quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Reconhecimento do traçado dos Mundiais de Ponferrada



Depois da Vuelta Ciclista a España o ciclismo profissional volta àquele país já a partir do próximo fim de semana para o UCI World Championships na cidade espanhola de Ponferrada.

No entanto a prova mais aguardada será o Fondo Elite Masculino onde Rui Costa irá defender o seu título alcançado na edição de 2013 em Florença. Será no domingo 28 de setembro a partir das 10:00.

Fiquemos com o video do reconhecimento do circuito (em italiano)...

quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

DE BRAGANÇA A SANTIAGO DE COMPOSTELA

Azulejo do Camiño Real que sobe o vale do Minho a partir de Ourense
O desafio era de relevo (literalmente) - ligar Bragança a Santiago de Compostela em BTT tomando o Camiño Sanabrense a partir de Verin / Laza (tido por alguns como o final da Via de la Plata).

Já em tempos tinha percorrido este caminho na epopeia de 13 etapas de Tavira a SdC nos idos de 2010. Fiquei impressionado com a dureza em terras da Galiza em parte pelo desnível, em parte pelos pisos de muitas imemoriais calçadas de antanho por onde o Camiño serpenteia. Daí que a abordagem entre Ourense e SdC tenha sido mais conservadora agora ao desdobrar-se em dois dias (um dia apenas em 2010).

1. Bragança - Verin (86,5 Km., 2770 m. A+)

A "mãe de todas as etapas" todavia foi esta primeira entre Bragança e Verin, via Vinhais. Todo o acumulado positivo foi efetuado em 70 dos 85 kms. já que o final foi descendente até à veiga do Tâmega onde se situa aquela cidade Galega.

A saída de Bragança faz-se a descer até ao rio Fervença que se cruza para se entrar em Castro de Avelãs que guarda uma preciosidade anterior à própria fundação de Portugal. Trata-se de um mosteiro beneditino, monumento nacional e exemplar único do estilo arquitetónico românico-moçárabe em Portugal, em que sobressai a traça com tijolo maciço herdada da vizinha região espanhola de Castela e Leão.

Como tínhamos muito quilómetros por diante a pausa foi breve e em pouco tempo começaram as ascensões em pleno Parque Natural de Montesinho que, num percurso paralelo à N103, nos haveria de conduzir até Vinhais pelo meio as passagens por aldeias impolutas como Lagomar, Portela ou Vila Verde entre outras mas também o cruzamento do primeiro de inúmeros vales. Tratava-se do rio Tuela que, apesar de não ser fácil, se revelou como um dos mais simples da jornada
.
Chegados a Vinhais, que visitei pela primeira vez, tempo de restaurar algumas energias e de marcar a impressão de uma terra encaixada entre montanhas.

Seguimos caminho em direção a NW para o grande desafio do dia: o cruzamento pela ponte medieval do vale do rio Rabaçal que marca a fronteira entre os concelhos de Vinhais e Chaves, o mesmo será dizer entre os distritos de Bragança e Vila Real. O traçado entre as aldeias do Candedo e do Edral a revelar-se um dos troços de BTT mais difíceis que percorri: trata-se de uma descida insana (e uma subida condizente) que serpenteia pelo xisto e que em pouco mais de 3 kms. nos fazem perder e reganhar umas centenas de metros de altitude e parte da subida tem mesmo de ser efetuada empurrando a bicicleta pelo que, a pausa no Edral para beber uma bebida refrescante a parecer uma espécie de recompensa divina.

Ainda assim haveria agora de transpor a fronteira com a Galiza pelas rotas do contrabando via Segirei cruzando o bonito vale do rio Mente no limite do PNM. A passagem da fronteira exigiu também um empenho forte já que, até Soutochao a subida foi permanente.

Atingimos a maior altitude do dia em Vilardevós para se iniciar a descida contínua e muito rápida até Verin via Trasigrexa e Devesa num traçado que utilizava em parte a OU-310 e percursos paralelos e troços desclassificados da antiga estrada.

Assim terminou o primeiro dia.

2. Verin - Ourense, (69 Km., 1386 m. A+)

Esta jornada afigurava-se como bem mais simples e, de facto, a contagem altimétrica revela-nos cerca de metade do valor do primeiro dia para uma quilometragem idêntica (relembro que os quinze kms. finais foram descendentes).

