Quentes, ou na Aldeia Gavinha, com uma ascensão contínua durante um par de quilómetros ou ainda na descida violenta para a Ribafria logo seguida de uma interminável ascensão final. A partir do topo foi tempo de descer fortemente, via Gateira, até Arruda onde tornámos após praticamente noventa quilómetros com cerca de 2200 metros de acumulado.
A teoria da relatividade restrita aplicada ao BTT aqui a conferir-nos a sensação de esta incursão ter sido mais dura que a da semana anterior. Todavia os números desmentiram-no embora esta tenha decorrido a ritmo e média quilométrica indiscutivelmente superiores.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
THE DARK SIDE OF THE FORCE
Ainda não acredito bem na aventura.
O Mário Silva, outrora um dos gurus do BTT, caiu no largo negro da força e agora pedala em cima daquelas máquinas infernais que dão pelo nome de monociclo.
Para quem não sabe bem o que é, para além de uma consulta incontornável ao seu blogue refiro que, apesar de parecer apenas meia bicicleta, é necessário, no mínimo, o triplo da perícia, equilíbrio e concentração do que nas duas rodas clássicas.
Ainda é actividade rara em Portugal, mais associada a números circenses do que, propriamente a um desporto ou forma de mobilidade. Vai daí a dinâmica do Mário permitiu reunir em Lisboa, no Parque Florestal de Monsanto, a fina flor da modalidade que, embora não passasse de uma dezena de criaturas, demonstra que o Mário tem feito um esforço notável de agregação e de criação de um embrião da modalidade entre nós. O mais interessante é que, 50% dos monociclistas presentes pertencem a duas famílias.
Fui convidado a os acompanhar. Não se iludam, não foi para me equilibrar em cima de uma das máquinas do demo o que, seria impossível por dois motivos: a minha recusa obstinada em passar por aquele doloroso (literalmente) processo de erro – aprendizagem, com as consequentes, caneladas, quedas e vexames públicos, por um lado e, por outro, a manifesta impossibilidade física de o efectuar já que sem treinar não há, nesta modalidade, quaisquer tipos de milagres.
O convite, outrossim, foi no sentido de captar imagens vídeo coisa que fiz com imenso prazer. Alinhei com duas rodas o que, comparado com o monociclo, é tão estável como um familiar de quatro portas e cinco lugares e por ali fomos, pelo meio daqueles trilhos que o Mário tão bem conhece com alguns artistas a efectuarem números que muitas vezes em bicicleta não se arriscam.
Tal como na coca-cola, descrita por Pessoa, eu já ultrapassei a primeira fase, isto é, já não estranho a tribo e o acto praticado e já acho bem mais curioso os olhares de espanto e os pescoços que rodam à sua passagem do que propriamente o largo trem circulando. Este espanto esteve, aliás, na origem de uma queda aparatosa de um betetista mais impetuoso que cruzava os trilhos e que, imparavelmente, teve de desviar o seu olhar do piso.
Ao que parece, o grande guru, dá pelo nome de Kris Holm (veja-se aqui) e está para o hardware da modalidade como o senhor Shimano para o BTT. Ainda mais bizarro é o iniciático jargão tribal: Depois é one foot para aqui, MUNI para ali e ainda os códigos numéricos, os 20's, 29's ou 36's das rodas ou os comprimentos dos crenques. Só visto, pareciam um bando de pardais à solta...
Após oito quilómetros pelos trilhos seguiu-se um piquenique abençoado pelas vespas e um convívio dinâmico nos espaços de basquetebol de Monsanto onde se experimentaram o modelo de 36' e a famosa “girafa” que deu um ar circense ao encontro.
Imagens e vídeo aqui
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
VELOCIPEDI@ GALARDOADA COM O PRÉMIO MOBILIDADE 2009

A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) decidiu criar, em 2006, o Prémio Nacional “Mobilidade em Bicicleta” de forma a reconhecer publicamente o contributo de determinadas entidades ou pessoas individuais que tenham promovido a utilização da bicicleta nas suas múltiplas vertentes, através da criação ou melhoria de condições e facilidades em Portugal e/ou da divulgação de iniciativas fomentadoras do uso deste veículo não motorizado.
