terça-feira, 2 de agosto de 2011

EL TRANSPYR

Una travesia en "monton bai" * desde el Mediterraneo hasta el Cantabrico...



* - espanhol para "mountain bike"

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

NOVO VIDEO DAS VIAS VERDES ESPANHOLAS

Mais um video ilustrativo do excelente projeto que são as "Vias Verdes" de Espanha.


Este vídeo es una de las acciones recogidas dentro del convenio que la Fundación de los Ferrocarriles Españoles y FEVE firmaron en 2010 con el objetivo de promocionar, favorecer el uso y dar a conocer las Vías Verdes que se asientan sobre las antiguas líneas de ferrocarril de esta empresa ferroviaria.


Las vías verdes sobre antiguos trazados de Feve suman en total 350 kilómetros de trayectos cicloturistas y senderistas repartidos por Asturias, Madrid, Cantabria, Castilla y León, Euskadi, La Rioja, Cataluña, Comunidad Valenciana y Andalucía.



sábado, 30 de julho de 2011

Ciclismo jovem - Encontro Nacional de Escolas de Ciclismo em Mangualde

Cerca de 400 jovens ciclistas distribuídos pelas categorias de: Benjamins, 6 a 8 anos, Iniciados 9 a 10 anos, Infantis 11 a 12 anos e Juvenis 13 a 14 anos, num exemplo de abnegação, esforço e empenho pedalaram no Encontro Nacional de Escolas de Ciclismo, realizado no fim de semana de 23 e 24 de Julho em Mangualde, nas vertentes do ciclismo de todo o terreno (BTT) e de Estrada que finaliza a época dos encontros de escolas de ciclismo a nível Nacional.


A participação no BTT foi composta por 16 equipas com 7 a concorrer com todas as quatro categorias. Nesta vertente o encontro ficou por este motivo muito valorizado com esta participação, comparado com o encontro da época passada realizado também em Mangualde, em que o numero de equipas foi de 8 e só 3 é que se apresentaram com todas as categorias. O Sul do País continua com maior representação nesta vertente do ciclismo.




Na vertente da estrada sempre com muita participação, contou com 26 equipas e 14 a concorrerem com as 4 categorias, relativamente ao ano passado houve um pequeno decréscimo no total das equipas só com menos uma equipa, e aumentou este ano de mais duas equipas com as quatro categorias.


A organização da UVP-FPC (Federação Portuguesa de Ciclismo) está de parabéns por ter contribuido para que este encontro fosse um sucesso, pelo aumento significativo na vertente do BTT, assim como os colaboradores, Câmara Municipal de Mangualde e o Dá Gás, Clube de Mangualde, que acolhem sempre com muita simpatia este enorme pelotão de jovens e respectivas caravanas de apoio e logistica.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

VOLTA A PORTUGAL?


Olhando para o mapa desta 73ª edição da Volta a Portugal a Bicicleta ficamos com a sensação de que não é, efetivamente, uma volta a Portugal já que decorre, quase por inteiro, a norte do Tejo.

A exceção é a última etapa que decorre entre Sintra e Lisboa.

Será razoável e admissivel que, uma Volta assim, seja designada de Volta a Portugal.

CALDAS DA RAINHA - LISBOA (JÁ NAS BANCAS)

Cruzeiro das Termas do Vimeiro

Domingo, 24 de Julho de 2011
140 kms.
2858 m. de ganho de elevação (Fugawi)
Photos by APRO

O desafio havia sido lançado: a ligação entre as Caldas da Rainha e Lisboa em BTT. Além de mim e do habitual JC, apenas o Nuno Santos se prontificou a acompanhar ainda que apenas até ao Vale da Guarda (Malveira) já que por questões logísticas tenha optado por regressar a Torres Vedras por estrada.

Esta não era, à partida, uma ligação fácil com uma quilometragem elevada e uma altimetria pesada a exigirem um apuro de forma razoável. Havia ainda o problema logístico que constitui sempre um quebra-cabeças quando o traçado é retilíneo e o ponto de início não coincide com o de chegada.

Os primeiros quilómetros "à vela".
Assim, a aposta na ligação ferroviária logo de início permitiu estar sem o peso do horário de comboio a pressionar (e que foi responsável pelo facto de não ter completado percurso idêntico anteriormente). Ao mesmo tempo, iríamos a favor do vento e, neste domingo, a nortada fez-se sentir de novo fortemente. O vento, já o sabemos, pode ser um problema para quem pedala mas, tê-lo como aliado numa incursão que se fez de N para S, é um fator de agradibilidade acrescido. De resto a média superior a 15 kms./h com tal altimetria é bem elucidativa.


E chegados às Caldas (após 2 horas num regional) os primeiros vinte kms. até ao Olho Marinho foram percorridos a um ritmo infernal. Pudera, eram planos e no túnel de vento...

O Cársico no Olho Marinho
Aí seguiu-se um percurso muito duro até se chegar às termas do Vimeiro com um sobe e desce constante por vales profundíssimos a criar o primeiro desgaste verdadeiro. Começa por se subir até ao planalto das Cesaredas. Entramos assim no concelho da Lourinhã e no distrito de Lisboa começando a fletir para a costa. Desce-se para Moledo, torna-se a subir até Nadrupe, descendo e subindo à Marteleira e a Santa Bárbara (na violenta subida nem deu para pensar em trovoadas).

