quarta-feira, 2 de outubro de 2013
FPCUB - 26 ANOS EM PROL DO AMBIENTE E DA BICICLETA
Mensagem enviada por Manfred Neun, Presidente da European Cyclists' Federation (ECF) por ocasião do 26º Aniversário da FPCUB.
“Tenho o prazer de felicitar a Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) pelo seu 26 º aniversário. É um marco impressionante e decisivamente motivo para celebração!
Desde a criação da FPCUB, no Outono de 1987, as condições para os utilizadores de bicicletas em Portugal melhoraram extraordinariamente e o trabalho da FPCUB na promoção do uso da bicicleta como forma de lazer e turismo e para a mobilidade quotidiana tem contribuído de forma importante para esta tendência positiva na Europa. Exemplo disso tem sido a promoção da protecção ambiental através do uso das bicicletas como forma de mobilidade sustentável que continua a dar frutos e a ser reconhecido a nível internacional.
Ao longo dos anos, a FPCUB desenvolveu e participou em vários projectos que abrangem uma multiplicidade de actividades. Através desses projectos, não só incentivou e motivou milhares de pessoas darem uma oportunidade à bicicleta como também conseguiram destacar os benefícios ambientais quando utilizada. Neste âmbito, destaco ainda eventos como a «Lisboa Antiga de Bicicleta», que permitiu aos participantes descobrirem Lisboa de uma forma saudável e ambientalmente amigável; e que, de igual modo, também ajudou a aumentar a consciência sobre a liberdade da mobilidade. Além disso, a participação da FPCUB em actividades pan-europeias, como a Semana da Mobilidade e o Dia sem Carros, demonstrou a sua vontade de incorporar novas ideias e cooperar com outros parceiros, tanto em Portugal como em toda a Europa, para atingir benefícios tangíveis.
Desde que a FPCUB se associou à European Cyclist’ Federation (ECF), em 1990, temos tido conhecimento dos seus contactos a nível nacional e do seu trabalho com diversos ministros portugueses, bem como com os grupos parlamentares e com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária. Além disso, sabemos que a FPCUB tem prestado um apoio vital ao Governo português nos esforços para incentivar os jovens a levarem uma vida mais activa.
Também é preciso salientar que estamos muito gratos por a FPCUB se ter aplicado com sucesso para se tornar na entidade coordenadora em Portugal do EuroVelo e tem contribuído para o desenvolvimento da rede europeia de ciclovias. Estamos, por isso, ansiosos para continuar a cooperação com a FPCUB nos próximos anos.
Aqui estamos para os próximos 26 anos!
Manfred Neun
Presidente da European Cyclists' Federation (ECF)”
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
"CONGRATULAÇÕES" RUI
"Portugal’s Rui Costa claimed a stunning victory in the 2013 UCI Road World Championships Elite Mens Road Race - his country’s first ever in that category - outpowering Joaquim Rodriguez of Spain in a two rider duel. Alejandro Valverde, also of Spain, then beat Italian Vincenzo Nibali for bronze." (in site UCI )
Rui Costa demonstra ser, de facto, um grande campeão ao alcançar um feito inédito para o ciclismo nacional: Campeão do Mundo de Estrada...
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Alma Lisboa - pedalar (e andar a pé) na Ponte 25 de Abril
Talvez ainda não conheçam esta iniciativa, mas vale a pena espreitar o site.
Há muito que acredito nesta ideia, e sempre que se fala na mesma, há quem se ria, há quem diga que é impossível ou que não faz sentido, e há quem diga que seria fantástico.
