Foi o que eu não parava de dizer, quando comecei a ver isto. Lembram-se dos videos do Danny MacAskill? Agora troquem a bike de trial, pela vencedora do Tour, uma Pinarello Dogma 2 de estrada em Carbono - 10.000 euros de bicicleta, desenhada e fabricada com outro objectivo, levada ao extremo!
FOSNIX!!!!
terça-feira, 9 de outubro de 2012
domingo, 7 de outubro de 2012
Vestuário Técnico: Eficácia e Estilo
Artigo Publicado na Revista "B - Cultura da Bicicleta", n.º 4, 2012
Bem sei que o “hábito não faz o monge” mas, convenhamos, ajuda muito.
É óbvio que não devemos julgar ninguém pela aparência mas, na realidade, é isso que fazemos todos os dias: um agente da autoridade é reconhecido pela sua farda ou um sacerdote pelas suas vestes – como em tudo na vida o “dress code” é algo de muito importante e seria leviano descurar este aspecto.
Ora queira-se, ou não, o acto de pedalar é uma actividade física mais ou menos exigente consoante se trate do “Tour” ou de uma ida pacata “à padaria”. Deste modo, a forma de trajar pode, ou não, facilitar essa tarefa. Esta função prática do vestuário, associada à bicicleta é, sem qualquer dúvida, melhor assegurada através das roupas nos chamados materiais técnicos (vulgar e redutoramente designados por “licra”) que asseguram uma excelente protecção contra os elementos naturais (sobretudo em condições climatéricas extremas), facilitam a aerodinâmica e afastam a transpiração do corpo. O resultado é uma maior eficiência e conforto que conduzem a um menor cansaço, maior agradabilidade e, em última análise, mais tempo em cima do selim.
Um outro aspecto da questão é o lado da moda. Quer sejamos a favor ou contra a “licra” e o visual ciclista inspirado na competição provavelmente todos concordaremos que o estilo é fundamental mesmo se visto do modo mais “casual” que se possa imaginar. Convenhamos - em cima da bicicleta, ou longe dela, todos procuramos ter um estilo próprio e estar, na medida do possível, bem vestidos em concordância com o mesmo.
De “licra”, ou sem ela, o importante é pedalar “bem vestido” e com estilo. No meu caso, tendo em conta as questões de eficiência técnica prefiro, sem margem para dúvida, a roupa técnica em “licra”. Paradoxalmente só quando pedalo sem ela é que constato o porque da sua importância.
De resto, a pensar nisso mesmo e tendo em conta o facto de haver muita gente que pensa de modo distinto do meu, as marcas mais conhecidas de roupas para ciclismo, acompanhando o “boom” do chamado “ciclismo urbano”, lançam-se novas linhas de vestuário mais adequadas às deslocações utilitárias, leia-se, para os fundamentalistas do “casual” mas que, apesar de tudo, reconhecem que devem pedalar em estilo. A este propósito veja-se http://tinyurl.com/9q34df3 .
É um sinal dos tempos. Assim teremos o melhor dos dois mundos – um visual “fashion” e casual sem comprometer a eficiência através dos materiais técnicos empregues no seu fabrico.
NOTA: O autor destas linhas escreve de acordo com a antiga ortografia
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
The Portugal that we used to know
Uma saída épica ontem: 100 kms. de Arruda dos Vinhos a Santa Cruz e regresso.
Um dia de sol estupendo e um passeio a roçar a perfeição.
Com a confusão política que está instalada a constatação que o país real continua lindo e que os laços de amizade e companheirismo ainda são o que eram.
domingo, 26 de agosto de 2012
Tourém o enclave de Montalegre
Quem conhece o Abrasar não estranha a paixão pelos passeios de bicicleta de Verão em todo o terreno em completa autonomia durante o dia todo a percorrer os trilhos e sem horas de chegada ao destino. Maximizar o tempo possível para andar de bicicleta e apreciar todos os momentos da natureza, história e gentes dos locais por onde passamos, sentir com calma todas as "etapas" do dia desde a manhã até ao recolher do fim do dia é o principal objectivo.
Assim neste contexto posso afirmar que a realização completa de que eu me lembre, foi no passado dia 23 de agosto em Montalegre, na companhia de mais três amigos fantásticos que perceberam a mensagem do convite que fiz e fizemos uma expedição de quase nove horas na companhia das nossas montadas de duas rodas, pelo Norte do País nos planaltos e serranias em redor do enclave de Tourém do concelho de Montalegre.
Tourém desde de sempre me suscitou curiosidade por se encontrar numa espécie de península fronteiriça com Espanha e também a aldeia de Pitões das Júnias em particular pela força da história que rodeia o seu Mosteiro Santa Maria das Júnias classificado de Monumento Nacional.
Assim passamos ao rescaldo desta evasão que curiosamente começou bem logo com um engano... ou não do amigo Pedro Velhinho... com a partida do parque de estacionamento do super mercado na rotunda da Marginal Cávado, em grande subida pela rua senhor da Piedade... Para entenderem é que levavamos dois gps com um trilho retirado do gpsies de nome de Rota das aldeias históricas do autor joãoluis, e nestas coisas para quem sabe algumas vezes andamos às voltas no início. Bem mas não foi o caso, afinal o objectivo foi conhecer o centro e o monumental bem conservado castelo de Montalegre, e que logo de seguida se fez a bem orientada descida para o início do percurso após atravessar o ainda nesta zona "jovem" rio Cávado.
