sábado, 12 de dezembro de 2009

THE WOLFRAMIC PATHS



8 de Dezembro de 2009
66 kms.
2700 m. altitude acumulada positiva
Concelhos de São Pedro do Sul e Arouca

Texto e Fotos: APRO


Despite the distance being relatively short (66 kms.) the average was incredibly low (below 10 kms.) due to the intense uphills and countless miles traveled sometimes on foot, pushing and carrying  the bike, an effort proved to be of extreme harshness which contributed to the hardness of this ride.


Após esta inesquecível incursão a solo irei, tal como na maternal instrução, escrever repetidas vezes a seguinte frase: “caminhos pedonais nem sempre são cicláveis!”. Convenhamos que uma coisa é percorrermos os ditos com umas botas de trekking, outra, diferente, é transportar 10 kgs. de alumínio colina acima.

De facto o track que elaborei (a partir de uma compilação de outros) para percorrer partes das serras de São Macário, Arada e Freita, partindo e chegando nas termas de São Pedro do Sul onde estive a banhos explorando um fim de semana prolongado, conjugou a intensa beleza natural das serras, com alguns trilhos impossíveis de serem percorridos em cima do magro selim de uma bicicleta ainda que, pasme-se, estejam referenciados em tracks anteriores com a indicação BTT.

Apesar da distância ser relativamente reduzida (66 kms.) a média foi incrivelmente baixa (abaixo dos 10 kms.) em virtude das intensas subidas e de inúmeros quilómetros terem sido percorridos a pé, ora empurrando a bicicleta, ora carregando a dita num esforço que, a espaços, se revelou de enorme dureza e que contribuiu para a média muito baixa verificada.



A tarefa nunca ficou facilitada, excepto no final em que se baixou de cota fortemente. Estas são terras de montanha como poucas em Portugal. De facto, desde o início, junto ao balneário D. Afonso Henriques, nas termas, que se começou a subir intensamente até à zona de Carvalhais e daí até ao entroncamento onde se deriva para São Macário (nascente) e a Fraguinha (poente). Comecei a uma altitude inferior aos 150 metros e só parei nos quase 1000 metros de altitude e isto numa distância de 15 kms. o que dá bem a ideia do grau de dificuldade. Ainda assim, o tempo colaborou. Após a tempestade da ante-véspera o dia estava relativamente ameno, embora nublado.

Valeu o facto, abonatório, da subida ter sido feita em asfalto que, na sua parte final, serpenteava o relevo pela Arada acima até ao entroncamento. Aqui derivei para nascente, em direcção ao Alto de São Macário mas, antes de o atingir, abandonei o asfalto descendo vigorosamente em direcção à lendária aldeia de Drave,




A partir do momento em que comecei a descer para Drave acabaram-se as facilidades (leia-se, o piso ciclável). De facto, daqui até Côvelo de Paivó, inevitavelmente, a maior parte do traçado teve de ser efectuado a pé. Descem-se as primeiras centenas de metros até se ficar com a aldeia à vista lá bem no fundo do vale. A dada altura acaba-se o estradão e começa um caminho de cabras igualmente descendente que, apenas a espaços, se deixa ciclar. A princípio resolvi testar a minha técnica naquele lajeado de xisto já que, o facto de ser descendente, me pareceu que facilitava a transposição. Todavia, rapidamente o bom senso prevaleceu – o facto de ali estar sozinho, num ermo serrano, levou a que optasse por acompanhar a bicicleta a caminhar. Sejamos razoáveis – qualquer acidente naquele local poderia ter consequências imprevisíveis – ninguém sabia que eu por ali andava. De resto a diferença de velocidade entre pedalar ou caminhar era muito pequena e sobrava tempo para fotografar abundantemente.

Drave é mesmo um local lendário. Inóspito e acolhedor a um tempo embora deserto e local de romagem dos aventureiros amantes da natureza e de recolhimento espiritual em virtude do seu extremo isolamento. O único acesso é pelo caminho de cabras que calcorreia, descendo, mais de um quilómetro impossível de percorrer por meios mecânicos. Nestas circunstâncias é fácil de entender que se tenha desertificado integralmente da presença humana ainda que, seja habitado de verão por escuteiros e crentes em busca da espiritualidade que um local daqueles confere. É um sítio diferente de tudo o que vimos anteriormente. Água por todo o lado escorrendo fortemente das linhas que drenam as enormes montanhas e que engrossam a ribeira que irá aumentar o Paivó e que, de enxurradas múltiplas conferirá a fama das límpidas águas bravas do Paiva próprias para a canoagem e o jangadismo.




Naturalmente Drave é um daqueles locais impossíveis de descrever seja por imagens seja, muito menos, por prosa mas, ainda assim, num punhado de palavras permitam-me a ousadia de ensaiar: xisto omnipresente, cascatas e água cristalina, a eira, uma ermida de um branco imaculado, um cruzeiro marcando o terreno, meia dúzia de casebres alcantilados, duas pontes unindo as margens das ribeiras e um silêncio sepulcral. Um local mágico, portanto.

O problema agora colocava-se na saída. É que o caminho de cabras continuava contornando a meia-encosta e acompanhando, a cota superior, a ribeira alimentada continuamente por escorrências várias das dobras montanhosas por onde caminhávamos já que, apenas a espaços, se conseguia pedalar. O track conferia, de resto, com o traçado da Pequena Rota (PR14 “Aldeia Mágica”) como testemunhavam os tracejados vermelho e amarelo demonstrando que aquele era um trilho de caminheiros mas inadequados para ciclistas.




Contornada a montanha avisto, no fundo do vale a aldeia de Regoufe, a ribeira do mesmo nome e o couto mineiro abandonado, explorado pelos britânicos, a cota superior à aldeia. A princípio o trilho descendente deixa-se pedalar sem dificuldade mas, a dado passo, o xisto solta-se e a opção é caminhar até porque a pendente é forte. A entrada na aldeia faz-se em grande estilo cruzando a ribeira por uma ponte e entrando nas suas ruas típicas. Ao contrário de Drave esta é uma terra viva. Pergunto aos locais se o caminho que segue para poente liga a Côvelo de Paivó, o que confirmam tendo, no entanto, acrescentado que se tratava de um antigo traçado para os carros de bois. Tive de optar entre por aí seguir, acompanhando, de novo uma rota pedestre (a PR 13 “Na Senda do Paivó) ou ir por um asfalto ascendente que triplicava a distância. Optei pela distância mais curta e mais bonita acompanhando o esforço do Paivó para jusante.

Ao xisto, passada a ribeira de Regoufe, sucedeu o granito em todo o seu esplendor e o lajeado era agora nesta pedra com igual dificuldade em se deixar pedalar. A natureza é que continuava a oferecer panorâmicas impressionantes, desta vez para o lado da Serra da Freita que se preparava para receber a nossa passagem ainda que tal apenas sucedesse à custa de enorme esforço empurrando a bicicleta pelo lajeado de granito observando, a espaços, as incontáveis marcas das passagens dos carros de bois. Foram cerca de 4 quilómetros duros mas com uma descida de antologia até à aldeia de Côvelo onde a cota baixou aos 200 metros como que a demonstrar que haveria que penar muito para regressar, de novo, à cota dos 100 metros e à descida final até às termas.
Fiquei um pouco a contemplar as águas bravas do Paivó em Côvelo. Há um poder de sedução naquela torrente fria que rasga velozmente o vale para jusante. Este é um local quase imaculado e onde a artificialização custa em chegar. A pausa serviu também para reganhar forças para o que se seguiria: nada mais do que a ascensão da encosta nascente da Freita. Mesmo por asfalto a pendente era muito forte e o empenho teve de ser correspondente. O relevo também era ingrato e, longe de uma subida contínua, a dado momento recomeça a descida e a baixa de cota para a transposição de nova ribeira.

Nada mais me restou senão, após esta nova travessia, renovar o empenhamento e vencer penosamente a subida embora ela fosse, agora, relativamente suave até Rio de Frades onde parei de novo. Esta aldeia era o centro de um importante couto mineiro de volfrâmio, explorado pelos alemães e que fizeram a fortuna de alguns e a desgraça de muitos em plena segunda guerra mundial. É actualmente ponto de partida e chegada de caminhos pedestres vários explorando o filão da memória da lendária saga do volfrâmio.

