sexta-feira, 25 de junho de 2010

Fátima pela Enésima Vez


Sábado irei percorrer, uma vez mais, o Caminho do Tejo em BTT até Fátima.

Desde há anos a esta parte que o mesmo tem sido percorrido, ano após ano, de modo ininterrupto desde o ano 2000.

De tal modo que não sei dizer quantas vezes.

Sábado, se Deus quiser, será mais uma.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

CAMINHO D'ESTE - PARTE II - DA GUARDA A SANTIAGO DE COMPOSTELA


Após a fase I que correspondeu ao "Santiago mata-mouros" segue-se a fase II, já a norte, em que o apóstolo, tal como na imagem, se converte em peregrino da Fé.

Se inicialmente a ideia era a de chegar, apenas, a Chaves, agora vejo as coisas de outro modo.

Atendendo a que disponho de cinco dias, a distância entre a Guarda e Chaves não é assim tão grande e de Verin a Santiago (pelo Caminho Sanabrense, via Ourense) são dois dias de caminho o desafio será ligar a cidade mais alta de Portugal à tumba do Santo.

Ainda sem ter afinado o tracklog já tenho delineado um itinerário que permitirá, com algum grau de garantia, alcançar Chaves (Verin) num máximo de três dias.

Como anteriormente lanço o apelo a quem se sinta motivado e em forma a me acompanhar na demanda do apóstolo, seja a partir da Guarda, seja a partir de Chaves.


A aventura segue, já, dentro de momentos (ou seja, de 14 a 18 de Julho).

segunda-feira, 21 de junho de 2010

The Iron Curtain Cycle Trail - Experiencing the History of Europe's Division


Deparei com esta excelente proposta temática na Internet.

Trata-se de ligar, por um caminho ciclável, toda a extensão da antiga "Cortina de Ferro".

Como se pode ler no site:

For almost half a century, Europe was forcibly divided into East and West by the "Iron Curtain", a border stretching from the Barents Sea to the Black Sea. The European cycle track Iron Curtain Trail invites people to retrace and experience this important part of the continent's history.

E agora digo eu: looking forward for the oportunity to travel trought it!

sábado, 19 de junho de 2010

CAMINHO D'ESTE - Stage 3 five video-clips

Greetings to F. Durão and his brand-new nano-camera!

Check the other 4 clips at the end of this one exibition.