Verificamos que o percurso desenvolveu-se essencialmente por montanhas, vales e grandes planaltos e neste dia a originar grandes diferenças de temperatura bem fresquinhas no alto das duas montanhas que tivemos de subir acima dos mil metros de altitude e que foram as maiores dificuldades do dia. Os trilhos na sua maioria em estradões a percorrer as serras e planaltos foram a plateia de excelência para nos mostrar a bela paisagem desta região do Barroso felizmente a recuperar dos últimos incêndios com os carvalhos a mostrarem folhagem assim como a urze e giestas. Os animais a circularem livremente também não nos desiludiram ao aparecerem como os garranos, gado barrosão, burros e o interessante foi encontrarmos cães sempre de porte intimidante e não nos incomodarem vindo ao nosso encontro a ladrar como é costume fazerem quando avistam uma bicicleta?!?!
Mas além da paisagem natural esta região é rica no seu povoamento com muitas antigas aldeias espalhadas pelos planaltos e vales existentes numa curiosa simbiose com a mesma realidade do lado de Espanha. E o interessante foi aparecer a primeira pedra a assinalar a fronteira dos dois países, depois de conquistarmos a primeira subida bem perto das imponentes e modernas eólicas que se instalaram em quase todas os recortes das serras circundantes.
Atravessamos quatro vezes a fronteira e encontramos sempre os mecos retangulares de granito marcados de um lado com um E e do outro com um P, literalmente conseguimos estar com um pé em Portugal e outro em Espanha.
Despois de Randin, a aldeia do lado de Espanha que devido à hora nenhum movimento tinha, foi com agrado que já Tourém tinha movimento e com um café aberto onde podemos trocar alguns conhecimentos sobre a região.
Ficamos a saber que as duas aldeias desde 2004 promovem num dia de agosto um encontro religioso de duas procissões, uma parte de Randin outra de Tourém para se encontrarem exatamente na fronteira onde existe um dos marcos, e atualmente para assinalar o evento foi colocado outro com um simbolo de aperto de mãos gravado na pedra. No dia é ainda realizado um convívio com o passar do dia na praia da albufeira e com atividades culturais e desportivas entre as pessoas de ambas as aldeias. Muito mais haveria a descrever sobre estas aldeias de casas de granito, com imensas fontes de água fresca para beber, lavadouros atuais e antigas construções como os fornos do povo, levadas ou lameiros antigos a fazer circular as águas pelas ruas e a dar de beber aos animais existentes, mas o nosso passeio continua e com mais experiências interessantes somos confrontados.
E neste aspecto direi que o ponto alto foi a interacção que tivemos com a paisagem da albufeira Espanhola que retém água do Rio Salas, pois além de ser um vale com uma temperatura agradável as praias existentes nas margens estavam sem ninguém e as suas águas estavam quentes e digo isso com conhecimento pois não resisti em tomar um banho... Uma só palavra que encontro para descrever o local,paraíso...
Do paraíso saímos com dificuldade quase que a nos dizer para ficar pois a seguir foi sempre a subir novamente em direcção dos mil metros de altitude. Pitões das Junias seria para mim o matar da curiosidade em conhecer o local e acima de tudo o seu Mosteiro. Pelo caminho finalmente encontramos os Garranos, a mostrarem bem a sua vida selvagem ao fugirem para bem longe quando notaram a nossa presença. Tivemos até bem perto destes animais muito pela vantagem das nossas rápidas e silenciosas bicicletas. Continuamos e a forte presença da exploração do gado barrosão era já evidente e demonstrativo de que estávamos perto da aldeia que nos fez uma agradável surpresa gastronómica. Pois encontramos um simpático e cuidado restaurante que se do exterior convidava a entrar por dentro era uma autêntica obra de arte popular na sua decoração.
Sandes de presunto com pão de centeio... e note-se a preciosidade... pão de centeio quente e mais umas sopas de grão de bico, afinal um manjar de hidratos de carbono acompanhados dos essencias sais e minerais naturais de que precisariamos para continuar a expedição.
O Mosteiro não desiludiu pelo contrário ainda mais intrigante ficou para mim que o imaginava num planalto aberto e afinal está localizado exatamente ao contrário, escondido num vale profundamente vincado em V perto de um ribeiro acessível por um sinuoso caminho tipo geira romana de pedra torturosa que fez das suas ao atirar ao chão o nosso amigo Zé num aparatoso tombo quando apenas tentava arrancar de bicicleta.
Voltamos novamente a pedalar agora com o fim do dia a aproximar-se e a subirmos novamente por caminhos mais difíceis de progredir, alguns animais já se juntavam para livremente ficarem nas suas "camas" contruídas por eles próprios na terra. A última serra foi vencida e a descida para o vale do rio Cávado fazia-se sentir, mas não antes de fazermos uma paragem técnica para meu contentamento e do Pedro das Amoras atestarmos as barrigas desse fruto silvestre. Com o Sol a aquecer as nossas costas e com alívio sentirmos que já não estávamos no alto da serra agora a ser tocada por nuvens frias e carregadas de humidade, progredimos num serpentear por várias aldeias carregadas de simbolismno histórico de difícil descrição mas de grande interesse e riqueza em pequenos pormenores que nos enchiam os nosso olhos e nos faziam sentir outras realidades onde o antigo se junta agradávelmente com a atualidade da vida das pessoas que habitam esta região.