Seguiu-se a Ventosa, a Fonte de Lima e a descida por troço da PR3 que é um percurso de antologia: rápido e técnico q.b. perante a satisfação generalizada para se rolar, depois, tranquilamente na estrada das termas que acompanha o troço final do Alcabrichel.

Final da descida do PR3
A partir daí e de novo a subir com uma descida para Ponte do Rol onde se restauraram algumas energias. Para subir de novo em direção a Freiria e à temível Serra de Chipre para mais com um engano que nos valeu uma subida extra a empurrar a bicicleta.


Na descida para o Vale da Guarda o cruzamento com um grupo de turistas americanas, devidamente capitaneadas por uma taxista de Mafra (a pé) e em demanda do Centro de Recuperação do Lobo Ibérico. A desorientação era tal que uma delas, quando nos avistou, gritou "human beings!" (thank God).




No cruzamento do Vale da Guarda com a N8 despedimo-nos do Nuno e seguimos em direção à Malveira não sem antes ter se subir longa e lentamente o Jerumelo por um caminho insano. Aí chegados rapidamente chegamos à vila saloia da Malveira onde aproveitamos para restaurar energias num local fantástico.


Detalhe perto da Lourinhã.
Trata-se de um botequim, aparentemente normal mas que, além de aliar a qualidade ao baixo preço, possuía uma caraterística interessante: a respetiva proprietária funcionava qual oráculo de Delfos respondendo a todas as questões que iamos levantando. Era uma espécie de versão coscuvilheira do Google porque, diga-se em complemento, nem a senhora estava na nossa mesa, nem estávamos a falar com ela mas, apesar disso, as respostas sucediam-se em catadupa. No final ainda disse para voltarmos sem as bicicletas pois assim estavamos a comer muito puco por causa de subir o cabeço de Montachique (sim, ela até sabia que íamos subir Montachique). Notável!



O problema foi mesmo esse, subir Montachique depois de cruzar inferiormente a A8, naquele que foi, sem dúvida, o maior e derradeiro esforço do dia. A partir daí foi uma descida monumental desde aqueles altos até à várzea de Loures e que descida, meu Deus. A verdade é que já a merecíamos.

A terrível subida do Cabeço de Montachique.
Destaque ainda o palácio da Mitra no Tojal que é sempre um ex-libris a não perder. A partir daí foi circular ao lado do Trancão pelo já conhecido caminho do Tejo até ao Parque das Nações e daí até casa.

Para trás ficou uma incursão longa e dura mas que, curiosamente, se percorreu com elevada agradabilidade.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

CAUTELA !


Exultamos, os betetistas, por "um dos nossos" ter levado de vencida o "Tour" na sua edição 2011.

Ora, atendendo ao que tem sucedido em edições anteriores acho que deveria de mediar um mês entre a última etapa e a atribuição definitiva da vitória ao ciclista que chegou a Paris com a "amarela".

Assim e, por cautela, o "nosso" Cadel Evans é apenas "putativo vencedor" pelo menos até que cheguem os resultados definitivos das análises...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

CALDAS DA RAINHA - LISBOA (NO PRELO)


A proposta para o próximo domingo já foi tentada, anteriormente, a solo.

Porém, em virtude do condicionamento que representa o horário do comboio na linha do Oeste, apenas cheguei até ao Bombarral já que, ousar ir mais além, poderia significar ficar sem possibilidade de regresso.

Desta vez há que usar um expediente óbvio: rumar logo às Caldas da Rainha de comboio a partir de Lisboa e então, sem estar condicionado pela ferrovia e os seus caprichos horários.

Tal significa, porém, uma altimetria maior do que ligar de S para N. A quilometragem, essa, será superior aos 150 kms.

O relato virá mais tarde.

ARRÁBIDA’S WILL - TRAVESSIA DO PNA


Domingo, 17 de Julho de 2011
115 kms.
2812 m. de vertical acumulado

Melhora o condicionamento, aumentam de interesse, quilometragem e dificuldades as nossas incursões.


Foi tempo de retornar à Arrábida, território tantas vezes percorrido e explorado que foi objeto de um esquecimento virtuoso durante anos. É que, este retorno, teve o condão de a um tempo ser um deja vue e uma redescoberta. É, se quisermos, uma adaptação do velho ditado: "nunca voltes a um lugar onde já foste feliz", mutatis mutantis por um "volta apenas, anos volvidos, a um lugar onde já foste feliz".


E, porém, a Arrábida é estonteante nas suas paisagens, nos seus vales, nas suas matizes e, acima de tudo, nos contrastes que estabelece com o Atlântico, num jogo feliz entre o verde e o azul que empresta toda uma cenografia, bem asada aos nossos olhos e às objetivas fotográficas. Recordo-me de ter dito que são únicas estas paisagens em Portugal e muitos concordarão comigo. Basta chegar ao cimo de um monte, num dia solarengo, olhar “lá para baixo” e ter um mínimo de sensibilidade.

Mas vamos à incursão.

A ideia foi cruzar o Parque Natural da Arrábida (PNA) de lés a lés e retornar procurando, ainda, alcançar o alto das suas três fortalezas (Palmela, Setúbal e Sesimbra) bem como o santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel no extremo poente do PNA. A previsão inicial era ousada: perto de 120 kms. e quase 3.000 m. de acumulado, números que a contagem final não desmentiu.