Em conversa com uma idosa, proprietária da singela cafetaria da aldeia fiquei a saber que a estrada acabava ali a pouco mais de uma centena de metros. Quando soube que iria para Cabreiros disse que tal era impossível e que só existia um caminho de cabras, monte acima, com cerca de 3 quilómetros. A alternativa, pura e simplesmente, não existia. Restava seguir mesmo por aquele caminho, colina acima, pelo meio de uma mina de volfrâmio abandonada, com o Rio a correr lá bem em baixo num cenário magnífico daqueles que pensávamos não existirem em Portugal.

Já alguém lhe terá chamado de “caminho dos Incas”. Nós que, muito embora, nunca tenhamos visitado o Peru, temos do mesmo uma ideia semelhante: acidentes geológicos e de relevo imensos e isolamento extremo. O nome oficial é o “Caminho do Carteiro” (PR 6) e problema mesmo foi fazer aqueles mais de 3 kms. que distavam entre Rio de Frades e Cabreiros carregando a bicicleta em peso já que empurrá-la era impossível. Em termos de cota a contagem também foi impressionante e correspondeu a um desnível médio de 10% que me levou dos 400 aos 700 m.




Finalmente cheguei a Cabreiros praticamente no limite das forças pelo que tive de parar um pouco em plena aldeia para recuperar enquanto assistia à chegada dos imensos bois arouquenses das lides do campo. Criaturas impressionantes de vastos cornos a conferirem novo toque de ruralidade à incursão. Mas foi tempo de seguir. Agora a dificuldade consistia em passar dos 700 aos 1000 m. de Coelheira para, finalmente, descer de novo até as termas de São Pedro do Sul.

Se bem que, a partir de Cabreiros, o track apenas se desenrolasse por asfalto, o facto da subida de cota não ser linear, antes implicar algumas descidas rápidas que faziam perder altitude para, de novo se ascender penosamente, fez com que a dureza fosse extrema. Assim passei por Candal e Póvoa das Leiras, de novo em terras concelhias de São Pedro do Sul e na Serra de Arada até que, junto a Coelheira, finalmente o topo da subida, coincidindo com o pôr-do-sol.

Efectuo a última paragem técnica para montar a configuração nocturna: lentes brancas, luzes frontal e traseira e o impermeável “verde radioactivo”, pois a descida afigurava-se rápida e assim foi, em duas fases: a primeira até Santa Cruz da Trapa o que significou descer de perto dos 1000 até aos 350 m. a uma velocidade estonteante aproveitando a réstia de visibilidade. Aí segui pela EN 227 onde, após cerca de 4 kms. viro à direita em direcção às termas e, após uma breve subida aos 400 m. deslizo, aproveitando as curvas e o declive até chegar, finalmente à termas e ao descanso.




Para trás ficaram aqueles que considero como, provavelmente, os mais duros 66 kms. que alguma vez percorri. Se a altimetria é algo violenta (2700 m. positivos) o facto de largos troços terem de ser efectuados a pé complicaram muito a progressão e, sobretudo o troço ascendente entre Rio de Frades e Cabreiros aliou a beleza natural à extrema dificuldade.

A repetir embora, todavia, algumas passagem tenham de ser alteradas em nome da útil ciclabilidade.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

THE SCHIST EPIC WET RIDING



A intuição é algo de que me orgulho. Nunca fui um profundo estudioso das matérias mas, de algum modo, esse meu lado intuitivo, sempre me levou longe.

Ora, quando o Pedro Cravo lançou a ordem de batalha para se percorrer uma réplica da 1ª etapa do GeoRide da Lousã no sábado passado, tudo fiz para poder estar presente mesmo que, para isso, me tenha empenhado ao máximo. A minha intuição dizia-me que seria algo de que não me arrependeria.

De facto, desde a passada quarta-feira estive em Dublin, Irlanda (onde tive mesmo o privilégio de assistir à parte “manual” no final do France-Ireland em pleno Temple Bar, algo que nunca esquecerei). O regresso à Pátria fez-se já em plena noite de sexta-feira com a saída de Lisboa e a chegada a Coimbra a produzir-se já após a primeira hora da madrugada de sábado. Claro que, na manhã de sábado, ainda hesitei, até porque, a previsão meteorológica era peremptória quanto à possibilidade de chover. Aí o lado racional impôs-se pois se tinha feito tão grande sacrifício para estar presente não tinha lógica falhar, no final, a convocatória.

Cheguei à Lousã à hora combinada e lá fomos todos saudados pelo vento que soprava em rajada forte a indiciar que, pelo menos do ponto de vista atmosférico, não iríamos ter vida facilitada. Para além de mim mais sete ciclistas alinharam à partida.

Havia que ascender da Lousã até quase aos 1000 metros e percorrer a serra em direcção a SE. A opção recaiu pela estrada que, de Cacilhas, ascende até às Aldeias de Xisto passando pela Casa do Guarda, pelo meio de uma neblina fantasmagórica, por vezes cerrada, mas sem sinal de chuva. Destaque para os soutos de castanheiros que, nesta altura do ano e em altitude, caducaram já a sua folhagem cobrindo o solo de um manto ocre de rara beleza. As indicações das aldeias de antanho, por mim já anteriormente visitadas, foram-se sucedendo: Casal Novo, Talasnal, Chiqueiro, Vaqueirinho e Catarredor – locais mágicos do xisto - vivendo em simbiose com a serra e como que paradas no tempo.

Assim fomos, encosta acima, até reencontramos, quinze quilómetros volvidos, o traçado correspondente ao trajecto vermelho (n.º15) do Centro de BTT das Aldeias de Xisto que se inicia em Ferraria de São João (outra “dessas aldeias”) mas que integrámos aqui, nas proximidades da Lousã. Para além do tracklog GPS tínhamos as setas de trajecto BTT que seriam úteis em algumas situações até porque, devido ao tecto de nuvens, o sinal emitido dos céus era, muitas vezes, impreciso.

Após esta intersecção ainda subimos mais cerca de uma centena de metros até sucederem duas coisas distintas: o início de uma chuva impiedosa e uma descida alucinante pelos estradões muito rápidos dos parques eólicos. A precipitação far-nos-ia companhia, ininterruptamente, desde as 10:00 até às 18:00. Por seu turno, a descida iria acelerar, e de que maneira, a nossa progressão.

Todos sabemos que, estes estradões descendentes em tout-venant, podem ser muito perigosos. Sábado, no mesmo local, e por duas vezes, o perigo espreitou. Um desses incidentes passou-se comigo: uma descida muito rápida com uma curva à direita, um breve momento de distracção a motivar uma trajectória mais larga do que o recomendável e o despiste iminente. Foi um daqueles momentos em que desligamos o consciente e actuamos em piloto-automático esperando genuinamente que, naqueles brevíssimos instantes, a destreza, a experiência, a sorte e São Miguel Arcanjo se conjuguem para um final feliz.

Tudo correu bem e actuei de acordo com os “manuais”: coloquei a perna direita esticada no chão para equilibrar e contrabalançar a tendência da força centrífuga, travei moderadamente, aliviando a pressão perante os sinais de derrapagem na gravilha e, quando a velocidade e a estabilidade o permitiram, apliquei os travões de modo forte e, finalmente, respirei fundo - o BTT pode ser uma actividade perigosa. Passados breves instantes, no mesmo local, o Pedro Cravo passou por calafrio semelhante do qual se desembaraçou de modo idêntico - la experiencia es la madre de todas las cosas!

Continuámos a nossa incursão agora com descidas mais suaves que iam alternando com zonas mais técnicas mas a zona mais a sul da nossa incursão foi percorrida, de modo rápido e estávamos agora parados abrigados da chuva numa passagem inferior do IC8 perto de Figueiró dos Vinhos. A chuva continuava ininterrupta pelo que, metade do grupo, resolveu regressar por asfalto enquanto que o remanescente, no qual me incluía, resolveu percorrer o track integral, quiçá na ilusão de que a chuva cessaria em breve. Ainda assim recordo-me de ter dito que poderíamos estar na iminência de uma incursão épica. A minha intuição, mais uma vez, não me enganaria.

Assim fomos passando por Ervideira e Aldeia de Ana Avis. O traçado agora era diferente, mais técnico, com mais ascensões e mais belo em termos paisagísticos mas a chuva não largava e começava a causar alguns problemas técnicos na forma de um sempre desconcertante “chain-suck” na bicicleta do Paulo Leitão mas que, à custa de lubrificante, lá se foi superando.