Assim acabou esta evasão, este passeio de Verão onde termino agradecendo aos três amigos que fizeram uma excelente companhia apesar de termos condições fisicas diferentes idades igualmente diferentes, compreendemos a essência do objectivo deste passeio e de certeza que saímos ainda mais amigos deste nosso país desconhecido depois desta experiência de quase nove horas de companhia com as bicicletas, num total de 73 km´s.
Álbum de fotos clicar aqui.
Consultar opinião no forum btt, clicar aqui.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
OPEL "CHIC" - O REGRESSO ÀS ORIGENS
O novo modelo da Opel tem o nome do findador da empresa - Adam Opel - que começou, tal como muitas outras de automóveis, por fabricar bicicletas. De algum modo trata-se aqui de um "regresso às origens" ainda que simbólico.
Texto daqui
A estreia do Opel Adam em Paris vai revelar mais uma das facetas originais deste modelo que a marca classifica de ‘chique’, capaz de oferecer uma nova perspetiva sobre a mobilidade nas cidades e de se bater com os adversários do topo do segmento de entrada. Os visitantes do Salão Mundial do Automóvel (29 de setembro a 14 de outubro) terão oportunidade de descobrir o sistema de transporte de bicicletas FlexFix, que é um exclusivo da Opel, agora configurado para o Adam. Trata-se de uma solução que dá aos utilizadores a possibilidade de articularem a sua mobilidade de forma versátil, entre as quatro rodas do automóvel e as duas de uma bicicleta.
O sistema FlexFix, totalmente integrado no para-choques traseiro, está permanentemente disponível. Uma das características do dispositivo é a facilidade de utilização, já que é apenas ajustado à mão, sem recurso a ferramentas. Quando não é utilizado, basta empurrar o suporte para dentro do para-choques, tal como uma gaveta. Com mecanismo de bloqueamento, de forma a evitar roubos, o sistema consegue transportar uma bicicleta com peso até 30 kg, o que engloba também velocípedes elétricos. Para o transporte de uma bicicleta adicional a Opel disponibiliza um adaptador com capacidade até 20 kg. O FlexFix torna-se, assim, numa solução versátil de mobilidade que pode ser partilhada por duas pessoas.
Graças ao plano baixo dos suportes FlexFix, as bicicletas podem ser montadas sem esforço nas respetivas calhas. A colocação é efetuada de forma simples e ergonómica, sem sobrecarga para os utilizadores, ao invés dos sistemas de transporte de bicicletas no tejadilho, onde é preciso elevar pesos consideráveis a uma altura superior à cabeça. Mesmo com bicicletas montadas, o acesso à bagageira do Adam está garantido, já que o FlexFix possui um mecanismo de inclinação. O transporte de bicicletas não se limita às áreas urbanas, podendo contribuir para um fim de semana bem passado fora das cidades, em contacto com a natureza.
O FlexFix é mais uma das faces das variadas possibilidades de personalização do Adam, e do estilo de vida individualizado que faculta. Em vez dos níveis de equipamento tradicionais, o Adam oferece três ambientes, ou atitudes, diferentes – Adam JAM, Adam GLAM e Adam SLAM. As possibilidades de personalização são ímpares e permitem combinar variadas cores, para o exterior e interior, a par de detalhes requintados de design. O novo Opel ADAM vai iniciar comercialização em Portugal no início de 2013.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
VILAMOURA - C'EST CHIC
Ficam aqui estes dois registos fotográficos do evento do passado dia 10 de Agosto.
Fantástico ambiente vivido em Vilamoura.
Para mim a versatilidade da bicicleta após ter pedalado durante 3 dias em BTT desde Setúbal a Faro este registo "civilizado" seja na bicicleta, seja na indumentária...
segunda-feira, 30 de julho de 2012
VILAMOURA CYCLE CHIC
No próximo dia 10 de Agosto de 2012 (Sexta-Feira), pelas 17h30, irá realizar-se o 1ºEvento Cycle Chic Vilamoura. Uma organização do Vilamoura Cycle Chic e da FPCUB, que terá como actividade principal um passeio por Vilamoura, com um cariz marcadamente não-desportivo, mostrando que a bicicleta é um meio de transporte válido em meio urbano, e que a atitude Cycle Chic pode ser uma opção.
Para além do passeio, que terá início no Hotel Tivoli Marina e terminará com um jantar no Hotel Tivoli Vitoria, iremos também realizar outras actividades como um desfile na “passerele Cycle Chic”.
Uma tarde para celebrar a bicicleta como meio de transporte em Vilamoura. Não é um evento desportivo, mas um passeio de bicicleta descontraído pelas ciclovias. Assim, não é requerido qualquer equipamento para praticar "ciclismo" ou desporto em geral.
Dentro do estilo próprio de cada um, não se exige nenhum código de vestuário - clássico, casual, alternativo... a escolha é sua, mas sempre no espírito Cycle Chic.
O passeio em si, será por um percurso acessível a todos, com o objectivo de mostrar que para se andar de bicicleta em grande parte da cidade, não é necessário ser atleta. É um meio de transporte alternativo, mas que se quer preferencial – uma maneira rápida e conveniente para “ir de A a B”.
Sempre num ritmo descontraído, iremos prezar o convívio, mas sem descurar a segurança. Como acreditamos que a mesma não depende de equipamentos de segurança passiva, mas sim do modo como se circula, essa será a estratégia a seguir - fomentar a segurança activa, baseada numa condução calma e defensiva.
