Apesar de já o ter comprado há algumas semanas só no passado fim-de-semana tive oportunidade de experimentar o atrelado Extrawheelna zona de Évora.
Estava com algum receio do peso extra e do desequilíbrio da bicicleta. Nada disso aconteceu. Pelo contrário, por mais de uma vez tive de olhar para trás para confirmar que o atrelado ainda ali estava.
O comportamento em TT é irrepreensível: onde a bicicleta passar o atrelado segue igualmente, sem compromissos. Apenas nas subidas técnicas e íngremes o peso extra pode fazer a diferença entre desmontar ou seguir a pedalar. A inércia pode ficar ligeiramente afectada com o peso mas, tal facto, é quase imperceptível
A velocidades elevadas (> 40 kms./h.) o acto de pedalar de pé pode desequilibrar o atrelado. De facto quem seguia atrás, por duas vezes, reportou o atravessamento lateral do atrelado embora, lá à frente, quase nada se sentisse - apenas um leve desequilíbrio compensado com leves contra-brecagens de guiador.
O melhor mesmo é sermos o centro das atenções e das objectivas fotográficas como aconteceu no centro histórico de Évora no domingo passado. Só visto!
Também em Espanha deu para constatar que a grande aventura BTT por aqui é a Nissan Titan Desert e que teve lugar de 3 a 7 de Maio com direito a programa televisivo na TVE em horário nobre e com a participação de antigos nomes sonantes do ciclismo de estrada como sejam Abraham Olano, Melcior Mauri ou Roberto Heras que foi, aliás, o vencedor desta edição 2010.
A prova, como o nome indica, decorreu no deserto marroquino ao longo de cinco etapas que ligam Madrid a Ouarzazate num total de 470 kms. entre rápidas pistas e as temíveis montanhas do Atlas marroquino.
Let's look at the trailer! (miren usteds el trailer)
Estive em Madrid na semana passada e deu para comprovar que o Xacobeu 2010 está presente em todo o lado.
A nível do comércio o El Corte Inglês, por exemplo, tem uma área considerável com publicações, material de caminhada, campismo e ciclismo dedicada só ao tema.
Por isso não admira que, neste ano, chegar a Santiago, seja um processo complicado tal a adesão à peregrinação.
Já aqui referi que David Cameron, leader dos Tories está longe de ser um político convencional.
De facto ele é um utilizador de bicicleta.
Ora, numa altura em que os conservadores foram o partido mais votado nas eleições de anteontem no Reino Unido e David está em vias de se tornar Prime-Minister de Sua Majestade tal facto merece todo o relevo.
Independentemente das convicções políticas de cada um é de saudar que, um dos nossos, isto é, um utilizador de bicicleta possa chegar a um cargo de responsabilidade política tão elevada como o de presidir ao governo britânico.
Os britânicos têm vindo, de modo paulatino, mas consistente, a implementar o uso da bicicleta. Também já aqui relatei dois factos relevantes e sintomáticos disso: o mayor londrino Boris Johnson que é, também ele, utilizador de bicicleta e o do embaixador do Reino Unido em Lisboa, Alexander Ellis, que se desloca diariamente até à embaixada em BTT e que foi merecedor do Prémio Nacional de Mobilidade 2009 da FPCUB.
Well done David! Keep riding, this time to 10, Downing Street!
"A etapa sete da Transportugal foi a mais fácil corrida até ao momento, e provavelmente a mais fácil desta edição. O percurso de 107 km de distância entre Évora e Albernoa tornou-se muito acessível para os atletas que vêm habituados às maiores dificuldades de Portugal, o que fez com que os mais rápidos completassem a etapa em pouco mais de 3h:30m, conseguindo uma média horária superior a 30 km/h, a maior média de sempre na Transportugal GARMIN."
David Byrne é um conhecido músico, fundador e membro da banda Talking Heads. Essa é a sua faceta mais conhecida já que, David, é também um ciclista militante na cidade onde vive, New York.
"I've been riding a bicycle as my principal means of transportation in New York since the early 198os. I tentatively gave it a try, and it felt good even here in New York. I felt energized and liberated. I had an old three-speed leftover from my childhood in the Baltimore suburbs, and for New York that's pretty much all you need."
A revista Ípsilon, suplemento do jornal Público entrevista-o a propósito do lançamento do livro Bicycle Diaries. ...
Observador da vida contemporânea, David Byrne revela-nos o seu olhar apaixonado sobre a vida das cidades no livro "Diários de Bicicleta". Ao mesmo tempo que lança o álbum "Here Love Lies", na companhia de Fatboy Slim
Há um livro, "Diários de Bicicleta", e um disco a meias com Fatboy Slim, "Here Lies Love", sobre a vida de Imelda Marcos. De David Byrne habituámo-nos a esperar o inesperado. Mas desta vez foi longe. Ou não. Porque se existe algo que define o músico, o fotógrafo, o escritor, o realizador ou o artista é essa capacidade de se abrir ao mundo e partilhar o seu conhecimento das mais diversas formas - com perplexidade ou ironia, mas sempre com curiosidade. Em Novembro, Byrne e a companheira, a artista Cindy Sherman, estiveram no júri do Estoril Film Festival. Foi ali que falámos com ele.
Já deu o seu passeio matinal de bicicleta?
Sim, mas foi um pequeno passeio, apenas para desentorpecer as pernas. Dei uma grande volta, até Sintra. Não sou militante da bicicleta. Não é nada disso. Essencialmente gosto de andar de bicicleta porque é prático e agradável. Mas não tenho tido muito tempo, entre ver filmes e dar entrevistas.
A percepção dos lugares transforma-se circulando de bicicleta. Isso agrada-lhe?
Sim. Para coisas mais práticas e quotidianas é preferível a bicicleta a andar a pé. Se temos que apanhar um táxi ou um autocarro a viagem transforma-se numa outra coisa: perde a dimensão humana, bairrista. De bicicleta, parece que nunca saímos do nosso bairro.
O livro chama-se "Diários de Bicicleta", mas não é sobre ciclismo. É sobre a forma como olha para as cidades.