Chegados à Ribeira de Alge (Alvaiázere), o ponto mais meridional da incursão foi tempo de retemperar energias num estupendo restaurante homónimo onde fomos servidos de modo estupendo e que nos permitiu secar um pouco as roupas junto à lareira. Quando saímos a chuva, longe de acalmar, reforçou a sua intensidade. Ainda assim tivemos de continuar curiosamente naquela que é, provavelmente, a parte mais bonita da incursão. Seguimos o curso da Ribeira para montante tendo, inclusivamente de cruzá-la, num pontão de madeira escorregadio e semi-destruído ali bem perto das famosas Fragas de São Simão.

Foi tempo de subir até ao Casal de São Simão (outra das Aldeias de Xisto) e daí retomar a direcção norte cruzando, de novo, o IC8 de modo duro descendo e subindo vigorosamente, e internando nos eucaliptais tentando rolar o mais rápido possível já que a visibilidade se reduziam cada vez mais. Assim cruzámos o Cercal e começamos a subir gradualmente em altitude. Foi então tempo de se alcançar o Centro de BTT da Ferraria de São João onde reagrupámos, restaurámos e montámos a configuração nocturna, abrigados da chuva que, de modo inclemente e constante se precipitava.

Quando abandonámos o centro a alteração do tom predominante no display do aparelho de GPS demonstrava que o pôr-do-sol tinha chegado. Da Ferraria para norte é uma subida contínua até ao topo da serra e aos estradões das eólicas. A temperatura baixou até aos cerca de 8 graus centígrados mas, em contrapartida, a chuva desapareceu.

Rolar à noite pelos caminhos das eólicas é uma experiência inesquecível. As luzes vermelhas e os flashes brancos, aliados às silhuetas das torres e ao ruído das pás a cortar o ar conferem uma ambiência surreal comparável a uma imensa discoteca ao ar livre. Parece que estamos noutro planeta.

Apesar das contrariedades sob a forma de um frio (embora ligeiro), da noite que complicava a navegação (impedindo mesmo que se avistasse a balizagem BTT) a situação estava sobre controlo. Dois problemas com o material vieram complicar um pouco mais as coisas: um furo no pneu traseiro do Sérgio Duarte, prontamente resolvido com um daqueles sprays anti-furo e o cabo das minhas mudanças que, pura e simplesmente, gripou, bloqueando a cassete no carreto 32. Limitada a minha progressão conseguia, todavia, progredir, sem problemas de maior jogando com as cremalheiras dos cranks.

Assim seguimos abandonando agora o largo e seguro estradão para um indecoroso trail de down-hill até Gondramaz iluminando as trevas com um par de tímidos leds, com o credo na boca e o pé amíude no chão de modo a contrariar a gravidade. Assim chagámos áquela que considero a mais preservada de todas as aldeias de Xisto (das que conheço, bem entendido) – Gondramaz. De imediato nos aboletámos no acolhedor restaurante Pátio de Xisto onde a simpática proprietária nos acolheu com um quarteto de sobremesas e galões quentes ao mesmo tempo que nos apelidava de insanos (*).

Resolvemos então que, devido ao adiantado da hora, voltar a subir aos 900 metros para daí descer para a Lousã não compensaria. Numa distância idêntica, descemos a estrada de ligação até Espinho e daí ligámos, via EM555, até à Lousã que alcançámos exactamente 100 quilómetros após a havermos deixado 13 horas antes. No final, igualmente, dois distritos - Coimbra e Leiria e seis concelhos percorridos - Lousã, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos, Alvaiázere, Penela e Miranda do Corvo.

Quem me conhece sabe que já percorri muitas milhas pelas serras e montanhas deste país e que passei por dificuldades muito elevadas. Todavia não tenho qualquer dúvida em afirmar que esta foi, em virtude da conjuntura em que tudo se passou, uma das incursões mais épicas que efectuei e que dificilmente esquecerei. A minha intuição estava certa e os sacrifícios que passei antes, para poder estar presente e durante a incursão, foram perfeitamente justificados perante a intensa jornada vivida.

(*) Fiz questão no dia seguinte, domingo, de voltar a Gondramaz para almoçar. Naturalmente não fui reconhecido vestido "à civil". A senhora, quando lhe disse quem era, nem queria acreditar.

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My intuition is something that I am proud of. I've never been a brilliant student but, somehow, my intuitive side always make me go forward.

However, when Pedro Cravo released the "ordem de batalha" to replicate the 1st stage of the Lousã GeoRide on the last Saturday, I've did my best to be present, even for that, I had to work hard. My intuition told me it would be something that I will not regret.

In fact, since last wednesday I was in Dublin (where I had the privilege of watching the "handy saga" at the end of the France-Ireland right in the middle of Temple Bar, something I'll never forget). The return to the motherland was at friday's evening with the departure and arrival from Lisbon to Coimbra occur after the first hour of Saturday morning. Of course, on Saturday morning, I still hesitated, because the weather forecast was accurate about the possibility of rain fall. Then the rational side imposed because I had made such a big sacrifice to be present that it seemed illogic to fail now.

So, I arrived at the appointed time in Lousã. The wind was blowing strongly indicates that we would not have a easy riding. Apart from me seven other cyclists lined up at the start.

We had to ascend Lousa's sierra to get almost at 1000 meters and then to go towards SE. We choose the road that, from Cacilhas, ascends to the Schist Villages through the Casa do Guarda and through the middle of a ghostly fog but with no signs of rain. Remarkable the chestnut trees that at this time of year and in altitude, leaves their foliage on the ground with a layer of rare beauty as well as the road signs of the old villages, which I have previously visited, in succession: Casal Novo, Talasnal, Chiqueiro, Vaqueirinho and Catarredor - magical places in schist - living in symbiosis with the sierra almost frozen in time.

So we went, uphill until we find, fifteen kilometres later, the curve of the red route (Centre of MTB, Schist Villages, No. 15) beginning in Ferraria de São João (another one of "those villages"). Apart from the GPS tracklog we had the arrows from the MTB trail that would be useful in some situations because, due to the cloud layer, the GPS signal sent from heaven was often inaccurate.

After this intersection, we climbed more than one hundred meters until two different things happened: the beginning of a heavy rain and a breathtaking descent by the large dirt roads of the windmills. The rain did not leave us from 10 a.m. until 6 p.m.. Also, the fast descend would accelerate our progression.

We all know that these dirt roads descendants can be very dangerous. Saturday, at the same place, and twice, the danger came. The first incident happened to me: a fast descent with a right turn, a brief moment of distraction motivate a wider trajectory and the imminent possibility of getting out of the path at high speed. It was one of those moments in which we turn off the conscious and act on autopilot configuration genuinely hoping that, in those briefest moments, the skills, the experience, the luck and the Archangel Michael can work together to a happy ending.

I acted in accordance with the "best practices" - stretched my right leg out on the floor to balance and counteract the tendency of centrifugal force, moderated the break pressure, relieved the pressure on the first signs of slippage in the gravel, and when speed and stability permitted, I applied the brakes strongly and finally, took a deep breath - mountain bike can be a dangerous activity. A few moments after in the same spot, Pedro Cravo went through a similar situation, which he deal in the same way - "la experiencia es la madre de todas las cosas!"

We continued our raid now with softer declines than alternating with more technical sections. The  far southern part of our raid was covered quickly until we tock shelter from the rain beneath the IC8 near Figueiró dos Vinhos. Rain continued uninterrupted so that half the group decided to return by asphalt while the remain half, which included myself, decided to remain faithful to the original track, hoping that the rain would stop soon. Yet I remember to said that we could be facing an epic raid. My intuition, again, do not fool me.

So we went through Ervideira and Aldeia de Ana Avis. The trail was now different, more technical, with more rises and beautiful landscapes but the rain did not let us and even began to cause some technical problems with a stressful chain-suck on the Paulo Leitão's bike mitigated with oil.

At Ribeira de Alge (Alvaiázere) - the southernmost point of the raid - was time to recharge our batteries in a stupendous restaurant where we were well served and that allowed us to dry the clothes by the fireplace. When we left the rain, far from calm down, increased its intensity. Yet curiously we continue in what is, probably, the most beautiful part of the raid. We followed the course of the ribeira upstream and we had to cross it, in a wooden slippery and semi-destroyed bridge near the famous Fragas de São Simão (St. Simon Cliffs).