O evento é co-organizado também pela Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB), representado também pelo Algarve Cycle Chic e conta com o apoio da Câmara Municipal de Loulé, Inframoura, Lusort, Marina Tivoli Hotel, Turismo do Algarve.
A participação no passeio terá um custo de 5 (cinco) euros, sendo a inscrição obrigatória para que os participantes estejam cobertos pelo seguro. As inscrições no evento podem ser efectuadas na página do Vilamoura Cycle Chic, onde também serão actualizadas as notícias sobre as actividades a realizar.
terça-feira, 24 de julho de 2012
TRAVESSIA DA VIA ALGARVIANA - VIDEO-CLIP
Com uma excelente realização do Sérgio Duarte aqui fica para causar a inveja aos demais.
No segundo vídeo-clip algumas das paisagens iniciais já não deverão de existir por causa do incêndio da Serra de Tavira...
sexta-feira, 20 de julho de 2012
UM CALDEIRÃO DE CHAMAS
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| Foto by Fernando Viegas |
Muita gente fica admirada como é que o trágico incêndio da Serra de Tavira, que começou há mais de 48 horas, continua a lavrar furiosamente e se propaga agora para S. Brás de Alportel apesar do enorme dispositivo que se encontra no terreno.
No início de Junho tive ocasião de percorrer a famosa "Via Algarviana" em BTT numa travessia cujo relato tive ocasião de aqui postar anteriormente tendo passado em muitos daqueles locais que agora são referidos e que, para a esmagadora maioria das pessoas, são apenas meros topónimos: Cachopo, Feiteira, Casas Baixas, Castelão, Alcaria Alta, Alcaria do Cume...
Fiquei, durante essa travessia, com a sensação clara de que, um relevo fortemente acidentado numa área tão extensa, dramaticamente desertificada e envelhecida, aliado a condições climatéricas propícias ao nível de temperatura, humidade e vento e com a execrável ajuda ignitora de mão criminosa, constituem o cenário perfeito para uma catástrofe que todos lamentamos sobretudo aqueles que aprendem a admirar a autenticidade daqueles locais agora cobertos de cinza.
A nossa solidariedade com as populações afectadas e com os incansáveis bombeiros.
terça-feira, 17 de julho de 2012
CERRO DE SÃO MIGUEL - FEITO!
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| O imponente Cerro de São Miguel (foto daqui) |
A norte de Olhão, sobranceiro à Via do Infante, ergue-se o Cerro de São Miguel (também conhecido por Monte Figo).
A sua presença na paisagem é absolutamente marcante embora a altitude registada (411 m.) não seja, à primeira vista, nada de extraordinário.
Das várias vezes que por ali passei a necessidade de conquistar aquele desnível em bicicleta foi-se insinuando até o apelo se tornar indisfarçável.
Assim foi no domingo passado, despite the heat, numa abordagem a partir de poente com alguma dificuldade mas, ainda assim, menor que a expectável à partida.
O panorama é simplesmente deslumbrante uma vez que é a maior elevação da zona e que, para sul, isto é na direcção do mar, reina a planura. Desde sotavento a barlavento o mar brilhando ao sol, a Ria Formosa em todo o seu esplendor e a Via do Infante aos nossos pés. Marcante, sem dúvida.
Sem embargo já me disseram que "o difícil é subir a partir de nascente!" ou seja, lá terei de voltar lá acima!
É a vida...
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Vilamoura tem sistema de bicicletas de uso partilhado
Vilamoura dá mais um passo no sentido do seu crescimento em termos de qualidade de vida e de sustentabilidade ambiental. De facto, desde ontem, dia 15 de julho, tem disponível um sistema de bicicletas de uso partilhado, que permite a turistas e residentes um meio de transporte alternativo.
São 31 as estações localizadas em toda a área urbana de Vilamoura, totalizando 212 espaços de estacionamento seguro e 150 bicicletas para uso partilhado, durante todos os dias do ano.
Trata-se de um sistema único através do qual cada utilizador pode levantar e devolver a sua bicicleta em qualquer dos 31 postos, com um simples cartão pessoal.
Mais informações podem ser solicitadas à Inframoura, através do e-mail info@inframoura.pt ou através do telefone 289 310 650.
Retirado daqui
quinta-feira, 12 de julho de 2012
FÁTIMA - AFINAL A DUODÉCIMA!
O Miguel Barroso chamou-me a atenção e tem toda a razão.
É que, a segunda ida pelo Caminho do Tejo a Fátima, na qual ele participou, foi em 2001.
O problema é que não consigo individualizar cada uma dessas ciclo-peregrinações mas uma coisa eu sei e tenho memória: apenas falhei um ano.
Assim sendo, relativamente ao post anterior, há apenas uma correção a efectuar: onde se lê décima deve ler -se duodécima. Tudo o resto se mantém...
quarta-feira, 11 de julho de 2012
FÁTIMA 2012 - A SOUPLESSE DA DÉCIMA* VEZ
É verdade.
Contrariando a lógica quanto mais se percorre o "caminho" de bicicleta menos duro ele parece.
Um dia cálido ma non troppo, a companhia do indefectível Jorge Cláudio Neves e os habituais 162 kms. a rubricarem a minha décima vez que percorri o Caminho do Tejo em direcção ao Santuário de Fátima no pretérito dia 23 de Junho.