A primeira parte da etapa até se atingir Laza é muito agradável acompanhando a veiga do rio Tâmega e apresentando algumas variantes encantadoras à OU-110 pelo meio de bosques e aldeias típicas. Em Laza, terra do Carnaval, a pausa para uma bebida refrescante enquanto nos preparava-mos para "o que aí vinha", o mesmo seria dizer a transposição do vale do Tâmega para o vale do Lima. durante cerca de seis kms. e até Tamicelas houve tréguas para depois desta aldeia se subir de forma violenta o monte Requeixada que se deixa vencer ao cabo de 4 difíceis kms. Ainda assim, se descontarmos um troço de cerca de duzentos metros onde a conjugação da pendente e do piso o tornam impossível de pedalar todo o resto é vencido a golpe de pedal se bem com enorme empenho.

Entramos então em Albergueria onde se alcança o famoso "Rincón del Peregrino" de Luís Sande. Este é um dos momentos altos da peregrinação já que o ambiente aqui vivido, num recanto coberto de milhares de vieiras que confere uma ambiência única e mágica.

A partir daqui desce-se para o vale do Lima não sem antes cruzar um outro local emblemático: a cruz de madeira do Talariño e inicia-se a descida até Vale de Barrio, Boveda, Vilar de Gomareite e Bobadela seguindo durante muitos quilómetros por planos estradões que cruzam os extensos milharais.

É tempo de nova ascensão por caminhos seculares em bosques de carvalho e em pouco tempo entramos em Xunqueira de Ambia com o seu fantástico mosteiro de Santa Maria a Real. Daqui até aos arredores de Ourense onde se pernoitou foi relativamente rápido em percurso descendente.

3. Ourense - Silledas, 84 Km., 2089 m. A+

A primeira tarefa foi a de retomar o caminho original uma vez que nos havíamos desviado para pernoitar na zona de Sao Cribrao. No fundo efetuamos uma triangulação por forma a minimizar a quilometragem do desvio.

Após uma passagem pelo casco antigo de Seixalbo para depois descermos para Ourense aproveitando para alterar o caminho normal tomando o parque linear do rio Barbaña até quase este se entregar ao magno Miño. A dada altura fletimos para o centro da cidade para, em plena Praza Maior, se efetuar uma pausa para café e se seguir para a imponente ponte romana que cruza o Miño e daí para os três duros quilómetros da subida do Camiño Real que, colina acima, nos permite abandonar o vale.

Uma nota especial para a ponte medieval sobre o rio Barbantiño, no fundo de mais um dos inúmeros bosques de carvalho em que este caminho é rico. A pausa foi obrigatória para se desfrutar da beleza do local.

A partir daqui chegamos rapidamente a Cea onde abordamos a Praza Mayor com a sua torre de relógio e as bicas com abundante água corrente bem fresca e cristalina. Esta é a terra do bom pão feito em tradicionais fornos de lenha.

Após Cea havia que escolher entra duas alternativas: o caminho por Pinor, mais tranquilo em termos de piso e altimetria ou o do mosteiro de Oseira, mais acidentado mas quase obrigatório pela passagem indelével pelo histórico monumento de Santa María la Real de Oseira.

A beleza do local é diretamente proporcional à dificuldade de saída do mesmo. Assim, pelo meio de um belíssimo carvalhal, para além de uma enorme pendente, o piso de lageado a impossibilitar o pedalar e a revelar-se duríssimo vencer esta dificuldade.

Passamos pois à província de Pontevedra onde passamos, uma após outra as povoações de Castro Dozón, Laxe, Prado e Taboada. Todavia, a chegada a Silleda revelou-se muito difícil em função da passagem por uma calçada romana e da transposição de um rio por uma ponte do mesmo período.

4. Silleda-Santiago, 41 Km., 1000 m. A+

Este último dia seria mais simples em função da quilometragem relativamente reduzida a que se juntaram os bons pisos.

De Silleda a Bandeira o caminho prossegue por vales agrícolas que lhe características e matizes diferentes do que até aqui.

Segue-se a enorme descida pelo vale do rio Ulla até se transpor o mesmo em Ponte Ulla, entrando na província de A Coruña e começar a interminável subida que se revelaria como a penúltima.