Para que haja cada vez mais gente a dizer que acredita nesta ideia, lembrei-me de contribuir mais um pouco comparando (mais uma vez) o caso de Lisboa com São Francisco. Começando pelo vento - muitos dizem que faz muito vento lá em cima, e que por isso é incompatível. Os seguintes gráficos mostram que em São Francisco faz muito mais vento (e bem mais frio, já agora), e isso não impede que se circule a pé e de bicicleta na Golden Gate:
Lisboa:
São Francisco:
Outro dos argumentos, é o de que a Golden Gate foi prevista para esta utilização logo na sua construção. É verdade. Mas a Bay Bridge (estruturalmente semelhante à 25 de Abril) não foi, e isso não impediu a S.Francisco Bike Coalition de lutar arduamente para que tal fosse possível... e não é que conseguiram?
Terá custos certamente... há várias soluções possíveis, umas mais caras do que outras... mas não tenho dúvida que o investimento terá retorno garantido, não só para a mobilidade, mas acima de tudo para o turismo.
Há muito que acredito nesta ideia, e sempre que se fala na mesma, há quem se ria, há quem diga que é impossível ou que não faz sentido, e há quem diga que seria fantástico.
Para que haja cada vez mais gente a dizer que acredita nesta ideia, lembrei-me de contribuir mais um pouco comparando (mais uma vez) o caso de Lisboa com São Francisco. Começando pelo vento - muitos dizem que faz muito vento lá em cima, e que por isso é incompatível. Os seguintes gráficos mostram que em São Francisco faz muito mais vento (e bem mais frio, já agora), e isso não impede que se circule a pé e de bicicleta na Golden Gate:
Lisboa:
São Francisco:
Outro dos argumentos, é o de que a Golden Gate foi prevista para esta utilização logo na sua construção. É verdade. Mas a Bay Bridge (estruturalmente semelhante à 25 de Abril) não foi, e isso não impediu a S.Francisco Bike Coalition de lutar arduamente para que tal fosse possível... e não é que conseguiram?
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images courtesy of Donald MacDonald Architects
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TUBE
Já é possível levar a bicicleta no Metropolitano de Lisboa sem restrições de horário.
O Secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações anunciou esta medida durante a cerimónia de entrega do Prémio Nacional da Mobilidade e Bicicleta 2013.
As bicicletas passam assim a poder ser transportadas no Metro “no máximo de duas bicicletas por carruagem, desde que não se verifiquem grandes aglomerações de passageiros nem seja perturbado o normal funcionamento do sistema“, segundo o Metro de Lisboa.
A partir de 2014 será também possível levar a bicicleta nos comboios de longo-curso da CP (Intercidades). As carruagens-bar já estão a ser modificadas para o efeito.
Texto de http://www.fpcub.pt/2013/09/leve-a-bicicleta-no-metro-de-lisboa-a-qualquer-hora
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
RESPECT
Quem pedala sabe bem a importância da distância lateral que deve ser guardada entre o automóvel que ultrapassa e a bicicleta que é ultrapassada.
Este é um princípio básico de prudência e de urbanidade a ser conservado em nome de uma melhor convivência na via pública à medida que cada vez mais utilizadores de bicicletas circulam nas ruas e estradas de Portugal.
O novo Código da Estrada reflecte isso mesmo no seu Artigo 18.º – Distância entre veículos, § 3, ao referir que "o condutor de um veículo motorizado deve manter entre o seu veículo e um velocípede que transite na mesma faixa de rodagem uma distância lateral de pelo menos 1,5 metros, para evitar acidentes."
A FPCUB produziu este sugestivo sticker onde apela a isso mesmo e que, entre outras utilizações pode ser mesmo colocado no vidro traseiro de um automóvel.
Respeite a vida, respeite o ciclista...
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
YO NON CREO EN GURUS...
Estava longe de pensar, por um lado, que iria dois anos mais tarde tornar-me deputado daquela casa e, por outro lado, que trilharia um caminho em conjunto com o José Manuel Caetano na FPCUB em prol da promoção do ambiente e da mobilidade ciclável em Portugal.
Convenhamos: José Manuel Caetano é uma pessoa sui generis e é necessário conhece-lo bem para se entender todas as subtilezas do seu carácter para além do seu apurado e cáustico sentido de humor.