quinta-feira, 17 de junho de 2010

CAMINHO D'ESTE - PARTE UM (TAVIRA - GUARDA) ESTATÍSTICAS


Estas são algumas das estatísticas da travessia da Travessia da 1.ª parte do
Caminho d'Este (Tavira - Guarda) que percorri de 3 de Junho a 11 de Junho de 2010. 
  • Quilometragem total - 708,98 kms. GPS (+4% geográficos)
  • Pontos GPS registados - 14 425
  • Altitude Máxima - 866,77 metros
  • Altimetria Positiva - 12 687 metros
  • Altimetria Negativa - 11 890
  • Nações - 2 (Portugal e Espanha) sendo
    • Em Portugal
      • Regiões NUT - 3 (Algarve, Alentejo e Centro)
      • Antigas Denominações Provinciais - 5 (Algarve, Baixo Alentejo, Alto Alentejo, Beira Baixa e Beira Alta)
      • Distritos - 6 (Faro, Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco e Guarda
      • Concelhos - 26, sendo dos distritos de...
        • Faro - 5 (Olhão, Tavira, Castro Marim, Vila Real de Santo António e Alcoutim)
        • Beja - 3 (Mértola, Serpa, Moura)
        • Évora 6 - (Mourão, Reguengos de Monsaraz, Alandroal, Vila Viçosa, Borba, Estremoz)
        • Portalegre - 5 (Sousel, Fronteira, Alter do Chão, Crato, Nisa)
        • Castelo Branco -5 (Vila Velha de Rodão, Castelo Branco, Fundão, Covilhã, Belmonte)
        • Guarda -1 (Guarda)
      • Freguesias (a determinar)
    • Em Espanha
      • Comunidades Autónomas - 1 (Andaluzia)
      • Províncias - 1 (Huelva)
      • Municípios -1 (Sanlucar del Guadiana)
  • Semanas do Ano - 2 (#22 e #23)
  • Dias de Percurso - 9
  • Localidades Percorridas
    • day one (03JUN10 - Thursday, Corpus Christi bank holiday) Fuzeta, Pedras d'el Rei, Tavira, Cabanas, Cacela, Manta Rota, Alagoa, Altura, Monte Gordo
    • day two (04JUN10 Friday) Monte Gordo, Vila Real de Santo António, Castro Marim, Junqueira, Azinhal, Almada d'Ouro, Foz de Odeleite, Álamo, Guerreiros do Rio, Laranjeiras, Alcoutim
    • day three (05JUN10 Saturday) Alcoutim, Sanlucar del Guadiana, Pomarão, Salgueiros, Bens, Santana de Cambas, Mina de São Domingos, Moreanes, Mértola
    • day four (06JUN10 Sunday) Mértola, Corte Sines, Pulo do Lobo, Serpa, Pias, Herdade dos Machados, Moura
    • day five (07JUN10 Monday) Moura, Santo Amador, Aldeia da Luz, Mourão, Monsaraz, Outeiro, Aldeia da Venda, Santiago Maior, Orvalhos, Hortinhas, Terena, Alandroal
    • day six (08JUN10 Tuesday) Alandroal, Pardais, Vila Vicosa, Borba, Arcos, Estremoz, Ameixial, Fronteira
    • day seven (09JUN10 Wednesday) Fronteira, Cabeço de Vide, Alter do Chão, Alter Pedroso, Crato, Flor da Rosa, Vale do Peso, Alpalhão, Nisa
    • day eight (10JUN10 Thursday, Portugal's Day bank holiday) Nisa, Vila Velha de Rodão, Coxerro, Serrasqueira, Sernadas do Rodão, Amarelos, Alcains, Lardosa, Soalheira, Castelo Novo, Alpedrinha
    • day nine (11JUN10 Friday) Alpedrinha, Enxames, Carvalhal, Capinha, Peraboa, Caria, Malpique, Belmonte, Colmeal da Torre, Benespera, Aldeia Nova, Ramela, Aldeia Ruiva, Barracão, Guarda, São Miguel da Guarda.
  • Número de ciclistas e bicicletas directamente envolvidos - 6
  • Mínimo de ciclistas e bicicletas por etapa - 2
  • Máximo de ciclistas e bicicletas por etapa - 4

domingo, 13 de junho de 2010

Caminho d'Este - eight and ninth stages

A partir de Nisa começou a montanha a sério e, se a oitava etapa já implicou uma altimetria razoável, a nona, cruzando a Gardunha e a Estrela foi muito exigente fisicamente.

A chegada perto dos 900 metros da Guarda foi efectuada de modo extenuante.

Valeu a companhia do Rui Sousa que nos guiou desde Belmonte até à estação ferroviária da Guarda com uma incursão TT no seu quintal que meteu uma travessia de rio!

O caminho fica interrompido agora e recomeça em meados de Julho com a ligação da Guarda a Chaves para, mais tarde e ainda sine die se fazer o terço final pelo caminho sanabriano até Santiago de Compostela.

Em breve um relato comme il faut...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Caminho d'Este - Fifth, Sixt & Seventh Stages

Pensei conseguir postar todas as noites mas, a verdade, é que se torna muito difícil: extensas quilometragens e rotina extenuante levam a que esta seja a última das prioridades e Morfeu sempre surge antes dela.

Ainda assim dizer que estamos em Nisa e amanhã seguimos para Alpedrinha tudo vai bem com os recursos humanos e materiais de que dispomos.