No âmbito da atribuição do Prémio Nacional “Mobilidade em Bicicleta” são anualmente consideradas as categorias: Autarquias, Comunicação Social, Empresas de Transportes Colectivos e Pessoas Individuais. O Prémio é simbólico e constituído por peças em vidro artesanal português.
Em 2009, entre outros premiados, a mailing list Velocipedi@ foi distinguida pela FPCUB - Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta na Categoria de Cidadania.
Recorde-se que a Velocipedi@ foi criada nos idos de Maio de 2000 respondeu a uma lacuna existente, à altura, em Portugal. De facto os betetistas portugueses até então (bastante menos do que os actualmente existentes) não possuíam nenhum meio de interacção através da Internet. Ao contrário, no Brasil, em França, na GB ou em Espanha, existiam, à data, mailing lists, que permitiam uma intensa interacção entre os betetistas desses países sendo que, por exemplo, a lista "bike" do Brasil tinha diversos portugueses como membros.
A ideia do seu fundador, Pedro Roque, foi, para além da teimosia pessoal que sempre presidem a estas coisas, a de achar que se Portugal todas as condições para dispor de um instrumento comunicacional semelhante.
O seu sucesso deveu-se aos seus membros, betetistas lusófonos de ambos os lados do oceano Atlântico e às mensagens e respostas que enviaram para a lista que, ao longo da sua existência, conta já com mais de 63.000 mensagens e 590 membros onde se incluem, praticamente, todas as referências do BTT amador em Portugal.
De tudo se discutiu na V@: mecânica, passeios, compra e venda, etc. A lista foi ainda responsável pela promoção de diversos passeios BTT, feitura de equipamentos personalizados (jerseys, calções e blusões), autocolantes, pela promoção de uma estafeta ao longo de Portugal (que ainda decorre) e até pelo patrocínio de uma equipa de BTT.
A evolução da WWW e, sobretudo, o aparecimento da chamada web 2.0 foi responsável por novas plataformas que permitiram outro tipo de interactividade e que, de algum modo, retiraram alguma da dinâmica que a V@ tinha e que, no seus melhores meses, corresponderam a 1769 mensagens (Janeiro de 2004) e 1314 em Maio de 2003.
Apesar do seu formato ser ainda o mesmo da sua origem , actualmente, a lista está amadurecida e menos frenética trocando cerca de uma centena de mensagens por mês.
A Velocipedi@ orgulha-se, assim, de ser a primeira rede social de BTT em Portugal e, em certa medida, a mãe de todos os actuais e inúmeros "forae" de discussão da modalidade em Portugal.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
"I HEARD IT THROUGH THE GRAPEVINE" (*)
Photos by APRO
MTB at the kingdom of grapevines and windmills with lots of up and down-hills and dramatic views around Montejunto and the sierras nearby.
Continuando a explorar o manancial inesgotável do triângulo Torres Vedras, Alenquer e Cadaval a "ordem de batalha", para o passado sábado, foi arrojada em termos técnicos e físicos pois os terrenos acusavam um relevo permanentemente acidentado que incluía uma ascensão à real Fábrica de Gelo em Montejunto.
Foi um risco já que entre a minha última grande incursão, efectuada a 23AGO09 e o dia de sábado passado havia ocorrido duas semanas de férias, embora as mesmas tenham decorrido em ritmo aeróbico. Ou seja, a incursão planeada e concretizada, mantendo embora as quilometragens habituais (entre 90 e 100 kms.) tinha um respeitável acumulado de altitude - cerca de 2300 metros que agravava a dificuldade habitual neste tipo de incursão longa.
Devo dizer que, da minha parte, me senti bem e que levei de vencida as ascensões sem dificuldade de maior o que demonstra que o condicionamento não foi afectado com as férias. Ainda bem.
Para além do habitual JC tive a companhia de Azurara que está em muito boa forma física ainda que o tipo de terrenos muito técnicos, encontrados no sábado passado, seja a descer, seja a subir, não pareça ser muito do seu agrado.