O início, por uma questão de comodidade, deu-se em Palmela, porém lá bem no topo junto ao seu castelo de forma a não existir possibilidade de escusa final. Para o bem e para o mal haveria de se ter de subir a vila até àquela fortaleza que, curiosamente, alberga a sede da Ordem de Santiago em Portugal e, só deste modo, estaria completa a incursão. Depois da descida pelo parque e após a vila pela saída clássica da Serra do Louro deu para (re) constatar que, a área do PNA é, cada vez mais, uma zona predileta para o BTT, rivalizando na densidade de bicicletas com a Serra de Sintra num domingo de manhã.

Percorrida a serra do Louro a descida da portela deu-se por um simpático e ancestral single-track até ao Vale dos Barris e daí, de novo, “lá para cima” para o sopé da Serra de São Luís que foi contornada por SW descendo e cruzando, logo após, a N10 por uma subida da calçada romana até ao bairro do Viso já nos limites da cidade de Setúbal. Esta ida a Setúbal constitui praticamente uma inversão de marcha para mais quando tiveram, desde logo, de ser vencidos dois vales, o primeiro dos quais a exigir forte empenho. No forte / pousada de S. Filipe, uma pausa contemplativa para vislumbrar, do alto, a cidade e a incrível baía.


De imediato seguimos para poente pelo topo antes da descida, forte, para a foz da Comenda e daí pelos altos da Rasca. Esta foi uma opção que não vingou já que, na prática, se trocou a clássica e sempre agradável subida da ribeira da Comenda até Picheleiros por um sobe e desce muito difícil num piso de difícil aderência, obrigando a desmontar com frequência nas subidas e sem que a paisagem constituísse sequer uma mais valia, nem mesmo o seu single-track final, por muitos apelidado de “maravilha” mas que, na prática, se encontra em más condições obrigando a um desmontar permanente.

Após o cruzamento dos Picheleiros abandonamos a estrada para uma breve incursão, encosta acima, pelo estradão das quintas num conjunto extenuante mas muito interessante pelos locais que visita: são as quintas dos Picheleiros no seu melhor bem enquadradas pelo monte Formosinho (topo da Arrábida). Pausa na cafetaria do Parque de Campismo já com algum desgaste e lá seguimos em direção a Casais da Serra contornando todo o sopé da serra num percurso muito rápido e lindíssimo.

No lugarejo, a compra de uma garrafa de água num restaurante repleto de clientes e com o cheiro a sardinha assada omnipresente em plena hora de almoço, a criar um sentimento de revolta. É que perante tão aromático repasto, o contraste era gritante com as barras de muesli que povoavam o bolso da minha jersey.


Rapidamente seguimos desta vez em direção a Sesimbra primeiro pelo estradão e depois pelo caminho das pedreiras e, muito rapidamente, estamos em Santana perante a íngreme rampa de acesso ao castelo que alcançamos e cujo interior percorremos saindo pela sua porta NE e mimetizando a PR que desce a encosta num single-track de antologia (este propriamente “maravilha”) pelo meio de um túnel de arvoredo onde, a espaços, se vislumbra o mar com a piscatória (e turística) Sesimbra lá bem embaixo. O trilho está muito bem conservado e é todo ciclável (à exceção de um pequeno salto) e revelou-se como o verdadeiro landmark da jornada.


O problema é que, como em tudo na vida, há sempre uma contra-reação, neste caso baixamos de cota de tal modo que, para retomar uma altitude semelhante à que foi perdida foi necessário efectuar a temível subida do Sentrão, provavelmente a mais dura e longa da jornada, por um estradão de tout-venant. Recordo-me de, por mim, passar uma viatura (também subindo com alguma dificuldade) e de o ocupante me ter gritado "isso é que é vontade". Fiquei a meditar naquela frase e de facto acho que, a mesma, traduz perfeitamente o espírito - foi penosamente, metro após metro, que chegámos até ao Zambujal de Cima e à N379 que percorremos para poente durante cerca de um quilómetro à falta de alternativa.


Rapidamente nos desembaraçamos da mesma e cruzamos os rápidos estradões paralelos que cruzam a Aldeia Nova da Azóia, primeiro, e a Serra de Azóia, depois. Nesta terra paramos um pouco na cafeteria do clube desportivo local para restaurar algumas energias perante alguns olhares curiosos. Seguimos então, após o fim do estradão que aqui termina cruzando os quilómetros finais que nos separam do Cabo Espichel perante uma ventania inclemente que aqui parece vir dos quatro quadrantes em simultâneo.

No incrível santuário as obras de restauro tardam a chegar mas, no entanto, há algumas novidades que sem custarem dinheiro melhoraram a qualidade de visitante de quem ali demanda: a colocação de uns simples pilaretes metálicos impede agora os carros de alcançarem quer o adro da igreja e das antigas celas dos romeiros, quer o próprio cabo. As vezes gestos simples são os suficientes para resolver situações aberrantes.


Em virtude da fortíssima nortada optámos por um plano B relativamente à travessia das terras a norte do Cabo até ao Meco. De facto, procurámos um trajecto um pouco mais interior e direto à praia da Foz já que, com tamanhas rajadas não era muito conveniente pedalar em zona de falésia. Estas terras do Meco são uma paisagem à parte e diferente de tudo aquilo a que estamos habituados e onde guiarmo-nos por um aparelho de GPS é quase condição sine qua non.