A grande reportagem fica prometida para a semana.

domingo, 6 de junho de 2010

Caminho d'Este - Fourth Stage

Esta ligação, entre Mértola e Moura, via Serpa, foi a mais longa e dura de todas: 96 kms.

Desde o início que se subiu, a partir da ponte do Guadiana, para se entrar num gigantesco e interminável "rompe-pernas". Foi das mais penosas dezena de quilómetros que percorri. Contrariando o estereótipo da planura alentejana os barrancos foram sucedendo-se, um após o outro, até se alcançar Corte Pequeno.

A partir daí rolou-se rapidamente até Corte Sines e daí, até ao Pulo do Lobo, houve que vencer mais duas fundas ribeiras.

Mas o pior de todos os barrancos foi mesmo o que se sucede àquele mítico estrangulamento do Guadiana se bem que, depois, foi rolar rápido até Serpa onde uma imperial no Lebrinha repôs os níveis de hidratação.

Depois foi vencer mais três dezenas de levemente ondulantes quilómetros até Moura, via Pias.

Foi a despedida do Pedro Soares e do Luís Santos e a chegada do Mário Silva que me fará companhia até à Guarda, se tudo correr de acordo com o programado. Para amanhã a ligação ao Alandroal e a entrada no Alto Alentejo e nas terras do distrito de Évora, via Luz, Mourão, Monsaraz, Santiago Maior e Terena.

sábado, 5 de junho de 2010

Caminho d'Este - Third Stage


Hoje, embora com um pouco menos de calor, as condições endureceram um bocado: mais quilómetros e maior altimetria.

Tivemos a companhia preciosa do Fernando Durão que é uma personagem do BTT. Single-Speed e roda 29 mas com uma desenvoltura a pedalar como raras vezes tenho visto.

Começámos com a travessia do Guadiana para Sanlucar e por terras de Espanha pedalámos em trilhos fantásticos com o Guadiana à nossa esquerda. Apesar de muito técnicos o atrelado "papou tudo" sem pestanejar, só visto.

Transposta a nova ponte internacional para o Pomarão optámos por seguir pelos túneis da antiga linha férrea que transportava o minério das Minas de São Domingos. É um percurso inesquecível mas que implica bastante pedestrianismo e montanhismo. Quem por lá já passou entende-me...

Seguimos até à Mina com passagem pela Achada do Gamo cenário lunar de arqueologia industrial mineira num misto de espanto e de desconsolo. O melhor mesmo foi a hora completa que passamos dentro da água da praia fluvial da Tapada preparando a ligação final a Mértola seguindo as setas amarelas de Santiago em sentido contrário já que o Caminho d'Este vai de Mértola para as Minas mas o BTT tem destas coisas e a liberdade de traçar os itinerários é uma delas...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Caminho d'Este - Second Stage


A dificuldade vai em crescendo.

Hoje, ligámos Castro Marim (Monte Gordo) a Alcoutim.

Apesar da quilometragem não ter aumentado muito houve que vencer alguma "terra dobrada" com a consequente "quebra de pernas".

A parte final foi efectuada pelo asfalto deserto desde a Foz de Odeleite até Alcoutim via Álamo, Guerreiros do Rio e Laranjeiras.

No final 55 quilómetros debaixo de uma canícula infernal com o consumo de água a aumentar exponencialmente. Ainda assim deu para chegar cedo e passar uma hora dentro de água na praia fluvial em amena cavaqueira e beber uma imperial a ver o Guadiana e Sanlucar na outra margem.

Amanhã novo aumento de quilometragem e de dificuldade altimetrica. Teremos a companhia de F. Durão de
Mértola e iremos cruzar o Guadiana para terras da Andaluzia, por aí seguindo até se cruzar pela nova ponte
internacional para o Pomarão seguido pela travessia da antiga linha férrea até às Minas de São Domingos e daí para Mértola onde pernoitaremos.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Caminho d'Este - First Stage

Este foi o primeiro contacto com o Caminho d'Este e não poderia ser melhor. De facto, eu e os meus dois companheiros de viajem (Luís Santos e Pedro Soares) não poderíamos estar mais satisfeitos.

