terça-feira, 27 de maio de 2008

BACK IN BUSINESS


Tendente à recuperação da minha condição física de outrora (a esperança é sempre a última a morrer :-) encetei um programa de condicionamento que me levou em cerca de uma semana a três incursões de BTT que somaram mais de 200 kms.

Há algum tempo que os treinos se limitavam a “joggings” de uma hora de duração, quando os tempos (meteo e cronológico) o permitiam e, nas últimas semanas, não o permitiram. Havia, assim, que retomar as grandes ligações, estar em cima do selim horas a fio e re-habituar o corpo e a mente a essas jornadas de BTT que sempre adorei.

A inércia era muito grande mas, ainda assim, num domingo de Maio da Graça do Senhor, resolvi meter as "mão à obra":

1. COIMBRA - MONTEMOR - COIMBRA (75 kms.)

Com a previsão de um dia tempestuoso e um amanhecer intensamente chuvoso resolvi meter as mãos à obra. Nada melhor que um “pedalar chato” (porque plano mas também monótono) para manter um ritmo certo e efectuar muitos quilómetros. Se assim o pensei melhor o fiz. Aproveitando a conjuntural aberta de meio da manhã desço da alta zona dos Olivais em Coimbra em direcção à Universidade e daí, pela zona velha, até Almedina e para o novel "Parque Verde".

Aí tive a prova que o dia "não estava para brincadeiras" já que a habitual algazarra e a densidade de pessoas em lazer, próprias de um fim de semana, fora substituída por um local praticamente deserto.

Rapidamente passei a ponte pedonal Pedro e Inês em direcção a Santa Clara prosseguindo para poente pela margem do Mondego recentemente reabilitada. Por aí se vai até à passagem inferior da Ponte-Açude e optei por prosseguir sempre pela margem sul do rio. O motivo não poderia ser mais prosaico: o vento soprava forte de NE e o dique representava uma protecção real que permitia seguir com o prato 42 sem interferências de maior.

Cerca de 20 kms. volvidos, em bom ritmo, chega-se a Pereira do Mondego, cuja feira se realizava naquele dia (prejudicada pelo mau tempo). A partir de Pereira resolvo passar para a outra margem já que seguir pela EN 341 até Santo Varão não me pareceu ser uma opção segura em virtude do tráfego e das características da estrada. Ao invés, passei a ponte e segui pela outra margem em direcção à ponte de Santa Cita e daí, através dos campos, até ao Centro de Alto Rendimento de Remo e a Montemor o Velho. Neste percurso deu para constatar a força do vento e correcção da opção que foi tomada de circular pela margem esquerda e protegido pelo dique.

Tempo de parar para repor as energias e de regressar. O caminho até à ponte de Pereira é idêntico mas, desta vez, ao invés de atravessar o Mondego, segui por norte empurrado por um forte vento e, num instante estava no eterno Choupal. A parte final foi a mais complicada já que, após cruzar a “baixinha” ascendi até à Universidade via Santa Cruz, Couraça dos Apóstolos e Museu da Ciência.

Apesar de levar o impermeável vestido, durante o caminho, não choveu uma gota (ao contrário da cidade onde caiu um aguaceiro forte). No final 75 kms. em ritmo forte.

2. LISBOA – SETÚBAL – LISBOA – 85 kms. (fotos)

Esta travessia está a tornar-se num clássico em alternativa ao “Cacilhas – Contracosta”. Foi a minha segunda incursão de longa distância, na semana, embora estes 85 kms. correspondessem a uma versão um pouco mais curta.

Respondi ao apelo do Mário Silva e lá fomos. Tomámos o comboio em Lisboa e saímos em Setúbal. Não sem antes o maquinista inadvertidamente nos ter trancado no interior da carruagem já na estação de Setúbal!

Após o incidente lá seguimos procedendo a duas adaptações com vista a simplificar um pouco a altimetria: o primeiro logo em Setúbal (sem se subir ao Castelo) e o outro em Picheleiros por forma a evitar o sobe e desce. Rapidamente chegámos a Sesimbra onde almoçámos algo para aquela que é sempre o pior pedaço desta incursão, aquilo a que chamo a “saída do buraco”, ou seja, a ascensão de Sesimbra até “lá acima” ao Zambujal. Daí seguimos para a travessia da “pista cársica” que nos conduzirá ao Cabo Espichel, as terras do Meco, Aiana de Cima, Apostiça, Verdizela e Corroios onde tomámos o comboio de regresso.

Embora o ritmo tenha sido tranquilo fiquei agradavelmente surpreendido com a minha prestação física.

3. LOUSA – GÓIS – VILA NOVA DO CEIRA – SERPINS – 55kms. (fotos)

No sábado passado, após a travessia que o Mário Silva, o Pedro Rodrigues e mais um bravo efectuaram entre o Cartaxo e a Lousã, foi tempo de nos encontrarmos todos e subirmos a Serra da Lousã. A nós juntaram-se mais dois betetístas e lá fomos apesar da previsão meteorológica.

Embora, de início, tenha ficado um pouco mal impressionado quando vi que, a ascensão, ao invés de se fazer "como seria normal" via Cacilhas era "pelo lado da descida", i.e. onde eu sempre desci. Também não sirvo, actualmente, de grande exemplo em virtude da baixa forma física.

Ainda assim, passado aquele desnível acentuado inicial reganhei o ritmo e o resto do passeio foi muito agradável (apesar da meteorologia) sobretudo o almoço em Góis e o regresso via Serpins (as paisagens estupendas do Centro de Portugal). A travessia do Ceira a vau foi um “must”, já para não falar do almoço em Góis.

A chuva fez a sua aparição forte a meio da serra e, embora tenha parado após meia hora, perto dos mil metros comecei a sentir algum frio. Valeram as paragens para um snack e para reparação de um furo que permitiu secar um pouco.

Acho que estou a recuperar bem o ritmo o que me permite desfrutar dos trilhos e das paisagens de um modo distinto, bem mais agradável.

Fotos by Mário Silva

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