Descido mais um vale, já com Santiago à vista, a passagem pela zona da tragédia do comboio Alvia a merecer uma pausa demorada. A derradeira subida é efetuada já dentro da cidade e a chegada à Praza do Obradoiro com o sabor especial por ser o culminar de quatro dias muito duros a pedal num total de 280 kms. e 7245 m. de altitude positiva acumulada.

terça-feira, 29 de Julho de 2014

Bicicletas, Seguros e mau jornalismo

Depois dos tristes artigos de desinformação ontem publicados sobre seguros e bicicletas, com citações incompletas ou fora de contexto, e um título cuja intenção me pareceu ser a apenas o exaltar dos ânimos e criar má vontade em relação a quem circula de bicicleta, recomenda-se a leitura deste esclarecimento da FPCUB.

http://www.fpcub.pt/2014/07/nota-de-imprensa

O mau jornalismo da notícia da Lusa, foi repetido pelos jornais todos, e as caixas de comentários estão todas ao rubro... lamentável!

terça-feira, 24 de Junho de 2014

MUD WRESTLING


Foi desta maneira, absolutamente inglória, que terminou a 14ª peregrinação a Fátima.

A chuva, extemporânea para a jornada de solstício estival, empapou a primeira camada de terreno na zona de Arneiro das Milhariças e o hardware ficou no estado que as imagens documentam impossibilitando qualquer progressão. Foi a primeira vez que não consegui terminar a peregrinação.

A segunda tentativa segue dentro de momentos.

AS MARGENS DO INESQUECIMENTO


"Em vão os comandantes davam ordem para avançar. Em vão o chefe supremo, Décio Júnio Bruto, lhe ameaçou a desobediência com a prisão e a morte. Ninguém se movia dali, paralisado pela emoção e pelo medo. Mas Décio Júnio Bruto teve uma decisão feliz. Apeando-se do seu ginete, atravessou, lento, as águas feiticeiras, com o escudo a proteger-lhe a cabeça, a curta espada desembainhada na firmeza da mão. E, mal atingiu o areal da margem direita, vencendo o rumorejar do arvoredo, o gorjeio mavioso dos rouxinóis, começou a bradar pelos seus homens, hirtos, perfilados à sua frente, como estátuas estáticas, preferindo, de cada um deles, o nome exacto sem revelar esforço de memória. Só desta forma convenceu os seus soldados que, afinal, o rio que lhes corria aos pés não era o Lethes do esquecimento, apesar da sua beleza, apesar do seu fascínio." in Rio Lethes

Pedalando ao longo das margens do Lima, nas ecovias que em boa hora ali foram balizadas, tomamos o lugar desses legionários receosos do esquecimento. É que, perante um pedaço do paraíso diante dos nossos olhos, o maior temor é mesmo o de esquecer algo tão belo.

Este é um percurso obrigatório para qualquer ciclista que se preze. As várias ecovias ligam Ponte da Barca a Ponte de Lima e esta povoação a Refóios, na outra margem e daí a Lanheses e de novo a Ponte de Lima por uma ou outra margem. O intenso arvoredo converte-o na jornada ideal para um dia de calor a que pode, sem dificuldade, acrescentar-se uma ablução retemperadora.

Porém, que ninguém receie - perante a infinitude estética e bucólica, a jornada torna-se inolvidável.

Mais informações aqui.

A LUSA HOLANDA


Foto daqui

A ligação de bicicleta entre Coimbra e Figueira da Foz revela-nos uma realidade orográfica digna dos Países Baixos.

A única condicionante, ao longo dos seus 50 kms. de traçado (dobrando no regresso, bem entendido), é a circunstância de Boreas se poder fazer sentir na sua plenitude atrasando ou acelerando o passo consoante nos aproximemos ou afastemos do litoral.

Trata-se de um excelente treino aeróbico a que devem juntar-se, no capítulo do lazer, a passagem no Choupal, a visão do Mondego em diversos leitos e obras hidráulicas, o Castelo de Montemor bem como arrozais imensos de um intenso verde que penetra na alma.

quarta-feira, 4 de Junho de 2014

TOWARD SOUTH


Dia 1 - Setúbal (Tróia) Odemira - 137 kms., 2200 m. A+
Dia 2 - Odemira - Praia da Falésia (Albufeira) - 111 kms. - 2100 m. A+


Tratou-se de continuar um projeto que teve lugar, pela primeira vez, em 2006 no âmbito da FPCUB - Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta e contou com cinco edições até 2010 .