É verdade. Mas só tive essa percepção quando comecei a compilar todos os textos que tinha reunido. A princípio era apenas um diário que mantive durante 15 anos. Quando andava em digressão, levava sempre uma bicicleta e acabava por explorar as cidades dessa forma. O mesmo acontece em Nova Iorque onde utilizo quase diariamente a bicicleta, mesmo à noite quando vou a uma inauguração ou a um concerto. Mas o diário foi sendo actualizado, essencialmente, durante as viagens. Quando olhei retrospectivamente para a maior parte dos textos percebi que o ciclismo lúdico poderia servir de elemento de ligação dessas reflexões sobre as cidades. Algumas estão carregadas de história. Outras são lugares imersos em cenas musicais. Noutras é a arte contemporânea que é efervescente. Cada cidade tem a sua identidade e comecei a interrogar-me sobre os seus erros e também o que as faz funcionar de forma saudável.
E o que é que faz uma cidade funcionar?
É uma questão difícil... [risos]. Não creio que exista uma resposta. Diria que em comparação com as cidades americanas, as cidades na Europa estão mais preparadas para o futuro. Têm centros históricos densos, compactos do ponto de vista populacional. Urbanisticamente também me parecem pensadas de forma mais dinâmica e humana, com bairros onde se pode circular a pé ou de bicicleta. As cidades são sítios onde se trocam ideias, mas onde nos podemos permitir falhar também. São locais onde podemos escolher ser quem somos. Por exemplo, uma cidade como Berlim parece funcionar bem. É daquelas cidades onde as transformações operadas melhoraram a cidade, não a aviltaram, o que não é muito comum. É uma grande cidade, mas possui uma escala humana. É surpreendente como funciona muito bem.
Qual é a cidade ideal para um ciclista?
Também não existe um modelo. Se existirem ciclovias para bicicletas, isso é excelente. É importante que os condutores de carros saibam interagir com os ciclistas. Roma, por exemplo, é uma cidade caótica em termos de circulação automóvel, mas magnífica para andar de bicicleta. Nova Iorque, nos anos 80 e 90, era completamente anti-bicicletas. Depois, aos poucos, o panorama foi mudando. O clima é importante também. Uma temperatura constante faz com que exista mais disponibilidade para pedalar. Lisboa tem isso.
Mas Lisboa, topograficamente, é uma cidade difícil.
Não sinto isso, pelo menos no centro, onde parece ser uma cidade amigável para quem quer ir para o emprego a pé ou de bicicleta. Talvez a bicicleta não faça parte, ainda, da rotina das pessoas, mas tenho dúvidas que o problema seja o relevo acidentado. É antes uma questão civilizacional. De aposta na qualidade de vida de cada um.
Muitas cidades americanas não têm altos e baixos pronunciados, mas temos outros problemas mais graves. É uma sociedade de auto-estradas, totalmente pensada para os carros. Os carros são maravilhosos, mas parece-me que dominam as cidades há demasiado tempo.
Há quem defenda que a derrapagem do preço do petróleo e a crise financeira global apenas vieram mostrar que o estilo de vida ocidental terá que mudar radicalmente. Revê-se nessas teorias?
Totalmente. E isso vai acontecer mais rapidamente do que esperamos. Nos EUA estamos finalmente a discutir com seriedade o problema dos subúrbios, inteiramente imaginados para o carro. Temos que nos aproximar uns dos outros. Os carros e os subúrbios afastam.
Numa das passagens do livro transcreve um passeio de bicicleta por Detroit e o que nos devolve é desolador.
Detroit é um exemplo extremo, aquele de que todas as pessoas falam: é a "cidade-fantasma". Mas neste momento existem outras cidades bem mais bizarras. Os subúrbios têm qualquer coisa de mórbido. Em Phoenix ou em algumas cidades da Flórida, onde a especulação imobiliária foi conduzida ao extremo, vemos famílias inteiras endividadas a regressarem às cidades. O sonho da casa no subúrbio, com jardim e carro estacionado à frente, está a ruir. O centro de Detroit, dentro de 20 anos, poderá ser uma quinta gigante, o que não é mau de todo... [risos]. Mas muitas outras cidades americanas serão "cidades-fantasmas" em 20 anos.
A música, a arte e a cultura em geral estão intimamente ligadas ao desenvolvimento e dinâmica das cidades. Em Nova Iorque, nos anos 70, quando os Talking Heads surgiram, falava-se imenso de Manhattan. Agora parece ser Brooklyn, o bairro onde tudo parece acontecer nas artes e na música.
Sim. Passo o tempo a assistir a concertos ou performances em Brooklyn. Os restaurantes também são óptimos. Mas a maior parte das galerias estão a mudar-se para Manhattan, de maneira que vamos recuperar o encanto perdido outra vez... [risos]. Essas dinâmicas são interessantes, claro, dinamizam a vida da cidade. Brooklyn já está a ficar caro, por isso, muito rapidamente outro local nascerá para albergar artistas, músicos e boémios. Não é nenhum drama. É um processo normal.
As cidades são mais reconhecidas por essas "cenas", que irrompem com espontaneidade, do que pela cultura mais institucionalizada, não lhe parece?
Absolutamente. Não é pelo facto de uma cidade ter uma "pera, uma orquestra sinfónica ou uma série de monumentos que nos vamos lembrar dela. Mas se tiver uma "cena" artística vibrante e uma vida cultural que estimule, isso fará a diferença. Não só para as pessoas que vivem nesse local, como para quem vem de fora. Não basta construir apartamentos e estradas. É preciso criar estímulos criativos. E nisso a cultura é fundamental. É necessário que as cidades sejam locais onde apetece viver, onde nos sintamos inspirados, onde tenhamos a experiência de criar, sejamos artistas ou homens de negócios.
Quando chega a uma cidade tem objectivos, uma lista de coisas do que quer fazer e dos locais que deseja visitar, ou deixa-se ir?
