terça-feira, 29 de novembro de 2011

DE NOVO UM PASSEIO PERFEITO

JPP and CN in the road near Monsaraz

27 de Novembro de 2011
Dia de São Virgílio
80 kms.
1300 m. acumulado

Texto e Fotos: PRoque

A proposta, que constava da ligação em BTT entre Évora e a altaneira Monsaraz, tinha tudo para dar certo. Ora, sabendo nós que a Lei de Murphy, malgré tout, é absolutamente excepcional, não é de admirar que no final tudo tenha dado certo bem como, igualmente, o grau de satisfação tenha sido elevadíssimo.

Para além da companhia de dois grandes amigos de longa data (Cláudio Nogueira e João Pedro Pina) no início alinharam quatro outros elementos de Évora se bem que, a dada altura, tenham optado por abreviar o caminho até Monsaraz seguindo por asfalto.


Monsaraz sightseeing

O tempo seco, que contribuiu para a firmeza dos terrenos transformaram a incursão numa espécie de passeio primaveril inclusive em alguns trilhos que, de outro modo, seriam lamaçais temíveis.

De resto o sol é um factor acrescido de bem estar: predispõe bem, ilumina tudo - inclusivamente a alma - melhora os registos fotográficos e enobrece a paisagem. E foi com um destes alegres dias soalheiros que seguimos, cruzando ainda bem cedo o centro histórico de Évora antes de nos internarmos nos campos alternando as zonas planas com os rompe-pernas que tão bem caracterizam o Alentejo.

JPP, me and CN at the Monsaraz Plaza de Toros

Destaque para as zonas de águas represadas a proporcionarem as vistas desafogadas à medida que o cabeço de Monsaraz começava a surgir no horizonte.

A paragem em Montoito foi um must. Junto à cafeteria o habitual "grupo da sueca" de reformados um dos quais se havia deslocado numa clássica Ye-Ye de um verde metalizado lindíssimo e a quem prometi que a sua foto iria "para o Facebook" ("o qu'é isso, home?") além dos coloridos comentários habituais quando as duas tribos se encontram.
Uma reluzente clássica em Montoito

Para o final estava guardado o melhor pedaço: o uma colina sobranceira a uma das aldeias com rampas íngremes ascendentes e descendentes, o Menir do Outeiro e a dura calçada que ascende a Monsaraz.

No final a detente com as magníficas vistas sobre os olivais, vinhas e o intenso azul do Guadiana represado no magno lago do Alqueva, as incontornáveis umas fotos na plaza de toros e um reconfortante snack na esplanada de um bar local.

Magnífico! Esta foi uma incursão inesquecível. Provavelmente mais um passeio perfeito.


CN and JPP arriving at Monsaraz

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

DESPORTO E SAÚDE



Ontem completei 87 kms. de BTT na zona de Pegões - Canha num terreno eminentemente plano mas pesado em virtude da quantidade de água que tem precipitado nas últimas semanas. A percepção que tive da dureza da incursão foi desmedida relativamente ao que, objectivamente, era o traçado. 

Ainda assim a média foi bastante razoável (circa 18 kms./h.) mas, após o passeio, o cansaço tomou conta de mim, inexoravelmente. Felizmente era o JC que conduzia a viatura de regresso.

Em casa, após a refeição, desliguei a máquina pelas 21:00 e só acordei 12 horas depois!

Analisando objectivamente o sucedido conclui que uma conjugação de treino intenso de ginásio e pouco descanso são uma receita terrível. 

Moral da História - o descanso é F U N D A M E N T A L. Caso contrário temos o fenómeno do temível over-training. Ainda assim o corpo humano é fantástico: é que, após este meio-dia de descanso tudo se recompôs...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A BICICLETA STANDARD - A SUSPENSÃO


A suspensão dianteira é fundamental para aumentar quer o conforto, quer a eficácia, quer a segurança.

Para uma utilização em XC e maratona o curso de 100 mm. parece-me ser o ideal.

De novo o compromisso preço-qualidade que até aqui nos têm conduzido aponta na direcção da Rock Shox Reba 100 mm.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A BICICLETA STANDARD - A TRANSMISSÃO



Interrompido há algum tempo continuamos com a nossa "bicicleta standard".

Vamos agora à transmissão. Dentro do espírito "best value for money" o grupo XT parece levar a palma agora na versão de 10 v. sempre com 3 pratos.