Foi um projeto que desenhei com o Rui Sousa e que exigiu um levantamento dos traçados muito trabalhoso pois pouco havia registado em GPS naqueles terrenos. A fórmula teve grande sucesso embora fortemente elitista já que as distâncias eram de respeito e a logística implicava, necessariamente, que as inscrições fossem em número contido. Tratava-se de uma travessia BTT (que denominámos de "Raide") e que ligou, nessas cinco sucessivas edições, a cidade de Setúbal a diferentes locais do Algarve, com escala no final do primeiro dia em Odemira.

Tendo caraterísticas desportivas não era todavia competitiva pois não havia qualquer controlo de tempos. As equipas eram compostas por um mínimo de dois elementos e guiadas por GPS. No primeiro ano terminámos em Albufeira, no segundo e terceiro anos em Querença, Loulé, no quarto em Vilamoura e no quinto em Vila do Bispo.

Tendo terminado oficialmente no ano de 2010 e, após um interregno em 2011, fiz questão de a continuar em termos particulares em 2012 com duas ligações - uma até Tavira (com um segundo dia bem extenuante - 159 kms., 2.647 m de A+) e outra com um dia extra até Lagos e daí pela ecopista do Algarve até Faro.

Este ano resolvi percorrer de novo regressando ao local de origem, isto é, ao concelho de Albufeira. Já sendo um clássico, uma vez que a cada ano tinham correspondido, pelo menos, duas travessias (a oficial e o reconhecimento prévio) deu para constatar que tudo se mantém intacto, por um lado, e que apesar da altimetria nada ter de extraordinário, o grau de dificuldade é elevado em virtude da grande quilometragem, sobretudo no primeiro dia com a ligação a Odemira a aproximar-se dos 140 kms., por outro lado.

Acresce ainda que o condicionamento físico, nos últimos tempos, tinha-se contido por quilometragens mais reduzidas. Mas, com maior ou menor dificuldade, a travessia fez-se pela espetacular ruralidade do sul de Portugal com destaque para um Algarve genuíno que pode ser encontrado ainda na serra e no barrocal.

No final um banho de mar marcou oficialmente o final da travessia até 2015, pelo menos.


quinta-feira, 22 de Maio de 2014

PELA ECOPISTA NAS TERRAS DE BASTO



foto daqui

Ecopista do Tâmega
Amarante, Celorico de Basto e Mondim de Basto
39 kms. (78 kms. nos dois sentidos)
A+ 410 metros (sentido ascendente)

A Ecopista do Tâmega corre bem o risco de poder ser considerada a mais bela de Portugal. A subida do rio a partir de Amarante e durante cerca de quarenta quilómetros é digna de um catálogo onírico feito pela inspiração divina e absolutamente marcante nos nossos sentidos.

Tudo se conjuga: uma recuperação notável de parte do traçado ferroviário de via estreita, inaugurado em 1931 e que ligava a Livração (linha do Douro) a Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto); um enquadramento paisagístico do melhor que temos visto com um dramatismo indelével conferido pelo vale escarpado de um Tâmega que corre muitos metros abaixo indiferente às circunstâncias humanas; a passagem por cenários bucólicos de paisagem humanizada das terras de Basto com o verde perene, as estações e apeadeiros, as vinhas em latada, as aldeias e casas senhoriais tudo bem enquadrado e sem representar qualquer choque.

O traçado, não sendo plano, é dócil de percorrer ou não fosse uma ferrovia. Ainda assim os 410 metros no sentido ascendente dão o toque aeróbico que acrescenta valor ao percurso. As estações e as pontes sucedem-se: Amarante, o túnel de Gatão a conferir uma aura de mistério ao percurso, Gatão com as latadas de vinho verde, Chapa, as pontes de Santa Natália e das Carvalhas que transpõem as ribeiras do mesmo nome que escorrem da montanha, Codeçoso, Lourido, Celorico de Basto onde se situa o centro interpretativo, Britelo, Freixedo, a pontes de Frexedo e imponente ponte de Matamá sobre um vale imenso, Mondim de Basto com magníficos azulejos das atividades agrícolas mas a necessitar de restauro, Padredo, Cânedo, Vila Nune e Arco de Baúlhe terminus e onde se encontra um espaço museológico ferroviário bastante interessante.

Mas a pièce de resistence é mesmo a omnipresença da visão do Monte Farinha com o santuário da Senhora da Graça no topo dos seus quase mil metros e que surge isolado e imponente na paisagem.