It was time to climb to the Casal de São Simão (another of the Schist Villages) and then resume a northerly direction crossing again, the IC8 this time on a hard up and down, and interning in eucalyptus kingdom trying to roll as fast as possible before the visibility is reduced even more. So we crossed Cercal and began to rise gradually in altitude. Finally we reached the MTB Center in  Ferraria de São João where we reassembled, restored and mounted our night sets, sheltered from the rain, so harsh and constant rushed.

When we abandoned the MTB center the change of the colour of the back layer in the display of the GPS device showed that the dusk had come. From Ferraria to north is a continuous rise to the top of the mountain to get the dirt roads of the windmills. The temperature dropped up to about 8 degrees Celsius, but on the other hand, the rain disappeared.

Riding in the windmills paths by night is an unforgettable experience. Red lights and white flashes, along with the white silhouettes of the windmill towers and the sound of blades cutting the air give a surreal ambience comparable to a huge open air discotheque. We seem to be on another planet.

Despite the problems in the form of a chill wind (slight nevertheless), the night makes the navigation harder, but the situation was always under control. Two problems with the equipment threatened our progression: a flat tire in the rear wheel of Sergio Duarte's bike, readily solved with one of those miraculous sprays and the my rear gear cable blocked, stopping the cassette on the 32 teeth sprocket limited my momentum however, without compromising the progress.

Thus we left the large and secure dirt road for a trail down-hill until Gondramaz lightning the darkness with a pair of timid LEDs, with the foot often on the ground to counter gravity. So we arrived to the best preserved of all the sSchist Villages (in my view, at least)- Gondramaz and straight to the cozy restaurant Patio do Xisto where the friendly lady owner welcomed us with a quartet of desserts and warm
"galões" while nicknamed us as "insanes" (*).

We decided then that due the hour, to go up again to 900 meters and then downhill to Lousã would not compensate. We choose to go down through the road to Espinho and then, via EM555, link to Lousã, achieved exactly 100 kilometres after we left it, 13 hours before. We travelled trough two districts - Coimbra and Leiria and six municipalities - Coimbra, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Alvaiázere, Penela and Miranda do Corvo.

Anyone who knows me well also know that I already travelled many miles through the hills and mountains of this beautiful country and went through many difficulties. However I have no doubt in saying that this raid, because of the environment in which everything happened, was one of the most epic, and hard to be forgot. My intuition was right and the sacrifices that went through before, in order to be present, were fully justified.

(*) Sunday i returned to Gondramaz for lunch. The lady owner of "Pátio do Xisto", of course, did not  recognized me dressed "civilian way". When I told her who I was, she could not believe me.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

EUROBIKE 2009 - THE MOVIE



Para quem não foi a Freiderichshafen (como eu) fica aqui a reportagem vídeo efectuada pelos "amigos del ciclismo"...

Eurobike es la feria de ciclismo más importante del mundo. Nosotros hemos estado allí, y en lugar de hacer un reportaje "al uso", con un listado de novedades exhaustivo, hemos preferido hacer una serie de vídeos de corta duración.

Estos vídeos están realizados de forma muy personal, como si tú mismo fueras con nosotros: llegamos al aeropuerto de salida, viajamos en avión, alquilamos un coche, tomamos carretera desde Zürich al Lago Constanza, atravesamos el lago en Ferry hasta Friedrichshafen...

Y por supuesto, también verás las novedades presentadas, pero desde un punto de vista diferente, quizá nos llamen la atención cosas distintas... ¿Empezamos...?

En la primera entrega, aparte de curiosas tomas del viaje a Eurobike, veremos imágenes de, entre otras, estas marcas: Formula, Alligator, Elmoto, Spiuk, Buff, Uvex, Look, Hope, Paco, Poc, MRP, Whyte, Yeti, Kraftstoff, Pinarello, Giant, Colnago, Orbea y Trek. 


VIDEO ONE



Amigosdelciclismo.com en Eurobike 2009 (Video 1 de 3) from Amigosdelciclismo on Vimeo.

VIDEO TWO



Amigosdelciclismo.com en Eurobike 2009 (Video 2 de 3) from Amigosdelciclismo on Vimeo.

VIDEO THREE


Amigosdelciclismo.com en Eurobike 2009 (Video 3 de 3) from Amigosdelciclismo on Vimeo.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

MAYOR DE LONDRES SALVA MULHER DE TENTATIVA DE ASSALTO


Boris Johnson cycling in London with a mobile phone, Britain - 05 Oct 2006



Dito deste modo questionaria-se qual a relação do exposto com ciclismo...

Acontece que, Boris Johnson, mayor da capital britânica é um ciclista quotidiano e utiliza a bicicleta regularmente.

Foi precisamente pedalando numa bicicleta que Boris deparou com a tentativa de assalto.

O resto dá-nos a conhecer o jornal "Guardian":

Boris Johnson saves woman from street attack

Boris Johnson rescued a woman from three "feral kids" who were wielding an iron bar, chasing them away on his bicycle, it emerged tonight.The mayor of London was cycling through Camden, north London, on Monday night when he answered the cry of Franny Armstrong, a documentary maker and environmental activist who was surrounded by a group of hoodie-clad young girls.
Johnson stopped and chased the girls down the street, calling them "oiks". He then returned to walk Armstrong home. "He was my knight on a shining bicycle," she said today.
Armstrong directed the film The Age of Stupid, and is the founder of the 10:10 campaign, which aims to cut 10% of carbon emissions in 2010 and has attracted support from leading firms and personalities.
"I was texting on my phone so didn't notice the girls until they pushed me against the car, quite hard," Armstrong said. "At first it was quite funny, because they were only about 12. Then I saw that one of them had an iron bar in her hand. It was more than a metre long. It was as big as her.
"Then along came a cyclist. And I thought, 'Good, he's a big bloke,' and shouted, 'Can you help me please?'
"He stopped and turned around and I thought, 'Oh, my God, it's Boris Johnson.'
"He asked the girls what was going on, and at first they didn't move, so I said, 'That's the mayor of London!' and they ran off. They must have thought they were going to get in trouble. One dropped the bar, so Boris picked it up and cycled after them. He returned a few minutes later and walked me home, and we talked about 10:10."
On her Twitter feed she described her attackers as "feral kids".
Armstrong admitted she did not agree with Johnson's politics, and had voted for his rival Ken Livingstone in the mayoral elections. But she added: "If you find yourself down a dark alleyway and in trouble, I think Boris would be of more use than Ken."
A spokeswoman for the mayor confirmed that he had intervened to help Armstrong, but declined to comment further.
Johnson is something of a magnet for action when out and about. Earlier this year, he was nearly hit by a speeding lorry while out on his bicycle scouting for locations for new cycle routes. And in July, he fell in a river in Lewisham, south-east London, while trying to help a clean-up operation.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

NEW STICKERS - OLD PHILOSOPHY

Conforme se pode verificar apliquei uns novos autocolantes no quadro Ti.

Deste modo a bicicleta ficou com a seguinte configuração:



As you can see in this pictures I put some new stickers in my Ti frame.

So the bicycle has now the following set: 




  • Frame - Ti XC Hardtail

  • Fork - Marzocchi Z4 2001 (with coil kit)

  • Wheels - Mavic Cross Land UST
  • Front Tire - Michelin  xcr dry 2 tubeless 26x2.00
  • Rear Tire - Wtb Mutano Raptor tubeless 26x2.10

  • Crankset - Shimano XT (22, 32, 44)
  • Bottom Bracket - Shimano Square Taper UN53
  • Chain -  SRAM 9 speed PC 971
  • Cassette - SRAM 9 speed PG 950 (11-32)
  • Pedals - Shimano M520 SPD
  • Rear Derailleur - Shimano LX
  • Front Derailleur - Shimano XT
  • Gear Shifters - Shimano LX rapid fire

  • Headset - Cane Creek S3 (standard) 
  • Stem - On-Off 100 mm. standard 25.4 alu.
  • Handlebar - On-Off XC semi-rise standard 25.4 alu.
  • Handlebar grips - Specialized

  • Front Brake - Shimano Deore Disc 160 mm.
  • Rear Brake -  Shimano LX V Brake

  • Seatpost - Acor alu. 27.2
  • Saddle - Selle Italia Flite Gel Flow (vanox rails)

  • Weight - 11.9 kgs.

domingo, 1 de novembro de 2009

THE CORK'S PARADISE





Serra de Grândola
95 kms.
1900 m. positive accumulated ascend 
15 kms./h. average speed

Raros conhecem a Serra de Grândola.