Ainda assim são admissíveis variações pontuais ao nível do desviador traseiro, um X9, por ex., ou a corrente SRAM ou, ainda os manípulos SLX.

ANDERS RASMUNSEN É UM DOS NOSSOS



O número 1 da NATO é um betetista inveterado. Para além da foto em que surge a pedalar ao lado do ex-presidente W. Bush (também ele betetista) a notícia que se segue não deixa dúvidas disso.

Sem embargo temos conhecimento disso através de um "acidente de trabalho" demonstrando que, quem anda à chuva, molha-se.

Desejamos um rápido restabelecimento para que possa voltar aos trilhos.


O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, caiu de bicicleta e fraturou o ombro, o que o forçou a cancelar uma viagem pela Europa Oriental, informa seu perfil na rede social Facebook.

"O mountain biking é um esporte desafiante. Ontem tive uma grave queda com minha bicicleta e, infelizmente, tenho fraturas em meu ombro esquerdo", disse Rasmussen, ex-primeiro-ministro da Dinamarca.

Ele comentou que seu braço esquerdo foi engessado e que não consegue movimentá-lo. Disse ainda que sua recuperação "levará algum tempo e paciência".

"Infelizmente tive de cancelar minha viagem pela Estônia, Letônia e Lituânia nesta semana", acrescentou Rasmussen, 58 anos, que assumiu o cargo na Otan em agosto de 2009. Em seu perfil no Facebook, ele se diz amante de jogging e de mountain biking, além de outros esportes de contato com a natureza, como o esqui.

PEDRAS ECOBIKE EXPERIENCE


Decorreu, no passado domingo, o Pedras Ecobike Experience.

Tratou-se de um passeio de bicicletas descomprometido que, ligando os resorts de Pedras da Rainha a Pedras d'el Rei, visava divulgar a ecovia do Algarve naquele que é, porventura, o seu troço mais interessante, mas também as virtualidades de um turismo diferente apoiado nos valores históricos, culturais e desportivos em que a estupenda cidade de Tavira é pródiga.


Da minha parte gostei de participar e, como o espírito era descomprometido e a bicicleta fornecida "civilizada", alinhei ao bom estilo "cycle chic" isto é com "roupa civil".

Ainda assim tal facto não me impediu de pedalar a bom ritmo mesmo que, para tal, tenha tido necessidade de efectuar algumas "piscinas" indo adiante e atrás para realizar algum trabalho aeróbico digno desse nome.


Do ponto de vista velocipedico a piéce de resistance foi mesmo o troço da pista do velódromo de Tavira. Não só porque ela encarna o espírito de uma terra que sempre respirou ciclismo (o domínio emagador na última Volta é bem o sinal disso) como pelo facto de nunca o ter feito anteriormente. Foram quatro voltas em ritmo acelerado que souberam muito bem.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O exemplo do país ciclável Português...

Quando queremos dar o bom exemplo da utilização da bicicleta como meio de transporte, recorremos na maioria ao exemplo da Holanda. Sem dúvida que é um excelente argumento para vencer os críticos ou demagogos da inviabilidade da utilização da mesma no nosso país. Bom para estes últimos fiz uma pesquisa, depois de comentar o assunto com um amigo, e encontrei três exemplos da utilização da bicicleta como meio de transporte por estudantes. Imagens que fácilmente se podem confundir com outras do género na Holanda...
Escola Padre António Morais da Fonseca - Murtosa
(500 alunos, 400 utilizam a bicicleta)

Pardilhó - Estarreja
Escola Secundária Gafanha da Nazaré
Imagens e um filme de passeios com alunos da
Escola Padre António Morais da Fonseca

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A pasta secreta de Danny Macaskill

Depois de conhecermos o arquivo secreto de Danny, com toda a curiosidade que o momento atrai, mais importante para mim é tirar a lição do treino, com a aplicação de alguns princípios como o de ser continuado, repetitivo, persistente e estimulante, para o atleta conseguir a evolução que deseja...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

JUST ... BE YOUR OWN HERO!


Bem a propósito este video.

Se a falta de tempo me tem impedido de pedalar as vezes que gostaria a forma física, por seu turno, tem estado a subir graças ao treino indoor.

De facto o ambiente do "indoor cycling" é completamente viciante bem ao contrário dos entediantes rolos caseiros que, ao final da primeira semana após serem adquiridos, ficam convenientemente esquecidos a um canto.

