quarta-feira, 20 de julho de 2011

ARRÁBIDA’S WILL - TRAVESSIA DO PNA


Domingo, 17 de Julho de 2011
115 kms.
2812 m. de vertical acumulado

Melhora o condicionamento, aumentam de interesse, quilometragem e dificuldades as nossas incursões.


Foi tempo de retornar à Arrábida, território tantas vezes percorrido e explorado que foi objeto de um esquecimento virtuoso durante anos. É que, este retorno, teve o condão de a um tempo ser um deja vue e uma redescoberta. É, se quisermos, uma adaptação do velho ditado: "nunca voltes a um lugar onde já foste feliz", mutatis mutantis por um "volta apenas, anos volvidos, a um lugar onde já foste feliz".


E, porém, a Arrábida é estonteante nas suas paisagens, nos seus vales, nas suas matizes e, acima de tudo, nos contrastes que estabelece com o Atlântico, num jogo feliz entre o verde e o azul que empresta toda uma cenografia, bem asada aos nossos olhos e às objetivas fotográficas. Recordo-me de ter dito que são únicas estas paisagens em Portugal e muitos concordarão comigo. Basta chegar ao cimo de um monte, num dia solarengo, olhar “lá para baixo” e ter um mínimo de sensibilidade.

Mas vamos à incursão.

A ideia foi cruzar o Parque Natural da Arrábida (PNA) de lés a lés e retornar procurando, ainda, alcançar o alto das suas três fortalezas (Palmela, Setúbal e Sesimbra) bem como o santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel no extremo poente do PNA. A previsão inicial era ousada: perto de 120 kms. e quase 3.000 m. de acumulado, números que a contagem final não desmentiu.


O início, por uma questão de comodidade, deu-se em Palmela, porém lá bem no topo junto ao seu castelo de forma a não existir possibilidade de escusa final. Para o bem e para o mal haveria de se ter de subir a vila até àquela fortaleza que, curiosamente, alberga a sede da Ordem de Santiago em Portugal e, só deste modo, estaria completa a incursão. Depois da descida pelo parque e após a vila pela saída clássica da Serra do Louro deu para (re) constatar que, a área do PNA é, cada vez mais, uma zona predileta para o BTT, rivalizando na densidade de bicicletas com a Serra de Sintra num domingo de manhã.

Percorrida a serra do Louro a descida da portela deu-se por um simpático e ancestral single-track até ao Vale dos Barris e daí, de novo, “lá para cima” para o sopé da Serra de São Luís que foi contornada por SW descendo e cruzando, logo após, a N10 por uma subida da calçada romana até ao bairro do Viso já nos limites da cidade de Setúbal. Esta ida a Setúbal constitui praticamente uma inversão de marcha para mais quando tiveram, desde logo, de ser vencidos dois vales, o primeiro dos quais a exigir forte empenho. No forte / pousada de S. Filipe, uma pausa contemplativa para vislumbrar, do alto, a cidade e a incrível baía.


De imediato seguimos para poente pelo topo antes da descida, forte, para a foz da Comenda e daí pelos altos da Rasca. Esta foi uma opção que não vingou já que, na prática, se trocou a clássica e sempre agradável subida da ribeira da Comenda até Picheleiros por um sobe e desce muito difícil num piso de difícil aderência, obrigando a desmontar com frequência nas subidas e sem que a paisagem constituísse sequer uma mais valia, nem mesmo o seu single-track final, por muitos apelidado de “maravilha” mas que, na prática, se encontra em más condições obrigando a um desmontar permanente.

Após o cruzamento dos Picheleiros abandonamos a estrada para uma breve incursão, encosta acima, pelo estradão das quintas num conjunto extenuante mas muito interessante pelos locais que visita: são as quintas dos Picheleiros no seu melhor bem enquadradas pelo monte Formosinho (topo da Arrábida). Pausa na cafetaria do Parque de Campismo já com algum desgaste e lá seguimos em direção a Casais da Serra contornando todo o sopé da serra num percurso muito rápido e lindíssimo.

No lugarejo, a compra de uma garrafa de água num restaurante repleto de clientes e com o cheiro a sardinha assada omnipresente em plena hora de almoço, a criar um sentimento de revolta. É que perante tão aromático repasto, o contraste era gritante com as barras de muesli que povoavam o bolso da minha jersey.


Rapidamente seguimos desta vez em direção a Sesimbra primeiro pelo estradão e depois pelo caminho das pedreiras e, muito rapidamente, estamos em Santana perante a íngreme rampa de acesso ao castelo que alcançamos e cujo interior percorremos saindo pela sua porta NE e mimetizando a PR que desce a encosta num single-track de antologia (este propriamente “maravilha”) pelo meio de um túnel de arvoredo onde, a espaços, se vislumbra o mar com a piscatória (e turística) Sesimbra lá bem embaixo. O trilho está muito bem conservado e é todo ciclável (à exceção de um pequeno salto) e revelou-se como o verdadeiro landmark da jornada.


O problema é que, como em tudo na vida, há sempre uma contra-reação, neste caso baixamos de cota de tal modo que, para retomar uma altitude semelhante à que foi perdida foi necessário efectuar a temível subida do Sentrão, provavelmente a mais dura e longa da jornada, por um estradão de tout-venant. Recordo-me de, por mim, passar uma viatura (também subindo com alguma dificuldade) e de o ocupante me ter gritado "isso é que é vontade". Fiquei a meditar naquela frase e de facto acho que, a mesma, traduz perfeitamente o espírito - foi penosamente, metro após metro, que chegámos até ao Zambujal de Cima e à N379 que percorremos para poente durante cerca de um quilómetro à falta de alternativa.


Rapidamente nos desembaraçamos da mesma e cruzamos os rápidos estradões paralelos que cruzam a Aldeia Nova da Azóia, primeiro, e a Serra de Azóia, depois. Nesta terra paramos um pouco na cafeteria do clube desportivo local para restaurar algumas energias perante alguns olhares curiosos. Seguimos então, após o fim do estradão que aqui termina cruzando os quilómetros finais que nos separam do Cabo Espichel perante uma ventania inclemente que aqui parece vir dos quatro quadrantes em simultâneo.