Percorrer estes 80 quilómetros de bicicleta foi um ato recompensador e nem a chuva e o granizo retiram o que fosse à satisfação. Bem pelo contrário.

Fiquem com este video delicioso...

quarta-feira, 7 de Maio de 2014

ver o invisível cheira a imensidão


Quando se faz BTT a tendência mais natural quando historiamos um percurso é descrever coisas grandes, materialmente grandes, ou seja, a quilometragem dos caminhos, as serras, os montes, a densidade da vegetação, a fauna corpolenta, os rios, a truculência dos estradões, os horizontes sobre horizontes, a altimetria alcançada, as aldeias, vilas ou cidades por onde passamos e as coisas nelas contidas e outros empreendimentos visíveis a bom ver.
Há, porém, no mundo dos sentidos um universo invisível que a BTT nos faz achar de feição intensa, quer mental, quer fisicamente. Refiro-me aos cheiros que moram na natureza. Como suaves e mimadas festas entre os cabelos enchem de frescura o nosso cérebro e a nossa vida cheiros de linho bravo, laranjeira, violetas, pinho, morganheira-da-praia, campainhas-amarelas, maresia, espargos bravos, abrótea-da-primavera, jacintos-do-campo, azinho, cebolinho-de-flor-branca, gladíolos, maios, açafrão selvagem, salepeira-grande, erva-borboleta, loburália, agrião, bolsa-de-pastor, eruca marítima, grizandra, flor de sal, piteira, marmeleiro, castanheira, roseira-brava, cardo-marinho, botão azul e o que mais Deus inventou. O olfato ganha visão. Os aromas adquirem cor, na BTT. Cheira bem. 

terça-feira, 6 de Maio de 2014

VIA VERDE "LOS MOLINOS DE AGUA"


Há poucos dias foi tempo de rumar a Huelva, Andaluzia para realizar a Via Verde de Molinos de Agua.
Tinha alguma expetativa sobre a mesma. A visualização do documentário "Vive la Via" dedicado a este percurso tinham aguçado o apetite ainda que relatos lidos davam conta de alguma degradação do traçado que é real mas que não impede o passo. Ainda assim as máquinas de BTT são as mais adequadas a algumas zonas onde a degradação se faz sentir mais.
Esta Vía Verde de Molinos de Agua percorre a antiga ferrovia mineira que ligava entre 1870 e 1969 as minas de Buitron ao caís de San Juan del Puerto, local onde a via começa.
Como todas as estruturas com estas caraterísticas apresenta uma pendente suave ainda que se tenha de subir nos 36 kms. do percurso até Valverde del Camino passando por Trigueros y Beas.
O traço mais curioso é que o percurso permite desfrutar de uma diversidade de paisagens: planícies cerealíferas ao bom estilo alentejano (até Trigueros), pinhais e montado de sobro entrando bem por dentro das terras de Andevalo que ligam os planos de Huelva com a fronteira de Portugal, na margem esquerda do Guadiana.
O regresso a fazer-se a uma velocidade estonteante. É que, apesar do vento frontal a ligeira pendente descendente permite os andamentos pesados e é um ápice enquanto de regressa San Juan del Puerto.
No final uma elevada agradabilidade em 54 quilómetros.

Vide Ficha técnica aqui


sábado, 3 de Maio de 2014

GUIA DO CONDUTOR DE VELOCÍPEDE


A ANSR apresenta o “Guia do Condutor de Velocípede”, publicação que decorre das alterações ao estatuto dos velocípedes no Código da Estrada, decorrente da Lei n.º 72/2013, de 3 de setembro.
A introdução de uma nova cultura de mobilidade urbana foi uma das principais orientações desse processo legislativo, tendo resultado na alteração de diversas normas do Código da Estrada, que procuram promover meios de transporte mais sustentáveis.
Este “Guia do Condutor de Velocípede” insere-se no esforço de promoção dos modos suaves, dirigindo-se sobretudo aos ciclistas e utilizadores de bicicleta, mas também aos demais utilizadores da via pública, procurando dar a conhecer os direitos e deveres dos ciclistas para uma convivência pacífica entre todos os utilizadores da via pública.
Com este Guia pretende-se passar do texto legislativo para a promoção de boas práticas, necessárias para a sua aplicação eficiente.