Gosto de me perder, mas não muito... [risos]. Gosto da vida orgânica, no sentido em que privilegio os cafés, as pequenas lojas e os mercados. É a partir daí que apreendo um pouco da pulsação da cidade, falando com as pessoas. É na rua que está a inspiração. Olhar para as pessoas, os gestos, o que dizem, tentar percebê-las.
No livro, diz que uma das suas cidades preferidas é Nova Orleães. Outra é Nova Iorque. Duas metrópoles que passaram, nos últimos anos, por acontecimentos traumatizantes. Já superaram?
Não arrisco uma resposta definitiva, mas diria que o facto de serem cidades com uma identidade bem definida, ajudou-as a superar as dificuldades de forma mais rápida. A maior parte das cidades americanas são imitações umas das outras. Essas duas não. Portland e São Francisco também possuem identidade. Há um temperamento nas pessoas e nos lugares muito forte. Há uma estrutura. Qualquer coisa que lhes permite reerguer, mesmo nos momentos mais complicados. E são também cidades de música.
Fala com alguma veneração da Europa. Nasceu na Escócia, mas cresceu nos EUA. Sente-se europeu?
Não sei. Gosto dos EUA, mas também gosto de manter distância. Às vezes sinto-me um pouco estrangeiro. Numa série de áreas - transportes, saúde, cultura, urbanismo - os europeus tomaram uma série de medidas que gostava que os americanos seguissem. Os europeus são mais maduros, nesse sentido.
Falando agora de música. Algumas das bandas mais relevantes dos últimos anos, como Arcade Fire, Dirty Projectors ou Vampire Weekend, citam os Talking Heads como grande influência. Como reage a essa veneração?
É surpreendente. Durante muitos anos, talvez parte da década de 90 e princípio dos anos 00, ninguém ligou muito aos Talking Heads. Enfim, estas coisas nem sempre têm uma lógica precisa, mas pensei que a termos alguma influência sobre o futuro da música popular isso já teria acontecido. Acontecer agora é lisonjeador, mas também muito inesperado.
O facto de terem criado uma música simultaneamente meditativa e física, que ia recolher referências às mais diversas partes do mundo, terá algo a ver com isso?
Talvez. Não sei muito bem. O problema é quando essas vagas de inspiração apenas se alimentam da nostalgia. Não tenho paciência para isso. No caso dos grupos que mencionou não é isso que se passa, são dos grupos que sigo com atenção. Mas neles os Talking Heads são apenas uma influência no meio de outras.
Imagino que já tenham sido aliciados para um regresso?
Sim, mas é algo que não me interessa. Os meus discos não vendem tanto como os dos Talking Heads, mas não é por aí. Criativamente estou noutro ponto e é isso que me interessa.
Acabou um projecto com Fatboy Slim sobre a vida de Imelda Marcos. Como é que se foi meter nisso?
Diz bem... [risos]. É um projecto meio louco, que demorou muito mais do que o previsto, uma espécie de "disco-ópera" com mais de vinte convidados, como St. Vincent, Róisin Murphy, Sharon Jones, Tori Amos, Santigold ou Natalie Merchant.
Qual foi o critério na escolha de todas essas cantoras?
Algumas são simplesmente amigas, as outras eram cantoras de que gostava e que encaixavam em determinadas canções.
Essencialmente é um disco de música de dança, com alguma exuberância pelo meio. É um disco emocional e dramático, como a própria Imelda Marcos... [risos]. É possível que venha a ser apresentado um musical em Nova Iorque, numa pequena sala, mas ainda não é certo.
Digamos que Fatboy Slim não é propriamente Brian Eno...
Muita gente diz o mesmo. Mas isso também é interessante. O método de trabalho não foi muito diferente daquele que utilizaria com Brian Eno. No fim de contas, trata-se de trocar ficheiros musicais durante meses, recorrendo a "samples" e "loops", até criarmos uma canção. O que importa é a ideia que se quer transmitir e em função dela escolhem-se os sons e as vozes e, nesse processo de negociação, foi óptimo trabalhar com alguém como Fatboy Slim.
Dia 28 de Agosto de 2009 - Quase Santiago a Santiago Compostela
Pensei muito nestes últimos 4,600 mtrs e no que me poderia acontecer. Normalmente quando estamos a chegar é quando acontecem as coisas mais estúpidas por isso, disse para mim que iria redobrar ainda mais os meus cuidados, não seria este ultimo esforço que iria deitar tudo por agua abaixo. Sabia que pela minha frente ainda tinha uma ultima subida bem inclinada á chegada ao hospital.
Assim fiz, com uma prudência incrível. Parava em tudo o que me podia ser minimamente perigoso, pois desde este ponto onde se vê as torres sineiras é sempre a descer por um single track com alguns pontos traiçoeiros. Chego então ao alcatrão para a derradeira subida. Olho em redor para que pudesse prosseguir em segurança nas rotundas e cruzamento. Faço a progressão da subida lentamente com todos os dentes que tinha na cassete e ainda emprestei alguns meus. São cerca de 600 metros esta subida mas com uma inclinação acentuada e ainda por cima com carros a passarem ao meu lado. Nisto, um galego já dos seus 70 e muitos anos vê o meu esforço e incentiva-me para o final da subida. “BAI PELLEGRINO, BALLÉ” e que realmente dá um alento saber que alguém ali ao lado nos dá aquele pequeno empurrão.
As minhas “rotações” já iam altas, até que chego mesmo ao cimo, o telefone toca, como quem diz “ agora espera e atende”.
Arfava por todos os lados mas lá consegui atender o telefonema á minha prima mais velha “querida” e que também me acompanhou aqui no fórum. Não sei se ela me percebeu o que disse mas que estava radiante estava por ter conseguido chegar a Santiago.
Entro nas ruas movimentadas de Compostela.
Passo pela Porta da Faxeira que dá acesso á rua do Franco onde o fervilhar de peregrinos e forasteiros circulam nas rua entre tasquinhas e restaurantes com tapas de encher o olho e, com um olhar de admiração de quem passa com as suas mochilas ás costas. Eu calmamente circulo no meio já com o coração a bater forte da chegada até que desmonto da “Marina”, tiro o capacete em sinal de respeito e entro na Praça do Obradoiro praticamente vazia. “Como é possível, a praça só para mim!!!!”