De facto, desde 2009 e apenas falhando um ano, dez foram as tentativas e outros tantos foram os sucessos
É uma espécie de celebração anual da Fé e da bicicleta (mas também da "fé na bicicleta") em que se percorre uma enorme distância em BTT num único dia.
Sem embargo algumas dessas peregrinações foram bastante mais duras que a presente com aquela sensação de nos arrastarmos até final.
Não sei se tal se deve a questões físicas, psicológicas ou até teológicas, mas a versão 2012 permitiu alcançar a Capelinha das Aparições no melhor estado geral de que tenho memória.
Provavelmente será a "Síndrome do Vinho do Porto"...
* "Décima que, afinal, é duodécima...
sexta-feira, 6 de julho de 2012
VIA ALGARVIANA - MAGNA DUREZA V
| Algarviana's Final Cut |
UM LEVE EXCURSIONISMO VELOCIPÉDICO
DIA 4 – BARÃO DE SÃO JOÃO (LAGOS) - CABO DE SÃO VICENTE
41,220 kms. – 549 m. de Altitude Positiva Acumulada (Garmin Data)
Sectores 13 e 14
ABSTRACT: This was beyound any doubt the stage of consecration. In fact, either by distance or by altimetry but above all by the inevitable comparison with any of the three previous days, we were faced with a simple and nice bike ride.
Esta era, inevitavelmente, a etapa de consagração. De facto, seja pela distância, seja pela altimetria mas sobretudo, pela inevitável comparação com qualquer dos três dias anteriores, estávamos perante um simples passeio de bicicleta.
Ainda assim o arranque correspondeu à maior dificuldade altimétrica do dia com um gradiente pouco suave na subida pelo enorme pinhal da Mata de Barão de São João até chegarmos a um parque eólico. Sabemos, por dolorosa experiência que, numa travessia de vários dias, os quilómetros iniciais são sempre trabalhosos pelo cansaço muscular acumulado e aqui a regra não foi excepcionada. De facto a subida iniciou-se logo ab initio sem qualquer intróito que nos permitisse rolar em plano umas centenas de metros que fosse.
Sem embargo, dois quilómetros após, a dificuldade estava superada e internamo-nos, de novo, numa paisagem tipicamente serrana com a sucessão típica de montes e vales embora, uns e outros, fossem suavíssimos comparativamente com o que havíamos vencido anteriormente.
Um golpe de teatro ia comprometendo a incursão: um dos jockeys do desviador traseiro resolveu gripar esticando a corrente e a mola do mecanismo e quase comprometendo a sua integridade e a possibilidade de progredir até final. Instalou-se, por momentos, aquela sensação de morrer na praia . Todavia, com calma lá, se resolveu o assunto embora condicionando o andamento que agora ficou limitado às relações mais elevadas (os carretos maiores da cassete falhavam). Ainda assim nada que comprometesse irreversivelmente o andamento já que através do alternar entre 32 e 22 dentes se conseguia prosseguir.
A partir das Sesmarias a paisagem muda entrando-se numa zona de planalto agrícola muito semelhante à ideia que se tem dos montes alentejanos e das extensões cerealíferas - esta região era outrora o celeiro do Algarve. E, pela primeira vez em toda a travessia cruzamos a N125 e aproximamo-nos do litoral sul. Chegamos então a Vila do Bispo onde paramos para retemperar as nossas energias.
Entramos no sector final a caminho do mítico cabo, em pleno Parque Natural do Sudoeste Alentejano e da Costa Vicentina e, pelo meio de extensos campos agrícolas num ondulado suave que permitia pedalar de modo bastante rápido, a presença do farol do cabo, ao fundo, começa a impor-se e a anunciar o final da travessia.
Avançamos por estreitos caminhos planos e pavimentados percorridos a uma velocidade cada vez maior até encontrarmos a N628 que abandonamos a menos de um quilómetro do final para percorrermos essa derradeira distância junto às falésias pelo meio de um piso de lapiás calcário impossível de ser pedalado, que implicou um ultimo esforço até se atingir a glória e o Cabo de São Vicente 320 kms. e 7840 metros de acumulado depois.
O grau de satisfação e alívio só foi proporcional ao da intensidade da dureza da travessia.
Marcadores:
Algarve,
Barão de São João,
Cabo de São Vicente,
Costa Vicentina,
desviadaor,
Lagos,
Sagres,
Via Algarviana,
Vila do Bispo
quinta-feira, 5 de julho de 2012
VIA ALGARVIANA - MAGNA DUREZA IV
| The MTB Troika after the Foia just before the fast descend to Marmelete |
IV – INFERNO E PARAÍSO NA MESMA ETAPA
DIA 3
SILVES – BARÃO DE SÃO JOÃO (LAGOS) 87,76 kms. – 2327 m. de Altitude Positiva Acumulada (Garmin Data)
Sectores 10, 11, 12 e parte do sector 13.
ABSTRACT: The “hadness forecast” in these 28 kms. until Monchique and beyond to Fóia (900 meters) was extreme. The 14 meters high of Silves at the start combined with the recent memory of the last few miles of the eve promised hell. Fortunately the rest of the raid was a long descend to Marmelete and afterward to the end in Barão de São João.