Todavia, os poucos eleitos, sabem que é, provavelmente, o sítio perfeito para o ciclismo de montanha.

Com uma elevação moderada, uma paisagem feérica, dominando a planura alentejana, uma flora baseada em Sobro, Esteva e Urze, solos xistosos e linhas de água abundantes conferem um cenário idílico para quase todos os sentidos: as cores, os sons e os cheiros acrescentam a superior qualidade aos locais percorridos.

A presença humana é rara e resume-se a dois ou três povoados, um punhado de pastores apascentando idêntico número de rebanhos caprinos e ovinos, mas também bovinos e suínos, domésticos e selvagens já que uma numerosa vara de javalis (sus scrofa scrofa) se afugentou à nossa passagem.

Foi este o desafio proposto para o passado sábado. Um circuito de 95 kms. com início e final em Grândola num dia climatericamente perfeito com um ritmo descontraído e um sobe e desce constante por entre o montado de sobro com a chegada a fazer-se ao pôr do sol.

Melhor que as palavras restam as imagens.



Rare people know the Grandola's Sierra.

However, those select few, know that is probably the perfect spot for the mountain biking.

With a moderate altitude, a magic landscape, overlooking the plains of Alentejo, a flora based on cork oak forest, esteva and heather, schist soils, abundant water lines giving an idyllic setting for almost all the senses: colours, sounds and scents adding an high quality standard to this site.

The human presence is rare and can be resumed in two or three villages, a handful of shepherds taking care on equal number of flocks with goats and sheeps but also cattle and pigs, domestic and wild as a large group of wild boar (
Sus scrofa scrofa) is running out with our presence.

This was the challenge last Saturday. A circuit of 95 kms. starting and ending in Grandola, with a perfect weather in a relaxed pace but with a permanent up and down through the cork oak forest with the arrival at dusk.

More than  words, the images remains.


sábado, 31 de outubro de 2009

A FLOWMETER, AT LAST!


O drama de transportar a água no reservatório da mochila tem os dias contados.

A Camelbak, finalmente, criou o flowmeter que promete avaliar, não só, a quantidade de água restante como a que já foi ingerida, como ainda á uma previsão temporal até ao esgotamento.

Agora, só falta mesmo a luz laranja de reserva.

Veja-se uma explicação em vídeo.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Grupo SRAM XX - QVID IVRIS?



Quem foi a Santarém, como quem foi a Friedrichafen, verificou que a tendência MTB para 2010 pode, grosso-modo resumir-se no seguinte:
  • predomínio do XC
  • predomínio dos hardtail e dos quadros em carbono
  • predomínio, nos topos de gama, do grupo XX da SRAM
É precisamente neste último item que me gostaria de debruçar.

A SRAM tem vindo, paulatinamente, a prosseguir uma estratégia de desafio ao poder da Shimano e, depois do Grupo XO que abanou a hegemonia nos topo de gama do XTR. Lançou o Grupo XX (pedaleira, cassete e desviadores) alterando o paradigma do tradicional 3 por 9 para 2 por 10 velocidades e elevando o patamar não só da qualidade como, também, a filosofia do pedalar em XC MTB equiparando-a, de algum modo, ao que já se verifica em estrada.

Tendo em consideração a resposta das principais marcas de bicicletas ao colocarem os respectivos topos de gama com este novo grupo e relegando a "segunda linha" para o XTR pergunta-se, pertinentemente, como reagirá a Shimano?

LEADVILLE TRAIL 100 MTB RACE, 2009 - Let's Look at the Trailer!

São pouco mais de cinco minutos de intenso deleite.

É o teaser de um documentário que cobre a mítica Leadville Trail 100 em BTT, versão 2009 e conta com a participação de atletas como Lance Armstrong ou Dave Wiens (hexa-vencedor).

Em HD, com uma qualidade fílmica soberba, só o teaser é suficiente para nos extasiar. Como será então com o documentário?

Assim recomendo vivamente subir o volume, ampliar a tela para ocupar a diagonal do vosso ecran (botão à direita do volume na tela you tube), sentarem-se confortavelmente e deixarem-se levar.

Vão ver que merece a pena!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

RAID BTTRALHOS TEAM - VERMOIL, POMBAL




Domingo, 25 de Outubro de 2009
51 kms., 1400 m. altitude acumulada positiva
Vermoil, Pombal


Domingo quebrei, de novo, a tradição de não participar em eventos organizados.

Tal como nas anteriores transgressões sem lugar a arrependimentos: a organização cumpriu, o percurso estava muito bem escolhido e balizado, o número de participantes era contido e a jornada acabaria por ser dura mas de elevada agradabilidade.

Curiosamente, a dúvida pré-competição, foi sobre se valeria a pena a deslocação de Coimbra a Vermoil "para pedalar durante apenas 50 kms.". Todavia estive perante 50 dos mais empenhados quilómetros de BTT que já conheci com um acumulado de 1.400 metros e um percurso ultra-trabalhoso alternando um traçado ao bom estilo de circuito XC por um piso de pinhal bastante pesado, com estradões rápidos pelos eucaliptais e ainda inesquecíveis troços florestais de puro "free-ride" a que nem sequer faltaram diversos slalons  por entre as árvores. Só visto!

Para a sensação de dureza não foi estranho o facto do ritmo diabólico dos primeiro kms. e a dificuldade prática de engrenar a cremalheira 22 em boa parte das subidas, cumpridas assim, a baixa rotação e em sobre-esforço.

No final, 64.ª posição entre 96 participantes o que, não sendo brilhante, está longe de poder ser considerado mau, ou sequer medíocre. Quem está em visível forma é o meu amigo Nuno Duarte que me acompanhou e que teve que baixar o seu ritmo para me levar na sua roda até final. É o que dá pedalar na alta roda do pelotão internacional BTT (Transrockies, Cape Epic ou Geo-Raid).

Fazendo votos para que a organização dos BTTralhos honre os seus pergaminhos e o bom nível manifestado durante a prova retirando todos os vestígios da mesma do ambiente natural.

FERRARIA DE SÃO JOÃO - CENTRO BTT DAS ALDEIAS DO XISTO



 Tive ocasião de visitar, no sábado passado, o Centro de BTT de Ferraria de São João, no concelho de Penela, integrado na rede das Aldeias do Xisto.

Fiz apenas um pequeno percurso BTT mas deu para constatar o enorme potencial da zona e da infra-estrutura.  Trata-se de uma rede de trilhos, balizados no terreno e classificados ao modo das pistas de ski, num crescendo de dificuldades da cor verde à cor negra em que a distância e a altimetria vão crescendo e agravando as dificuldades.

De igual modo os centros estão apetrechados com estacionamento, balneários, estação de serviço para bicicletas (lavagem, ar e mini-oficina) em regime de self-service a troco de singelas peças de metal cunhadas pelo Banco de Portugal.

Fica agendada, por enquanto "sine die", uma visita "a sério", leia-se para o " Ferraria - Gondramaz - S. Simão, com 75 kms. e a módica altimetria acumulada de 2775 m. e que passa nos dois outros centros BTT congéneres (Lousã e Gondramaz).

Veja-se o mapa completo dos centros e dos percursos aqui.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

FROM POLAND WITH LOVE



Do "lado de lá" da antiga Cortina de Ferro, conforme Churchill a descreveu, surgem cada vez mais novidades inesperadas.

Uma deles é este site polaco que alia as bicicletas ao universo feminino da elegância.

É, se quisermos, um modo de quebrar o mito do ciclismo como actividade transpirante e varonil, pelo menos como é percepcionada cá pela nossa "ocidental praia lusitana"...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

THE CHARMING TRIANGLE



Sábado, 17 de Outubro de 2009
Torres Novas, Ourém, Tomar, Torres Novas
95 kms., 2000 metros altitude acumulada positiva

photos by APRO

Hard and laborious 95 kms. where altimetry, although not exceed 2000 meters, seemed infinitely dense. Apart from this - or especially because of it - this raid was unforgettable.

A ideia era realizar um triângulo castelar entre as cidades de Torres Novas, Ourém, Tomar com o último vértice a corresponder ao regresso entre a nabantina e Torres Novas. À partida prometia: altimetria razoável, paisagens cársicas da Serra d'Aire e demais montanhas envolventes, alguns landmarks patrimoniais a garantirem planos fotográficos de qualidade sobretudo se iluminados pelo sol outonal de brilho intenso. Foi este o plano engendrado para o sábado passado e o facto de não ter companhia, em virtude de escusas várias, a demonstrar não ser mais que um leve pormenor já que, no final, o índice de satisfação foi elevado.