Pedi a um peregrino que tirasse uma fotografia e depois de alguma conversa apercebendo-se que eu gostaria de estar comigo mesmo deixou-me simpaticamente com um sorriso e dando-me os parabéns.
Sentei-me no chão com a “Marina” ao meu lado a observar tão imponente Catedral e a passar tudo pela minha cabeça agarrado á minha bonita mascote “A Princesa Kika”, ao meu terço e á vieira, que foram sempre as três inseparáveis companheiras e a relembrar de todos os momentos que vivi nesta viagem. Confesso que me emocionei e lágrimas caíram de tão forte aquele momento foi. È indescritível. Só quem passa e lá está poderá avaliar um momento assim.
Mas tinha que reagir e assim levantei-me e olhando á minha volta reparei então que a praça se encheu de mais peregrinos que chegavam e que se abraçavam uns aos outros sinal de terem conseguido chegar de tão longe, demonstrando contentamento, correndo-lhes sempre lágrimas de emoção e de alegria
Dirigi-me então para a Oficina do Peregrino afim de tratar da Compostela.
Estava eu a estacionar a “ Mariana” quando olho para o lado e vejo 3 peregrinos portugueses eles também eufóricos por terem terminado também a sua epopeia. Meti conversa com um deles ( João Galvão – Nez ) e logo ali fiquei a saber que tinham terminado 1.100 kms da Via da Prata.
Cumprimentei os restantes companheiros (César Nunes e Ricardo Rosa – Zebroclinas) desejando-lhe os parabéns e comentei que eu tinha finalizado o meu Caminho desde Lisboa.
Logo ali me disseram para os acompanhar até á Praça do Obradoiro para as fotografias da praxe o que me alegrou imenso pois o acolhimento por eles foi fabuloso.
Depois das ditas fotografias tiradas lá fomos novamente para a Oficina do Peregrino agora sim, tratar das Compostelas enquanto que o João e o Ricardo foram tratar dos souvenirs.
Eu e o César mantivemos longa conversa sobre os nossos Caminhos.
Depois foi o alojamento que logo eles me disseram para os acompanhar até ao Seminário Menor (que de menor não tem nada) que foi transformado em hostal de peregrinos onde estavam cerca de 700 peregrinos alojados. Logo depois fomos ao já conhecido restaurante dos peregrinos “ Manolo” para a degustação dum reconfortante jantar e aqui se deu o insólito da situação.
Estávamos nós a rilhar as costelinhas quando eu disse que pertencia ao ForumBtt e que por brincadeira tinha colocado um tópico da minha viagem. Logo o Zebroclinas que estava á minha frente olha para mim, com uma costelinha no canto da boca, diz “ mas nós também pertencemos, quem és tu?” digo eu “ sou o Miguel Sampaio o K2 e que se despede sempre com 1 abraço e um Queijo da Serra, então porquê! “ é que eu sou o da Saudinha da Boa, e tenho o tópico O Céu como limite “ e logo o João diz “ e eu sou o Nez”.
Bem meus caros, depois disto foi gargalhada geral e os comentários que se geraram.
Agora digam-me, como é que nós que já nos tínhamos teclado aqui no fórum, não nos conhecíamos de lado nenhum, desejamos Bom Camino, não combinamos absolutamente nada, nunca nos falamos, eu saindo de Lisboa, eles de Sevilha e naquele jantar ficamo-nos a conhecer. Como isto é possível !!!!!!!! Incrível.
Depois do jantar estar concluído procedeu-se então ao tradicional Orujo de Hierbas gentilmente oferecido pelo simpático Manolo.
Quero deixar aqui um grande abraço para estes 3 novos Amigos que me acolheram de tal forma que palavras são poucas para lhes agradecer.
Ao César Nunes, ao Ricardo Rosa e ao João Galvão “un fuerte saludo” e o meu muito obrigado. Bem Hajam
Lá fomos então para o Seminário Menor pois este fecha á meia noite mas ainda deu para as despedidas pois estes aventureiros no dia seguinte ainda tinham a viagem de comboio até Lisboa enquanto que eu ficaria em Compostela afim de assistir á tradicional missa do peregrino que é sempre ao 12 horas, desta feita também com o lançamento do Bota Fumeiro.
Aqui outro momento muito comovedor.
Praticamente estão todos os peregrinos que terminaram os seus “Caminhos”. Muitos deles completamente arrebentados.
Todo o ambiente que rodeia esta cerimónia é duma intensidade incrível. Os cânticos até á música do grande órgão de tubos onde os sons enchem de tal maneira a Catedral e que se infiltram por nós dentro é de tal forma que não se resiste à grande emoção que provoca.
Ao meu lado tinha uma peregrina que não conseguiu resistir e eu tentei reconforta-la mas não consegui porque quando dei por mim já estava num estado de “ Maria Madalena”.
De tarde ainda houve tempo de ir almoçar ao Restaurante OBispo com a família e regressar a casa sem antes comprar mais umas setas “amarillas”.
Não queria acabar esta crónica sem agradecer a todos os que me acompanharam virtualmente e pessoalmente, pelas vossas palavras de encorajamento que foram essenciais.
Ao Ricardo Carvalho por ter metido conversa comigo naquele momento em que eu estava a tirar fotografias.
Ao Pedro Roque pelas dicas preciosas que me deu. Obrigado Papá Ró.
Ao Zé Rodrigues por ter sido a minha lebre desde Viana até Valença e ter me acolhido no seio da sua família. Obrigado
Aos Bombeiros Voluntários que me acolheram durante o percurso.
Ao Amaro Franco pela companhia com os 3 espanhóis no restaurante da Mealhada a comer bicho que ronca e que tem 2 buracos no focinho.
Um forte abraço ao Manuel Miranda, João Maria, Manuel Rocha do Núcleo da AEJ de Esposende pelo carinho com que me acolheram e pelo momento único e impar que me proporcionaram. Não há nada que pague isso. Bem dita á hora em que vos conheci.