Saímos de Torres Vedras, tendo estacionado o carro junto à estação ferroviária, e seguimos até às termas dos Cucos se bem que, desta vez, o tenhamos feito por um trilho junto ao Sizandro que evita a brutal ascensão por cima do túnel ferroviário. Nos Cucos tomámos um rumo diferente e contornámos o morro por SW seguindo junto à linha do Oeste e daí à Quinta da Porticheira onde passámos ao vale do Rio Sangue (Ribeira de Matacães) para subirmos pelo meio de um bosque mediterrânico num enquadramento paisagístico de primeira água ainda que, do ponto de vista físico e técnico, as dificuldades tenham sido inúmeras até se lograr alcançar o topo da serra de São Julião e por aí se circular desafogadamente.
Após nova descida uma ascensão à Serra Galega e aos largos estradões em "tout-venant" de servidão aos aero-geradores e uma descida abrupta até ao vale da Atalaia e ao reino das uvas, em pleno período vindimal. As quintas sucederam-se até ao Olhalvo e daí em diante, magníficas, bem enquadradas pelos vales férteis prestando esplendorosamente o seu tributo a Baco.
Entretanto, a silhueta de Montejunto aproximava-se, ameaçadora, e a altimetria ia cobrando a sua factura, primeiro num demolidor "rompe-pernas", depois numa ascensão permanente. Chegados ao "acampamento-base" o mesmo será dizer ao parque de merendas do lado S, percorremos o trilho que, a meia-encosta rodeia a serra até nascente e que passa junto à Cascalheira. Percorrido neste sentido ele é levemente descendente pelo que se faz a muito bom ritmo exigindo, em contrapartida, uma concentração sem compromissos.
Tomamos então um asfalto ascendente e enfrentamos o troço mais penoso do dia: a ascensão à Real Fábrica de Gelo por um trilho escabroso, já percorrido anteriormente que nos levou dos 350 aos 530 metros de altitude embora apenas um terço do caminho, em virtude da conjugação do piso e da inclinação, fosse verdadeiramente ciclável.
Lá em cima, junto ao parque de merendas e à Real Fábrica do Gelo, "la détente" no bar que serviu de abrigo à chuva fraca que agora caía. O melhor estava para vir - um downhill insano para homens de barba rija, no reino do cársico puro, que conduzia, acompanhando os caprichos do calcário, dos 540 metros do alto até aos ínfimos 190 da povoação de Tojeiras. Exigente do ponto de vista técnico, requerendo perícia e contenção com um panorama assombroso para W e NW a revelar-se como uma surpresa fantástica e fortemente recomendada a quem gosta de MTB puro e duro.
Das Tojeiras, após a segunda reparação de um furo do pneu dianteiro de Azurara, baixámos até Vilar e, daí, atalhámos por asfalto até à Aldeia Grande onde retomámos o track rápido pelo vale do Alcabrichel até Abrunheira voltando então a S na direcção de Sarge e Torres Vedras onde já chegámos com a noite a cair.
No final, para além da satisfação absoluta, averbámos 95 kms. e 2300 m de acumulado.
(*) - "I Heard it Through the Grapevine", (Whitfield, Norman; Strong, Barrett) performed by Credence Clearwater Revival
domingo, 13 de setembro de 2009
VELÓDROMO NACIONAL DE SANGALHOS
Já fazia falta um equipamento destes em Portugal.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
SIR GEORGE MEEK AT THE ALPS

My friend Jorge Manso went to the 2009 TransAlp's edition. I advise all to spy the adventure in his blog.
Acabei de tropeçar no blogue do Jorge Manso (versão UK) e que tem, nada mais, nada menos que a reportagem integral e bem ilustrada da sua participação, em conjunto com o Rui Matias, no TransAlp deste ano.
De tal modo que faz lembrar a revista da TAP (Atlantis, segundo creio) já que o texto é bilingue...
Aconselha-se, pois uma visita para uma leitura atenta já que merece bem a pena, seja pelo texto, seja pelas imagens.
Confiram aqui.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
TORRES VEDRAS - MOUNTAIN AND BEACH

Starting in Torres Vedras, towards Montejunto, approaching the hard mountain climbing of Sierra Galega, and rolling to the west towards the sea taking the path by Vila Verde dos Francos, Maxial, Ramalhal, Vimeiro's Spa and reaching Porto Novo. Then following the coast line to south and Santa Cruz on the cliff's path. At last, from the popular beach of Torres Vedras, returning to the city crossing the Greenway of the Sizandro. A long but beautifull MTB raid.