É que, debaixo de uma aparência algo anarquista e até desorganizada, esconde-se alguém bastante eficaz na ação, que tem as ideias bem definidas e que tem feito um trabalho ímpar em Portugal na defesa do ambiente e da mobilidade suave.
É claro que José Manuel Caetano não é o único. Sobretudo nos dias que correm cada vez mais gente segue os seus passos. Mas, acima de tudo foi importante que tenha tido razão antes do tempo e, tal factor, em conjunto com uma teimosia proverbial, foram responsáveis pela alteração do paradigma da bicicleta em Portugal.
O “lobbying” permanente em prol da causa velocipédica e do ambiente foram grandemente responsáveis pela tomada de consciência social em torno da mobilidade ciclável.
Mas certamente que, quer o ambiente, quer a bicicleta em Portugal muito lhe devem a si a e à Federação que criou e que ainda dirige.
Muito esperamos ainda de José Manuel Caetano até porque muito ainda falta fazer em Portugal em nome da causa velocipédica.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
ROAD BIKE
Admito que sou um incondicional do BTT.
No entanto possuo uma máquina de estrada há anos e que, por falta de uso, ameaçava tornar-se numa peça de museu.
Resolvido a alterar esse estado de coisas comprei um par de pneus de reputada marca gaulesa e comecei pelo mais difícil - uma subida da Covilhã à Torre e regresso - ainda no decorrer do mês de Junho.
Seguiu-se, mais recentemente, uma incursão por pelas praias saloias e uma ascensão a Montejunto com calor, altimetria e quilometragem intensos.
A roda fina é outro mundo, nem melhor, nem pior apenas diferente mas a exigir um maior empenho no pedal. É que, ao contrário da BTT, por vezes faltam as mudanças...
quinta-feira, 25 de julho de 2013
EPPUR SI MUOVE
Finalmente. Orgulho-me de ter contribuído modestamente, enquanto dirigente da FPCUB e deputado para o resultado final!
O blogue Bicla no Porto faz uma análise completa das alterações introduzidas e que vêm ajudar a mobilidade suave em geral e os ciclistas em particular.
O blogue Bicla no Porto faz uma análise completa das alterações introduzidas e que vêm ajudar a mobilidade suave em geral e os ciclistas em particular.
terça-feira, 23 de julho de 2013
FÁTIMA 13
Pela 13.ª vez Lisboa - Fátima, desta vez em companhia da Mané. Interessante registar a forma como tem evoluído no pedal atendendo ao facto de contactar recentemente com o BTT.
Foi a primeira vez que completei em dois dias de Lisboa a Santarém e daí a Fátima.
Uma fórmula diferente mais tranquila mas, ainda assim com o percurso a revelar toda a sua dureza.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
quinta-feira, 4 de abril de 2013
La Ruta Pirinexus
La ruta Pirinexus propone 353 kilómetros de recorrido para los amantes de las bicicletas o el senderismo, combinando el ejercicio físico al aire libre en entornos agradables. Atraviesa un total de 53 poblaciones y 8 comarcas distintas, y combina trazados de vías verdes con otras rutas como caminos rurales o carreteras con baja densidad de tránsito.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
RESOLUÇÃO DA AR RECOMENDA ALARGAMENTO DE TRANSPORTE DE BICICLETAS AOS INTERCIDADES
Resolução da Assembleia da República n.º 43/2013
Recomenda ao Governo a criação de condições para o transporte de bicicletas na CP — Comboios de Portugal, E. P. E. (CP, E. P. E.)
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que assegure junto da CP, E. P. E.:
1 — A continuação dos esforços de alargamento do transporte de bicicletas aos comboios Intercidades e, se tecnicamente possível, também ao Alfa Pendular, tornando esse transporte uma realidade nos próximos meses.
2 — A avaliação de estender essas facilidades ao transporte ferroviário internacional.