A previsão de dureza nestes 28 kms. até Monchique era extrema. A saída dos 14 m. de altitude de Silves conjugada com a memória recente dos derradeiros quilómetros do dia anterior prometiam um inferno. Logo ao início, olhando para o azimute apontado pelo aparelho de GPS, não se conseguia vislumbrar por onde se passaria tal era a densidade do relevo.
Ganhamos coragem, avançamos e, desde logo estava sugerido o mote: ascensões insanas na maior parte dos casos impossíveis de vencer a pedalar seguidas de descidas abruptas que nos deixavam na mesma cota que anteriormente e isto milha após milha, por cerros calvos e áridos, com muita poeira, desgaste intenso e progressão lenta.
Quando já estávamos na cota acima dos trezentos metros iniciamos uma descida fortíssima, onde nos cruzamos com um grupo de ciclistas em sentido contrário, para nos repor ao nível da albufeira da nova barragem de Odelouca. Aí a ascensão tornou-se permanente dos 120 metros até aos 774 da Picota, o segundo ponto mais alto da Serra de Monchique. Apesar da dureza os panoramas deslumbravam vislumbrando-se desde Faro, a sotavento até Lagos a barlavento ao mesmo tempo que a paisagem ia cambiando e se avançava penosamente.
Descemos então para Monchique, não pelo trilho sugerido, antes pela estrada já que era impossível pedalar pelo meio de um mato impenetrável. Aproveitamos para uma reposição energética em elevado estilo: nada mais, nada menos que um precioso spaghetti napolitano em pleno centro de Monchique numa esplanada à sombra contemplando o refrescante repuxo.
Foi a détente breve mas necessária para se abordar o início do sector seguinte (o 12.º) tido como fácil mas que, na sua fase inicial, tinha apenas a mítica subida à Fóia - ponto culminante do Algarve - que, do alto dos seus 902 metros, prometia complicar a vida de quem se atrevesse a conquistá-la. Se a abordagem tradicional por estrada é já muito complicada (categoria extra, pelos critérios da Volta à Portugal em Bicicleta) subir por caminhos impossíveis até ao Convento do Desterro and above revelaram-se como uma tarefa duríssima.
Após se cruzar a estrada municipal entra-se num estradão de elevado gradiente que faz a entrada na paisagem de alta montanha e, finalmente, lá se chega às antenas e aos vislumbres dos altos afloramentos rochosos em simultâneo com uma enorme sensação de alívio: a partir daqui só se desce.
Ainda antes da descida para Marmelete um vale mágico encaixado na vertente poente da serra e a visão de pequenos soutos de castanheiros (em pleno Algarve), manadas de saudáveis bovinos, um rebanho de cabras e um pastor que passava pelas brasas ao sol - fantástico.
Após um parque eólico de magníficos estradões de terra batida, a descida vertiginosa ao longo de quilómetros até Marmelete onde retemperamos as forças na esplanada de uma singela cafeteria no terminus deste sector.
Iniciamos a nossa abordagem dos 30 quilómetros do sector 12 que nos conduziria a Bensafrim, já no concelho de Lagos. Apesar da distância ser grande dois factos se conjugaram para que se percorresse num abrir e fechar de olhos: um, de carácter estrutural, que era o de uma pendente de descida praticamente contínua e outro, de carácter conjuntural, pelo facto do vento soprar constante e moderado do quadrante norte.
Tal concorreu, em conjunto com a elevada agradabilidade da paisagem, para que este tenha sido, provavelmente, o sector mais simpático de toda esta travessia. De resto os longos quilómetros ao longo das margens da albufeira da Barragem da Bravura ficam indelevelmente marcados na memória.
Talvez tenha sido por isso que, quando menos se esperava, estávamos em Bensafrim e daí avançamos para os seis quilómetros finais até Barão de São João, não pela estrada, antes fora desta por uma paisagem típica do barrocal com inúmeras quintas de produtos biológicos e rapidamente chegamos à aldeia onde reinava um ambiente bizarro. De facto este era o serão em que a seleção nacional de futebol defrontava a sua congénere alemã pelo que, não era de estranhar que todos os restaurantes onde existisse uma pantalha disponível estivessem a abarrotar de povo nos seus cachecóis garridos. Valeu uma preciosidade italiana, onde não havia TV mas que tinha uma gastronomia divinal a preços módicos.
As dificuldades estavam ultrapassadas e o dia seguinte afigurava-se como muito simples, uma espécie de etapa de consagração até ao Cabo de São Vicente. O único senão foi mesmo a vitória tangencial alemã no futebol.
Marcadores:
Algarve,
Barão de São João,
Bensafrim,
Cabo de São Vicente,
Faro,
Fóia,
Lagos,
Monchique,
Odelouca,
Picota,
Silves,
Via Algarviana
quarta-feira, 4 de julho de 2012
VIA ALGARVIANA - MAGNA DUREZA III
DIA 2
VAQUEIROS (ALCOUTIM) - SILVES – 129 kms. – 3402 m. de Altitude Positiva Acumulada (Garmin Data)
Sectores 4, 5, 6, 7, 8 e 9
ABSTRACT: This was the "mother of all stages." We crossed four counties, made several kilometers and climbed many mountains until we reach, finally, Silves just after sunset. The hardness level was extreme but we succeeded.
O peso da responsabilidade determinou que o despertar se efectuasse pelas 06:00 para, pelas 07:00 e após um substancial pequeno-almoço, estarmos em cima do selim ainda com uma temperatura ambiente relativamente baixa.