De novo no oeste e mais uma vez na companhia do Jorge Cláudio.
A ideia era sair para nascente em direcção a Montejunto subindo a dura Serra Galega e então rolar para poente rumo ao mar tomando de caminho Vila Verde dos Francos, Maxial, Ramalhal, as termas do Vimeiro e alcançar o Porto Novo. Pelo litoral então seguir a Santa Cruz alternando a ciclovia com os trilhos das falésias. Da popular praia de Torres Vedras regressar à sede de concelho pela denominada Ecovia do Sizandro.
No final dois concelhos percorridos (Torres Vedras e Alenquer) 94 kms. e quase 1.8 kms. de altitude acumulada num gráfico algo atípico com as ascensões concentradas, sobretudo, nos primeiros 20 kms. A média final ficou nos 14 kms/h.
Começamos bem dentro da zona habitacional de Torres Vedras para percorrer a chamada "Ciclovia do Barro" que nos conduziu até junto do Rio Sizandro. Mas esta é tudo menos uma ciclovia normal, alternando passagens agradáveis pelo Parque da Cidade com subida de passeios e cruzamento de becos, aspectos a melhorar no futuro sob pena de ser uma perfeita inutilidade. Da zona do Sizandro fomos até à estação ferroviária e subimos para a já conhecida "vereda do túnel" que, sobre-cruzando o túnel ferroviário, desce vertiginosamente até às vistosas "Thermas dos Cucos". Daí o trajecto habitual até à Ordasqueira por um trilho cada vez mais fechado com as silvas a cobrarem aguçadamente a passagem.
Após esta povoação registei os 70 m. de altitude no display do GPS - a partir daqui foi sempre a subir até ao cimo da ventosa Serra Galega, primeiro até Matacães, após a qual a ascensão oferece uma breve trégua e daí até ao topo por um caminho escabroso que aliava a pendente elevada a um piso muito irregular por forma a dificultar, ainda mais, a subida de cota.
Sendo a minha quarta passagem pelo local estava prevenido para o que iria encontrar, muito embora saiba que, contra factos, não há argumentos e lá fui, penosamente, gerindo o esforço, como não podia deixar de ser, com o coração e pulmões nos limites do razoável. O sol, que estava escondido, surgiu nesse momento prestando a sua homenagem ao esforço das pobres criaturas e agravando as dificuldades.
Agora, bem no alto a constatação, tantas vezes repetida, de que valeu a pena tamanho esforço perante o silêncio e a placidez contemplativa do vale do Rio Sangue (ribeira de Matacães) a SW, com as sua cambiantes de verdes e ocres, as vinhas paralelas e perfeitamente alinhadas e os inúmeros trilhos, descendentes e serpenteantes como que convidarem-nos para futuras incursões na zona.
Lá prosseguimos pelos largos estradões do topo da serra, por entre os eucaliptais, a velocidades elevadas, ou lentas, consoante o desnível concordava, ou não, em nos facilitar a tarefa. E assim foi até Ereira onde foi necessário ascender de novo, embora numa asfáltica e breve rampa. Começava agora o reino das eólicas e dos largos horizontes com as vistas do maciço de Montejunto a imperarem. Visão feérica, diga-se, em virtude do manto de neblina agarrado aos seus contornos, reforçando o dramatismo do panorama, acentuado pelo sonoro rasgar do fluido atmosférico pelas pás dos imponentes aero-geradores perante a impotência dos inúmeros antigos moinhos de cereal cujas ruínas teimosamente se mantêm de pé, testemunhas de um passado ainda recente onde imperavam no topo da serra. Até o bizarro poço de petróleo em plena serra, que espantara muita gente, tornou-se passado. A energia ali, agora, é de outro tipo - os moinhos eólicos proliferaram desde a última passagem, sendo agora incontáveis.
Começamos então a descer, primeiro de forma moderada, depois cada vez mais rápido, até se alcançar Vila Verde dos Francos, passando pela insignificante ruína do seu castelo. Aqui uma pausa para restaurar a energia perdida e continuar, não sem antes nos cruzarmos com um trio de ciclistas de estrada que ascendiam a avenida como se rolassem em sentido inverso.