Texto extraído do site da ANSR, (o guia pode ser descarregado aqui)

sábado, 26 de Abril de 2014

NO TEJO INTERNACIONAL


De uma passagem recente pelas terras de Idanha surgiu a vontade de percorrer de bicicleta a GR 29 - Rota dos Veados. Trata-se de um percurso pedestre de grande rota, com duas variantes e um ramal, no coração do Parque Natural do Tejo Internacional.

Delineei um percurso com cerca de 50 kms. que começava um pouco mais longe mais concretamente em Monforte da Beira curiosamente no sexta-feira da Paixão enquanto a RTP numa reportagem fazia esta aldeia sair do anonimato quase quarenta anos após, em pleno Verão de 74, uma equipa de filmagens retratar o quotidiano da terra. O facto mais marcante é a dos 1385 habitantes registados em 1970 restarem agora pouco mais de 380, a maioria de idade avançada.

Ainda assim a terra é encantadora com as vistosas igrejas e a torre do relógio a converterem-na no local ideal para começar. Seguimos pela M351 e desviamos na direção de Cegonhas entrando em pleno Parque Natural do Tejo Internacional (PNTI) por uma estreita faixa de asfalto imaculado que desce à ponte do rio Aravil bem encaixada no profundo vale. Subir até Cegonhas revelou-se o cabo dos trabalhos valendo a circunstância de ser uma estrada pavimentada e o forte empenho ser suficiente para levar de vencida as dificuldades.

A partir daí seguimos o traçado da GR29 até ao Rosmaninhal por terra. Tarefa nada fácil diga-se: quatro ribeiras profundas foram vencidas pelo que o descanso se revelou como inteiramente merecido numa tranquila esplanada até à chegada de um epifenómeno novoriquista consubstanciado num núcleo familiar alargado e ruidoso que obnubilou o ambiente por completo.

Repostas as energias seguiu-se o regresso a Cegonhas pela estrada deserta que serpenteia os montes sobranceiros ao Vale do Tejo via Soalheiros e Couto dos Correias, duas aldeias onde o tempo parou.

De Cegonhas inverte-se o traçado até Monforte da Beira descendo e subindo, de novo o vale do Rio Aravil.

No final a satisfação de 52 kms. com um acumulado de 1100 metros positivos num percurso ao mesmo tempo exigente e encantador.


quarta-feira, 19 de Março de 2014

Bikes Are Everywere


É vê-las por aí. As bicicletas estão em toda a parte.

Se és daqueles que detestam as "gingas" e os ciclistas então deves andar alarmado.

É a vida...


terça-feira, 18 de Março de 2014

a roda que roda no universo que gira

Tenho uma certa dificuldade em assinalar os locais com rigor geográfico (desculpem lá a basicidade mapeal). Julgo que essa limitação terá origem no facto de me prender mais com a imagética do local, os cheiros, as cores, as conjugações impensadas da natureza, do que propriamente com o nome que dão ao sitio. Além disso, para garantir o rigor das coordenadas, e os nomes das localidades, está o grão-mestre que me conduz nestas andanças e o aliado GPS. É com este esclarecimento introdutório sobre esta minha restrição que sigo em frente nos trilhos do que aqui confesso, com a convicção de que serei sempre guiada pela beleza das coisas e no sentido da constelação nascente. O resto é um ali e um acolá.

Mas para chegar a qualquer sítio, bem sabemos, há quase sempre a necessidade de empreender um ou outro ritual, trabalhos vários e esforço certo. Neste caso tudo começa com o toque de um despertador, muito cedo, quase de madrugada. Diria mais: mesmo de madrugada, ofendendo os galos que cantam. Está garantido que isto da bicicleta que roda não se compadece com a possibilidade de ficarmos a dormir em almofadados e quedos colchões e a pedalar ao mesmo tempo. E oh se me custa dizer não ao pecado acolchoado. O ritual que antecede a profusão de prodígios naturais, ainda que o execute com uma certa revolta até perder de vista a tentação da preguiça, é fundamental para dar substância à recompensa. Mas adiante, que isso faz parte das lengalengas que dizem que o esforço compensa e isso já vocês sabem.