Aqui, uma sessão de 50 minutos abate, no mínimo, 600 KCal. o que, convenhamos, é uma valor brutal.

O video tem porém uma mensagem bem menos prosaica e merece ser assistido com toda a atenção e os cuidados habituais: full screen e volume alto. Deleitem-se como eu...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Escola de ciclismo dos BravusCuras

 Mais uma futura escola de ciclismo a ingressar para a próxima época (2012) no projecto escolas de ciclismo da UVP-FPC e a maior razão deste post é o meu envolvimento neste projecto. 
 Assim informo com muito gosto e satisfação que irei na próxima época desportiva, reforçar a equipa técnica de treinadores da equipa com nome previsto: 
ASC/BRAVUSCURAS/BIKEZONE.
 E exercer também como função acrescida e objectivo prioritário a coordenação da futura escola de ciclismo dos BravusCuras.

No processo deste convite quero agradecer desde já  aos responsáveis dos BravusCuras o sincero reconhecimento pelo meu trabalho anterior e a confiança depositada para esta função.

Fico satisfeito também por estar envolvido num projecto de desenvolvimento do ciclismo de longo prazo para o concelho de Vila de Conde com considerável impacto regional, nacional e internacional que me foi apresentado e que a seu tempo vai sendo mostrado à comunidade desportiva e público geral.
Reforçando o prestígio que esta equipa tem conquistado aos poucos e com sustentabilidade no ciclismo do todo o terreno.

Tentarei esforçar-me para estar à altura das expectativas, juntamente com os outros colegas da equipa técnica aproveitando as excelentes condições disponibilizadas na freguesia de Guilhabreu, que na minha opinião tem grande potêncial de espaços físicos para explorar, construir e desenvolver todo o tipo de ciclismo de forma segura e motivadora para treinadores e principalmente para atletas.

Vítor(abrasar)Santos

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

UCI BMX Supercross World Cup - London

No seguimento do post anterior, este vídeo mostra um campeonato do mundo com sensações muito próximas do que poderá ser a futura competição olímpica.

domingo, 16 de outubro de 2011

BMX Supercross - London - Olympic Park

A disciplina do ciclismo BMX supercross foi integrada nos jogos olímpicos pela primeira em 2008 realizados em Pequim. Actualmente já vibra a bom ritmo com provas UCI realizadas na pista especialmente construída no parque olímpico dos próximos jogos 2012.
Com uma rampa de lançamento de 8 metros de altura a pista tem a possibilidade de combinar duas pistas uma delas com um túnel. Um recinto montado com todas as infraestruturas necessárias para apoiar o trabalho dos profissionais assim como acomodar um total de 6 mil espectadores com uma visão completa e privilegiada de toda a pista como podem ver no último vídeo.
BMX uma modalidade em franco crescimento e cada vez mais popular em todo o mundo. Maris Strombergs da Letónia e Anne-Caroline Chausson da França, foram os pilotos que ganharam as medalhas de ouro nos últimos jogos.
Esquema virtual da pista

Apresentação dos trabalhos reais na pista e testes.


Uma competição...


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

ACTIVIDADE PARLAMENTAR EM PROL DA MOBILIDADE CICLÁVEL



Em http://videos.sapo.pt/Wy3YsTYba0eVt8OmBGZo o clip video da minha intervenção sobre o Projecto de Resolução 101/XII que "Recomenda ao Governo a promoção da mobilidade ciclável através de medidas práticas para garantir efectivas condições de circulação aos utilizadores de bicicleta" (http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=36513 ) 



Em Portugal, os inconvenientes da utilização imoderada do veículo motorizado revelam-se bastante pesados. Esta “cultura do automóvel” a par de inegáveis benefícios que trouxe à humanidade, tem hoje um custo de tal forma elevado que há cada vez mais pessoas a questionarem se não teremos levado demasiado longe a sua utilização.


É assim muito importante alterar comportamentos e promover formas de mobilidade alternativa mais eficazes em função das necessidades, que sejam ao mesmo tempo, mais saudáveis e ambientalmente mais sustentáveis, promovendo também a redução da enorme dependência do país em matéria de importação de combustíveis fósseis.


Nas pequenas distâncias a bicicleta pode, em muitos casos, substituir com vantagem o automóvel no que diz respeito a uma parte importante da mobilidade seja nas deslocações pendulares seja em quaisquer outro tipo de curtos trajectos.