O troço seguinte levar-nos-ia até ao vale do Rio Alcabrichel que não mais abandonaríamos até chegar a Porto Novo muito quilómetros volvidos. Primeiro pelos caminhos junto às plantações, no sopé da Serra Galega, até se cruzar a EN e o rio passando a rolar na sua margem norte por caminhos agrícolas a velocidades elevadas - o reino da "taleiga". Com o Maxial à vista e perto da Ermigeira rolamos pela EN durante uma breve centena de metros até sairmos para a Abrunheira à direita, cruzarmos a via férrea e os eucaliptais e entrarmos no Ramalhal em glória, isto é, a descer e saídos da floresta. O café habitual estava fechado pelo que o negro estimulante e o pastel de nata ficaram adiados.
Cruzada inferiormente a A8 seguimos os caprichos sinuosos do traçado do rio dentro de um pinhal que culmina numa breve, porém forte e técnica descida em areão a desafiar a destreza de cada um embora com saídas airosas de tal disputa. De novo os estradões até se entroncar na EN 8-2 que, durante uma escassa centena de metros, até a abandonarmos à esquerda, nos proporcionou uma série de sobressaltos viários a demonstrar que a nossa opção velocipédica todo terreno é a mais adequada quer para o sistema nervoso, quer para a saúde individual.
Passamos agora ao largo de A-dos-Cunhados e de Sobreiro Curvo e começamos a subir à medida que o Alcabrichel se espartilha por entre as paredes rochosas calcárias. É mesmo do alto da penedia que nos lançamos numa descida vertiginosa desde o Casal das Portelas até às Termas do Vimeiro e ao buvette da Fonte dos Frades. Sem perder tempo seguimos pela estrada (portajada por sinal) que conduz ao Porto Novo, junto ao rio, perante um autêntico hino ao cársico que é a entrada do Alcabrichel no seu troço final até à foz. O BTT tem destas coisas e o comum mortal, que nos julga excêntricos, nem sabe o que perde, sentado a fumar no sofá, enquanto nos deleitamos com a natureza desta forma tão marcante.
Em Porto Novo tomamos a ciclovia das praias que abandonamos poucas centenas de metros volvidos em Santa Rita para o playground dos trilhos nas falésias. Sem dúvida que esta é uma forma bem mais interessante de se entrar em Santa Cruz do que pelo rubro tapete da ciclovia. Lá em baixo, na Praia da Mexilhoeira, deu para constatar como alguns banhistas incautos continuam a procurar abrigo debaixo das falésias e dos leixões apesar da crua realidade mediática algarvia não ter deixado ninguém indiferente. Provavelmente, entendem que a lei da probabilidade também se lhes aplica e que viver, apesar de tudo, é sempre um risco melhor ou pior calculado.
Em Santa Cruz, tempo de aguada e de novo restauro perante um paredão repleto de gente já com um sol resplandecente embora perante a inclemência da nortada. Nesta passarelle luminosa desfila gente de todo o tipo, desde famílias bisonhas a representantes do beautiful people, a demonstrarem que Santa Cruz é um destino balnear eclético e popular.
Havia agora que tomar a já famosa Ecovia do Sizandro que nos conduziria até Torres Vedras. Se alguém esperava uma ciclovia "civilizada", semelhante à de Viseu, aqui descrita anteriormente, rapidamente se desenganou. Esta é uma ciclovia atípica, desenhada para homens de barba rija (ou mulheres de armas) com um par de subidas de cortar a respiração, indicações resumidas a aconselhar o uso de GPS, interrupções e recomeços abruptos e um piso em tout-venant que levanta uma poeira branca e insidiosa que tudo penetra e conspurca, e onde até alguns automobilistas aproveitam para exercitar os seus adormecidos genes finlandeses . Nos antípodas, pois, de um caminho plácido, adequado para famílias ou criaturas dos 7 aos 77. Ainda assim é muito interessante de percorrer e a proporcionar boas médias, sobretudo quando os canaviais ou o rumo geográfico, respectivamente, disfarçam ou aproveitam a nortada inclemente.
Quando passamos ao largo do Varatojo avistamos finalmente o castelo e a Igreja de Torres Vedras, isolados no alto do monte. Por momentos pensamos que a cidade não existe, que a urbe é apenas aquela fortaleza singela na paisagem. Chegados à simpática povoação, tempo de prestar homenagem ao que é, provavelmente, o mais ditoso dos seus filhos - o malogrado ciclista Joaquim Agostinho - através da pose fotográfica junto à sua estátua no Parque da cidade.
