quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Bikes FTW

Mais um testemunho para quem tem dúvidas de que as bicicletas são o melhor meio de transporte nas cidades. E pela mão do grupo mais insuspeito: a equipa do programa de automóveis Top Gear!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Lisboa e São Francisco - a diferença está na pedalada

Vou começar a minha colaboração neste blogue, a fazer batota. Isto porque vou colocar um artigo que já tinha escrito no Facebook, mas que pela sua pertinência, acho que faz todo o sentido resgatá-lo para esta nova audiência. (ou pelo menos eu gosto de pensar que sim)

Duas cidades à beira mar, com pontes parecidas, e climas também semelhantes, são ambas conhecidas pelas suas 7 colinas.

Embora São Francisco tenha um pouco mais de população, a diferença é pequena (800.000 vs 560.000 nas cidades propriamente ditas, e 3.2M vs 2.8M se considerarmos os arredores), e as densidades populacionais das duas são idênticas.

Ora sempre que se fala em utilizar a bicicleta em Lisboa, o "bicho papão" de que toda a gente fala logo, são as 7 colinas... "é muito difícil pedalar em Lisboa... é tudo a subir!" De seguida vem a desculpa de não existirem infraestruturas, que é perigoso andar na estrada.

Ao ler o texto da Wikitravel sobre SF, pode-se ler:

Do not be misled by maps depicting the city's strict, regular street grid, as even the straightest of San Francisco's streets might include steep hills (...) But overall, San Francisco is one of the most bike-friendly cities in the United States despite its hilly terrain.

Um "passeio" 3D no Google Earth, dá para perceber o relevo das cidades - ambas têm zonas com grandes declives (talvez mais acentuado em SF, segundo quem conhece bem as duas cidades), mas grande parte é plana ou quase - no caso de Lisboa, 65% da cidade tem uma pendente inferior a 5% ou seja, é muito fácil pedalar nessas zonas...

Neste excelente mapa feito pela SF Bicycle Coalition, podem ver as inclinações das ruas de SF: http://www.sfbike.org/download/map.pdf (para quando um mapa de Lisboa deste género?)

E sim, SF está em 8º lugar no top das cidades mundiais para se andar de bicicleta, e não há assim tantas ciclovias na cidade... na maior parte dos casos, as bicicletas andam na estrada. E há carros "a dar c'um pau", (não estivessemos nós a falar de uma cidade dos EUA - o país com mais carros per capita: 735 por cada 1000 pessoas; nós estamos em 14º lugar, com 537 carros por cada 1000 pessoas).
Então o que faz São Francisco uma cidade bike-friendly? Não tenho a menor dúvida que é o facto de já terem atingido a "massa-critica" de ciclistas (estima-se que cerca de 40.000 pessoas utilizem a bicicleta diáriamente para se deslocarem para o trabalho) e esse é o maior contributo para se andar bem de bicicleta numa cidade.

Por isso, não me venham com a conversa de que Lisboa não é boa para andar de bicicleta, que tem muitas subidas e poucas infraestruturas para o efeito... o que Lisboa não tem, é muita gente a andar de bicicleta!
Como o meu amigo Gonçalo comentou no Facebook, as "sete colinas", são as da "preguiça", "status", "cagança", "novo-riquismo", "burguesismo", "desconhecimento" e "nem-quero-saber".

Quando atingirmos a nossa "massa-crítica", aí sim, já vão perceber o que é uma cidade "bike friendly".


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Quem é "El Diablo"?


É, provavelmente, a figura mais conhecida dos eventos ciclisticos europeus.

Mas, de quem se trata afinal? O seu nome é Dieter "Didi" Senft, tem nacionalidade alemã e 57 anos de idade.

O resto pode ser encontrado na notícia do jornal suíço "Le Matin".


C'est le diable en justaucorps. Depuis bientôt deux décennies, Dieter «Didi» Senft, 57 ans, réveille de sa fourche l'ardeur des coureurs cyclistes à quelques dizaines de kilomètres de l'arrivée. Depuis hier, il parcourt les routes et cols du Tour de Suisse.