Não negligenciáveis são, igualmente, os ganhos de saúde já que, a promoção da mobilidade ciclável, reduz indirectamente os encargos com o sistema de saúde pois o uso de bicicleta constitui uma actividade física inestimável que contribui para a melhoria da qualidade de vida, combate o sedentarismo e melhora a saúde dos seus utilizadores.


Mas, concomitantemente, para a promoção da bicicleta como meio de transporte quotidiano é condição sine qua non um reforço da segurança dos ciclistas já que, uma parte importante dos seus utilizadores potenciais, equaciona já a deslocação em bicicleta desde que estejam criadas as condições para tal.


Esta promoção necessita que sejam reforçadas regras que garantam condições de segurança para as deslocações, designadamente, pela introdução de alterações ao Código da Estrada que, à semelhança de legislações congéneres de outros Estados-Membros da União Europeia, garantam essa segurança no contexto rodoviário já que o Código da Estrada é manifestamente insuficiente a regular o papel da bicicleta na rede viária e, em alguns casos mesmo, atenta contra a segurança dos seus utilizadores.


Torna-se assim essencial sejam introduzidas medidas que permitam a acalmia do tráfego pelo abaixamento da velocidade dos veículos motorizados e pela imposição de regras de convivência entre veículos de diferentes pesos.


De igual modo a imposição de normas incompreensíveis como a obrigatoriedade de circular o mais próximo possível da berma ou a impossibilidade de circular a par atentam gravemente contra a segurança dos utilizadores de bicicleta.


Ou o que dizer da exclusão da bicicleta da regra geral da prioridade de passagem em cruzamentos e entroncamentos ao contrário do que acontece com todos os outros veículos?


Estes são apenas breves exemplos em como a legislação viária portuguesa se encontra fortemente desadequada e age como um factor de inibição no que à promoção da mobilidade ciclável diz respeito.


E, no entanto, nas nossas estradas e ruas, em situação utilitária, de lazer ou desportiva, a bicicleta conhece uma expansão imparável a bem do ambiente, da saúde e da qualidade de vida.


É pois tempo do Código da Estrada reconhecer e reflectir este facto incontornável.


Hoje a bicicleta reinventou-se e procura assumir, de pleno direito, o seu estatuto – a condição da uma máquina à escala humana que potencia a deslocação das pessoas e que Albert Einstein definiu como “a mais nobre das invenções humanas”.


Esta máquina do passado é hoje, cada vez mais, a máquina do futuro já que, a mesma pode constituir-se numa forma de nos redimirmos pelos erros ambientais do passado tal como bem resumiu o escritor britânico H. G. Wells ao afirmar: “quando eu vejo um adulto numa bicicleta deixo de ficar desesperado com o futuro da humanidade”.


Disse!

sábado, 1 de outubro de 2011

Um pneu que não fura

Eis o sonho de qualquer pessoa que ande de bicicleta. Embora deva confessar que a minha estatística nos últimos tempos, tem sido bastante favorável, eventualmente, mais cedo ou mais tarde, o pneu da nossa bicicleta irá se furar. Mas a Hutchinson lançou agora um novo pneu que promete algo revolucionário - não fura. Quer dizer, até pode furar, mas se tal suceder, não perde ar pois não tem nenhum:
Para substituir a câmara de ar, este pneu tem uma espécie tubo de espuma de alta densidade. Por enquanto apenas direcionado para estrada/cidade, este promete ser um produto com futuro, e ao qual vamos todos estar muito atentos. Embora já esteja a ser comercializado, a sua disponibilidade é ainda limitada. Como maior  desvantagens, terá o preço, e a dificuldade de montar e desmontar o pneu (é necessária uma ferramenta específica). O peso (800gr) é ligeiramente superior ao de um pneu equivalente + câmara de ar.
E para o promover, fizeram este video muito giro:

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Potenciómetro para ciclistas da LOOK e POLAR

A potência é a relação entre a força e a velocidade que um ciclista consegue transmitir à sua máquina, é um parâmetro que tem vindo a ser de difícil avaliação não só pelas variantes que os aparelhos existentes tem como são pouco práticos de serem utilizados. Parâmetros como os existentes nos ciclocomputadores mais simples e nos mais elaborados com frequência cardíaca, cadência de pedalada, gasto energético, são atualmente fáceis de serem recolhidos e registados dando grande ajuda na gestão do treino individualizado. Mas agora duas conhecidas marcas LOOK e POLAR juntaram-se num projecto que já passou da fase de protótipo e está atualmente em testes com provável lançamento no mercado no próximo ano 2012. É um aparelho de fácil utilização, fiável, leve, prático e com envio de dados para um pC e que reune todos os dados já existentes mais o valor da potência.