Ao Júlio Costa por me ter acompanhado a mim e aos 3 espanhóis e à Lurdes Costa pelo fabulosos terços que me fez e por deixarem que o vosso neto Salvador me tivesse “acompanhado” nesta viagem na minha mente, perante tanta luta que ele teve para sobreviver, apenas essas 3 semanas de vida. Esse sim um grande “Guerreiro” na grande luta pela sobrevivência.
Ao Padre Jesuíta João Caniço por me ter recebido e termos tido uma conversa reconfortante.
Finalmente à Orb2 pelos seus fantásticos relatos da minha viagem sempre com Paulo Coelho como pano de fundo. Bem hajas pelo dom da escrita que tens.
Na calha já está outro “Caminho” praticamente desconhecido da maioria de vós e que oportunamente divulgarei.
Este deverá ter cerca de 700 kms em solo português e 120 kms no espanhol.
A principal preocupação é a meteorologia mas tudo aponta para a passagem a um regime de aguaceiros que, estou certo, não comprometerá a travessia. Pior será mesmo o vento a soprar moderado de sul e que irá complicar a progressão dos ciclistas.
Dia 28 de Agosto, 6ª feira, de Pontevedra a quaS' antiago
Depois de ontem ter posto as pernas de molho, um repasto a condizer e uma noite bem dormida, hoje levantei-me com uma disposição óptima para pedalar. Trouxas arrumadas e amarradas e lá vou tomar o pequeno-almoço bem no centro de Pontevedra numa confeitaria “muito chique”, mas que bem me soube.
Logo ali a igreja Virgem Peregrina com a sua imponente frontaria, tem como curiosidade a sua construção a forma de uma vieira. Mais um carimbo e ainda deu para uma visita ao seu altar. Todo em talha dourada.
Arranquei então para entrar num dos bosques talvez, dos mais bonitos deste caminho que lhes chamam de Canicouba.
Daqui até Briallos rodeiam-me sempre os bosques, capelas e cruzeiros. O dia estava convidativo com os tons a sobressaírem.
Em Briallos paro para mais um carimbo no muito bonito albergue. Entro novamente em bosques e contorno propriedades que pelo meio se implantam no caminho até que chego a Tibo, aqui eu pensei em parar para almoçar mas nisto fez-se luz e lembrei-me que estava perto de Caldas de Reys e por conseguinte o restaurante O Muiño. Comecei logo a salivar. Meia dúzia de frutos secos e siga.
Chego a Caldas de Reys, uma pacata vila termal, logo depois da ponte romana avistava o dito restaurante. A mesa até parecia que estava a minha espera, ali junto ao rio, fez as delícias com as pequenas iguarias que me iam chegando. “Precioso, ballé”
Bem, e agora como é que me levanto?
Pé ante pé lá levei a “Marina” até á fonte termal para o tradicional lava pés. Não sei porquê mas deu-me logo ali um certo alento aquela água. Arranco e passo pela romana sobre o rio Bermaña que logo depois nos aparece a capela de S.Roque (um santo caminheiro). Mais á frente novamente bosques com fartura até que me cruzo com a nac.550 e entro num café que é um habitué dos peregrinos pararem e colocarem o seu carimbo. Estava a poucos kilómetros de Padron.
Aqui neste café tive um momento muito marcante: pedi ao dono para carimbar a minha credencial. Depois de alguma conversa com ele, admirado do porquê de eu ter tantos carimbos perguntou-me donde é que eu vinha ao qual eu lhe respondi que tinha iniciado a minha peregrinação em Lisboa e que já tinha pedalado cerca de 700 kms sozinho.
Ficou de tal maneira admirado e a dar-me os parabéns pelo feito que de repente me comovi de tal forma que o dono ficou tão preocupado não me querendo deixar ir embora enquanto não ficasse bem, perguntando-me inclusive o que é que tinha dito de grave. Tive mesmo muita dificuldade em falar para lhe dizer que estava bem e que não se preocupasse. Apenas apertei-lhe a mão de agradecimento e saí. Parti dali mais parecia uma Madalena com as lágrimas que me corriam. Tinha mesmo que pedalar. Nunca tal me tinha acontecido.
Cheguei a Padron num ápice. Parecia o Speedy Gonzalez.
Em Padron fui logo ao albergue mas sem sucesso pois estava já lotado. E agora! Não há-de ser nada, vou tirar umas fotografias. Fui até ao “padron” junto do rio Ulla aonde Atanásio e Teodoro amarraram a barca que transportava os restos do Apostolo.
Queria visitar a igreja de S.Tiago aonde está depositado o Padron original, mas mais uma vez estava fechada.
Fui á Fuente del Cármen no seu estilo neoclássico do sec. XVIII em que se vê Tiago a baptizar a Rainha Lupa enquanto por baixo destas duas figuras se vê esculpido a chegada do corpo do Apostolo na barca junto com os seus 2 discípulos Atanásio e Teodoro.
Cheios os bidões desta água milagrosa resolvi então avançar para Compostela, pois eram 26 kms.
Entro novamente na nac. 550 para logo apanhar um caminho medieval onde atravessa aldeias num serpentear engraçado.
Chego então ao Santuário da Esclavitude e da sua fonte milagrosa do estilo barroco para mais um carimbo, mais uns kilometros á frente aparece o albergue de Teo. O trajecto agora é rápido até que chego a um alto chamado de Agro dos Monteiros onde aqui se vislumbra já as torres sineiras da imponente Catedral.
Dia 27 de Agosto, 5ª feira, de Valença a Pontevedra
A alvorada foi bem cedo porque iria perder uma hora quando atravessa-se a ponte de Valença, portanto toca a preparar a bike.
Arrancamos para Valença para tomar o ultimo café português, porque o café espanhol não me convence. Fui ao albergue S.Teotonio a fim de obter o ultimo carimbo português mas sem sucesso, não se encontrava ninguém na recepção vai dai e logo ali ao lado nos Bombeiros, que simpaticamente, mo colocaram.