El Diablo! Le surnom espagnol n'est pas de lui, précise-t-il au téléphone, à Storkow, au nord de Berlin, où nous l'avons joint: «Ce sont les foules qui peu à peu m'ont appelé comme ça, et c'est resté.» Le costume, bonnet à cornes, collant rouge, cape noire et trident jaune vif, a certes aidé.


Un ange gardien
Qu'un démon surgisse dans le monde du cyclisme dans la décennie qui a mis au jour le scandale de l'EPO, les descentes de police, les mensonges éhontés, la mollesse longtemps coupable (complice?) des instances dirigeantes, la mort tragique de Pantani, qu'un Lucifer frétillant apparaisse précisément au coeur de ces tourments l'amuse-t-il? Il rit: «Je n'y suis pour rien, je vous le jure! Je serais plutôt l'ange gardien de tous ces coureurs que j'admire...» plaide-t-il avec l'accent un brin heurté de l'ex-Allemagne de l'Est.


C'est sur le Tour de France, en 1993, que le Malin a fait irruption, et c'est Claudio Chiappucci qui bénéficia alors de l'infernale escorte. Rapidement repéré par les télévisions, son image a, depuis, fait le tour du monde. Des reportages lui ont été consacrés, y compris dans sa maison - musée de Storkow, où il expose ses extravagantes collections de vélos, fabriqués maison pour la plupart, du plus petit, dont la roue avant fait 2 millimètres de large, au plus grand, qui mesure 7,80 mètres de long... «Je suis en train d'ouvrir un second musée, car je n'ai plus de place pour mes collections!» Un mordu, un vrai.


L'origine du déguisement puise sa source dans l'expression «roter Teufel» (diable rouge), équivalent allemand de notre francophone «flamme rouge», qui signale le dernier kilomètre. Des costumes, il en a déjà «tué» une vingtaine. «A la maison, c'est ma femme qui les lave, mais sur les routes je suis bien obligé de me débrouiller.» Une flamme, un diable attendu plus que jamais lorsque l'épreuve se révèle particulièrement impitoyable. Les étapes de montagne sont ses favorites, lorsque, dans les lacets, la sueur brouille la vue et que le corps hésite à se mettre en danseuse, position qui risquerait de révéler une éventuelle faiblesse aux concurrents.


«Respectueux des coureurs»
Parmi la foule des supporters, les inévitables crétins sont toujours redoutés. L'enthousiaste chauffé au pastis qui fait trébucher le forçat, le vidéaste inconscient, le forcené de la poussette et le bal des banderoles que d'aucuns confondent avec des muletas. Mais pas lui. Extravagant, un peu fou, mais «toujours pleinement conscient et respectueux des coureurs», souligne Armin Meier, directeur du Tour de Suisse. Sa présence est un plus indéniable, se réjouit-il: «Depuis toutes ces années, il fait partie de la légende du cyclisme. On a besoin de personnages comme ça, car il résume bien l'état d'esprit du public, chaleureux mais jamais agressif, comme cela peut arriver dans d'autres sports. Je m'attends surtout à le voir lors des étapes de Davos et de Crans-Montana.» Laurent Dufaux ne cache pas sa sympathie pour El Diablo: «Je l'ai vu si souvent, il n'a jamais causé d'accident, et inconsciemment on finissait par le guetter, se souvient l'ancien champion vaudois; j'ai même eu l'occasion de lui serrer la main, dans l'aire d'arrivée, mais sans vraiment pouvoir lui parler.» Fan absolu de tous les coureurs, de la star au plus humble damné du gruppetto, Didi Senft se garde bien de les importuner. «Je ne chasse pas les autographes, insiste-t-il, mais, si le hasard me met en présence de l'un ou l'autre, je le salue, bien sûr.»