O resto do percurso pouca história tem de contar já que, após Aiana de Cima e até Aldeia de Irmãos e Vila Nogueira de Azeitão, se limita a cruzar pinhais infindáveis. De novo nas terras do PNA a passagem pelas ruas reconditas de Azeitão a mostrarem o esplendor das quintas e o ambiente bucólico que caracteriza um das terras mais tradicionais da região e do país.


Rapidamente vencemos os metros até à Igreja das Necessidades onde cruzámos a N10 e começamos a descer de modo rapido o estradão de tout-venant até ao vale dos Barris. Aí chegados uma opção tática de gestão do esforço levou-nos a subir o caminho da portela da Serra do Louro em detrimento de continuar pelo Vale dos Barris: preferiu-se vencer os cerca de 300 penosos metros da subida da portela de uma só vez do que o vale continuamente em direção a Palmela. A escolha coincidiu com a vantagem de tornarmos a repetir o sempre incrível troço dos moinhos do Louro desta vez no sentido descendente o que, convenhamos, é sempre bem mais gratificante.

Alcançada Palmela faltava ainda a subida final ao Castelo. A vontade e as forças já não abundavam mas "tinha de ser", e lá fomos no quilómetro derradeiro, subindo, vila acima até ao castelo, ao final da incursão e ao descanso.

Para trás ficou a incursão mais dura da época, bem mais do que o clássico "Fátima" (apesar dos seus 165 kms.). Mas o grau de satisfação é equivalente à dureza da mesma a que não são alheias das paisagens mais impressionantes que se podem encontrar em Portugal e que, tal como Torga relativamente ao Douro, Sebastião da Gama, o poeta de Azeitão, tão bem nos cantou aquela a que chamou a Serra Mãe.

Este seu poema mais conhecido traduz, afinal, a essência do BTT:

Pelo Sonho é que vamos, comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos? Haja ou não haja frutos, pelo sonho é que vamos. Basta a fé no que temos, Basta a esperança naquilo que talvez não teremos. Basta que a alma demos, com a mesma alegria, ao que desconhecemos e do que é do dia-a-dia. Chegamos? Não chegamos? - Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama, Pelo Sonho é que Vamos

terça-feira, 19 de julho de 2011

LOULÉ, TERRA DE TRADIÇÕES E DE BICICLETAS




O texto que se segue é da autoria de um grande algarvio que dá pelo nome de José Mendes Bota.

Por força das circunstâncias tive e tenho o grato prazer de ser seu amigo e sei, de mote próprio, que a paixão com que se entrega às suas responsabilidades conferem uma marca especial a tudo quanto faz. Também a sua passagem pelo ciclismo na condição de dirigente desportivo não constitui excepção tal como o prova o texto que abaixo se transcreve. 

Nele, Mendes Bota elabora um depoimento sobre a sua vivência no ciclismo, como adepto e como dirigente clubístico e associativo, e sobre a importância que o desporto velocipédico teve e tem no município de Loulé. Um testemunho para o escritor Neto Gomes, que prepara um livro sobre o ciclismo em Loulé. 

Acresce ainda a circunstância de, Mendes Bota, ser tio de uma atleta de referência no BTT algarvio e nacional (vertente de XC) que dá pelo nome de Irina Coelho também ela uma orgulhosa louletana.

PR

LOULÉ, TERRA DE TRADIÇÕES E DE BICICLETAS
Por José MENDES BOTA

O ciclismo é um dos desportos mais  belos e emocionantes do mundo.  Esta característica é  hoje alavancada pela televisão, que permite um acompanhamento em tempo  real das competições, à disposição universal de toda a gente. Tive etapas diferentes à volta das voltas. 

O despertar numa terra que amava o ciclismo de uma forma entusiasmada, aconteceu na  década de sessenta. E os heróis chamavam-se Vítor Tenazinha, Valério Chocolateira (o da camisola amarela), Perna Coelho, Casimiro Cabrita, e muitos outros que recordarei depois de  ler este livro do Neto Gomes. 

Os dirigentes eram o Bexiga Peres e o dr. Manuel Gonçalves. O técnico, massagista, mecânico e faz-tudo-o-resto, o polivalente Manuel Costa. Não havia televisão. As notícias chegavam via rádio, não raramente, por telefone. Fulano ia em fuga em Beja, com meia hora de avanço, a chegada era em Faro. E lá ia foguete. Se a vitória sorria às camisolas de listas verticais vermelho e branco, era um arraial de S. João. O povo saía às ruas, juntava-se nos cafés, era a alegria geral. 

E assim, à distância, se ia acompanhando as proezas e as desilusões dos heróis do pedal de Loulé. Havia outras equipas, de amadores, como o Atlético, e disputavam-se muitas provas pelas aldeias. Aos domingos, a pista do Estádio da Campina, com o seu perigoso empedrado irregular, posteriormente coberto de sal-gema, enchia de multidões para ver o espectáculo de sprints com os rivais de Tavira capitaneados por Jorge Corvo, e equipas de fora como o Benfica ou o Sporting. 

Voltei à estrada, após o 25 de Abril, como dirigente do Louletano com 18 anitos de idade, liderando uma equipa fraquita na Volta a Portugal, que acabou muito desfalcada pelas desistências e pelo Captagon do Manuel Beirão (nunca mais esqueci estes nomes…), mas tive a honra de acompanhar e apoiar um dos maiores trepadores do pelotão nacional, chamado José Madeira. Foi uma experiência inolvidável, prometo um dia, quando recuperar o meu arquivo gigante de papelada, fazer um livro só sobre as vivências ciclísticas. 