A saída deu-se no limite urbano NW de Torres Novas e começou logo com uma descendente vereda de antologia até às Lapas do Almonda que é uma típica aldeia junto ao rio Almonda (aqui devidamente represado) e integrada na urbe torrejana em virtude da sua expansão urbana. Daqui continuei em direcção à Serra d'Aire, num sobe e desce constante, a demonstrar que a incursão seria algo trabalhosa do ponto de vista físico. Internei-me então num estradão que corre para NE entre olivais com a particularidade de estar a decorrer a apanha da azeitona.



O BTT tem destas coisas - permite um contacto estreito com as actividades agrícolas. Assim, depois da vindima em Setembro agora, embora em fase algo temporã, a azeitona e a poda das oliveiras. Assim segui até Pedrógão onde flecti para N em direcção ao imponente maciço da Serra d'Aire e retomei a direcção nascente num cenário cársico puro com o calcário, a terra rossa e o carrasco como leitmotifs visual e pictórico. Transposto Alqueidão e alcançado o topo NE do maciço, perto do Pafarrão, cruzei a estrada que conduz a Fátima e continuei a subir por um estradão paralelo até à zona do Bairro e da Pedreira do Galinha, onde a imensa zoologia jurássica anda à solta, sob a forma de saurópodes empalhados que surpreendem um pouco por todo o lado.

Tinha terminada a primeira parte da incursão pois, do alto do Bairro já se avistava, ao longe, o castelo de Ourém. Foi tempo de rolar por alguns estradões rápidos com os pisos a variarem entre o bom e o mau cruzando uma pista de aviação e inúmeros parques eólicos. Cruzados um sem número de pequenos vales estava no sopé do castelo e parei uma primeira vez para restaurar as energias. Seguiu-se a ascensão a um local que desconhecia. Se a expectativa era grande a realidade esteve longe de defraudar. O castelo e o burgo amuralhado que alberga são pérolas bem escondidas e que só uma visita interessada pode revelar. As suas ruas são memoráveis e os 360º das vistas que alcança ficam na memória.



Começa a rápida descida em direcção à Vila Nova e a direcção de Tomar é agora o objectivo. Para isso tive de me internar num areal e, logo de seguida, num pinhal denso povoado de fitas amarelas de um qualquer passeio BTT onde o escrúpulo organizativo terminou no instante seguinte à passagem dos participantes pela meta. Sem embargo esta é uma zona muito técnica que, apesar de estar no interior de um pinhal, tem um elevado grau de satisfação. O pinhal de resto, iria acompanhar-me durante boa parte do caminho para Tomar, pelo menos até à zona de Alburritel onde, após a qual, se assiste ao maior logro ferroviário nacional com a estação de Fátima, na linha do norte, a meio caminho entre Ourém e Tomar mas escandalosamente longe do santuário.

Transposta mecanicamente a ferrovia, começo a rodar para SE já que o caminho nos havia conduzido a uma latitude superior à de Tomar e havia que recuar na graduação. Cruzado o incompleto IC9 rapidamente se ganhou o segundo landmark patrimonial do dia: o monumental Aqueduto dos Pegões que transportava a água em direcção ao Convento de Cristo. Primeiramente de modo tímido e depois de modo indelével ele surgiu aos meus olhos e com ele, por entre os seus arcos e pegões, se estabeleceu um curioso bailado de transposição num sentido e no outro. Destaque aqui, de novo pela negativa, aos incontáveis pedaços de fita plástica, resquícios evitáveis de uma má organização de um passeio BTT.

Num instante fiquei com a cidade de Tomar à vista mas onde não entrei tendo optado por um bypass que me fez ganhar tempo e poupar kms. rumando agora na direcção SW a caminho de Torres Novas. De novo se cruzaram pinhais imensos num rompe pernas permanente até se alcançar o Paço da Comenda onde fiz aguada já que o dia estava relativamente quente e o sobe e desce exigiu uma hidratação extra.



Um pouco mais adiante cruzei, de novo, a linha do norte e começou aqui uma nova etapa do percurso já que houve que subir o vale e, a partir da Bezelga de Cima, me empenhar num percurso cársico ascendente, perto de Assentiz, que me conduziu até descer, finalmente para a N349 e daí para os estupendos moinhos da Pena que podem ser considerados como uma nova landmark já que se erguem, majestosos e dominando o vento e a paisagem para SE. A partir daqui a descida surge rápida, por novos terrenos cársicos, assinalando, em paralelo, o ressurgimento das oliveiras alando o caminho e, em pouco tempo estava dentro do Pafarrão preparando a parte final até Torres Novas.

Agora o terreno é menos pedregoso, os vales prevalecem e é tempo de abordar a várzea do Alvorão e chegar, finalmente, a Torres Novas, com a equipa do Benfica ingressando no estádio municipal para defrontar o modesto Monsanto que, vítima do momento de forma dos encarnados haveria de ser sacrificada no altar da Taça por um sexteto sem reposta. C'est la vie!



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

NO MORE RUSH HOUR AT THE TRAIN FOR BICYCLES



Esta pode muito bem ser a solução para as restrições do transporte de bicicletas em ferrovia...

Pelo menos foi essa a solução que a cidade de Stuttgarg encontrou.

O resto da notícia pode ser encontrado aqui.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

ALENTEJO SHALL BE OUR AGAIN OR THE PERFECT RAID




Sábado, 10 de Outubro de 2009
125 kms.
2000 metros de altitude acumulada positiva
Photos APRO

Weather, track, distance and friendship, all together to perform the perfect raid!

Depois de incursões incontáveis na área saloia e oeste rumámos, desta vez, ao país alentejano. Não ao Alentejo profundo celebrizado nos idos 90, apenas ao que nos está mais próximo. A partir de Lisboa é um ápice enquanto se alcança Vendas Novas, a primeira encruzilhada da A6. Aí ao trem alfacinha (eu e Azurara) juntou-se uma dupla eborense de luxo (Cláudio Nogueira e Pedro Bilro) no estacionamento junto à estação ferroviária.

A conjugação do percurso, envolvente, espírito de camaradagem e meteorologia haveriam de tornar esta incursão muito próximo daquilo que se pode definir como o passeio perfeito.

A saída foi temporã já que se previam incontáveis milhas a pedalar. Havia que aproveitar a luz de um dia que se previa ensolarado e adequado ao BTT. As contas no final registaram 125 kms., 2000 metros de altitude acumulada e uma média superior a 17 kms./h. o que demonstra um dia pleno, apenas compatível ao grau de satisfação proporcionado.




Integrámo-nos, logo após a saída de Vendas Novas e a passagem inferior da A6, na chamada Serra da Cabrela (integrado na “Natura 2000”). Em bom rigor o pedaço de serra que transpusemos foi relativamente curto e correspondeu à passagem da ribeira de Safira que aqui corre num barranco profundo. Foi palco, aliás, do primeiro dos dois incidentes mecânicos do dia – uma corrente quebrada na máquina de Az e prontamente reparada com a aposição de um elo rápido numa operação simples, rápida e indolor para satisfação generalizada.

Após a subida, algo dolorosa, cruzámos diversas viaturas que, paradas numa clareira, acumulavam caçadores e uma montaria ao javali. Pouco depois, o segundo incidente com o pneu traseiro de PB, cuja parede lateral foi “mordida” por uma pedra aguçada. Aqui a operação de recuperação foi mais delicada já que, para além da incontornável câmara de ar, houve que recorrer ao manual McGiver e improvisar, com o troço de lixa que acompanha a singela botica dos remendos, um reforço que, a um tempo, impedisse o rasgo de aumentar e protegesse o tubo de furar. Tendo em contra que PB terminou sem que nada mais o importunasse, a referida operação, comandada pelo know-how experiente de CN, revelou-se de inteiro sucesso embora o referido pneumático tenha estruturalmente entregue a alma ao criador.