De facto, o todo terreno em bicicleta é um desafio surpreendente. Hei de dizê-lo e escrevê-lo mil e tantas vezes, apenas por ser verdade e me fazer formigueiro na parte da extravagância. O BTT é, na verdadeira aceção do conceito, uma aventura. Um destes dias idos, saindo de Torres Vedras, passando pelo Vimeiro, Santa Cruz, Santa Rita, Praia Azul, e por aí fora, lá fui subindo e descendo, umas vezes com a bicicleta ao colo, por gozar ainda de alguma insegurança quando toca a descer montanhas e serras que mais me parecem linhas de terra verticais em direcção ao centro do mundo de tão inclinadas que estão, noutras destemida lançada no espaço lá vou estoqueando o vento que deixo para trás atónito, até me ser dada a possibilidade de desembocar diretamente no pulcro do inesperado.


E é justamente o acidental preclaro que nos recebe depois de descermos a pique até Fonte dos Frades e entrarmos diretos numa outra dimensão, aquela em que deixamos de saber se somos nós a abraçar a montanha ou se é ela a abraçar-nos num enlaço intenso e ‘apassionato’. A estética daquele lugar ficar-me-á tatuada na pele como a nebulosa que tatua o cosmos. Enquanto passamos, roda que roda, a foz do rio Alcabrichel canta a canção das águas novas que refletem as protuberâncias calcárias das velhas montanhas ao longo de uma alameda festivamente relvosa, pueril, pintada com centenas de pequenos malmequer amarelos que nos dão a certeza de estarem vivos acenando-nos entusiásticos na base da terra as suas petalazinhas. Há naquela paisagem a simplicidade e o sortilégio que encontramos nos livros  que nos falam de inefáveis lugares. Há naquele lugar coordenadas de emoção que provocam uma alegria que quero totalizar em mim. Para sempre.  

quinta-feira, 13 de Março de 2014

Nunca se foi inteiramente criança se não se andou ou sonhou andar de bicicleta. 

"Abaixo a Reação!"


Entendo que, as recentes alterações do Código da Estrada representaram, em termos da mobilidade suave, a recuperação de décadas de atraso do nosso país relativamente aos outros Estados-membro da UE e a outros extra-europeus onde a proteção dos utentes mais vulneráveis era já uma realidade legal.

Todavia, apesar do enorme avanço é inegável que, em Portugal, existem determinados interesses que não se conformam com o facto de, por exemplo, às bicicletas terem sido conferidos determinados direitos que, de algum modo, as equiparam a outros veículos no panorama rodoviário. Paralelamente, outros interesses, de caráter económico encontram aqui uma oportunidade de negócio.

Esta inconformação é, objetivamente, contrária àquela que é a tendência que de há muito se verifica nos países mais evoluídos nesta matéria e procura atuar no sentido de criar embaraços à circulação em bicicleta com a proposta de introdução de exigências absurdas em nome de uma suposta segurança dos utentes.

Este tipo de propostas, como sejam a exigência de um seguro obrigatório, de utilização de capacete ou de colete refletor não encontram nenhum paralelo em mais nenhum outro dos países de referência em termos de mobilidade ciclável e onde há muito, quer a lei, quer a prática incentivam e promovem a utilização de bicicleta como um modo saudável e ambientalmente sustentável de mobilidade com reflexo no número de deslocações diárias elevadíssimo número de cidadãos com vantagens na redução das emissões poluentes e de gases com efeito de estufa, dependência de energia de origem fóssil importada, ganhos de saúde da população, redução de ruído e de ocupação do espaço público urbano, etc.

Convirá sempre ter presente que, em Portugal, a alteração do CE constituiu apenas um pequeno passo e deveremos de ter plena consciência que a obrigatoriedade de seguro ou de capacete implicariam um retrocesso intolerável no fomento da mobilidade.

Atente-se, por exemplo, no caso das chamadas "bicicletas de uso partilhado" (como as "Velib" parisienses, as "Boris-bike" londrinas, as "Citi-bike" de NYC ou os exemplos de centenas de cidades a nível mundial). A obrigatoriedade de usar capacete ou ser portador de um seguro inviabilizaria, pura e simplesmente, a sua utilização em Portugal e a repetição, entre nós, do sucesso que representam nessas cidades.

A bicicleta é uma forma simples e relativamente informal de mobilidade e é esse o seu segredo. Qualquer tentativa de o complicar, para além de ser uma "bizarrice" sem paralelo em nenhum país, constituirá um indesejável obstáculo no sentido da promoção da mobilidade ciclável e, desse modo, no sentido contrário ao do espírito do legislador plasmado no Código da Estrada que entrou em vigor em Janeiro último.