Em 1978, salvo erro, convenceram-me a presidir à Associação de Ciclismo do Algarve, onde estive até 1984. Era uma equipa de gente voluntariosa, o “Favas”, o José Manuel Farrajota, o António da Avó, o “Zequinha” (hoje sr. Viegas Ramos) e muitos outros, que conseguiu recuperar a Volta ao Algarve para o calendário velocipédico nacional, num tempo em que não era fácil arranjar patrocínios. Trouxémos duas vezes a selecção da Lituânia (ainda na época do império soviético), e quase se arranjou um conflito diplomático, pois queriam todos
pedir asilo político. Criámos selecções de escalões juniores onde despontaram alguns valores interessantes, a coisa dinamizou com muitas equipas novas, um pouco por todo o Algarve. 

No princípio da década de oitenta, por duas vezes, integrei o júri da Volta a Portugal, no tempo de Mário Ferreira e Francisco Nunes na Federação, e assisti ao segundo lugar do maior ciclista algarvio que vi correr até hoje, Luis Vargues, então a correr pelo Campinense, e cuja carreira poderia ter ido mais além, pois tinha potencial físico para isso. Ali continuei, conciliando este hobby com os primores de um percurso autárquico. Penso que deixámos a Associação, sediada em Loulé no torreão do mercado municipal, com algo mais do que a caixa de sapatos com meia dúzia de fichas que herdámos. Até ao dia em que o cão atravessou a marginal de Quarteira numa Volta ao Algarve, e Joaquim Agostinho caiu desamparado, sem capacete, traumatizado, foi tarde para o hospital, não havia helicópteros no Algarve, quando chegou a Lisboa era tarde demais. Nesse dia, tomei a decisão de abandonar o ciclismo. Era o presidente do júri dessa prova. E apercebi-me do amadorismo sem rede em que todos ali andávamos, e nos riscos em que incorria o nosso voluntarismo, na base das boas-vontades. Ainda tenho gravadas na memória as imagens do campeão em sangue, do José Alentejano a fazer de enfermeiro. Numa história que tem contornos que nunca foram contados como deve ser, e aqui não serão. Ainda. 

Afastei-me do ciclismo activo, até hoje. Tive uma intervenção decisiva junto do holandês “patrão” de Vale do Lobo, que o convenceu a fazer uma parceria com o Louletano, criando a melhor equipa de Loulé, e do Algarve, que jamais se formou nesta terra, nesta região, e ganhou tudo o que havia para ganhar em Portugal. Desde logo, o pequeno inglês maluco, Cayn Theakston, vencedor da Volta a Portugal. 

Mas era uma esquadra, liderada pelo experiente Marco Chagas, com o Joaquim Gomes, o Cássio Freitas e tantos outros ciclistas de primeira linha do pelotão nacional. Tudo isto começou para que o resort turístico “pagasse” à autarquia de Loulé uma dívida de 40.000 contos. Estive lá, a assistir pelo ar à última etapa da consagração louletana. Como esquecer? 

Deixei o ciclismo, mas por dentro, o coração continua a palpitar de emoções. Tornei-me adepto de sofá. Sempre que posso, não perco uma transmissão em directo. A beleza das paisagens. O tacticismo das equipas. A força dos atletas, o colorido das camisolas. Claro que preferia os clubes tradicionais, em vez das marcas comerciais. Mas a vida é assim. O desporto é belo. Chorei ao lado dos atletas. Berrei até à exaustão atrás deles. Mudei rodas furadas num ápice. Matei-lhes a sede com bidons de água fresca. Levantei-os das quedas e empurrei-os de volta à estrada. Partilhei o nervosismo que antecede as partidas. Vi seringas, cápsulas, sou do tempo das algálias, tenho histórias para contar que nunca mais acabam. Umas de rir, outras de espanto, e outras de chorar.

O ciclismo é como a caça e a pesca. Por cada conto, acrescenta-se um ponto. Exagera-se um bocado, mas enche-nos a alma. Se não tivesse nascido e crescido em Loulé, é possível que tivesse passado ao lado do ciclismo. Loulé foi terra de bicicletas. Já não estou seguro que seja assim, embora haja o BTT e pedalam centenas de amantes do pedal aos domingos de manhã. O mundo muda, e a nossa terra também. Lamento que não se tivesse feito um velódromo a sério, em vez de um estádio  enorme que serve para muito poucos. 

Poderia ter sido a sede do ciclismo algarvio, um verdadeiro pólo de animação desportiva e de atracção turística. E ficava em Loulé. Terra de tradições e de bicicletas.

Loulé, 28 de Junho de 2011

quarta-feira, 13 de julho de 2011

PORTALEGRE, "FUNDAMENTALMENTE TRANQUILIDADE"


Fotos by PR aqui

Volta tranquila em Portalegre, no sábado passado, a combinar com o dia e com a própria região.

O meu amigo João Neves alinhavou uma incursão simples por zonas bucólicas num triângulo com cerca de 37 kms. entre Portalegre, Castelo de Vide e Fortios de baixa altimetria e elevada agradabilidade a combinar com o dia e a região.