Dans son bus VW bariolé
Ancien coureur amateur, El Diablo prépare soigneusement ses expéditions. «Mon budget est assez modeste, je dors dans mon bus.» Un bus VW bariolé devenu célèbre sur le parcours du Tour de France (17 participations), du Giro (14), de la Vuelta (un tour et plusieurs étapes) et bien sûr du Tour de Suisse. «C'est ma dixième venue dans les montagnes suisses; j'aime bien ce tour, car, contrairement aux plus grandes boucles, il y a moins de cordons de sécurité, tout le monde est plus accessible.»


Une seule mésaventure au compteur, en 2005, sur le trajet qui mène à Arosa: «J'avais peint sur la route deux grandes roues de vélo, ce qui m'avait valu 1278 francs d'amende, c'est-à-dire le budget nécessaire aux trois semaines du Tour de France...» Car le diable est frugal: ni hôtels ni restaurants. La gastronomie locale n'est pas son but. «Mon bus est plein à ras bord de boîtes de conserve. Et je garde mon argent pour payer la vignette!» Et si l'organisation la lui offrait? Le monde de la petite reine lui doit bien ça, non?

domingo, 10 de outubro de 2010

Primeiro estranha-se, depois entranha-se...


O famoso slogan publicitário que Fernando Pessoa criou para a "água suja do imperialismo" em 1927 bem pode ser aplicado ao artefacto constante da foto.

É que, para quem tem de guardar a bicicleta numa "marquise apartamental", a sua absoluta higiene é fundamental. Por isso nada melhor que um compressor básico que funciona a 12 v. usado no final da incursão e que, com pouco mais de uma dúzia de litros de água, opera maravilhas a esse nível sobretudo se coadjuvado com um spray desengordurante.

Mesmo que isso custe alguns olhares estranhos de transeuntes e até alguma admiração dos teus pares o que é certo é que, à estranheza inicial, sucede o entranhar da genialidade da acção...

De resto, para quem pedalou verticalmente o rectângulo republicano puxando um atrelado atrás da bicicleta ou, como o MS, pedala numa única roda, esta indiscrição é naturalíssima. Por isso, tudo vai bem no melhor dos mundos possíveis, como diria Pangloss pela boca de Cândido.

Serra de Grândola - um valor seguro...


Monitorizando a previsão meteo até à exaustão optei, ontem, pela Serra de Grândola para um circuito de 73 kms.

O dia amanheceu limpo e, em conjunto com o JC, dirigi-me à serra para o percurso descrito que, em virtude da evolução da previsão, era a 4ª hipótese.

A coisa não podia ter corrido melhor - é que, apesar de ter levado o set de tempo chuvoso (heavy-duty), à excepção de um aguaceiro medonho de cerca de 15 minutos, o tempo esteve sempre seco e até maioritariamente ensolarado.

A serra de Grândola tem os seus créditos firmados e aquilo que parecia, à partida, uma aposta arriscada, acabou por se tornar numa jornada espectacular de bom BTT com muitos single-tracks numa paisagem fantástica.

sábado, 9 de outubro de 2010

AINDA BRUXELAS: TOMANDO DE ASSALTO A "GARE CENTRALE"



Fantastique!

Volkswagen bike - Conceito Think Blue

A Volkswagen apresentou na Auto China 2010 o seu conceito de mobilidade sustentável, na forma de uma bicicleta eléctrica dobrável que encaixa no espaço do pneu suplente.
Pretende-se que o condutor ao chegar à cidade estacione o carro e faça o resto das suas deslocações na cidade desta forma.
Tem ainda a vantagem de poder ser carregada na tomada de 12v do carro ou nas tomadas de casa.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

DR. JEKILL & MR. HYDE


Porque será que, por detrás de um condutor raivoso, está sempre um cidadão encantador quando não está com um volante nas mãos?

Evite o "rage drive"!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

CALMING THE TRAFFIC - THE LONDON EXPERIENCE


A propósito da recente experiência em Bruxelas falei-vos da acalmia de tráfego e das intervenções físicas na via pública. De facto não basta colocar um sinal vertical de "Zona 30" e esperar que as velocidades de circulação se cumpram, por milagre, sobretudo num país onde a velocidade máxima legal é apenas uma mera indicação ou até uma sugestão de velocidade mínima.