O Zé acompanhou-me nestes kms até Catedral de Tuy onde eu coloquei o primeiro carimbo espanhol. Aqui despedimo-nos. “Bon Camino” dizia o Zé. Arranquei nas minhas calmas pelas ruas de Tuy passando pelo pequeno túnel do Convento das Clarissas Enclausuradas até que se entra no vale do rio Minho onde se alcança então a Ponte da Veiga. Entra-se então num bosque lindíssimo. Chega-se á Ponte de Febres onde se conta que S.Telmo faleceu. Aqui uma lápide dando conta da enfermidade do santo aquando da sua peregrinação a Compostela.
Chega-se então á tenebrosa recta de 3 kms da zona industrial de las Gandaras de Budino. Talvez a pior parte do Caminho mas que não tem qualquer alternativa. No final a passagem superior para passar por cima do caminho-de-ferro e entrar na N.550 até Porriño.
Em Porriño parei para meter lenha para o bucho e aqui comecei a sentir algumas dores nas minhas pernas talvez dos 110 kms do dia anterior mas que estava a controlar pois queria ficar em Pontevedra desse o desse.
Arranquei em direcção a Redondela e aqui começam algumas subidas íngremes até Mós, (que mói bastante)
É de notar a quantidade de testemunhos cristãos que existem neste percurso, desde os cruzeiros, igrejas, capelas dedicadas a S.Tiago bem com á Virgem Peregrina.
Temos que pensar que este foi um trajecto importantíssimo pelos nossos monarcas como a nossa Rainha Santa Isabel que ofereceu a sua coroa ao santuário e que em troca o Arcebispo num acto de gratidão ofereceu-lhe o seu Báculo que hoje está em Coimbra.
Chego a Redondela e logo vou ao albergue para mais um carimbo e refrescar-me um pouco conversando com alguns peregrinos que estavam no seu descanso numa óptima sala de leitura, porque ia ter pela frente uns 15 kms duros. Arranquei já abastecido de água para entrar na nac.550 que mais adiante se entra num bosque aonde no cume se vislumbra a Ria de Vigo e a Ilha de S.Simon.
Chego a Árcade, mas não fui comer ostras e logo depois a Ponte de Sampayo ( a minha ponte J))) ) onde aqui o povo galego defrontou uma batalha napoleónica das tropas do Marechal Ney.
Começo então uma dura subida aos ésses que pelo meio do povoado e logo depois de passar uma ponte Nova que de nova não tem nada por ser medieval entra-se num outro caminho medieval sempre a subir que rompe pura e simplesmente as minhas pernas. Sentia-as a ferver de dor. Parei a comer os meus frutos secos, a beber agua naquele bosque verdejante e fresco.
Entro então na estrada que chega a Pontevedra e logo ali vou ao albergue mas já estava cheio. Bem vamos lá procurar poiso e encontrei um hotel com nome sugestivo “ La Peregrina” mas que era caro isso era e depois de estar instalado é que me apercebi que nem pequeno-almoço tinha e paguei 40 “Aérios”. Ali nunca mais porque mais adiante já tinha outro, melhor com pequeno almoço por 27.
No entanto o trabalho realizado pela Federación de los Ferrocarriles Españoles merece ser sempre destacadO ainda que, por cá, também já se vai vendo algo, ainda que a um ritmo arreliadoramente lento...
Fica esta primeira parte deste "Vive la Via" que constitui, também ele, um bom exemplo de promoção.
Já agora: para quando um site a sério, por parte da REFER, do pouco, mas bom trabalho, que já foi feito entre nós (Sabor, Montemor-o-Novo, Monção...)?
Dia 26 de Agosto, 4ª Feira, de Esposende a Valença
Arranquei para o pequeno-almoço onde tinha á minha espera José Lima e João Maria numa padaria ali perto. Depois das despedidas lá rumei para Viana do Castelo.
Passo então pela Casa / Museu Henrique Medina (famosíssimo pintor e retratista que pintou cinco Presidentes da Republica), começando este caminho a uma meia encosta onde se começa e vislumbrar o mar, passando então pela Igreja de S.João do Monte, S.Pedro de Fins, aqui contorno o Palácio dos Cunhas até atingir a Capela doa Srª dos Remédios que depois me leva a um caminho no meio dum bosque muito bonito até ao Rio Neiva no qual o atravesso pela ponte do Sebastião para a outra margem até a Capela da Srª de Guadalupe, subindo depois até á Igreja de S.Tiago em Neiva.
Depois das fotos da praxe rumei até ao Mosteiro de S.Romão de Neiva (sec. XII) do qual era também um local que albergava peregrinos. Sigo para Chafé e Anha onde também aqui se encontra uma Igreja dedicada a S.Tiago onde no seu interior e nos vitrais conta a vida de Tiago.
Chego então a Viana do Castelo onde me espera Hugo Pastor da Associação dos Amigos do Caminho de Santiago de Viana do Castelo. Aqui novo pequeno-almoço e esperar pelo meu amigo José Rodrigues que viria de Valença de comboio até Viana para me rebocar novamente até Valença.
Depois de 1 hora de cavaqueira e ao partirmos aparece o nosso Confrade Óscar Filipe com a sua família e quase com a cabeça fora da janela do seu carro quase que a gritar “Oh K2” heheheheheh,
Obrigado Óscar Filipe
E assim fomos até á Sé de Viana e ao Turismo, que era antigo hospital de peregrinos, para mais uns carimbos. Logo a seguir passamos pela lindíssima Igreja de S.Domingos onde se encontra no interior e na lateral um altar todo prateado que, confesso ser a primeira vez que vejo.
Ao sair de Viana entra-se logo no trajecto em que se vislumbra o mar á nossa esquerda como a serra de Stª. Luzia á nossa direita e com paisagens lindíssimas.
Depois de passar Carreço vejo uma das curiosidades também deste Caminho que é uma Cruz Passionista gravada na pedra, testemunho desta confraria nas suas peregrinações a S.Tiago e que presumo ser datada do sec.XVII.