Acompanharam-nos o Luís Calado e o Francisco Sampaio Soares, companheiros simpáticos.

Todos os ingredientes estiveram reunidos para uma incursão simpática e a constituir o prelúdio certo para a previsível incursão demolidora do dia seguinte em Macedo de Cavaleiros.

A PROEMINÊNCIA TOPOGRÁFICA


A subida a Bornes, uma serra cujo topo se situa aos 1.200 m., levou-me a descobrir um conceito topográfico e orográfico que empiricamente já se me deparara: a proeminência topográfica.

De acordo com a incontornável Wikipedia: a proeminência é um dado tão ou mais relevante que a altitude para determinar a importância de uma montanha. É uma medida objectiva que se relaciona fortemente com o significado subjectivo de um cume. Dá-nos ideia da sua relevância com referência às montanhas que a rodeiam. Os picos de proeminência baixa costumam ser picos subsidiários (subcumes) de outros principais, e os de proeminência alta indicam que a relevância da montanha é elevada, tendendo a ser os pontos mais altos da vizinhança e costumam ter vistas desafogadas em seu redor.
Devido ao conceito de proeminência, os três cumes secundários do Kanchenjunga que estão acima dos 8.000 metros não figuram na listagem oficial das montanhas com mais de oito mil metros de altitude já que entre elas há muito pouco desnível (têm pouca proeminência) o o K2 (altitude, 8.611m; proeminência, 4.017 m) é considerado o segundo cume mais importante, à frente do cume sul do Monte Everest (altitude, 8.749 m; proeminência, 10 m).

Ou seja, este conceito é bem mais importante do que a altitude absoluta de uma montanha. Quando tivermos de subir uma convirá que o tenhamos em consideração não só pelo esforço que ela nos exigirá mas também pelos panoramas que, do topo, lhe cobraremos.

BORN(ES) TO BE ALIVE!



Azibo - Serra de Bornes - Azibo
Domingo, 10 de Julho de 2011, dia de São Cristóvão (mártir)
76 kms.
2.700 m. de acumulado vertical


Photos by PR


Quando aqui vos dei conta de incursões anteriores e da dureza física que representaram, seja pela quilometragem, seja pela altimetria - ou pela conjugação de ambas - deveria, em abono da verdade, ter feito uma ressalva de que, como em tudo na vida, havia uma relatividade inerente a essas aferições.

No passado domingo, respondendo a um convite do JC por mim sucessivamente adiado, de uma incursão na área de Bragança (sua terra natal) e, após dos 76 mais difíceis quilómetros dos últimos tempos, dei por mim a cogitar sobre esta mesma relatividade.

As altimetrias das serras do Nordeste são do mais expressivo que se pode encontrar em Portugal Continental. Na zona de Bragança, um trio de serras justifica esta afirmação plenamente: Montesinho (1.486 m.), Nogueira (1.318 m.) e Bornes (1.200 m.).


Como, as duas primeiras, já haviam sido objecto de incursões anteriores em BTT, sobrava a "mais baixa", ou seja, a serra de Bornes, em Macedo de Cavaleiros que, apesar de altitude inferior, apresenta um dado curioso que são os seus 621 m. de proeminência topográfica e que a convertem numa das montanhas mais relevantes de Portugal apesar de não ser das mais altas, ou seja, a partir do "ponto de sela" (ou portela) é este o valor ascensional, em metros, que terá de ser vencido para se alcançar o topo. E subir uma montanha destas, tal como a Estrela, a Gardunha ou São Mamede, é "outra loiça" já que a resiliência física é testada aos limites.

Estabelecemos um plano de ataque que incluía a magnífica Praia do Azibo como local de partida e chegada, por motivos óbvios. Assim começámos por volta das 09:00 rolando ao longo da sua margem esquerda, tranquilamente a princípio mas, em virtude do relevo, o empenho teve de ser reforçado para levar de vencida um par de rampas por volta da povoação de Santa Combinha.


Até alcançarmos o paredão da barragem realce para a passagem de um par de locais paradisíacos desta bem aventurada "paisagem protegida" com o bosque de sobro junto ao plano de água a fazer as delícias dos sentidos. Após a travessia do muro da barragem seguimos junto ao canal de irrigação que abandonamos, pouco depois, descendo em direção a Vale da Porca, berço do emigrante português mais bem sucedido (se excecionarmos os pontapeadores de esférico), i.e. Roberto Leal.

Descida para a antiga estação ferroviária do Azibo da antiga Linha do Tua e visão do habitual cenário de desolação associado às ferrovias abandonadas. De imediato a recordação do trabalho inter-municipal no Dão, reportado aqui na semana anterior: se já não serve para comboios, que sirva paras as gentes e o seu lazer. E que bela ecopista daria de Mirandela a Bragança.


Seguimos o curso do rio Azibo (a jusante da barragem) e começamos a ascender para o santuário de Santo Ambrósio e daí seguimos para a abordagem às altitudes da serra. Se, até aqui, as dificuldades eram apenas normais, entravamos agora no reino da extrema dureza. Efetivamente, em dez quilómetros, fomos dos 530 aos 1150 metros por um estradão de tout-venant de serventia ao parque eólico sem que a pendente desse outra trégua que não fosse uma inclinação constante. Confesso que já estava desabituado deste tipo de ascensão e o truque habitual de manter o pulso controlado debaixo de um ritmo constante aqui não surtiu um efeito permanente pelo que nos vimos na contingência de efetuar um par de paragens técnicas para recuperar o fôlego e retomar a ascensão.