Tudo correu conforme o planeado. Viajamos até Faro numa viatura alugada em Lisboa e devolvida o aeroporto algarvio. Seguimos até Fuzeta de comboio para nos internarmos na ecovia do Algarve percorrendo a Ria Formosa até Tavira num piso plano e com vento traseiro a ajudar. Ainda socorremos uns cicloturistas espanhóis em apuros por causa da falta de uma câmara de ar a demonstrar que a ciclo-solidariedade não é uma mera figura de retórica.

Em Tavira a paragem obrigatória, na freguesia de Santiago, junto à Igreja consagrada a este apóstolo cujo portal estava encimado com a iconografia do mata-mouros (assim ele é representado no sul do país.

Com uma sol magnífico continuámos cruzando a ponte romana e seguindo para nascente seguindo as setas amarelas: Cabanas, Cacela, Manta Rota, Altura e Monte Gordo onde pernoitamos.

No final da primeira etapa os 47 kms. percorridos são a marca deste prefácio.

Amanhã as coisas começam a doer com a ligação a Alcoutim: para além da quilometragem aumentar a altimetria e o calor prometem dificultar as coisas.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

CAMINHO D'ESTE - DE TAVIRA A SANTIAGO DE COMPOSTELA



Por enquanto de Tavira à Guarda.

Ainda sujeito a eventuais correcções de pormenor o planeamento será o seguinte:

day one (03JUN10 - Thursday, Corpus Christi bank holiday)
. Tavira, Cabanas, Cacela - Castro Marim

day two (04JUN10 Friday)
. Castro Marim, Junqueira, Azinhal, Almada d'Ouro, Foz de Odeleite, Álamo, Guerreiros do Rio, Laranjeiras, Alcoutim

day three (05JUN10 Saturday)
. Alcoutim - Sanlucar - Pomarão - Mina de São Domingos - Mértola

day four (06JUN10 Sunday)
. Mértola - Serpa - Pias - Moura

day five (07JUN10 Monday)
 . Moura - Mourão - Monsaraz - Santiago Maior - Terena - Alandroal

day six (08JUN10 Tuesday)
 . Alandroal - Vila Vicosa - Borba - Estremoz - Fronteira

day seven (09JUN10 Wednesday)
. Fronteira - Crato - Alpalhão - Nisa - VV Rodão - Castelo Branco

day eight (10JUN10 Thursday, Portugal's Day bank holiday)
. Castelo Branco - Belmonte

day nine (11JUN10 Friday)
. Belmonte - Guarda

Em contagem decrescente!

terça-feira, 25 de maio de 2010

EXTRA "WILL"


Apesar de já o ter comprado há algumas semanas só no passado fim-de-semana tive oportunidade de experimentar o atrelado Extrawheel na zona de Évora.

Estava com algum receio do peso extra e do desequilíbrio da bicicleta. Nada disso aconteceu. Pelo contrário, por mais de uma vez tive de olhar para trás para confirmar que o atrelado ainda ali estava.
O comportamento em TT é irrepreensível: onde a bicicleta passar o atrelado segue igualmente, sem compromissos. Apenas nas subidas técnicas e íngremes o peso extra pode fazer a diferença entre desmontar ou seguir a pedalar. A inércia pode ficar ligeiramente afectada com o peso mas, tal facto, é quase imperceptível

 A velocidades elevadas (> 40 kms./h.) o acto de pedalar de pé pode desequilibrar o atrelado. De facto quem seguia atrás, por duas vezes, reportou o atravessamento lateral do atrelado embora, lá à frente, quase nada se sentisse - apenas um leve desequilíbrio compensado com leves contra-brecagens de guiador.

O melhor mesmo é sermos o centro das atenções e das objectivas fotográficas como aconteceu no centro histórico de Évora no domingo passado. Só visto!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

DIVAS ON BIKE II


Já aqui tivemos Ava Gardner.