O clip acima demonstra-nos a experiência londrina. Não tenhamos dúvidas que só através de intervenções corajosas no espaço público é possível uma melhor mobilidade.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

ARRUDA ATLÂNTICO 2010 - THE WESTERN SUN


Tal como no ano passado alinhei.

A fórmula encontrada é perfeita: track GPS, custo zero, ausência das malditas fitas plásticas a poluir, pedalar em grupo restrito, ausência de cronómetro, etc.

A cereja em cima do bolo é o Oeste em dia de sol. É um privilégio a que só poucos têm acesso.

Relembro a dura saída da Arruda dos Vinhos, a passagem da serra Galega, a entrada em Torres Vedras pelas termas dos Cucos, a ecovia, num e noutro sentido, a esplanada oceânica em Santa Cruz, os greens de golf junto ao Socorro, etc.

E, sobretudo, aquele sol português.

Roam-se de inveja, os sedentários!

Foto by Camacala

sábado, 25 de setembro de 2010

Interview with Robert Penn


Nem de propósito.

Robert Penn entrevistado na BBC fala da sua bicicleta de sonho e que esteve na base do livro a que já fiz referência...

Em http://news.bbc.co.uk/2/hi/programmes/gmt/8881926.stm

The Pursuit of Happiness on Two Wheels

Depois de ter visualizado os video-clips da BBC da autoria de Robert Penn (mais um ciclista compulsivo) fiquei com intensa curiosidade de ler o livro que o mesmo escreveu e que serviu de base ao documentário.

Trata-se de "It's All About the Bike - The Pursuit of Happiness on Two Wheels" (reparem na pequena nuance entre o título original e o mesmo na versão australiana da foto à esquerda - perseguição ou busca?).

Não perdi tempo e pus os correios de Sua Majestade a transportarem para Lisboa o dito texto devidamente impresso e encadernado.

Acho que nunca devorei tão depressa um livro ainda para mais grafado no idioma da Velha Albion.

Ora, se o documentário era já de si delicioso, o livro é absolutamente imperdível.

Deixo-vos esta citação apenas: "The bicycle saves my life every day. If you’ve ever experienced a moment of awe or freedom on a bicycle; if you’ve ever taken flight from sadness to the rhythm of two spinning wheels, or felt the resurgence of hope pedalling to the top of a hill with the dew of effort on your forehead; if you’ve ever wondered, swooping bird-like down a long hill on a bicycle, if the world was standing still; if you have ever, just once, sat on a bicycle with a singing heart and felt like an ordinary man touching the gods, then we share something fundamental. We know it’s all about the bike."


Quem pedala sabe, exactamente, do que Rob fala - in fact, it's all about the bike!

LOURDE - TOUT A FAIT !

Soube agora que estas bicicletas da JC Decaux são atraídas pela força da gravidade num valor de vinte e dois quilogramas.

Ou seja, duas vezes uma das minhas máquinas de BTT. Não admira pois que sejam tão lentas a subir.

Desconfio que, em Lisboa, venha a ser dramático para um utilizador sem forma física ir, por exemplo, da Baixa ao Chiado...

BRUXELLES EN "VILLO"


Depois de Roma, Bruxelas.

Já lá não ia há uns tempos e, no capítulo da mobilidade, que diferença, a dois níveis:

  • Em primeiro lugar o sistema de bicicletas partilhadas (Villo).
  • Em segundo lugar o planeamento da circulação e as intervenções físicas na via pública.

O sistema de bicicletas partilhadas - convenhamos, não é propriamente uma novidade. Trata-se do sistema da JC Decaux que, por aquelas bandas, se intitula "Villo".São as mesmas bicicletas de Paris (Velib) e outras cidades com o cubo Nexus de 6 velocidades. Porém, ao contrário de outras cidades, também é possível uma locação de curta duração o que é muito conveniente para quem se desloca aí por um prazo curto. 1,5 € por 24 horas, 7 € por uma semana (o cartão anual custa 30€.).