3 — A criação de boas condições para o seu transporte dentro das composições e no acesso aos cais de embarque.
4 — A possibilidade de garantir previamente o transporte de bicicleta através da emissão de título próprio associado ao bilhete do passageiro, ou por outro modo de efeito idêntico, permitindo a programação individual confirmada desse transporte, e a divulgação da prévia disponibilidade de transporte existente para cada comboio.
Aprovada em 8 de março de 2013.
A Presidente da Assembleia da República, Maria da Assunção A. Esteves
(in .Diário da República, 1.ª série — N.º 65 — 3 de abril de 2013)
terça-feira, 12 de março de 2013
TROÇO DOS AÇUDES - ECOVIA DO LIMA
A Ecovia do Lima é um encanto para os sentidos sobretudo no troço entre Ponte de Lima e Ponte da Barca denominado de "Troço dos Açudes".
Merece bem uma deslocação.
Merece bem uma deslocação.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Somos todos do mesmo grupo...
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Leve como uma pena
Para todos aqueles que passam a vida a pesar componentes, na corrida infrutífera de ter a máquina mais leve do burgo... mais vale desistirem! A não ser que queiram aventurar-se para algo semelhante a isto:
As fotos de pormenor são mais interessantes
Para saber mais sobre o projecto e ver mais fotos vejam o artigo na TriRig.com
Gostam... assim nem impressiona muito. A não ser que eu vos diga o peso... 2700 gramas. Completa, pronta a rolar, pedais incluídos! O preço, nem vale a pena tentar saber, já que as peças foram quase todas feitas por encomenda...
Para saber mais sobre o projecto e ver mais fotos vejam o artigo na TriRig.com
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Há tipos com parafusos a menos na cabeça...
...que depois acabam por colocá-los noutras partes do corpo - literalmente!
Acho que não vale a pena dizer mais nada...
Acho que não vale a pena dizer mais nada...
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
DE AZAMBUJA A LISBOA VIA TORRES VEDRAS
As condições meteorológicas de um Inverno rigoroso que prometiam solos muito difíceis pela quantidade de água acumulada confirmaram-se plenamente, sobretudo no segundo dia onde a lama foi presença constante ao longo de boa parte do trajecto o que acrescentou dificuldade adicional tudo isto nos pretéritos dias 22 e 23 de Dezembro.
Felizmente, num dia e noutro, o tempo manteve-se estável, com céu muito nublado, nevoeiro em alguns pontos, porém sem vento e com uma temperatura amena.
Tive a companhia do João Bronze e do Sérgio Duarte no primeiro dia e apenas deste no segundo.

DIA 1
Azambuja - Torres Vedras, 22DEZ12
79 kms. - 1600 m. acumulado positivo
Tomámos a ligação ferroviária entre Lisboa e Azambuja onde começámos na direcção da lezíria pelo tantas vezes percorrido "Caminho do Tejo" e, mal se abandonou o asfalto, o primeiro e intenso lamaçal a dar o mote. Até se retomar estrada pavimentada haveria de ser uma luta constante ao longo de algumas centenas de metros.
Ao contrário da peregrinação a Fátima não se aborda a avieira Valada antes se segue em direcção à ponte do Reguengo onde se cruza, quer a Vala Real, quer a Linha do Norte e seguimos pelos rápidos estradões: Vale da Pedra, Cruz do Campo, Casais do Lagartão, Casais da Amendoeira e Aveiras de Baixo até cruzármos a A1 e chegarmos a Aveiras de Cima, a tal localidade de que todos já ouvimos o nome mas em que nunca havíamos estado. Tempo de uma pausa para restaurar forças e verificarmos a velocidade com que os bolos rei e as demais delicatessen açucaradas desapareciam a grande ritmo.