Desta vez é Rita Hayworth (1918-1987) fotografada em bicicleta.

O charme, já de si elevado, parece potenciar-se.

Falo da actriz e falo da bicicleta que emprestam o seu glamour uma à outra resultando numa combinação estética inigualável.

Bravo Rita!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

ANILLO VERDE CICLISTA DE MADRID

clique para ampliar

Uma excelente jornada percorrer o dito ao longo de 65 kms.

Um relato de maior detalhe na próxima edição da Onbike Magazine.

Por ora fiquem com este videoclip.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

NISSAN TITAN DESERT 2010



Também em Espanha deu para constatar que a grande aventura BTT por aqui é a Nissan Titan Desert e que teve lugar de 3 a 7 de Maio com direito a programa televisivo na TVE em horário nobre e com a participação de antigos nomes sonantes do ciclismo de estrada como sejam Abraham Olano, Melcior Mauri ou Roberto Heras que foi, aliás, o vencedor desta edição 2010.

A prova, como o nome indica, decorreu no deserto marroquino ao longo de cinco etapas que ligam Madrid a Ouarzazate num total de 470 kms. entre rápidas pistas e as temíveis montanhas do Atlas marroquino.

Let's look at the trailer! (miren usteds el trailer)

Santiagomania


Estive em Madrid na semana passada e deu para comprovar que o Xacobeu 2010 está presente em todo o lado.

A nível do comércio o El Corte Inglês, por exemplo, tem uma área considerável com publicações, material de caminhada, campismo e ciclismo dedicada só ao tema.

Por isso não admira que, neste ano, chegar a Santiago, seja um processo complicado tal a adesão à peregrinação.

sábado, 8 de maio de 2010

KEEP RIDING DAVID!


Já aqui referi que David Cameron, leader dos Tories está longe de ser um político convencional.

De facto ele é um utilizador de bicicleta.

Ora, numa altura em que os conservadores foram o partido mais votado nas eleições de anteontem no Reino Unido e David está em vias de se tornar Prime-Minister de Sua Majestade tal facto merece todo o relevo.

Independentemente das convicções políticas de cada um é de saudar que, um dos nossos, isto é, um utilizador de bicicleta possa chegar a um cargo de responsabilidade política tão elevada como o de presidir ao governo britânico.

Os britânicos têm vindo, de modo paulatino, mas consistente, a implementar o uso da bicicleta. Também já aqui relatei dois factos relevantes e sintomáticos disso: o mayor londrino Boris Johnson que é, também ele, utilizador de bicicleta e o do embaixador do Reino Unido em Lisboa, Alexander Ellis, que se desloca diariamente até à embaixada em BTT e que foi merecedor do Prémio Nacional de Mobilidade 2009 da FPCUB.

Well done David! Keep riding, this time to 10, Downing Street!

FRASES...



Impressivo!


"A etapa sete da Transportugal foi a mais fácil corrida até ao momento, e provavelmente a mais fácil desta edição. O percurso de 107 km de distância entre Évora e Albernoa tornou-se muito acessível para os atletas que vêm habituados às maiores dificuldades de Portugal, o que fez com que os mais rápidos completassem a etapa em pouco mais de 3h:30m, conseguindo uma média horária superior a 30 km/h, a maior média de sempre na Transportugal GARMIN."

terça-feira, 20 de abril de 2010

DAVID BYRNE - BICYCLE DIARIES




 David Byrne é um conhecido músico, fundador e membro da banda Talking Heads. Essa é a sua faceta mais conhecida já que, David, é também um ciclista militante na cidade onde vive, New York.


"I've been riding a bicycle as my principal means of transportation in New York since the early 198os. I tentatively gave it a try, and it felt good even here in New York. I felt energized and liberated. I had an old three-speed leftover from my childhood in the Baltimore suburbs, and for New York that's pretty much all you need."
 