Confesso que nunca tinha andado numa bicicleta daquelas já que, nas cidades por onde tinha passado antes, ou não tive oportunidade, ou o sistema não permitia uma utilização de curta duração ou, ainda, pura e simplesmente, a procura era de tal intensidade que não existiam bicicletas disponíveis.

Uma vez que será esse mesmo modelo de bicicleta implementado em Lisboa gostaria de vos deixar a minha opinião sobre a mesma cimentada em algumas horas de utilização. Assim, gostei muito do funcionamento do sistema de gestão em que se utiliza um simples cartão de débito. Trata-se de um sistema fácil, fiável e que inspira confiança no utilizador. O número de estações, o seu distanciamento e a cobertura da malha urbana (em Bruxelas, bem entendido) é satisfatório.

A bicicleta é robusta, porventura demasiado, o que se reflecte num peso exagerado. Ainda assim o equipamento é razoável - cubo Nexus com 6 velocidades na traseira, cubo com dínamo Shimano na frente alimentando, em permanência, uma luz vermelha na traseira e um farol na dianteira com a vantagem de permanecerem acesos, mesmo com a bicicleta parada. O selim é regulável em altura, como não poderia deixar de ser, sendo, aliás, esse o único ajuste a efectuar quando se pega numa bicicleta; os travões são muito pouco potentes sendo necessária exercer muita força sobre as manetes até se conseguir, finalmente, parar o veículo.

O comportamento dinâmico é variável – se com um piso liso e plano se consegue uma velocidade e conforto aceitáveis, o primeiro declive ascensional pode tornar-se numa dor de cabeça, apesar das mudanças. Nos declives de Bruxelas, incomparavelmente menores do que os de Lisboa, torna-se necessário empenho físico e, amiúde, pedalar em pé, já que a desmultiplicação, só por si, não dá conta do recado.

Os pisos degradados são desgraçados para o conforto e o termo bone-shaker, como eram conhecidas as primeiras bicicletas, parece aqui bem adequado no temível pavé belga e suponho que não seja muito diferente no empedrado lisboeta.

Ainda assim a versatilidade e pragmatismo do esquema é uma mais-valia em termos de mobilidade urbana. Tive ocasião de o comprovar: sai-se de casa, pega-se numa bicicleta, percorrem-se umas centenas de metros, estaciona-se num slot livre de um dos postos, resolvem os assuntos e volta a inverter-se o processo – muito prático e, sem dúvida a forma mais rápida de nos deslocarmos na cidade a determinadas horas. Devo dizer que não utilizei, uma única vez, qualquer outro meio de transporte para me deslocar na cidade.

Paradoxalmente, no caso de Bruxelas, encontrei sempre bicicletas disponíveis nas estações sendo que, o problema, a determinadas horas, é encontra um slot livre para estacionar o que obriga a percorrer uma distância razoável até ao próximo posto. Por mais de uma vez me inibi de retirar uma bicicleta por esse motivo.

Quanto ao planeamento da circulação e as intervenções físicas na via pública julgo que Bruxelas se pode constituir num verdadeiro paradigma para outras cidades. Lisboa está a anos-luz da capital belga e duvido que, alguma vez, consiga ter algo semelhante implantado. Qualquer ponto da cidade é acessível de bicicleta e as opções para aí chegar são inúmeras.

A sinalização é irrepreensível, seja a vertical seja, sobretudo, a horizontal e os utentes da via (sejam automobilistas ou ciclistas) sabem sempre onde podem passar bicicletas. Curiosamente apenas vi uma única ciclovia em cima do passeio (como as de Lisboa), no distrito Europeu, o famoso axe rouge da avenida Loi, com três vias para os automóveis e onde a ciclovia ocupa os passeios em ambos os sentidso. Em todos os outros locais, sejam as pistas cicláveis marcadas, uni ou bidireccionais ou bandas cicláveis sugeridas, o espaço é conquistado aos meios motorizados e nunca aos peões.