Vejam agora no vídeo, como funciona este inovador aparelho.


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Fotografia de ciclismo desportivo

Há uns tempos na lista, o Pedro Roque publicou o link para um artigo da Foto Digital com o título Ciclismo: fotografar a 50km/hora.  Este remetia para um "webinário" (um seminário on-line), que aconteceu no passado dia 3 de Agosto, mas que pode agora ser visto aqui (requer registo gratuito). Focado especialmente no ciclismo de estrada, o fotografo belga Kristof Ramon fala da sua experiência e explica as técnicas utilizadas.


Mas vi hoje no Digital Photography Review, um artigo muito bom sobre fotografia de BTT. Simples, com alguns exemplos, vale a pena ver - para quem como eu, além de ser um entusiasta das bicicletas, também adora fotografia:

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Mondim Basto e BTT solitário...

Mondim de Basto para mim foi sempre uma referência para a prática do ciclismo e um sonho sempre adiado para praticar BTT. Já tinha subido o Monte Farinha de bicicleta mas pela estrada. De BTT, foi sempre um projecto adiado sempre com fortes razões para não o fazer. Toda aquela envolvência de várias montanhas me fazia suspirar para as fazer em BTT. A zona das Fisgas de Ermelo também era um local que gostaria de visitar através dos caminhos do todo o terreno...

No passado dia 2 de Setembro, parecia que finalmente estavam todas as condições reunidas para finalmente percorrer Mondim de Basto pelas serras circundantes passando pelas Fisgas de Ermelo a envolver toda a zona Sul e Nascente do Monte Farinha. O percurso estava mais do que estudado com grande ajuda do amigo Pedro Indy , um "expert" nestas coisas de descobrir percursos desde o tempo das cartas militares. A previsão do tempo era animadora, a companhia estava mais do que certa como costume com o meu filho e mais uns amigos para aproveitar as férias, e ainda mais um vizinho amigo...

Mas chegado o dia, tudo se modifica com um tempo de chuva intensa e com a desistência de todos para andar de bicicleta... Estava mais uma vez colocada forte razão para adiar o projecto...

Foi então que decidi que não podia adiar mais este meu sonho... Agarrei-me às coisas mais certas que tinha, a minha vontade, o percurso gravado no GPS, a minha bicicleta e o no carro para me transportar até Mondim de Basto. Apesar de não ser nada sensato praticar BTT sozinho e para o local em causa, arrisquei, e nem sequer levei comida confiando mais uma vez num local marcado no percurso com o nome de Tasca. Sabia que iria andar o dia todo pois o percurso tinha marcado 54kms, mas apenas me preocupei mais com os materiais para o caso de aparecer uma eventual avaria, kit de primeiros socorros, uma capa para a chuva e telemóvel bem carregado, além de avisar em casa por onde ia andar.

Cheguei a Mondim de Basto, com um tempo húmido e fusco com alguma chuva. Comecei a andar de bicicleta às 11h00 e logo uns metros depois todo o esplendor de um percurso pedestre se abre há minha frente para explorar, cativando-me todos os sentidos para "saborear" toda a envolvência da paisagem e património cultural antigo que se me apresentava fazendo-me parar várias vezes. Isto prometia, pensava eu, e ficou comprovado que assim foi conforme seguia o percurso.

Ainda estava no princípio do percurso e o mais incrível que me aconteceu foi já no estradão florestal a subir para as Fisgas de Ermelo... Admirado reconheci Medronheiros!!!... Montes de arvores de Medronho, carregadas de bons frutos, uma árvore que eu só imaginava haver em grandes quantidades no Algarve como os conheci quando lá vivi e muitos frutos e licor dos mesmos, comi e bebi!!!...