A revista Ípsilon, suplemento do jornal Público entrevista-o a propósito do lançamento do livro
Bicycle Diaries.
 ...
Observador da vida contemporânea, David Byrne revela-nos o seu olhar apaixonado sobre a vida das cidades no livro "Diários de Bicicleta". Ao mesmo tempo que lança o álbum "Here Love Lies", na companhia de Fatboy Slim

Há um livro, "Diários de Bicicleta", e um disco a meias com Fatboy Slim, "Here Lies Love", sobre a vida de Imelda Marcos. De David Byrne habituámo-nos a esperar o inesperado. Mas desta vez foi longe. Ou não. Porque se existe algo que define o músico, o fotógrafo, o escritor, o realizador ou o artista é essa capacidade de se abrir ao mundo e partilhar o seu conhecimento das mais diversas formas - com perplexidade ou ironia, mas sempre com curiosidade. Em Novembro, Byrne e a companheira, a artista Cindy Sherman, estiveram no júri do Estoril Film Festival. Foi ali que falámos com ele.

Já deu o seu passeio matinal de bicicleta?

Sim, mas foi um pequeno passeio, apenas para desentorpecer as pernas. Dei uma grande volta, até Sintra. Não sou militante da bicicleta. Não é nada disso. Essencialmente gosto de andar de bicicleta porque é prático e agradável. Mas não tenho tido muito tempo, entre ver filmes e dar entrevistas.

A percepção dos lugares transforma-se circulando de bicicleta. Isso agrada-lhe?

Sim. Para coisas mais práticas e quotidianas é preferível a bicicleta a andar a pé. Se temos que apanhar um táxi ou um autocarro a viagem transforma-se numa outra coisa: perde a dimensão humana, bairrista. De bicicleta, parece que nunca saímos do nosso bairro.

O livro chama-se "Diários de Bicicleta", mas não é sobre ciclismo. É sobre a forma como olha para as cidades.

É verdade. Mas só tive essa percepção quando comecei a compilar todos os textos que tinha reunido. A princípio era apenas um diário que mantive durante 15 anos. Quando andava em digressão, levava sempre uma bicicleta e acabava por explorar as cidades dessa forma. O mesmo acontece em Nova Iorque onde utilizo quase diariamente a bicicleta, mesmo à noite quando vou a uma inauguração ou a um concerto. Mas o diário foi sendo actualizado, essencialmente, durante as viagens. Quando olhei retrospectivamente para a maior parte dos textos percebi que o ciclismo lúdico poderia servir de elemento de ligação dessas reflexões sobre as cidades. Algumas estão carregadas de história. Outras são lugares imersos em cenas musicais. Noutras é a arte contemporânea que é efervescente. Cada cidade tem a sua identidade e comecei a interrogar-me sobre os seus erros e também o que as faz funcionar de forma saudável.

E o que é que faz uma cidade funcionar?

É uma questão difícil... [risos]. Não creio que exista uma resposta. Diria que em comparação com as cidades americanas, as cidades na Europa estão mais preparadas para o futuro. Têm centros históricos densos, compactos do ponto de vista populacional. Urbanisticamente também me parecem pensadas de forma mais dinâmica e humana, com bairros onde se pode circular a pé ou de bicicleta. As cidades são sítios onde se trocam ideias, mas onde nos podemos permitir falhar também. São locais onde podemos escolher ser quem somos. Por exemplo, uma cidade como Berlim parece funcionar bem. É daquelas cidades onde as transformações operadas melhoraram a cidade, não a aviltaram, o que não é muito comum. É uma grande cidade, mas possui uma escala humana. É surpreendente como funciona muito bem.

Qual é a cidade ideal para um ciclista?

Também não existe um modelo. Se existirem ciclovias para bicicletas, isso é excelente. É importante que os condutores de carros saibam interagir com os ciclistas. Roma, por exemplo, é uma cidade caótica em termos de circulação automóvel, mas magnífica para andar de bicicleta. Nova Iorque, nos anos 80 e 90, era completamente anti-bicicletas. Depois, aos poucos, o panorama foi mudando. O clima é importante também. Uma temperatura constante faz com que exista mais disponibilidade para pedalar. Lisboa tem isso.