Tinha sido possível evitar as pausas mas isso seria conseguido à custa de uma carga anaeróbica constante que cobraria a sua fatura adiante e na posterior recuperação. Julgo termos optado pela melhor solução já que se alcançou o falso topo sem pagar um preço demasiado elevado. O problema é que, neste plateau estávamos já a 50 metros do cume (1.200 m.) e quando seria lícito esperar que apenas restassem 50 m. eis que se nos deparam mais sete quilómetros de um ondulado em que a descidas vertiginosas se seguiam subidas a condizer num "rompe pernas" de alta montanha a acrescentar um tipo de dureza diferente.

Não admira pois que o cume tenha sido alcançado com um misto de enfado, cansaço e glória. Mas aquela vista, meu Deus, merece todos os sacrifícios deste mundo. E, de novo, aquela sensação de compaixão pelos sedentários deste mundo que jamais desfrutarão deste aparentemente contraditório prazer em que o estoicismo antecede e valoriza o epicurismo.


A curta descida até à aldeia de Bornes foi outro momento de antologia. Foi efectuada por um estradão serpenteante onde, bem vistas as coisas, teria sido de todo impossível de ascender, seja pela pendente, seja pelo estado do piso. Esta é uma daquelas incursões que não admitem ver o sentido da sua marcha invertido e em que uma descida entusiasmante teria dado uma subida impossível. Valeu assim a descida ainda que, à semelhança da ascensão anterior houve que parar um par de vezes para descansar, neste caso, os braços e as pernas, em virtude da tensão muscular necessária para ter tudo debaixo de controlo.

Daí que a detente, no café da Aldeia tenha sido novo momento de glória a convidar a uma fresquísisma imperial na ausência de champagne. Como são mágicos estes momentos.


O melhor estava ainda para vir - vencido o viaduto sobre o novíssimo troço do IP2 seguiu-se um longo, inolvidável e quase ininterrupto downhill até Cernadela. A pendente fraca a proporcionar uma velocidade relativamente elevada ma non troppo por forma a tudo estar debaixo de controlo e se desfrutar da alegria que só um trilho daqueles, encaixado entre-muros em paisagem mediterrânica (nem faltavam as oliveiras), pode proporcionar. Receio, todavia, não conseguir descrever minimamente aquilo que só a estimulante vivência pode proporcionar.

Naturalmente recordo de ter dito que, tamanho bónus, teria um preço caro a pagar. A experiência ensina-nos que a uma descida equivale uma subida, para mais uma descida de antologia teria um reverso da medalha adequado e  que, após Cortiços, não se fez esperar obrigando a desmontar algumas vezes num conjunto de rampas curtas indispensáveis para vencer uma portela dura de roer.


Felizmente não demorou muito tempo para se alcançar o canal de irrigação e, preguiçosamente, junto a ele se rolar até Macedo de Cavaleiros que rapidamente se cruzou. Havia que chegar à praia do Azibo embora ainda tendo de se ascender mais um pouco após Vale de Prados.

O gran finale ficou reservado para percorrer tranquilamente a margem direita da albufeira que, ao contrário da oposta, é planíssima como convém após tão intensa quilometragem. Mas o melhor mesmo foi o banho no imenso lago do Azibo na praia fluvial que exibe orgulhosamente, há anos sucessivos, uma bandeira azul atestadora de uma qualidade que, de resto, só quem for cego não vê.



Alguém batizou um dia, uma incursão semelhante: Bornes to be Alive ou, acrescentaria eu, como passar um dia em cheio no nordeste transmontano!







quarta-feira, 6 de julho de 2011

TOUJOUR EN VELO

GUARDA - ALMEIDA - GUARDA, CICLISMO EM ESTADO PURO



Domingo, 3 de Julho de 2011 (dia de São Tomé, apóstolo)
Guarda - Almeida - Guarda
Distância: 102 kms.
Altura máxima: 958 m.
Altura mínima: 556 m.
Desnível acumulado: 1.900 metros
Photos by PR

O desnível acumulado embora elevado não o parece denotar mas esta foi, todavia, uma incursão bastante trabalhosa.

Se a ida por estrada foi relativamente simples, já o regresso, em todo-terreno, foi algo complicado para mim e para o RS em virtude da travessia dos vales da Ribeira das Cabras e, sobretudo, do Côa junto a Almeida e ainda por via de um piso por vezes inclemente e muito técnico exigindo um enorme empenho. A juntar a tudo isto os 100 kms. de véspera na Ecopista do Dão.


Sem embargo foi uma jornada monumental e um hino ao acto de pedalar; seja na ida por estradas imaculadas e desertas, seja no regresso por caminhos imemoriais e aldeias lindíssimas: Pousade, Castanheira, Pínzio, Safurdão, Atalaia, Peva, Aldeia Nova, Leomil, Freixo, São Pedro de Jarmelo e Arrifana.



Os destaques vão, naturalmente, para a vila-fortaleza de Almeida onde a História se vivência a cada passo e para a travessia do vale do Côa pela ponte de pedra que motivou uma batalha da guerra peninsular pela sua posse. Aqui a batalha travada foi a de seguir durante alguns quilómetros a GR22 encosta a cima por um piso muito difícil vencendo o desnível com que o Côa rasgou este vale de antologia.