De igual modo as marcações são irrepreensíveis, mesmo sobre o pavé e cada um sabe o lugar que deve ocupar na via pública. Destaque ainda para a possibilidade de circular em contra-mão na maioria das ruas secundárias de sentido único, a abundância de zonas “30” e as obras físicas de acalmia de tráfego - por exemplo o estacionamento de carros que muda, a dado passo, do lado esquerdo para o direito da rua ou ainda o interior dos cruzamentos e muitas passadeiras sobre-elevadas.

Em suma, consegue-se circular de bicicleta em todo o lado sem sensação de perigo, mesmo que, em muitos locais, o tráfego automóvel esteja longe de ser calmo já que abundam os membros da apressada comunidade das “carrinhas brancas”, os entregadores de pizza, os correios expresso e afins.

A densidade de bicicletas, sem atingir os números que se conseguem encontrar em Amsterdão ou Copenhaga (ou em algumas cidades da Flandres) é, ainda assim elevada, e encontra-se de tudo: desde máquinas de estrada que rolam rapidamente, a BTT's, pasteleiras, fixies, etc. e, às horas de ponta, nota-se claramente a vantagem de circular em bicicleta.

Por ultimo gostaria de destacar a Carte Velo de Bruxelles que é um mapa actualizado da região de Bruxelas que contém numerosas informações úteis para a deslocação em bicicleta  como sejam, o relevo, as pistas cicláveis (dos diferentes tipos), os locais de estacionamento de bicicletas ou os locais de apoio (lojas, por exemplo). Verdadeiramente completo, útil e vendido ao preço simbólico de um euro. Naturalmente adquiri o meu exemplar.

A bientôt Bruxelles!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

S.P.Q.R. - La Dolce Vita in bicicletta

Foto daqui

Roma deixou-se percorrer, no passado fim-de-semana, não de scooter (como no filme) porém de bicicleta. É reedição de La Dolce Vita reforçada com a deslocação sobre rodas e sem emissão de carbono...

Ainda com  a ideia de Roma como a cidade do trânsito caótico, a experiência velocipédica na Cidade Eterna não poderia ter corrido melhor. O centro histórico tem severas restrições ao tráfego automóvel (ao estilo londrino - embora com pórticos electrónicos e câmaras) que reduzem substantivamente o fluxo de automóveis. Concomitantemente, a quantidade de zonas pedonais é muito grande o que, aliado aos desníveis quase inexistentes (excepção para as tradicionais colinas - Capitólio, Palatino, Esquilino, Quirinal, etc.) e a uma meteorologia agradável fazem da capital italiana a cidade quase perfeita para o ciclismo turiístico.

Destaque ainda para a enorme ciclovia do transtevere que percorre a margem direita do Tibre durante quilómetros intermináveis e que oferece uma perspectiva única daquela que era já, provavelmente, a mais agradável das capitais europeias...

Apesar de ter também um serviço de bike sharing refira-se que o número de bicicletas disponível é insuficiente para a procura. Por isso a escolha recaiu numa empresa de aluguer que, a preço módico, me cedeu uma máquina de trekking muito bem equipada e que permitiu dezenas de quilómetros sem problemas e com forte agradabilidade.

Tal como na película de William Willer,também esta foi una giornata indimenticabile a Roma.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ciclismo Utilitário - Qual o pedal adequado? (II parte)


Nem a propósito: descobri esta página (de onde retirei a presente foto) e que nos fala de sapatos italianos de ciclismo, ou seja - o melhor de dois mundos.

Não fosse o preço pouco convidativo e teriam-me como cliente...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Rain Drops Keep Falling on my Head



A lembrança foi do Miguel Barroso no seu blog-trendy. No entanto eu não resisti a postar aqui este clip magnífico. Serve também de homenagem ao inesquecível actor que foi Paul Newman.