Mas Lisboa, topograficamente, é uma cidade difícil.

Não sinto isso, pelo menos no centro, onde parece ser uma cidade amigável para quem quer ir para o emprego a pé ou de bicicleta. Talvez a bicicleta não faça parte, ainda, da rotina das pessoas, mas tenho dúvidas que o problema seja o relevo acidentado. É antes uma questão civilizacional. De aposta na qualidade de vida de cada um.

Muitas cidades americanas não têm altos e baixos pronunciados, mas temos outros problemas mais graves. É uma sociedade de auto-estradas, totalmente pensada para os carros. Os carros são maravilhosos, mas parece-me que dominam as cidades há demasiado tempo.

Há quem defenda que a derrapagem do preço do petróleo e a crise financeira global apenas vieram mostrar que o estilo de vida ocidental terá que mudar radicalmente. Revê-se nessas teorias?

Totalmente. E isso vai acontecer mais rapidamente do que esperamos. Nos EUA estamos finalmente a discutir com seriedade o problema dos subúrbios, inteiramente imaginados para o carro. Temos que nos aproximar uns dos outros. Os carros e os subúrbios afastam.

Numa das passagens do livro transcreve um passeio de bicicleta por Detroit e o que nos devolve é desolador.

Detroit é um exemplo extremo, aquele de que todas as pessoas falam: é a "cidade-fantasma". Mas neste momento existem outras cidades bem mais bizarras. Os subúrbios têm qualquer coisa de mórbido. Em Phoenix ou em algumas cidades da Flórida, onde a especulação imobiliária foi conduzida ao extremo, vemos famílias inteiras endividadas a regressarem às cidades. O sonho da casa no subúrbio, com jardim e carro estacionado à frente, está a ruir. O centro de Detroit, dentro de 20 anos, poderá ser uma quinta gigante, o que não é mau de todo... [risos]. Mas muitas outras cidades americanas serão "cidades-fantasmas" em 20 anos.

A música, a arte e a cultura em geral estão intimamente ligadas ao desenvolvimento e dinâmica das cidades. Em Nova Iorque, nos anos 70, quando os Talking Heads surgiram, falava-se imenso de Manhattan. Agora parece ser Brooklyn, o bairro onde tudo parece acontecer nas artes e na música.

Sim. Passo o tempo a assistir a concertos ou performances em Brooklyn. Os restaurantes também são óptimos. Mas a maior parte das galerias estão a mudar-se para Manhattan, de maneira que vamos recuperar o encanto perdido outra vez... [risos]. Essas dinâmicas são interessantes, claro, dinamizam a vida da cidade. Brooklyn já está a ficar caro, por isso, muito rapidamente outro local nascerá para albergar artistas, músicos e boémios. Não é nenhum drama. É um processo normal.

As cidades são mais reconhecidas por essas "cenas", que irrompem com espontaneidade, do que pela cultura mais institucionalizada, não lhe parece?

Absolutamente. Não é pelo facto de uma cidade ter uma "pera, uma orquestra sinfónica ou uma série de monumentos que nos vamos lembrar dela. Mas se tiver uma "cena" artística vibrante e uma vida cultural que estimule, isso fará a diferença. Não só para as pessoas que vivem nesse local, como para quem vem de fora. Não basta construir apartamentos e estradas. É preciso criar estímulos criativos. E nisso a cultura é fundamental. É necessário que as cidades sejam locais onde apetece viver, onde nos sintamos inspirados, onde tenhamos a experiência de criar, sejamos artistas ou homens de negócios.

Quando chega a uma cidade tem objectivos, uma lista de coisas do que quer fazer e dos locais que deseja visitar, ou deixa-se ir?

