terça-feira, 3 de janeiro de 2012

EXPEDIÇÃO AOS CARAMELOS - ETAPA UM (LISBOA - COUÇO)



Mês de Dezembro de 2011
132 kms.
Velocidade Média de 17,5 kms. / h.
758 m. acumulado
Ciclistas: João Pedro, Pedro Roque e Sérgio Duarte
Texto: Pedro Roque
Fotos: Pedro Roque 



  • INTRODUÇÃO

O Paulo Guerra dos Santos tem feito um trabalho notável em torno da promoção da bicicleta. Recentemente apostou no projecto “Ecovias de Portugal” dentro do entendimento “slow-travel” no qual a bicicleta constitui a pedra de toque neste conceito que eu definiria por “cicloturismo TT”. A presente expedição em BTT inspirou-se na filosofia e no traçado que por si nos é proposto em http://www.ecovias.pt.vu/ .

Sejamos minimalistas, tudo se resume a um punhado de bicicletas, um grupo selecto e restrito com uma forma física e mental razoáveis, um trajecto longe da confusão urbana e a esperança na contribuição meteorológica. No fundo é o meu conceito já que nada bate uma ligação de bicicleta com vários dias em autonomia.

Lançada esta primeira proposta – de Lisboa a Badajoz e, apesar de estarmos no Inverno, tendo sido vislumbrada uma janela de oportunidade conseguiu juntar-se uma “troika ad-hoc” ou seja, um grupo homogéneo e restrito e foram apontados os dias para a expedição esperando religiosamente que a meteorologia colaborasse, o que veio a verificar-se, tendo sido brindados com um sol magnífico porém acompanhado de um frio árctico e com os dias mais curtos do ano a exigir roupa técnica adequada . Apesar de saber que esta não era a altura do calendário mais asada para a empreitada e vontade era grande e isso era suficiente num espírito, aliás, de que seria apenas um reconhecimento para que a mesma aventura possa ser repetida mais tarde numa altura do ano mais consentânea e, acima de tudo com dias mais longos.

A experiência ensina-nos que, numa expedição deste tipo, a logística é primordial e o mais crítico aspecto é o do regresso. A opção comboio, se bem que válida, implicava uma adequação ao respectivo horário e o stresse que isso induz, várias horas de marcha e ainda um transbordo no Entroncamento. A opção do automóvel garante uma enorme tranquilidade e o primeiro acto desta expedição foi, consequentemente, o estacionamento do carro em Elvas no dia anterior e o regresso a Lisboa de autocarro (uma viagem muito rápida, de resto). Este gesto permitiu rolar sem preocupações no terceiro dia. Assim o número de três pessoas correspondeu, de resto, à lotação da viatura já que havia que somar os inúmeros artefactos de que se faziam acompanhar.


  • PRIMEIRA ETAPA
Definidas as etapas, delineadas as propostas de alteração ao traçado original e com “a carga pronta e metida nos contentores” chegou o dia “D”. O “rendez-vous” fez-se junto à minha casa e seguimos os três, ainda de madrugada e com o auxílio de luzes até à estação fluvial do Cais do Sodré ao longo de mais de oito quilómetros. Tomado o catamaran das 07:30 o percurso serviu para relaxar um pouco e a chegada ao caís do Seixalinho no Montijo deu-se cerca de trinta minutos depois. Rapidamente percorremos as ciclovias do Montijo até que a passagem pela grande área comercial marcou a entrada nos primeiros percursos em terra batida – finalmente um ar a todo o terreno. Progredimos até muito perto do Pinhal Novo com o cenário da vila de Palmela e do Parque Natural da Arrábida a servirem de fundo cénico de elevada agradabilidade.

A partir daqui a sucederem-se os longos, desertos e planos estradões junto à ferrovia. Se bem que algo monótonos eles permitiam uma velocidade de deslocação elevada o que muito se agradecia tendo em conta a intensa quilometragem esperada neste primeiro dia. Começa o montado que vai alternando com a cultura-rainha por aqui que é a vinha. A casta castelão reina sobre estes solos arenosos de  grande produtividade, vínica. Esta parte do trajecto foi uma espécie de abordagem à "Rota dos Vinhos da Península de Setúbal" já que se visitam duas adegas de renome: a Casa “Ermelinda de Freitas” em Fernando Pó e a Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões.

Foi num ápice que chegámos a Santo Isidro de Pegões (a média rondava então os 20 kms./h.) onde aproveitámos para parar no café da associação recreativa local perante a curiosidade de alguns locais relativamente ao meu atrelado vítima de algumas graçolas de gosto duvidoso no meio de alguns tragos de fumo de cigarro e de tosses condizentes.

Após este local efectuamos um primeiro “bypass” que, até Canha nos permitiu “economizar” 17 kms. relativamente ao “track oficial” por meio de um traçado rápido com passagem pelas Taipadas, entre pinhal, estufas de flores, transposição da A13 e da EN 10 e uma rápida estrada secundária. A partir de Canha e perante a perspectiva de uma subida muito arenosa novo “bypass” pela estrada que liga a Coruche até se retomar o caminho (a melhor opção tendo em conta que é praticamente deserta).

A partir daqui uma mudança na paisagem percorrendo a margem de uma bonita ribeira que abandonamos a dada altura para norte pela localidade da Branca e pelo meio dos pinhais até descermos para o vale do Sorraia e para a temida transposição do rio. De facto os terrenos de aluvião do largo leito de cheia provocaram grandes dificuldades devido ao lodaçal em que estava transformado o trilho do arrozal embora, alcançada a outra margem, o caminho que a ladeia até Coruche, iluminado pelo sol, tenha proporcionado excelentes planos fotográficos. Nesta vila foi tempo de restaurar mais algumas energias antes do traço final deste primeiro dia e que nos levaria ao Couço onde estava prevista a pernoita.

Já com uma quilometragem elevada, seguimos pela estrada para a Erra que, no seu primeiro par de quilómetros, nos brindou com uma lustrosa ciclovia verde (à boa maneira espanhola) mas que termina abruptamente. A estrada é plana e relativamente larga e, se bem que o trânsito fosse pouco denso, a velocidade muito elevada com que boa parte das viaturas se deslocava causava algum desconforto levando a pensar que este é um troço que gostaríamos de evitar. A seguir à Erra saímos da estrada e continuamos por terrenos de montado muito agradáveis paralelos ao Sorraia, rio que cruzamos já perto do Couço que alcançamos ainda com luz solar.

Este primeiro dia teve uma quilometragem algo elevada e, embora não apresentando dificuldades de maior, a necessidade da “detente” fez-se sentir com alguma premência. Por isso, o duche quente, a refeição e a dormida não poderiam ter sido recebidos de modo mais agradável.

1 comentário:

Michael disse...

Vejo com prazer que optaste pelo ExtraWheel. Uma boa aquisição deverá... Jé tenho dois "Camiños" a conta dele e não quer outra coisa. Aquele coisa em BTT agressivo é do outro mundo, quase não se sente!!! Michaël.