Fazendo a transição do concelho de Alcoutim para o de Tavira, este sector 4, que decorre entre Vaqueiros e Cachopo, interna-se em plena Serra de Mu (Caldeirão) e pode ser definido da seguinte forma: três fortes descidas, três ribeiras e três ascensões duríssimas com duas consequências claras: desgaste físico elevado e velocidade média de deslocação baixa o que levantava ainda mais preocupações relativamente à distância planeada.
Ainda assim a paisagem é agora mais interessante e humanizada que a da primeira etapa, consubstanciada em alguns povoados que se vão sucedendo à medida que nos vamos internando no norte do concelho de Tavira (Monchique, Amoreira e Casas Baixas) do mesmo modo que vamos partilhando o nosso caminho com a GR 23 que circunda Cachopo e que, me tempos, tive ocasião de percorrer.
Ainda assim a paisagem é agora mais interessante e humanizada que a da primeira etapa, consubstanciada em alguns povoados que se vão sucedendo à medida que nos vamos internando no norte do concelho de Tavira (Monchique, Amoreira e Casas Baixas) do mesmo modo que vamos partilhando o nosso caminho com a GR 23 que circunda Cachopo e que, me tempos, tive ocasião de percorrer.
Por isso a chegada e a pausa na típica vila do Cachopo foi recebida com algum alívio mas apenas marcaria, após retemperarmos as forças, o reinício de idênticas dificuldades desta vez até ao Barranco do Velho, percorrendo os concelhos de Tavira, São Brás de Alportel e Loulé nuns extenuantes 30 kms. correspondentes ao sector 5 e em que os vales se sucederam com a particularidade de a amplitude, quer das descidas, quer das subidas, ser cada vez maior.
O perfil montanhoso da Serra de Mu revelou-se, aqui, no expoente máximo com os seus barrancos profundos e a sua linha montanhosa rasgando o horizonte que, a espaços, deixava antever o Atlântico. Cruzámos penosamente, um após outro, diversos aglomerados populacionais: Currais, Alcaria Alta, Castelão até cruzarmos a profunda ribeira de Odeleite marcando a fronteira de concelhos e dando início à mais longa subida até Parizes, já em terras de São Brás de Alportel para, de seguida, descer e começar a ascensão final até ao Barranco do Velho, situado em plena e mítica N2, outrora a principal via de acesso rodoviário de e para o Algarve.
Terminava assim a Serra do Caldeirão, pelo menos a sua parte de maior dificuldade já que, daí em diante, o sector 6, seria apenas descer a sua vertente oriental até Salir. É o fim de um mundo - o serrano, das encostas de xisto - para transitarmos até outro - o do barrocal, onde impera o calcário, a terra rossa e os laranjais de perder de vista. As vistas começam a desafogar para poente com boa parte do Barlavento agora ao alcance dos nossos olhos.
Até Salir, isto é, durante praticamente 15 kms., descemos continuamente como que em jeito de vingança pelo ciclópico rompe-piernas do Caldeirão. Só assim seria possível almejar o terminus da etapa em tempo útil. De facto, até Silves, se excepcionarmos a dezena de quilómetros final, uma incrível subida antes de Benafim, ou os breves quilómetros após Alte, a média aumentou na proporção inversa da dificuldade.
Estes quilómetros rapidíssimos até Salir souberam maravilhosamente pois sentiam-se o terreno a avançar sem que o esforço exigido fosse consentâneo com a distância percorrida. Rápida em alguns pontos, técnica e lenta noutros, deu para descomprimir e avançar substantivamente em direcção ao final. Nova paragem na povoação para retemperar forças e logo continuamos por um terreno diferente, um prolongamento do barrocal algarvio por terrenos calcários e de cultivos hortícolas onde os laranjais imperam.
A qualidade dos caminhos também melhorou substantivamente. Damo-nos agora, inclusive, ao luxo de rolar alguns quilómetros por um pitoresco e pavimentado caminho agrícola. Melhor ainda, esses quilómetros são planos e agradáveis. Uma após outra as povoações sucedem-se: Almarguinho, Cerro de Baixo e de Cima. Sem embargo e apesar da enorme agradabilidade, um preocupação acentuava-se, é que tínhamos de passar por Benafim, povoação que ficava lá em cima mas, há medida que os quilómetros passavam, apenas se circulava em plano - havia qualquer coisa de estranho...
A resposta surgiria mais tarde: subir-se-ia tudo de uma vez. Durante bem mais de um quilómetro surge uma daquelas portelas impossíveis palmilhada a passo com a bicicleta inexoravelmente empurrada de modo penoso, colina acima. Curiosamente este seria uma espécie de introdução às subidas apeadas de que o sector 10 (Silves - Monchique), do dia seguinte, seria fértil.
Chegados a Benafim dirigimo-nos rapidamente para Alte acompanhando, no final deste sector 7, a ribeira do mesmo nome e chegando a uma das aldeias mais típicas e pitorescas de Portugal: casas caiadas e inúmeras chaminés artísticas num dos cenários rurais urbanos mais interessantes do Algarve.
Tempo de restaurar forças de novo para enfrentar o sector 8 que nos levaria a São Bartolomeu de Messines ao longo de quase 20 kms. pelo meio dos amendoais de sequeiro do barrocal. Sob o viaduto da A2 e a cerca de um quilómetro de Messines cruzamos a N124 para, de modo insondável, nos recrearmos por mais cerca de 5 kms. entrando na povoação de sul para N. e preparando-nos, após uma breve pausa, para o último sector, o nono e que nos conduziria a Silves e ao imprescindível descanso.