Gosto de me perder, mas não muito... [risos]. Gosto da vida orgânica, no sentido em que privilegio os cafés, as pequenas lojas e os mercados. É a partir daí que apreendo um pouco da pulsação da cidade, falando com as pessoas. É na rua que está a inspiração. Olhar para as pessoas, os gestos, o que dizem, tentar percebê-las.

No livro, diz que uma das suas cidades preferidas é Nova Orleães. Outra é Nova Iorque. Duas metrópoles que passaram, nos últimos anos, por acontecimentos traumatizantes. Já superaram?

Não arrisco uma resposta definitiva, mas diria que o facto de serem cidades com uma identidade bem definida, ajudou-as a superar as dificuldades de forma mais rápida. A maior parte das cidades americanas são imitações umas das outras. Essas duas não. Portland e São Francisco também possuem identidade. Há um temperamento nas pessoas e nos lugares muito forte. Há uma estrutura. Qualquer coisa que lhes permite reerguer, mesmo nos momentos mais complicados. E são também cidades de música.

Fala com alguma veneração da Europa. Nasceu na Escócia, mas cresceu nos EUA. Sente-se europeu?

Não sei. Gosto dos EUA, mas também gosto de manter distância. Às vezes sinto-me um pouco estrangeiro. Numa série de áreas - transportes, saúde, cultura, urbanismo - os europeus tomaram uma série de medidas que gostava que os americanos seguissem. Os europeus são mais maduros, nesse sentido.

Falando agora de música. Algumas das bandas mais relevantes dos últimos anos, como Arcade Fire, Dirty Projectors ou Vampire Weekend, citam os Talking Heads como grande influência. Como reage a essa veneração?

É surpreendente. Durante muitos anos, talvez parte da década de 90 e princípio dos anos 00, ninguém ligou muito aos Talking Heads. Enfim, estas coisas nem sempre têm uma lógica precisa, mas pensei que a termos alguma influência sobre o futuro da música popular isso já teria acontecido. Acontecer agora é lisonjeador, mas também muito inesperado.

O facto de terem criado uma música simultaneamente meditativa e física, que ia recolher referências às mais diversas partes do mundo, terá algo a ver com isso?

Talvez. Não sei muito bem. O problema é quando essas vagas de inspiração apenas se alimentam da nostalgia. Não tenho paciência para isso. No caso dos grupos que mencionou não é isso que se passa, são dos grupos que sigo com atenção. Mas neles os Talking Heads são apenas uma influência no meio de outras.

Imagino que já tenham sido aliciados para um regresso?

Sim, mas é algo que não me interessa. Os meus discos não vendem tanto como os dos Talking Heads, mas não é por aí. Criativamente estou noutro ponto e é isso que me interessa.

Acabou um projecto com Fatboy Slim sobre a vida de Imelda Marcos. Como é que se foi meter nisso?

Diz bem... [risos]. É um projecto meio louco, que demorou muito mais do que o previsto, uma espécie de "disco-ópera" com mais de vinte convidados, como St. Vincent, Róisin Murphy, Sharon Jones, Tori Amos, Santigold ou Natalie Merchant.

Qual foi o critério na escolha de todas essas cantoras?

Algumas são simplesmente amigas, as outras eram cantoras de que gostava e que encaixavam em determinadas canções.
Essencialmente é um disco de música de dança, com alguma exuberância pelo meio. É um disco emocional e dramático, como a própria Imelda Marcos... [risos]. É possível que venha a ser apresentado um musical em Nova Iorque, numa pequena sala, mas ainda não é certo.

Digamos que Fatboy Slim não é propriamente Brian Eno...

Muita gente diz o mesmo. Mas isso também é interessante. O método de trabalho não foi muito diferente daquele que utilizaria com Brian Eno. No fim de contas, trata-se de trocar ficheiros musicais durante meses, recorrendo a "samples" e "loops", até criarmos uma canção. O que importa é a ideia que se quer transmitir e em função dela escolhem-se os sons e as vozes e, nesse processo de negociação, foi óptimo trabalhar com alguém como Fatboy Slim.