No incrível santuário as obras de restauro tardam a chegar mas, no entanto, há algumas novidades que sem custarem dinheiro melhoraram a qualidade de visitante de quem ali demanda: a colocação de uns simples pilaretes metálicos impede agora os carros de alcançarem quer o adro da igreja e das antigas celas dos romeiros, quer o próprio cabo. As vezes gestos simples são os suficientes para resolver situações aberrantes.


Em virtude da fortíssima nortada optámos por um plano B relativamente à travessia das terras a norte do Cabo até ao Meco. De facto, procurámos um trajecto um pouco mais interior e direto à praia da Foz já que, com tamanhas rajadas não era muito conveniente pedalar em zona de falésia. Estas terras do Meco são uma paisagem à parte e diferente de tudo aquilo a que estamos habituados e onde guiarmo-nos por um aparelho de GPS é quase condição sine qua non.

O resto do percurso pouca história tem de contar já que, após Aiana de Cima e até Aldeia de Irmãos e Vila Nogueira de Azeitão, se limita a cruzar pinhais infindáveis. De novo nas terras do PNA a passagem pelas ruas reconditas de Azeitão a mostrarem o esplendor das quintas e o ambiente bucólico que caracteriza um das terras mais tradicionais da região e do país.


Rapidamente vencemos os metros até à Igreja das Necessidades onde cruzámos a N10 e começamos a descer de modo rapido o estradão de tout-venant até ao vale dos Barris. Aí chegados uma opção tática de gestão do esforço levou-nos a subir o caminho da portela da Serra do Louro em detrimento de continuar pelo Vale dos Barris: preferiu-se vencer os cerca de 300 penosos metros da subida da portela de uma só vez do que o vale continuamente em direção a Palmela. A escolha coincidiu com a vantagem de tornarmos a repetir o sempre incrível troço dos moinhos do Louro desta vez no sentido descendente o que, convenhamos, é sempre bem mais gratificante.

Alcançada Palmela faltava ainda a subida final ao Castelo. A vontade e as forças já não abundavam mas "tinha de ser", e lá fomos no quilómetro derradeiro, subindo, vila acima até ao castelo, ao final da incursão e ao descanso.

Para trás ficou a incursão mais dura da época, bem mais do que o clássico "Fátima" (apesar dos seus 165 kms.). Mas o grau de satisfação é equivalente à dureza da mesma a que não são alheias das paisagens mais impressionantes que se podem encontrar em Portugal e que, tal como Torga relativamente ao Douro, Sebastião da Gama, o poeta de Azeitão, tão bem nos cantou aquela a que chamou a Serra Mãe.

Este seu poema mais conhecido traduz, afinal, a essência do BTT:

Pelo Sonho é que vamos, comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos? Haja ou não haja frutos, pelo sonho é que vamos. Basta a fé no que temos, Basta a esperança naquilo que talvez não teremos. Basta que a alma demos, com a mesma alegria, ao que desconhecemos e do que é do dia-a-dia. Chegamos? Não chegamos? - Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama, Pelo Sonho é que Vamos

terça-feira, 19 de julho de 2011

LOULÉ, TERRA DE TRADIÇÕES E DE BICICLETAS




O texto que se segue é da autoria de um grande algarvio que dá pelo nome de José Mendes Bota.

Por força das circunstâncias tive e tenho o grato prazer de ser seu amigo e sei, de mote próprio, que a paixão com que se entrega às suas responsabilidades conferem uma marca especial a tudo quanto faz. Também a sua passagem pelo ciclismo na condição de dirigente desportivo não constitui excepção tal como o prova o texto que abaixo se transcreve. 

Nele, Mendes Bota elabora um depoimento sobre a sua vivência no ciclismo, como adepto e como dirigente clubístico e associativo, e sobre a importância que o desporto velocipédico teve e tem no município de Loulé. Um testemunho para o escritor Neto Gomes, que prepara um livro sobre o ciclismo em Loulé. 

Acresce ainda a circunstância de, Mendes Bota, ser tio de uma atleta de referência no BTT algarvio e nacional (vertente de XC) que dá pelo nome de Irina Coelho também ela uma orgulhosa louletana.

PR

LOULÉ, TERRA DE TRADIÇÕES E DE BICICLETAS
Por José MENDES BOTA

O ciclismo é um dos desportos mais  belos e emocionantes do mundo.  Esta característica é  hoje alavancada pela televisão, que permite um acompanhamento em tempo  real das competições, à disposição universal de toda a gente. Tive etapas diferentes à volta das voltas. 

O despertar numa terra que amava o ciclismo de uma forma entusiasmada, aconteceu na  década de sessenta. E os heróis chamavam-se Vítor Tenazinha, Valério Chocolateira (o da camisola amarela), Perna Coelho, Casimiro Cabrita, e muitos outros que recordarei depois de  ler este livro do Neto Gomes. 

Os dirigentes eram o Bexiga Peres e o dr. Manuel Gonçalves. O técnico, massagista, mecânico e faz-tudo-o-resto, o polivalente Manuel Costa. Não havia televisão. As notícias chegavam via rádio, não raramente, por telefone. Fulano ia em fuga em Beja, com meia hora de avanço, a chegada era em Faro. E lá ia foguete. Se a vitória sorria às camisolas de listas verticais vermelho e branco, era um arraial de S. João. O povo saía às ruas, juntava-se nos cafés, era a alegria geral. 

E assim, à distância, se ia acompanhando as proezas e as desilusões dos heróis do pedal de Loulé. Havia outras equipas, de amadores, como o Atlético, e disputavam-se muitas provas pelas aldeias. Aos domingos, a pista do Estádio da Campina, com o seu perigoso empedrado irregular, posteriormente coberto de sal-gema, enchia de multidões para ver o espectáculo de sprints com os rivais de Tavira capitaneados por Jorge Corvo, e equipas de fora como o Benfica ou o Sporting. 