No final alguma sensação de desgaste (curiosamente superior ao da incursão do Bombarral) devido, sem dúvida, à postura rígida motivada pelo pedalar fixo na ecovia durante muitos quilómetros. Ainda assim mais uma excelente jornada, daquelas que se gostam e se repetem sempre.
Track GPS aqui.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
ORANGE TREE PATH

Pure clean water, oranges, manor houses, lots of botanical species and fun. That's the Orange Tree Path in Caramulo.
Ontem, dia 20, foi tempo de rumar ao Caramulo e, em terras de Besteiros, percorrer o magnífico PR 2 TND (Tondela), subtitulado "Rota dos Laranjais". Confesso que foi, provavelmente, o mais interessante passeio pedestre, de pequena rota, que efectuei.
Fiquem com o "texto oficial" do folheto editado pela C.M.T.:
Ficha Técnica
Partida e chegada: Parque Coração de Maria.
Âmbito: Desportivo, cultural, ambiental e paisagístico.
Tipo de percurso: De pequena rota, utilizando caminhos rurais, tradicionais e de montanha.
Distância a percorrer: 7,5 km em circuito.
Nível de dificuldade: 3 – Médio baixo.
Duração do Percurso: Cerca de 3 horas.
Desníveis: Moderados.
Cota máxima: 460 metros
Época aconselhada: Todo o ano.
Destaques:
• Paisagem da Serra do Caramulo
• Igreja Matriz de Castelões
• Fonte Funda
• Fonte de Chafurdo
• Moinhos de água
• Quedas de água
• Capela de Nª Senhora da Conceição
• Quinta da Cruz
• Capela de Sto António
• Cruzeiro de Vila de Rei
• Capela de São Simão
• Cruzeiro de Ribeiro
• Laranjais
Descrição do Percurso
Inicia-se esta caminhada pelo circuito de manutenção existente no Santuário do Coração de Maria, que conduz a uma visita à povoação de Portela e seguimos o caminho da igreja, em direcção a Costa da Várzea.
No Cacharral, segue-se até à povoação de Eiras para conhecer a Fonte Funda e Fonte de Chafurdo, os seus moinhos de água, o Poço Silveira, uma queda de água e o açude. A caminhada prossegue pelo caminho fundo para a localidade de Quintal, cuja toponímia nos reporta à família de Antero de Quental, que com a sua presença deu origem ao nome destas paragens, e onde pode visitar-se a capela de Nª Senhora da Conceição, as casas brasonadas e a Fonte de Stº António.
Logo a seguir, subindo o caminho do povo, encontra-se a Quinta da Cruz com uma grande extensão de castanheiros e a sua casa solarenga em ruínas, e um eucalipto centenário com uma dimensão imponente, que a 1,5m do solo apresenta um perímetro de 12m.
Ao passar a quinta, até chegar ao Cruzeiro percorre-se o Caminho das Ladaínhas, também percorrido pelos fieis no dia da Festa da Cruzes, que saindo da Igreja Matriz segue em procissão, até Guardão.
Esta é uma das celebrações religiosas mais importantes desta zona, que decorre na Quinta-feira de Ascensão, em Maio e na qual participam várias freguesias.
Continuando pelos carreiros, pouca é a distância a percorrer até Vila de Rei, aldeia com inúmeros exemplos de casas que conservam a traça tradicional utilizando maioritariamente o granito na sua construção, e onde se pode visitar a capela de Stº António. É ainda possível conhecer uma casa brasonada, o cruzeiro da aldeia, diversas almas.
É altura para uma merecida pausa no parque de São Lourenço, preparatória e necessária para em seguida vencer o declive acentuado em direcção à povoação de Figueiral, onde se vê a Capela de S. Simão e as almas, e se pode visitar a Central Eléctrica e o Poço da Grade que é uma belíssima queda de água. Este é também um local privilegiado para observar a paisagem da encosta da Serra do Caramulo que protege e envolve todo o Vale de Besteiros.