Com as paisagens sempre a acompanhar chegamos então á casa do poeta Pedro Homem de Melo, Convento de Cabanas, com a sua enorme magnólia onde o poeta se inspirava para os seus poemas, junto ao rio Cabanas.
Passagem por V.Praia de Ancora, Moledo, Caminha.
È de notar que este trajecto é sempre junto ao mar. É fantástico pelos contrastes entre o mar e a montanha com um sem número de cores que nos rodeiam. È também visível a quantidade de testemunhos religiosos que contam por aqui, datados dos sec. XVI/XVII desde igrejas, capelas, oratórios, alminhas, palácios bem como não poderia deixar de ser os cruzeiros.
Chegados a Caminha fui á igreja Matriz. Esteve encerrada durante 5 anos para restauro. Monumento que se encontra dentro da muralha e digna duma visita. A partir daqui deixamos o mar para ter como companhia o rio Minho que nos oferece novamente lindas paisagens ate chegar a Valença onde fui albergado com grande carinho pelos pais do meu amigo José Rodrigues.
Quero deixar aqui uma palavra de apreço e agradecimento aos pais do Zé que foram incansáveis comigo proporcionando uma estadia fabulosa e com um jantar que derivou numa cavaqueira engraçada, pois este trajecto teve para mim uns bons 110 kms de paisagens que só o Minho nos proporciona.
Quero agradecer também ao Zé pela companhia e de me ter rebocado até Valença.
O período da Páscoa marca, para mim, o início da temporada de BTT.
Não é uma temporada competitiva mas antes a das grandes incursões. Para tal aproveitei o dia de sol de quinta-feira passada para ligar, em BTT, as Caldas da Rainha à Figueira da Foz através de estradões, ciclovias e estradas secundárias.
O momento alto do dia foi a sopa de feijão comida na esplanada da praia de Pedrógão ao sol. Um daqueles momentos inesquecíveis a demonstrar que, Portugal, ainda vale o seu peso em ouro.
Quanto à incursão foi semelhante à de Outubro de 2008 com a diferença de ser em sentido inverso e de, a partir do momento que cruzei o Mondego em Verride, ter rumado a poente em direcção à Figueira e com menos 20 kms. na contagem final.
Eram 8 horas e avançamos para S. Pedro de Rates. Fiz um desvio em Araújo para passar pelo Mosteiro de Santa Maria de Leça do Balio para evitar a tão perigosa passagem pela estrada nº13 por debaixo da ponte do metro. Ainda não percebi muito bem porque teimam em ir por ali, tendo este trajecto pelo Mosteiro muito mais histórico e mais seguro.
Visitamos o Mosteiro e colocamos mais um carimbo.
Este mosteiro construído no séc. X foi doado posteriormente aos Cavaleiros Hospitalários da Ordem de Malta por D. Afonso Henriques. Aqui casou secretamente o rei D. Fernando com D. Leonor de Teles. Foi também onde a Rainha Santa Isabel ficou albergada aquando da sua peregrinação a Santiago de Compostela.
Arrancamos então passando pelo centro da Maia e logo depois entramos no caminho junta à Igreja Nossa Senhora do Bom Despacho. Passamos pela zona industrial da Maia, Gemunde, Vilar do Pinheiro, Vairão e Vilarinho.
Aqui a paisagem é predominantemente agrícola e campestre.
Chegamos então á ponte romana D. Zameiro sobre o rio Ave, toda ela reconstruída com os seus 130 metros de comprimento do qual tem logo a seguir uma boa subida até ao largo da igreja da Nª Srª da Ajuda ( e que ajuda nós precisamos), logo depois no lugar de Boavista entramos na Calçada da Estalagem onde passamos pela Estalagem das Pulgas.
Esta estalagem ficou conhecida pela novela de Camilo Castelo Branco em “ A filha de Arcediago” onde este teve uma noite de combate com um exército de pulgas que procuravam saciar-se de sangue.
Pertencia ao antigo mosteiro da Junqueira que era um posto de Mala-Posta e que acolhia viajantes e peregrinos.
Passamos então pela ponte romana de Arcos até chegarmos a S.Pedro de Rates.
Aqui levei os 3 espanhóis a visitar o albergue de Rates. Ficaram encantados. Depois foi as despedidas, eles iam seguir o caminho medieval enquanto eu iria pelo caminho da costa do qual fazia questão de seguir.
Nem 200 metros depois de entrar no caminho tenho o 1º “Cavaleiro” à minha espera, João Maria e mais à frente Manuel Rocha, fizeram a escolta até Barca do Lago aonde me esperava um barco para atravessar o rio Cávado precisamente no sitio onde a Rainha Santa Isabel também o fez.
Este trajecto é muito bonito, está muito bem marcado e com setas ainda frescas pela pincelada do João Maria que fez um belíssimo trabalho na marcação das ditas cujas não havendo qualquer possibilidade de nos perdermos. Parabéns a toda a equipa do núcleo Jacobeano de Esposende.
Passamos por Cristelo, Fonte Boa (onde a junta de freguesia fez um carimbo dos Caminhos de Santiago de propósito pró efeito).
E assim foi a progressão até Esposende com grande cavaqueira e risota mas antes de atravessar o Cávado lá tivemos de ir até ao bar repor os níveis que se pautou com umas sandes, bolinhos de bacalhau e duas canecas de “ Isostar” tinto, cafezinho e um “ cheirinho”, isto enquanto que o barqueiro nos fazia passar as nossas bicicletas para a outra margem.
Chegado á outra margem esperava-nos o Presidente da Junta de Freguesia de Gemeses Sr. José Augusto que se prontificou logo ali para nos ajudar bem como Manuel Miranda Confrade daqui do fórum.
Seguimos para S.Pedro de Fins (aonde se passa pelo Palácio dos Cunhas), cheguei a Esposende aqui, fiquei com a minha credencial cheia de carimbos pões todos queriam colocar o seu carimbo. Entretanto fui recebido por uma Directora dos serviços camarários de Esposende que simpaticamente me colocou mais um carimbo mas desta vez o carimbo branco do Município.