Voltei à estrada, após o 25 de Abril, como dirigente do Louletano com 18 anitos de idade, liderando uma equipa fraquita na Volta a Portugal, que acabou muito desfalcada pelas desistências e pelo Captagon do Manuel Beirão (nunca mais esqueci estes nomes…), mas tive a honra de acompanhar e apoiar um dos maiores trepadores do pelotão nacional, chamado José Madeira. Foi uma experiência inolvidável, prometo um dia, quando recuperar o meu arquivo gigante de papelada, fazer um livro só sobre as vivências ciclísticas. 

Em 1978, salvo erro, convenceram-me a presidir à Associação de Ciclismo do Algarve, onde estive até 1984. Era uma equipa de gente voluntariosa, o “Favas”, o José Manuel Farrajota, o António da Avó, o “Zequinha” (hoje sr. Viegas Ramos) e muitos outros, que conseguiu recuperar a Volta ao Algarve para o calendário velocipédico nacional, num tempo em que não era fácil arranjar patrocínios. Trouxémos duas vezes a selecção da Lituânia (ainda na época do império soviético), e quase se arranjou um conflito diplomático, pois queriam todos
pedir asilo político. Criámos selecções de escalões juniores onde despontaram alguns valores interessantes, a coisa dinamizou com muitas equipas novas, um pouco por todo o Algarve. 

No princípio da década de oitenta, por duas vezes, integrei o júri da Volta a Portugal, no tempo de Mário Ferreira e Francisco Nunes na Federação, e assisti ao segundo lugar do maior ciclista algarvio que vi correr até hoje, Luis Vargues, então a correr pelo Campinense, e cuja carreira poderia ter ido mais além, pois tinha potencial físico para isso. Ali continuei, conciliando este hobby com os primores de um percurso autárquico. Penso que deixámos a Associação, sediada em Loulé no torreão do mercado municipal, com algo mais do que a caixa de sapatos com meia dúzia de fichas que herdámos. Até ao dia em que o cão atravessou a marginal de Quarteira numa Volta ao Algarve, e Joaquim Agostinho caiu desamparado, sem capacete, traumatizado, foi tarde para o hospital, não havia helicópteros no Algarve, quando chegou a Lisboa era tarde demais. Nesse dia, tomei a decisão de abandonar o ciclismo. Era o presidente do júri dessa prova. E apercebi-me do amadorismo sem rede em que todos ali andávamos, e nos riscos em que incorria o nosso voluntarismo, na base das boas-vontades. Ainda tenho gravadas na memória as imagens do campeão em sangue, do José Alentejano a fazer de enfermeiro. Numa história que tem contornos que nunca foram contados como deve ser, e aqui não serão. Ainda. 

Afastei-me do ciclismo activo, até hoje. Tive uma intervenção decisiva junto do holandês “patrão” de Vale do Lobo, que o convenceu a fazer uma parceria com o Louletano, criando a melhor equipa de Loulé, e do Algarve, que jamais se formou nesta terra, nesta região, e ganhou tudo o que havia para ganhar em Portugal. Desde logo, o pequeno inglês maluco, Cayn Theakston, vencedor da Volta a Portugal. 

Mas era uma esquadra, liderada pelo experiente Marco Chagas, com o Joaquim Gomes, o Cássio Freitas e tantos outros ciclistas de primeira linha do pelotão nacional. Tudo isto começou para que o resort turístico “pagasse” à autarquia de Loulé uma dívida de 40.000 contos. Estive lá, a assistir pelo ar à última etapa da consagração louletana. Como esquecer? 

Deixei o ciclismo, mas por dentro, o coração continua a palpitar de emoções. Tornei-me adepto de sofá. Sempre que posso, não perco uma transmissão em directo. A beleza das paisagens. O tacticismo das equipas. A força dos atletas, o colorido das camisolas. Claro que preferia os clubes tradicionais, em vez das marcas comerciais. Mas a vida é assim. O desporto é belo. Chorei ao lado dos atletas. Berrei até à exaustão atrás deles. Mudei rodas furadas num ápice. Matei-lhes a sede com bidons de água fresca. Levantei-os das quedas e empurrei-os de volta à estrada. Partilhei o nervosismo que antecede as partidas. Vi seringas, cápsulas, sou do tempo das algálias, tenho histórias para contar que nunca mais acabam. Umas de rir, outras de espanto, e outras de chorar.

O ciclismo é como a caça e a pesca. Por cada conto, acrescenta-se um ponto. Exagera-se um bocado, mas enche-nos a alma. Se não tivesse nascido e crescido em Loulé, é possível que tivesse passado ao lado do ciclismo. Loulé foi terra de bicicletas. Já não estou seguro que seja assim, embora haja o BTT e pedalam centenas de amantes do pedal aos domingos de manhã. O mundo muda, e a nossa terra também. Lamento que não se tivesse feito um velódromo a sério, em vez de um estádio  enorme que serve para muito poucos. 

Poderia ter sido a sede do ciclismo algarvio, um verdadeiro pólo de animação desportiva e de atracção turística. E ficava em Loulé. Terra de tradições e de bicicletas.

Loulé, 28 de Junho de 2011

quarta-feira, 13 de julho de 2011

PORTALEGRE, "FUNDAMENTALMENTE TRANQUILIDADE"


Fotos by PR aqui

Volta tranquila em Portalegre, no sábado passado, a combinar com o dia e com a própria região.

O meu amigo João Neves alinhavou uma incursão simples por zonas bucólicas num triângulo com cerca de 37 kms. entre Portalegre, Castelo de Vide e Fortios de baixa altimetria e elevada agradabilidade a combinar com o dia e a região.

Acompanharam-nos o Luís Calado e o Francisco Sampaio Soares, companheiros simpáticos.

Todos os ingredientes estiveram reunidos para uma incursão simpática e a constituir o prelúdio certo para a previsível incursão demolidora do dia seguinte em Macedo de Cavaleiros.