Depois, ao longo do Rio de Castelões abraçado por pomares de citrinos, segue-se pelo caminho dos moinhos onde, como o nome indica se observam alguns moinhos antigos, agora desactivados aguardando recuperação.
Atravessando o rio na Costa, segue-se pelo Rego de Regadio, nome dado pelo povo ao caminho acompanhado, de um lado e em toda a sua extensão, pelas águas de rega dos campos, do outro pelas as águas da Ribeira e pontualmente alguns moinhos.
Por fim surge a povoação de Ribeiro onde, além do cruzeiro, da ponte da aldeia e dos fontanários, se pode visitar a Igreja Matriz e percorrer a povoação ao longo dos caminhos que levam ao Santuário do Coração de Maria.
O total da distância percorrida é de 7,5km e a zona que poderá ser de algum risco é aquela em que se visitam os laranjais junto ao ribeiro, pelo que, está previsto aplicar-se em longa extensão um corrimão que a torne perfeitamente segura. Pode considerar-se de maior dificuldade o troço desde o Parque de São Lourenço até ao Figueiral, onde se atinge a cota máxima deste percurso, os 460m.
DÃO TINTO
I've crossed the eight kilometres of the new Greenway of the Dão Valley in perfect harmony with nature. The good news is that they are building more 44 until Santa Comba Dão.
Estando de férias algures na Beira Alta, no passado dia 19, rumei com a Patrícia até Viseu para percorrer a famosa ecovia do Dão que percorre os primeiros 7,5 kms. (Viseu - Figueiró) da antiga ferrovia do mesmo nome actualmente desactivada.
Uma primeira palavra para a qualidade urbanística de Viseu. Embora já conhecesse a cidade, sempre a mesma me impressionou pela qualidade de vida que inspira. Desta vez, reforcei a minha convicção já que tive oportunidade de percorrer o novo troço reabilitado do rio (Parque Linear do Pavia) que foi palco de uma intervenção Polis.
Percorrida em bicicleta, desde o Fontelo até ao início da Ecovia, passando pela zona da Feira de São Mateus e ainda pela zona alta da cidade, o ambiente urbano impressiona pela sua qualidade, ao nível do melhor que se pode encontrar em qualquer cidade de média dimensão europeia. É mais um motivo de orgulho para os viseenses que carinhosamente lhe chamam "cidade jardim".
Quanto à ecovia propriamente dita só é pena a sua, ainda, pequena extensão. De resto, roça a perfeição já que se interna por lindíssimas zonas rurais sendo que a transição suburbana está longe de chocar os nossos conceitos estéticos como acontece em muitas cidades do litoral. A solução encontrada para as transições com as vias que cruza é que não agrada aos ciclistas mais habituados a ritmos de pedal elevados e constantes pois obriga a afrouxamentos e gincana permanentes exercitando a técnica de rins para vencer os obstáculos que se destinam a impedir a circulação de motociclos.
As boas notícias, todavia, estão aí: após a assinatura do protocolo, por parte dos três municípios abrangidos (Viseu, Tondela e Santa Comba Dão) as obras, na extensão de 44 kms., estão já em marcha em diversas frentes. Tive oportunidade de o comprovar, quer em Figueiró (final deste troço), quer em Tonda (concelho de Tondela) e é de esperar que, a curto prazo, se não na sua totalidade, pelo menos em parte, se possa percorrer uma distância ainda maior ao longo do estupendo Vale do Dão.
A este propósito veja-se este clip que é bem ilustrativo do que está em causa. Estou, naturalmente ansioso para que isso aconteça já que pode ser um programa interessante estacionar o carro em Santa Comba, percorrer 50 kms. até Viseu, almoçar e regressar tranquilamente de tarde.
Referência ainda para o Parque do Fontelo com um coberto vegetal interessantíssimo, com predomínio do carvalho e onde nem sequer falta algum desnível proporcionando um pedalar muito agradável nos seus dez hectares. Pena o exagero de alguns betetístas que, desrespeitando aquele princípio que diz "circula pelos trilhos existentes e não cries novos" vão acrescentando pistas inúteis que apenas servem para degradar. Depois admirem-se das restrições que vão sendo criadas.
PS: a data das fotos está, naturalmente, errada, deve ler-se 19/08/2009
Subscrever:
Mensagens (Atom)