É o recomeço da dureza serrana. A princípio rolou-se muito rapidamente junto à margem esquerda da albufeira do Funcho para, após cruzarmos o paredão da barragem, recomeçar o rompe piernas a que já nos havíamos desabituado. Acresce o facto de termos já 120kms. percorridos e a noite a fazer anunciar a sua chegada. Ainda assim e penosamente lá chegámos a Silves onde nos instalámos no hotel pelas 21:00, ou seja, 14 horas após começarmos a pedalar em Vaqueiros para além do que sopunhamos ser o nosso limite físico e mental.
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
VIA ALGARVIANA - MAGNA DUREZA - II
| Crossing the Foupana Valley |
UM PRÓLOGO A EXIGIR MUITO EMPENHO
DIA 1
ALCOUTIM – VAQUEIROS (ALCOUTIM)
62 kms. - 1562m. de Altitude Positiva Acumulada (Garmin Data)
Sectores 1, 2 e 3
ABSTRACT - Starting in Alcoutim, this first day means to crossing 62 kilometres until Vaqueiros. Yet it was far from being considered "easy" or "simple" at least if compared with the following days.
Este primeiro dia de travessia contaria com 62 quilómetros de extensão e uma peculiaridade administrativa - o facto de começar e terminar no concelho de Alcoutim, embora com uma breve passagem pelo concelho vizinho de Castro Marim. Ainda assim esteve muito longe de se considerar como fácil ou simples se bem que até desse modo possa ser definido comparativamente com os dois dias subsequentes como teremos ocasião de constatar.
Alcoutim é uma lindíssima povoação sita na margem do Guadiana, frente à andaluza Sanlucar e cuja origem se perde no tempo. É uma terra acolhedora, de vistas desafogadas e que casa maravilhosamente com aquele curso de água. Ela marca o início da Via Algarviana, desse modo, a partida deu-se bem junto ao rio, na esplanada – miradouro sobre as margens fluviais e onde tivemos ocasião de encontrar o Dr. Francisco Amaral, afável presidente da câmara municipal que, após um primeiro assomo de incredulidade, nos desejou as maiores felicidades.
O ambiente local é de tal modo acolhedor que não apetecia começar a jornada, antes por ali ficar saboreando tranquilamente as vistas e a pacatez do Guadiana. Mas, lá fomos, pedalando os primeiros metros a direito, para depois percorrermos tranquilamente a margem direita do rio para norte apreciando o vale enquanto o desnível não nos exigia empenho.
Começamos então a subir abandonando aquele belo vale, internando-nos nos espaços de sequeiro e cruzando, uma após outra, as pequenas aldeias: Cortes Pereiras, Afonso Vicente e Corte Tabelião, visitando o conjunto megalítico dos menires de Lavajo e chegando ao cruzamento com a EN122 e a povoação de Balurcos findando aqui o sector 1 da Via.
Na ausência de um café ou de qualquer outro tipo de estabelecimento onde reabastecer recorremos à roda que puxava a água do poço. Este artefacto hidráulico constitui, aliás, um ex-libris da serra algarvia e que haveríamos de reencontrar amiúde durante a nossa travessia.
Inicia-se aqui o sector 2 que nos haveria de conduzir a Furnazinhas e ao cruzamento da fronteira com o concelho vizinho de Castro Marim. mas, para tanto, após a típica povoação de Palmeira, era necessário proceder à difícil transposição da Ribeira da Foupana por um profundo vale a que se seguia uma subida longa e penosa. Este é, sem embargo, um momento mágico com a extensa decida junto ao enorme viaduto do IC22 e o cruzamento a vau da Ribeira por um trilho muito pouco óbvio. A longa subida culmina em planalto e após a mesma rapidamente cumprimos os 14kms. até às Furnazinhas onde, o único café, se encontrava encerrado em virtude de ser feriado nacional.
Apesar disso parámos um pouco para descansar e, após retemperar energias, seguimos viagem para os 20 kms. finais até Vaqueiros que se revelaram algo trabalhosos em função do relevo acidentado como que como que dando o mote para aquele que seria o traçado constante da travessia
Chegamos finalmente até junto de Vaqueiros, embora descendo até Ferrarias, aglomerado quase abandonado ligado à antiga exploração mineira de cobre, mas onde a recuperação possibilitou preservar um casarão que serve de confortável alojamento a quem demanda a Via Algarviana. A nossa chegada pelas 17:00 permitiu, nessa noite, que aquele bucólico lugar pudesse crescer populacionalmente 300% já que é apenas habitado por um simpático idoso – se não contabilizarmos os três jumentos, bem entendido.
Este primeiro dia, apesar de relativamente curto, mostrou toda a dureza da Via e adensou, ainda mais, a imprevisibilidade da jornada seguinte com uma extensão de quase 130 kms. e uma previsão de altimetria insana. Talvez por isso, de modo preventivo, o nosso jantar tenha sido por volta das 18:00 e, pelas 19:30, tenhamos recolhido pois haveria que madrugar no dia seguinte: essa era, de resto, a única garantia de que dispúnhamos de que seria possível pedalar tantas horas e com tanta dificuldade e almejar chegar em tempo útil a Silves.
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