A PROEMINÊNCIA TOPOGRÁFICA


A subida a Bornes, uma serra cujo topo se situa aos 1.200 m., levou-me a descobrir um conceito topográfico e orográfico que empiricamente já se me deparara: a proeminência topográfica.

De acordo com a incontornável Wikipedia: a proeminência é um dado tão ou mais relevante que a altitude para determinar a importância de uma montanha. É uma medida objectiva que se relaciona fortemente com o significado subjectivo de um cume. Dá-nos ideia da sua relevância com referência às montanhas que a rodeiam. Os picos de proeminência baixa costumam ser picos subsidiários (subcumes) de outros principais, e os de proeminência alta indicam que a relevância da montanha é elevada, tendendo a ser os pontos mais altos da vizinhança e costumam ter vistas desafogadas em seu redor.
Devido ao conceito de proeminência, os três cumes secundários do Kanchenjunga que estão acima dos 8.000 metros não figuram na listagem oficial das montanhas com mais de oito mil metros de altitude já que entre elas há muito pouco desnível (têm pouca proeminência) o o K2 (altitude, 8.611m; proeminência, 4.017 m) é considerado o segundo cume mais importante, à frente do cume sul do Monte Everest (altitude, 8.749 m; proeminência, 10 m).

Ou seja, este conceito é bem mais importante do que a altitude absoluta de uma montanha. Quando tivermos de subir uma convirá que o tenhamos em consideração não só pelo esforço que ela nos exigirá mas também pelos panoramas que, do topo, lhe cobraremos.

BORN(ES) TO BE ALIVE!



Azibo - Serra de Bornes - Azibo
Domingo, 10 de Julho de 2011, dia de São Cristóvão (mártir)
76 kms.
2.700 m. de acumulado vertical


Photos by PR


Quando aqui vos dei conta de incursões anteriores e da dureza física que representaram, seja pela quilometragem, seja pela altimetria - ou pela conjugação de ambas - deveria, em abono da verdade, ter feito uma ressalva de que, como em tudo na vida, havia uma relatividade inerente a essas aferições.

No passado domingo, respondendo a um convite do JC por mim sucessivamente adiado, de uma incursão na área de Bragança (sua terra natal) e, após dos 76 mais difíceis quilómetros dos últimos tempos, dei por mim a cogitar sobre esta mesma relatividade.

As altimetrias das serras do Nordeste são do mais expressivo que se pode encontrar em Portugal Continental. Na zona de Bragança, um trio de serras justifica esta afirmação plenamente: Montesinho (1.486 m.), Nogueira (1.318 m.) e Bornes (1.200 m.).


Como, as duas primeiras, já haviam sido objecto de incursões anteriores em BTT, sobrava a "mais baixa", ou seja, a serra de Bornes, em Macedo de Cavaleiros que, apesar de altitude inferior, apresenta um dado curioso que são os seus 621 m. de proeminência topográfica e que a convertem numa das montanhas mais relevantes de Portugal apesar de não ser das mais altas, ou seja, a partir do "ponto de sela" (ou portela) é este o valor ascensional, em metros, que terá de ser vencido para se alcançar o topo. E subir uma montanha destas, tal como a Estrela, a Gardunha ou São Mamede, é "outra loiça" já que a resiliência física é testada aos limites.

Estabelecemos um plano de ataque que incluía a magnífica Praia do Azibo como local de partida e chegada, por motivos óbvios. Assim começámos por volta das 09:00 rolando ao longo da sua margem esquerda, tranquilamente a princípio mas, em virtude do relevo, o empenho teve de ser reforçado para levar de vencida um par de rampas por volta da povoação de Santa Combinha.


Até alcançarmos o paredão da barragem realce para a passagem de um par de locais paradisíacos desta bem aventurada "paisagem protegida" com o bosque de sobro junto ao plano de água a fazer as delícias dos sentidos. Após a travessia do muro da barragem seguimos junto ao canal de irrigação que abandonamos, pouco depois, descendo em direção a Vale da Porca, berço do emigrante português mais bem sucedido (se excecionarmos os pontapeadores de esférico), i.e. Roberto Leal.

Descida para a antiga estação ferroviária do Azibo da antiga Linha do Tua e visão do habitual cenário de desolação associado às ferrovias abandonadas. De imediato a recordação do trabalho inter-municipal no Dão, reportado aqui na semana anterior: se já não serve para comboios, que sirva paras as gentes e o seu lazer. E que bela ecopista daria de Mirandela a Bragança.


Seguimos o curso do rio Azibo (a jusante da barragem) e começamos a ascender para o santuário de Santo Ambrósio e daí seguimos para a abordagem às altitudes da serra. Se, até aqui, as dificuldades eram apenas normais, entravamos agora no reino da extrema dureza. Efetivamente, em dez quilómetros, fomos dos 530 aos 1150 metros por um estradão de tout-venant de serventia ao parque eólico sem que a pendente desse outra trégua que não fosse uma inclinação constante. Confesso que já estava desabituado deste tipo de ascensão e o truque habitual de manter o pulso controlado debaixo de um ritmo constante aqui não surtiu um efeito permanente pelo que nos vimos na contingência de efetuar um par de paragens técnicas para recuperar o fôlego e retomar a ascensão.


Tinha sido possível evitar as pausas mas isso seria conseguido à custa de uma carga anaeróbica constante que cobraria a sua fatura adiante e na posterior recuperação. Julgo termos optado pela melhor solução já que se alcançou o falso topo sem pagar um preço demasiado elevado. O problema é que, neste plateau estávamos já a 50 metros do cume (1.200 m.) e quando seria lícito esperar que apenas restassem 50 m. eis que se nos deparam mais sete quilómetros de um ondulado em que a descidas vertiginosas se seguiam subidas a condizer num "rompe pernas" de alta montanha a acrescentar um tipo de dureza diferente.

Não admira pois que o cume tenha sido alcançado com um misto de enfado, cansaço e glória. Mas aquela vista, meu Deus, merece todos os sacrifícios deste mundo. E, de novo, aquela sensação de compaixão pelos sedentários deste mundo que jamais desfrutarão deste aparentemente contraditório prazer em que o estoicismo antecede e valoriza o epicurismo.