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Seguimos o nosso caminho em direcção à Serra de Montejunto por um interessante trilho no montado que mais parecia um autêntico carrossel preparando pulmões e pernas para o que se seguiria, ou seja, a difícil ascensão ao topo de Montejunto a partir do Espinheiro (vertente NE).
Até aqui o traçado era bastante rolante mas a altimetria impôs-se agora de forma indelével. Mas Montejunto é sempre muito agradável. As vistas para o lado poente eram fantásticas apesar do dia nublado. Foi assim que chegámos ao miradouro que fica sobranceiro a Pragança com as pernas e os pulmões a rebentarem mas com aquele sorriso de felicidade próprio dos ciclistas. A partir daí foi uma longa e imensa descida até se alcançar Vila Verde dos Francos e se abordar, desta vez, a Serra Galega que nos conduz pelos estradões dos moinhos antigos e modernos até Matacães e daí a Torres Vedras onde chegamos pelas 16:00.
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DIA 2
Torres Vedras - Lisboa
23DEZ12
85 kms. - 1700 metros de acumulado positivo
A comitiva ficou reduzida a dois elementos porque o JB já não nos acompanhou.
Saímos pelas 09:00 de Torres Vedras e seguimos para poente pela famosa Ecopista do Sizandro para depois virarmos para norte em direcção a Lisboa enfrentando, desde logo a lama tal como, aliás, tínhamos previsto.
Ainda assim lá fomos até alcançar Freiria onde nos internamos na Serra do Chipre passando por Monte Gordo, as alturas de Gradil para se descer ao Vale da Guarda que se precorre antes de cruzar a N8 e daí subir violentamente até ao Jerumelo e descer para a Malveira onde, em dia de feira, restauramos as nossas forças.
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Depois a ascensão até à Asseiceira Pequena a fazer-se penosamente e daí até ao magnífico vale do Barril onde se cruza inferiormente a A8 e se sobe até Montachique numa parte final muito violenta a exigir que se desmonte, sem apelo nem agravo.
No topo é tempo de descer ao longo de muitos quilómetros via Fanhões até, em Pintéus, se cruzar a CRIL e se alcançar o Tojal e o magnífico Palácio da Mitra e se percorrerem os quilómetros finais até Sacavém pelo vale do Trancão.
Em virtude do estado dos terrenos optámos pela margem direita via Unhos já que o troço habitual do Caminho de Fátima a partir de Alpriate não se nos afigurava como a melhor opção.
Alcançamos então Sacavém e o Parque das Nações e percorremos os quilómetros finais jé em Lisboa através das desertas ciclovias.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Basta de atropelamentos
Na véspera da Manifestação Nacional - Basta de Atropelamentos, não posso deixar de confessar alguma ansiedade. Gosto de acreditar que amanhã será um ponto de viragem. Apesar de todas as contrariedades, apesar das forças de oposição, apesar de a sociedade ter até hoje olhado para o lado, como se nada fosse... Acredito que a partir de amanhã, a voz de quem anda a pé e de bicicleta se faça ouvir bem alto, e que o país olhe para este problema com outros olhos e com mais atenção.
Quem segue este blogue, ou segue o LisbonCycle Chic, sabe que tenho apelado sempre a uma condução calma e defensiva. Por isso compreendem o quanto é cansativo ouvir sempre a mesma lenga-lenga de que os ciclistas é que são irresponsáveis. Sim, há alguns que não cumprem!... desafio qualquer pessoa a ir comigo para um local onde passem muitos ciclistas, peões e automobilistas, e vamos contar as infracções. Tenho a certeza que mesmo em termos percentuais, os automobilistas serão os que cumprem menos. Pergunto aos que andam sempre a apontar o dedo, se há algum dia em que conduzem, que não infrinjam pelo menos um limite de velocidade ou outra regra?... é que todos os dias, em certas ruas e avenidas, quase TODOS os carros passam por mim em excesso de velocidade. Não digo apenas apenas um ou outro - digo QUASE TODOS. Para não falar nos MILHARES de automóveis que todos os dias estacionam em cima dos passeios, passadeiras, ciclovias, etc.