Também a passagem pela Ribeira das Cabras foi muito complicada já que uma ponte tosca em granito estava tomada pela vegetação e não restou alternativa senão cruzá-la a vau e depois vencer um novo desnível desumano.

Mas, a piéce de resisténce estava reservada para o alto de Jarmelo alcançado por um piso pedregoso constituído por autênticos degraus de granito apenas vencidos penosamente. No alto valeu a pena o esforço, pela vista e pelo local mágico associado à lenda dos amores proibidos de Pedro e Inês.


Como afirma o poeta: há sempre um Portugal desconhecido que espera por si...

terça-feira, 5 de julho de 2011

O FESTIVAL DA CICLORIA E A INAUGURAÇÃO DA ECOPISTA DO DÃO


Dados Ecopista Dão (com extensão a Viseu)
distância - 102 kms.
denivel acumulado - 588.32 m
Photos by PR and RS

No fim de semana passado dois eventos semelhantes e que resultam da cooperação inter-municipal são de destacar em termos da promoção dos modos de mobilidade suaves:

O festival Cicloria, resultante do projecto do mesmo nome e que foi criado com o objectivo de promover uma rede de promoção e desenvolvimento da mobilidade ciclável com motivação de lazer e turismo na Ria de Aveiro de iniciativa dos municípios da Murtosa, Ovar e Estarreja com um relacionamento estreito com a Universidade de Aveiro;



Ecopista do Dão, erguida sobre o espaço canal da antiga linha ferroviária do mesmo nome que ligava a estação do Vimieiro (Sta. Comba) a Viseu numa extensão de cerca de 49 kms. e de que aqui já vos dei conta numa iniciativa da REFER e da Comunidade Intermunicipal de Dão Lafões (Sta. Comba, Tondela e Viseu) que completa os primeiros 8 kms. já pré-existentes entre Viseu e Figueiró.

Fiz questão de estar presente em ambos os casos. Assim na sexta participei no jantar de lançamento do festival que teve lugar num estupendo restaurante, perto do Furadouro, Ovar em cima da Ria de Aveiro num enquadramento natural magnífico. Jantei na companhia de diversos autarcas e responsáveis técnicos por este projeto coletivo que é a Cicloria.

Mas se este primeiro serão, para além do magnífico convívio que proporcionou, apenas contribuiu com um adicional calórico haveria que fazer a compensação no dia seguinte desgastando esse excesso gastronómico.



Nada melhor para isso do que a inauguração da Ecovia do Dão no dia seguinte, sábado, 2 de Julho.

Comecei em Figueiró, local onde terminava a versão curta desta ecopista que já havia sido inaugurada há anos. Percorri os primeiros quilómetros na tentativa de encontrar os andarilhos (nos quais se incluíam os presidentes dos três municípios e os meus colegas do GP PSD, João Figueiredo e Pedro Alves).



Logo perto da saída um primeiro túnel, o de Figueiró, seguindo-se a ponte de Mosteirinho bem recuperada e que vence um desnível de respeito, após a mesma vêm as antigas estações e apeadeiros um após outro: Mosteirinho, Torredeita (com um antigo comboio numa espécie de museu ao relento), Várzea, Farminhão e o extenso túnel da Parada, iluminado, como não pode deixar de ser, Parada de Gonta, Sabugosa, Casal do Rei, Naia e, amtes de alcançar Tondela, alcanço finalmente o conjunto extenso de caminhantes e com eles partilhei um leve repasto na estação recuperada.


É fantástica a sensação de um caldo verde após duas dezenas de quilómetros ainda que tenham sido maioritariamente descendentes. Algumas fotos da praxe e sigo, agora muito rapidamente, em direção a Sta. Comba já que o Rui Sousa chegava, proveniente da Guarda, no comboio pelas 12:30.



Como o trajecto, até à ponte de Treixedo era descendente a velocidade foi estonteante raras vezes abaixo do 30 kms. /h.. De novo sucederam-se: após a ponte de Tinhela sobre o rio Dinha, o Porto da Lage, Tonda, Nagozela, Treixedo, a travessia da extensa ponte sobre as águas represadas do Dão, e a subida em direção à estação do Vimieiro ficando a sensação estranha de terminar no meio de nenhures já que não há ligação à plataforma da Beira Alta, sendo o cabo por debaixo do viaduto ferroviário (um dos aspectos a rever).


Já em companhia do Rui Sousa rumámos a Viseu. Sente-se um pouco a diferença neste sentido já que agora se ascende embora de modo muito ligeiro (trata-se de um antigo traçado ferroviário). Na zona de Tonda cruzamo-nos com a comitiva peestre e a frescura já não era a mesma mas lá iam, capitaneados pelos autarcas em direção ao final da jornada.


Quanto a nós chegámos até Viseu onde visitamos o centro histórico regressando de novo pela ecopista a Figueiró.

Assim percorri cerca de 100 kms. de ecopista. De notar um facto curioso: a ecopista está pintada em três tons diferentes consoante o concelho: vermelho para Viseu, verde para Tondela e azul para Sta. Comba.


No final uma plena satisfação e a vontade de aí retornar. Os três municípios estão de parabéns já que conseguiram erguer a maior infraestrutura de lazer de Portugal.


Ler também o post no blogue do Rui Sousa: "Viver na Guarda"