A curta descida até à aldeia de Bornes foi outro momento de antologia. Foi efectuada por um estradão serpenteante onde, bem vistas as coisas, teria sido de todo impossível de ascender, seja pela pendente, seja pelo estado do piso. Esta é uma daquelas incursões que não admitem ver o sentido da sua marcha invertido e em que uma descida entusiasmante teria dado uma subida impossível. Valeu assim a descida ainda que, à semelhança da ascensão anterior houve que parar um par de vezes para descansar, neste caso, os braços e as pernas, em virtude da tensão muscular necessária para ter tudo debaixo de controlo.

Daí que a detente, no café da Aldeia tenha sido novo momento de glória a convidar a uma fresquísisma imperial na ausência de champagne. Como são mágicos estes momentos.


O melhor estava ainda para vir - vencido o viaduto sobre o novíssimo troço do IP2 seguiu-se um longo, inolvidável e quase ininterrupto downhill até Cernadela. A pendente fraca a proporcionar uma velocidade relativamente elevada ma non troppo por forma a tudo estar debaixo de controlo e se desfrutar da alegria que só um trilho daqueles, encaixado entre-muros em paisagem mediterrânica (nem faltavam as oliveiras), pode proporcionar. Receio, todavia, não conseguir descrever minimamente aquilo que só a estimulante vivência pode proporcionar.

Naturalmente recordo de ter dito que, tamanho bónus, teria um preço caro a pagar. A experiência ensina-nos que a uma descida equivale uma subida, para mais uma descida de antologia teria um reverso da medalha adequado e  que, após Cortiços, não se fez esperar obrigando a desmontar algumas vezes num conjunto de rampas curtas indispensáveis para vencer uma portela dura de roer.


Felizmente não demorou muito tempo para se alcançar o canal de irrigação e, preguiçosamente, junto a ele se rolar até Macedo de Cavaleiros que rapidamente se cruzou. Havia que chegar à praia do Azibo embora ainda tendo de se ascender mais um pouco após Vale de Prados.

O gran finale ficou reservado para percorrer tranquilamente a margem direita da albufeira que, ao contrário da oposta, é planíssima como convém após tão intensa quilometragem. Mas o melhor mesmo foi o banho no imenso lago do Azibo na praia fluvial que exibe orgulhosamente, há anos sucessivos, uma bandeira azul atestadora de uma qualidade que, de resto, só quem for cego não vê.



Alguém batizou um dia, uma incursão semelhante: Bornes to be Alive ou, acrescentaria eu, como passar um dia em cheio no nordeste transmontano!







quarta-feira, 6 de julho de 2011

TOUJOUR EN VELO

GUARDA - ALMEIDA - GUARDA, CICLISMO EM ESTADO PURO



Domingo, 3 de Julho de 2011 (dia de São Tomé, apóstolo)
Guarda - Almeida - Guarda
Distância: 102 kms.
Altura máxima: 958 m.
Altura mínima: 556 m.
Desnível acumulado: 1.900 metros
Photos by PR

O desnível acumulado embora elevado não o parece denotar mas esta foi, todavia, uma incursão bastante trabalhosa.

Se a ida por estrada foi relativamente simples, já o regresso, em todo-terreno, foi algo complicado para mim e para o RS em virtude da travessia dos vales da Ribeira das Cabras e, sobretudo, do Côa junto a Almeida e ainda por via de um piso por vezes inclemente e muito técnico exigindo um enorme empenho. A juntar a tudo isto os 100 kms. de véspera na Ecopista do Dão.


Sem embargo foi uma jornada monumental e um hino ao acto de pedalar; seja na ida por estradas imaculadas e desertas, seja no regresso por caminhos imemoriais e aldeias lindíssimas: Pousade, Castanheira, Pínzio, Safurdão, Atalaia, Peva, Aldeia Nova, Leomil, Freixo, São Pedro de Jarmelo e Arrifana.



Os destaques vão, naturalmente, para a vila-fortaleza de Almeida onde a História se vivência a cada passo e para a travessia do vale do Côa pela ponte de pedra que motivou uma batalha da guerra peninsular pela sua posse. Aqui a batalha travada foi a de seguir durante alguns quilómetros a GR22 encosta a cima por um piso muito difícil vencendo o desnível com que o Côa rasgou este vale de antologia.



Também a passagem pela Ribeira das Cabras foi muito complicada já que uma ponte tosca em granito estava tomada pela vegetação e não restou alternativa senão cruzá-la a vau e depois vencer um novo desnível desumano.

Mas, a piéce de resisténce estava reservada para o alto de Jarmelo alcançado por um piso pedregoso constituído por autênticos degraus de granito apenas vencidos penosamente. No alto valeu a pena o esforço, pela vista e pelo local mágico associado à lenda dos amores proibidos de Pedro e Inês.


Como afirma o poeta: há sempre um Portugal desconhecido que espera por si...

terça-feira, 5 de julho de 2011

O FESTIVAL DA CICLORIA E A INAUGURAÇÃO DA ECOPISTA DO DÃO


Dados Ecopista Dão (com extensão a Viseu)
distância - 102 kms.
denivel acumulado - 588.32 m
Photos by PR and RS

No fim de semana passado dois eventos semelhantes e que resultam da cooperação inter-municipal são de destacar em termos da promoção dos modos de mobilidade suaves:

O festival Cicloria, resultante do projecto do mesmo nome e que foi criado com o objectivo de promover uma rede de promoção e desenvolvimento da mobilidade ciclável com motivação de lazer e turismo na Ria de Aveiro de iniciativa dos municípios da Murtosa, Ovar e Estarreja com um relacionamento estreito com a Universidade de Aveiro;



Ecopista do Dão, erguida sobre o espaço canal da antiga linha ferroviária do mesmo nome que ligava a estação do Vimieiro (Sta. Comba) a Viseu numa extensão de cerca de 49 kms. e de que aqui já vos dei conta numa iniciativa da REFER e da Comunidade Intermunicipal de Dão Lafões (Sta. Comba, Tondela e Viseu) que completa os primeiros 8 kms. já pré-existentes entre Viseu e Figueiró.