Impressionante os ter encontrado aqui assim também em grande quantidade e sem hesitar fui saborear os seus maduros frutos, bem limpos pela água da chuva e com moderação, pois para quem não sabe é um fruto que pode provocar algum teor de alcoolemia se for consumido em grandes quantidades. :)

Mas não acabou a minha admiração só com os medronhos, pois mais à frente encontrei boas castanhas, que me fizeram levar a carregar ao máximo o camelback para as levar... Bom de comida nutritiva já estava servido, a única desvantagem é que estava a carregar um peso extra de quase dois quilos... :)

Fui fazendo o caminho nas calmas sempre a subir, parando num ou noutro local para apreciar a paisagem e se não gosto de andar sozinho, verdade se diga que só assim se consegue estar à vontade para se fazer as paragens que se quiser sem o constrangimento de se sentir se os companheiros gostam ou não e sempre vamos ao nosso ritmo... Enfim estamos entregues a nós próprios sem qualquer tipo de reclamação para ouvir e assim cheguei às Fisgas de Ermelo.

Depois de apreciar o local voltei a subir e aos 722 metros de altitude, entrei literalmente dentro de uma nuvem húmida e com chuva, que me encharcou, não me esmorecendo contudo a minha vontade de continuar e a satisfação de estar naqueles caminhos, apesar de uma parte do caminho o ter de fazer com a bicicleta às costas e a subir bem.

A paisagem começou a ser diferente, a altitude mantinha-se entre os 800 metros e a ruralidade do local em simbiose com a serrania e o aproveitamento dela para as pastagens dos animais era evidente. Os caminhos sucediam-se agora mais estreitos e com grande traço de obra humana num passado muito longínquo era também evidente e agradável de descobrir.

A Aldeia de Bobal,

apresentou-se e era nesse local que estava marcado no GPS a Tasca e que afinal era uma excelente casa de pasto de nome Tasca, com petiscos para servir além de refeições tradicionais. Num primeiro contacto pensei que estava fechada, mas depois de abrir a porta de entrada o barulho animado lá dentro fez-se sentir e os sabores e cheiros de uma grande sande mista acompanhada com sopa a saber a carne, também os experimentei.

Satisfeito e com alguma pressa em regressar a pedalar, pois estava bastante molhado e não queria arrefecer, parti novamente seguindo o percurso. Estava no local mais afastado do Monte Farinha que se via do local assim como todas as pequenas aglomerações de granito em seu redor que eu de certeza tinha de atravessar, e parecia mesmo muita serra para se fazer... Mas felizmente o tempo melhorou com o Sol a descobrir e me ofereceu um cenário que não esperava encontrar.

Pois pensava que o resto do percurso seria pouco interessante, mas não. Os caminhos eram fabulosos de se fazer, um sobe e desce suave, uma flora muito diversificada com castanheiros, carvalhos, grandes pinheiros do tipo nordico e outro tipo de vegetação em autênticos bosques de um verde limpo e brilhante motivado pela chuva recente, dando quadros de imagens da flora fantásticos e que faria a delícia a qualquer fotografo... Eu tirei as fotos possíveis, tentando dar as imagens que possam descrever mais ou menos estas letras...


O Monte Farinha estava presente à minha frente, podia-o evitar, mas não, queria mesmo fazer mais um esforço e ir ao santuário da Senhora da Graça, equipado com uns grandes altifalantes que "davam" música tradicional que já vinha a ouvir a uma distância de 20 km... Eram as vésperas das festas da S. da Graça... E não dei por perdido o ter lá ido, pois deu perfeitamente para visualizar todo o percurso que fiz desde o princípio, assim como toda a paisagem em redor que é imensa.

De regresso e agora com poucos quilometros para fazer e sempre a descer, pensava eu que seria pela estrada, mas não... O percurso derivou por mais um percurso pedestre, muito bonito de se fazer e ainda deu para ver a curiosa Pedra Alta.


Cheguei a Mondim de Basto às 18h30, foram 7h30m a andar por estas serras e termino aqui está crónica de um BTT solitário por um percurso que considero agora "estupidamente belo", nada arrependido de seguir o meu sonho. Contudo aconselho a não o fazer sozinho como o fiz, não deixa de haver muitos locais completamente isolados com todos os perigos que a natureza de montanha nos pode reservar, assim como a existência de animais que nunca sabemos que comportamento podem ter, pois circulam livremente. Fica aqui assim este registo que espero agora brevemente voltar a fazer este ou outros percursos pelas terras de Basto...


Ver álbum completo de fotos, Clicar AQUI.