Fui levado então á Junta de Freguesia das Marinhas onde fui recebido pelo presidente da Junta e que é grande historiador daquele local. Logo depois fui recebido pelo Padre Avelino da Paroquia das Marinhas que se prontificou também para mais um carimbo branco na minha credencial.
Como já era tarde para seguir para Viana fiquei albergado na Cruz Vermelha de Esposende.
José Lima, António Albino coordenador da Cruz vermelha e Manuel Miranda fizeram então companhia num jantar que durou até bem tarde e que resultou numa tertúlia muito engraçada.
Queria agradecer a grande hospitalidade das gentes de Esposende que foram incansáveis comigo.
Este momento de atravessar o rio Cávado é um dos pontos altos desta viagem.
Nunca pensei que mo pudessem realizar
Ao Manuel Miranda, João Maria, Manuel Rocha, José Lima, António Albino, aos Presidentes das Juntas das Marinhas e Gemeses bem como a Directora dos Serviços da Câmara de Esposende o meu muito obrigado pelo vosso esforço e empenho.
Um forte abraço para todos e continuem com o excelente trabalho que fazem.
King Liu tinha já 75 anos quando em Maio pedalou 1668 quilómetros entre Pequim e Xangai. Fundador da Giant, o maior fabricante mundial de bicicletas, o incansável Liu está horrorizado com a tomada de assalto das ruas e estradas chinesas pelos automóveis e quis mostrar que, tal como na sua Taiwan natal, não há qualquer incompatibilidade entre dar ao pedal e mostrar grande pedalada económica. Foi premonitório. No final de Junho, os jornais davam conta de que se tinham vendido mais carros na China do que nos Estados Unidos durante o primeiro semestre de 2009: pouco mais de seis milhões no país emergente, 4,8 milhões na superpotência atingida em cheio pela crise.
As imagens de Pequim polvilhada de ciclistas pertencem ao passado, mas nem tudo está perdido e Liu contava sábado ao Financial Times a sua última aposta: fazer de Kunshan, uma cidadezinha (!) de 650 mil habitantes, um modelo para o resto da China, com ciclovias que ignoram os engarrafamentos e permitem poupar tempo e dinheiro. Na capital, o efeito de imitação fez-se sentir e a câmara retirou as leis que impunham restrições aos ciclistas. Em Xangai, onde se calcula existirem dez milhões de bicicletas, começa a haver quem exija que as restrições sejam aos automóveis.
Os chineses terão descoberto as bicicletas em 1868, quando um funcionário alfandegário veio de França impressionado com " as duas rodas unidas por um cachimbo". Mas foi na era comunista que aconteceu a revolução dos pedais. Isolada do mundo, empobrecida pelas guerras, a China fez da bicicleta tanto um meio de transporte como um símbolo de auto-suficiência. No romance Irmãos, onde Yu Hua conta a evolução da China desde a escassez comunista dos tempos de Mao Tsé-Tung até à euforia consumista da era Deng Xiaoping, brilha a bicicleta Eternidade. Song Gang condu-la orgulhoso a caminho da fábrica, mas claro que o irmão Baldy Li, pouco dado a operário mas com jeito para o negócio, será o primeiro da família a ter carro.
Não há razão para rir das bicicletas. É na Europa, onde não falta dinheiro para automóveis, que estas mais brilham. Helsínquia, Berlim ou Amesterdão são exemplos. Mas mesmo na China, que produz dois terços dos 130 milhões de bicicletas fabricadas anualmente, há motivos para acarinhá-las. Boa parte dos 1300 milhões de chineses continua longe de ter dinheiro para qualquer coisa com motor. O país importa cada vez mais combustíveis. E o ar nas cidades ameaça tornar-se irrespirável. Mesmo com a economia a crescer na casa dos 10%, mesmo com um chinês a comprar a Volvo, não há razão para, com tanta pedalada, se esquecerem das bicicletas. "São um indicador de civilização", diz Liu.
Dia 24 de Agosto, 2ª Feira, de Oliveira de Azeméis a Oporto
De manhã lá arrancamos com destino ao Porto pois estes 3 espanhóis tinham gosto em ficar para conhecer a Invicta.
Passamos pela Igreja Matriz de Oliveira de Azeméis e de seguida para Santiago Riba Ul por caminhos e muros antigos em direcção a Cucujães. Atravessa-mos a Ponte do Salgueiro e á esquerda o Convento de Cucujães.
Entramos em S.João da Madeira e passamos pela grande fábrica da ex-Oliva, um dos expoentes máximos de fundições, mais conhecido pelas suas torneiras. Seguindo por travessas e ruas que se misturam pelo envelhecido casario chegamos a Malaposta onde entramos por uma calçada romana que mais tarde se denominou de estrada Real até Lourosa para um 2º pequeno-almoço. Aqui tive a companhia do meu amigo Júlio Costa ) que nos escoltou até ao Porto.
Depois de longa cavaqueira com os espanhóis lá arrancamos para ir visitar o Mosteiro de Grijó (Sec.XIII) aonde pernoitou Juan Bautista Confalonieri em 1594. Convento muito bonito, bem recuperado e com uns claustros fabulosos.
Chegamos á “Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto”, cidade que deu o nome a Portugal ( Portus Calle), mas primeiro fomos ver a lindíssima paisagem da cidade desde a serra do Pilar.
Depois, lá tivemos que ir almoçar ao restaurante Tripeiro entrando neste restaurante com as bicicletas por ele dentro. Eles só me diziam “Só tu Miguel, só tu”, pois nunca tinham entrado num restaurante “chique”, de bicicleta. Grandes gargalhadas.
Então o menu tinha de ser umas boas tripas acompanhadas por um bom vinho verde tinto, daqueles que tinge bem a língua, contar a história das tripas.
Depois de bem aviados fizemos então o reconhecimento pela cidade e depois levei-os ao hotel muito bom e barato que existe no caminho, perto da Loja do PatoCycles e á noite lá fui ter com eles para beber um Cálice de Porto.
Diga-se que estavam encantados com a cidade á noite. Só me diziam “Precioso, me encanta tu ciudad” Ballé.