Fiz questão de estar presente em ambos os casos. Assim na sexta participei no jantar de lançamento do festival que teve lugar num estupendo restaurante, perto do Furadouro, Ovar em cima da Ria de Aveiro num enquadramento natural magnífico. Jantei na companhia de diversos autarcas e responsáveis técnicos por este projeto coletivo que é a Cicloria.

Mas se este primeiro serão, para além do magnífico convívio que proporcionou, apenas contribuiu com um adicional calórico haveria que fazer a compensação no dia seguinte desgastando esse excesso gastronómico.



Nada melhor para isso do que a inauguração da Ecovia do Dão no dia seguinte, sábado, 2 de Julho.

Comecei em Figueiró, local onde terminava a versão curta desta ecopista que já havia sido inaugurada há anos. Percorri os primeiros quilómetros na tentativa de encontrar os andarilhos (nos quais se incluíam os presidentes dos três municípios e os meus colegas do GP PSD, João Figueiredo e Pedro Alves).



Logo perto da saída um primeiro túnel, o de Figueiró, seguindo-se a ponte de Mosteirinho bem recuperada e que vence um desnível de respeito, após a mesma vêm as antigas estações e apeadeiros um após outro: Mosteirinho, Torredeita (com um antigo comboio numa espécie de museu ao relento), Várzea, Farminhão e o extenso túnel da Parada, iluminado, como não pode deixar de ser, Parada de Gonta, Sabugosa, Casal do Rei, Naia e, amtes de alcançar Tondela, alcanço finalmente o conjunto extenso de caminhantes e com eles partilhei um leve repasto na estação recuperada.


É fantástica a sensação de um caldo verde após duas dezenas de quilómetros ainda que tenham sido maioritariamente descendentes. Algumas fotos da praxe e sigo, agora muito rapidamente, em direção a Sta. Comba já que o Rui Sousa chegava, proveniente da Guarda, no comboio pelas 12:30.



Como o trajecto, até à ponte de Treixedo era descendente a velocidade foi estonteante raras vezes abaixo do 30 kms. /h.. De novo sucederam-se: após a ponte de Tinhela sobre o rio Dinha, o Porto da Lage, Tonda, Nagozela, Treixedo, a travessia da extensa ponte sobre as águas represadas do Dão, e a subida em direção à estação do Vimieiro ficando a sensação estranha de terminar no meio de nenhures já que não há ligação à plataforma da Beira Alta, sendo o cabo por debaixo do viaduto ferroviário (um dos aspectos a rever).


Já em companhia do Rui Sousa rumámos a Viseu. Sente-se um pouco a diferença neste sentido já que agora se ascende embora de modo muito ligeiro (trata-se de um antigo traçado ferroviário). Na zona de Tonda cruzamo-nos com a comitiva peestre e a frescura já não era a mesma mas lá iam, capitaneados pelos autarcas em direção ao final da jornada.


Quanto a nós chegámos até Viseu onde visitamos o centro histórico regressando de novo pela ecopista a Figueiró.

Assim percorri cerca de 100 kms. de ecopista. De notar um facto curioso: a ecopista está pintada em três tons diferentes consoante o concelho: vermelho para Viseu, verde para Tondela e azul para Sta. Comba.


No final uma plena satisfação e a vontade de aí retornar. Os três municípios estão de parabéns já que conseguiram erguer a maior infraestrutura de lazer de Portugal.


Ler também o post no blogue do Rui Sousa: "Viver na Guarda"

segunda-feira, 27 de junho de 2011

PASSEIO "LISBON CYCLE CHIC"

O fim de semana foi pródigo em eventos ciclísticos.

Houve um pouco de tudo e até foi contraditório no traje. Tivemos um para os "despidos" e outro para os "bem vestidos.

Apesar de muito pouco badalado houve o passeio dos "bem vestidos" denominado Lisbon Cycle Chic que, no sábado passado passou estilo pelas avenidas novas de Lisboa.

Naturalmente que por lá andei como a foto (*) bem o testemunha.


Para quem não sabe, o conceito Cycle Chic é a junção cultura da bicicleta e da roupa da moda, numa abordagem de "mobilidade sustentável com estilo."

Está associado com o ciclismo urbano praticado em cidades como Amesterdão, Basileia, Berlim, Berna, Copenhague, Barcelona, Valencia e outros onde as pessoas têm um nível elevado de uso da bicicleta. Em muitas cidades europeias e cidades na China e no Japão, a bicicleta é uma opção para ir trabalhar, e muitos ciclistas optam por usar sua roupa normal, em lugar de equipamentos de desporto.

O movimento Cycle Chic é uma tendência crescente nas cidades que estão investindo em infra-estrutura para bicicletas e instalações. Com a popularidade gradual da bicicleta pública como a Vélib em Paris ou a Barcelona Bicing, os cidadãos descobriram a facilidade com que podem viajar em torno de sua cidade ou município, incluindo passeios em sua roupa normal.

(Tradução dos três últimos parágrafos deste post a partir do texto espanhol do Wikipedia)


(*) Photo by António Baganha

FÁTIMA 2011 - A TRAVESSIA MAIS TÓRRIDA DE SEMPRE

Lisboa - Fátima
165 kms. em BTT
Domingo, 26 de Junho de 2011
Dia de São Paio (mártir)

No último par de anos tinha-se adoptado a fórmula resumida do caminho, isto é, tomar o comboio até Azambuja e daí ligar ao santuário. Como todas as opções de vida tal decisão tinha vantagens e desvantagens. Se, por um lado, permitia uma quilometragem mais civilizada, perto dos 100 kms. e evitar as partes menos interessantes da travessia, por outro, permitia tornar mais simples aquilo que deve, por definição, ser complicado ou seja, uma peregrinação (mesmo que de um só dia) não pode ser um mero "passeio de amigos", deve ser algo difícil e marcante cuja superação confira uma sensação de conquista que permita, desse modo, uma efectiva transcendência espiritual.