Mas vamos assumir que os ciclistas e peões, até cumpriam menos... Muita gente contesta a descriminação positiva que pessoas como eu pretendem que seja dada aos utilizadores mais vulneráveis, pois todos somos cidadãos com direitos iguais. TRETAS. A descriminação já existe! E existe na forma de 1 tonelada de metal, ou mais. Quem vai protegido dentro de uma caixa de metal, com um enorme potencial mortífero, tem de ser obviamente mais responsabilizado. Ainda estamos à espera de ver uma notícia em que um peão ou uma bicicleta, atropelaram um automóvel!
A pergunta que eu deixo é esta: que sociedade queremos nós? Uma onde os peões e ciclistas que não cumprem, são sujeitos a ficar feridos ou mesmo morrer, e onde quem anda num carro, mantém a sua "superioridade física"? Ou uma que protege esses mais vulneráveis, e responsabiliza quem atropela. Em Portugal, quem quiser assassinar alguém, que o faça num automóvel... a história recente tem provado que a impunidade é quase garantida. Acho que é hora de aprender com quem sabe. Com quem se manifestou desta forma no passado, e fez as coisas mudarem:
Ainda assim, devo dizer que o comportamento dos Portugueses ao volante tem melhorado bastante. Nos anos 90, eu era mesmo "mal tratado" na estrada: buzinavam a torto e a direito, tentavam abalroar-me, insultavam-me, enfim... era muito triste. A partir de 2000, comecei a notar melhorias. E posso dizer que hoje em dia, são poucos os casos de assumida falta de respeito. Vejo é muita distracção, inconsciência na velocidade, razias (geralmente os condutores não têm noção das consequências que uma razia dessas pode ter). Mas os condutores começa a estar mais habituados às bicicletas nas ruas e estradas portuguesas. De 2010 para 2011, houve um aumento de 36% na sinistralidade envolvendo ciclistas. Morreram 45 pessoas que se faziam deslocar de bicicleta. São números negros, mas estas coisas têm de ser vistas em perspectiva. Se considerarmos que o número de utilizadores de bicicleta nas estradas, duplicou ou triplicou neste período, então esse aumento nos acidentes não foi assim tão expressivo. E dizem-nos as experiências e estudos internacionais, que quando mais utilizadores de bicicleta houver, mais a segurança rodoviária aumenta - a chamada "safety by numbers".
Mas a avaliar pelos números provisórios que a ANSR avançou, 2012 foi já um ano de viragem - nos 9 primeiros meses do ano passado, morreram 13 utilizadores de bicicleta. Mesmo que o último trimestre tenha sido mais "negro", é uma efectiva redução no número de mortes. Claro que há mais factores a contribuir para isso, nomeadamente a redução do número de automóveis a circular, e as velocidades ligeiramente mais baixas para poupar no combustível. Mas o facto do número de vítimas ter diminuído, não quer dizer que está tudo feito, e que podemos baixar os braços. Até porque Portugal tem dos números mais graves da Europa, no que toca a atropelamento de peões em ambiente urbano. Em 2011, foram quase 40.000 as vítimas de atropelamento em Portugal. Este artigo (entre outros) da Nossa Terrinha, ajuda a compreender um pouco esta triste situação
Felizmente há gente de bom senso, que já aderiu a esta causa. Ana Galvão e Nuno Markl, bem como o Francisco Mendes, acederam ao pedido de gravar um video apelando à participação de todos na Manifestação de sábado.
Mais gente de vários campos se juntou a esta causa - das artes, da política, da ciência - esta é uma causa suprapartidária, transversal a toda a sociedade.
Conto por isso com a vossa presença, em peso, numa das muitas cidades em que se vai realizar a Manifestação.
Consultem as páginas da Federação para se manterem informados:
ou www.fpcub.pt
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