Após este local foi tempo de grandes rectas em estradão percorridas a uma velocidade estonteante e, após cruzarmos a Herdade dos Castelos, num ápice ganhámos a ferrovia  do Alentejo e atingimos a estação de Torre da Gadanha onde começa a fantástica Ecopista do Montado que, sobre o espaço canal do defunto Ramal de Montemor, liga, durante mais de uma dúzia de quilómetros, ao bonito Montemor-o-Novo. A primeira parte é frondosa e ligeiramente ascendente (até à antiga estação de Paião) e o troço final desce e percorre-se muito rapidamente até porque, parte dele, é pavimentado. A reter o número elevado de ciclistas com que nos cruzámos e a transposição da ponte metálica sobre o Almansor, impecavelmente recuperada, mesmo na chegada a Montemor perante a visão do seu castelo.

Tempo de restaurar energias uma vez que tinham passado quase 50 kms. Seguimos, em modo uphill urbano, até ao castelo que rodeámos por poente e daí, para nascente, em direcção à fantástica Serra de Monfurado (outro ponto da rede Natura 2000) cruzando estradas secundárias e estradões por novas paisagens de montado extraordinárias.

Entrámos então no terceiro concelho percorrido neste sábado – Évora. São Sebastião da Giesteira foi o ponto mais oriental desta nossa incursão e estivemos praticamente na zona do Cromeleque dos Almendres em terrenos percorridos pela versão 2009 da maratona de Évora disputada, por ali, duas semanas antes.

Nova paragem para repor os níveis de hidratante num lugarejo fantástico denominado Nossa Senhora da Boa Fé numa legítima tasca alentejana e num mágico processo de viagem no tempo que só o BTT consegue proporcionar. Passámos ainda por Casas Novas antes de percorrermos, por estrada, a distância até à zona das grutas do Escoural (paleolítico superior) onde cortámos para norte em direcção ao miolo da serra, subindo junto à antiga mina de ouro a céu aberto. A chegada ao típico Santiago de Escoural fez-se assim a descer em grande velocidade, cruzando depois as ruas da vila com as suas casas impecavelmente caiadas e as enormes chaminés que conheceram incontáveis fumeiros.

Daqui rolou-se sempre rápido até se alcançar de novo o troço final da ecopista do montado que percorremos, agora para sul, de regresso a Torre da Gadanha e aí invertemos o caminho efectuado de manhã. Numa pausa havida pelo caminho, aproveitámos para filosofar. Inevitavelmente a conversa recaiu nas conjuntura que nos rodeava - um dia de sol magnífico, em pleno mês de Outubro, uma paisagem de sonho que só o montado alentejano pode proporcionar e uma companhia impecável a demonstrarem como éramos criaturas de sorte.

Retomámos o caminho até um dado ponto em que se optou por uma abordagem diferente da passagem da ribeira de Safira. Idealmente queríamos facilitar o processo mas a alternativa acabou por se revelar ainda mais dura. De facto, a ribeira neste ponto corre ainda mais apertada num apertado barranco que até o sol tem dificuldade em penetrar. Ora, se a descida foi fantástica, a inevitável subida acabou por se revelar dura e extensa, mas é mesmo assim, todos o sabemos, as finas descidas implicam, sempre, subidas de incontornável empenhamento.

Retomada a estrada da Cabrela terminaram as grandes dificuldades e rolou-se tranquilamente até Vendas Novas ainda que, o esgotamento das reservas de água e alimento levaram a que, antes, a détente tenha sido antecipada numa vistosa pastelaria já que a sede e o apetite assumiam contornos quase selvagens. É que, neste regresso a Vendas Novas, as pernas registavam cerca de 125 kms.

O final correspondeu ao lusco-fusco a demonstrar que se aproveitou tudo aquilo que o dia perfeito nos quis proporcionar.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

WESTERN DUSK


Hard weekend: MTB Saturday and Sunday with more than 180 kms. in the south sea-shore of the Leiria district.
 
Foi um fim-de-semana intenso com cerca de 180 kms. percorridos, maioritariamente off-road.

No sábado, dia 3, foi tempo de percorrer a distância de 87 kms. entre a estação ferroviária das Caldas da Rainha e a cidade de Leiria. Percurso maioritariamente plano, bem reflectido na média final de 21 kms./h. ainda que sem forçar o ritmo porque, no dia seguinte, a quilometragem iria ser repetida.

E assim foi. No domingo, dia 4, 95 kms. e 2000 metros de acumulado num circuito a partir das Caldas da Rainha, parte bem conhecido (alguns dos caminhos percorridos no dia anterior), outros mal conhecidos (há muito não percorridos) e outros ainda desconhecidos de todo, alinhavados com base em tracks arquivados. Desta amálgama haveria de resultar uma incursão dura mas empolgante a terminar já após as 20:00 com a noite bem consolidada.

A saída deu-se pelas 11:15 por causa do horário do comboio. A partir daqui seguimos para SE e passamos junto ao lago da barragem de Arnóia. O caminho habitual, marcado no track que dispúnhamos, não permitia a sua passagem. Fizemos diversas tentativas de passagem do vale num dos braços da albufeira que implicaram outros tantos retornos arfantes ao estradão. Tivemos de seguir até aos Casais da Gracieira, descer por um estradão recém-asfaltado para o profundo vale e tornar a subi-lo arduamente.

A partir daqui desceu-se até Óbidos onde não chegámos a penetrar para que não se acumulasse o atraso. Contornámos o pano da muralha por E/NE e seguimos até Arelho onde restaurámos as energias no snack-bar Neptuno. Depois o clássico “tour” da Lagoa, a subida ao Nadadouro e a dura ascensão pelos escorregadio “tout-venant”, até à Serra do Bouro e daí a Salir do Porto.

A travessia do passadiço, com sol, é sempre um momento agradável, bem como a entrada e a passagem em São Martinho pela ciclovia. Seguiu-se a ascensão ao miradouro para contemplar o sol na baía e impressionar uns jpg's.



Seguimos colina acima para o alto da serra da pesqueira para o momento do dia – a descida à Praia dos Salgados. Trata-se de uma das veredas do “top-ten” nacional. Longa e estreita com o mar por companhia a ser servida bem lenta para evitar a queda. No final a satisfação apesar desta desgraduação de cota necessitar de ser cobrada mais adiante com a subida ao Casal Mota, o mesmo será dizer, de novo até à Serra de Pesqueira (que aqui se chama Serra de Famalicão). Seguimos pelo tardoz da duna dos Salgados ainda que, na sua primeira parte, empurrando a bicicleta pela areia embora, bem escolhido o trajecto, isso se resuma a breves metros. Chegados à estrada, já bem perto da Nazaré, subimos então, de novo “lá acima” e percorremos a vertente nascente da serra até Famalicão.

Na povoação, nova pausa para alterar a configuração. De facto, estávamos a três quartos de hora do pôr-do-sol e havia que proceder a alguns ajustes – montar a luminária dianteira e traseira e cambiar as lentes de sol para a transparência integral.

Assim seguimos, cruzando a linha do Oeste e aproximando-nos da A8 que cruzámos. Então o “golpe de teatro” - baseados numa intuição optámos por subir a encosta procurando apanhar o track no planalto e evitar descer para tornar a subir. Esta alteração táctica mostrou, na prática, ser um erro. Por um lado a subida que, inicialmente, era “relativamente suave” ,nas palavras cândidas de um dos participantes, tornou-se desumanamente íngreme obrigando a transpor um corta fogo no meio de um eucalipatal empurrando a bicicleta num piso escorregadio e muito desnivelado. Como se não bastasse chegámos, poucos quilómetros volvidos ao limite do planalto e deparámos com o chocante vale da ribeira de Alfeizerão que é uma espécie de “grand canyon” à portuguesa. Choque e pavor – havia que descer “aquilo” retomar o caminho da A8, cruzar a ribeira já em Alfezeirão, carrilar no track e subir de novo até lá acima, desta vez do outro lado do vale e com a noite a fazer a sua aparição.

Seguimos via Salir de Matos até às Caldas da Rainha com a noite já consolidada, valeu o “kit luminoso



quinta-feira, 8 de outubro de 2009

SEE YOU, SEE ME!


No  domingo passado a incursão pela zona das Caldas da Rainha começou mais tarde e, consequentemente, acabou depois do pôr-do-sol. Assim foi necessário adoptar a “configuração nocturna", constituída pelas lentes transparentes integrais, mini tiras reflectoras dos raios das rodas, luz Sigma Triled e triplo led traseiro.