Pois foi essa mesma sensação que ontem, após 165 kms. desde a porta de casa até ao santuário, presenciei. O significado de contemplar a capelinha das aparições, pelas 20:00, assumiu um significado mítico provavelmente como nunca antes vivenciara apesar das oito vezes anteriores.

E se a jornada foi dura!

Por consenso com o JC optámos então pela "versão integral". A saída deu-se pelas 07:00 de Lisboa já com uma temperatura de 24º como que a apontar os valores em que o mercúrio se haveria de posicionar ao longo do dia. De facto o calor foi absolutamente infernal e constituiu um teste adicional para além daquele que a quilometragem deixava já adivinhar.

Os passos foram os habituais: a ligação ao Parque das Nações, o troço do Trancão, o esteiro de Alverca, a passagem pela EN 10 (reduzida até Alhandra em virtude da passagem pelo magnífico passeio ribeirinho) e a primeira paragem aos 55 kms. na Vala do Carregado com um calor de meter respeito superando já os 30º. Foi tempo de restaurar algumas energias e de conversar com um duo de peregrinos pedestres que iam a caminho de Santiago. De resto avistaram-se um número significativo de peregrinos, sinal que o Caminho de Fátima está a cumprir o seu objectivo.

Chagados a Azambuja deu para verificar a grande diferença entre começar naquele local ou, como ontem, aí aportar após 65 kms. É que, apesar de ser plana, esta distância já consegue produzir alguns desgaste a que se somará a centena que ainda resta por diante com o calor a apertar e a altimetria a complicar muito após Santarém. Rapidamente seguimos até à Valada não sem antes sermos testemunhas das consequências de um acidente aéreo, ou seja, da queda de um ultra-leve na sequência da paragem do motor em pleno esteiro.

Na Valada, já com uma canícula infernal, uma nova pausa e lá seguimos em direção a Santarém (ou melhor, Ribeira de Santarém, já que a subida à cidade para tornar a descer é despiciente) onde efectuámos nova paragem para restaurar as energias. A partir daqui começam, verdadeiramente, as dificuldades: Azóia de Baixo, a terrível subida para Vale de Flores com um calor infernal a superar os 40º (ao contrário do que o nome indica este "vale" fica "lá em cima"). Aí deu para verificar que o JC estava a sofrer bastante com o calor e o próximo grande teste (a subida após Milhariça) fez com que a sua resiliência terminasse. Esta é uma subida curta mas insana por um piso miserável que nos conduz a um topo onde se perfilam três moinhos e onde, ontem, o termómetro acusava 43º!

Próxima paragem em Olhos d'Água, ontem repleta de cidadãos deste país mas onde, ainda assim, deu para mergulhar nas suas águas frias e seguir a solo. Efetivamente o JC resolveu, de modo racional, terminar aqui a sua participação e ficar a saborear aquele local paradisíaco enquanto prossigo para as grandes altimetrias (mais tarde iria resgatá-lo de automóvel). O calor era de tal modo intenso que, da nascente do Alviela, até ao final da subida no parque de merendas, nos alto dos 420 metros da Costa de Minde, consumi por inteiro o litro e meio de água fresca que levava às costas.

A descida em asfalto até Minde é um clássico onde há duas ocasiões de bater os 65 kms./h e de testar os travões. Nesta localidade após descer 200 metros em altitude reponho a reserva de água, abordo a subida final pelo Covão do Coelho, penosamente, já que o piso não permite grandes aventuras e chego, alguns quilómetros volvidos, aos 460 metros junto às eólicas.

Chegado a esse ponto percorro o planalto de São Mamede e, a perspectiva do final, faz com que a velocidade seja elevada potenciada pela leve descendência do terreno e, num ápice, encontro-me no santuário.

Esta incursão teve todos os ingredientes para ficar na memória: quilometragem e dureza extremas (potenciada pelo calor tórrido). O facto de a ter levado de vencida sem ficar de rastos, para mais saindo de casa a pedalar e, 165 km. volvidos, estar frente à capelinha conferiram uma sensação única e inolvidável e que faz com que, ano após ano, esta seja uma incursão obrigatória. Sobretudo se tivermos em conta que, há menos de um mês, a minha forma era miserável e que foi feito um trabalho de recuperação que produziu os seus frutos embora aliado a uma gestão muito cuidada da dificuldade que tinha por diante: quilómetros, calor intenso, altimetria fortíssima acumulada a partir da segunda metade, etc.

Em 2012 haverá mais. Se Deus quiser, obviamente.

sábado, 25 de junho de 2011

II PASSEIO LISBON CYCLE CHIC


Na véspera da incursão anual de BTT a Fátima alinhei no passeio em epigrafe.

Reparei que era dos poucos a rigor: levei o cruzador , vesti umas calças e uma camisa e, pasme-se, alinhei sem capacete.

Tratou-se de um passeio pela cidade embora debaixo de uma canícula infernal. Valeu pelo treino aeróbico e por um certo glamour que se sentia no ar.

PREPARANDO FÁTIMA - O REGRESSO DE UM CLÁSSICO


Quinta-feira, 23  de Junho de 2011, feriado de Corpus Christi
Albarraque - Sintra - Mafra - Albarraque
75 kms., 2100 metros altitude acumulada positiva



Em tempo de preparação para a ligação anual em BTT entre Lisboa e Fátima a o regresso de um clássico - nada mais nada menos do que o saudoso Sintra - Mafra, ligando o palácio ao convento com o regresso a efectuar-se por nascente.

Foi um misto de sensações: por um lado, voltar a pedalar em locais onde tal já não acontecia havia largos anos; por outro lado, um desagradável e constante vento norte forte em conjunto com a passagem em trilhos muito degradados obrigando a um desmontar constante a tornarem a incursão algo penosa.