O respectivo teste prático e por força das circunstâncias, que durou mais de hora hora nocturna, foi concluído com sucesso seja do ponto de vista do “ver” como do “ser visto”:

  • lentes transparentes brancas – permitem uma visão integral tal como se não usássemos óculos não filtrando a luz e adequadas portanto ao ambiente nocturno.
  • mini-tiras 3M para os raios - iluminam-se com o reflexo das luzes e permitem sermos vistos lateralmente o que, normalmente, é descurado por muita gente.
  • luz vermelha traseira - em formato de rim com três led's e que deu perfeitamente conta do recado e permitiu ser visto sem problemas. Normalmente usa-se em modo intermitente já que se torna mais visível. Todavia deve, em zonas muito escuras e se somos seguidos por outro ciclista, ser mudado para o modo contínuo para não o encadear. Usa duas pilhas AAA que, no meu caso, são alcalinas, já tem uma longa duração (as recarregáveis perdem a carga muito depressa e implicam uma recarga periódica).
  • Sigma Triled – frontal de três leds, em modo intermitente, perante o trânsito para sermos vistos e fixo, em zonas escuras, permitindo iluminar o caminho minimamente e prosseguir sem problemas. Inclusivamente uma viatura que se preparava para iniciar a ultrapassagem, abortou a manobra ao encarar a uma distância relativamente longa a luz frontal a piscar, sinal da validade do aparato luminoso. Funciona com três pilhas AA.
Trata-se de material muito leve de transportar e que faz parte do trem que sempre levo para qualquer incursão no fundo da mochila. Como diz o povo - quem vai para o mar avia-se em terra. Pode fazer toda a diferença.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"ARRUDA" - THE MOVIE

Greetings to Frederico Nunes for the excelent video clip.

Please pay attention to the frames at minute 09:47 with my special appearance.


terça-feira, 29 de setembro de 2009

TO CAESAR WHAT IS CAESAR'S



Arruda dos Vinhos – Sobreiro Curvo – Santa Cruz – Torres Vedras – Dois Portos – Arruda dos Vinhos 108 kms. 2120 metros de altimetria acumulada positiva. 27 de Setembro de 2009

From Arruda to the Atlantic crossing the vineyards valleys. More than one hundred kilometres with the company of a lovely sunshine.

De novo com início na vínica Arruda respondemos ao desafio do César Arruda para a versão 2009 do “Arruda – Atlântico”. Ainda assim, como era dia de eleições, não sem antes passar - logo às 08:00 - pela mesa de voto para depositar o sufrágio.

Relativamente às incursões das semanas anteriores a diferença consistia numa menor altimetria total embora com uma quilometragem mais extensa. O facto de ser uma "desorganização organizada" a colocar cerca de três dezenas de criaturas e respectivas bicicletas no terreno (estimativa grosseira). É incrível verificar como muitos betetistas avançam para enfrentar mais de cem quilómetros por montes e vales - alguns apenas comparecem com um singelo bidão – audaces fortuna juvat...

O dia amanheceu “neblinado” enquanto o sol não rompeu essa adversidade, ainda assim, as fortes ascensões iniciais fizeram-se sem calor o que até se tornou conveniente ainda que as objectivas fotográficas não apreciem tais condições de luminosidade já que, das mesmas, não arrancam todo o esplendor cromático que as paisagens percorridas proporcionam.



O gráfico de altimetria era curioso: fortes desníveis iniciais, correspondentes à saída do vale arrudense e a transposição da serra Galega, seguidos de terrenos relativamente planos até à costa e daí até à zona de Dois Portos onde se seguia uma forte ascensão até à descida para Monfalim e Arruda. As subidas eram violentas e estavam, assim, concentradas no início e no final, ou seja, nos piores momentos: quando se começa e ainda “não apetece” e quando acaba e as frescura já lá vai.

Ainda assim foi uma incursão extraordinária. Como que por milagre, após o primeiro par de duras subidas, o sol venceu a neblina e os vales saloios desnudaram-se na sua plenitude, até porque começavam agora também algumas descidas. Numa delas o excesso de entusiasmo ia levando ao desequilíbrio, valeu alguma experiência e alguns golpes de rins, por isso, fijate: nunca roles muito depressa por declives que desconheces. A partir daqui, tendo bem presente este motto, não mais surgiu qualquer problema do tipo.

Por aí fomos, subindo e descendo por terras com toponímias inusitadas como Gataria, Casais da Cruz do Vento, Soeiro Cunhado, Corujeira ou Curvel. Em todos os locais e vales um denominador comum - as vinhas e as vindimas em estádios diferentes e o aroma a mosto no ar.

Agora era tempo de cruzar transversalmente a Serra Galega e de abordar a descida insana de um aceiro inclinadissimo até ao Monte Redondo. Aqui os madeireiros fizeram das suas e o caminho ficou subjugado perante dezenas de troncos de eucalipto a obrigarem à sua transposição com passos de gigante e com a bicicleta ao ombro. Lá se seguiu, pelo meio de pinhais e eucaliptais, a velocidades elevadas, cruzando-se, pela primeira vez, os carris da linha do oeste e prosseguindo em direcção ao nó da A8 e onde alcançámos um grupo de ciclistas e com eles prosseguimos durante breves milhas. O incidente do dia aconteceu com um deles numa descida do eucaliptal que provocou um contacto de terceiro grau com o terreno, todavia sem consequências de maior.

Ainda mais pinhal e eucaliptal embora com uma descida divertida num areeiro descampado, a chegada ao vale do Alcabrichel e a rolagem rápida em estradão até A-dos-Cunhados e pela estrada nacional pelo meio do Sobreiro Curvo, o que foi do desagrado generalizado, até porque existia uma alternativa mais interessante do que partilhar o estreito asfalto com um trânsito algo denso.


Chegámos, então, à zona dos casais e começa-se a ascender para cruzar a portela que nos deixará no topo da da ravina sobre o Alcabrichel que está está quase na sua foz. O troço do Casal do Além ao Casal da Portela mostrou-se particularmente violento mas, ainda assim, levou-se de vencida com um sorriso nos lábios. A partir daí a tradicional descida para o vale e a zona termal se bem que efectuada por um trilho distinto do habitual e bastante marcado pela erosão obrigando a um desmontar permanente.

Após a chegada ao buvete decidimos continuar pela estrada portajada acompanhando as curvas caprichosas do Alcabrichel prestes a entregar-se no Atlântico pelo meio de uma paisagem cársica inesquecível aqui já descrita anteriormente. Depois seguiu-se rotina habitual: Porto Novo e Santa Rita pela ciclovia, saída para o alto das arribas e o típico playground até Santa Cruz.

Tempo de restauração no local sugerido, isto é, no restaurante da Praia do Navio que, em virtude do dia de verão, parecia uma cidadela recém tomada pelos bárbaros. Ainda assim o serviço ao balcão funcionou de modo impecável. Enquanto aguardava pelo prego no pão a fome instintiva era agravada pelo magnífico puré de legumes que uma “criancinha amorosa” se recusava a ingerir apesar do voluntarismo maternal que mecanicamente lhe franqueava colheres pela boca semi-cerrada. Felizmente o pedido surgiu com rapidez...

Prosseguimos e, em Santa Cruz, junto a uma churrasqueira descobrimos porque é que, das hordas de clientes do restaurante referido anteriormente, não constavam ciclistas: estavam quase todos aqui, mesmo os do “staff” arrudense...

De Santa Cruz a Torres Vedras avança-se ao ritmo da poeirenta ecovia do Sizandro. Como já tínhamos tido a sua experiência recente optámos por a percorrer o mais rapidamente possível já que a rígida “postura de estrada” a que nos obriga a causar elevado stress físico até porque se espraia por bem mais de uma dúzia de quilómetros.

Chegamos então a Torres Vedras onde atravessámos, praticamente, todos os sentidos proibidos até à Estação Ferroviária e daí pelo trilho do canavial junto ao Sizandro que conduz às termas dos Cucos. Aí fizemos uma pausa para restaurar energias e seguimos cruzando a linha do Oeste e a A8 subindo o curso do Sizandro suavemente pelo vale, bem encaixado nos montes repleto de vinhas.

O reinício das hostilidades fez-se após a passagem por Dois Portos numa rampa asfaltada que ascendia desumanamente até ao cemitério, daí saímos do asfalto em direcção ao santuário da Senhora dos Milagres sobranceiro ao Sobral de Monte Agraço. Foi tempo de uma pausa fotográfica até porque a luz da tarde que já ia alta a convidar à placidez. A partir daqui foi sempre a descer até à Arruda onde chegámos por volta das 17:45.