Ainda assim um bom treino com uma altimetria forte a proporcionar um condicionamento físico adequado.

Destaque para a passagem em plena vila de Sintra, a descida a partir de Monserrate até à ribeira de Colares, a fonte de São Miguel de Odrinhas, a descida dos moinhos do Lima até ao Carvalhal (um clássico do DH) por uma trialeira medonha, e um trilho magnífico junto a um ribeiro entre a Igreja Nova e a Mata Pequena.

O moral para Fátima é, de tal modo, forte que era para começar na Azambuja mas a pedido de várias famílias voltaremos à incursão integral a partir de Lisboa com uma previsão quilométrica superior a 160 kms. a exigir uma gestão muito rigorosa do esforço seja em função da distância, do calor previsível, e do facto de as dificuldades altimétricas estarem reservadas para a segunda metade.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

CAMINHOS DA FÉ, CAMINHOS DAS GENTES!


Hugo Andrade, 33 anos, arquiteto, propõe a criação das Rotas Oficiais dos Caminhos de Fátima. Circuitos novos recheados de vantagens, desde uma maior segurança para os peregrinos até ao desenvolvimento do comércio e dos negócios locais.

Aqui está um video-clip que merece a pena ver com atenção.

O REGRESSO DAS GRANDES INCURSÕES


Domingo, 19 de Junho de 2011
Torres Novas, Ourém, Tomar, Torres Novas
95 kms., 2235 metros altitude acumulada positiva

photo by APRO



Com um estupendo dia de sol e com uma temperatura, por vezes, elevada. Resolvi, acompanhado do JC, repetir o memorável triângulo dos castelos ligando, em quase uma centena de quilómetros, Torres Novas, Ourém, Tomar e o respectivo regresso.

A coisa não correu lá muito bem, em termos técnicos, com o hardware do JC pois para além do travão dianteiro inoperacional ab intio mesmo no cabo da incursão a corrente partida fez com que a derradeira milha tivesse de ser completada aproveitando a gravidade e empurrando a bicicleta.

Ainda assim foi mais uma jornada inolvidável. Do alto da serra d'Aire (ou seja, no topo da foto que ilustra este post) um panorama soberbo. Um daqueles momentos incríveis num local mágico a que só os betetistas têm direito valorizados pelo intenso esforço despendido para alcançar uma vista prodigiosa, um silêncio absoluto e um ar purificado. É por estas e por outras que tenho pena dos sedentários.

Ainda em fase de recuperação de forma procurei subir em zonas aeróbicas e, no final, a satisfação de estar, de novo a conseguir pedalar perto de cem kms. sem um desgaste significativo e aproveitando plenamente a envolvente.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

CYCLE ADDICTION - A SIMPLE WAY TO FEEL ALIVE


Após dois meses sem pedalar  e num estado de forma miserável não posso deixar de constatar que, após um par de incursões no passado fim-de-semana, o "vício" se reinstalou.

No próximo domingo está já planeada uma incursão épica em BTT no triângulo Torres Novas - Ourém - Tomar que aqui darei conta.

Afinal é destas coisas simples e autênticas que nasce a felicidade: amizade, bom tempo, natureza, património e forma física.

A mente sã em corpo são!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

ECOPISTA DO DÃO - 50 AGRADÁVEIS QUILÓMETROS

Foto by Tiago Freitas

Embora com atraso relativamente ao planeado está completa a maior Ecopista do país e liga a estação ferroviária de Santa Comba Dão a Viseu numa extensão de 49,5 kms.

A inauguração oficial está prevista para o início de Julho e conto percorre-la nessa ocasião.

Já antes tive ocasião de percorrer a primeira parte deste traçado que tinha aberto à circulação de pedestres e bicicletas com a extensão de cinco quilómetros entre Viseu e Figueiró.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Santo António de Pádua em Lisboa

Continuando com a recuperação da forma.

Nada melhor que aproveitar o sol do fim da tarde e o dia de Santo António e prestar uma homenagem à cidade que o viu nascer.

Uma volta completa que incluiu Monsanto descida a Algés, toda a zona ribeirinha até ao Caís do Sodré, subida ao Chiado, largo do Carmo, descida ao Rossio, Martim Moniz, subida da Mouraria até ao Castelo, descida pelo "miolo" de Alfama (mais típico não há), ligação pelo Porto até ao PArque das Nações e utilização da ciclovia pelos Olivais, avenida do Brasil, cidade e estádio universitários e regresso ao ALto dos Moinhos e ao aconchego do lar.

Mais de 40 kms. com um ritmo vivo a acusarem um desgaste calórico justificativo de um jantar.

sábado, 11 de junho de 2011

A ÉPOCA RECOMEÇA TARDE


Retomei as lides após dois meses sem pedalar.

A constatação óbvia: a forma física é como a credibilidade, demora muito a alcançar mas perde-se num instante.

Ainda assim dei boa conta do recado, na companhia do Jorge Cláudio, foram 60 quilómetros entre a estação ferroviária de Meleças e Torres Vedras com praticamente 1.000 metros de acumulado.

O regresso de comboio interregional demorou apenas 45 minutos e a agradabilidade foi elevada.

Deitaram uma árvore abaixo para roubar bicicleta



Chopped down a ginkgo tree to steal a fucking department store bike chained with a thin cable lock. I have no words..


in JN



Pode ser o roubo mais idiota de sempre ou não mostrassem as imagens as manobras que cinco homens fizeram para roubar uma simples bicicleta. Multiplicaram-se em manobras, sem sequer ter passado pela cabeça de qualquer um deles simplesmente cortar a corrente que prendia a bicicleta a uma árvore. Veja as imagens.


As imagens foram captadas por uma câmara de segurança, numa rua de uma cidade dos Estados Unidos. Um grupo de cinco indivíduos desdobra-se em manobras para conseguir soltar a bicicleta, que está presa a uma árvore.




Os cinco homens deitam a árvore abaixo para conseguir soltar a bicicleta, sem que lhes tenha passado pela cabeça que bastava cortar a corrente que a segurava.